Safra de inverno: Tudo o que você precisa saber sobre culturas, clima e manejo

Com a chegada do inverno, as preocupações com a safra de inverno precisam ser redobradas, afinal, as condições climáticas acabam por propiciar desafios maiores para a plantação

Contudo, a safra de inverno continua sendo uma ótima oportunidade para que os produtores mantenham sua produção ativa, mesmo em um período de clima menos favorável.

O avanço da tecnologia no campo e o aprimoramento de técnicas de plantio possibilitaram a diversificação de culturas de inverno e evitam grandes impactos na renda. 

Além disso, muitos têm ido além do esquema soja-milho, buscando novas opções para melhorar os resultados do empreendimento rural.

Neste artigo, você confere as principais alternativas de culturas de inverno que se adaptam melhor às condições do período, quais cuidados são essenciais para manter a produtividade e as perspectivas de mercado para a safra de inverno 2025/26.

O que são as culturas de inverno?

As culturas de inverno são plantas adaptadas para crescer e se desenvolver em condições climáticas mais frias e secas, características da estação. 

O plantio dessas espécies acontece entre janeiro/fevereiro e setembro/outubro, logo após a colheita da safra de verão. 

Por isso, o cultivo de plantas de inverno também é chamado de segunda safra ou cultura de entressafra.

A escolha das espécies a serem cultivadas deve considerar as condições climáticas da região e a cultura anterior.

Essa estratégia permite maximizar a fertilidade do solo e otimizar os recursos disponíveis. Algumas opções de culturas incluem:

Além disso, o plantio de culturas de inverno pode contribuir para o controle de pragas, melhoria da estrutura do solo e conservação da umidade, garantindo benefícios para o cultivo seguinte.

Um vasto plantio de nabo forrageiro

Figura 1. Área de cultivo de nabo forrageiro. Créditos: Equipe FieldView™ (2023).

O que é safra de inverno e qual a diferença para a safra de verão?

A safra de inverno é o ciclo de plantio que ocorre durante os meses mais frios do ano, em contraposição à safra de verão, que ocorre nos meses quentes e chuvosos. 

A principal diferença entre safra de inverno e verão está nas condições climáticas e nas culturas cultivadas.

  • Safra de verão: Cultivada entre os meses de setembro e março, com alto índice de chuvas e temperaturas elevadas. Principais culturas: soja, milho e arroz.
  • Safra de inverno: cultivada entre abril e setembro, com temperaturas mais amenas e menor volume de chuvas. Principais culturas: trigo, cevada, aveia e canola.

Quais os benefícios das culturas de inverno?

O plantio de culturas de inverno traz diversas vantagens, especialmente para o sistema produtivo como um todo. 

Além de otimizar o uso da terra, essas espécies contribuem para a preservação e manejo sustentável do solo, preparando a área para o próximo ciclo agrícola. Dentro disso, os principais benefícios do cultivo de inverno incluem:

  • Favorece o controle de plantas invasoras, reduzindo a competição por nutrientes;
  • Diminui os riscos de erosão, mantendo a estrutura do solo;
  • Melhora os atributos químicos, físicos e biológicos do solo, promovendo maior produtividade na safra seguinte;
  • Aumenta a retenção de água, tornando o sistema mais resiliente a períodos de estiagem;
  • Reduz a amplitude térmica do solo, favorecendo o desenvolvimento radicular das culturas subsequentes;
  • Contribui para o manejo integrado de pragas e doenças, interrompendo o ciclo de vida de organismos prejudiciais;
  • Diminui os custos com defensivos agrícolas, uma vez que a rotação de culturas reduz a incidência de doenças e pragas;
  • Equilibra o sistema produtivo, proporcionando maior estabilidade frente a condições climáticas adversas.
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Culturas de inverno: O que plantar na entressafra?

