Ácaro-branco na lavoura? Veja como manejar essa praga

Ácaro-branco: saiba como identificar a presença na lavoura, quais as condições ambientais favoráveis, como monitorar, qual acaricida usar e mais!

O ácaro-branco é uma praga agrícola que tem causado grandes danos em grandes culturas nas últimas safras. Essa é uma praga capaz de se alimentar de muitas espécies diferentes. Além disso, ela está presente em diversas regiões produtoras do mundo. 

Essa praga possui enorme potencial de dano, especialmente pela redução do porte das plantas. Ainda, pode ser confundida com outras pragas, doenças, fungos e vírus. Justamente por isso, é importante estar ciente das características dessa praga.

Neste artigo, entenda os sintomas causados pelo ácaro-branco e veja quais são as condições ambientais favoráveis. Aproveite a leitura!

O que é o ácaro-branco?

O ácaro-branco é uma espécie de ácaro encontrada nas mais importantes culturas agrícolas. Ele é muito semelhante ao ácaro-rajado, embora seja menor. Ainda, essa praga polífaga também pode ser reconhecido como:

  • Polyphagotarsonemus latus;    
  • Hemitarsonemus latus;
  • Neotarsonemus latus;
  • Tarsonemus latus;
  • Tarsonemus phaseoli.
acaro-rajado
Diferenças visuais entre o ácaro rajado à esquerda, e o ácaro-branco a direita 
(Fonte: Salvadori, 2007)

Embora possa parecer que o ácaro-branco seja uma das novas pragas da soja, a sua ocorrência já foi registrada em safras anteriores. Isso principalmente em função das condições ambientais favoráveis em algumas regiões do país.

No entanto, a novidade em relação à ocorrência da praga é a alta frequência e as grandes áreas em que tem sido registrada. Por isso, produtores têm estado em alerta.

Seu ciclo de vida é extremamente rápido: de ovo até a fase adulta, são entre 5 a 8 dias. A oviposição é realizada principalmente na face inferior das folhas e o ciclo de vida é composto por três fases principais: ovo, larva e adulto.

O ácaro-branco possui coloração pálida amarelada ou verde amarelada, dependendo da espécie em que é utilizada para alimentação. Ainda, o ácaro-rajado é muito pequeno. Já os ovos são alongados e transparentes, possuindo pontos brancos. 

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Como diferenciá-lo dos outros tipos de ácaro e doenças?

Uma das características observadas no ataque do ácaro-branco, diferente das viroses, é a sua distribuição uniforme ao longo da lavoura. Ou seja, há diversas plantas próximas afetadas, distribuídas ainda em reboleiras pequenas ou grandes.

Em ataques mais severos, é possível ocorrer a queda de folíolos. Além disso, pode haver o bronzeamento das hastes, da face inferior das folhas (exceto as nervuras), dos pecíolos e das vagens. Outro diferencial do ácaro-branco é não formar teias nas folhas lesionadas.

É possível diferenciar danos causados por ácaro-branco de outras viroses ou doenças causadas por fungos cortando a haste da folha. Faça isso no sentido longitudinal e analise o aspecto visual interno. 

Quando o ataque está sendo causado pelo ácaro-branco, diferentemente das doenças, a coloração interna será normal. Já nas doenças que afetam a haste principal, pode ser observado o escurecimento interno dos tecidos.

Dada a preferência por tecidos jovens, a época de maior infestação do ácaro-branco é a época de crescimento intenso das culturas. Isso acontece principalmente na fase vegetativa.

Quais as condições ambientais favoráveis para a praga?

Para a maioria dos ácaros, as condições ambientais favoráveis para ocorrência são períodos secos. Por outro lado, para o ácaro-branco, as condições ambientais favoráveis são opostas.

Períodos de alta nebulosidade, com chuvas associadas a temperaturas elevadas favorecem a explosão da infestação em áreas de produção.

Para a cultura da soja, essas condições climáticas ocorreram especialmente em parte da Região Central do Brasil. O mesmo vale para os estados do Sul do Brasil. É importante ressaltar que o ácaro-branco pode causar problemas em estufas de produção.

Afinal, ele é sensível a baixas temperaturas, não resistindo ao frio.

Danos do ácaro-branco na soja, no café e no algodão

O ácaro-branco é uma praga de grande potencial de dano. Em outros países, por exemplo, já foi relatado causando redução de 50% da produção de feijão. Para a cultura do algodão, é considerada uma praga importante na África tropical e em regiões produtoras do Brasil.

Segundo dados da Cabi (Centro Internacional de Biociência Agrícola), o ácaro-branco está amplamente distribuído no mundo, e é capaz de afetar as seguintes culturas de interesse:

Esse ácaro na soja também reduz a distância entre os entrenós, diminuindo assim a estatura da leguminosa. Como consequência, as plantas próximas acabam por sombrear as plantas afetadas, reduzindo ainda mais o seu potencial produtivo

acaro-branco
Sintomas do ácaro-branco em infestação severa, com bronzeamento da haste principal e redução da estatura da planta
(Fonte: Roggia, 2023)

No algodão, o ácaro-branco é considerado uma praga importante em anos chuvosos e de altas temperaturas. O ataque ocorre principalmente após as adubações foliares ou nitrogenadas, desde que coincidam com as condições ambientais favoráveis. 

Os danos provocados pela alimentação do ácaro resultam em aspecto brilhante da face inferior das folhas e retorcimento das folhas para cima.

Em decorrência do desenvolvimento anormal das folhas, há redução do número de maçãs. Isso impacta negativamente a qualidade das fibras produzidas. 

acaro-branco
Aspecto das folhas de algodoeiro após o ataque do ácaro-branco
(Fonte: Tomquelski, 2020)

No ácaro-branco provoca a formação de rugosidades sobre a superfície da folha, além de distorção das folhas e brotos novos. As folhas também podem apresentar aspecto bronzeado, assim como os ramos.

Na imagem abaixo, você pode conferir o aspecto visual da presença dessa praga nas folhas de café.

acaro-branco
Danos causados pelo ácaro-branco em café
(Fonte: Nelson, 2023)

Como se livrar do ácaro em plantas?

O controle do ácaro-branco deve ser feito quando 20% das folhas apresentarem sintomas característicos da sua presença até o período em que a floração se inicia.  Por isso, um bom monitoramento da praga deve ser feito.

Para isso, você pode amostrar 10 plantas aleatórias em diferentes pontos da lavoura. Não se esqueça de investigar ainda aquelas plantas com crescimento anormal, principalmente presentes em reboleiras. Vale lembrar que a visualização do ácaro, mesmo com lupa, é difícil.

Existem poucos produtos registrados para controle do ácaro-branco. Entretanto, a praga ataca principalmente os pontos de crescimento da planta, o que pode ser um ponto a se considerar.

Quando a planta estiver em estádios de desenvolvimento mais avançados, o controle já não é mais tão necessário. Nesses estádios, as folhas estão expandidas e as estruturas reprodutivas já estão formadas. 

Nessa situação, com ausência de tecidos novos presentes na planta, a população da praga tende a reduzir significativamente de forma natural. No Agrofit, podem ser consultados diversos acaricidas para diferentes culturas

Além disso, fazer o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é fundamental para garantir um bom controle na lavoura.

Consulte sempre um(a) agrônomo(a) para recomendação do melhor controle. Faça isso especialmente quando outras pragas estiverem ocorrendo, otimizando assim as aplicações. 

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Conclusão

O ácaro-branco é uma praga de ampla distribuição mundial e potencial de danos.

Seu controle é realizado principalmente com acaricidas. No entanto, deve ser realizado assim que a praga foi identificada em porcentagem que justifique o seu controle

Ainda, observe em que estádio de desenvolvimento da cultura a praga está ocorrendo. Assim, você consegue acertar na tomada de decisão sobre quando aplicar o acaricida ideal.

Restou alguma dúvida sobre o ácaro-branco? Se você conhece outros produtores com essa praga na lavoura, não deixe de compartilhar esse artigo com eles. 

Lagarta-rosada: veja como livrar o algodoeiro dessa praga

Lagarta-rosada: veja quais são as características, fases de cultivo em que causa maiores danos, como identificar, estratégias de MIP e mais!

A lagarta-rosada é um inseto-praga que causa diversos danos na cultura do algodão. Quando adulta, a praga é uma mariposa cinza, fina e com asas. Quando está no estádio de larva, possui cor branca e tem oito pares de perna.

