Calcário calcítico: o que é e quando utilizar

Calcário calcítico: o que é, quais são os tipos de calcário, como escolher o melhor, quando utilizar, benefícios da calagem e muito mais.

Em geral, os solos brasileiros são naturalmente ácidos, apresentam baixa fertilidade e alumínio em níveis tóxicos para as plantas. Dessa forma, a calagem é uma prática fundamental na agricultura

Dentre os corretivos da acidez do solo, o calcário se destaca por ser o mais utilizado. Esse insumo é obtido pela moagem da rocha calcária e apresentado na forma de pó.

A seguir você pode conferir mais informações sobre os tipos de calcário e quando utilizá-los. Boa leitura!

O que é calcário calcítico

O calcário calcítico é um corretivo agrícola que tem em sua composição menos de 5% de óxido de magnésio. Em contrapartida, ele apresenta elevados valores de óxido de cálcio, de 45% a 55%. 

O calcário destinado à agricultura é dividido em três categorias de acordo com a concentração de óxido de magnésio (MgO): 

  • calcário calcítico;
  • calcário magnesiano;
  • calcário dolomítico.

 O calcário magnesiano tem em sua composição de 5% a 12% de óxido de magnésio e de 40% a 42% de óxido de cálcio. 

O calcário dolomítico tem mais de 12% de óxido de magnésio, porém apresenta baixo teor de óxido de cálcio, de 25% a 30%. 

Que tipo de calcário escolher e quando utilizar

A recomendação de calagem e a escolha do tipo de calcário dependem dos resultados da análise de solo e das necessidades da cultura a ser implantada.

O calcário dolomítico é o mais indicado para a maioria dos solos, por apresentar elevado teor de magnésio.

Os calcários do tipo magnesiano e dolomítico, além de neutralizar a acidez do solo, adicionam magnésio. Eles são a forma mais econômica de fornecer esse nutriente às plantas.

O mesmo não acontece quando se usa o calcário calcítico, que apresenta baixos valores de magnésio em sua composição. No entanto, é possível aplicar esse tipo de calcário e complementar a adubação com fertilizantes como sulfato de magnésio, carbonato de magnésio ou óxido de magnésio.

A relação entre cálcio e magnésio no solo deve ser de 3 a 4:1 mol (Ca:Mg). Nessa proporção, as plantas conseguem aproveitar os dois nutrientes sem que um interfira na absorção do outro.

Além dessas questões, é preciso se atentar aos custos. Em geral, o calcário rico em magnésio é mais caro que o calcítico.

No que diz respeito à correção da acidez do solo, o tipo de calcário não interfere na eficiência da calagem.

Como o calcário age no solo

Primeiramente, é importante deixar claro que o calcário precisa de tempo para reagir. Isso quer dizer que a calagem deve ser feita cerca de 2 a 3 meses antes do plantio da lavoura.

Além disso, o solo deve apresentar umidade superior a 80% da capacidade de campo para que as reações de solubilização do calcário ocorram. 

Após a aplicação do calcário no solo, ele reage com a água e libera Ca+2 (cálcio) e Mg+2 (magnésio), além de CO32¯ (carbonato) e HCO3¯ (bicarbonato). 

O carbonato e o bicarbonato possibilitam a formação de íons hidroxila (OH¯) que irão neutralizar os íons de hidrogênio livre (H+), responsáveis pela acidez do solo. 

Independente do tipo de calcário, a velocidade de reação depende da granulometria do produto, do grau de acidez do solo e se o corretivo foi ou não incorporado ao solo.

Benefícios da calagem

A calagem é uma prática indispensável na agricultura. Ela ajusta as propriedades químicas do solo às necessidades das culturas, o que viabiliza a produção em diferentes áreas. 

Confira a seguir os principais benefícios da calagem:

  • reduz a acidez do solo;
  • neutraliza a ação tóxica do alumínio (Al), ferro (Fe) e manganês (Mn);
  • fornece cálcio (Ca) e magnésio (Mg) para as plantas;
  • diminui a fixação do fósforo (P);
  • aumenta a disponibilidade de nutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), enxofre (S) e molibdênio (Mo);
  • aumenta a Capacidade de Troca Catiônica (CTC) do solo;
  • melhora a atividade microbiana;
  • favorece a fixação biológica do nitrogênio
  • favorece o desenvolvimento radicular das plantas;
  • aumenta a produtividade das culturas.

Culturas como a soja e o milho são bastante responsivas à calagem e têm aumentos significativos de produtividade.

Como determinar a necessidade de calagem

A necessidade de calagem é determinada pela análise de solo. Somente a partir dos resultados dessa avaliação é estabelecida a quantidade de calcário a ser aplicada. 

O cálculo de calagem pode ser feito pelos seguintes métodos:

  • método da saturação por bases (V%);
  • método do alumínio trocável;
  • método pH SMP.

É importante deixar claro que cada método é utilizado de acordo com a região do país. 

O método da elevação da saturação por bases é utilizado em São Paulo, no Paraná e em algumas regiões de Cerrado. O método de neutralização do alumínio é usado em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Já o método pH SMP é aplicado nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Geralmente, a avaliação da exigência de calcário é realizada a cada 3-5 anos. 

Em solos mais arenosos, o intervalo de amostragem do solo deve ser menor. Isso porque os solos com maior teor de areia necessitam de calagem com maior frequência quando comparados aos solos argilosos.

Por fim, é preciso frisar que doses de calcário em excesso ou quando a operação de calagem é mal executada interferem na disponibilidade dos micronutrientes. Por isso é fundamental determinar a dose correta do calcário para que a cultura expresse seu potencial produtivo.

Para mais informações sobre a técnica da calagem e os tipos de calcário, confira nosso artigo “Calcário no solo: tipos, vantagens, como funciona e eficiência”.

Conclusão

O calcário é o principal corretivo agrícola utilizado na neutralização da acidez do solo. Ele é classificado com base na sua composição, podendo ser calcítico, magnesiano ou dolomítico.

A recomendação de calagem deve ser sempre orientada pelos resultados da análise de solo. Em geral, essa prática é realizada de 2 a 3 meses antes da semeadura

No sistema convencional, o calcário é distribuído a lanço e depois incorporado ao solo, geralmente a uma profundidade de 20 centímetros. No sistema de plantio direto, o corretivo é aplicado a lanço na superfície do solo e não é incorporado.

Os benefícios da aplicação do calcário são a correção da acidez, neutralização do alumínio e manganês, fornecimento de cálcio e magnésio para as plantas e maior desenvolvimento das raízes. Como consequência, há aumento da produtividade.

Restou alguma dúvida sobre o calcário calcítico? Você já utilizou em sua propriedade? Aproveite e assine nossa newsletter para receber mais conteúdos como este em seu e-mail!

Veja como e quando é feita a adubação de cobertura

Adubação de cobertura: veja o que é, sua importância, principais nutrientes aplicados, culturas e época de aplicação

Os nutrientes são essenciais para o desenvolvimento vegetal. Cada um tem atuação fundamental nas plantas, e muitas vezes é necessário durante todo o ciclo da cultura.

A adubação antes do plantio é essencial para disponibilizar nutrientes desde o início da formação da planta. Entretanto, alguns são requeridos em maiores quantidades, e se aplicados em sua totalidade na adubação de plantio, podem prejudicar a lavoura. 

Neste artigo, veja como a adubação de cobertura ajuda a contornar esses prejuízos, quais nutrientes são aplicados e em quais culturas ela é indicada. Boa leitura!

Qual a diferença entre adubação de base e de cobertura?

A adubação de cobertura é feita após a cultura já estar estabelecida, quando os níveis de nutrientes no solo estão abaixo do necessário. Ela também é feita em lavouras sem histórico de informações sobre o solo.

Em casos de lavouras sem histórico, a cobertura com adubo serve para manter o solo em um padrão seguro para a cultura. Isso, é claro, não exclui a necessidade de fazer análises de solo.

Ela fornece o nutriente para a planta durante seu ciclo no momento que a planta mais precisa. Afinal, a fertilidade dos solos brasileiros geralmente é muito baixa. 

Para suprir as necessidades das plantas, muitas vezes é necessária uma boa quantidade de determinados nutrientes. Justamente por isso, a adubação das culturas deve ter como parâmetros:

Estas são as principais informações necessárias para definir a adubação. Entretanto, nem sempre a quantidade requerida é necessária no início da formação da lavoura. Ainda, a cultura pode precisar de grande quantidade de determinado nutriente.

Assim, a aplicação total na adubação de base se torna inviável. Nesses casos, ocorre o parcelamento da adubação (a adubação de cobertura).

A adubação de fundação ou de base fornece os nutrientes, principalmente os fertilizantes NPK, para o início do desenvolvimento da cultura. 

Por outro lado, a adubação de cobertura complementa o fornecimento com a planta já formada e quando ela mais necessita.

Quais são os nutrientes aplicados?

A adubação de cobertura geralmente é feita com nutrientes facilmente perdidos durante o desenvolvimento da cultura, como o nitrogênio e o potássio. Geralmente, o nitrogênio deve ser dividido em adubação de base e cobertura. 