As condições climáticas do inverno podem parecer desafiadoras, mas existem diversas opções de culturas de inverno que podem ser bem aproveitadas

Essas culturas contribuem para a fertilidade do solo, ajudam no manejo sustentável da lavoura e garantem rentabilidade ao produtor. Por isso, algumas das culturas mais plantas são:

  • Trigo: Base para a produção de farinha e amplamente cultivado no Sul e Sudeste;
  • Cevada: Utilizada na indústria cervejeira e em rações animais;
  • Aveia: Pode ser destinada tanto para consumo humano quanto para alimentação animal;
  • Canola: Cultura oleaginosa importante para a produção de óleo vegetal;
  • Triticale: Cereal híbrido entre trigo e centeio, empregado na alimentação animal e panificação;
  • Hortaliças de inverno: Rúcula, alface, espinafre e repolho, que se beneficiam do clima mais ameno;
  • Milho safrinha: Embora seja plantado no final da safra de verão, muitas vezes é considerado parte da produção de inverno.

Ainda existem outras opções, como nabo forrageiro, ervilhaca e feijão guandu, que podem ser utilizadas como plantas de cobertura para melhorar as condições do solo.

Quais cuidados precisa ter com a safra de inverno?

A safra de inverno pode ser uma excelente oportunidade para diversificar a produção e otimizar o uso da terra.

No entanto, essa época do ano também traz desafios específicos, como temperaturas mais baixas, menor disponibilidade de água e maior risco de geadas.

Para garantir uma colheita produtiva e rentável, é preciso adotar estratégias adequadas de manejo, como:

1. Planejamento e escolha das culturas

Nem todas as culturas se adaptam bem às condições do inverno. Por isso, é importante escolher espécies mais resistentes ao frio e com ciclo adequado para a região.

Algumas das opções mais comuns para a safra de inverno são trigo, aveia, cevada e canola, além de hortaliças como brócolis e couve.

Junto disso, considere o uso de rotação de culturas para evitar esgotamento do solo e opte por cultivares que também sejam resistentes a pragas e doenças.

2. Preparação do solo e nutrição

Antes do plantio, é preciso analisar o solo para identificar possíveis necessidades de correção e garantir um ambiente adequado para o desenvolvimento das culturas.

  • Realize a amostragem do solo para avaliar a fertilidade e definir as correções necessárias;
  • Corrija a acidez e melhore a estrutura do solo com a aplicação de calcário e gessagem, quando indicado;
  • Adube de forma equilibrada, utilizando fertilizantes adequados para suprir os nutrientes essenciais ao crescimento saudável das plantas.

Um solo bem preparado e nutrido contribui para uma lavoura mais resistente e produtiva, aumentando os resultados da safra de inverno.

3. Manejo de pragas e doenças

O controle eficiente de pragas e doenças ajuda a preservar a produtividade da safra de inverno. Mas para isso é necessário:

  • Monitorar a lavoura regularmente para identificar precocemente doenças fúngicas, como ferrugem do trigo e oídio, além da presença de pragas.
  • Aplicar defensivos biológicos e químicos de forma responsável, seguindo as recomendações técnicas para evitar resistência e minimizar impactos ambientais.
  • Adote o manejo integrado de pragas (MIP), combinando práticas como rotação de culturas, uso de variedades resistentes e controle biológico para reduzir a necessidade de defensivos.

Com um monitoramento eficiente e estratégias adequadas, é possível proteger a lavoura e garantir uma produção mais sustentável.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Como garantir rentabilidade na safra de inverno?

Além de focar no rendimento da cultura, é interessante buscar rentabilidade econômica. Para isso, acompanhe tendências de mercado e avalie a demanda dos produtos cultivados.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de aveia, cevada e trigo deve ultrapassar 7,78 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da demanda por cereais no mercado interno e externo.

Já o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que a baixa disponibilidade interna de cereais de inverno tem incentivado preços competitivos para os produtores.

Mercado e comercialização da safra de inverno

A demanda por grãos de inverno tem crescido, especialmente para a lavoura de trigo nacional, reduzindo a dependência de importações

Além disso, culturas como cevada e canola estão ganhando mais espaço na produção brasileira. Para garantir bons preços de venda, você pode recorrer a:

  • Hedge agrícola: Proteção contra variações de preços no mercado futuro;
  • Contratos de venda antecipada: Asseguram preços fixos e evitam oscilações prejudiciais;
  • Monitoramento das exportações: Acompanhar as tendências globais para avaliar oportunidades de venda.