Essa larva possui faixas cor-de-rosa pelo corpo, o que dá origem ao seu nome popular. Ainda, ela é super pequena, com apenas meia polegada de comprimento. Conhecer bem suas características é fundamental para evitar que essa praga cause danos no seu algodoeiro.

Neste artigo, veja como identificá-la em diferentes fases de desenvolvimento e como utilizar o Manejo Integrado de Pragas para garantir um bom controle. Boa leitura!

O que é a lagarta-rosada do algodão?

A lagarta rosada também possui outros nomes científicos, como Gelechia gossypiella, Pectinophora Gossypiella e Plateydra gossypiela. No entanto, todos se referem ao mesmo inseto.

A lagarta-rosada pertence à classe Insecta, ordem Lepidoptera e gênero Pectinófora. Ela é uma das principais pragas do algodão, e está distribuída especialmente no hemisfério Sul. No Brasil, ela está presente de forma generalizada, especialmente nos seguintes Estados:

  • Alagoas;
  • Amazonas;
  • Bahia;
  • Ceará;
  • Espírito Santo;
  • Maranhão;
  • Mato Grosso;
  • Minas Gerais;
  • Pará;
  • Paraíba;
  • Paraná;
  • Pernambuco;
  • Rio de Janeiro;
  • Rio Grande do Norte;
  • Santa Catarina;
  • São Paulo;
  • Sergipe. 
Distribuição da lagarta-rosada do algodão no mundo. Os círculos amarelos correspondem ao local onde a praga já foi identificada
(Fonte: Banco de dados global, 2022)

O hospedeiro principal desta praga é a cultura do algodão (Gossypium hirsutum). No entanto, ela pode estar presente em outras espécies de algodão, bem como em plantas como quiabo e hibisco.

Alguns países importantes, como Estados Unidos, tem a lagarta rosada categorizada como praga de quarentena desde 1989. Desde 2018, ela é considerada erradicada no país.

Como identificar a Pectinophora Gossypiella em casa fase

Os ovos da lagarta são branco-esverdeados, e são postos individualmente ou em grupos de 15 ou 20 ovos.  Após esse período, os ovos mudam de cor. Após eclodirem os ovos, as lagartas têm tamanho aproximado de 2 mm, e passa por diferentes fases de desenvolvimento:

  • Primeira fase: em 3 a 4 dias após a eclosão as lagartas aumentam em tamanho, atingindo 4 mm. A coloração da cabeça da lagarta é amarela com marrom-escuro;
  • Segunda fase: as lagartas adquirem coloração branca, aumentando lentamente em tamanho até atingir 6 mm;
  • Terceira fase: as lagartas possuem marcações rosa visíveis, que podem ser visualizadas em função do contraste das marcações com a cor creme do restante do corpo;
  • Quarta fase: a lagarta adquire coloração rosa, atingindo aproximadamente 9 mm. Nesta fase, alimenta-se dentro do capulho. Após a alimentação da lagarta, ela sai do capulho e cai no solo para dar continuidade ao seu ciclo.

No solo, a lagarta-rosada do algodão responde de forma diferente às condições de temperatura. Isso pode acontecer de duas formas diferentes:

  1. A lagarta pode dar sequência ao seu ciclo, transformando-se em uma pupa marrom brilhante de 7 mm a 10 mm de comprimento;
  2. Ir para a diapausa, em que há suspensão do seu desenvolvimento em função das condições ambientais adversas. Isso permite a sobrevivência do inseto.

A duração do ciclo de vida total da lagarta é influenciado pela temperatura, podendo ser entre 21 a 45 dias. Além disso, é importante lembrar que o hábito deste inseto é noturno.

Portanto, as inspeções das áreas de produção devem ser realizadas em períodos que favoreçam maior atividade da praga. Isso facilita a sua visualização e quantificação.

Aspecto visual da lagarta-rosada reduzindo a qualidade das fibras produzidas em função da alimentação
(Fonte: Queiroga, 2017)

Danos causados pela lagarta-rosada do algodão

A lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella) é uma praga que causa danos importantes na cultura do algodão. Ela afeta a produtividade da cultura, mas também a qualidade do algodão produzido. Afinal, a lagarta deposita seus ovos nas maçãs novas do algodoeiro.

Os prejuízos causados são variáveis. Porém, o principal problema encontra-se no seu ciclo de vida. Afinal, essa praga consegue sobreviver mesmo em condições ambientais adversas e sob a palhada ou no solo. Especialmente em plantio direto, seu controle é muito difícil.

Além disso, é bom lembrar que o principal produto do algodão são as fibras e que os danos ocorrem principalmente nos capulhos. Ou seja, há redução da produtividade e da qualidade do algodão, gerando danos duplos.

Relatos de resistência da lagarta já foram documentados em diversos países, especialmente na tecnologia Bt. Também fique de olho nos danos causados nas flores e no capulho do algodoeiro:

  • Se o ataque ocorrer no início do florescimento, as flores podem não abrir, tornando-se rosetadas.
  • Já nos frutos e logo após a eclosão, a lagarta rosada alimenta-se inclusive das sementes formadas.
Lagarta-rosada causando danos em maçãs do algodão, inviabilizando a produção de algodão.
(Fonte: Dos Santos, 2006 e Fand et al., 2019)

Fases de cultivo em que causa maior prejuízo e danos

A lagarta-rosada tem chamado atenção nas últimas safras. Embora os problemas possam ocorrer em diferentes fases de desenvolvimento da cultura, a manifestação na lavoura ocorre entre 70 a 100 dias da semeadura. Em outras palavras, no início do florescimento

No entanto, vale lembrar que o comportamento do inseto pode ser diferenciado a depender do local de produção, da cultivar utilizada e do manejo. Por isso, o monitoramento deve ocorrer em todas as fases de desenvolvimento.

Como controlar a lagarta-rosada-do-algodoeiro com MIP?

O controle eficiente da lagarta-rosada do algodão envolve a junção de diferentes métodos de controle. Isso é feito através do Manejo Integrado de Pragas, que engloba ações como:

  • cuidado com a época de semeadura do algodão;
  • manejos culturais;
  • retirada de maçãs e capulhos caídos ao chão;
  • eliminação de restos culturais após a safra;
  • controle químico e biológico.

No Agrofit, você pode consultar os defensivos recomendados para o controle da lagarta. No entanto, a escolha do defensivo deve considerar o que menos causa danos aos inimigos naturais

Quando possível, opte por inseticidas que sejam seletivos aos inimigos naturais. Afinal, a eliminação dos inimigos naturais de pragas pode aumentar a população de uma praga secundária.

Pragas secundárias podem não causar danos econômicos à cultura em um dado momento. Mas ao se tornar primária, também pode reduzir a produção e produtividade do algodoeiro. Confira outras medidas indispensáveis para controlar a lagarta-rosada.

Manejos culturais da Pectinophora Gossypiella

Dos manejos culturais, fazer a semeadura de área de refúgio para evitar a resistência na tecnologia Bt é fundamental. Você também pode usar cultivares de ciclo precoce para evitar exposição prolongada à praga.

Além disso, evite semeaduras precoces. Neste cultivo, os insetos em hibernação podem emergir. Isso aumenta a sua população para quando o cultivo principal for semeado.

Quando a cultura é semeada em época ideal, os insetos que estão sob hibernação emergem e não possuem hospedeiro para continuar o seu ciclo. Isso reduz sua população na área de cultivo, fenômeno denominado “emergência suicida”.

Armadilhas

O monitoramento da população de mariposas e da lagarta-rosada do algodão pode ser realizada também com a instalação de armadilhas. Elas devem possuir feromônio sexual feminino para atrair os insetos.

Manejos químicos e biológicos

Para controlar a lagarta-rosada, o uso de fungos entomopatogênicos pode ser uma ótima solução. Ainda, você pode realizar a liberação de ovos como espécies de Trichogramma.

Essas espécies tornam-se grandes populações de vespas adultas. Siga as instruções do fabricante do produto sobre a quantidade de ovos por hectare. Além disso, em um ano de cultivo, pesquisas indicam a necessidade de liberação de parasitóides até 12 vezes

Isso deve ser feito com intervalo de até 15 dias a partir do florescimento da cultura. Quando necessário, você também pode utilizar inseticidas com ação ovicida

Em relação ao manejo químico, a aplicação do  produto caulim, na concentração de 60 g L‑1, também é indicada.

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Manejos pós-colheita dessas principais pragas do algodão

O controle após a colheita do algodão em locais de armazenamento, galpões, depósitos, esteiras, descaroçadores deve ser realizado. Esses locais servirão como início de uma infestação para a próxima safra. 