Em algumas culturas, ele pode ser parcelado em duas aplicações para aproveitar a maior parte. Quando se parcela o nutriente via cobertura, você consegue aplicar em poucas quantidades e no momento que as plantas mais necessitam.

O potássio é outro nutriente importante para as plantas. Muitas vezes, devido à quantidade disponível no solo, é preciso aplicar grande volume. Os solos arenosos são os que mais requerem este nutriente.

O fósforo é pouco utilizado neste tipo de adubação por causa da sua imobilidade no solo. Assim, se aplicado por cobertura, irá se concentrar na camada superficial.

Já em relação aos micronutrientes, alguns já são aplicados após a formação das plantas. Entretanto, são aplicados praticamente em sua totalidade via adubação foliar, com a pulverização.

Principais culturas que recebem adubo de cobertura

Alguns fatores devem ser considerados antes da aplicação da adubação de cobertura, ainda no planejamento:

  • teor dos nutrientes no solo;
  • expectativa de produção;
  • textura do solo;
  • teor de matéria orgânica;
  • demanda nutricional da cultura que será implantada;
  • clima antes e depois da aplicação;
  • quantidade a ser aplicada via cobertura.

A seguir, veja as principais culturas anuais que recebem ou podem receber adubação de cobertura.

Trigo

A adubação de base de nitrogênio para o trigo é feita com até 20 kg/ha. O restante exigido pela cultura é aplicado por cobertura. A aplicação em cobertura é recomendada entre os estádios de perfilhamento e alongamento do colmo.

Fases de desenvolvimento do trigo

Fases de desenvolvimento do trigo
(Fonte: Mais soja)

Feijão

O feijão, ao contrário da soja, precisa de adubação de cobertura devido à quantidade de nitrogênio necessária para completar seu desenvolvimento ideal.

Dos 35 dias aos 50 dias após o começo do ciclo fenológico do feijão, as plantas requerem grandes quantidades de nitrogênio por causa do florescimento. Entretanto, a nodulação será mais efetiva após os 35 dias.

A nodulação do feijão fornece parte do nitrogênio requerido pela planta. A outra parte é dividida entre aplicação na semeadura (geralmente utilizado ⅓ do recomendado), e o restante em cobertura. Isso é feito entre 25 e 30 dias após a emergência das plantas.

As doses de nitrogênio podem variar de 40 kg/ha a 120 kg/ha, dependendo do tipo de solo, cultivar e quantidade de matéria orgânica.

Como e quando fazer adubação de cobertura no milho?

A primeira adubação do milho (adubação de base), realizada com a semeadura, é feita com NPK. Esse é o melhor adubo para cobertura do milho. Entretanto, é necessário fazer a adubação de cobertura aplicando o restante de nitrogênio necessário.

O adubo de cobertura para milho é inserido entre as fases V2 e V4. É entre estes estádios fenológicos do milho que é definido o potencial produtivo das plantas. 

Ciclo fenológico da cultura do milho

Ciclo fenológico da cultura do milho
(Fonte: Geagra)

Como adubo utilizado em cobertura, são utilizados principalmente sulfato de amônia e ureia agrícola. Alguns produtores já estão utilizando adubos mais tecnológicos para esta aplicação, como os revestidos. Eles apresentam liberação mais controlada

Para o potássio, se o solo não precisar de grande quantidade para o milho, a adubação é feita 100% na base. Entretanto, em épocas de seca após a semeadura do milho, o recomendado é aplicar no máximo 60 kg/ha de K2O.

Quantidades acima desta devem ser aplicadas via adubação de cobertura do milho. A cobertura de potássio para o milho pode ser feita junto da adubação nitrogenada, mas em até 30 dias após a semeadura.

Soja

A adubação de cobertura fornece potássio para soja. O nitrogênio da soja vem da fixação biológica. Entretanto, devido a quantidade requerida deste último nutriente, é necessário realizar a aplicação em cobertura.

A aplicação de potássio para soja tem sido feita antes da semeadura, e pode substituir a aplicação em cobertura. A maior demanda de potássio pelas plantas de soja corre até o enchimento de grãos

Por isso, o recomendado é aplicação de no máximo 50 kg/ha de potássio na semeadura. Isso evita danos na germinação. O restante deve ser aplicado 30 dias após a semeadura.

banner para baixar a planilha de cálculo de fertilizantes para milho e soja

Conclusão

Para realizar a adubação de cobertura, é necessário planejamento antes mesmo da semeadura. Esse planejamento deve considerar diversos fatores.

Fique de olho nas recomendações para cada cultura, e não deixe de procurar ajuda de uma pessoa profissional da agronomia. Afinal, todo cuidado é pouco para garantir boa produtividade e menos perdas na cultura.

Como você faz a adubação de cobertura na sua lavoura? Não deixe de compartilhar este artigo com a equipe responsável por essa etapa na sua fazenda. 

O que fazer em caso de deficiência de fósforo em milho?

Deficiência de fósforo em milho: quais são os sintomas da deficiência na cultura, como funciona o nutriente no solo e como acertar na adubação fosfatada no milho

O fósforo é um macro nutriente indispensável para o desenvolvimento da lavoura de milho.  Apesar de não ser exigido em grandes quantidades pela cultura do milho, a deficiência de fósforo compromete a qualidade do produto final e o rendimento de grãos.

Justamente por isso, saber identificar quando suas plantas precisam desse nutriente e como fazer uma boa adubação fosfatada é essencial.

Neste artigo, saiba como uma boa adubação do milho garante mais produtividade na sua lavoura e como agir corretamente em casos de carência de fósforo nas plantas. Boa leitura!

Sintomas de deficiência de fósforo nas plantas de milho

O principal sintoma de deficiência de fósforo no milho é a cor roxa ou avermelhada nas folhas. Além disso, os colmos do milho ficam improdutivos, finos e frágeis, e as espigas ficam pequenas e retorcidas. Esses sintomas aparecem quando as plantas são bem jovens.

O fósforo no milho é um nutriente essencial para a formação do sistema radicular. Além disso, ele participa da maturação das plantas e dos processos de formação das espigas e dos grãos. Ele está envolvido em vários processo metabólicos como a respiração e a fotossíntese

Esse elemento ainda contribui para conferir rigidez ao caule da planta. Isso reduz casos de tombamento das plantas e aumenta a resistência ao ataque de pragas no milho.  A carência de fósforo altera o crescimento das plantas, o que causa queda da produtividade.

Na cultura do milho, os sintomas de carência de fósforo nas plantas costumam se manifestar logo no início, quando as plantas ainda são jovens. Além disso, eles aparecem primeiro nas folhas mais velhas. Afinal, o fósforo se desloca das folhas mais velhas para as mais novas. 

Assim, as folhas mais velhas adquirem coloração verde intensa e arroxeada. As plantas deficientes em fósforo apresentam folhas mal formadas e de tamanho reduzido. A redução da área foliar interfere no rendimento final de grãos

Sintoma de deficiência de fósforo na folha do milho
Sintoma de deficiência de fósforo na folha do milho 
(Fonte: Plantwise Plus)

Em lavouras com deficiência nutricional do milho, ocorre atraso no crescimento e redução do porte das plantas. Além disso, a maturidade do milho fica atrasada, os colmos se tornam finos e frágeis, e em alguns casos, as plantas podem não apresentar espiga

Já as espigas têm grãos pouco desenvolvidos, são pequenas e retorcidas. Por fim, as plantas tendem a apresentar um sistema radicular mais superficial. Isso ocorre pois a deficiência de fósforo prejudica o desenvolvimento das raízes.

Plantas de milho com sintomas de deficiência de fósforo
Plantas de milho com sintomas de deficiência de fósforo
(Fonte: Universidade de Minnesota)

Como funciona a disponibilidade do fósforo no solo?

Os solos brasileiros possuem baixo teor de fósforo disponível para as plantas. A deficiência  nutricional do milho está relacionada ao pH ácido e à presença de minerais como o ferro e o alumínio.

Diante disso, a correção da acidez do solo favorece o desenvolvimento das raízes, a absorção de nutrientes e o crescimento do milho. A calagem é uma prática que neutraliza o alumínio do solo e fornece cálcio e magnésio para as plantas. 

No entanto, ela também contribui para aumentar a disponibilidade e a absorção de fósforo e outros nutrientes. Além de aumentar a eficiência dos adubos fosfatados, a calagem contribui para a economia de fósforo. 

Outro fator que também influencia na disponibilidade do fósforo é o teor de matéria orgânica do solo. A matéria orgânica fornece fósforo para as plantas e também reduz a adsorção desse elemento.

Quando e como aplicar os adubos fosfatados?

Geralmente, o fósforo é fornecido apenas na adubação de semeadura do milho, pois a maior demanda por esse nutriente ocorre na fase vegetativa. Nessa fase, o fósforo é fundamental para a formação e para o crescimento do sistema radicular nas plantas

A adubação fosfatada pode ser realizada de duas formas: em área total a lanço ou durante a semeadura no sulco de plantio. A escolha do método para a aplicação dos adubos depende de uma série de fatores e deve considerar a realidade de cada lavoura.