Acompanhar as oscilações do mercado e investir em boas estratégias de comercialização são passos importante para garantir a lucratividade da produção de inverno. 

O investimento em tecnologias agrícolas e boas práticas de manejo também vão fazer diferença para otimizar os resultados e manter a propriedade sempre competitiva.

As principais doenças de culturas de inverno e como combatê-las

Doenças de culturas de inverno podem colocar sua produção a perder. Saiba como identificar as mais recorrentes e todas as recomendações de controle.

As doenças são um grande problema na lavoura, podendo colocar toda a produção a perder.

Por isso, saber identificá-las e fazer o manejo correto é essencial para garantir uma boa colheita.

Neste artigo vamos mostrar as principais doenças de culturas de inverno, como oídio, ferrugem e mancha foliar, quais suas características e as formas de controle mais recomendadas. Confira a seguir!

Importância e opções das culturas de inverno para sua propriedade

As culturas de inverno são uma ótima opção para aumentar a renda após o cultivo de verão ou mesmo diversificar as culturas agrícolas na propriedade.

Segundo a Conab, há estimativa de crescimento de 11,8% na área a ser plantada com culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale) na safra 2020. 

Para escolher o melhor plantio no inverno, considere a oportunidade da cultura agrícola na sua região, ponderando a parte econômica (venda e renda) e também as condições climáticas. 

Algumas opções de culturas de inverno são:

Nos próximos tópicos vamos mostras as principais doenças de algumas dessas culturas e as medidas de controle mais recomendadas.

Milho, sorgo e feijão também são considerados culturas de inverno, mas sobre as doenças desses cultivos preparamos um texto específico que você pode conferir aqui!

Doenças de culturas de inverno: trigo

Ferrugem comum das folhas do trigo

Causada pelo fungo Puccinia triticina, é considerada a doença mais comum na cultura, ocorrendo em grande parte das regiões produtoras de trigo no Brasil. Relatos já mostraram perdas de até 50% na produtividade em estados da região Sul do país.

A doença pode se manifestar em todas as fases do ciclo da cultura. Seus sintomas são pequenos pontos arredondados de coloração alaranjada (pústulas), principalmente na parte superior das folhas.

Ferrugem da folha (Puccinia recondita f.sp. tritici)

(Fonte: Agrolink)

Controle da ferrugem da folha do trigo:

  • controle genético;
  • rotação de culturas;
  • eliminação de plantas voluntárias;
  • controle químico (fungicidas).

Helmintosporiose

A helmintosporiose ou mancha marrom causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana é comum nas regiões mais quentes de cultivo do trigo.

Nas folhas, os sintomas são lesões elípticas de coloração cinza (regiões mais quentes). Nas regiões mais frias, a doença causa lesões retangulares e escuras nas folhas.

Mas esse fungo pode infectar qualquer órgão das plantas de trigo e como fonte de inóculo do fungo são considerados restos culturais e sementes.

Medidas de manejo para helmintosporiose são:

  • uso de sementes sadias e com tratamento de sementes;
  • rotação de culturas;
  • controle químico (mistura de triazóis e estrobilurinas).

Giberela 

A giberela é causada pelo fungo Fusarium graminearum, sendo mais frequente em regiões quentes. Este fungo pode sobreviver em restos culturais e em sementes.  

A doença é considerada o principal problema que afeta as espigas de lavouras de trigo, cevada e triticale no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região centro-sul do Paraná.

Além das perdas em rendimento, pode ocorrer a presença de micotoxinas, substância tóxica produzida pelo fungo.

O fungo infecta a flor, causando sua morte. Caso consigam se desenvolver, os grãos ficam enrugados, chochos e de coloração rosa. 