Para isso, as iscas com feromônios também são uma boa opção.

Qual o nível de controle para a lagarta-rosada do algodoeiro?

Se você cultiva algodão e desconfia (ou já notou) da presença da lagarta-rosada, é necessário ficar de olho no nível de controle ideal. Dessa forma, é possível evitar que sua lavoura sofra grandes danos econômicos.

O controle da lagarta-rosada deve iniciar quando 5% das maçãs do algodoeiro em formação, em uma amostragem de 100 maçãs, apresentarem danos. 

Além disso, o monitoramento da lavoura deve ser constante, especialmente no período reprodutivo, fase em que os danos são mais severos.

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Conclusão

A lagarta-rosada é uma das principais pragas do algodão, e possui difícil controle por causa da redução da eficiência de inseticidas. Isso é reflexo da ausência da implantação de áreas de refúgio em cultivos Bt e no uso inadequado de inseticidas.

Nesses casos, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) deve ser priorizado, sendo uma ferramenta importante no manejo de resistência. Ainda, diversas opções de controle biológico podem ser encontradas.

Na dúvida em relação a essas medidas de controle, não deixe de buscar o conhecimento de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) sobre melhores estratégias de uso.

Você já percebeu a presença da lagarta-rosada no seu algodoeiro? Tem dificuldades sobre como fazer o manejo? Adoraria ler seu comentário.

Curuquerê-dos-capinzais: como identificar e controlar

Curuquerê-dos-capinzais: conheça as características, quais culturas são afetadas pela praga e como manter a lavoura livre dela

Também conhecida como curuquerê-do-algodão, essa lagarta desfolhadora é considerada uma das principais pragas do algodoeiro. Ela pode reduzir a produtividade da cultura em até 67%.

Por causar danos tão significativos, conhecer todas as características da praga é fundamental para controlá-la antes de sofrer prejuízos. Além disso, saber os manejos corretos te ajudará a manter a sua cultura saudável e produtiva.

Neste artigo, conheça as principais características da lagarta curuquerê-dos-capinzais, bem como culturas afetadas e danos causados por ela. Boa leitura!

O que é o curuquerê-dos-capinzais?

A lagarta curuquerê (Alabama argillacea ou mocis latipes) ou lagarta dos capinzais, é chamada de diferentes formas. No entanto, ela pertence à ordem Lepidóptera, e é uma mariposa da família Erebidae. Ela é encontrada em diversos lugares, desde América do Norte, Central e do Sul.

Ela pode atacar outras espécies além do algodão, e possui duas características importantes. A primeira é que ela possui hábitos migratórios. Ou seja, as mariposas tendem a migrar de diferentes locais. Por isso, o controle regional é extremamente importante.

Alteração de cor da mocis latipes é visualizada quando esta atinge altas populações na área de cultivo
(Fonte: F.J. Celoto/Lab. MIP – Unesp/Ilha Solteira)

A segunda característica é o hábito monófogo durante o estádio larval. Isso significa que as mariposas são encontradas majoritariamente na cultura do algodão.

Período larval e ciclo de vida da mocis latipes

A cultivar utilizada na lavoura pode responder de forma diferente ao número de ovos ovipositados pela lagarta. Ela pode influenciar em maior ou menor postura.

Cada fêmea pode ovipositar entre 6 e mais de 1700 ovos. A escolha da cultivar mais adequada à área, observando o histórico de ataque da lagarta, é fundamental.

O período de oviposição da lagarta dura aproximadamente um mês. Após, os ovos são incubados durante 4 e 6 dias, eclodindo posteriormente e liberando as novas lagartas ao ambiente.

O tempo em que a lagarta permanece em fase de lagarta é variável. Ele pode durar até 30 dias, a depender da temperatura. O período em que a lagarta entra no casulo para se transformar em mariposa, pode durar entre 10 e 30 dias.

Esse período também é influenciado pela temperatura. No verão, e consequentemente em temperaturas mais elevadas, o ciclo de vida pode ser mais rápido. Assim, o potencial de danos é maior, exigindo cuidados redobrados.

Temperaturas entre 25°C e 30°C são favoráveis à lagarta. Temperaturas acima de 35°C prejudicam o desenvolvimento da espécie, assim como temperaturas muito amenas.

Como identificar a praga

Esta lagarta tem coloração diferente das principais lagartas da soja, do algodão e do milho. Sua coloração é verde clara, e ela possui duas estrias dispostas ao longo de todo o corpo. Além disso, há pontos pretos distribuídos aleatoriamente de uma extremidade até a outra.

Característica da lagarta-caruquerê-dos-capinzais em fase larval ou de lagarta, pré-pupa (à esquerda) e pupa (à direita).
(Fonte: González et a., 2021)

Mas esta não é a única cor que esta lagarta pode ter. Em populações elevadas, elas mudam de coloração. O corpo torna-se preto, mantendo as listras brancas e os pontos pretos visíveis nas laterais do corpo. 

Desta forma, ao visualizar lagartas pretas na lavoura, produtores já podem ter ideia de que a população deste inseto está elevada. Consequentemente, os danos já estão ocorrendo em grandes proporções.

Lagarta-dos-capinzais em fase adulta, sobre folha de soja
(Fonte: González et a., 2021)

Distribuição da lagarta curuquerê nas regiões produtoras

No Brasil, a ocorrência da lagarta é principalmente entre os meses de janeiro a julho. No entanto, apresenta diferenças nas regiões. Na região Centro-Sul, a lagarta pode ser observada principalmente a partir do mês de dezembro, até julho. 

Em São Paulo, em contrapartida, o pico de maior população deste inseto ocorre próximo ao mês de abril. No Nordeste, pode ocorrer no início de janeiro até o mês de maio. 

Desta maneira, geralmente, as infestações têm origem inicial na região Centro-Norte, e posteriormente para a região Centro-Sul do país. 

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Curuquerê no algodão e em outras culturas

Na cultura do algodão, principal cultura afetada, os danos podem ocorrer em todas as partes da planta. Entretanto, os danos acontecem especialmente quando a população da praga encontra-se elevada na área. Ou, ainda, quando há pouca disponibilidade de alimento.

Inicialmente, a lagarta se alimenta de folhas novas do ponteiro, que apresentam sinais de raspagem. Com o avançar, as lagartas atacam o terço mediano da planta, provocando desfolha generalizada.

Ela pode consumir mais de 90 cm² de folhas até completar todo o seu ciclo de vida. Dada a capacidade de cada fêmea ovipositar até entre 1800 ovos, uma única lagarta pode causar redução da área foliar. Essa redução pode ser equivalente a mais de 16,2 m²

Sendo as folhas indispensáveis para a fotossíntese e para a produção, a rápida identificação desta praga para o controle é fundamental. Assim, você consegue manter o potencial produtivo da cultura frente a este inseto.

Para a cultura do algodão, as fases iniciais e a abertura das maçãs são as mais críticas. A primeira é delicada pois pouca quantidade de folhas estarão disponíveis, fazendo com que a lagarta consuma outras partes da planta. 

A segunda também é delicada, já que o ataque à maçã provoca maturação forçada. Isso causa redução da qualidade e quantidade das fibras produzidas. Até os 135 dias, a lagarta pode ainda, causar:

  • redução do peso do capulho e das sementes;
  • redução da porcentagem e uniformidade das fibras;
  • retardo do ciclo floral em aproximadamente um mês.

A lista de culturas afetadas é longa. A presença próxima destas culturas a áreas de produção de algodão podem favorecer a reprodução da praga e as infestações iniciais. A lagarta curuquerê também pode afetar significantemente a:

Além da lagarta ser um problema, as mariposas (fase posterior a lagarta), também têm potencial de causar danos. Afinal, elas podem se alimentar de diferentes espécies frutíferas.

Manejo da lagarta Alabama argillacea

O manejo da lagarta curuquerê-dos-capinzais não é tarefa fácil e exige um conjunto de medidas. Elas incluem controle preventivo, controle cultural, controle genético, controle biológico e controle químico.

Controle preventivo

Algumas medidas preventivas para evitar a ocorrência desta praga é evitar que condições ideais de desenvolvimento sejam dadas.

Nas últimas safras, os danos causados pelo curuquerê-dos-capinzais têm ocorrido no início da safra. Isso acontece muito em razão da presença contínua das plantas de algodão, que permanecem nas áreas de cultivo após a safra.

Por isso, o monitoramento da área e beiradas de lavouras e estradas é fundamental. Assim, você elimina as plantas tigueras.