Do ponto de vista operacional, a adubação em área total garante maior eficiência no momento da semeadura. Isso é um fator muito importante quando se trabalha com estreitas janelas de plantio.

Esse método favorece as plantas daninhas no milho, justamente pela distribuição uniforme do fertilizante na área. A adubação em área total também limita a distribuição vertical do fósforo no perfil do solo, por causa da baixa mobilidade desse elemento.

Já na adubação localizada no momento da semeadura, o fertilizante é depositado abaixo e um pouco ao lado da semente da cultura. Isso favorece o desenvolvimento das raízes das plantas de milho e diminui a competição pelo fósforo com as espécies invasoras. 

calcule a adubação da cultura do milho

Quanto de fósforo aplicar em casos de deficiência no milho?

De modo geral, para a cultura do milho, devem ser aplicados de 100 kg a 120 kg de fósforo. No entanto, vale lembrar que a quantidade exata depende do tipo de solo da sua fazenda e da produtividade esperada para sua lavoura.

Quando comparado a macro nutrientes como nitrogênio e potássio no milho, o fósforo não é exigido em grandes quantidades pelo milho. Apesar disso, é comum a recomendação de altas doses de adubos fosfatados. 

As doses de fósforo aplicadas devem ser superiores àquelas exigidas pelas plantas. Afinal, uma fração do fósforo é fixada pelas argilas e não fica disponível para as plantas, reduzindo a eficiência da adubação.

A quantidade de adubo fosfatado a ser aplicada é determinada pelas características do solo e pela produtividade esperada. Por isso, é preciso que seja feita a análise físico-química do solo.  Somente a partir dela é possível definir a quantidade adequada de nutrientes. 

Na posse do resultado da análise do solo e com a ajuda da tabela abaixo, é possível determinar a classe de disponibilidade do fósforo, que varia em função do teor de argila.

Nas tabelas a seguir, você pode conferir a recomendação de adubação a ser realizada na linha de plantio para milho grão. Essa recomendação tem como referência a disponibilidade de fósforo e o rendimento esperado. Veja também como interpretar as classes de disponibilidade:

Identificação das classes de disponibilidade de fósforo e recomendação de adubação para milho destinado à produção de grãos com base nos resultados das análises de solo e na produtividade esperada
(Fonte: Embrapa)

Conclusão

A deficiência nutricional do milho é um fator de atenção, sobretudo se o nutriente for o fósforo. O fornecimento desse nutriente via adubação é indispensável, considerando a baixa fertilidade natural dos solos brasileiros.

Os sintomas da deficiência de fósforo na cultura do milho são visíveis em plantas jovens e nas folhas mais velhas. Atraso no crescimento do milho e colmos finos são apenas alguns dos sintomas da falta de fósforo

A calagem e a adubação fosfatada são importantes ferramentas na manutenção da produtividade a longo prazo. Em caso de dúvidas sobre a adubação com esse nutriente, não deixe de consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já teve problemas com a deficiência de fósforo no milho? Se você conhece outros produtores de milho que estão em momento de adubação, não deixe de compartilhar esse artigo com eles.

Saiba o que é e para que serve o superfosfato simples

Superfosfato simples: conheça os principais fertilizantes do mercado, como utilizar, custo-benefício e muito mais.

O superfosfato simples é uma fonte de fósforo para as plantas. Ele é obtido através do tratamento de rochas fosfatos naturais, como a fosforita e a apatita. As reservas de fósforo disponíveis no mundo para exploração econômica são suficientes apenas até 2050.

Justamente por isso, compreender quais fontes deste elemento são melhor aproveitadas pelas plantas é fundamental. Ainda, possibilitar as melhores condições do solo para aumentar a absorção do nutriente também é uma prática importante. 

Neste artigo, saiba mais sobre o superfosfato simples e entenda como escolher a mais adequada da fonte de fósforo para a lavoura. Saiba também sobre a diferença entre superfosfato triplo e simples. Boa leitura!

Qual é a composição do superfosfato simples?

O super simples, também conhecido como superfosfato simples ou SSP, é um fertilizante obtido através da adição de ácidos em rochas. Como resultado deste processo, a composição do superfosfato simples é próxima de 18% de fósforo, 16% de cálcio e 10% de enxofre

A fórmula do superfosfato simples é Ca(H2PO4)2 + CaSO4 2H2O. Ainda, além de disponibilizar fósforo quando aplicado, também é fonte de outros nutrientes importantes. O enxofre, por exemplo, é importante para as plantas por participar de processos importantes.

O nutriente ajuda na síntese de proteínas e aminoácidos essenciais. Ainda, é indispensável para o desenvolvimento das raízes e para a fotossíntese. Além disso, na maioria das áreas de produção, o enxofre é encontrado em quantidades abaixo das necessárias para as plantas.

Também é bom lembrar que os efeitos do superfosfato simples sobre o pH do solo são praticamente nulos. Esse parâmetro é fundamental para que os nutrientes sejam disponibilizados para as plantas. O oposto acontece no uso de outros fertilizantes, como:

  • termofosfato;
  • fosforita de olinda.

Importância do fósforo para as plantas

Dentre os macronutrientes essenciais (nitrogênio, fósforo e potássio), o fósforo exerce papel fundamental para as plantas. Isso sobretudo nos processos de armazenamento e utilização da energia captada pela luz solar, pelo processo de fotossíntese. Ainda, o fósforo:

  • é exigido em grandes quantidades pelas plantas;
  • participa do crescimento das raízes, da formação de grãos, frutos e fibras;
  • está diretamente envolvido na maturação dos grãos e frutos.

O fósforo é o elemento que possui maior dificuldade de absorção pelas plantas. Afinal, ele é considerado imóvel no solo. Além disso, a depender das características físicas e do tipo de solo, pode estar presente em quantidades adequadas, mas  indisponível para absorção. 

Mobilidade de diferentes nutrientes no solo. Da parte superior esquerda para para direita: água, nitrato, amônio, fósforo, potássio, cálcio, enxofre e cloro. 
(Fonte: Manual de Fertirrigação Yara)

Essa indisponibilidade está ligada ao pH do solo. Em solos ácidos, o fósforo pode estar presente no solo, mas indisponível para plantas. Além da fonte de fósforo adequada, condições do cultivo e características do solo são importantes para seu melhor aproveitamento.

Uma das alternativas disponíveis e mais utilizadas como fonte de fósforo no mercado são os fertilizantes fosfatados.

Quais as vantagens do uso do fertilizante super simples?

O superfosfato é altamente solúvel no solo. Isso acontece em função do método de fabricação do fertilizante fonte de fósforo, como a adição de ácidos para a sua solubilização. Ainda, a purificação e concentração da rocha fosfática também auxilia nesse processo.

Desta forma, os superfosfatos possuem alta eficiência devido à liberação rápida e de forma prontamente disponível. Após a aplicação no solo, o superfosfato simples libera fósforo rapidamente no solo, o que contribui para a absorção das plantas.  

Qual a desvantagem do superfosfato simples?

Como desvantagem principal do superfosfato simples, podemos destacar o fato deste fertilizante ser importado. Desta forma, ele fica suscetível a alterações abruptas de preços e também da disponibilidade.

Isso acontece especialmente em cenários conturbados, como os conflitos vivenciados no Oriente Médio. Por esse motivo, é necessário um enorme planejamento para compra de insumos para evitar ficar sem estoques de fósforo na lavoura.

Outra desvantagem é que a alta solubilidade pode causar perdas por lixiviação na sua cultura agrícola, especialmente em solos de pH ácido. Isso também acontece em épocas de alta incidência de chuvas, que podem levar o nutriente para camadas mais profundas do solo.

Diferença entre o adubo superfosfato simples e triplo? 

A principal diferença entre superfosfato simples e superfosfato triplo é a disponibilidade para as plantas. No caso dos superfosfatos, como o superfosfato triplo, o efeito da sua adição à lavoura pode ser observado tanto no primeiro ano, como em anos posteriores.

Entretanto, é necessário se manter atento, pois uma única aplicação não é garantia de que as plantas poderão absorver o nutriente. Além disso, após a extração pelos cultivos, é necessário que adubações de manutenção e correção sejam realizadas.

Outra diferença encontra-se nas quantidades de fósforo disponíveis. No caso do superfosfato triplo, segundo as garantias mínimas legais impostas pelo Mapa, a quantidade mínima de fósforo solúvel em água deve ser de 41%

Ainda, o superfosfato triplo possui 10% de cálcio, além da ausência de enxofre em sua composição. Por conter maiores quantidades de fósforo e exigir menor quantidade para aplicação na lavoura, pode ser encontrado com preços mais atrativos.

Quanto a qual dessas opções é a melhor para se utilizar na área de cultivo, depende da disponibilidade de enxofre. Se a área apresentar baixa disponibilidade de enxofre, a opção mais acertada pode ser o superfosfato simples

Cabe salientar que existem fontes mais baratas para reposição deste nutriente, como o enxofre elementar. Além disso, é importante observar as características da área, pois o superfosfato simples é mais suscetível à lixiviação.