Como sintomas da doença, você pode notar que as aristas de espiguetas infectadas se desviam do sentido não infectadas. Posteriormente, aristas e espiguetas adquirem coloração esbranquiçada ou cor de palha.

Maria Imaculada Lima - Giberela em trigo

(Fonte: Maria Imaculada Lima em Embrapa)

A doença é de difícil controle, por isso, algumas medidas de manejo para giberela são:

  • aplicação de fungicidas após início da floração;
  • semeaduras antecipadas.

Mancha amarela

Esta doença é mais facilmente encontrada em locais de plantio direto com monocultura. É uma das manchas mais importantes para a cultura e pode causar perdas de 50% no trigo e também na cevada.

A mancha amarela é causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis que, nas plantas de trigo, pode causar sintomas de pequenas manchas cloróticas, que evoluem e se expandem para manchas de cor palha, circundadas com halo amarelo.

doenças de culturas de inverno

(Fonte: Flávio Santana em Embrapa)

Algumas medidas de manejo para esta doença são:

  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • rotação de culturas; 
  • fungicidas;
  • eliminação de plantas voluntárias.

Septoriose

Também chamada de mancha da gluma, é causada pelo fungo Stagonospora nodorum, que pode sobreviver em restos culturais e sementes.

Como sintomas, nas folhas podem ser observadas lesões elípticas de aspecto aquoso, que após algum tempo se tornam secas e de coloração parda.

São medidas de manejo para septoriose:

  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • rotação de culturas;
  • controle químico.

Brusone

A brusone ou branqueamento da espiga é causada pelo fungo Pyricularia grisea, sendo também uma das doenças mais importantes na cultura do arroz

Alguns sintomas da doença são espigas de coloração branca e, no local de penetração do fungo, causa a morte acima desse ponto de penetração.

Como a giberela, a brusone é de difícil controle. Assim, uma medida recomendada é o plantio precoce da cultura de trigo.

Oídio

O oídio tem como agente causal o Blumeria graminis f. sp. tritici, que pode gerar até 60% de perdas na cultura.

Você pode observar nas folhas uma coloração branca com aspecto de pó. Os tecidos atacados apresentam coloração amarela e acabam morrendo. As plantas atacadas apresentam menor vigor, redução do número de espigas e peso dos grãos.

Leila Costamilan - Sintomas de oídio em plantas de trigo

(Fonte: Leila Costamilan em Embrapa)

Algumas medidas de manejo para oídio são:

  • cultivares resistentes;
  • pulverização com fungicidas.

Doenças de culturas de inverno: aveia

Ferrugem da folha

É considerada a doença mais comum na cultura, causada pelo fungo Puccinia coronata f. sp. avenae.

Os sintomas incluem pontos pequenos e ovais de coloração alaranjada (pústulas). Com o progresso da doença, as pústulas podem se tornar mais escuras.

Ferrugem da folha (Puccinia coronata var. avenae)

(Fonte: Agrolink)

Algumas medidas de manejo para a doença são:

  • uso de fungicida;
  • eliminação de plantas voluntárias com sintomas;
  • resistência genética.

Mancha do halo amarelo

Esta doença ocorre em todos os locais de cultivo da cultura da aveia, sendo causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. coronafaciens. É considerada a segunda doença mais importante da cultura.

Aparece em folhas novas, com manchas cloróticas, com halo verde-claro a amarelado. Essas manchas podem tomar toda folha e matar o tecido. Também ocorrem sintomas no colmo e bainha.

Medidas de manejo para a doença são:

  • rotação de culturas;
  • sementes sadias.

Helmintosporiose

Essa doença, causada pelo fungo Drechslera avenae, traz dano principalmente quando há chuvas frequentes antes da colheita. Isso prejudica os grãos, que ficam escuros e perdem a qualidade.

Como sintomas ocorrem manchas largas de coloração marrom ou roxa, podendo necrosar o limbo foliar. Pode atacar também os grãos ou sementes.

