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Como fazer o controle Spodoptera frugiperda na sua lavoura de milho

- 7 de maio de 2018

Confira agora as principais estratégias para o controle da Spodoptera frugiperda no milho

Não é fácil. Você gastou com semente de qualidade, fez as operações e tudo o que sabia para evitar grandes problemas com pragas.

Mesmo assim, quando foi ver a lavoura, a Spodoptera frugiperda estava lá.

As perdas de produtividade podem ser de 60% dependendo das condições da lavoura e da lagarta.

Se você já tentou controlar essa praga e não conseguiu – ou se mesmo obtendo algum sucesso ainda tem dúvidas, veja esse artigo.

Aqui mostraremos as principais e melhores estratégias para o controle da lagarta-do-cartucho do milho, inclusive em casos de resistência! Confira:

Métodos de controle de Spodoptera frugiperda

controle de spodoptera frugiperda no milho

(Fonte: Phil Sloderbeck, Kansas State University, Bugwood.org)

Existem diversos métodos de controle para a lagarta-do-cartucho.

Ter diversidade de ferramentas para o controle de uma praga é a melhor escolha para atingir um controle eficiente e sustentável ao longo do tempo.

Além disso, a realização de um manejo integrado é essencial para evitar a seleção de insetos resistentes.

É por isso que se fala tanto atualmente da realização do MIP, o famoso Manejo Integrado de Pragas.

Nesse contexto, dentre as ferramentas de controle, podemos destacar na cultura do milho:

  • Controle biológico

Utilização de Baculovirus spodoptera e Bacillus thuringiensis.

  • Uso de parasitoides

Telenomus remus, Trichogramma pretiosum e Trichogramma atopovirilia;

  • Controle cultural

Realizar tratamento de sementes;

  • Controle químico

Utilizar inseticidas específicos mas com rotação de mecanismos de ação desses produtos.

Tão importante quanto conhecer essas ferramentas e como usá-las, é saber quando se dá o período crítico da cultura:

Quando se atentar ao ataque de Spodoptera frugiperda em milho

A verdade é que antes mesmo do semear o milho já se deve estar atento, já que essa lagarta pode atacar em diversos estádios do milho.

Por isso recomendo o monitoramento constante da lavoura.

No entanto, também é verdade que temos períodos críticos dentro da cultura do milho,

Ou seja, períodos de quando a lavoura está mais suscetível ao ataque das pragas e terá dificuldade para se recuperar.

Esses períodos no milho ocorrem em:

  • Da emergência das plântulas até 30 dias após a semeadura (estádios fenológicos VE até V6), quando há grandes danos iniciais nas folhas e no colmo do milho;
  • De uma semana antes, até duas semanas após o florescimento (V15 até R2), com ocorrência de grandes perdas por danos na espiga, totalizando cerca de 20 dias.
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(Fonte: Adaptado de Fancelli, 1986)

Agora você já sabe quando redobrar sua atenção para a Spodoptera frugiperda, mas  como fazer esse monitoramento?

Como fazer monitoramento para correto manejo de Spodoptera frugiperda

Não tem como fazer um manejo eficiente sem realizar monitoramento.

O monitoramento da sua lavoura é o ponto inicial para determinação da necessidade ou não de controle de qualquer praga.

Isso faz parte do MIP em milho. Confira agora como fazer:

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Em milho, recomenda-se que essa amostragem seja feita em

  • Pelo menos 5 pontos diferentes em um talhão;
  • Em cada um desses pontos devemos verificar no mínimo 20 plantas;
  • Portanto, deve totalizar no mínimo 100 plantas verificadas por talhão;
  • Se atente: talhões muito grandes exigem que você o divida em talhões de 100 hectares e faça a amostragem de 100 plantas em cada uma dessas subdivisões.

Não sabe o nível de dano em que deve fazer controle de Spodoptera frugiperda?

Confira abaixo esse nível para essa e outras principais pragas da cultura do milho:

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Aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP! Saiba qual o Nível de Controle de cada praga e quando você deve aplicar, mantendo tudo organizado. Baixe clicando na figura a seguir!

Esse monitoramento deve ser registrado e guardado em local seguro e de fácil acesso para facilitar as tomadas  de decisões.

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Spodoptera frugiperda controle químico: como fazer

Já ficou claro que o controle químico está ligado à realização adequada do monitoramento.

Além de te ajudar na segurança da tomada de decisão, o monitoramento colabora muito para evitar desperdícios de produtos e desenvolvimento de resistência a defensivos.

Além disso, procure utilizar inseticidas seletivos, ou seja, que prejudiquem apenas a praga e não seus inimigos naturais.

Dessa forma, são preservadas as espécies benéficas na sua lavoura.

Segundo estudos,  os produtos reguladores de crescimento dos insetos, mostraram controle eficiente e menos impacto negativo sobre a população de agentes biológicos quando comparado a produtos à base de organofosforados.

Um dos agentes biológicos no estudo e que foram preservados é o parasitóide Trichogramma pretiosum.

Além disso, tenho outras dicas para o controle via inseticidas:

  • O tratamento de sementes é muito importante para o controle nas fases iniciais da cultura, portanto é recomendado que você o faça;
  • Em condições de déficit hídrico, faça pulverizações direcionadas à região do cartucho;
  • Para essa aplicação dirigida para o cartucho use bicos tipo leque;
  • Para aplicações terrestres utilize volumes de calda de 150 a 200 L/ha para plantas com 30-40 dias de idade, e 200 L/ha para plantas mais desenvolvidas;
  • Neste site você pode ver quais são os inseticidas registrados para a cultura do milho que controlam a lagarta-do-cartucho.

