Safra de café: preços e a qualidade do produto no mercado nacional

Em 2024, a expectativa para a safra de café está cercada por incertezas, especialmente em relação às mudanças climáticas. 

Eventos como seca prolongada e irregularidades na distribuição das chuvas têm impactado a produtividade, em especial nas regiões tradicionais como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. 

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil segue como líder mundial, mas enfrenta desafios para atender às crescentes demandas do mercado interno e externo.

As safras maiores, somadas a uma possível redução na demanda estimada pela pesquisa, podem levar a um excedente global de café – o que impactaria diretamente os preços.

Qual a previsão da safra de café para 2025?

As projeções para a safra de café 2025/26 no Brasil indicam a continuidade dos desafios das condições climáticas adversas. 

A seca prolongada e as altas temperaturas da safra 2024 afetaram negativamente as lavouras, especialmente nas principais regiões produtoras. 

Esses fatores podem resultar na redução da produtividade e na qualidade dos grãos na próxima safra. 

Além disso, a escassez de chuvas durante períodos críticos do desenvolvimento das plantas comprometeu o florescimento adequado, essencial para uma boa formação dos frutos. 

Especialistas alertam que, mesmo com a retomada das precipitações, os danos já causados podem não ser totalmente revertidos, impactando negativamente a produção de 2025. 

A expectativa é que a safra de café 2025/26 apresente uma redução na produção em comparação aos anos anteriores, o que pode influenciar os preços no mercado interno e externo.

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Qual o período da safra de café?

A safra de café no Brasil varia conforme a região produtora. Em estados como Minas Gerais e São Paulo, a colheita ocorre entre maio e agosto. 

Já nas regiões do Norte e Nordeste, como Bahia e Rondônia, a colheita pode iniciar mais cedo, em abril, devido às diferenças climáticas.

Essa variação é determinada pelas condições locais de solo e clima, que influenciam diretamente o ciclo de desenvolvimento das plantas. 

Por isso, entender o período de safra é essencial para planejar o manejo e atender às demandas do mercado no momento certo.

Produção de café no Brasil: regiões de destaque

O Brasil é o maior produtor mundial de café, respondendo por cerca de 40% da produção global. As principais regiões produtoras incluem:

  • Sul de Minas Gerais: Reconhecida pela alta qualidade do grão, com destaque para o café arábica;
  • São Paulo (Mogiana): Caracterizada pelo equilíbrio entre acidez e doçura dos grãos;
  • Espírito Santo: Líder na produção de café conilon, conhecido pela resistência e alta produtividade;
  • Bahia: Crescente no mercado, com produções em áreas irrigadas que garantem constância na oferta.

Cada região apresenta particularidades que influenciam o sabor, aroma e qualidade final do café, o que contribui para a diversificação de produtos no mercado nacional e internacional.

Tabela

Descrição gerada automaticamente

Tabela 1. Produção Mundial de Café estimada para a safra 2023: 174.340 (1000 sacos de 60 kg).

Relação entre a safra de café e as mudanças climáticas

As mudanças climáticas são um fator de grande preocupação para os produtores de café. O aumento das temperaturas médias, seca prolongada e chuvas em períodos inadequados têm alterado o ciclo produtivo da cultura.

Além disso, regiões que historicamente eram adequadas para o cultivo estão enfrentando novos desafios, enquanto áreas menos tradicionais começam a ganhar destaque.

Para mitigar os impactos, muitos produtores têm investido em tecnologias como irrigação, manejo de sombra e escolha de variedades mais adaptadas às novas condições climáticas.

Lavoura de café em formação

Figura 3. Lavoura de café em formação, bem nutrida, sem competição com plantas daninhas e livre de pragas e doenças. Foto: Laís Teles.

Principais doenças que afetam a safra de café

As doenças de solo e as pragas representam desafios constantes para os produtores de café. Entre as principais doenças estão:

  • Ferrugem do café (Hemileia vastatrix): Provoca a queda precoce das folhas, reduzindo a capacidade produtiva da planta;
  • Cercosporiose (Cercospora coffeicola): Causa manchas nos frutos, comprometendo a qualidade do grão;
  • Podridão radicular: Associada a condições de solo encharcado, afeta diretamente o sistema radicular;

O manejo preventivo, com uso de variedades resistentes, práticas culturais adequadas e monitoramento constante, é indispensável para evitar prejuízos significativos.

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Cuidados com a pós-colheita do café

A fase de pós-colheita é decisiva para preservar a qualidade dos grãos. Práticas inadequadas podem comprometer todo o esforço realizado ao longo da safra. Os cuidados incluem:

  1. Secagem: Realizar em terreiros ou secadores mecânicos para evitar fermentação indesejada;
  2. Armazenamento: Utilizar armazéns bem ventilados, com controle de temperatura e umidade, evitando contaminações;
  3. Classificação: Separar os grãos por qualidade, atendendo às exigências do mercado;

Essas práticas garantem que o café mantenha suas características sensoriais, valorizando o produto na comercialização.

Quanto está a saca de café?

O preço da saca de café é influenciado por fatores como qualidade, volume de produção e condições do mercado internacional. Em 2024, os preços acabaram oscilando um pouco. Confira:

  • Café Arábica Em novembro de 2024, a saca de 60 kg do café arábica (tipo 6 bebida dura bica corrida), foi cotada a R$ 1.670,00 em Guaxupé/MG. Já no início de novembro, o café arábica cereja descascado de bom preparo, era negociado entre R$ 1.550 e R$ 1.600 por saca.
  • Café Conilon (Robusta): Até setembro de 2024, os preços do café conilon superaram a marca de R$ 1.500 por saca de 60 kg, renovando recordes nominais em reais.