Algumas medidas de manejo são:

  • eliminação de plantas voluntárias;
  • rotação de culturas;
  • sementes sadias;
  • fungicidas nos órgãos aéreos da planta. 

Doenças de culturas de inverno: girassol

Mofo-branco

O mofo-branco ou podridão branca é causado por Sclerotinia sclerotiorum, sendo considerado o fungo mais importante na cultura do girassol.

Se o fungo atacar na fase de plântula, pode ocasionar a morte e provocar falhas no estande. Mas pode haver outros tipos de sintomas conforme a parte atacada: basal, mediana e capítulo.

Na basal (do estádio de plântula até a maturação), o mofo-branco pode ocasionar a murcha da planta e lesão marrom, mole e com aspecto de encharcada. Se houver alta umidade, a lesão pode ficar coberta por um micélio branco. Além disso, podem ser encontrados escleródios nas áreas afetadas.

Já na porção mediana da planta, que ocorre a partir do estádio vegetativo, os sintomas são parecidos com os da infecção basal. Escleródios podem ocorrer dentro e fora da haste.

E no capítulo, que ocorre a partir da floração, inicialmente observam-se lesões pardas e encharcadas no capítulo, tendo a presença do micélio cobrindo algumas de suas partes. 

Com o progresso da doença, pode-se encontrar muitos escleródios no interior do capítulo. O fungo pode destruir essa estrutura floral.

doenças de culturas de inverno

Sintomas do mofo-branco no capítulo do girassol
(Fonte: Aguiar, R; Sampaio, J; Boniatti, P.  em IFMT)

Algumas medidas de manejo para a doença são:

  • rotação de culturas;
  • época de semeadura.

Mancha de alternaria

Doença causada por Alternaria helianthi, sendo considerada a mais comum em regiões subtropicais úmidas.

A doença pode causar necrose nas folhas, podendo ocasionar morte das células e desfolha precoce.

Inicialmente você pode observar pequenos pontos necróticos castanhos nas folhas, com halo clorótico. Com o progresso da doença, pode haver círculos concêntricos, semelhante a um alvo, que pode progredir para necrose e desfolha.

Algumas medidas de manejo são:

  • controle genético;
  • rotação de culturas;
  • escolha da época de semeadura;
  • densidade de semeadura correta para não apresentar microclima favorável.

Doenças de culturas de inverno: cevada

Mancha reticular 

A doença é causada pelo fungo Drechslera teres, considerada a principal doença da cultura de cevada.

Nas folhas com ataque deste fungo ocorrem manchas ou estrias marrons, formando rede de tecido necrosado, com halo amarelo.

Mancha angular (Drechslera teres)

(Fonte: Agrolink)

Algumas medidas de controle são:

Nanismo amarelo da cevada

Esta virose ocorre em aveia, cevada e trigo causada pelo vírus BYDV, tendo como vetor afídeos.

Como sintoma, você pode observar nas folhas mais novas manchas cloróticas, de amarelada até arroxeada.

Como medida de manejo da doença são recomendados: 

  • controle químico ou biológico do vetor; 
  • tratamento de sementes.

Para te auxiliar com a prescrição de medidas de manejo para as doenças de culturas de inverno procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

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Conclusão 

Culturas de inverno são uma opção para aumentar a rentabilidade e diversificar as culturas na fazenda após a safra de verão.

Neste artigo, apontamos as doenças mais recorrentes nos cultivos de trigo, aveia, girassol e cevada. 

Falamos sobre os sintomas de cada uma delas e também sobre as medidas mais efetivas de controle.

Agora que você já sabe como fazer o melhor manejo de doenças nas culturas de inverno, espero que você consiga alcançar uma boa produtividade e lucro na sua safra de inverno!

>>Leia mais:

Perspectivas para a safra de inverno!

“Identifique os sintomas da podridão parda da haste da soja e aprenda a evitar a doença”

Você tem problemas com doenças de culturas de inverno na sua propriedade? Como realiza o manejo? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Tudo sobre a plantação de aveia: tipos, manejo, colheita e forragem

Plantação de aveia: confira os tipos, além de como realizar o plantio, manejo da cultura, colheita e mais.