Com a presença de plantas de algodão na área, a lagarta encontra condições de continuar a produzir novos indivíduos. Desta maneira, as infestações tendem a ocorrer cada vez mais cedo, visto que a lagarta já possui uma pequena população presente na lavoura.

Controle cultural

As medidas de controle cultural tem como objetivo manejar a cultura em benefício próprio, dificultando o estabelecimento da praga nas áreas de produção. 

A redução da irrigação com pivô pode auxiliar no controle. No entanto, é necessário observar que esta prática pode favorecer outras pragas importantes, como a mosca-branca.

Controle genético

Outra medida utilizada para o controle da lagarta curuquerê do algodão é a escolha de cultivares resistentes ou tolerantes. Essa é uma medida fundamental, uma vez que este inseto já apresenta relatos de resistência a alguns inseticidas químicos.

Controle com inimigos naturais

Alguns parasitóides e fungos atuam como inimigos naturais e podem ser utilizados no controle desta lagarta. 

É importante que medidas de manejo integrado de pragas sejam tomadas em conjunto. Afinal, uma única forma de controle geralmente não é eficaz a longo prazo.

Para a utilização do controle biológico e químico, é necessário que produtores e técnicos tenham conhecimento dos produtos utilizados e verifiquem a compatibilidade entre eles. 

Além disso, é necessário conhecer o período entre as aplicações, para evitar interferência na eficiência do controle.

Controle químico

Para a cultura do algodão, segundo o Agrofit, existem atualmente 277 produtos registrados para o controle desta lagarta na cultura do algodão. Dentre eles, existem opções à base dos ingredientes ativos:

  • Abamectina;
  • Acefato;
  • Beta-cipermetrina;
  • Bifentrina;
  • Fipronil;
  • Cipermetrina;
  • Clorpirifós;
  • Cipermetrina;
  • Diflubenzurom;
  • Metomil, dentre outros.

No entanto, a escolha do controle químico deve sempre ser baseada no inseticida que cause menos danos aos inimigos naturais presentes na área.

O uso contínuo de inseticidas não seletivos (que eliminam também os inimigos naturais presentes na área de cultivo) podem provocar o desequilíbrio. Isso acontece ao ponto de uma praga secundária vir atingir uma população que cause danos à cultura.

Este é o caso de inúmeras espécies de lagartas que assumiram papel de pragas primárias em diversas culturas, principalmente na cultura do milho. Por isso, o manejo integrado de pragas com a junção de diferentes métodos de controle é indispensável.

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Conclusão

A lagarta curuquerê dos capinzais ou do algodoeiro é uma das principais pragas da cultura. A identificação rápida do problema é fundamental para o controle, especialmente devido aos riscos da resistência dessa praga aos inseticidas.

Além disso, é fundamental que outros métodos de controle sejam empregados de forma conjunta. Alguns exemplos são o controle preventivo, controle cultural, genético, biológico (quando possível e disponível) e químico.

Também é importante evitar que a população da praga alcance grandes densidades. Isso principalmente devido aos riscos de pressão de seleção de indivíduos resistentes aos inseticidas químicos.

Você já percebeu a presença do curuquerê-dos-capinzais na sua lavoura? Compartilhe conosco, vamos adorar o seu comentário!

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

Algodoeiro resistente a doenças: saiba tudo sobre qualidade da fibra, produtividade e vantagens da nova cultivar

O manejo de pragas, doenças e plantas daninhas na cultura do algodão tem custo elevado para o cotonicultor. 

Em 2021, a Embrapa divulgou o lançamento da cultivar transgênica de algodão BRS 500 B2RF.  Ela apresenta resistência a algumas doenças e pragas, além de ser tolerante ao herbicida glifosato

A cultivar também promete alta produtividade e fibras com características exigidas pela indústria têxtil.

Neste artigo, você pode conferir um pouco mais sobre as principais características dessa nova cultivar, suas vantagens e quais estratégias de manejo fitossanitário devem ser adotadas. 

Como nova cultivar torna o algodoeiro resistente a doenças

A cultivar de algodão transgênico (BRS 500 B2RF) é de ciclo médio/tardio e possui porte alto. Ela combina três tecnologias:

● Roundup Ready Flex (RF);

● Bollgard II (B2);

● FRdC1.

Esse pacote tecnológico torna a nova cultivar de algodão resistente a algumas lagartas.

Além disso, o algodoeiro é parcialmente resistente ao nematoide-das-galhas, e tem tolerância ao herbicida glifosato em todas as fases da cultura.

A nova cultivar também apresenta resistência às seguintes doenças:

mancha de ramulária (Ramularia areola);

● mancha angular (Xanthomonas citri pv. malvacearum);

● doença azul típica (Cotton leafroll dwarf virus – CLRDV).

Atualmente, a mancha de ramulária é a doença mais importante do algodão. Ela está presente nas principais áreas produtoras da fibra, especialmente em regiões de Cerrado

Para o controle dessa doença, são necessárias de 4 a 8 pulverizações com fungicidas durante todo o ciclo do algodão. 

Em casos de maior severidade, o número de aplicações pode subir para 12. Isso acaba elevando bastante o custo de produção.

A resistência da nova cultivar de algodão às doenças citadas traz economia, maior produtividade e menores danos ambientais.

Afinal, há menor número de pulverizações para o controle das doenças.

Tabela que mostra nível de resistência da nova cultivar de algodão

Nível de resistência à doenças da cultivar BRS 500 B2RF

(Fonte: Embrapa Algodão)

Qualidade da fibra

Outro ponto importante se refere à qualidade da fibra da nova cultivar. Ela apresenta um conjunto de atributos importantes para a indústria têxtil. 

A cultivar de algodão produz fibra branca. A fibra também possui:

  • comprimento médio de 30,4 mm;
  • índice micronaire médio de 4,6;
  • resistência média de 30,8 gf.tex-1.

Produtividade

Segundo a Embrapa Algodão, a produtividade média da nova cultivar é de 5.667 quilos/hectare de algodão em caroço. Na fibra, o valor é de 2.579 quilos/hectare.

Ela apresenta ainda rendimento de fibra de 38,5 a 40,5. 

Áreas indicadas para o plantio

A cultivar BRS 500 B2RF é indicada para o plantio em áreas de Cerrado dos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e parte do Maranhão, do Piauí e da Bahia.

A nova cultivar é recomendada também para áreas em que a mancha de ramulária e o nematóide-das-galhas sejam um problema fitossanitário para a produção da fibra.

Manejo de pragas, doenças e plantas daninhas

O manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas do algodão é uma prática indispensável para a preservação da tecnologia transgênica. 

Algumas medidas precisam ser adotadas quanto ao plantio de organismos geneticamente modificados.

No manejo integrado, é fundamental realizar a rotação dos ingredientes ativos dos agroquímicos aplicados na lavoura. 

Isso contribui para impedir que ocorra a seleção de populações resistentes aos produtos utilizados. 

É preciso estar de olho na população de insetos que não são alvo da tecnologia transgênica. Eles precisam ser controlados de forma seletiva e eficiente. 

Outra medida a ser adotada é a rotação das cultivares de algodão com diferentes tecnologias transgênicas (rotação de genes). 

O vazio sanitário é uma medida de caráter obrigatório e que deve ser adotada para a prevenção e o controle de pragas e doenças. Nesse período não pode haver plantas vivas e resíduos de algodão na área (soqueira e tiguera).

Na cultura do algodão, o vazio sanitário tem como foco o bicudo do algodoeiro, praga de grande importância econômica.

Refúgio agrícola

A adoção do refúgio agrícola é uma estratégia de manejo de resistência de insetos-praga. A estratégia consiste em manter uma área da lavoura cultivada com plantas não transgênicas

Essa medida diminui a pressão de seleção dos insetos-pragas, retarda a quebra de resistência da cultivar e contribui para manter a eficácia da tecnologia transgênica.

As áreas de refúgio agrícola devem ser cultivadas na mesma época que a cultivar transgênica. Elas devem receber os mesmos tratos culturais (adubação e controle de plantas invasoras, por exemplo). 

Além disso, essas áreas precisam ser cultivadas com plantas da mesma espécie e com ciclo similar ao da cultivar transgênica.

Para a cultura do algodão, a recomendação é que a área de refúgio corresponda a 20% da área total plantada com transgênico. 

A área de refúgio precisa ser instalada a uma distância máxima de 800 metros da área plantada com a cultivar transgênica, independente da cultura.

