Previsão do preço do arroz para 2024: o que esperar do mercado?

Previsão do preço do arroz: entenda o mercado dessa commoditie, veja as projeções da safra e outras informações importantes

O arroz é um dos grãos mais vendidos do mundo. Por ser um produto de muita importância, quem produz precisa estar sempre por dentro da previsão do preço e das projeções do mercado.

Para a safra 2023/24, é estimada expansão na produção de arroz. Justamente por essas previsões, é fundamental estar bem a par da previsão de preços para se manter em competitividade com seus negócios.

Neste artigo, veja quais serão os impactos no preço desse grão em 2024 e prepare-se quanto aos custos de produção de arroz para se manter em competitividade no mercado. Ainda, veja detalhes das previsões da indústria para 2024. Confira!

Importância econômica do arroz: um breve contexto

Perdendo apenas para o milho, o arroz é o segundo cereal mais cultivado no mundo. Historicamente, a plantação do arroz desempenha um papel importante ao redor do globo. 

Isso não apenas do ponto de vista econômico (já que movimenta o comércio nacional e internacional em diferentes países), mas também do ponto de vista social. Afinal, o arroz possui alto valor energético e bom potencial para combater a fome.

Rico em carboidratos e fonte de fibras e proteínas, o arroz é consumido em todos os continentes e alimenta mais de 3 bilhões de pessoas todos os dias. Ele serve, portanto, como uma poderosa ferramenta no combate à desnutrição.

O que pode influenciar na cotação do arroz?

O Brasil é o maior produtor de arroz fora do continente asiático. Cerca de 90% de todo arroz do mundo é cultivado na Ásia, de acordo com dados da Food and Agriculture Organization.

O arroz pode ser irrigado ou em sequeiro. Por aqui, o sistema de cultivo mais utilizado é irrigado, presente em cerca de 80% da produção nacional e em praticamente 100% das lavouras da região sul.

No Sul, é onde se concentra a maior parte da produção de arroz do território brasileiro. Nesse sistema, as plantas ficam em um terreno alagado durante praticamente todo o ciclo. 

Justamente por isso, os solos úmidos da região subtropical do país são favoráveis ao cultivo. Esses solos estão presentes nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, responsáveis por 70% e 10% da produção nacional, respectivamente.

Anualmente, cerca de 10 milhões de toneladas do grão são produzidas no Brasil. A maior parte (cerca de 90%, de acordo com dados da Conab) é destinada ao consumo interno e o restante à exportação direta ou indireta.

Segundo a Conab, as exportações brasileiras de arroz atingiram 1,8 milhão de toneladas em 2023. Esse número representa uma redução de 14,7% em relação ao mesmo período de 2022.

Para a safra 2023/24, é esperada uma recuperação das exportações de arroz, com crescimento de 11,1%, para 2 milhões de toneladas.

Entre os principais importadores do arroz brasileiro estão:

  • Guatemala;
  • Peru;
  • Venezuela;
  • Bolívia;
  • Estados Unidos.

Qual foi o preço do arroz em 2023?

Em linhas gerais, o preço do arroz se manteve firme ao longo de 2023.  O preço do arroz subiu mais de 38% até dezembro de 2023, passando de R$ 91,82 na última cotação de 2022 para R$ 126,80.O preço do arroz teve um movimento de baixa entre janeiro e agosto de 2023. Entretanto, passou a barreira de R$ 100,00 a saca de 50 kg em setembro, chegando a mais de R$ 130,00 em meados de dezembro.

O ano de 2023 acabou com uma das maiores altas acumuladas entre os principais produtos agrícolas cultivados no país. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o preço do arroz subiu 24,54% nos supermercados do país no acumulado do ano de 2023

Projeções da safra de arroz em 2024

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam uma safra de 10,8 milhões de toneladas no período de 2023/24. Caso a previsão se concretize, a produção de arroz no país expandiria  7,2% ante a da temporada passada.

Os preços em alta incentivaram o aumento da área cultivada em alguns estados produtores. Por outro lado, o atraso no plantio, o volume excessivo de chuvas ou de períodos de com forte calor em diversas regiões, podem impactar a produtividade.No cenário internacional, as perspectivas também são de uma expansão na oferta do cereal. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam um crescimento de 345 mil toneladas na produção mundial de arroz em 2024.

Vale salientar que uma safra mundial mais fraca em alguns países pode impulsionar as exportações brasileiras. Isso enxugará o abastecimento doméstico e pressionará ainda mais os preços internos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou uma produção de grãos de 306,4 milhões de toneladas para a safra de 2023/24. O número representa uma redução de 4,2% (ou 13,5 milhões de toneladas) em relação à safra obtida em 2022/23.

Dentre os grãos que ajudam a compor este número estão a soja, o milho e o arroz. Esse cereal é considerado alimento básico para cerca de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo e um dos principais produtos agrícolas do Brasil.

Mas, apesar da perspectiva negativa em termos de produção como um todo, pesquisadores do Cepea da Esalq/USP estimam uma expansão na produção nacional de arroz em 2023. 

Qual é a previsão do preço do arroz em 2024?

Nesse contexto, o mercado estima que o preço do arroz deve se manter em patamares elevados em 2024. A recuperação da produção e a menor oferta de importantes países exportadores,  indicam que a demanda pelo grão continue crescendo ao longo do ano. 

Isso deverá puxar os preços para cima. Uma previsão que, ao que tudo indica, já começou a se concretizar.  Para se ter ideia, a saca de 50 kg do arroz em casca foi negociada a R$129,89 no começo de 2024.

Esse número representa um aumento de mais de 41% ante o valor registrado na mesma época do ano passado. Em janeiro de 2023, o preço da saca era de R$ 90,84, de acordo com o indicador da Esalq/ Senar-RS.

Veja, abaixo, os valores da cotação do arroz no Rio Grande do Sul, segundo o Cepea/Irga-RS, principal referência nacional, desde então.

Fonte: Cepea/Irga- RS

Como saber se o preço de venda do arroz compensa

Saber por qual preço compensa vender sua safra de arroz depende principalmente do seu custo de produção. Para conseguir aumentar ou buscar a melhor margem de lucro da sua propriedade, faça corretamente o custo, anotando todos os gastos diretos e indiretos.

Para isso, conte com o apoio da tecnologia. Softwares de gestão agrícola como o Aegro auxiliam desde o planejamento até o controle de custos da produção, garantindo uma visão clara do dinheiro gasto ao longo da safra em tempo real.  

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Conclusão

Diante das expectativas de crescimento tanto na safra brasileira quanto na produção mundial, tudo indica que o preço do arroz deve se manter firme em 2024.

Mas a verdade é que fatores climáticos e condições macroeconômicas, que influenciam diretamente nestas previsões, podem mudar rapidamente. 

Por isso, se você produz arroz, é importante manter-se sempre bem informado sobre a indústria. Assim, você não será pego de surpresa e conseguirá realizar um planejamento assertivo para o seu negócio.

>> Leia mais: 

Recomendações de adubação para o arroz: como fazer em diferentes sistemas de cultivo

Pragas do arroz: como identificar e combatê-las na cultura

Como ter mais eficiência operacional na colheita mecanizada do arroz

Ficou com alguma dúvida sobre a previsão do preço do arroz para 2024? Como está se preparando em relação aos preços? Adoraria ler seu comentário abaixo.

Tudo o que você precisa saber sobre plantação de arroz

Plantação de arroz: confira as principais orientações para ter sucesso com a lavoura, desde a semeadura até a colheita da safra

O arroz é um dos alimentos mais consumidos no mundo. Os estados do sul do Brasil, principalmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, são os maiores produtores do país. O sistema irrigado predomina nessas lavouras.

A plantação de arroz pode ser feita de formas diferentes, e cada uma exige um nível tecnológico específico. Por isso, conhecer todas as possibilidades é fundamental.

A escolha da cultivar por grupo de maturação, o manejo da água de irrigação e o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, e o manejo correto na colheita irá determinar o insucesso ou sucesso de sua safra.

Pensando nisso, preparamos um artigo com tudo o que você precisa para o cultivo de arroz. Vem conferir!

Aspectos gerais da cultura do arroz 

O arroz é o principal alimento da maioria da população mundial. Ele possui ótimo balanço nutricional e permite ser cultivado em diferentes ambientes.

O Brasil é o maior produtor e consumidor do grão fora do continente asiático. Aproximadamente 90% de todo arroz no mundo é cultivado e consumido na Ásia.

Segundo dados da Conab, a área de produção vem crescendo. Porém, não com tanta importância como a produtividade, que teve incremento de 3%.

O sistema de produção predominante no mundo é o irrigado. Nesse sistema, as plantas ficam em um terreno alagado durante quase todo o ciclo.

A região sul do Brasil é a principal produtora de arroz, com predominância do sistema irrigado. O arroz de sequeiro também está presente, e predomina nas demais regiões.

Graças à evolução da tecnologia e dos processos de produção, a plantação de arroz torna-se cada vez mais rentável

Sistemas da plantação de arroz

O plantio de arroz pode ser feito em dois sistemas: sistema sequeiro ou “de terras altas” e sistema irrigado.

1. Arroz sequeiro

É o sistema menos utilizado no Brasil, mais comum no Cerrado. Foi bastante usado na abertura de novas áreas como cultura inicial, por suportar solos ácidos. Atualmente, é utilizado na rotação de culturas.

Você terá um menor custo de implantação nesse sistema. Ele não necessita de irrigação, não exige área plana nem um maquinário específico. 

No entanto, a produtividade da lavoura será consideravelmente menor.

Com a evolução dos sistemas de manejo e desenvolvimento de cultivares, espera-se que a produtividade seja ampliada nesse sistema.

2. Arroz irrigado

Esse sistema de produção é o mais comum. No Brasil, representa aproximadamente 80% de toda área plantada com a cultura.

A produtividade do arroz nesse sistema é 3 vezes maior que no sequeiro, mas o custo de implantação é maior.

Quase 100% das lavouras da região sul, que representa a maior parte das lavouras do Brasil, são cultivadas dessa maneira.