A aveia é um cereal de inverno assim como o trigo e a cevada, mas diferentes desses outros, é uma planta mais rústica, apresentando maior resistência a doenças e pragas.

Segundo dados de 2019 da Conab, a aveia conta com uma área de 398 mil hectares, produção anual de 900 mil toneladas e produtividade média de 2,2 toneladas por hectare

Outro ponto positivo é sua tolerância aos solos ácidos e pouco férteis, o que tem contribuído para o aumento da área plantada para cobertura, grãos e forragem no período de inverno. Outra razão para o crescente uso da aveia é o sistema de plantio direto

Veja a seguir, um pouco mais sobre plantação de aveia e seu cultivo no Brasil. Vamos lá?

Plantação de aveia: quais os tipos? 

Existem várias espécies no gênero da aveia (Avena spp.), mas são duas as que se destacam na produção de grãos mundial: a Avena sativa ou aveia branca (80% da área mundial) e a Avena byzantina ou aveia amarela (20% da área). 

Mas, principalmente aqui na América do Sul, outra espécie se destaca: a Avena strigosa ou aveia preta, como é popularmente conhecida. 

Essa espécie de aveia é bem mais rústica que as comumente utilizadas para grão e seu uso é basicamente como cultura de cobertura ou forragem para a alimentação animal.

A aveia teve sua origem lá no Oriente Médio, em locais muito próximos de outros cereais de inverno como o trigo.  Mas seu cultivo só passou a ser explorado muitos anos depois, já que no início, esse vegetal era apenas uma planta daninha da cultura do trigo.

A aveia é uma planta anual, sendo que algumas cultivares podem apresentar rebrota (duplo propósito) e têm um crescimento ereto, variando entre 0,7 e 2 metros de altura.

Além disso, ela tem raízes profundas e fasciculadas, ou seja, não apresenta uma raiz pivotante ou principal.

Como fazer a plantação de aveia?

A aveia é cultivada ao longo do outono e inverno aqui no Brasil por se tratar de uma planta de clima temperado.

Apesar de ser extremamente tolerante quanto ao solo (pH 4,5 a 6 e menor exigência de nutrientes que trigo), o plantio de aveia é bem mais exigente quanto às condições climáticas.

Assim, a temperatura ideal para a semeadura é acima dos 7º C, sendo abaixo de 4º C diminui drasticamente a germinação das sementes.

A época de semeadura varia de 15 de março (para o MS) até 15 de julho (em SC), e a quantidade de sementes entre 200 e 300 por metro quadrado.

LocalPeríodo de Semeadura
Região de Ijuí (RS)15 de maio a 15 de junho
Região de Passo Fundo (RS)15 de maio a 15 de junho
Região dos Campos de Cima da Serra (RS)15 de junho a 15 de julho
Região Sul do Paraná15 de maio a 15 de julho
Regiões Norte e Oeste do Paraná15 de março a 15 de maio
Região de Campos Novos e Lages (SC)15 de junho a 15 de julho
Região do Sul de São Paulo15 de abril a 30 de maio
Região do Mato Grosso do Sul15 de março a 15 de maio

(Fonte: Indicações técnicas para a cultura da aveia, 2014)

No Brasil é recorrente o uso de sementes piratas na semeadura da aveia e essa prática apresenta altos riscos que, muitas vezes, não são contabilizados pelo produtor. 

Entre esses perigos estão a contaminação das sementes por patógenos e pragas, sem contar possíveis sementes de daninhas que podem infestar a área e a baixa germinação que podem apresentar, afetando diretamente a produção.

O perfilhamento está diretamente relacionado com a produtividade da aveia, sendo que ao final do ciclo, os perfilhos mais jovens auxiliam no enchimento de grãos dos mais velhos.

Dessa forma, regiões mais quentes e semeaduras tardias requerem uma quantidade maior de sementes.

A recomendação de espaçamento é entre os 17 e 20 cm entre linhas com uma profundidade de deposição da semente entre 2 e 4 cm.

