Soja 2019/20: Como está a situação do grão no exterior, como isso pode afetar os preços e as principais informações do mercado.

A safra de soja 2019/20 deverá atingir recordes. Com produção estimada em 122,8 milhões de toneladas, o Brasil se consolida como maior exportador da oleaginosa.

O aumento em área plantada em relação a safras anteriores e a alta cotação do dólar favorecem a exportação.

Por outro lado, incertezas envolvendo o mercado norte-americano e chinês ainda deixam os produtores receosos e podem afetar as vendas futuras.

Saiba agora quais as expectativas para o mercado da soja 2019/20, tendências para o mercado futuro e comercialização dessa cultura!

Cenário da produção de soja 2019/20

A produção de soja 2019/20 deve novamente bater recordes no país. Pesquisas realizadas pela Reuters mostram que a produção brasileira do grão deve alcançar 122,8 milhões de toneladas na safra 2019/20. 

O número supera o recorde de 119,3 milhões de toneladas produzidas na safra 2017/18.

Já a safra passada (2018/19) registrou 115 mi de toneladas, após as perdas devido à seca que afetou algumas regiões produtoras.

Os números da próxima safra brasileira colocam o país em posição de destaque mundial como maior produtor e exportador da oleaginosa, superando inclusive os Estados Unidos.

Por lá, a produção estimada pelo USDA é de 104,6 milhões de toneladas na temporada 2019/20.

Segundo a Conab, para a safra de soja 2019/20, é esperado aumento de 1,9% na área total plantada, atingindo 36,57 milhões de hectares. 

A estimativa da companhia é de que a produtividade alcance 120,4 milhões de toneladas, com viés de alta caso não haja problemas climáticos.

clima-soja-2019-20

Previsão de precipitação e temperatura média do ar para o trimestre outubro/novembro/dezembro, segundo o Inmet
(Fonte: Inmet)

Semeadura da soja 2019/20

A semeadura da soja 2019/20 está ocorrendo um pouco mais tarde em algumas regiões, devido à falta de chuvas entre setembro e outubro.

Como a janela de plantio da cultura se estende até o início de dezembro, atrasos nas precipitações não serão agravantes na produção para a maioria dos estados brasileiros.

Porém, um bom planejamento agrícola é vital para o sucesso da safra.

O problema mesmo será para os produtores que desejam fazer o milho 2ª safra, ou milho safrinha, já que quanto mais tarde a safrinha começar, maior a chance de condições climáticas ruins.

No Paraná e região centro-oeste, a semeadura da soja começou a ser realizada ainda na primeira quinzena de outubro, favorecida pelas chuvas que chegaram à região.

Já o sudeste não teve boa quantidade de chuvas e, frente a isso, as semeaduras estão mais lentas devido à baixa umidade acumulada no solo. 

Atrasos no plantio de soja não chegam a ser um fator alarmante na produção da safra 2019/20. 

Isso porque as semeaduras ainda estão dentro das médias históricas, aumentando gradativamente com o retorno das chuvas.

Na safra passada, tivemos influência de um El Niño fraco, afetando as chuvas em algumas regiões brasileiras.

A tendência na safra de 2019/20 é que as chuvas sejam um pouco mais regulares, segundo instituições da área.

soja-2019-20

Plantio da soja no Paraná vai a 65% da área prevista, o que deve beneficiar segunda safra de milho, segundo Deral
(Foto: Jornal do Comércio)

Mercado externo da soja 2019/20

Países como a China, chegam a importar 80% da produção de grãos brasileiros para abastecimento de seu mercado interno.

Na safra passada, a guerra comercial entre China e Estados Unidos acarretou em benefícios aos produtores brasileiros, uma vez que fora imposto uma taxa à soja norte-americana pela China.

Nesta safra, ainda existe impasse nas negociações entre ambos países, o que deixa os agricultores brasileiros em dúvida: se um acordo for travado entre EUA e China, pode ser que sobre soja no Brasil.

Mas, caso esse acordo não se concretize (e a China dependa da soja brasileira) tudo que produzirmos será pouco para atender a esse mercado!

Por outro lado, a China enfrenta perdas significativas em seu rebanho de suínos devido à PSA (Peste Suína Africana).

Segundo o Rabobank, o rebanho do país pode cair pela metade até o final de 2019.

Com essa queda, menores demandas de proteína serão necessárias para alimentação desses animais – e a soja brasileira pode perder parte dessa fatia de mercado.

Previsão do preço da soja futuro 2019/20

Os preços futuros da soja dependem de posições comerciais de governos estrangeiros.

Diante de inúmeras incertezas sobre o destino final da soja brasileira, muitos produtores estão receosos com o plantio e esperam maior remuneração nos próximos meses.

Com as pequenas margens de rentabilidade e as negociações entre China e EUA ainda indefinidas, além de possíveis quedas na demanda mundial da oleaginosa, os produtores brasileiros acabam ficando desestimulados a aumentar suas áreas de plantio.

Fora as questões burocráticas de governos estrangeiros, os altos valores da tabela do preço mínimo de frete rodoviário trazem ainda mais dificuldades na gestão financeira das fazendas.

Tudo isso fez com que as exportações em setembro ficassem em 4,44 milhões de toneladas de soja, o menor volume embarcado desde janeiro de 2019. 

Mesmo com as altas cotações do dólar (que chegou a uma média de R$ 4,124), as vendas não se intensificaram.

Neste ano, acumulamos uma exportação de 63,8 milhões de toneladas de soja, o que chega a ser 7,8% menos que no mesmo período no ano passado.

Plantio da soja no Mato Grosso já ultrapassou 15% da área estimada, segundo o Imea (Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária
(Foto: DCI)

Mercado futuro de soja 2019

Além da retração dos vendedores, a valorização do dólar e os aumentos nos contratos futuros negociados no CME Group (Chicago Mercantille Exchange), as cotações da soja se mantiveram estáveis na primeira quinzena de outubro.

Porém, segundo o Cepea, as tendências de altas nos preços foram restringidas devido às fortes quedas nos prêmios de exportação.

Entre 30 de setembro e 15 de outubro, o índice de soja Esalq/BM&FBovespa em Paranaguá subiu 3,3%, chegando a R$ 89,66/saca 60kg. 

O índice Cepea/Esalq para o Paraná aumentou 3%, chegando a R$ 83,33/saca 60kg.

As cotações de soja do mercado futuro na Bolsa de Chicago estão estáveis, chegando a ser negociadas na quinta-feira (31 de outubro) a US$ 9,14/bushel para janeiro e US$ 9,53/bushel para maio.

Conclusão

As expectativas de boas produções de soja pesam para o lado otimista para a condução dessa safra.

Colaborando com isso, as incertezas climáticas já não são tão alarmantes, uma vez que as chuvas devem ser mais regulares a partir de agora, assegurando boas colheitas.

No entanto, o mercado ainda apresenta certas dúvidas, principalmente no quesito de decisões comerciais entre China e EUA, que podem afetar as vendas futuras da oleaginosa brasileira.

Aos produtores que conhecem suas lavouras e praticam uma boa gestão agrícola, uma saída seria a negociação dos contratos futuros da soja. Isso assegura certa redução de risco e incertezas futuras no mercado!

>> Leia mais:

Quais serão as novidades de máquinas e implementos agrícolas 2020
Brasil será destaque no aumento da produção agrícola até 2027

Você já planejou o destino da sua safra de soja 2019/20? Acha que compensa a realização de contratos futuros da oleaginosa? Adoraria ver seu comentário abaixo.