As áreas de refúgio podem ser instaladas de três formas: 

● faixas;

● blocos;

● bordadura/perímetro.

Vantagens da nova cultivar 

Confira a seguir as principais vantagens da cultivar de algodão BRS 500 B2RF desenvolvida pela Embrapa: 

● tolerância ao herbicida glifosato;

● tolerância à mancha de ramulária, mancha angular e doença azul típica;

● tolerância parcial ao nematóide-das-galhas;

● resistência a algumas lagartas;

● produz fibra de qualidade para a indústria têxtil;

reduz o número de aplicações de defensivos agrícolas;

diminui custos de produção;

● melhora a competitividade do algodão brasileiro no mercado;

menor impacto ambiental;

● maior sustentabilidade da cotonicultura.

Conclusão

A nova cultivar de algodão apresenta resistência múltipla a doenças, tolerância ao herbicida glifosato e a algumas lagartas. Também tem alta produtividade e produz fibra de qualidade.

A tecnologia da nova cultivar possibilita menor impacto ambiental, maior sustentabilidade da atividade e melhora a competitividade do algodão no mercado global.

Além disso, a cultivar possibilita que você faça um menor número de aplicações de agroquímicos. Consequentemente, isso diminui os custos da sua produção!

Você já conhecia a nova cultivar de algodão? Já procurou saber mais sobre como algumas práticas de manejo contribuem para proteger a resistência do algodoeiro a doenças? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Guia completo de análise e manejo dos principais nematoides no algodão

Nematoides no algodão: conheça as principais espécies e seus sintomas, o que é a análise nematológica e como é realizado o manejo desses parasitas nos algodoais.

Os nematoides podem causar inúmeros danos às lavouras. Além disso, sua presença pode facilitar a entrada de fungos nas plantas.

Saber identificar os nematoides e determinar seu nível populacional é essencial. Assim, você consegue traçar um plano de manejo eficiente no controle desses parasitas.

Neste artigo, você conhecerá os principais nematoides da cultura do algodão. 

Você também terá um guia completo de como realizar a amostragem para análise nematológica, e assim conseguirá se planejar melhor. Confira!

Principais nematoides no algodão

No Brasil, três espécies de nematoides causam grandes prejuízos à cultura do algodão

As espécies de maior importância econômica são:

Esses nematoides estão amplamente disseminados nas regiões produtoras de algodão. Além disso, têm causado prejuízos a diversas outras culturas como soja, feijão, milho e cana-de-açúcar.

A ausência de sintomas evidentes pelo ataque de nematoides faz com que alguns sintomas sejam confundidos com problemas de compactação do solo, desequilíbrios nutricionais e estresse hídrico

Nematoide das galhas (Meloidogyne incognita)

Os nematoides das galhas têm grande importância econômica. Eles afetam diversas espécies de plantas cultivadas e não-cultivadas.

Têm maior ocorrência em condições de clima quente e em solos arenosos e médio-argilosos.

Na parte aérea das plantas atacadas por nematoides das galhas, é possível observar o amarelecimento com aspecto mosqueado das folhas (sintoma de “carijó”). Esses parasitas prejudicam o desenvolvimento das plantas. 

Plantas afetadas apresentam sistema radicular menos desenvolvido e com menor número de raízes secundárias.

Outro sintoma é a formação de galhas nas raízes. Elas ocorrem em função da penetração e infecção pelo nematoide.

O sintoma de galha facilita a identificação em campo.

Galhas nas raízes da planta de algodão provocadas por M. incognita

Galhas nas raízes da planta de algodão provocadas por M. incognita
(Fonte: LSU College of Agriculture)

Nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis)

O nematoide reniforme possui um grande número de hospedeiros. 

Além disso, tem a capacidade de sobreviver em condições adversas. Isso possibilita sua sobrevivência na área mesmo na ausência do hospedeiro.

O nematoide reniforme pode ser encontrado em vários tipos de solo. 

Lavouras de algodão com sintomas provocados por esse parasita podem apresentar plantas de tamanho reduzido e menor volume de raízes.

Dependendo do nível populacional de nematoides e da suscetibilidade da cultivar, pode ser observado o sintoma de “carijó” nas folhas. 

Nesse caso, as folhas apresentam áreas amareladas que necrosam com o tempo.

Sintoma de “carijó” em folha de algodão causado pelo nematoide reniforme

Sintoma de “carijó” em folha de algodão causado pelo nematoide reniforme
(Fonte: Galbieri et al., 2015)

Nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus

A espécie Pratylenchus brachyurus é conhecida como nematoide das lesões radiculares

Esse nematoide tem ampla gama de hospedeiros (inclusive plantas daninhas). Tem maior ocorrência em solos de textura média.

Ele destrói o sistema radicular das plantas, provocando sintomas como podridão e necrose, diminuindo o número de radicelas. 

As plantas afetadas também podem apresentar clorose e murchamento.

 À esquerda, raízes necrosadas pelo parasitismo do nematoide das lesões radiculares. À direita, galhas provocadas por Meloidogyne incognita (plantas com 80 dias após a inoculação)

 À esquerda, raízes necrosadas pelo parasitismo do nematoide das lesões radiculares. À direita, galhas provocadas por Meloidogyne incognita (plantas com 80 dias após a inoculação)
(Fonte: Boletim P&D – IMAmt)

Interação entre nematoides e fungos de solo

A associação entre nematoides e fungos de solo é bastante comum. 

O ataque dos nematoides aos tecidos radiculares facilita a entrada de fungos fitopatogênicos na planta

Além disso, predispõe fisiologicamente as plantas de algodão a ação do fungo.

Nematoide das galhas, nematoide reniforme e nematoide das lesões radiculares apresentam associação com fungos do gênero Fusarium e Verticillium

Assim, doenças causadas por esses fungos são favorecidas na presença desses nematoides.

Análise nematológica

A análise nematológica tem por objetivo quantificar a população de nematoides e também identificar as espécies parasitas. 

A avaliação é feita somente em laboratório. O eficiente manejo de nematoides está diretamente relacionado à análise nematológica. 

É preciso ter conhecimento das espécies presentes na área e seu nível populacional para estabelecer estratégias de controle. Conhecer o histórico da área também é fundamental.

Quando fazer a amostragem

A amostragem deve ser realizada durante o florescimento da cultura

É nessa fase que as plantas estão em pleno desenvolvimento. Os nematoides podem ser encontrados em elevados níveis populacionais nas raízes e no solo.

No final da fase reprodutiva, as raízes das plantas entram em senescência e a população de nematoides diminui.

Material para amostragem

Confira quais materiais são necessários para a coleta das amostras de solo e raízes:

  • balde;
  • enxada;
  • pá;
  • tesoura de poda;
  • sacos plásticos (previamente identificados);
  • caixa térmica.

Como coletar as amostras

Para a coleta das amostras, caminhe em zigue-zague pela área. A coleta deve ser feita na linha de plantio a uma profundidade de 25 cm.

Em áreas com suspeita de ocorrência de nematoides reniformes, a profundidade de amostragem deve ser entre 20 cm e 40 cm.

O material coletado deve conter solo e raízes finas da cultura de interesse agronômico. 

O solo coletado deve ser aquele que se encontra localizado próximo ao sistema radicular da planta.

Em relação ao número de subamostras, amostre entre 20 e 25 pontos a cada 10 hectares, no máximo.

As subamostras devem ser homogeneizadas em um balde, formando uma amostra composta. 

A amostra composta deve ser formada por aproximadamente 500 g de  solo e 50 g de raiz por área amostrada.  

Armazene as amostras em sacos plásticos previamente identificados com uma ficha de coleta. As raízes e o solo devem estar acondicionados no mesmo saco plástico.

Na ficha de coleta, insira informações como:

  • número da amostra;
  • cultivar plantada;
  • sintomas;
  • tipo de solo;
  • sistema de plantio;
  • data de semeadura;
  • local;
  • data da coleta. 

Transporte as amostras até o laboratório de nematologia o mais rápido possível

Os sacos de amostras podem ser armazenados em caixas térmicas durante esse processo, para melhor conservação do material. 

Caso o material não seja levado rapidamente para o laboratório, você pode armazená-lo em geladeira por um período máximo de 4 dias.

No laboratório, é realizada a extração e isolamento dos nematoides presentes na amostra. Após esse processo, os nematoides são identificados e quantificados.