Essas variações são o reflexo das condições de oferta e demanda, bem como os impactos climáticos nas regiões produtoras. Mesmo com isso, a alta qualidade do grão brasileiro, mantém o produto competitivo, mesmo em cenários desafiadores.

Previsão da saca de café para 2025

As projeções para os preços do café em 2025 indicam uma tendência de alta, influenciada por diversos fatores, entre eles:

  1. Condições Climáticas Adversas: A seca prolongada e as altas temperaturas em regiões produtoras, como Minas Gerais e São Paulo, vão afetar a produtividade das lavouras, especialmente do café arábica, mais sensível às variações climáticas.
  2. Oferta e Demanda: A oferta global de café está mais restrita, com a previsão de que a produção supere a demanda em apenas 150.000 sacas na temporada de outubro de 2024 a setembro de 2025, uma redução significativa em relação ao excedente de 700.000 sacas em 2023/24.
  3. Mercado Futuro: Os contratos futuros de café arábica subiram acima de US$ 2,58 por libra, mantendo-se próximos ao nível mais alto desde meados de outubro de 2024, refletindo as expectativas de preços elevados no mercado internacional.

Diante desse cenário, são esperados preços mais altos ao longo de 2025, impactando tanto os produtores quanto os consumidores finais.

Ácaro-branco na lavoura? Veja como manejar essa praga

Ácaro-branco: saiba como identificar a presença na lavoura, quais as condições ambientais favoráveis, como monitorar, qual acaricida usar e mais!

O ácaro-branco é uma praga agrícola que tem causado grandes danos em grandes culturas nas últimas safras. Essa é uma praga capaz de se alimentar de muitas espécies diferentes. Além disso, ela está presente em diversas regiões produtoras do mundo. 

Essa praga possui enorme potencial de dano, especialmente pela redução do porte das plantas. Ainda, pode ser confundida com outras pragas, doenças, fungos e vírus. Justamente por isso, é importante estar ciente das características dessa praga.

Neste artigo, entenda os sintomas causados pelo ácaro-branco e veja quais são as condições ambientais favoráveis. Aproveite a leitura!

O que é o ácaro-branco?

O ácaro-branco é uma espécie de ácaro encontrada nas mais importantes culturas agrícolas. Ele é muito semelhante ao ácaro-rajado, embora seja menor. Ainda, essa praga polífaga também pode ser reconhecido como:

  • Polyphagotarsonemus latus;    
  • Hemitarsonemus latus;
  • Neotarsonemus latus;
  • Tarsonemus latus;
  • Tarsonemus phaseoli.
acaro-rajado
Diferenças visuais entre o ácaro rajado à esquerda, e o ácaro-branco a direita 
(Fonte: Salvadori, 2007)

Embora possa parecer que o ácaro-branco seja uma das novas pragas da soja, a sua ocorrência já foi registrada em safras anteriores. Isso principalmente em função das condições ambientais favoráveis em algumas regiões do país.

No entanto, a novidade em relação à ocorrência da praga é a alta frequência e as grandes áreas em que tem sido registrada. Por isso, produtores têm estado em alerta.

Seu ciclo de vida é extremamente rápido: de ovo até a fase adulta, são entre 5 a 8 dias. A oviposição é realizada principalmente na face inferior das folhas e o ciclo de vida é composto por três fases principais: ovo, larva e adulto.

O ácaro-branco possui coloração pálida amarelada ou verde amarelada, dependendo da espécie em que é utilizada para alimentação. Ainda, o ácaro-rajado é muito pequeno. Já os ovos são alongados e transparentes, possuindo pontos brancos. 

planilha manejo integrado de pragas

Como diferenciá-lo dos outros tipos de ácaro e doenças?

Uma das características observadas no ataque do ácaro-branco, diferente das viroses, é a sua distribuição uniforme ao longo da lavoura. Ou seja, há diversas plantas próximas afetadas, distribuídas ainda em reboleiras pequenas ou grandes.

Em ataques mais severos, é possível ocorrer a queda de folíolos. Além disso, pode haver o bronzeamento das hastes, da face inferior das folhas (exceto as nervuras), dos pecíolos e das vagens. Outro diferencial do ácaro-branco é não formar teias nas folhas lesionadas.

É possível diferenciar danos causados por ácaro-branco de outras viroses ou doenças causadas por fungos cortando a haste da folha. Faça isso no sentido longitudinal e analise o aspecto visual interno. 

Quando o ataque está sendo causado pelo ácaro-branco, diferentemente das doenças, a coloração interna será normal. Já nas doenças que afetam a haste principal, pode ser observado o escurecimento interno dos tecidos.

Dada a preferência por tecidos jovens, a época de maior infestação do ácaro-branco é a época de crescimento intenso das culturas. Isso acontece principalmente na fase vegetativa.

Quais as condições ambientais favoráveis para a praga?

Para a maioria dos ácaros, as condições ambientais favoráveis para ocorrência são períodos secos. Por outro lado, para o ácaro-branco, as condições ambientais favoráveis são opostas.

Períodos de alta nebulosidade, com chuvas associadas a temperaturas elevadas favorecem a explosão da infestação em áreas de produção.

Para a cultura da soja, essas condições climáticas ocorreram especialmente em parte da Região Central do Brasil. O mesmo vale para os estados do Sul do Brasil. É importante ressaltar que o ácaro-branco pode causar problemas em estufas de produção.

Afinal, ele é sensível a baixas temperaturas, não resistindo ao frio.

Danos do ácaro-branco na soja, no café e no algodão

O ácaro-branco é uma praga de grande potencial de dano. Em outros países, por exemplo, já foi relatado causando redução de 50% da produção de feijão. Para a cultura do algodão, é considerada uma praga importante na África tropical e em regiões produtoras do Brasil.