Principais fertilizantes fosfatados do mercado

Existem diversas opções de fertilizantes fosfatados do mercado, obtidos a partir de diferentes métodos. Dentre os principais, estão:

  • os fosfatos acidulados, como superfosfato simples e superfosfato triplo; 
  • os fosfatos de amônio, como o monoamônio fosfato e o diamônio fosfato;
  • os termofosfatos, como os termofosfatos magnesianos;
  • os fosfatos naturais, como os importados de Arad, Gafsa, Carolina do Norte, e os nacionais, como os Fosfatos de Araxá e Patos de Minas.

Os fosfatos acidulados são obtidos através do uso de ácidos. Os fosfatos de amônio se formam na reação de amoníaco com ácido fosfórico. 

Os termofosfatos, em contrapartida, são obtidos através do tratamento térmico de rochas fosfatadas. Podem ainda ser obtidos por meio da adição de outros materiais, como o silicato de magnésio.

Cada uma das fontes apresenta particularidades quanto ao benefício ao sistema. Dentre todas as fontes listadas, os superfosfatos acidulados solúveis em água são os mais utilizados na agricultura mundial.

Como usar o superfosfato simples? 

A forma mais eficiente para que o fósforo seja adicionado ao solo é por meio da aplicação a lanço e posterior incorporação. Desta forma, são fornecidas as melhores condições para que as plantas possam absorver não somente o fósforo, mas também a água e outros nutrientes.

Por isso, a análise do sistema de cultivo de forma geral é fundamental para o melhor aproveitamento deste macronutriente de difícil absorção pelas plantas. 

Dadas as diferentes fontes de fósforo disponíveis no mercado, é comum a dúvida de qual a melhor opção para aplicação na lavoura. Esta resposta depende de diversos fatores, e a tomada de decisão sobre qual fonte utilizar dependerá:

  • da espécie a ser cultivada;
  • do sistema de preparo do solo;
  • do clima da região de cultivo;
  • da forma como o fósforo é adicionado no solo (a lanço, na superfície, com ou sem incorporação ao solo);
  • e das características do solo. 

Ou seja, esta resposta não é tão simples. Mas não se preocupe, pois agora você verá mais detalhes sobre as características de cada uma das fontes disponíveis.

planilha calculo fertilizante milho e soja

Tipos de fontes de fósforo para o solo

Como você viu, existem diversas fontes desse nutriente no mercado. Conhecer os detalhes de cada uma delas é fundamental, visto que elas possuem características diferentes e que podem impactar na sua propriedade. 

Confira algumas considerações importantes sobre as diferentes fontes de fósforo antes de considerar o super simples como adubo na sua lavoura.

Fosfatos acidulados

Devido a boa solubilidade em água, os superfosfatos acidulados são ótimas fontes de fósforo em solos com baixa disponibilidade deste nutriente. Eles são a fonte de fósforo mais utilizada no mundo. 

No entanto, os fosfatos acidulados podem apresentar limitação no uso devido ao seu custo ser mais elevado. Isso, é claro, quando comparados aos fosfatos naturais (menos eficientes).

O principal benefício dos fosfatos acidulados é a facilidade de aplicação localizada, por serem produtos granulados. No entanto, a mesma característica que configura um benefício, em solos muito intemperizados e ácidos, pode configurar uma desvantagem. 

A alta solubilidade dos superfosfatos em água pode torná-los indisponíveis neste tipo de solo. Desta forma, ao se ligarem a outros compostos, parte do fósforo adicionado ao solo não pode ser utilizado pelas plantas. 

Considerando esses detalhes, a adição de fósforo ao sistema do solo precisa estar em harmonia com a correção de outras características, como a acidez.

Fosfatos de amônio

Os fosfatos de amônio possuem alta concentração de nitrogênio e pentóxido de difósforo. Entretanto, eles não possuem cálcio e enxofre na sua composição. Por isso, caso você precise também desses micronutrientes, reconsidere o uso do fosfato de amônio.

Termofosfato

Os termofosfatos podem promover aumentos expressivos no pH, reduzindo a acidez potencial do solo. Esse fenômeno acontece quando aplicados antes do cultivo da cultura principal.

O termofosfato pode ainda proporcionar aumentos nos teores de cálcio e magnésio no solo. Esses nutrientes são importantes para o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Fosfatos naturais

Os fosfatos naturais possuem boa reatividade em solos tropicais. No entanto, a sua aplicação exige maiores quantidades, em função da menor disponibilidade de fósforo

Dentre as opções, embora não seja a mais eficiente, é a que geralmente possui preço mais baixo. Isso também em comparação às demais fontes de fósforo.

Conclusão

Muitas fontes de fósforo podem ser utilizadas na agricultura. Por isso, a escolha da mais apropriada envolve uma série de análises. A primeira delas é a análise de solo, para entender quais são as quantidades de nutrientes disponíveis e possíveis deficiências.

Após isso, o direcionamento de custos, da espécie que está sendo cultivada e das condições ambientais vigentes da safra  poderão ajudar na escolha. Assim, é possível ter mais assertividade, tanto financeira quanto na produtividade da cultura.

Ficou com alguma dúvida sobre o superfosfato simples? Já utilizou esse adubo na sua lavoura? Adoraria ler seu comentário sobre o assunto. 

Níquel nas plantas: entenda a importância do nutriente

Níquel nas plantas: veja o que é, quais são as funções, como identificar sintomas de deficiência e toxidez e mais!

Os micronutrientes são elementos essenciais para as plantas. Entretanto, eles são exigidos em pequenas quantidades. 

O níquel é um exemplo de micronutriente que, quando não fornecido na dosagem necessária, compromete o crescimento e a produtividade das plantas. Além disso, esse elemento tem relação direta com o processo de fixação biológica do nitrogênio.

Por ser um elemento importante, você precisa estar por dentro dos sintomas de deficiência e de toxidez na sua cultura. Assim, você garante boa produtividade da sua lavoura e consegue acertar na adubação com níquel.

Neste artigo, saiba a importância do níquel nas plantas e no solo, além de entender mais sobre a função desse micronutriente. Boa leitura!

O que é o níquel nas plantas?

O níquel é um metal pesado e também um micronutriente das plantas. Até pouco tempo, ele não era considerado um nutriente essencial. Ele foi o último a integrar o grupo dos micronutrientes, junto do cloro, manganês, boro, zinco, ferro, cobre e molibdênio. 

Em leguminosas, ele é fundamental para o processo de fixação biológica de nitrogênio. O níquel atende aos critérios direto e indireto da essencialidade dos nutrientes. No critério direto, ele é constituinte estrutural de algumas enzimas, dentre elas a urease e a hidrogenase.

No critério indireto, por sua vez, ele não pode ser substituído por nenhum outro nutriente.  Na ausência do níquel, as plantas não completam o ciclo de vida

O níquel é absorvido pelas raízes via difusão passiva e transporte ativo. Nas plantas, este elemento apresenta alta mobilidade. Durante a fase de senescência de plantas de soja, até 70% do níquel presente nas folhas pode se deslocar para os grãos. 

A concentração desse micronutriente varia ao longo do ciclo da planta e de acordo com o tecido vegetal. O níquel pode ser encontrado em todos os tecidos vegetais. Apesar disso, o acúmulo desse elemento é maior nos grãos, nas folhas e nas partes jovens

Confira a seguir quais são os sintomas de deficiência e toxidez causados pelo níquel na soja e nas demais culturas agrícolas.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Sintomas de deficiência de níquel na soja e em outras culturas

Em campo, os sintomas envolvendo a deficiência de níquel não são comuns. Um dos sintomas é conhecido como “orelha de rato”, já que a ponta das folhas apresenta manchas escuras e formato arredondado, semelhante à orelha do animal.

Essa expressão foi utilizada pela primeira vez para descrever sintomas severos de deficiência de níquel em folhas jovens de nogueira-pecã. Os principais sintomas visuais da deficiência de níquel na soja e nas demais plantas são:

  • clorose;
  • redução do tamanho das folhas;
  • alteração no formato das folhas;
  • região verde-escura na ponta das folhas;
  • necrose na região apical das folhas;
  • curvatura e enrugamento das folhas;
  • crescimento anormal das plantas.

É importante deixar claro que a clorose foliar não é uma característica confiável para avaliar a deficiência de níquel na soja e em demais culturas. A carência de outros nutrientes também causa clorose.

Em plantas de soja, a carência de níquel causa sintomas de queima e necrose na ponta das folhas. Como esse elemento é constituinte da enzima urease, a deficiência de níquel impede a ação dessa enzima. Isso causa o acúmulo em concentrações tóxicas de uréia nas folhas

Sintomas de toxidez do nutriente nas plantas

As plantas toleram níveis diferentes de níquel no solo. Ou seja, a toxicidade varia de acordo com a espécie vegetal. Existem plantas sensíveis, moderadamente tolerantes e hiperacumuladoras desse micronutriente.

É comum que os sintomas de toxidez por níquel sejam confundidos com a deficiência de manganês ou ferro. Os principais sintomas de toxidez por níquel são clorose nas folhas e redução do crescimento das raízes e da parte aérea. 