Esquema de amostragem, homogeneização, acondicionamento, identificação, transporte de amostras de solo e raiz da cultura do algodoeiro para quantificação de fitonematoides

Esquema de amostragem, homogeneização, acondicionamento, identificação, transporte de amostras de solo e raiz da cultura do algodoeiro para quantificação de fitonematoides
(Fonte: Galbieri et al., 2015)

Cuidados na amostragem

Veja alguns cuidados que você deve adotar na coleta das amostras para análise nematológica:

  • não realizar a amostragem quando o solo estiver muito seco ou muito úmido;
  • não molhar o solo para facilitar a coleta;
  • não coletar amostras no centro de reboleiras de plantas com severos sintomas;
  • na presença de reboleira de plantas com sintomas, a amostragem deve ser feita nas plantas da periferia da área afetada;
  • coletar apenas raízes vivas da cultura de interesse agronômico;
  • utilizar sacos plásticos resistentes e limpos para armazenar as amostras;
  • identificar corretamente as sacos plásticos;
  • não deixar as amostras expostas ao sol ou à condições de altas temperaturas;
  • utilizar caixas térmicas para o transporte das amostras até o laboratório;
  • os equipamentos utilizados na amostragem devem ser limpos ao mudar o talhão de coleta.

Manejo de nematoides no algodão

A primeira medida de controle é evitar a contaminação da área. 

Para isso, não esqueça de limpar os implementos agrícolas ao mudar de talhão. Isso evita que torrões de terra contendo nematoides sejam transportados para uma área isenta. 

Para a redução do nível populacional de nematoides na área, a rotação de culturas com espécies que não são hospedeiras desses parasitas é uma boa opção. 

O manejo de nematoides também envolve o uso de genótipos tolerantes e o controle de plantas daninhas no período da entressafra.

A nutrição balanceada da lavoura também é essencial para aumentar a tolerância das plantas ao ataque de nematoides.

O controle biológico com bactérias e fungos nematógafos também é indicado para o manejo. No Brasil, já é possível encontrar no mercado alguns nematicidas biológicos

Outro método de controle é o químico

Abaixo estão listados alguns produtos registrados pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle de nematoides na cultura do algodão

tabela de nematicidas registrados para a cultura do algodão no Brasil, segundo o Mapa

Nematicidas registrados para a cultura do algodão no Brasil, segundo o Mapa
(Fonte: adaptado de Boletim P&D – IMAmt)

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Três espécies de nematoides causam danos à cultura do algodão no Brasil: nematoide das galhas, nematoide reniforme e nematoide das lesões radiculares.

Doenças provocadas por fungos do gênero Fusarium e Verticillium são favorecidas na presença desses parasitas.

Caso encontre sinais dos nematoides em sua lavoura, faça a análise nematológica o mais rápido possível. 

Nessa análise, você terá a quantificação e a identificação dos nematoides presentes na amostra. 

Ao realizar o manejo, lembre-se que práticas culturais, controle químico e biológico, e o plantio de cultivares tolerantes são as melhores opções.

>> Leia mais:

“Como a crotalária controla nematoides em sua lavoura”

Você já enfrentou problemas com nematoides no algodão? Realizou a análise nematológica? Quais estratégias de manejo adotou? Conte sua experiência nos comentários.

O que é a mancha alvo do algodoeiro e como ela pode afetar a sua lavoura

Mancha alvo do algodoeiro: saiba quais são os sintomas, como ela afeta a lavoura e como manejar a doença no algodoeiro.

A mancha alvo é uma doença de grande impacto econômico para a agricultura e que tem preocupado muitos produtores de algodão nos últimos anos.

Seu controle não é tão simples, já que a disseminação do fungo na lavoura ocorre pela ação do vento e pelas gotas de água da chuva. Isso favorece a repetição de ciclos da doença na área.

Nesse artigo, vou te mostrar os principais sintomas da mancha alvo do algodoeiro e como fazer o manejo ideal da doença. Confira a seguir!

Importância da mancha alvo do algodoeiro

A mancha alvo é uma doença causada pelo fungo Corynespora cassiicola. Ela tem ampla ocorrência nas áreas agricultáveis e causa prejuízos em diversas culturas, principalmente na soja. Nos últimos anos, também tem ganhado notoriedade na cotonicultura.

O patógeno tem a capacidade de sobreviver em restos culturais e em hospedeiros alternativos, favorecendo repetidos ciclos da doença na área, o que dificulta seu controle. 

Os esporos do fungo podem ser disseminados na lavoura pelo vento e por gotículas de água da chuva.

Principais sintomas da doença

Os sintomas iniciais da mancha alvo no algodoeiro podem ser observados nas folhas do terço inferior da planta. 

É comum que a doença se manifeste após o fechamento da entrelinha. O elevado número de folhas do algodoeiro e os espaçamentos adensados favorecem o desenvolvimento do fungo Corynespora cassiicola, uma vez que as folhas do baixeiro estão sob condições de alta umidade e temperatura. 

Na fase inicial, é possível observar pequenas pontuações escuras com halo amarelo nas folhas. Com o agravamento da doença, essas lesões evoluem e assumem formatos maiores, podendo ser irregulares ou circulares.

As lesões circulares apresentam anéis concêntricos de tecido necrosado em seu interior, o que lembra o formato de um alvo. Por esse motivo, o nome da doença: mancha alvo.

foto de lesão sintomática típica da mancha alvo em folha do algodoeiro

Lesão sintomática típica da mancha alvo
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

foto de sintomas de mancha alvo nas folhas e brácteas do algodão

Sintomas de mancha alvo nas folhas e brácteas do algodão
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

Outro sintoma observado é a queda prematura das folhas. A desfolha e as lesões foliares diminuem a capacidade da planta de realizar a fotossíntese. Por consequência, há prejuízos no desenvolvimento das plantas e redução da produtividade. 

foto de desfolha do algodoeiro causada pela mancha alvo

Desfolha do algodoeiro causada pela mancha alvo
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

Considerando os danos causados pelo fungo, a queda da produtividade está relacionada à perda da área fotossintética da planta. 

Em outras palavras, o tecido necrosado das folhas não é mais capaz de impedir a radiação solar e realizar fotossíntese. Dessa forma, há queda na produção de fotoassimilados e, consequentemente, da produtividade. 

Doenças, nematoides, ataque de insetos e toxidez por fertilizantes ou pelo uso incorreto de produtos fitossanitários também provocam alterações nas folhas, como clorose ou queima

Assim, é importante ter uma diagnose correta da doença para fazer o manejo adequado, como vou explicar melhor a seguir. 

Como fazer o manejo da mancha alvo do algodoeiro

O manejo da mancha alvo no algodoeiro requer monitoramento constante para evitar que a doença evolua e cause prejuízos. 

Dessa forma, o método químico de controle é um dos utilizados no combate a essa doença.

Dentre as moléculas registradas para o controle da mancha alvo no algodão, podemos citar:

  • epoxiconazol + fluxapiroxade + piraclostrobina 
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • bixafem + protioconazol + trifloxistrobina
  • fluxapiroxade + piraclostrobina 
  • azoxistrobina + mancozebe + tebuconazol
  • azoxistrobina + mancozebe 

No controle químico, é importante seguir as recomendações técnicas quanto à forma de uso do produto, época e tecnologia de aplicação, dose e volume de calda.

Outra sugestão é a rotação de produtos com diferentes mecanismos de ação para evitar a pressão de seleção na área. 

Além disso, algumas práticas podem ser adotadas junto ao uso de fungicidas para evitar que a doença se estabeleça, como:

  • manejo da altura das plantas de algodão com reguladores de crescimento;
  • controle de plantas daninhas (hospedeiras alternativas);
  • incorporação dos restos culturais;
  • evitar espaçamentos adensados;
  • seguir as recomendações quanto à população de plantas;
  • parcelamento da adubação nitrogenada;
  • rotação de culturas com espécies não hospedeiras;
  • evitar a sucessão de plantio algodão-soja, uma vez que são culturas suscetíveis à mancha alvo.

Ainda não há cultivares de algodão resistentes à mancha alvo. Dessa forma, o manejo deve ser voltado para práticas que desaceleram ou interrompam o desenvolvimento da doença. 

Vale lembrar que quanto antes a doença for detectada, mais eficiente será o controle e menores serão os danos. 

Como o NDVI pode ajudar a monitorar a doença na lavoura?

O NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) vem sendo amplamente utilizado para monitorar diferentes aspectos das lavouras. Como a mancha alvo é uma doença que ataca a parte aérea do algodão, essa tecnologia permite observar o comportamento e a evolução da doença pelos mapas. 