Segundo dados da Cabi (Centro Internacional de Biociência Agrícola), o ácaro-branco está amplamente distribuído no mundo, e é capaz de afetar as seguintes culturas de interesse:

Esse ácaro na soja também reduz a distância entre os entrenós, diminuindo assim a estatura da leguminosa. Como consequência, as plantas próximas acabam por sombrear as plantas afetadas, reduzindo ainda mais o seu potencial produtivo

acaro-branco
Sintomas do ácaro-branco em infestação severa, com bronzeamento da haste principal e redução da estatura da planta
(Fonte: Roggia, 2023)

No algodão, o ácaro-branco é considerado uma praga importante em anos chuvosos e de altas temperaturas. O ataque ocorre principalmente após as adubações foliares ou nitrogenadas, desde que coincidam com as condições ambientais favoráveis. 

Os danos provocados pela alimentação do ácaro resultam em aspecto brilhante da face inferior das folhas e retorcimento das folhas para cima.

Em decorrência do desenvolvimento anormal das folhas, há redução do número de maçãs. Isso impacta negativamente a qualidade das fibras produzidas. 

acaro-branco
Aspecto das folhas de algodoeiro após o ataque do ácaro-branco
(Fonte: Tomquelski, 2020)

No ácaro-branco provoca a formação de rugosidades sobre a superfície da folha, além de distorção das folhas e brotos novos. As folhas também podem apresentar aspecto bronzeado, assim como os ramos.

Na imagem abaixo, você pode conferir o aspecto visual da presença dessa praga nas folhas de café.

acaro-branco
Danos causados pelo ácaro-branco em café
(Fonte: Nelson, 2023)

Como se livrar do ácaro em plantas?

O controle do ácaro-branco deve ser feito quando 20% das folhas apresentarem sintomas característicos da sua presença até o período em que a floração se inicia.  Por isso, um bom monitoramento da praga deve ser feito.

Para isso, você pode amostrar 10 plantas aleatórias em diferentes pontos da lavoura. Não se esqueça de investigar ainda aquelas plantas com crescimento anormal, principalmente presentes em reboleiras. Vale lembrar que a visualização do ácaro, mesmo com lupa, é difícil.

Existem poucos produtos registrados para controle do ácaro-branco. Entretanto, a praga ataca principalmente os pontos de crescimento da planta, o que pode ser um ponto a se considerar.

Quando a planta estiver em estádios de desenvolvimento mais avançados, o controle já não é mais tão necessário. Nesses estádios, as folhas estão expandidas e as estruturas reprodutivas já estão formadas. 

Nessa situação, com ausência de tecidos novos presentes na planta, a população da praga tende a reduzir significativamente de forma natural. No Agrofit, podem ser consultados diversos acaricidas para diferentes culturas

Além disso, fazer o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é fundamental para garantir um bom controle na lavoura.

Consulte sempre um(a) agrônomo(a) para recomendação do melhor controle. Faça isso especialmente quando outras pragas estiverem ocorrendo, otimizando assim as aplicações. 

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Conclusão

O ácaro-branco é uma praga de ampla distribuição mundial e potencial de danos.

Seu controle é realizado principalmente com acaricidas. No entanto, deve ser realizado assim que a praga foi identificada em porcentagem que justifique o seu controle

Ainda, observe em que estádio de desenvolvimento da cultura a praga está ocorrendo. Assim, você consegue acertar na tomada de decisão sobre quando aplicar o acaricida ideal.

Restou alguma dúvida sobre o ácaro-branco? Se você conhece outros produtores com essa praga na lavoura, não deixe de compartilhar esse artigo com eles. 

Todas informações sobre mancha aureolada do cafeeiro

Mancha aureolada: o que é, como identificar, quais sintomas, métodos de controle, diferença entre cercosporiose e phoma e mais. 

A mancha aureolada é uma das principais doenças do café. Ela vem causando grandes prejuízos nos cafezais do Paraná, São Paulo e em Minas Gerais.

Para se ter um bom controle dessa doença, é importante conhecer suas causas, clima e época favoráveis, danos causados e saber como identificar.

Neste artigo, saiba quais são os sintomas causados pela mancha aureolada na lavoura de café, como diferenciá-la de outras doenças e principais métodos de controle. Boa leitura!

O que é e como identificar a mancha aureolada no café?

A mancha aureolada é uma doença bacteriana, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae. Ela afeta folhas, ramos, flores e frutos do cafezal.

Identificar a mancha aureolada nas folhas de café é possível através das manchas marrons envoltas de um halo amarelado, de tamanho e formato irregulares. É dessa característica que vem o nome da doença. Depois, a mancha marrom pode necrosar, ocasionando ruptura.

Esses sinais podem ocorrer em toda parte da folha, mas geralmente aparecem na periferia. E vale ressaltar que em mudas, inicialmente, pode não haver a presença do halo.

Neste caso, a identificação nas folhas é possível ao observar manchas translúcidas quando colocadas contra a luz. Com o desenvolvimento do patógeno, as manchas ficam como descrito nas folhas mais velhas.

Nos ramos afetados pela bactéria, as lesões são escuras. Isso causa a seca deles, que progridem da ponta para base, gerando queda foliar. As flores do café e os frutos também são afetados quando ocorre a entrada do patógeno nos ramos produtivos.

Fotos de folhas de café com mancha aureolada
Sintomas da mancha aureolada em: A e B- ramos e folhas; C- frutos de café 
(Fonte: Embrapa)

Como diferenciar mancha aureolada de outras doenças 

Alguns sintomas da mancha aureolada da plantação de café podem ser confundidos com outras doenças frequentes, como a cercosporiose e a phoma.