A implantação da lavoura depende de um sistema de irrigação por inundação. Além disso, precisa de uma oferta abundante de água durante o desenvolvimento até próximo da colheita.

Para que a prática seja favorecida, o tipo de solo deve ser naturalmente mal drenado.

Para o plantio de arroz com o sistema irrigado, você deve dividir a área em quadras. Proceda a irrigação através de um canal central, que distribui a água para todas as quadras.

Plantação de arroz sequeiro ou irrigado: O que vale mais a pena?

No Brasil, o sistema irrigado predomina, representando 79,5% das lavouras de arroz. Já o arroz de sequeiro ocupa 20,5% da área plantada

O arroz irrigado geralmente é produzido no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, onde o cultivo passa parte de seu ciclo com a presença de uma lâmina d’água. 

O arroz de terras altas, ou arroz de sequeiro, é produzido no norte do Brasil. Inicialmente usado para abertura de áreas e recuperação de pastagens degradadas, hoje é cultivado em sistemas de rotação de culturas.

Embora tenha menor produtividade média (2,35 ton/ha contra 7,13 ton/ha do arroz irrigado), o arroz de sequeiro exige menor investimento inicial e tolera solos ácidos. Já o arroz irrigado, apesar de mais produtivo, depende de áreas planas, disponibilidade de água e maior aporte financeiro.

Para decidir entre os sistemas, inclua no planejamento agrícola todos os custos, previsão de produtividade e tempo necessário. Baseie-se em dados para fazer a escolha mais estratégica e assertiva.

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Qual a diferença entre plantio convencional, plantio direto e cultivo mínimo para arroz?

O plantio convencional do solo é o mais tradicional no Brasil. Ele demanda um preparo de solo que incorpora a camada superficial, destrói restos culturais e plantas daninhas

No plantio direto, o solo não é mecanicamente preparado, sendo revolvido apenas no sulco para distribuir sementes e adubos. O sistema se baseia na rotação de culturas e na manutenção da palhada.

Se a rotação de culturas for mal feita (ou não for feita), problemas com compactação, doenças e pragas podem ser mais graves que no sistema convencional. 

Já no cultivo mínimo, é feito apenas um preparo leve do solo (revolvimento de camadas muito superficiais) com intuito de proporcionar a emergência de plantas daninhas, facilitando o manejo em pré-plantio. 

Em ambos, o arroz é semeado em solo seco. Outros sistemas de plantação de arroz irrigado são o sistema pré-germinado, mix e transplante de mudas.

Qual o local e época de semeadura do arroz?

Escolha uma área plana para facilitar as operações de manejo. Se optar pelo sistema irrigado, a área deve seguir alguns padrões que permitam a irrigação.

Faça a correção de pH e a adubação recomendada para a cultura. Não se esqueça de controlar plantas daninhas e pragas iniciais para obter altas produtividades.

Escolha bem a época de semeadura para a plantação de arroz. A época determina as condições climáticas a que a planta será exposta em seu desenvolvimento.

Além disso, você deve se preparar para condições adversas na semeadura, como muitas chuvas. Para isso, mantenha o sistema de drenagem da área sempre em bom estado.

Para o estado do Rio Grande do Sul, a época de plantio do arroz varia de 21 de setembro a 10 de dezembro

Em Santa Catarina, o período ideal é entre 11 de agosto a 10 de janeiro. Planeje o plantio de acordo com o zoneamento da sua região e ciclo da cultivar.

Quando é feita a colheita do arroz?

Embora os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins detenham cerca de 80% da produção de arroz no Brasil, os cultivos se espalham por todo o país.

Por conta da enorme extensão territorial e diferentes condições climáticas dessas regiões, as épocas de plantio e colheita variam.

Por conta dessa variação em todo o Brasil, o ponto de colheita do arroz é melhor definido pelo teor de umidade de seus grãos, que devem estar entre 18% e 23%.

Além disso, as mudanças de cor na casca do grão indicam maturidade e podem ajudar na tomada de decisão.

Quando ao menos 2/3 dos grãos da panícula apresentarem essa característica, pode-se proceder com a colheita.

Plantação de arroz: Escolha de cultivares

O potencial genético da cultivar é responsável por 50% do rendimento final da lavoura. Escolha a cultivar adequada para o seu sistema de plantio, região e solo. Essa decisão pode determinar o sucesso ou fracasso da sua plantação de arroz, além de evitar quebra de safra.

Tenha no seu planejamento informações que te ajudem a decidir por uma ou outra cultivar:

  • adaptação da cultivar à região;
  • produtividade e estabilidade;
  • ciclo da cultivar;
  • resistência/tolerância a doenças;
  • assistência técnica;
  • empresas produtoras;
  • experiências regionais;
  • experiência em safras passadas.

Você encontra na internet a listagem das cultivares registradas no Mapa, recomendadas para tipo de sistema, safra e local

Qual sistema de semeadura optar a plantação de arroz?

Você pode optar por utilizar transplantio, semente seca ou pré-germinada em plantio direto, cultivo mínimo ou plantio convencional.

A implantação de uma lavoura de arroz por transplantio é pouco difundida no Brasil, e é recomendada para a produção de sementes de alta qualidade. 

Isso porque permite ter alta pureza varietal e facilita o controle de plantas daninhas.

No plantio direto, faça a semeadura com semente seca ou pré-germinada sem revolvimento. Dê preferência a esse sistema quando utilizar a mesma área com outras culturas na entressafra do arroz.

O custo de implantação de lavoura com plantio direto pode ser 2 vezes mais barato que o convencional. Escolha uma densidade de semeadura maior nesse sistema. Inicie a irrigação com banhos e posteriormente à inundação do solo. 

Faça o preparo leve do solo, revolvendo a camada superficial quando tiver problemas com plantas daninhas. Esse sistema chama-se cultivo mínimo.

O revolvimento da camada mais superficial do solo expõe as daninhas, o que facilita o manejo pré-plantio

Esse preparo também auxilia na formação de lama, nivelamento e alisamento do solo.

Realize o cultivo mínimo com o solo alagado. Após o preparo, faça a semeadura com sementes secas ou pré-germinadas.

Sistema pré-germinado

Faça o preparo do solo para eliminar plantas daninhas e pragas, bem como incorporar a palha restante do cultivo anterior. Esse preparo não deve ser próximo a semeadura.

Antes da semeadura, proceda com a adubação da lavoura e inundação para formar lama e nivelar o solo.

Para a semeadura, mantenha uma lâmina de água de 5 cm e plante a semente pré-germinada a lanço.

Se houver incidência de arroz vermelho, mantenha a lâmina de água após a semeadura. Caso contrário, drene de 2 a 4 dias após a semeadura, mantendo por até 4 dias.

Manejo integrado de pragas e doenças

O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é o alicerce para a lucratividade em qualquer cultivo. Nesse sistema, a utilização de métodos de controle consorciados otimizam o controle das pragas e doenças. Além disso, o MIP protege ainda mais a lavoura e reduz custos com controle.

Faça monitoramento e utilize controle cultural e biológico como preventivos. Caso a população de alguma praga atinja o nível de dano econômico, faça uso de agroquímicos recomendados.

Tenha o controle dos dados obtidos durante o ciclo da cultura, planeje suas ações antes de colocar em prática.

Controle de plantas daninhas no cultivo de arroz

O arroz é uma cultura muito prejudicada pela competição com plantas daninhas, como o capim-arroz e o arroz-vermelho, além de algumas plantas aquáticas como grama boiadeira e aguapés.

Escolha sementes de procedência e qualidade, livre de mistura varietal e contaminação. O manejo na entressafra é vital para o controle de daninhas e sucesso da safra. Faça roçadas e dessecação com herbicida.

Revolva o solo para expor as sementes de invasoras para estimular a germinação e facilitar o controle. Junto disso, use a rotação de culturas com soja e milho, que são culturas populares e eficientes para a prática. .

Proceda com a inundação da área 20 a 30 dias antes da semeadura no sistema pré-germinado. Mantenha a lâmina d’água durante o ciclo em áreas infestadas de arroz vermelho.

Atenção à qualidade da água: água limpa reduz a incidência de plantas aquáticas invasoras. Planeje estrategicamente o uso de herbicidas ao longo do ciclo da cultura para otimizar os custos.

A aplicação dos herbicidas deve seguir o tipo de cultivar e o produto escolhido:

  • Para cultivares de ciclo curto: 15 a 20 dias após emergência;
  • Para cultivares de ciclo longo: 25 a 30 dias após emergência.
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Colheita do arroz

Planeje bem a sua safra para que a época de colheita não coincida com época de chuvas. 

Tenha a colhedeira preparada para que, numa situação dessa, a colheita seja feita no menor tempo possível.

Na lavoura irrigada, interrompa o fornecimento de água 10 dias após a floração de 50% das panículas. Retire toda a água da lavoura para colher o arroz.

O tempo que a plantação de arroz demora do plantio à colheita depende da época e local de semeadura, além do ciclo da cultivar. Veja os grupos de maturação:

  • super-precoce (menos de 100 dias no RS);
  • precoce (110-120 dias no RS; até 120 dias em SC);
  • médio (120 a 130 dias no RS; 120 a 135 dias em SC);
  • semi-tardio (mais de 130 dias no RS; 135 a 150 dias em SC);
  • tardio (mais de 150 dias em SC).

Cultivares de ciclo super-precoce permitem colher mais cedo com melhores preços. Também é possível uma segunda colheita com a soca na mesma safra.

A utilização de cultivares precoces facilita o planejamento da safra, escalonando semeadura, tratos culturais e colheita.

Cultivares com menor tempo de ciclo são recomendadas onde há possibilidade de clima adverso nas principais fases de desenvolvimento. A produtividade será maior em cultivares de ciclo mais longo.

Inicie a colheita quando os grãos estiverem com 20% de umidade. O atraso pode reduzir o rendimento de grãos inteiros, depreciar o produto.