A clorose ocorre em função da menor absorção de ferro pela planta. O excesso de níquel na soja e em outras culturas também pode provocar a deficiência de zinco. Em casos severos, pode ocorrer a deformação de várias partes da planta e manchas foliares.

Sintomas de toxidez de níquel na soja cultivada em solo muito argiloso, submetido à aplicação de 5,0 mg dm-3 de níquel
(Fonte: Rodak, 2014)

Função desse micronutriente no solo

O níquel é um elemento encontrado naturalmente nos solos. No entanto, a concentração depende da composição do material de origem e da intensidade da atividade agrícola. Solos formados a partir de rochas ígneas apresentam elevada concentração total de níquel.

Isso acontece principalmente em rochas máficas e ultramáficas ricas em minerais do grupo serpentina. Contudo, nem todo níquel presente no solo encontra-se disponível para as plantas. A disponibilidade desse nutriente depende das características de cada solo

Dentre as características que influenciam na disponibilidade do níquel para as plantas, há:

  • pH (potencial hidrogeniônico);
  • CTC do solo (capacidade de troca catiônica); 
  • teor de matéria orgânica;
  • classe textural;
  • composição das argilas;
  • teores de óxidos de ferro e manganês;
  • competição pelos sítios de adsorção;
  • atividade microbiana. 

O pH do solo é o fator que mais interfere no comportamento do níquel. Quanto maior o pH, menor é a disponibilidade do níquel para as plantas.  Em solos com pH menor que 5,5 e pouca matéria orgânica, a disponibilidade de níquel é maior. 

A distribuição do níquel no solo também está relacionada à textura, ou seja, ao tamanho das partículas. As partículas de solo mais finas têm maiores cargas negativas e também maior superfície específica. Por isso, essas partículas têm maiores concentrações de níquel.

Função desse micronutriente nas plantas

O níquel é um micronutriente que tem importante papel no metabolismo das plantas. Em resumo, sua função nas culturas dizem respeito à:

  • produção de etileno;
  • germinação das sementes;
  • resistência à doenças;
  • metabolismo de aminoácidos e ácidos orgânicos;
  • componente estrutural de enzimas;
  • conservação pós-colheita de frutos.

Várias enzimas são dependentes desse elemento, dentre elas a urease. A urease é responsável por transformar a uréia em amônia e gás carbônico, sendo essencial para o metabolismo do nitrogênio. 

Na cultura da soja e em outras leguminosas, o níquel está envolvido na fixação biológica do nitrogênio. Ele é constituinte da enzima hidrogenase que atua nesse processo. 

Desse modo, a deficiência de níquel limita a atividade dessa enzima e interfere na fixação simbiótica do nitrogênio. Isso quer dizer que o fornecimento adequado de níquel favorece a nodulação em espécies leguminosas e a produção de grãos.

O níquel também tem efeito no controle de doenças. Esse micronutriente atua na síntese de fitoalexinas, que são compostos produzidos pelas plantas em resposta a algum tipo de estresse. Isso contribui para o aumento da resistência das plantas ao ataque de patógenos. 

Como fazer adubação com níquel?

Apesar da grande importância do níquel na soja e nas demais plantas, ainda não há recomendações oficiais para a utilização desse elemento em programas de fertilização.

Além disso, são escassas as informações quanto à melhor forma de aplicação desse micronutriente. A exigência de níquel pelas plantas é a mesma que a de molibdênio e cobalto, cerca de 0,05 mg/kg de massa seca. 

Confira abaixo as principais fontes utilizadas para aplicação de níquel nas lavouras:

  • cloreto de níquel;
  • nitrato de níquel;
  • sulfato de níquel;
  • carbonato de níquel;
  • quelatos de níquel;
  • silicato de níquel.

O lodo de esgoto é um resíduo urbano utilizado na agricultura. Ele apresenta elevada quantidade de níquel. Além disso, o calcário e os adubos fosfatados também são insumos que podem conter níquel.

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão

O níquel é um importante micronutriente para as plantas. O suprimento inadequado desse  elemento impacta diretamente no desenvolvimento das culturas. Diversos fatores interferem na disponibilidade do níquel, como pH do solo e CTC.

Em leguminosas, o níquel favorece a fixação biológica do nitrogênio. Além disso, o níquel promove mudanças na fisiologia das plantas que aumentam a resistência à doenças.

Apesar da grande relevância desse elemento para as diferentes culturas, ainda são escassas as informações quanto às recomendações de adubação com níquel. Por isso, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) se tiver dúvidas.

Você sabia da importância do níquel nas plantas? Tem alguma dúvida sobre isso? Adoraria ler seu comentário abaixo.

Análise foliar: veja como fazer o “check-up” da lavoura

Análise foliar: veja como funciona, quais são as boas práticas para adotar, como interpretar e mais!

A análise foliar é uma maneira de verificar as deficiências nutricionais da lavoura e corrigi-las. Assim, você evita as limitações de produtividade

A nutrição de plantas causa muita influência na produtividade de culturas agrícolas, assim como estresses bióticos e abióticos. A boa execução de correção do solo e adubação pode diminuir as incertezas da sua safra.

Mesmo utilizando de técnicas como análise de solo, correção de acidez e aplicação de fertilizantes, podem ocorrer desbalanços nutricionais na lavoura. Assim, você precisa de métodos para diagnosticar as deficiências nutricionais o mais cedo possível na safra. 

Neste artigo, saiba como diagnosticar as deficiências nutricionais o mais cedo possível, como fazer análise foliar e todos os detalhes necessários para o uso do método.

O que é a análise foliar?

A análise foliar é um conjunto de métodos bioquímicos que quantifica a concentração de nutrientes minerais específicos nas células de uma folha.

No método, amostras de folhas de plantas são coletadas e processadas. Então, é verificada a quantidade de determinadas moléculas ou nutrientes isolados.

Ela é um “check-up” para saber quanto a planta conseguiu absorver dos nutrientes ofertados a ela. Além disso, é possível comparar com as quantidades exigidas para a cultura numa etapa específica de desenvolvimento.

A diagnose foliar substitui a análise de solo?

Não, a análise foliar é um método complementar que permite verificar se a correção e adubação de solo geraram a resposta esperada na planta.

Após a análise de solo, são calculadas as quantidades necessárias de produtos para correção e para o fornecimento de nutrientes para a cultura a ser implantada.

Porém, alguns fatores podem resultar em deficiência ou toxidez de nutrientes durante o crescimento da planta. Entre eles, podemos citar:

  • Má amostragem para análise de solo;
  • Erros no cálculo da correção e adubação;
  • Problemas na aplicação de fertilizantes;
  • Lixiviação ou inativação de nutrientes;
  • Características físicas e químicas do solo;
  • Problemas de crescimento de raiz;
  • Estresses bióticos como seca ou alagamento.

Assim, é necessário verificar se a projeção feita após a análise de solo realmente foi alcançada. Verifique também se a planta absorveu quantidades suficientes de nutrientes para alcançar seu potencial produtivo.

banner-calculo-fertilizantes

Análise foliar ou visual: qual é a melhor?

A análise foliar não é o único método para verificar o estado nutricional das plantas.

O método mais comum para a avaliação nutricional de plantas durante seu ciclo de crescimento e desenvolvimento é a análise visual. Ela consiste em mapear sintomas que podem ser indicativos da deficiência de nutrientes específicos.

Esse método é muito utilizado por dois motivos principais: baixo custo e rapidez para verificação. Afinal, ele não necessita de nada além de mão de obra especializada, e uma vez detectado o sintoma, você já pode atuar sobre o nutriente deficiente.

Porém, o método de análise foliar apresenta uma série de vantagens em comparação ao método de análise visual, como:

  • Precisão: a diagnose visual pode ser problemática pois muitos sintomas são comuns a algumas deficiências. Além disso, pode acontecer de que o sintoma de um nutriente esteja mascarando a falta de outro. Isso não ocorre na quantificação feita pela análise foliar;
  • Detecção precoce: mesmo sem ainda apresentar sintomas, um nutriente pode estar em concentrações próximas ao limite mínimo, o que pode ser corrigido a tempo. Isso evita perdas de produtividade por diagnose tardia, principalmente em fases importantes para definição de produtividade;
  • Correção da deficiência: a análise foliar mostra as concentrações exatas dos nutrientes presentes na folha, o que permite uma correção por uso de fertilizantes de maneira precisa, sem aplicação excessiva ou menor que a necessária.

Como fazer amostragem para análise foliar?

Na análise foliar, a amostragem correta é fundamental. Por isso, é importante conhecer os passos e métodos para uma boa amostragem de folhas. 

A época de coleta de amostras para a análise foliar depende da cultura. Porém, normalmente, essa análise é feita visando à correção de deficiências para as etapas de desenvolvimento mais relacionadas à produção.

Em café, normalmente as análises são feitas nas fases de chumbinho/chumbão. Isso é feito em torno do mês de dezembro, previamente à granação dos frutos. 