Saber diferenciar os sintomas é importante para que o controle correto seja realizado com maior precisão e rapidez. Assim, você evita a contaminação de mais plantas na lavoura.

Veja a seguir como diferenciar os sintomas para ter maior assertividade no combate à doença.

Cercospora x mancha aureolada

A cercosporiose é uma doença conhecida também como mancha de olho pardo. Ela é  causada pelo fungo Cercospora coffeicola

Para diferenciar os sintomas causados pela mancha aureolada e cercosporiose, é importante se atentar aos ramos e ao aspecto da mancha nas folhas.

A mancha aureolada atinge os ramos, causando seca. Esse é um grande fator para diferenciar essas duas doenças, pois a cercosporiose atinge principalmente folhas e frutos.

A maior causa de confusão entre estas duas doenças é por ambas apresentarem um halo amarelado circundando as manchas nas folhas. O que diferencia as duas é que a mancha de olho pardo é marrom-escura, e o centro da lesão é cinza-claro.

Foto de folhas de café com a doença do olho pardo
Sintomas de cercosporiose em folhas de café 
(Fonte: Embrapa)

Mancha aureolada x phoma

A mancha-de-phoma é uma doença causada pelo fungo Phoma sp. O sintoma que se assemelha ao da mancha aureolada do cafeeiro é o ataque do patógeno nos ramos do café.

Os ramos atacados pela mancha aureolada secam em grande extensão ou completamente. Isso acontece pelo patógeno atingir a parte lenhosa, que progride até a base.

Na mancha-de-phoma, também ocorre ataque da ponta para a base dos ramos. Entretanto, a seca é menor e há menos agressividade. Apenas com o desenvolvimento da doença, sem o devido controle, o ramo pode secar totalmente.

O que diferencia a mancha-de-phoma da mancha aureolada é principalmente o sintoma nas folhas. O ataque do fungo que causa a phoma ocorre com maior intensidade nas folhas mais novas, ou seja, nas folhas da ponta dos ramos.

As manchas de phoma aparecem na borda do limbo foliar, com coloração escura. Com a progressão da doença, há necrose e deformação nas folhas.

Folhas de café com sintomas de phoma
Sintomas de phoma em folhas e ramos de cafeeiro 
(Fonte: Embrapa)

Condições favoráveis para desenvolvimento da doença

Para que uma doença se instale na lavoura, é preciso haver três fatores: ambiente favorável, presença do patógeno e planta suscetível. Saber destes fatores é importante para:

  • determinar quais são as portas de entrada da doença;
  • como evitá-las;
  • as condições ambientais em que o patógeno vive;
  • quais as fases mais críticas da lavoura para ocorrência da doença.

Para a mancha aureolada do cafeeiro, o triângulo da doença é o seguinte:

Patógeno

Pseudomonas syringae pv. garcae, bactéria causadora da mancha aureolada, entra nas áreas produtoras de café principalmente por meio de mudas contaminadas. A infecção do cafezal também pode acontecer por material contaminado com esta bactéria.

Ambiente favorável

As condições ideais para o desenvolvimento da bactéria ocorrem em temperaturas mais amenas, entre 18 °C e 23 °C.

Locais com alta umidade relativa do ar e alta pluviosidade também são favoráveis para a bactéria causadora da doença. Essas condições ocorrem especialmente em locais com altitude acima de 1000 m.

Nesses locais, também há mais ocorrência de ventos fortes e ar frio, que causam danos nas plantas de cafeeiro. 

Hospedeiro

As plantas de café estão suscetíveis à doença entre a fase de mudas até os 4 anos. Após as podas dos ramos e colheitas, ataque de pragas, ventos fortes e granizo deixam as plantas suscetíveis.

Nesses momentos, ocorrem ferimentos nas plantas. Esses ferimentos são portas de entrada para a bactéria.  É importante também fazer uma boa adubação do café, sem excesso e falta de nitrogênio e fósforo.

Para te ajudar nessa etapa, separamos uma planilha grátis para adubação do cafezal. Basta clicar na imagem abaixo para acessar o material:

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Danos causados pela mancha aureolada no café

Pelos sintomas causados pela doença, é possível afirmar que ocorre queda da produtividade do café, seja direta ou indiretamente. Ainda, há redução da área fotossintética, diminuindo a produção de energia. Com a progressão da doença, as folhas do café caem.

O mesmo ocorre quando o patógeno afeta os ramos, causando queda das folhas. Esses sintomas causam redução da produção de forma indireta, porque a falta de energia reduz os componentes importantes para a produção e crescimento da planta.

Além dos danos indiretos, há os danos diretos. Com a seca dos ramos na fase de produção, a bactéria interfere no desenvolvimento das flores e causa queda dos frutos, sobretudo dos frutos chumbinhos.

Estes danos ocorrem em lavouras de mais novas (com até 4 anos), em cafezais mais velhos, após a poda dos ramos, após a colheita do café, e, principalmente.

Em viveiros de mudas, os danos podem ser de 100%. Afinal, as mudas apresentam tecidos mais jovens que são facilmente colonizados pela bactéria.

Imagem de viveiro de café com sintomas de mancha aureolada
Viveiro de mudas de café com presença de mancha aureolada 
(Fonte: CafePoint)

Mancha aureolada: controle da doença no cafezal

A principal forma de combate da mancha aureolada em café é evitar a entrada da bactéria causadora da doença. Doenças causadas por bactérias são de difícil combate, por isso o principal controle é o preventivo.

Como as mudas são as principais formas de entrada em áreas produtoras de café, é importante obter mudas de viveiros idôneos, que não tem a presença da bactéria.