Após a colheita os grãos devem ser secados até atingir 13% de umidade, o que habilita o seu armazenamento

Armazene em local adequado: procure um local arejado e seco, com controle de insetos e roedores. 

Principais recomendações de manejo dos herbicidas para arroz

Herbicidas para arroz: confira os produtos mais recomendados para arroz de sequeiro e irrigado, além do posicionamento mais adequado

Um dos grandes problemas que afetam a produtividade dos cultivos é a ocorrência de plantas daninhas na lavoura. 

Você sabia que a estimativa de perda de produção agrícola devido às plantas daninhas é de 15%? Há casos em que as perdas podem chegar a 90%, quando nenhum método de controle é utilizado.

Para o melhor manejo dessas plantas indesejadas, o uso de várias práticas de controle é essencial. Esses métodos podem desde evitar a entrada de plantas daninhas na área até  eliminar as já existentes através da aplicação de herbicidas.

Quer saber mais sobre como realizar o controle químico de forma adequada e evitar perdas na sua lavoura? Então confira as dicas a seguir! 

Interferência das daninhas na cultura do arroz

A interferência das plantas daninhas no cultivo do arroz pode ocorrer de várias formas. A principal delas é pela perda por competição de água, luz e nutrientes. Também pode acontecer devido ao parasitismo ou por hospedar pragas e doenças.

Além disso, a presença das daninhas pode causar uma série de consequências como:

  • contaminações na pós-colheita;
  • aumento no custo de produção;
  • desgaste e maior consumo das máquinas;
  • diminuição do valor das terras;
  • degradação do solo, ambiente e risco à saúde humana e animal.

Para ter um controle eficiente, vários métodos devem ser empregados. O ideal é que você os utilize em conjunto

Para o sucesso da lavoura, é fundamental que você opte por sementes de qualidade. Além disso, faça a semeadura “no limpo” e mantenha sempre um baixo nível de infestação, principalmente durante o período crítico de competição (PCC).

Período crítico de competição

  • Período anterior à interferência (PAI): período até aproximadamente 15 dias após a emergência do arroz (DAE). Neste momento, as plantas daninhas e o arroz podem conviver sem redução na produtividade.
  • Período crítico de prevenção à interferência (PCPI): em torno de 15 – 45 DAE. Neste período, o controle é obrigatório para que não haja perdas na quantidade e qualidade da produção.
  • Período total de prevenção da interferência (PTPI): período da emergência até aproximadamente 45 DAE. Nessa etapa, quando não houver competição, a planta de arroz expressa seu melhor potencial.

A contagem de dias após a emergência é um balizador para o seu controle, mas não esqueça: além da fase, dependendo do nível de infestação e o tipo de planta daninha existente, podem ocorrer mais ou menos danos.

Principais plantas daninhas

Confira aqui as principais espécies de plantas daninhas encontradas na cultura do arroz

Folhas largas

  • Angiquinho – Aeschynomene Rudis
  • Corriola – Ipomoea grandifolia
  • Cruz de malta – Ludwigia spp
  • Erva-de-bicho –  Polygonum hidropiperoides 

Folhas estreitas

  • Arroz vermelho – Oryza sativa
  • Papuã/Campim marmelada – Brachhiaria spp
  • Junquinho/Tiririca – Cyperus
  • Milhã/Capim-colchão – Digitaria spp
  • Capim-arroz – Echinochloa spp
  • Capim-pé-de-galinha – Eleusine indica
  • Cuminho – Fimbristylis miliacea 
  • Aguapé – Heteranthera reniformis 
  • Capim do banhado – Panicum dichtomiflorum; 
  • Grama-de-ponta – Paspalum distichum 
  • Sagitária – Sagittaria spp
Plantas daninhas em lavoura de arroz

Plantas daninhas em lavoura de arroz podem trazer perdas de até 90% na produtividade se não controladas adequadamente
(Fonte: CPT)

Aplicação dos principais herbicidas para arroz

Tanto no cultivo de arroz de sequeiro quanto no de arroz irrigado, grande parte do manejo é feito através do controle químico com o uso de herbicidas pré e pós emergentes.

Veja quais são os principais herbicidas para arroz e como utilizá-los da melhor maneira possível.

Gladium

Cultivo: Arroz irrigado.

Quando usar: na pré e pós-emergência das plantas infestantes. Aplique entre o estádio de 2.ª folha até o 3.º perfilhamento. Realize no máximo 1 aplicação por ciclo da cultura.   

Espectro de controle: eficiente no controle de plantas daninhas de folha larga e estreita, como angiquinho, tiriricas, cuminho e sagitária.

Dosagem recomendada: aplique de 100 a 133,3 g de produto comercial por hectare.

Cuidados: O intervalo de segurança é de 50 dias.

Herbadox 

Cultivo: Arroz de sequeiro.

Quando usar: na pré-emergência.

Espectro de controle: controla grande parte dos capins, como capim-marmelada, capim-arroz, capim-colchão e capim-pé-de-galinha. É eficaz também no manejo do caruru de mancha.

Dosagem recomendada: de 3L a 4,5L de produto comercial por hectare, dependendo do tipo de solo. As menores doses são recomendadas para solos arenosos e as maiores para os argilosos. Somente uma única aplicação é necessária.

Cuidados: faça a aplicação na hora do plantio ou logo após. Cuide para que as sementes estejam bem cobertas pelo solo e nunca aplique após a germinação.

Gamit 

Cultivo: Arroz de sequeiro e irrigado.

Quando usar: na pré-emergência.

Espectro de controle:

  • para arroz de sequeiro: capim-pé-de-galinha, picão grande, trapoeraba, corriola;
  • para arroz irrigado: Angiquinho, capim-colchão, capim-marmelada e capim-arroz.

Dosagem recomendada: 

  • para arroz de sequeiro:  1,7L a 2L de produto comercial por hectare;
  • para arroz irrigado: 1,1L a 1,7L de produto comercial por hectare.

Cuidados: Para a utilização desse produto, as sementes de arroz devem ter sido previamente tratadas com Safener (produto específico para proteção da cultura quanto a aplicação do herbicida). 

No momento da aplicação, o solo deve estar livre de torrões e com uma umidade mínima para a ativação do produto. 

Caso precise fazer o controle de plantas já germinadas, cuide para que não haja muita movimentação de solo no processo, de modo a  manter o defensivo na camada superficial.

Basagram 

Cultivo: Arroz de sequeiro e irrigado.

Quando usar: na pós-emergência.

Espectro de controle: 

  • Para arroz de sequeiro: trapoeraba e corriola;
  • Para arroz irrigado: erva-de-bicho e tiriricas.

Dosagem recomendada: de 1L a 1,6 L por hectare, utilizando doses menores quando as folhas estiverem molhadas por neblina ou orvalho.

Cuidados:  Ao aplicar em lavouras de arroz irrigado, retire a água para deixar as folhas das plantas daninhas bem expostas. Caso seja preciso voltar com a irrigação, faça isso após 48h. O intervalo de segurança é de 60 dias.

Only 

Cultivo: Exclusivo para arroz Clearfield.

Quando usar: em dose única na pós-emergência ou sequencial, sendo uma em pré e outra em pós-emergência.

Espectro de controle: herbicida chave para controle de arroz vermelho, também controla capim-arroz e tiririca.

Dosagem recomendada: 

  • Em pós-emergência: 1L/ha, entre 4 folhas e primeiro perfilho do arroz;
  • Sequencial: 0,75L + 0,75L/ha entre 4 folhas e primeiro perfilho do arroz.

Cuidados: utilize adjuvante variando de 0,5% a 1% v/v. Para um bom funcionamento do produto, é necessário  que ocorra chuva nos próximos 5 dias ou que a área seja irrigada. O intervalo de segurança é de 60 dias.

Kifix 

Cultivo: arroz de sequeiro e irrigado, exclusivo para arroz Clearfield.

Quando usar: na pré e pós-emergência das daninhas.

Espectro de controle: amplo espectro de controle, controlando folhas largas e estreitas, inclusive arroz vermelho.

  • Para arroz de sequeiro: algumas das invasoras controladas são, capim-colonião,   capim-amargoso, trapoeraba, leiteiro, corriola; 
  • Para arroz irrigado: espécies como, arroz vermelho, angiquinho, sagitária, tiriricas, cuminho, papuã e capim-arroz. 

Dosagem recomendada: 

  • Para arroz de sequeiro: de 100g/ha a 140 g/ha ou 70g + 70g, se sequencial;
  • Para arroz irrigado: 140g de produto comercial por hectare.

Cuidados: para esse produto também utilize adjuvante 0,5% v/v. Para uma boa ação deste herbicida no arroz irrigado, é importante que a entrada da água ocorra entre 48h e 72h após a aplicação. O intervalo de segurança é de 60 dias.

O Sistema Clearfield é uma tecnologia desenvolvida pela Basf, onde sementes geneticamente selecionadas toleram a aplicação de herbicidas específicos do grupo das imidazolinonas.

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Conclusão

Nesse artigo, você viu como as plantas daninhas afetam a produtividade do arroz, e que dependendo do período e do nível de infestação, seu cultivo pode ser mais ou menos afetado.

Você também ficou por dentro das plantas daninhas mais recorrentes na cultura e quais os principais herbicidas para arroz indicados para o controle dessas invasoras.

Não se esqueça de sempre usar as boas práticas de manejo e aplicação para um controle eficiente e seguro! 

Além disso, conte sempre com a ajuda do seu engenheiro-agrônomo e siga as recomendações do fabricante. 

>> Leia mais:

“Pragas do arroz: como identificar e combatê-las na cultura”

“Como fazer o controle não químico para plantas daninhas” 

Você já precisou lidar com as plantas daninhas na sua plantação? Conhecia os principais herbicidas para arroz? Conte para a gente sua experiência aqui nos comentários!

Como calcular a estimativa da produtividade de arroz antes da colheita

Estimativa da produtividade de arroz: veja o passo a passo do cálculo e saiba em que estágio de desenvolvimento da lavoura ele pode ser realizado!