Em culturas anuais de grãos, a coleta pode ser feita mais de uma vez na safra. Normalmente, isso é feito nas fases finais do ciclo vegetativo e no início do ciclo reprodutivo.

Alguns pontos são importantes para uma boa amostragem de folhas:

  • Dividir as áreas de coleta nos mesmos talhões utilizados para a análise de solo, para se ter possibilidade de comparação e avaliação da adubação;
  • Coletar folhas de múltiplas plantas aleatoriamente, andando em ziguezague dentro da lavoura, em cada talhão;
  • Utilizar sacos de papel e não de plástico para o armazenamento das folhas;
  • Fazer a identificação correta da fazenda, talhão, cultura, estágio de desenvolvimento e previsão de produção;
  • Não coletar logo após adubação de solo ou foliar ou de aplicação de defensivos agrícolas;
  • Evitar folhas com necroses ou ataques de pragas ou sintomas de doença;
  • Não coletar folhas molhadas ou úmidas, após chuva ou irrigação;
  • Evitar áreas próximas a carreadores ou estradas.

Como fazer a interpretação de análise foliar?

Existem algumas possibilidades de locais para a execução da análise foliar, dependendo de cada região. Laboratórios particulares ou de instituições estaduais ou federais como Epamig, Embrapa e universidades são boas opções.

Na tabela de resultados da análise foliar, normalmente há macronutrientes e micronutrientes minerais. Eles aparecem em suas concentrações médias nas amostras de cada talhão.

Os macronutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio, cálcio, enxofre) são normalmente dados em gramas por quilo (g/kg). 

Os micronutrientes, por sua vez, (boro, cobalto, cobre, ferro, molibdênio, manganês e zinco) em miligramas por quilo (mg/kg).

tabela de resultado de análise foliar de café
Exemplo de tabela de resultado de análise foliar de café
(Fonte: Cocapec)

De posse dos resultados da análise foliar, os teores dos nutrientes devem ser comparados aos valores de referência para a cultura. Caso haja deficiência, a correção pode ser feita por aplicação de nutrientes por via de solo ou foliar.

No caso da tabela que você acabou de ver, comparando a referência da amostra “Café 144” com os valores de referência, é possível perceber:

  • Falta de nitrogênio, potássio, magnésio, enxofre, boro e zinco;
  • Teores adequados de fósforo, cálcio, ferro e manganês;
  • Excesso de cobre.

Como calcular quantidade de adubo na análise foliar?

Você pode estar se perguntando se é possível calcular a quantidade de fertilizante necessária através da análise foliar. A resposta é sim, e esta é uma das grande vantagens de se usar a análise foliar ao invés da diagnose visual. 

Porém, a necessidade de reposição e as quantidades de fertilizante são definidas de acordo com a previsão de produção de cada talhão.

Isso é feito a partir dos valores obtidos na análise foliar, considerando também o tipo de fertilizante a ser usado (de solo ou foliar) e as concentrações do nutriente presentes nele.

Esse é um procedimento que, se não feito com atenção, pode causar danos por overfert ou por adubação insuficiente na lavoura. 

Por isso, a recomendação é que você procure um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) para te orientar da maneira correta, de acordo com as características da sua lavoura e da sua cultura.

banner-adubacao-cafe

Conclusão

A produção agrícola depende do planejamento e da capacidade de executar bem o manejo das lavouras.

A limitação da produção por falta de nutrientes é uma condição real. Entretanto, ela pode ser evitada com a adoção de boas práticas como análise de solo, correção e adubação e análise foliar.

A análise foliar é importantíssima e possui inúmeras vantagens em relação ao diagnóstico visual. Ainda, siga as boas práticas da coleta de amostras e, na dúvida, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Ficou com alguma dúvida sobre como fazer a análise foliar na sua cultura? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Veja como identificar e resolver a deficiência nutricional do cafeeiro

Deficiência nutricional do cafeeiro: conheça os principais sintomas, qual nutriente é mais ou menos importante e muito mais!

O sucesso da plantação de café depende de vários fatores. 

Os nutrientes, por exemplo, são elementos importantes para atingir o potencial produtivo da planta. Suas deficiências podem limitar e prejudicar demais a produção.

Saber identificar a deficiência nutricional no cafeeiro e compensar os nutrientes faltantes é um dos principais passos para garantir sucesso na lavoura.

Neste artigo, saiba como manter um balanço nutricional no cafezal e identificar a deficiência dos principais nutrientes da cultura. Boa leitura!

O que é deficiência nutricional do café?

O café requer uma quantidade específica de nutrientes para completar o ciclo de vida. A deficiência de nutrientes essenciais para a cultura, como cobre, boro e zinco, por exemplo, pode causar vários sintomas. Folhas cloróticas, pequenas ou lanceoladas são alguns deles.

A deficiência nutricional pode ser definida como a situação em que a concentração de nutrientes nas células da planta é inferior aos níveis adequados. Esses níveis são específicos para cada cultura quanto para o estágio de desenvolvimento em que ela está.

Essa deficiência pode ter diferentes causas: 

  • baixa disponibilidade do nutriente no solo;
  • limitação de crescimento de raízes para captação de nutrientes;
  • problemas de pH no solo, que diminuem a absorção de nutrientes;
  • falta de água, que limita o transporte de nutrientes para a parte aérea, dentre outros.

Os nutrientes podem ser exigidos em maior ou menor quantidade pelas plantas, o que os classifica entre macro e micronutrientes. Os macronutrientes são requeridos em maior quantidade, enquanto que os micronutrientes são requeridos em menor quantidade.

Os macronutrientes podem ser primários, como nitrogênio, fósforo e potássio, e também podem ser secundários, como cálcio, magnésio e enxofre. Os micronutrientes, por sua vez, são: boro, cloro, cobalto, cobre, ferro, molibdênio, manganês, níquel e zinco.

Qual o nutriente mais importante para uma cultura?

Conforme a lei do mínimo, o nutriente que mais limita a produção de uma cultura é o que está em maior deficiência. Ele é calculado em porcentagem da sua necessidade.

Imagine que os nutrientes fossem ripas de um barril. A capacidade de armazenamento do barril seria regulada pela ripa mais baixa, ou seja, a mais deficiente.

Foto de barril cheio de grãos de milho, para simbolizar a deficiência nutricional
Representação da lei dos mínimos para produção vegetal
(Fonte: RuralMark)

Assim, é importante tomar cuidado para que o balanço e a oferta de todos os nutrientes estejam bem manejados no solo e na planta.

Porém, cada cultura tem alguns nutrientes que necessitam de um manejo mais cuidadoso por terem maior probabilidade de serem limitantes. Isso pode variar com os talhões da fazenda, o tipo de solo, as culturas anteriormente usadas no campo, a região do país, etc.

Para o cafeeiro, além dos seis macronutrientes, os cinco micronutrientes mais importantes são: ferro, boro, zinco, manganês e cobre. Eles são os mais requeridos pela cultura entre os demais citados anteriormente.

Principais sintomas de deficiência de nutrientes no cafezal

Os sintomas de deficiência muitas vezes são específicos para cada tipo de nutriente, mas alguns podem ser comuns. Os sintomas normalmente são relacionados ao papel do nutriente na planta e à sua mobilidade entre partes velhas e jovens da planta.

Por exemplo, a deficiência de nutrientes necessários para a formação da clorofila irá causar uma coloração verde menos intensa ou um amarelecimento das folhas. Isso é conhecido como clorose.

Da mesma forma, a deficiência de um nutriente necessário para a formação de parede celular na planta irá causar folhas pequenas e encarquilhadas.

Além disso, é importante notar que nutrientes que são mais móveis na planta são facilmente realocados para partes mais jovens. Isso causa sintomas de deficiência em folhas mais velhas

De outro modo, nutrientes que são pouco móveis na planta ficarão retidos em folhas velhas. Como consequência, seus sintomas serão mais observados em folhas novas

A deficiência de alguns nutrientes causa sintomas principalmente em folhas novas. São eles:

  • Cobre;
  • Boro;
  • Zinco;
  • Manganês;
  • Ferro;
  • Enxofre;
  • Cálcio.

Por outro lado, a deficiência de outros nutrientes causa sintomas nas folhas mais velhas do cafezal. Esses nutrientes são:

  • Magnésio;
  • Fósforo;
  • Potássio;
  • Nitrogênio.

Além de notar os sinais físicos de deficiência nutricional, a análise foliar de nutrientes também é uma ferramenta possível para identificar esse problema. Abaixo, listamos os principais sintomas de deficiência dos macro e micro nutrientes no cafeeiro.

Deficiência de nitrogênio

A adubação nitrogenada é uma das mais importantes na cultura do café. Afinal, o nitrogênio é o nutriente mais requerido pela cultura. 

Os principais sintomas desta deficiência são a clorose e amarelecimento de folhas velhas. Isso pode acontecer tanto no limbo quanto nas nervuras, que podem evoluir para necrose e queda de folhas.

Deficiência de fósforo

O fósforo nas plantas é um nutriente muito importante na fase de formação da lavoura e no crescimento de raízes. O principal sintoma da sua deficiência é a alteração de cor das folhas velhas, que passam de verde para tons de amarelo rosado, vermelho e arroxeado. 