A principal recomendação para produção de mudas livres da mancha aureolada é evitar o desenvolvimento do patógeno no viveiro. Para isso, evite as condições favoráveis, como alta umidade dentro do local.

Ainda, é importante proteger o viveiro de ventos e granizos. Isso evita que ocorram ferimentos nas mudas.

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Havendo constatação de mudas contaminadas, elas devem ser retiradas do viveiro e destruídas. Além disso, é necessário aplicar fungicidas cúpricos a cada 15 dias, e/ou antibióticos como casugamicina, que é um bactericida e fungicida.

Estes produtos são bastante utilizados como preventivos, tanto em viveiros de mudas como em áreas de plantas de até 4 anos. Também são utilizados em plantas adultas, após podas ou antes da colheita.

A principal forma de entrada da bactéria nas plantas de café é por meio de ferimentos. Por isso, é importante evitar o plantio em locais onde há ventos fortes que causam danos nas plantas.

Caso a lavoura de café seja instalada em locais com ventos fortes, utilize cultivares com portes menores. Ainda, faça barreiras de ventos ao redor da área com plantas de porte alto, como eucaliptos.

Após o transplante das mudas, use braquiária ou crotalária no espaçamento da plantação de café, nas entrelinhas.

Conclusão

Neste texto, você viu todos os danos que a mancha aureolada causam no cafeeiro. Você também viu que é importante identificar a doença e diferenciá-la da cercosporiose e da mancha-de-phoma.

Essa doença causa danos diretos e indiretos na produção de café, e por ser bacteriana, é de difícil controle. 

Por isso, faça o manejo preventivo e preste muita atenção no cafezal, sobretudo nas mudas e em plantas com ferimentos. Na dúvida, conte com a ajuda de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

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Está tendo problemas com a mancha aureolada do cafeeiro? Ficou com alguma dúvida sobre esse assunto? Deixe seu comentário abaixo!

Veja como identificar e resolver a deficiência nutricional do cafeeiro

Deficiência nutricional do cafeeiro: conheça os principais sintomas, qual nutriente é mais ou menos importante e muito mais!

O sucesso da plantação de café depende de vários fatores. 

Os nutrientes, por exemplo, são elementos importantes para atingir o potencial produtivo da planta. Suas deficiências podem limitar e prejudicar demais a produção.

Saber identificar a deficiência nutricional no cafeeiro e compensar os nutrientes faltantes é um dos principais passos para garantir sucesso na lavoura.

Neste artigo, saiba como manter um balanço nutricional no cafezal e identificar a deficiência dos principais nutrientes da cultura. Boa leitura!

O que é deficiência nutricional do café?

O café requer uma quantidade específica de nutrientes para completar o ciclo de vida. A deficiência de nutrientes essenciais para a cultura, como cobre, boro e zinco, por exemplo, pode causar vários sintomas. Folhas cloróticas, pequenas ou lanceoladas são alguns deles.

A deficiência nutricional pode ser definida como a situação em que a concentração de nutrientes nas células da planta é inferior aos níveis adequados. Esses níveis são específicos para cada cultura quanto para o estágio de desenvolvimento em que ela está.

Essa deficiência pode ter diferentes causas: 

  • baixa disponibilidade do nutriente no solo;
  • limitação de crescimento de raízes para captação de nutrientes;
  • problemas de pH no solo, que diminuem a absorção de nutrientes;
  • falta de água, que limita o transporte de nutrientes para a parte aérea, dentre outros.

Os nutrientes podem ser exigidos em maior ou menor quantidade pelas plantas, o que os classifica entre macro e micronutrientes. Os macronutrientes são requeridos em maior quantidade, enquanto que os micronutrientes são requeridos em menor quantidade.

Os macronutrientes podem ser primários, como nitrogênio, fósforo e potássio, e também podem ser secundários, como cálcio, magnésio e enxofre. Os micronutrientes, por sua vez, são: boro, cloro, cobalto, cobre, ferro, molibdênio, manganês, níquel e zinco.

Qual o nutriente mais importante para uma cultura?

Conforme a lei do mínimo, o nutriente que mais limita a produção de uma cultura é o que está em maior deficiência. Ele é calculado em porcentagem da sua necessidade.

Imagine que os nutrientes fossem ripas de um barril. A capacidade de armazenamento do barril seria regulada pela ripa mais baixa, ou seja, a mais deficiente.

Foto de barril cheio de grãos de milho, para simbolizar a deficiência nutricional
Representação da lei dos mínimos para produção vegetal
(Fonte: RuralMark)

Assim, é importante tomar cuidado para que o balanço e a oferta de todos os nutrientes estejam bem manejados no solo e na planta.

Porém, cada cultura tem alguns nutrientes que necessitam de um manejo mais cuidadoso por terem maior probabilidade de serem limitantes. Isso pode variar com os talhões da fazenda, o tipo de solo, as culturas anteriormente usadas no campo, a região do país, etc.

Para o cafeeiro, além dos seis macronutrientes, os cinco micronutrientes mais importantes são: ferro, boro, zinco, manganês e cobre. Eles são os mais requeridos pela cultura entre os demais citados anteriormente.

Principais sintomas de deficiência de nutrientes no cafezal

Os sintomas de deficiência muitas vezes são específicos para cada tipo de nutriente, mas alguns podem ser comuns. Os sintomas normalmente são relacionados ao papel do nutriente na planta e à sua mobilidade entre partes velhas e jovens da planta.

Por exemplo, a deficiência de nutrientes necessários para a formação da clorofila irá causar uma coloração verde menos intensa ou um amarelecimento das folhas. Isso é conhecido como clorose.

Da mesma forma, a deficiência de um nutriente necessário para a formação de parede celular na planta irá causar folhas pequenas e encarquilhadas.