É possível também avaliar o nível de desfolha, identificar o foco da doença na área, plantas mortas, quantificar danos e determinar o melhor momento da aplicação de fungicidas. 

A presença da mancha alvo no algodão diminui a cobertura foliar da planta, e consequentemente, altera o valor NDVI. Essa modificação irá resultar em mapas diferentes daqueles gerados para a mesma lavoura antes da presença da doença.

Assim, é possível traçar estratégias de manejo adequadas para o controle da doença, uma vez que irregularidades no campo podem ser detectadas ainda em fase inicial.

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Conclusão

A mancha alvo é uma doença fúngica causada pelo patógeno Corynespora cassiicola e que ataca culturas de interesse agronômico, como o algodão. Os principais sintomas são visíveis nas folhas: lesões e desfolha precoce.  

O manejo da mancha alvo no algodoeiro inclui ações combinadas de modo a preservar a sanidade da lavoura e evitar ou retardar a disseminação da doença na área. 

Tendo em vista os sintomas causados, os mapas NDVI também podem ser uma importante ferramenta no gerenciamento das lavouras. Eles reúnem informações que possibilitam observar padrões na área, avaliar a condição dos plantios e se antever aos problemas. 

Espero que com essas informações você possa fazer um manejo eficiente da doença em sua lavoura!

>> Leia mais:

“6 principais doenças do algodão e como controlá-las na lavoura”

Você já teve problemas com mancha alvo do algodoeiro? Conte pra gente sua experiência nos comentários! 

Logística da pluma do algodão: o que impacta o escoamento da produção?

Logística da pluma do algodão: entenda os desafios que ainda temos de enfrentar e como manter a qualidade do produto no processo de escoamento da produção.

O Brasil atualmente é o quarto maior produtor de algodão do mundo e o segundo maior exportador. Mas o escoamento da produção ainda tem grandes desafios para se tornar mais eficiente. 

Hoje, a maior parte do transporte do algodão depende do modal rodoviário e, no caso das exportações, também do porto de Santos.

Neste artigo, separamos alguns aspectos que envolvem a logística da pluma de algodão e como garantir que o produto saia do campo e chegue à indústria mantendo alta qualidade da fibra. Confira a seguir!

A produção e a qualidade da pluma do algodão

A alta qualidade do algodão é uma exigência do mercado e nela está a garantia do seu lucro. 

Por isso, os cuidados com o manejo da lavoura, como a escolha da tecnologia da semente, adubação, manejos fitossanitários e práticas sustentáveis como o MIP (Manejo Integrado de Pragas), são essenciais! 

Ter um planejamento agrícola detalhado também faz toda a diferença, visto o alto valor investido para produção da cultura. Segundo o Imea, o  custo de produção de algodão chega a R$ 7.252 por hectare atualmente. 

Para alcançar uma qualidade elevada na fibra, o monitoramento diário de pragas e doenças se faz necessário, além de uma série de cuidados na colheita, armazenamento e transporte, como veremos a seguir.

Colheita

A qualidade da fibra do algodão tem relação direta com a qualidade do manejo e a forma como é feita a colheita garante manter ou não essa qualidade.

Por isso, passos básicos devem ser considerados como:

  • realizar a colheita do algodão com tempo seco;
  • garantir uma secagem adequada;
  • realizar o processamento de descaroçamento, enfardamento em pluma e armazenamento em condições adequadas de temperatura e umidade.

E é preciso sempre estar atento a alguns erros comuns da colheita mecanizada, como:

  • velocidade inadequada da colhedora;
  • presença de daninhas;
  • altura das plantas (que deve estar entre 1 m e 1,3 m);
  • erro na utilização de desfolhantes e maturadores;
  • falta de sistema de contenção de incêndios.

Armazenamento

Com a colheita feita, é preciso garantir um armazenamento adequado e seguro do algodão. O produto exige uma qualidade de pureza para seu valor agregado.

No armazenamento, o local deve ser livre de contaminantes, da mesma forma como o controle da umidade é essencial. 

Lembrando sempre de não colocar os fardos diretamente em contato com o piso, evitando a fermentação do produto como a conhecida cavitomia.

Aqui no blog nós já falamos em detalhes tudo o que você precisa saber sobre o armazenamento do algodão. Confira!

Beneficiamento

Segundo a Abrapa, até a safra de 2019, existiam 247 algodoeiras que beneficiavam o algodão ainda em caroço proveniente das fazendas. 

Elas estão distribuídas pelos seguintes estados:

  • Bahia (49)
  • Goiás (17)
  • Maranhão (3)
  • Minas Gerais (16)
  • Mato Grosso do Sul (8)
  • Mato Grosso (139)
  • Piauí (3)
  • Rondônia (2)
  • Roraima (1)
  • São Paulo (2)
  • Tocantins (7)
galpão com beneficiamento do algodão

(Fonte: Abrapa)

Vamos entender um pouco melhor como a tecnologia tem contribuído para o setor e para a alta qualidade do produto brasileiro? 

A padronização e rastreabilidade da pluma

O Brasil tem crescido no mercado e muito se deve à tecnologia que vem adquirindo em relação à padronização e rastreabilidade do produto.

A boa classificação do nosso tipo de algodão, o pagamento de acordo com a qualidade e a centralização dessas informações de fácil acesso são alguns diferenciais.

Desde 2004, existe o Sistema Abrapa de Identificação, que centraliza as etiquetas de códigos de barras para padronização e identificação única dos fardos brasileiros de algodão.

O Programa Standard Brasil HVI – CBRA, promove uma padronização adequada do produto brasileiro medindo, com o equipamento HVI (High Volume Instrument), as características da fibra do algodão como:

  • resistência – capacidade de suportar carga até romper-se;
  • comprimento;
  • uniformidade do comprimento (%);
  • índice ou conteúdo de fibras curtas (%);
  • finura;
  • elasticidade;
  • resiliência – capacidade da fibra voltar ao seu estado original;
  • fiabilidade – capacidade da fibra se transformar em fio;
  • umidade;
  • cor, lustro e reflectância.

As vantagens da padronização são:

  • sistema único e confiável de identificação dos fardos;
  • obtenção de resultados laboratoriais ágeis de classificação;
  • venda ao mercado externo facilitada.

Tanta rastreabilidade e transparência são exigências e qualidades necessárias para o mercado de exportações. Atualmente, a China é o principal país de destino do algodão brasileiro, seguido do Vietnã e Indonésia.

dados e informações de padronização e rastreabilidade de logística da pluma do algodão

(Fonte: Abrapa)

O que impacta na logística da pluma do algodão?

Uma das atividades mais importantes e dispendiosas do processo produtivo é a logística, com influência direta das opções de modais. 

Estudo realizado por Rocha et. al (2016) mostrou que a logística do algodão em pluma chegou a representar 10,36% da receita bruta total da produção. Só o transporte rodoviário contribuiu com 7,6% do custo de produção.

Segundo a Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga (ABTC), as cargas em geral se distribuem entre 65% por modal rodoviário, 15% por modal ferroviário e 20% por modal aquaviário. 

No caso do escoamento da produção agrícola, especificamente, 45% depende do modal rodoviário.

Quando falamos do produto agrícola para exportação, o porto de Santos (SP) é um dos destinos principais. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, um em cada três produtos exportados passa por lá.

Rotas

A opção de rotas tem relação direta com a infraestrutura e os aspectos tributários. Os tributos mais expressivos e de maior impacto nas operações logísticas são: PIS, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS.

O principal estado produtor do Brasil, o Mato Grosso agora conta com o terminal logístico em Rondonópolis (MT), que já faz as alocações em contêineres e o escoamento via malha ferroviária para os portos.

Já a produção da Bahia ainda se desloca praticamente toda via modal até o porto de Santos para os carregamentos. 

A abertura de escoamento pelo Arco Norte via Santarém (PA) tem sido vista como opção de redução de custos. 

Assim como o porto de Salvador (BA) para a exportação da pluma baiana que ainda concentra a sua exportação via porto de Santos.

A possibilidade de melhoria de nossa infraestrutura de escoamento com redução de custo, contribuiria com um aumento da competitividade do Brasil no mercado de exportações. 

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

O país tem crescido no mercado de exportações, a nossa tecnologia de rastreabilidade e avaliação de qualidade do produto já é muito boa.

Da porteira para dentro, somos muito bem abastecidos de tecnologias e eficientes na produção. 

Nosso maior desafio da porteira para fora ainda é a logística do escoamento da nossa produção.