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê uma diminuição de 4,5% na produtividade da cultura do arroz nesta safra em relação à anterior.

As oscilações climáticas, especialmente no sul do país, afetaram as expectativas de rendimento médio da rizicultura.

Mas como ficará a produtividade média da sua lavoura? Quer saber sua estimativa de produtividade antes da colheita e ver um passo a passo destes cálculos? Confira a seguir!

Panorama da produção de arroz no Brasil e no mundo

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a estimativa revisada para a  safra 20/21 de arroz é de aproximadamente 10,9 milhões de toneladas, incluindo arroz irrigado e de sequeiro.

Na safra 20/21, espera-se redução da produção de 2,2% em comparação com a safra anterior, fator atribuído às projeções estatísticas e aos níveis dos reservatórios de água principalmente. 

Já a produtividade da cultura nas lavouras deve ter redução de 4,5%, estimada em 6.414 kg por hectare (ha), representando diminuição de 364 kg/ha.

O Brasil conta com diferentes regiões produtoras de norte a sul, sendo a região sul responsável por aproximadamente 76% da produção nacional.

O país é responsável ainda por 1% da produção mundial total da cultura, sendo considerado o maior produtor de arroz não asiático do mundo.

Entenda a importância de estimar sua produtividade 

Nos últimos anos, o levantamento de dados das áreas de produção agrícola no país e no mundo vem aumentando consideravelmente. 

Estima-se inclusive que, em um futuro próximo, as áreas sejam precificadas de acordo com o volume de dados e informações coletadas ao longo do tempo.

Essas informações são valiosas do ponto de vista agronômico, pois norteiam o manejo e a tomada de decisão. Tudo isso para que sejam mais assertivos, menos custosos e mais eficientes no uso dos recursos disponíveis.

Além de conferir autonomia e precisão quanto aos manejos a serem adotados, a estimativa da produtividade de arroz contribui:

  • na correção da fertilidade do solo;
  • na aplicação de fertilizantes quando a cultura já está implantada e nas suas fases mais críticas de desenvolvimento;
  • na observação das condições da lavoura quanto ao potencial produtivo dos diferentes talhões e até mesmo das diferentes cultivares;
  • planejamento da safra subsequente;
  • operações de pós-colheita;
  • organização e planejamento quanto à aquisição de insumos, contratação de mão de obra e estimativa de custos e rentabilidade.

Modelos utilizados para o cálculo da produtividade do arroz 

Modelos matemáticos podem estimar a produtividade da cultura, permitindo ainda descrever as interferências dos elementos meteorológicos e seu impacto nos componentes de rendimento da cultura.

Estudos identificaram o componente de rendimento da massa de mil grãos com maior efeito sobre a produtividade do arroz

Em contrapartida, o número de espiguetas chochas obteve maior influência na redução da produtividade.

Diversos modelos são descritos para realizar os cálculos de estimativa de produtividade da cultura do arroz, incluindo o Oryza2000 e o InfoCrop

O Oryza utiliza parâmetros bioquímicos e ecofisiológicos relacionados à fotossíntese, por exemplo, assimilação de moléculas de CO2, dentre inúmeros outros. 

Já o InfoCrop é considerado um modelo de menor complexidade, utilizando parâmetros mais robustos como eficiência do uso da radiação solar pela cultura (EUR) e temperatura acumulada, dentre outros.

Mas a utilização de tais modelos não é um processo fácil para muitos produtores. Isso porque exige levantamentos prévios de dados como temperatura nos diferentes estádios de desenvolvimento da cultura e precipitação acumulada, sendo geralmente realizado por técnicos especializados. 

Desta forma, metodologias mais simples podem ser utilizadas. Vou explicar melhor a seguir!

Componentes de rendimento e estimativa da produtividade de arroz com amostragem a campo

Confira a seguir os principais componentes de rendimento da cultura do arroz e estágios de desenvolvimento em que são definidos na lavoura:

  • número de panículas por m², definido ainda durante o período de germinação até dez dias após o início da visualização da panícula (MACHADO, 1994); 
  • Número de espiguetas por panícula, influenciado por fatores genéticos e condições  como fertilidade do solo e disponibilidade hídrica, especialmente nas fases reprodutivas até cinco dias que antecedem o florescimento (YOSHIDA, 1981a; YOSHIDA, 1981b);
  • Massa de mil grãos (peso em gramas), determinada durante as duas semanas posteriormente à abertura dos botões florais, sendo os primeiros sete dias dependentes da translocação de carboidratos no comprimento do grão; e, nos outros sete dias, há aumento da largura e da espessura dos grãos, sendo extremamente importante que as condições climáticas sejam favoráveis, especialmente nesta fase.

Para o cálculo da estimativa da produtividade de arroz, tanto em plantio irrigado quanto de sequeiro, pode-se determinar o peso dos grãos colhidos em torno de pontos amostrais, corrigindo a umidade para 14% (teor em que geralmente o arroz com casca é comercializado).

Passo a passo para estimar sua produtividade de arroz: metodologia conforme Durigon (2007)

1 – Identifique o estágio de desenvolvimento da lavoura

A lavoura deve estar em fase de maturação fisiológica, onde os grãos já atingiram o máximo acúmulo de matéria seca. 

Nesta fase, geralmente a umidade gira em torno de 30% a 40%.

Teoricamente, já poderia ser realizada a colheita. Porém, devido à necessidade de secagem posterior dos grãos, a umidade deve chegar em 18%  a 22% ainda na lavoura;

Mas como identificar o estágio de maturação fisiológica?

A fase de maturação fisiológica é dependente das condições ambientais do ano agrícola (temperatura, precipitação e eficiência do uso da radiação solar) e da genética da cultivar, podendo variar amplamente em relação ao número de dias. 

Por isso, o número de dias após a semeadura não se aplica para determinação das fases de desenvolvimento da cultura do arroz. 

No estágio de maturação fisiológica  80% dos grãos da lavoura já se encontram maduros. Para identificar, amostre 10 plantas aleatórias em diferentes pontos da lavoura e avalie.

Nessa fase, pelo menos um grão do colmo principal apresenta-se com pericarpo (parte externa) de coloração marrom.

2 – Escolha 10 pontos amostrais representativos da lavoura

3 – Retire as plantas

Com auxílio de um quadro de 1 metro quadrado (de metal ou madeira) de área útil, faça a retirada das plantas.

Demonstração de um quadro para amostragem de plantas de arroz para estimativa da produtividade por hectare

Demonstração de um quadro para amostragem de plantas de arroz para estimativa da produtividade por hectare
(Fonte: Reges Durigon, 2007 Aplicação de técnicas de manejo localizado na cultura do arroz irrigado (Oryza sativa L.))

4 – Separe as amostras

Acomode as amostras em embalagens correspondentes a cada ponto amostrado. Se for possível, os pontos podem ser demarcados em GPS.

5 – Debulhe as espiguetas manualmente

6 – Pese os grãos correspondentes a cada ponto amostral

7 – Corrija a umidade 

Corrija a umidade dos grãos com casca para 14% para cada ponto amostral. 

Importante avaliar a umidade de cada ponto amostral para realização da correção (umidade em que geralmente é comercializado), vide exemplo abaixo:

Peso do Ponto coletado 1 – 0,83 kg a 30% de umidade, necessário corrigir para 14%:

fórmula para correção da umidade - estimativa da produtividade de arroz

8 – Estime a produtividade dos pontos e da área

Com todos dados em mãos, agora, basta uma regra de 3 para extrapolar os valores levantados de cada metro quadrado para um hectare, que possui 10.000 metros quadrados.

Para que você entenda melhor, fiz uma tabela com alguns exemplos hipotéticos, considerando que obtivemos a pesagem dos seguintes pontos da lavoura:      

Exemplo do peso de 10 amostras representativas de uma lavoura de arroz para cálculo da estimativa de produtividade

Exemplo do peso de 10 amostras representativas de uma lavoura de arroz para cálculo da estimativa de produtividade

Assim, no Ponto 1 temos:

estimativa da produtividade de arroz

Basta você realizar a conta para todos os pontos e, posteriormente, calcular a média (soma de todas as estimativas individuais dos pontos amostrados, dividido pelo número de amostras – 10).

Assim, você terá a estimativa de produtividade da sua lavoura de arroz.

Outros métodos como cálculo do índice de vegetação, além do emprego de imagens de satélite, também podem ser bastante eficientes para obtenção da estimativa de produtividade do arroz. 

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Como melhorar a produtividade do arroz

Para que a produtividade da cultura do arroz atinja seu potencial máximo, diversas necessidades específicas devem ser supridas, incluindo o manejo da cultura antes mesmo da sua implantação:

  • correção prévia do pH do solo;
  • escolha da cultivar adaptada à região de cultivo (respeitando o zoneamento agrícola e suas indicações);
  • época de semeadura, para que as fases críticas de desenvolvimento coincidam com as condições ideais de temperatura, radiação principalmente;
  • população de plantas adequada de acordo com a cultivar;
  • lâmina de água (para cultivo irrigado);
  • controle adequado de pragas, doenças e plantas daninhas, especialmente nas fases críticas de desenvolvimento;
  • adubação equilibrada durante os diferentes estádios de desenvolvimento.

Variações da temperatura do ar e da radiação solar durante fases críticas de desenvolvimento, especialmente a ocorrência de períodos prolongados de sombreamento, estão relacionados com a variabilidade da produtividade do arroz nos diferentes anos agrícolas. 

Em resumo, um bom planejamento é extremamente importante nas respostas produtivas e expressão do potencial da cultura.

Conclusão

Estimar corretamente a produtividade de arroz é fundamental para tomar decisões de manejo acertadas na lavoura.

Ao longo desse artigo, você viu os panoramas da produção de arroz e os fatores que interferem na produtividade da cultura. Conferiu ainda os estágios de desenvolvimento em que são definidos os componentes de rendimento na lavoura e o passo a passo para realização do cálculo.

O cálculo da estimativa da produtividade é simples e pode ser um importante aliado no planejamento dos resultados produtivos ao longo da área de cultivo e em diferentes anos agrícolas.