Além disso, é importante notar que nutrientes que são mais móveis na planta são facilmente realocados para partes mais jovens. Isso causa sintomas de deficiência em folhas mais velhas

De outro modo, nutrientes que são pouco móveis na planta ficarão retidos em folhas velhas. Como consequência, seus sintomas serão mais observados em folhas novas

A deficiência de alguns nutrientes causa sintomas principalmente em folhas novas. São eles:

  • Cobre;
  • Boro;
  • Zinco;
  • Manganês;
  • Ferro;
  • Enxofre;
  • Cálcio.

Por outro lado, a deficiência de outros nutrientes causa sintomas nas folhas mais velhas do cafezal. Esses nutrientes são:

  • Magnésio;
  • Fósforo;
  • Potássio;
  • Nitrogênio.

Além de notar os sinais físicos de deficiência nutricional, a análise foliar de nutrientes também é uma ferramenta possível para identificar esse problema. Abaixo, listamos os principais sintomas de deficiência dos macro e micro nutrientes no cafeeiro.

Deficiência de nitrogênio

A adubação nitrogenada é uma das mais importantes na cultura do café. Afinal, o nitrogênio é o nutriente mais requerido pela cultura. 

Os principais sintomas desta deficiência são a clorose e amarelecimento de folhas velhas. Isso pode acontecer tanto no limbo quanto nas nervuras, que podem evoluir para necrose e queda de folhas.

Deficiência de fósforo

O fósforo nas plantas é um nutriente muito importante na fase de formação da lavoura e no crescimento de raízes. O principal sintoma da sua deficiência é a alteração de cor das folhas velhas, que passam de verde para tons de amarelo rosado, vermelho e arroxeado. 

As folhas também apresentam necrose em forma de “V”, que pode se estender por todo o tecido caso não haja desfolha.

Deficiência de potássio

O potássio é o segundo nutriente mais requerido na planta de café, principalmente em plantas em estágio adulto. 

O principal sintoma da deficiência de potássio no café é o amarelecimento da borda das folhas velhas, que evoluem para manchas marrons e negras e necroses. As folhas também podem ser facilmente retiradas do caule.

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Deficiência de cálcio

O cálcio é importante para o crescimento radicular do café, e por isso deve ser bem manejado na implantação da lavoura. 

A deficiência de cálcio no cafeeiro aparece através de folhas novas com amarelecimento característico do limbo foliar. No entanto, a coloração verde nas nervuras das folhas se mantém.

Deficiência de magnésio

O magnésio tem papel importante no acúmulo de biomassa da planta e no crescimento em altura das plantas. 

A deficiência de magnésio no café causa amarelecimento entre as nervuras em folhas velhas e próximas aos frutos que evoluem para uma coloração parda. Ela também causa a queda prematura de folhas e plantas com baixo porte.

Deficiência de enxofre

O enxofre é um nutriente importante para a formação de proteínas e da clorofila. Sua ausência faz com que as folhas novas assumam uma coloração entre amarelo e verde muito claro.

Essa coloração se estende para as outras partes da planta. Além disso, há encurtamento dos internódios foliares, diminuindo a distância entre as folhas nos ramos.

Deficiência de ferro

O ferro é o micronutriente mais absorvido pelas plantas de café. 

Os sintomas da deficiência de ferro no cafeeiro são o amarelecimento do limbo foliar em folhas novas e a presença de um reticulado verde e bastante fino nas nervuras.

Deficiência de boro

O boro é um dos micronutrientes que mais limita a produção do cafeeiro. A deficiência desse nutriente causa folhas novas pequenas e retorcidas e com bordos recortados. 

Ainda, há a perda da gema apical e superbrotamento de folhas e ramos, dando a caraterística de “leque”. O encurtamento de internódios também pode acontecer.

Deficiência de zinco

O zinco é outro micronutriente que pode causar grandes perdas de produção. A deficiência de zinco faz com que as folhas em formação se tornem retorcidas, estreitas e de aspecto coriáceo e quebradiça.

A coloração fica amarela entre as nervuras, e podem aparecer saliências no limbo foliar.

Deficiência de manganês

O manganês é o segundo micronutriente mais acumulado no cafeeiro, após o ferro. Sua ausência causa coloração verde-claro e pontuações amarelas próximas às nervuras da folha.

Deficiência de cobre

A deficiência de cobre nas plantas de café não é tão comum de ser vista. Normalmente, esse nutriente é indiretamente fornecido à lavoura por meio de fungicidas cúpricos.

Porém, seus sintomas são bastante característicos, como perda de coloração das folhas novas e proeminência das nervuras secundárias, o que causa deformidade e curvatura.

Fotos de folhas de café com deficiência nutricional
Sintomas mais comuns de deficiência de nutrientes em cafeeiro
(Fonte: adaptação do autor)

Como corrigir a deficiência nutricional do cafeeiro

A melhor estratégia para a adubação do cafeeiro depende de alguns fatores. No início da safra, é feita baseada normalmente em análises de solo. Posteriormente, visando à produção, são feitas baseadas em diagnóstico visual de sintomas das plantas de café e análise foliar

Essas análises garantem que você saiba exatamente qual nutriente está em falta e o quanto você deve repor de cada um. Afinal, vale lembrar que a overfert (fertilização em excesso) pode causar tantos danos quanto a falta de nutrientes.

A adubação é diferente para uma situação de implantação de lavoura ou de lavoura já implantada. Por exemplo, na implantação, nutrientes como fósforo e cálcio necessitam atenção especial.

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Outro fator que altera a definição da quantidade de nutrientes a ser fornecido é a estimativa de produção com relação à bienalidade do cafeeiro. Isso principalmente com relação aos macronutrientes primários.