As folhas também apresentam necrose em forma de “V”, que pode se estender por todo o tecido caso não haja desfolha.

Deficiência de potássio

O potássio é o segundo nutriente mais requerido na planta de café, principalmente em plantas em estágio adulto. 

O principal sintoma da deficiência de potássio no café é o amarelecimento da borda das folhas velhas, que evoluem para manchas marrons e negras e necroses. As folhas também podem ser facilmente retiradas do caule.

banner-adubacao-cafe

Deficiência de cálcio

O cálcio é importante para o crescimento radicular do café, e por isso deve ser bem manejado na implantação da lavoura. 

A deficiência de cálcio no cafeeiro aparece através de folhas novas com amarelecimento característico do limbo foliar. No entanto, a coloração verde nas nervuras das folhas se mantém.

Deficiência de magnésio

O magnésio tem papel importante no acúmulo de biomassa da planta e no crescimento em altura das plantas. 

A deficiência de magnésio no café causa amarelecimento entre as nervuras em folhas velhas e próximas aos frutos que evoluem para uma coloração parda. Ela também causa a queda prematura de folhas e plantas com baixo porte.

Deficiência de enxofre

O enxofre é um nutriente importante para a formação de proteínas e da clorofila. Sua ausência faz com que as folhas novas assumam uma coloração entre amarelo e verde muito claro.

Essa coloração se estende para as outras partes da planta. Além disso, há encurtamento dos internódios foliares, diminuindo a distância entre as folhas nos ramos.

Deficiência de ferro

O ferro é o micronutriente mais absorvido pelas plantas de café. 

Os sintomas da deficiência de ferro no cafeeiro são o amarelecimento do limbo foliar em folhas novas e a presença de um reticulado verde e bastante fino nas nervuras.

Deficiência de boro

O boro é um dos micronutrientes que mais limita a produção do cafeeiro. A deficiência desse nutriente causa folhas novas pequenas e retorcidas e com bordos recortados. 

Ainda, há a perda da gema apical e superbrotamento de folhas e ramos, dando a caraterística de “leque”. O encurtamento de internódios também pode acontecer.

Deficiência de zinco

O zinco é outro micronutriente que pode causar grandes perdas de produção. A deficiência de zinco faz com que as folhas em formação se tornem retorcidas, estreitas e de aspecto coriáceo e quebradiça.

A coloração fica amarela entre as nervuras, e podem aparecer saliências no limbo foliar.

Deficiência de manganês

O manganês é o segundo micronutriente mais acumulado no cafeeiro, após o ferro. Sua ausência causa coloração verde-claro e pontuações amarelas próximas às nervuras da folha.

Deficiência de cobre

A deficiência de cobre nas plantas de café não é tão comum de ser vista. Normalmente, esse nutriente é indiretamente fornecido à lavoura por meio de fungicidas cúpricos.

Porém, seus sintomas são bastante característicos, como perda de coloração das folhas novas e proeminência das nervuras secundárias, o que causa deformidade e curvatura.

Fotos de folhas de café com deficiência nutricional
Sintomas mais comuns de deficiência de nutrientes em cafeeiro
(Fonte: adaptação do autor)

Como corrigir a deficiência nutricional do cafeeiro

A melhor estratégia para a adubação do cafeeiro depende de alguns fatores. No início da safra, é feita baseada normalmente em análises de solo. Posteriormente, visando à produção, são feitas baseadas em diagnóstico visual de sintomas das plantas de café e análise foliar

Essas análises garantem que você saiba exatamente qual nutriente está em falta e o quanto você deve repor de cada um. Afinal, vale lembrar que a overfert (fertilização em excesso) pode causar tantos danos quanto a falta de nutrientes.

A adubação é diferente para uma situação de implantação de lavoura ou de lavoura já implantada. Por exemplo, na implantação, nutrientes como fósforo e cálcio necessitam atenção especial.

banner-de-implantacao-e-renovacao-do-cafezal

Outro fator que altera a definição da quantidade de nutrientes a ser fornecido é a estimativa de produção com relação à bienalidade do cafeeiro. Isso principalmente com relação aos macronutrientes primários.

Normalmente, a calagem irá fornecer o cálcio e magnésio para o cafeeiro. 

Já os fertilizantes NPK devem ser administrados como adubo formulado, de acordo com a produção esperada. Uma relação comum entre eles é de 6:1:6. 

O enxofre deve ser considerado principalmente de acordo com a interpretação da análise de solo, ou em uma proporção da quantidade de nitrogênio recomendado.

Quanto aos micronutrientes, normalmente ferro e manganês são presentes em quantidades suficientes no solo para a necessidade do cafeeiro. 

O boro pode ser fornecido via solo por meio de ácido bórico, enquanto o zinco e cobre são aplicados por via foliar. Para o cobre, o uso de fungicidas cúpricos pode ser suficiente para o suprimento do nutriente.

Conclusão

A nutrição é um dos pontos mais facilmente controláveis que definem a produção. Entender e mapear os nutrientes das plantas de café pode aumentar a produção e evitar perdas.

O uso de análises de solo e foliar é fundamental, principalmente para evitar a fertilização em excesso.

Um cálculo cuidadoso da adubação e a verificação do aparecimento de sintomas de deficiência de nutrientes são práticas que devem ser adotadas constantemente. 

Com essas práticas, você garante um cafezal regulado e produtivo.

>> Leia mais:

“Deficiência de fósforo no milho: como identificar e resolver?”

Está tendo problemas de deficiência nutricional do cafeeiro? Este artigo esclareceu suas dúvidas? Deixe seu comentário abaixo!

Adubação: tipos de adubos e principais métodos de aplicação

Adubação: saiba o que é, como funciona, como fazer o planejamento ideal, todos os benefícios e muito mais.

A maioria dos solos brasileiros tem baixa fertilidade natural. Para resolver esse problema, há a adubação: a prática de reposição dos nutrientes exigidos pelas plantas. 

Ela é indispensável para atingir altas produtividades e garantir a qualidade do produto final. Existem diversos tipos de adubo e métodos de aplicação, e conhecer todos eles faz parte do planejamento de fertilização da sua lavoura.

Neste artigo, veja as diferenças entre os tipos de fertilizante e entenda qual a sua importância na manutenção da produtividade das lavouras. Boa leitura!

O que é adubação?

A adubação é a prática agrícola de repor os nutrientes do solo, e é fundamental para garantir a qualidade das plantas. 

Através dos fertilizantes ou adubos, as culturas são nutridas com as substâncias essenciais para terem um crescimento satisfatório, o que impacta diretamente na sua produção e nos seus lucros.

Essa prática ajusta a fertilidade do solo para atender as exigências nutricionais das plantas cultivadas. Conhecer os indicadores de fertilidade é fundamental para fornecer os adubos na dosagem adequada, evitando excessos ou faltas.

A análise de solo é a ferramenta utilizada para quantificar os nutrientes presentes no solo. Além disso, ela fornece informações que influenciam na disponibilidades dos nutrientes para as plantas, como o pH e a presença de alumínio.

É importante ressaltar que toda recomendação de adubação deve ser orientada pelo resultado da análise de solo

Classificação dos adubos 

Segundo a legislação brasileira, os fertilizantes podem podem ser classificados em três tipos.

O primeiro são os mais utilizados na agricultura de larga escala: os fertilizantes minerais ou sintéticos.

  1. Minerais ou sintéticos: Concentrados e de rápida assimilação pelas plantas, usados principalmente na agricultura em larga escala.
  2. Orgânicos: De origem animal ou vegetal, com menor concentração de nutrientes e ação mais lenta, focados em alimentar o solo e aumentar a matéria orgânica.
  3. Organominerais: Mistura de orgânicos e minerais, geralmente com maior proporção de orgânicos.

Além disso, os fertilizantes podem ser simples (fornecem um ou mais nutrientes) ou misturados (combinam dois ou mais fertilizantes simples), podendo ser simples (nutrientes separados) ou complexos (nutrientes no mesmo grão) e classificados por estado físico:

  • : Moído em pó.
  • Farelado: Grânulos desuniformes.
  • Granulado: Grânulos uniformes.
  • Líquido: Forma líquida.

Principais Tipos de adubo

Os adubos ou fertilizantes são os insumos utilizados na nutrição das plantas. Eles podem ser orgânicos, minerais ou organominerais. Veja as diferenças entre eles:

1. Adubo orgânico

O adubo orgânico têm como matéria-prima os resíduos de origem vegetal e/ou animal. Eles atuam como condicionadores do solo, melhorando as suas propriedades físico-químicas. Podem ser adubos o esterco animal, folhas secas, grama, vinhaça, torta de filtro ou mamona, etc.

Eles aumentam o teor de matéria orgânica e, consequentemente, aumentam a CTC do solo. O fertilizante orgânico também melhora a agregação do solo e a capacidade de retenção de água. 

Eles também contribuem para a redução da oscilação térmica do solo, porque a matéria orgânica é má condutora de temperatura. Isso garante que as plantas não sofram estresse térmico nas horas mais quentes do dia. 