Recomendações de adubação para o arroz: como fazer em diferentes sistemas de cultivo

Adubação para o arroz: confira as recomendações nutricionais para lavoura de sequeiro e irrigada e os impactos para sua produtividade.  

A área cultivada com arroz poderá apresentar um aumento de 1,6% nesta safra, segundo dados da Conab. Entretanto, a produtividade pode ser menor em relação à última safra. A previsão da produção nacional é de 10,9 milhões de toneladas

Diferentes técnicas de manejo do solo e adubação da lavoura podem mudar o cenário esperado para a safra atual e auxiliar no aumento da produtividade. 

Uma das formas de se aumentar a produtividade da lavoura de arroz é realizar um manejo adequado da adubação nos diferentes sistemas de cultivo utilizados. 

Confira neste artigo as exigências nutricionais do arroz, épocas de adubação e algumas recomendações gerais!

Sistemas de cultivo do arroz

No Brasil, o arroz é cultivado em diferentes sistemas: sequeiro (também denominado arroz de terras altas) e irrigado (em sistema pré-germinado e/ou com transplante de mudas). 

Veja mais detalhes sobre esses sistemas no artigo “Plantio de arroz irrigado ou sequeiro: 7 dicas para produzir mais e melhor!

Além dos sistemas, é importante saber sobre a fenologia do arroz, que é basicamente composta pela fase vegetativa (V1 a Vn) e fase reprodutiva (R0 a R9). 

Manejo da adubação no cultivo do arroz

Para um bom manejo da adubação, algumas dicas devem ser seguidas: 

Como cada sistema e regiões têm recomendações de adubação diferentes, apresentarei a seguir as principais.

Recomendação da adubação para arroz no Cerrado

A recomendação da adubação do arroz para a região do Cerrado apresentada a seguir é baseada em uma produtividade de 2,5 a 3,0 ton ha-1, conforme o boletim 5ª aproximação

Arroz de sequeiro 

A necessidade de calagem deverá ser calculada pelo método do Al3+ e do Ca2+ and Mg2+, considerando: 

NC = Y [Al3+ – (mt . t/100)] + [X – (Ca2+ + Mg2+)]

sendo: 

Y = capacidade tampão da acidez do solo

X = 2,0 cmolc dm³ (valor variável conforme o requerimento de Ca e Mg pela cultura)

mt = máxima saturação por Al3+ tolerada pela cultura (para o arroz é de 25%) 

Al3+ = acidez trocável, em cmolc dm³ 

t = CTC efetiva, em cmolc dm³ 

Se for utilizar o método da saturação por bases, o V% deverá ser elevado para cerca de 40%

Nitrogênio (N)

Aplicar 50 a 60 kg ha-1 de N. Um quinto da dose pode ser aplicada no plantio e em cobertura (na diferenciação do primórdio floral, entre 50 e 55 dias após a emergência). 

Fósforo (P)

Na adubação fosfatada corretiva para solos do Cerrado, recomenda-se aplicar no 1º ano de cultivo: 

  • 240 kg ha-1 de P2O5 (solos argilosos);
  • 150 kg ha-1 de P2O5 (solos de textura média);
  • 120 kg ha-1 de P2O5  (solos arenosos). 

Na adubação fosfatada corretiva, aplicar a quantidade recomendada de P2O5 de uma só vez, com fosfatos parcialmente solubilizados ou termofosfatos magnesianos. 

Na correção também podem ser utilizados adubos como o MAP, DAP, superfosfato simples ou superfosfato triplo de forma gradativa e parcelada. 

Além da adubação corretiva também deve ser realizada a adubação de manutenção do fósforo

A adubação de manutenção deve ser realizada no sulco de plantio com o objetivo de disponibilizar o nutriente próximo ao sistema radicular. Fontes solúveis de fósforo são recomendadas nesta etapa. 

Potássio (K)

A recomendação é que o nutriente seja aplicado no plantio, com o N e o P. 

tabela com adubação de manutenção, dependendo da não-limitação de água para a cultura. Com disponibilidade de P e de K.

Dose de adubação recomendada para o arroz de sequeiro de acordo com os teores dos nutrientes no solo
(Fonte: boletim 5ª aproximação – Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais)

Arroz irrigado 

A correção do solo pode ser dispensada no sistema por inundação com sementes pré-germinadas, desde que a saturação por bases (V%) no solo seja um mínimo de 50%

Na semeadura em solo seco, que é caracterizado pelo início da inundação após a emergência, a correção da acidez deve ser realizada para aumentar (V%) em 50%, cerca de quatro meses antes da semeadura. Isso auxilia no desenvolvimento inicial da cultura. 

Nitrogênio, fósforo e potássio

Aplicar 90 kg ha-1 de N de forma parcelada com 20 kg no plantio e 70 kg em cobertura (metade no perfilhamento e a outra parte no início da diferenciação da panícula). 

O N no plantio deve ser aplicado no sulco. Em cobertura pode ser realizada após retirada da água (a lanço ou em filete entre fileira de plantas) e a lanço sobre a lâmina de água. 

Para o fósforo e potássio devem ser aplicados entre 30 a 90 kg de P2O5 ha-1 e 20 a 70 kg de K2O ha-1, a depender da disponibilidade desses nutrientes no solo. 

Dose de adubação recomendada para o arroz irrigado de acordo com os teores dos nutrientes no solo

Dose de adubação recomendada para o arroz irrigado de acordo com os teores dos nutrientes no solo
(Fonte: boletim 5ª aproximação – Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais)

Recomendação da adubação para arroz na região Sul

O Manual de adubação e calagem para os estados do RS e SC recomenda a adubação para uma produtividade estimada em 2 ton ha-1 para o arroz de sequeiro da seguinte forma: 

Arroz de sequeiro 

A correção do solo em Sistema de Plantio Direto (SPD) deve ser realizada para ajustar o pH em 5,5. No arroz cultivado em Sistema Convencional, deverá ser adicionada quantidade de calcário para que o solo atinja pH 6,0 pelo índice SMP. 

Nitrogênio, fósforo e potássio

A recomendação da adubação de N varia de acordo com as porcentagens de matéria orgânica do solo (quando for ≤ 2,5%: aplicar 50 kg ha-1 de N; entre 2,6% e 5,0%: 40 kg ha-1 de N e > 5,0%: ≤10 kg ha-1 de N). 

Aplicar 10 kg ha-1 de N na semeadura e o restante em cobertura no início do afilhamento. 

Para cada tonelada de grãos adicional, acrescentar aos valores acima 15 kg ha-1 de N.

Na adubação de manutenção com fósforo e potássio devem ser utilizados 20 kg ha-1 de P2O5 e 20 kg  ha-1 de K2O. 

Para cada tonelada de grãos adicional, acrescentar 10 kg ha-1 de P2O5 e 10 kg ha-1 de K2O

Arroz irrigado

O boletim do Irga apresenta diversas recomendações para cultivo do arroz irrigado

Para o cultivo do arroz irrigado intercalado com culturas de sequeiro recomenda-se a correção da acidez para que o solo atinja pH 6,0. 

No cultivo do arroz semeado em solo seco, a irrigação é iniciada após a emergência e as condições favoráveis ao crescimento das plantas ocorrem de 2 a 5 semanas, o que poderá afetar o desenvolvimento das cultivares de ciclo precoce a médio. 

A recomendação de calagem ocorre em valores de pH em água < 5,5  e o V% abaixo de 65%. 

No cultivo do arroz pré-germinado e transplante de mudas a calagem não é recomendada para a correção da acidez. 

No sistema inundado, a elevação do pH acontece devido ao processo de redução do solo, denominado de “autocalagem”.

A deficiência geralmente é constatada com V% = 40% e, neste caso, a calagem pode ser recomendada para correção da deficiência de Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg). A exceção ocorre quando o teor de Ca for maior que 4,0 cmolc dm-3 e de Mg 1,0 cmolc dm-3

A necessidade de calagem é baseada no índice SMP e informações mais detalhadas podem ser obtidas nos boletins do IRGA e no Manual de adubação e calagem para os estados do RS e SC

Solos com baixo poder tampão

Em casos de solos com baixo poder tampão, o índice SMP não é recomendado. A necessidade de calagem (NC) pode ser calculada pela equação:

NCpH 5,5 = – 0,653 + 0,480MO + 1,937Al

NC = necessidade de calcário (PRNT de 100%) em ton ha-1; MO = quantidade de matéria orgânica no solo em % e Al é o Alumínio trocável em cmolc dm3

tabela com critérios para definição da NC e a quantidade de corretivo

Critérios para definição da NC e a quantidade de corretivo
(Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz)

Nitrogênio, fósforo e potássio 

As recomendações para o N, P e K para o arroz irrigado são baseadas nos teores de matéria orgânica do solo (para o N) e P e K presentes no solo (verificar a análise de solo). 

Interpretação do teor de P do solo pelo Método Mehlich-1
Interpretação do teor de K do solo pelo Método Mehlich-1

Interpretação do teor de P e K do solo pelo Método Mehlich-1
(Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz)

Na adubação nitrogenada recomenda-se para o sistema de semeadura em solo seco, entre 10 e 20 kg ha-1 de N e o restante em cobertura. 

Para recomendações de até 100 kg ha-1de N em cobertura, ⅔ da dose total deverá ser aplicada no estádio V3/V4 e ⅓ da dose na iniciação da panícula.

No sistema pré-germinado não deve ser realizada a adubação de N em semeadura, pois há risco de perdas. Para cultivares de ciclo curto e médio, devem ser aplicados ⅔ da dose total no estádio V3/V4 e ⅓ da dose na iniciação da panícula. 

Já para as cultivares de ciclo tardio, a cobertura pode ser fracionada da seguinte forma: ⅓ em V3/V4, ⅓ no perfilhamento pleno e ⅓ na iniciação da panícula. 