Normalmente, a calagem irá fornecer o cálcio e magnésio para o cafeeiro. 

Já os fertilizantes NPK devem ser administrados como adubo formulado, de acordo com a produção esperada. Uma relação comum entre eles é de 6:1:6. 

O enxofre deve ser considerado principalmente de acordo com a interpretação da análise de solo, ou em uma proporção da quantidade de nitrogênio recomendado.

Quanto aos micronutrientes, normalmente ferro e manganês são presentes em quantidades suficientes no solo para a necessidade do cafeeiro. 

O boro pode ser fornecido via solo por meio de ácido bórico, enquanto o zinco e cobre são aplicados por via foliar. Para o cobre, o uso de fungicidas cúpricos pode ser suficiente para o suprimento do nutriente.

Conclusão

A nutrição é um dos pontos mais facilmente controláveis que definem a produção. Entender e mapear os nutrientes das plantas de café pode aumentar a produção e evitar perdas.

O uso de análises de solo e foliar é fundamental, principalmente para evitar a fertilização em excesso.

Um cálculo cuidadoso da adubação e a verificação do aparecimento de sintomas de deficiência de nutrientes são práticas que devem ser adotadas constantemente. 

Com essas práticas, você garante um cafezal regulado e produtivo.

>> Leia mais:

“Deficiência de fósforo no milho: como identificar e resolver?”

Está tendo problemas de deficiência nutricional do cafeeiro? Este artigo esclareceu suas dúvidas? Deixe seu comentário abaixo!

Armazenamento de café: dicas para fazer corretamente

Armazenamento de café: saiba a importância desse processo, as melhores técnicas e os principais problemas e soluções

A cultura do café tem grande destaque no Brasil, que é o maior produtor e exportador mundial dessa commodity agrícola. A demanda de café dos países importadores é variável. 

Isso faz com que haja necessidade de armazenamento para venda futura e para controle de preço das commodities agrícolas. Para garantir uma boa armazenagem, é necessário manter a temperatura em torno de 20 °C.

Além disso, a umidade relativa do ar deve estar em 65%, enquanto a umidade do grão deve estar entre 11% e 12%. Além desses aspectos, muitos outros precisam ser cuidados nesse processo.

Nesse artigo, veja os aspectos mais importantes sobre o armazenamento de café, além dos principais problemas que podem surgir nessa etapa. Boa leitura!

Por que armazenar o café?

Apesar de ser uma prática usada há muito tempo, é importante ressaltar os principais motivos que levam à necessidade de se armazenar o café. Os principais motivos são o controle de estoque, oportunidades de negócio, manutenção da qualidade e bienalidade.

  • Controle de estoque: esse controle é importante para se ter poder de manejo no preço do café mundial, uma vez que uma alta oferta (alto estoque) pode gerar queda de preço e uma baixa oferta (baixo estoque) pode gerar subida repentina;
  • Oportunidades de negócio: apesar do controle de estoque, também existem outros fatores que ditam os preços do café no mercado internacional, como por exemplo, quebras de safra. Assim, oportunidades de venda de café a preços melhores podem surgir;
  • Manutenção da qualidade: a qualidade de bebida tem sido cada vez mais requerida por consumidores no mundo todo. De nada adianta um manejo correto de produção e colheita se a pós-colheita do café e a estocagem forem deficientes. Isso deprecia a qualidade de bebida do café;
  • Bienalidade: esse caráter produtivo do cafeeiro causa uma variação entre anos de alta e baixa safra. Isso altera grandemente a disponibilidade de café no mercado e o armazenamento pode ajudar a diminuir os impactos dessa variável nos estoques e no preço.
Gráfico que mostra preços de café ao longo dos anos, demonstrando que o armazenamento de café é positivo
Indicador de preço do café arábica
(Fonte: Cepea/USP)

Em quais estágios fazer armazenagem de café?

É importante conhecer a anatomia do fruto do café para entender em quais estágios de beneficiamento do grão eles podem ser armazenados. O fruto do café é formado pela casca, polpa, pergaminho e semente/grão.

Foto de grão de café cortado ao meio. É possível ver a casca, a polpa, o pergaminho e a semente.
Anatomia do fruto de café
(Fonte: O Fruto)

Após a colheita, e durante o processo de beneficiamento e limpeza do grão, há alguns estágios em que ele pode ser armazenado. São eles: café em coco, café em pergaminho e café em grão.

O café em coco é o café colhido e seco, mas ainda com a presença da casca e polpa, na forma de fruto seco. O café em pergaminho é o grão de café já sem a casca e a polpa, mas ainda com o pergaminho, que recobre a semente.

O café em grão é o endosperma sem a cobertura do pergaminho. Cada fruto gera 2 grãos.

Normalmente, cafés em coco e em pergaminho são armazenados por períodos menores. Muitas vezes, se aguarda o final da colheita ou a possibilidade de terminar o beneficiamento para armazená-los por maiores períodos, na fazenda ou em cooperativas/empresas.

Fotos de café em vários estágios: em coco, em grão e em pergaminho.
Tipos de café passíveis de armazenamento
(Fonte: editado pelo autor de diversas fontes)

Tipos de armazenamento de café

Existem diferentes estruturas para armazenamento de café, cada uma com sua especificidade, vantagens e desvantagens. As principais estruturas são as tulhas, os silos e os armazéns.

Tulhas

As tulhas são estruturas que podem ser de metal, alvenaria ou madeira. Normalmente, são construídas nas proximidades do terreiro suspenso ou secador. 

O uso de madeira é mais comum por ter maior capacidade de manter a temperatura interna. Essa estrutura é recomendada para armazenamento de cafés secos, em coco, pergaminho ou grão. 