As opções de modal são restritas e os custos são muito elevados. E para que uma mudança ocorra, é preciso haver melhoria da nossa infraestrutura de escoamento.

Restou alguma dúvida sobre os desafios da logística da pluma do algodão? Adoraria ver seu comentário abaixo!

As 6 principais plantas daninhas do algodão e como controlá-las

Plantas daninhas do algodão: confira as espécies mais problemáticas para a cultura e o que fazer para ter um manejo adequado!

O controle das plantas daninhas é de extrema importância, principalmente quando se trata de uma cultura tão sensível à competição quanto o algodoeiro.

Além dos problemas durante a safra e a colheita, as invasoras também podem prejudicar a qualidade da fibra do algodão, contribuindo para o aumento da umidade nos fardos. E isso pode prejudicar significativamente seu lucro com a lavoura, não é verdade?

Quer saber mais sobre as principais plantas daninhas do algodão e como fazer um controle mais efetivo dessas espécies em sua lavoura? Confira essas e outras informações a seguir!

6 principais plantas daninhas do algodão

1. Buva

Muito agressiva e amplamente disseminada por todo o Brasil, a buva (Conyza spp.) também é conhecida por voadeira, rabo-de-foguete e margaridinha-do-campo.

Produz quantidades elevadas de sementes que se dispersam com facilidade na área, o que justifica sua presença em grande parte do país.

A buva é uma das plantas daninhas que já apresentaram resistência ao glifosato, o que a torna de difícil controle.

foto de Buva (Conyza bonariensis)

Buva (Conyza bonariensis)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)

2. Corda-de-viola

Também conhecida por corriola, campainha e jetirana, a corda-de-viola (Ipomoea sp.) é uma planta daninha de grande importância econômica na agricultura. 

De hábito trepador, ela se enrola no algodoeiro, podendo causar estrangulamento e acamamento da planta. 

Durante a colheita do algodão, a corda-de-viola também compromete o funcionamento dos componentes móveis da colhedora, causando mau funcionamento da máquina. 

foto de planta daninha Corda-de-viola com flor vermelha (Ipomoea hederifolia)

Corda-de-viola (Ipomoea hederifolia)
(Fonte: Herbário Vale do São Francisco)

3. Capim-amargoso

O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma gramínea que causa danos a diversas culturas de interesse econômico. Dependendo da região, pode ser conhecido como capim-flecha e capim-milhã.

Trata-se de uma planta com metabolismo fotossintético C4, que tem a capacidade de se desenvolver durante todo o ano.

Essa planta daninha forma volumosas touceiras a partir de rizomas e, assim como a buva, é de difícil controle por já ter apresentado resistência ao glifosato.

foto de planta daninha Capim-amargoso (Digitaria insularis)

Capim-amargoso (Digitaria insularis)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)

4. Caruru

O caruru (Amaranthus spp.), também conhecido por bredo e crista-de-galo, é outra planta daninha com ampla janela de adaptação, ou seja, se desenvolve mesmo em situações adversas. 

Essa planta tem rápido crescimento e elevada produção de sementes, o que garante sua disseminação por todo o território. É também uma planta de difícil controle devido à resistência ao glifosato.

duas fotos de caruru (Amaranthus hybridus var. paniculatus e Amaranthus hybridus var. patulus), plantas daninhas do algodão

Caruru (Amaranthus hybridus var. paniculatus e Amaranthus hybridus var. patulus)
(Fonte: Adaptado de Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)

5. Leiteiro

Também conhecido por amendoim-bravo e café-do-diabo, o leiteiro (Euphorbia heterophylla) tem trazido grandes prejuízos às lavouras. Sua presença causa diminuição da produção e da qualidade do produto colhido. 

O leiteiro apresenta deiscência explosiva (bolocoria). Isso quer dizer que seus frutos têm a capacidade de lançar as sementes longe da planta-mãe, o que facilita sua disseminação.

Também é uma planta daninha que, ao longo dos anos, adquiriu resistência ao glifosato. 

planta daninha Leiteiro (Euphorbia heterophylla)

Leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Embrapa)

Plantas daninhas que interferem na qualidade da fibra do algodão 

Algumas espécies de plantas daninhas também interferem diretamente na qualidade da fibra do algodão, como é o caso do picão-preto (Bidens pilosa), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) e capim-colchão (Digitaria horizontalis)

As sementes dessas plantas apresentam estruturas que aderem à fibra, reduzindo a qualidade do produto e, consequentemente, seu valor de mercado. 

Além disso, a presença de impurezas aumenta os custos de beneficiamento do algodão.

Da direita para a esquerda: sementes de picão-preto (Bidens pilosa), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidiu.) e capim-colchão (Digitaria horizontalis)

Da direita para a esquerda: sementes de picão-preto (Bidens pilosa), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidiu.) e capim-colchão (Digitaria horizontalis
(Fonte: Adaptado de Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)

Quando controlar as plantas daninhas do algodão?

É fundamental conhecer o histórico da área em que será implantada a lavoura. O conhecimento prévio da comunidade infestante permite estabelecer um plano de ação eficiente, que deve ser iniciado antes da semeadura e se estender até o momento da colheita. 

Tendo em vista que o algodoeiro é muito sensível à competição, qualquer interferência externa pode comprometer a produtividade. Assim, o cultivo e a colheita devem ser feitos com a área sem plantas invasoras, ou seja, “no limpo”.

Métodos de controle das daninhas do algodão

Controle preventivo

O controle preventivo tem intuito de evitar que novas sementes procedentes de outros locais sejam introduzidas na área cultivada. 

Para isso, é preciso:

  • fazer a limpeza de máquinas e implementos antes de transferi-los de uma área a outra. Essa medida evita que torrões de solo contendo sementes de plantas daninhas sejam levados para outra área de cultivo;
  • utilizar sementes de algodão certificadas;
  • fazer o controle das plantas daninhas também na bordadura das lavouras e nos carreadores, pois o trânsito de animais e até mesmo o vento podem levar sementes indesejadas para a área cultivada.

Controle químico

No mercado, é possível encontrar diversos produtos para o controle de espécies daninhas na cultura do algodão. No entanto, a escolha do herbicida deve ser pautada em alguns fatores, como: 

  • cultivar do algodão;
  • grau de seletividade;
  • espécie e estágio de desenvolvimento das plantas daninhas;
  • tipo de solo;
  • condições climáticas;
  • tecnologia de aplicação.

Também é importante evitar o uso de produtos isolados com resistência comprovada.

Dentre as moléculas disponíveis para o controle de plantas daninhas na cultura do algodão temos:

  • haloxifope-P-metílico;
  • carfentrazona-etílica;
  • diurom;
  • dibrometo de diquate;
  • cletodim.

Mas, o processo de escolha de herbicidas é complexo, o que remete à necessidade de acompanhamento por um engenheiro agrônomo.

Práticas de manejo integrado 

A rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é uma das técnicas que deve ser adotada pelo cotonicultor. 

Essa medida amplia o número de espécies controladas, diminui o banco de sementes do solo e dificulta a seleção de biótipos resistentes. 

Outra técnica é a rotação de culturas, que traz inúmeros benefícios como a diversificação da produção, melhoria das qualidades físico-química e biológica do solo e controle de plantas infestantes. 

Cada cultura requer um manejo específico e os efeitos dos diferentes sistemas de produção contribuem para a diminuição do banco de sementes.

Na entressafra, deve ser dada atenção especial ao manejo das plantas daninhas. As medidas adotadas nesse período refletirão diretamente na próxima safra tanto no que se refere ao tamanho da população invasora quanto ao número de aplicações de herbicidas.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Buva, corda-de-viola, capim-amargoso, caruru, leiteiro, picão-preto, capim-carrapicho, carrapicho-de-carneiro e capim-colchão são algumas das plantas daninhas que causam sérios prejuízos à cultura do algodão.

Como você viu neste artigo, o controle eficiente das plantas daninhas está pautado na adoção de práticas de manejo integradas. Utilize controle preventivo e químico, faça um bom manejo na entressafra, aposte na rotação de culturas e de produtos com mecanismos de ação diferentes.

Vale lembrar que cada área produtora deve ser avaliada isoladamente, considerando fatores técnicos, ambientais e econômicos. Dessa forma, você garante maior produtividade e reduz os custos de produção do algodão!

>>Leia mais:

Capim-rabo-de-raposa (Setaria Parviflora): guia de manejo

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Referências

Lorenzi, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 6ª Edição. Nova Odessa, São Paulo. Instituto Plantarum, 2006.