Adubação nitrogenada de acordo com o teor de matéria orgânica do solo e expectativa de resposta à adubação

Adubação nitrogenada de acordo com o teor de matéria orgânica do solo e expectativa de resposta à adubação
(Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz)

No sistema semeadura em solo seco, os fertilizantes fosfatados e os potássicos devem ser aplicados e incorporados ao solo na semeadura. 

No sistema pré-germinado, o P e K podem ser aplicados e incorporados antes da semeadura. 

Adubação fosfatada e expectativa de resposta à adubação
Adubação potássica e expectativa de resposta à adubação

Adubação fosfatada (acima) e potássica e expectativa de resposta à adubação
(Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz)

Resposta de cultivares de arroz à adubação

Estudos atuais desenvolvidos no sul do Brasil mostram a resposta de cultivares de arroz ao manejo da adubação, como é o caso da IRGA 431 CL. 

Em experimentos realizados na safra 2018/2019 e 2019/2020, a cultivar foi responsiva à adubação. 

As lavouras produziram acima de 9 ton ha-1 quando foram adubadas, em média, com 147 kg ha-1 de N, 71 kg ha-1 de P e 105 kg ha-1 de K

gráfico de barras laranjas e verdes com Faixas de produtividade da cultivar IRGA 431 CL na safra 2019/2020 em função da adubação com N, P e K

Faixas de produtividade da cultivar IRGA 431 CL na safra 2019/2020 em função da adubação com N, P e K
(Fonte: Circular técnica – Irga 2020)

Na safra 2019/2020 também foram realizados experimentos de resposta à adubação nitrogenada para a IRGA 431 CL. Foi encontrada, em média, uma dose máxima de eficiência técnica (DMET) de 169 kg ha-1 de N e produtividade de 11,98 ton ha-1

gráfico com resposta da cultivar IRGA 431 CL ao Nitrogênio

Resposta da cultivar IRGA 431 CL ao Nitrogênio 
(Fonte: Circular técnica – Irga 2020)

Conclusão 

Neste artigo mostramos diferentes recomendações de adubação para o cultivo do arroz. 

O manejo da adubação do arroz deve acontecer com base no tipo de sistema utilizado (sequeiro ou irrigado), análise e correção do solo, produtividade esperada e potencial produtivo da cultura. 

Foi observado que em diferentes regiões do país, como no caso do Cerrado e Sul, ocorrem modificações nas recomendações de adubação. 

Todo o manejo nutricional também vai depender de outros fatores como: cultivar utilizada, rotação com culturas de sequeiro, potencial produtivo da região e condições de clima e solo. 

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Como você realiza o manejo da adubação para o arroz? Quais foram os resultados? Ajude outros produtores deixando sua experiência nos comentários!

Guia rápido para controle das 5 principais plantas daninhas do arroz

Plantas daninhas do arroz: como planejar o manejo e os métodos de controle químicos e alternativos para sua lavoura!

Guia rápido para controle das 5 principais plantas daninhas do arroz

Fazer um controle eficiente de plantas daninhas não é tarefa simples. É preciso identificar as invasoras, saber qual o melhor momento para manejo e quais métodos são mais eficientes, não é verdade?

O ideal é sempre monitorar a lavoura para entender quais espécies predominam e dar prioridade na hora do controle. 

Especialmente no arroz, o manejo de algumas daninhas pode ser mais difícil. Por isso, separamos algumas informações que vão te ajudar a fazer esse trabalho de forma mais efetiva. Confira!

1 – Arroz vermelho (Oryza sativa L.) 

O arroz vermelho possui grande importância para a cultura do arroz, principalmente na região sul do Brasil.

Essa planta daninha pertence à mesma espécie do arroz cultivado, o que dificulta no momento do controle.

A principal diferença entre as duas espécies está na coloração do pericarpo. No arroz vermelho, ele apresenta uma cor avermelhada. 

Além disso, essa planta daninha apresenta como principais características:

  • sementes com dormência;
  • colmos finos;
  • ciclo mais longo;
  • plantas maiores;
  • pálea e lema com variação de cor;
  • folhas de cor verde-claro e decumbentes;
  • deiscência precoce das espiguetas.

Contudo, no campo, essa diferenciação é muito difícil.

Por pertencerem à mesma família botânica, as condições climáticas podem favorecer o crescimento e desenvolvimento da cultura e da planta daninha. 

Estudos demonstram que a presença de arroz vermelho na lavoura do arroz cultivado pode reduzir consideravelmente o potencial de rendimento da cultura.

Um exemplo prático é que uma população de 20 plantas de arroz vermelho por m2, convivendo com o arroz cultivado por 120 dias, pode reduzir a produtividade da cultura em 68%.

foto de Arroz vermelho (Oryza sativa L.)

Arroz vermelho (Oryza sativa L.)
(Fonte: Planeta Arroz)

Recomendações de manejo para o arroz-vermelho

Para minimizar a infestação de sua lavoura de arroz com o arroz vermelho, é fundamental alguns cuidados, como:

Uso de sementes certificadas

A utilização de sementes não certificadas é um dos principais modos de dispersão do arroz vermelho no arroz cultivado. 

Por isso, é essencial que você utilize sementes de boa procedência. Assim, você garante que está utilizando sementes de qualidade e sem a presença de plantas nocivas.

Escolha da cultivar

Escolha cultivares de ciclo precoce, visando reduzir a infestação de sementes de arroz vermelho em sua propriedade.

Assim, a colheita do arroz será realizada antes das plantas de arroz vermelho atingirem maturação fisiológica. Deste modo, você estará, inclusive, reduzindo o banco de sementes dessa planta daninha.

Outro detalhe bastante importante é a escolha de cultivares Clearfields (mutagênicos), que permitem o controle químico do arroz vermelho, uma vez que essas cultivares possuem resistência aos herbicidas do grupo das imidazolinonas.

Rotação de culturas

A rotação de culturas é essencial para melhorar qualquer sistema produtivo, auxiliando inclusive na redução de banco de sementes de arroz vermelho.

Atualmente, as culturas mais utilizadas no sistema de rotação de cultura do arroz são soja e milho.

Controle químico 

Devido à grande semelhança entre esta planta daninha e o arroz, existem poucas opções que podem ser utilizadas para controle químico. 

  • Imazapic + imazethapyr (cultivares Clearfield)
  • glifosato
  • paraquat
  • oxadiazon
  • oxyfluorfen

Os manejos alternativos, como uso de sementes certificadas, escolha da cultivar e rotação de culturas, também serão efetivos para outras daninhas. Por isso, nos próximos tópicos, vamos citar apenas o controle químico para elas.

2 – Capim-coloninho (Echinochloa colona)

O capim-coloninho é uma planta daninha de ciclo anual, herbácea, ereta, glabra (sem presença de “pilosidades”) e muito entouceirada.  

É muito frequente em solos úmidos ou inundados, porém tolera solos enxutos, como nos cultivos de sequeiro. 

É hospedeira alternativa para o nematoide Meloidogyne incognita, conhecido como nematoide das galhas

foto de Capim-coloninho (Echinochloa colona)

Capim-coloninho (Echinochloa colona)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Recomendações de manejo para capim-coloninho

As opções de manejo químico para o capim-coloninho registradas para o arroz são: 

  • cialofope
  • quizalofop
  • clomazone
  • glifosato
  • imazapic
  • trifluralina
  • flourfiroxifen
  • oxadiazon

3 – Capim-arroz (Echinochloa crus-galli)

O capim-arroz é dividido em três variedades no Brasil: crus-galli, crus-pavonis e mitis.

Essas plantas daninhas estão entre as mais frequentes em cultivos de arroz irrigado, ocorrendo ocasionalmente em áreas de sequeiro. Possuem ciclo anual, são eretas, herbáceas, podendo ser entouceiradas ou glabras, dependendo da variedade. 

O que dificulta o controle desta planta daninha são os casos de resistência presentes nas lavouras de arroz do Brasil. Veja:

  • 1999 – resistência ao herbicida quincloraque;
  • 2009 – resistência a imazethapyr, bispyribac, quincloraque e penoxsulam;
  • 2015 – resistência aos herbicidas cialofope, quincloraque e penoxsulam. 
foto de Capim-arroz (Echinochloa crus-galli) - plantas daninhas do arroz

Capim-arroz (Echinochloa crus-galli)
(Fonte: Agrolink)

Recomendações de manejo para capim-arroz

As opções de manejo químico para o capim-arroz registradas para o arroz são: 

  • trifluralina
  • glifosato
  • cialofope
  • clomazone
  • paraquate
  • propanil
  • florfiroxifen
  • quizalofop
  • penoxsulam 
  • oxadiazon
  • quincloraque
  • bispyribac

4 – Capim-colchão (Digitaria ssp.)

No Brasil existem três espécies de gramíneas que são comumente conhecidas como capim-colchão: Digitaria horizontalis, Digitaria ciliaris e Digitaria sanguinalis, que pertencem à família Poaceae.

A espécie D. horizontalis é a mais frequente no país, infestando principalmente lavouras anuais e perenes. Ocorre, geralmente, em populações mistas com D. ciliaris. 

Já a espécie D. sanguinalis é bem menos frequente, ocorrendo em maior intensidade no sul do país.

Essas espécies tem ciclo anual, são herbáceas, eretas ou decumbentes e entouceiradas. 

Recomendações de manejo do capim-colchão

As opções de manejo químico para o capim-colchão registradas para o arroz são:

  • glifosato
  • trifluralina
  • cialofope
  • propanil
  • quizalofop
  • fenoxaprop
  • oxadiazon

5 – Trapoeraba (Commelina benghalensis)

É uma planta daninha de ciclo perene, semi-prostrada e de caules suculentos. 

A trapoeraba infesta lavouras anuais e perenes em todo o país, porém, tem preferência por solos férteis com boa umidade e sombreados. 

Recomendações de manejo para trapoeraba

A trapoeraba é considerada uma planta de difícil controle, pois possui mecanismos que prejudicam a absorção de herbicidas.

Por isso, seguir as boas práticas de aplicação, não usar baixos volumes e ter um bom adjuvante são a chave do controle dessa planta daninha. 