Esses fertilizantes também reduzem o impacto ambiental pelo aproveitamento dos resíduos. A adubação verde é um bom exemplo disso.

Apesar disso, as fontes orgânicas apresentam variação em sua composição e podem não suprir todas as exigências nutricionais das plantas. Em alguns casos, a aplicação complementar de adubos minerais pode ser necessária.

A adubação orgânica tem custo elevado, principalmente no que se refere ao transporte. Em algumas regiões, não são encontrados com facilidade. 

Apesar de orgânicos, eles não devem ser utilizados de forma indiscriminada. É fundamental conhecer a composição química dos fertilizantes para estabelecer a melhor dosagem, considerando a espécie cultivada e o tipo de solo.

Adubação: Trabalhadores rurais inserindo adubo orgânico em lavoura
Fabricação de composto orgânico a partir de resíduos vegetais
(Fonte: Resende, Alexander Silva)

2. Adubo mineral

O  adubo inorgânico ou adubo mineral é o mais utilizado na produção agrícola em larga escala. Eles têm as rochas como matérias-primas, e são obtidos a partir de processos físicos, químicos e físico-químicos

Alguns exemplos são a ureia, nitrogênio, potássio e fosfatados.

Os fertilizantes minerais são concentrados. Quando entram em contato com a solução do solo, liberam rapidamente os nutrientes para as plantas. Por se tratar de um produto concentrado, eles devem ser utilizados com moderação

Alguns fertilizantes minerais apresentam liberação controlada dos nutrientes, como o basacote e o osmocote. Nesse caso, os nutrientes são encapsulados por polímeros e liberados lentamente, ao decorrer do ciclo de desenvolvimento das plantas. 

A utilização do fertilizante inorgânico melhora a eficiência da adubação, pela disponibilidade contínua de nutrientes para as plantas. Quando comparado aos adubos convencionais, os adubos de lenta liberação apresentam maior valor agregado

Apesar disso, sua utilização reduz os custos com mão de obra para a aplicação parcelada de outros fertilizantes.

Ao utilizar adubos de liberação controlada, é preciso estar atento ao tempo de liberação dos nutrientes para as plantas. O tempo de liberação do fertilizante mineral varia de acordo com o produto e pode variar entre 3 a 12 meses.

3. Adubo organomineral

Os adubos organominerais são produzidos a partir da combinação de fertilizantes minerais e orgânicos. Isso quer dizer que eles são um adubo orgânico enriquecido com fontes minerais.

Além de fornecer nutrientes para as plantas, esse tipo de adubo contribui para a redução dos impactos ambientais. Afinal, eles são produzidos a partir de resíduos animais e vegetais.

Os fertilizantes organominerais favorecem a microbiota do solo e o desenvolvimento das plantas

Principais métodos de aplicação dos fertilizantes

Os fertilizantes podem ser aplicados na lavoura de diferentes formas: via solo, via foliar ou via fertirrigação. Cada um desses métodos possui particularidades que você deve conhecer.

1. Via solo 

Nesse método, os fertilizantes são aplicados diretamente no solo. Eles podem ser incorporados ou não com o auxílio de um arado ou grade.

A adubação a lanço também pode ser feita, de forma manual ou com máquinas distribuidoras. Nesse caso, ela é realizada antes da implantação da lavoura.

Quando a cultura está sendo implantada, pode ser feita a adubação de semeadura. Ela ocorre pela deposição dos fertilizantes na linha de plantio. Nesse caso, os adubos são depositados abaixo e nas laterais das sementes

Para a adubação no momento do plantio, os fertilizantes químicos ou granulados são os mais recomendados.

Em culturas com grande espaçamento entre plantas e entre linhas, a adubação pneumática pode ser feita. Ela acontece através das semeadoras pneumáticas. 

Outra possibilidade via solo é a adubação de base. Ela é a fertilização do solo em cobertura, com aplicações feitas apenas após a emergência da cultura. 

2. Adubação foliar

Na adubação foliar, os fertilizantes são dissolvidos em água e pulverizados sobre as folhas das plantas. Os nutrientes são absorvidos pela parte aérea das plantas, e não pelas raízes.Trata-se de uma prática complementar na nutrição vegetal.

É uma estratégia bastante comum na aplicação de micronutrientes, e acontece através de pulverizações. Na aplicação foliar, as condições climáticas têm grande influência na eficiência da adubação. 

Além disso, os adubos aplicados nas folhas são assimilados mais rapidamente, em comparação aos aplicados no solo. Porém, a desvantagem é que o aproveitamento desses nutrientes é curto.

3. Via fertirrigação

A fertirrigação é uma prática agrícola em que é utilizado o sistema de irrigação para aplicação dos adubos. Ela pode ser feita através da micro-irrigação, da aspersão, da microaspersão e do gotejamento, por exemplo.

Trata-se de um método eficiente e econômico na nutrição das plantas, que economiza o uso dos adubos na lavoura. 

Como a fertirrigação acontece junto da irrigação, a absorção dos nutrientes pelas plantas é melhor. Para esse tipo de adubação, opte pelos adubos líquidos.

Qual a Importância da adubação?

A deficiência ou a superdosagem de um nutriente interfere na absorção dos outros nutrientes. Isso prejudica o desenvolvimento das plantas e diminui a produtividade da lavoura. 

Além disso, a superdosagem de fertilizantes também desequilibra o pH do solo. Dependendo da quantidade aplicada, pode causar a morte das plantas.

A adubação é um dos fatores indispensáveis para a produção agrícola. É fundamental que seja realizada tendo como referência os resultados da análise de solo. Somente assim é possível disponibilizar os nutrientes na quantidade e no momento certo.

A correta adubação garante o crescimento das plantas, contribui para o incremento da produtividade e para a qualidade do produto. Ela também melhora a capacidade de resposta das plantas a pragas e doenças.

Melhor adubo para plantas: mineral ou orgânico?

Os fertilizantes minerais e sintéticos, como o nitrogênio, têm composição química e fornecem nutrientes rapidamente às plantas, mas não afetam o solo a longo prazo.

Sua alta concentração facilita a logística e aplicação, especialmente em grandes áreas de cultivo, como feijão, arroz, soja, milho, algodão e trigo.

Já os adubos orgânicos, com menor concentração de nutrientes, exigem grandes volumes, dificultando a logística em áreas extensas.

No entanto, eles melhoram a fertilidade do solo a longo prazo, aumentando a matéria orgânica e a capacidade de retenção de nutrientes.

Porém, as perdas de nitrogênio nos adubos orgânicos são mais elevadas, devido à volatilização e lixiviação. Para minimizar isso, é recomendado misturar pequenas doses de fósforo, que ajudam a fixar o nitrogênio e reduzir as perdas.

Adubo líquido: É um boa opção?

Os fertilizantes líquidos, especialmente os foliares, têm ganhado popularidade devido à logística facilitada e ao uso em duas formas principais: foliar e fertirrigação. Contudo, apresentam limitações.

Apesar da alta concentração, devem ser aplicados em baixas concentrações (1-2%) para evitar danos às folhas, o que limita a aplicação de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio.

Por isso, para atender a grandes necessidades nutricionais, os fertilizantes sólidos são mais viáveis.

Adubos líquidos são eficazes para micronutrientes, como zinco, manganês, boro e ferro. São comuns também em associação com defensivos, desde que não prejudiquem sua eficácia.

Na fertirrigação, é ideal aplicar os fertilizantes após o início da irrigação, finalizando antes de seu término, evitando perdas por lixiviação ou danos por salinidade.

Planejamento da adubação

No planejamento da adubação, escolher um bom laboratório para análise do solo é fundamental. Afinal, todo o processo será baseado nesse resultado. Considerar as exigências nutricionais da cultura também é uma etapa importante.

Além disso, antes de começar a adubação, considere também:

  • a produtividade esperada;
  • o sistema de manejo;
  • o histórico da área onde será implantada a lavoura (espécies cultivadas anteriormente, produtividades alcançadas nas safras passadas, calagem e adubações já realizadas);
  • as condições climáticas;
  • o maquinário disponível;
  • os seus recursos financeiros.
Banner de planilha de adubação de milho e soja

Conclusão

A adubação é uma prática agrícola que tem o objetivo de repor os nutrientes e ajustar a fertilidade do solo. Isso vai atender as exigências nutricionais das espécies cultivadas.

Somente o manejo da adubação não é garantia de altas produtividades. Fatores como tipo de solo, clima, incidência de pragas e doenças têm influência direta nesse parâmetro.

No que se refere a adubação, não existe receita. Cada cenário deve ser avaliado individualmente, considerando fatores agronômicos, ambientais e econômicos. Na dúvida, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

>> Leia mais:

Manual rápido de como fazer adubação de soja

Adubo para milho: recomendações para aumentar a produtividade da lavoura

Adubo para cana: Principais recomendações para alta produtividade

Adubação para café: Simples e prática (+ planilha)

Adubação de cobertura: como e quando fazer

Como você faz a adubação da sua lavoura? Já teve problemas com o excesso ou a falta dela? Deixe seu comentário.