Lembre-se sempre de procurar um engenheiro(a) agrônomo(a) para qualquer aplicação de defensivos agrícolas.

Vamos agora conhecer mais sobre produtos biológicos que combatem a lagarta-do-cartucho:

Controle da Spodoptera frugiperda do milho com inseticidas biológicos

Os agente de controle biológico boas ferramentas de controle, especialmente porque não costumam impactar tanto o ambiente quanto os inseticidas químicos.

A bactéria Bacillus thuringiensis, ou simplesmente Bt, é um inseticida microbiológico que age através de sua ingestão pela lagarta.

Mas lembre-se que quando você já possui uma lavoura Bt, não é indicado o uso desse produto pois serão dois produtos diferentes com a mesma tecnologia.

E isso pode resultar em desenvolvimento de resistência para tecnologias Bt.

Além disso, em 2017 foi lançado o CartuchoVIT, lançado de uma parceria entre a Embrapa MIlho e Sorgo e o Grupo Vitae Rural.

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Inseticida biológico CartuchoVIT

(Fonte: Embrapa)

Esse produto é a base de Baculovirus spodoptera e é específico para Spodoptera fugiperda e Spodoptera cosmioides, além de apresentar um ano de validade em estoque.

As avaliações deste inseticida indicam que há maior efeito, propriamente 75% a 95% de controle, com lagartas de até 5 dias de vida.

Mais uma vez, veja a importância do monitoramento também para fazer as aplicações no momento adequado.

O ponto positivo do uso de inseticidas biológicos é que, de modo geral, são poucos tóxicos à saúde humana e ao ambiente, além de seletivos aos inimigos naturais.

Por isso tenha em mente a possibilidade de utilizá-los em seu Manejo Integrado de Pragas.

Agora vamos para um grande problema envolvendo pragas:

Como controlar Spodoptera frugiperda resistente a inseticidas

Infelizmente temos observado o aumento da sobrevivência da lagarta-do-cartucho mesmo quando aplicamos determinado inseticidas.

O IRAC-BR verificou aumento na sobrevivência das lagartas expostas aos seguintes inseticidas:

  • Lambda-cialotrina;
  • Clorpirifós;
  • Thiodicarbe;
  • Lufenuron;
  • Teflubenzuron.

Em geral, percebemos que os maiores problemas são para inseticidas dos grupos organofosforados e piretróides

Mas nem tudo está perdido: para novaluron, clorfluazuron, spinosad, indoxacarbe, clorantraniliprole e flubendiamide, a sobrevivência das lagartas ainda se mostra abaixo de níveis críticos.

O uso de plantas transgênicas Bt também é uma boa alternativa de controle para essa lagarta.

No entanto, só isso não vai funcionar, o interessante é mesmo o MIP, como já falamos.

Além de que a ampla utilização de plantas Bt sem área de refúgio é outro fator que favorece a evolução da resistência.

Se você não sabe bem como fazer área de refúgio veja esse artigo: “Tudo o que você precisa saber sobre tecnologia Bt e área de refúgio”

Outras recomendações de extrema importância você pode ver na figura abaixo:

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(Fonte:  IRAC-BR)

Também recomendo que você use produtos mais seletivos a inimigos naturais, como os inseticidas biológicos, especialmente nas primeiras aplicações.

Além disso, nunca utilize o mesmo produto em aplicações seguidas.

Depois de todas essas dicas ainda pode restar a dúvida: por que temos resistência de pragas a defensivos?

Por que ocorreu resistência de Spodoptera frugiperda a inseticidas?

Ai vai alguns grandes motivos para isso acontecer:

  • Aumento da área plantada de plantas hospedeiras;
  • Vários cultivos em um único ano;
  • Falta de rotação de culturas;
  • Sem muitas opções alternativas para o controle da lagarta que não o controle químico;
  • Uso indiscriminado de inseticidas.

Para piorar, a Spodoptera frugiperda possui alto potencial reprodutivo, ciclo biológico curto e pode ser hospedeira de diversas culturas.

Tudo isso fez com que essa praga se tornasse resistente a alguns inseticidas, causando muita dor de cabeça para os produtores rurais.

Por isso o planejamento agrícola, dentro de uma boa gestão, é fundamental para saber o que foi aplicado anteriormente e se foram obtidos bons resultados.

Por meio dessa gestão você vai definindo as melhores estratégias para sua propriedade para seus próximos cultivos.

Conclusão

A Spodoptera frugiperda é uma praga devastadora para a cultura do milho, podendo até mesmo apresentar resistência a alguns inseticidas.

Dessa forma, seu controle deve ser bem planejado e estudado.

Aqui você viu todas as dicas para seu controle, desde o químico até o biológico, além de medidas para casos de resistência.

Adotando todas as informações relatadas no texto, tenho certeza que você terá sucesso na sua produção!!!!

Como você faz o controle da Spodoptera frugiperda no milho em sua fazenda? Deixe seu comentário abaixo!

Comentários

  1. Gilberto Ranzi disse:

    Parabéns, ótima matéria!!! Tirou várias dúvidas!!!

    1. Jéssica Scarpin disse:

      Que ótimo saber que consegui responder às suas dúvidas, Gilberto! Muito obrigada! Nos acompanhe para ver mais conteúdos assim!

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