As opções de manejo químico para o trapoeraba registradas para o arroz são:

  • 2,4 D 
  • metsulfuron
  • bentazon
  • imazamox
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Conclusão

As plantas daninhas podem ser uma dor de cabeça para a produção do arroz, mas é possível ter um controle bastante eficiente e evitar prejuízos na lavoura.

Nesse artigo, vimos as particularidades de 5 das principais plantas daninhas do arroz. Também mostramos as opções de manejo que são mais eficazes no controle dessas invasoras.

Falamos também sobre alternativas de manejo para as invasoras que já tem casos de resistência registrados.

Aproveite essas informações e faça um manejo mais eficiente em sua lavoura!

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Algumas doenças têm potencial de causar danos mais severos à lavoura, colocando toda a produção a perder.

Na cultura do arroz, por exemplo, a brusone pode afetar as plantas causando redução da altura e perda de qualidade nos grãos. 

Outras doenças como a mancha parda e a escaldadura também são bastante agressivas e provocam perdas significativas.

Conhecer bem as doenças da cultura e saber como fazer o manejo adequado é fundamental para assegurar a produtividade

Por isso, neste artigo compartilhamos 6 das principais doenças do arroz e os cuidados que devem ser tomados para controle. Confira a seguir!

1- Brusone na cultura do arroz

A brusone é considerada a principal doença da rizicultura, causada pelo fungo Magnaporthe oryzae.

Ela pode provocar danos de até 100% na produção de arroz quando em condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo. Causa redução na altura da planta, no número de perfilhos e na qualidade dos grãos.

A brusone pode ocorrer desde o início do desenvolvimento das plantas de arroz até a floração da lavoura.

São sintomas típicos as folhas com pequenos pontos de coloração castanha, que evoluem para manchas elípticas. 

Essas manchas podem aumentar de tamanho no sentido da nervura, tendo o centro cinza e os bordos de coloração marrom. Algumas vezes, também podem apresentar um halo amarelo, o que leva à redução da área de fotossíntese da planta.

Já nos entrenós dos colmos, é comum observar manchas elípticas com centro cinza e bordos de coloração marrom.

Sintomas de brusone na folha (A), na panícula (B) e na aurícula (C) - doenças do arroz

Sintomas de brusone na folha (A), na panícula (B) e na aurícula (C)
(Fonte: Eduardo Hickel em Researchgate)

Os grãos originados de plantas infectadas ficam chochos. Nas sementes ou grãos, podem ocorrer manchas de coloração marrom. O patógeno pode ser transmitido internamente na semente, podendo causar sintoma nas plântulas. 

As condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo que causa a brusone são: temperaturas entre 20℃ e 25℃ e água livre na folha.

Outro fator muito importante para esta doença é que o fungo sobrevive em restos culturais e sementes infectadas.

Medidas de manejo para a brusone do arroz

  • Uso de variedades resistentes ou moderadamente resistentes;
  • adubação equilibrada;
  • espaçamento e densidade das plantas adequados;
  • controle químico para tratamento de sementes e para a pulverização da parte aérea das plantas.

Aqui no Blog do Aegro nós já falamos sobre a brusone em um artigo super detalhado. Confira: “Principais sintomas da brusone no arroz e como controlá-la na lavoura

2 – Mancha parda

A mancha parda é causada pelo fungo Bipolaris oryzae, podendo causar redução de 30% de produtividade.

Seus danos ocorrem por infecção das sementes, o que reduz a germinação, além da morte de plântulas que foram originadas de sementes infectadas e de destruição da área foliar.

Os sintomas estão mais presentes nas folhas e nos grãos/sementes.

Nas folhas você pode observar manchas ovalares de coloração marrom-avermelhada com o centro cinza, sinais típicos da doença.

foto de Mancha parda - doenças do arroz

(Fonte: Agrolink)

Já nos grãos, os sintomas são manchas de coloração marrom

Se os ataques da doença forem severos, ocorre também o chochamento e a redução do peso dos grãos.

A mancha parda do arroz está distribuída em todas as regiões do mundo, sendo importante em regiões tropicais. Temperaturas entre 20℃ e 30℃ e água livre na folha favorecem a infecção do fungo nas plantas.

O fungo sobrevive em restos culturais, sementes infectadas, plantas de arroz ou hospedeiros alternativos.

No cultivo de arroz irrigado, o excesso ou a falta de nitrogênio tornam as plantas suscetíveis ao ataque do fungo causador da mancha parda.

No cultivo de sequeiro em solo pobre, deve-se ter atenção especial, já que as plantas ficam suscetíveis por estresse hídrico e por baixa fertilidade do solo.

Outro ponto importante sobre esta doença é que à medida em que a idade da planta aumenta, ela se torna mais suscetível.

Manejo da mancha parda:

  • resistência genética – não existem variedades com alta resistência à doença, mas, há variedades com resistência moderada;
  • sementes sadias e tratadas;
  • adubação adequada e bom manejo da água;
  • rotação de culturas;
  • uso de controle químico deve ser analisado quanto ao custo e aplicado nas fases finais do ciclo da cultura, que é a época de maior suscetibilidade da planta.

3 – Escaldadura

Doença causada pelo fungo Monographella albescens, sendo importante em cultivos de sequeiro com ocorrência de chuvas contínuas e longos períodos de orvalho.

Os sintomas da escaldadura são observados principalmente nas folhas, com manchas de coloração verde mais claro nas margens. Os bordos não são bem definidos, apresentando aspecto de encharcamento.

Após o sintoma inicial, as folhas exibem faixas de coloração de marrom claro a marrom escuro.

O patógeno sobrevive em sementes infectadas e restos culturais, com desenvolvimento favorecido por temperaturas de 20℃ a 30℃.

Manejo da escaldadura

  • uso de densidade das plantas e espaçamento adequados (alta densidade e menor espaçamento favorecem a doença);
  • adubação equilibrada, pois o excesso de nitrogênio favorece a doença.

4 – Queima das bainhas e mancha das bainhas

Doença causada por Rhizoctonia solani, sendo disseminada por todas as regiões do mundo, principalmente em cultivo de arroz irrigado.

Como sintomas, podem ser observadas lesões ovaladas de coloração branca a acinzentada, além de bordos marrons bem definidos, nas bainhas e nos colmos.

foto que mostra mancha das bainhas

(Fonte: Agrolink)

Em ataques severos, a doença pode provocar o acamamento das plantas e os sintomas podem aparecer nas folhas.

Além da queima da bainha, você pode encontrar a mancha da bainha, que é causada por Rizoctonia oryzae. 

Essa doença tem como sintomas manchas de coloração branca a verde na bainha de bordo marrom, mas, diferente da queima da bainha, as lesões são isoladas. Também não há sintoma nas folhas.

Manejo da queima das bainhas e mancha das bainhas:

  • uso de variedades resistentes;
  • adubação adequada e densidade de plantio;
  • rotação de cultura.

5 – Podridão da bainha da cultura do arroz

Doença causada por Sarocladium oryzae, a podridão da bainha tem potencial de causar perdas de produtividade e qualidade dos grãos na cultura do arroz.

Seus sintomas são lesões alongadas e irregulares, com o centro cinza e margens de coloração marrom. Inicialmente, esses sinais aparecem na última bainha abaixo da folha bandeira, na época de emissão da panícula. 

As panículas emergidas de plantas com infecção ficam com coloração marrom e estéreis. Em casos severos, a panícula nem chega a ser emitida.

Manejo da podridão da bainha:

  • Uso de variedades com resistência moderada.

6 – Ponta branca

A ponta branca é uma doença causada pelo nematoide Aphelenchoides besseyi, com disseminação em todos os estados brasileiros produtores de arroz. Possui maior relevância em cultivos com irrigação.

Um sintoma característico da doença é que o ápice da folha exibe clorose esbranquiçada e, com o tempo, essa região fica necrosada. Esses sinais aparecem na fase adulta da planta. 

foto de doença ponta branca em planta de arroz

(Fonte: Agronômica)

A doença pode afetar o desenvolvimento das panículas e também dos grãos.

Os nematoides são encontrados em regiões de crescimento da parte aérea da planta, sendo chamado de nematoide das folhas.

As principais formas de disseminação da doença são: semente e sobrevivência do nematoide.

Manejo da ponta branca:

  • sementes sadias;
  • variedades com resistência à doença.

Manejo geral de doenças do arroz

Quando  pensamos em manejo de doenças de plantas cultivadas, temos que sempre realizar o manejo integrado, ou seja, é preciso utilizar várias medidas de controle.

Para as doenças do arroz, falamos do manejo específico para cada doença com medidas como uso de variedades resistentes, controle químico, rotação de culturas, sementes sadias, adubação equilibrada, entre outras. Com essas medidas você consegue realizar o manejo integrado na sua lavoura!

Para te auxiliar com o manejo das doenças, você pode consultar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para auxiliar nas recomendações.

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Conclusão

As doenças do arroz podem causar prejuízos enormes, com danos de até 100% na lavoura.

Para evitar que esse tipo de situação ocorra, é importante identificar os primeiros sinais da doença para saber quais medidas de controle podem ser postas em prática.

Nesse artigo, listamos as características das principais doenças da rizicultura, fatores favoráveis ao desenvolvimento do patógeno e práticas de manejo.

Agora, monitore sua lavoura, realize o manejo integrado e não deixe que essas doenças afetem a produção da lavoura de arroz!

Quais são as doenças do arroz que você tem mais dificuldade em manejar? Aproveite e baixe agora mesmo o e-book sobre produção eficiente de arroz!

Como ter mais eficiência operacional na colheita mecanizada do arroz

Colheita mecanizada do arroz: veja os pontos que merecem atenção na regulagem e manutenção das máquinas para evitar perdas de grãos

A colheita é uma etapa fundamental para garantir a rentabilidade da lavoura de arroz.

Colheitas bem realizadas podem manter a integridade e qualidade dos grãos, agregando maior valor final recebido nessa cultura.