Manejo da cultura de aveia

A duração do ciclo da cultura de aveia varia entre 120 e 130 dias aqui no Brasil, mas podem chegar de 90 a 180 dias no mundo todo.

O desenvolvimento da aveia é dividido basicamente em quatro etapas: a fase vegetativa, a fase de transição, a fase reprodutiva e a fase de formação dos grãos.

Sendo que após a fase vegetativa (3 a 4 folhas e início do perfilhamento), é quando se inicia o controle químico em pós-emergência das plantas daninhas.

Foto que mostra a evolução da planta de aveia
Desenvolvimento da aveia
(Fonte: Adaptado de Zocks et al (1974))

Os principais herbicidas registrados para a cultura da aveia são o 2,4 D e o metasulfuron, ambos recomendados para o controle de folhas largas.

O controle químico de azevém em campos de aveia ainda não é possível por meio dos herbicidas registrados disponíveis no Brasil.

Já para o manejo de pragas, o mais indicado é o tratamento de sementes (Imidacloprido e Tiodicarbe), que combate duas das principais pragas da aveia, os corós e os afídeos (ou pulgões)

Agora, as principais doenças que afetam a plantação de aveia são a ferrugem das folhas, a qual a aveia branca é mais susceptível, e a ferrugem dos colmos, que não tem grande incidência na região Sul, mas pode ter grande gravidade em condições de alta umidade e temperatura.

Como realizar a colheita de grãos

Na maturação, a plantação de aveia tolera altas temperaturas diurnas, baixas temperaturas noturnas e baixa umidade, permitindo a colheita e evitando a perda de grãos.

Para a produção de sementes, baixas temperaturas durante o desenvolvimento elevam os níveis de dormência das sementes.

Assim, a colheita da aveia deve ser realizada quando os grãos estão em condições de debulha (teor de água abaixo dos 20%) e a planta ainda está de pé.

A regulagem da colhedora é essencial, já que quando descascado, o grão ativa enzimas que causam a rancificação do produto. 

Para o fornecimento industrial, os grãos não devem receber chuvas após a maturação, a fim de evitar que eles adquiram coloração escura.

Vantagens da produção de forragem

A produção de aveia forrageiras possui vantagens como:

  • Tolerância ao frio e geadas;
  • Resistência ao pisoteio;
  • Boa produção de massa verde (alta qualidade);
  • Boa rusticidade;
  • Existência de cultivares com diferentes ciclos de produção.

A aveia forrageira pode ser usada para corte verde, feno, silagem ou ainda pastejo, sendo a altura de entrada entre 25 e 30 cm e a altura de saída dos animais em torno dos 10 cm. 

Para produção de silagem, o ideal é realizar o corte das plantas inteiras com a matéria seca dos grãos entre 30% e 40% (ou seja 60% a 70% de umidade nos grãos).

Para implantar um pasto de aveia forrageira, o indicado é utilizar espaçamento de 17 cm entre linhas e populações com 350 plantas por metro quadrado.

Além de produzir forragem, esse sistema de plantio também pode ser utilizado para a produção de palha para o plantio direto. Sendo que a produção de matéria seca varia entre 3 e 6 toneladas.

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Conclusão 

A plantação de aveia como cultura de cobertura deu início ao sistema de plantio direto, dando a possibilidade de acumular biomassa sobre o solo ao longo do ano para a realização da semeadura na safra de verão.

Mas, apesar disso, o mau manejo pode gerar complicações.

Por isso, é sempre importante realizar o controle adequado da aveia espontânea em outras culturas (tiguera). Isso garante a diminuição de doenças e pragas. 

Portanto, a aveia é uma planta extremamente versátil que pode ser utilizada desde a produção de grão, forragem e cultura de cobertura. Seu uso estratégico ajuda a garantir a força do agro brasileiro.

>> Leia mais:

“Quando e como usar as forrageiras em seu sistema de produção”

O que você precisa saber sobre a cobertura do solo com nabo forrageiro

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