Existe uma infinidade de máquinas e tipos de colheita utilizados para a rizicultura. Neste artigo, falarei sobre as colheitas mecanizadas e semimecanizadas de arroz, regulagens e pontos de atenção que você deve ter antes de iniciar esse processo na lavoura. Acompanhe!

Métodos de colheita do arroz

Os métodos de colheita podem ser segmentados em manuais, semi mecanizados e mecanizados. Vou explicar melhor cada uma delas:

Manuais

As etapas de corte, recolhimento e trilha são realizados manualmente e, dependendo do números de funcionários envolvidos na colheita, o rendimento operacional pode ser baixo.

Em pequenas lavouras, o rendimento da colheita manual chega a 10 dias para colheita de 1 hectare por funcionário.

O corte é quase sempre realizado com cutelos e os feixes amontoados transversalmente para facilitar o recolhimento. 

Após coletar os feixes, são diferidos golpes nas panículas para que ocorra o desprendimento dos grãos.

Semimecanizados

As etapas de corte e recolhimento são geralmente realizados manualmente e a operação de trilha é realizada com o auxílio de máquinas.

O rendimento operacional é geralmente maior, uma vez que se utilizam trilhadoras estacionárias.

Mecanizados

Todas as etapas de corte, recolhimento e trilha são realizadas com o auxílio de uma colhedora.

No mercado existem máquinas denominadas ceifadoras, trilhadoras e as colhedoras. Sobre elas, vou falar a seguir.

Quais máquinas utilizar na colheita mecanizada de arroz

Ceifadoras

As ceifadoras são mais utilizadas em pequenas lavouras de arroz. São máquinas montadas sobre duas rodas, com a presença de um motor, barra de corte e molinete. 

Algumas ceifadoras presentes no mercado possuem depósitos para plantas colhidas, que são descarregadas em leira ou de maneira intermitente em campo.  

Trilhadoras

As trilhadoras são máquinas responsáveis por separar os grãos das panículas de arroz. 

Os modelos de trilhadoras no mercado podem apresentar: cilindro trilhador de dentes de impacto, barras de fricção ou de fluxo axial.

Essas máquinas podem ser acionadas pela TDP do trator ou por motores estacionários. Podem ser abastecidas de maneira contínua ou intermitente com fluxo de arroz colhido e, em casos mais simples, serem acionadas por pedal.

foto de agricultor em trilhadora de arroz

(Fonte: Ruraltins)

As trilhadoras são excelentes opções para fazendas menores. Se operadas corretamente, podem propiciar bons rendimentos operacionais e boa qualidade do produto final.

Os rendimentos operacionais variam de acordo com cada máquina e modelo de equipamento. 

Atualmente existem trilhadoras com rendimentos de mais de 2.400 kg/h de arroz em casca.

Colhedoras

As colhedoras possuem em uma mesma máquina os sistemas de corte, recolhimento, trilha, separação, limpeza e armazenamento.

Essas máquinas podem apresentar pneus arrozeiros, esteiras ou pneus duplados para facilitar o tráfego e reduzir a compactação em terrenos alagados, por exemplo.

As colhedoras podem ser automotrizes ou montadas e acionadas com o auxílio de um trator.

Partes constituintes de uma colhedora de arroz:

  • plataforma de corte
  • molinete
  • condutor helicoidal ou caracol
  • cilindro degranador
  • côncavo
  • batedores
  • saca palhas ou rotor
  • peneiras: superior e inferior
  • ventilador
  • condutores helicoidais
  • tanque graneleiro
foto de colheitadeira CR 7.90 arrozeira - colheita mecanizada do arroz

Colheitadeira CR 7.90 arrozeira
(Fonte: Cultivar)

As colhedoras realizam todas as operações na mesma máquina, iniciando no corte das plantas de arroz, mecanismos de trilha, cilindro degranador, côncavo e batedores, até chegar ao saca palhas, peneiras e ventilador, para retirar o resto de impurezas, e condutores para levar os grãos até o tanque graneleiro.

Perdas na cultura do arroz

As perdas na cultura do arroz podem acontecer antes e durante a colheita.

As perdas antes da colheita devem ser evitadas com o manejo adequado da cultura e são:

  • degrana natural
  • acamamento
  • ataques de pássaros
  • excesso de umidade
  • excesso de ventos
  • doenças e pragas

As perdas durante a colheita são:

  • impacto da plataforma nas panículas
  • velocidade inadequada do molinete
  • calibrações inadequadas no cilindro trilhador
  • erros de calibração do saca palhas
  • peneiras com espaçamentos inadequados
  • presença de plantas daninhas

O impacto da plataforma de corte e a velocidade inadequada do molinete provoca degrana da cultivar no momento da colheita e desprendimento prematuro dos grãos.

Calibrações inadequadas no espaçamento do cilindro e do côncavo também resultam em trilhas ineficientes, comprometendo a qualidade final dos grãos, com danos mecânicos ou grãos presos nas panículas.

Como evitar as perdas na colheita 

A colheita no tempo ideal é fundamental para assegurar maior produtividade.

Colheita com grãos muito úmidos pode acarretar grãos imaturos, gessados e mal formados, que irão se quebrar no beneficiamento, descasque e polimento do arroz.

Colheita com grãos muito secos também não é ideal, pois pode ocorrer maior perda natural por degrana e quebra dos grãos no beneficiamento, perdendo qualidade do produto.

É ideal evitar a colheita do arroz pela manhã ou com os grãos umedecidos pelo orvalho. Se ocorrer uma chuva, o ideal é esperar que o arroz seque para iniciar a colheita.

Na maioria das cultivares, a umidade ideal deve estar entre 18% e 23% para colheita.

Na falta de aparelhos para mensurar os teores de umidade, você pode olhar a cor da casca e considerar ideal quando dois terços dos grãos ainda estiverem maduros.

Outra opção é apertar os grãos: se amassar, ainda está imaturo. Se quebrar, já estão aptos para a colheita.

Como aumentar a eficiência operacional na colheita mecanizada do arroz

Para aumentar a eficiência operacional e evitar perdas, a regulagem da colhedora é um fator crucial no manejo em campo.

O arroz é uma cultura que apresenta grandes perdas quando comparado à soja, feijão ou milho. Parte destas perdas ocorrem na colheita, armazenamento e outras também no processamento.

A regulagem deve ser realizada principalmente nas partes internas e externas das máquinas, dando maior atenção às plataformas de corte das máquinas, velocidade do molinete, regulagem do cilindro batedor, saca palhas e peneiras.

Veja os pontos que merecem atenção na regulagem e manutenção das colhedoras:

  • navalhas quebradas da barra de corte
  • peças e rotação do molinete
  • velocidade do cilindro batedor
  • espaço do cilindro degranador
  • peneiras superior e inferior
  • velocidade e fluxo de ar
  • tubos e condutores helicoidais

Regulagem da velocidade

A velocidade do molinete deve ser ajustada de acordo com o porte da cultura a ser colhida, devendo ser suficiente para puxar as plantas para o interior da máquina, podendo ser até 25% superior à velocidade de deslocamento da máquina.

A relação da velocidade do molinete e de deslocamento da máquina não deve ser superior a 1,25, uma vez que cerca de 70% das perdas na cultura o arroz ocorrem devido à má regulagem na plataforma de corte e velocidade do molinete.

Operações realizadas com velocidades excessivas podem provocar desgaste prematuro de peças da colhedora e maior perda na colheita.

Quanto à velocidade do cilindro batedor, ela pode variar conforme a umidade dos grãos, mas deve ser entre 20 a 25 m/s e a velocidade rotacional de cerca de 500 a 700 rotações por minuto, com intuito de separar 90% dos grãos da palhada segundo a Embrapa.

Em lavouras acamadas, a velocidade de operação da colhedora deve ser reduzida. O molinete precisa ser regulado com menor altura e mais avançado em relação à barra de corte para melhor recolhimento das plantas em campo.

A colheita, nesses casos, deve seguir o sentido do acamamento. Mesmo que haja redução no rendimento operacional, será mais eficiente.

No mecanismo de trilha, o cilindro trilhador deve operar com velocidades entre 16 ms-1 e 25 ms-1. A abertura entre o cilindro e o côncavo deve ser ajustada com intuito de minimizar o descascamento dos grãos.

A regulagem correta nos sistemas de separação e limpeza é muito importante para garantir a qualidade do produto final e reduzir perdas na colheita e processamento.

Acompanhamento das atividades em campo

Atualmente existem softwares de gestão que permitem analisar os dados de campo e gerar relatórios personalizados para otimizar o manejo.

Com o Aegro, por exemplo, você planeja o uso das máquinas nas atividades agrícolas e tem um controle detalhado de eficiência operacional. Veja com clareza o total de horas trabalhadas pela máquina, a área percorrida durante a operação e o seu consumo. 

Você ainda pode definir alertas periódicos de manutenção para a regulagem ou troca de peças, a fim de garantir o máximo desempenho dos equipamentos na lavoura.

Na época da colheita, você registra a produtividade dos talhões pelo celular, mesmo sem internet. Também é possível registrar as cargas de colheita, direcionando os romaneios para as unidades de armazenamento.

A partir deste controle, o Aegro te entrega indicadores precisos sobre a rentabilidade da safra. Avalie quais áreas da plantação custaram mais e quais apresentaram os melhores resultados.

Assim, fica mais fácil de entender quais métodos e máquinas foram mais efetivos na sua colheita do arroz. 

O que acha de gerenciar a sua colheita com ajuda do Aegro? Peça aqui uma demonstração gratuita do software!

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

As colhedoras de arroz auxiliam os produtores a obter maior rendimento operacional.

Fazendas de menor porte podem optar por ceifadoras e trilhadoras estacionárias, que possuem ótimos custos-benefícios.

O acompanhamento dos dados das máquinas e das operações possibilita melhorias no manejo e otimização das atividades em campo.

A regulagem correta das colhedoras é fundamental para assegurar maior qualidade do grão e pode ser a diferença entre o sucesso ou fracasso da sua lavoura de arroz.