O café pode ser estocado a granel ou em sacaria. Normalmente o café beneficiado é armazenado em sacaria e os cafés em coco e pergaminho, a granel. O armazenamento em sacaria facilita o movimento, transporte do produto e controle de lotes, sem mistura. 

Além de armazenagem, o café também passa por processos de secagem dentro das tulhas. A recomendação é de que o café seja mantido por pelo menos 30 dias dentro da tulha.

Silos

Os silos são estruturas que podem ser fixas ou móveis, normalmente em metal, para receber café a granel. Além dos silos de armazenamento, existem também silos-secadores que além de armazenar, fazem a secagem do café.

Armazém de café

Os armazéns são, normalmente, estruturas fixas para armazenamento de café. Em geral são armazenados cafés ensacados e não à granel. O tamanho das estruturas depende da necessidade de capacidade de armazenamento.

Além dos mencionados acima, existem novas opções de armazenamento como galpões flexíveis metálicos ou galpões de lona.

Fotos de tipos de armazenamento de café: tulhas, silos e armazéns
Tipos de café passíveis de armazenamento
(Fontes: Cafés Terra de Santana, Granfinale e Dinheiro Rural)

Alguns aspectos são importantes no design e construção de armazéns de café. De acordo com o Manual de segurança e qualidade para a cultura do café, esses são os pontos mais importantes a serem considerados para armazéns para estocagem de café em sacaria:

  • Instalação de portas de maneira técnica, facilitando operação de carga e descarga;
  • Portas frontais umas a outras em paredes opostas;
  • Pé-direito de no mínimo 5 metros;
  • Paredes lisas, evitando-se reentrâncias e terminando em “meias cana” junto ao piso e nunca em ângulo reto;
  • Fechamento lateral de paredes, junto ao piso e à cobertura, para evitar acesso de animais;
  • Aberturas laterais de ventilação com aberturas reguláveis e telas de proteção;
  • Instalações de lanternins para a boa circulação de ar natural;
  • Uso de telhas transparentes, para aproveitamento da iluminação natural;
  • Uso de piso de concreto impermeável, no mínimo, a 40 cm acima do nível do solo;
  • Construção de marquises externas nas portas para carga e descarga em dias chuvosos;
  • Instalação de sistema de prevenção e combate a incêndios.

Estratégia de armazenagem de café: tipos de embalagens

Existem várias opções para armazenagem de café, mas as mais comumente usadas, são os sacos de juta e as big bags.

Sacos de juta

Os sacos de juta são os mais usados para armazenagem de café. Suas vantagens são a boa ventilação e o fato de terem menor impacto ambiental.

No entanto, esses sacos também apresentam desvantagens. A possibilidade de entrada de água e patógenos são algumas delas.

Big bags

Os bags plásticos têm sido cada vez mais usados. Suas principais vantagens são o fato de serem mais herméticos, evitando entrada de água e patógenos e as variedades de volumes disponíveis. 

Uma de suas desvantagens é o potencial de condensação de água dentro do bag. Posso pode deteriorar a qualidade do produto armazenado.

Fotos de sacas e big bags de café.
Tipos de ensacamento de café
(Fontes: Mercado Livre e Rafitec)

Existem diversos estudos para o desenvolvimento de novas opções de sacaria para armazenamento de café. Essas pesquisas têm por objetivo minimizar os problemas citados acima, mantendo ao máximo as características de qualidade do café.

Uma das soluções são sacos de papel kraft especial, que impedem as trocas gasosas e de umidade entre o produto e o ambiente. Por outro lado, eles evitam a condensação de água dentro da sacaria. 

Esse produto já foi apresentado em uma parceria entre a Klabin, a Universidade Federal de Lavras e a Associação Brasileira de Cafés Especiais.

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Quais fatores causam perda de qualidade do grão?

Existem vários fatores que podem influenciar a qualidade do café durante o armazenamento. As principais características que podem sofrer alterações no café são composição química, umidade e textura do grão, sabor e aroma do produto final.

Para evitar esses problemas, é necessário controlar temperatura, umidade do ar, umidade do grão, luminosidade e presença de pragas do armazenamento e patógenos.

Existe uma nova tendência de um nicho de mercado para o consumo de cafés fermentados. Nesse caso, as condições de armazenamento podem necessitar de adequação, de maneira que propiciem a fermentação e não a evite.

Essa fermentação controlada cria características únicas no café que podem se adequar mais ao paladar.

planilha de controle de estoque

Conclusão

O café necessita de uma cadeia de produção e distribuição bastante estratégica. O armazenamento do produto tem papel crucial nessa cadeia e é muito importante para produtores, cooperativas, empresas de trade e compradores.

Nesse artigo, apresentamos e discutimos as principais características do armazenamento de café, as opções mais utilizadas e as novas tecnologias.

As soluções para armazenamento de café são bastante específicas para cada tipo e tamanho de propriedade. Busque sempre o aconselhamento técnico com empresas, engenheiros(as)-agrônomos(as) ou representantes de cooperativas.

Como você faz o armazenamento de café na sua propriedade? Ficou com alguma dúvida sobre o tema? Adoraria ler seu comentário!

Café Arara: o que você precisa saber sobre a variedade de café de alta qualidade 

Café Arara: características agronômicas, particularidades e vantagens de sua utilização

Além dos efeitos climáticos, a incidência de doenças e pragas do café causam grande impacto nas perdas da lavoura.

O café Arara é uma opção que tem estado muito presente no Brasil. Afinal, produtores tendem a buscar variedades com boa resistência ou tolerância a esses efeitos de perda . 

Neste texto, vamos explicar o que você precisa saber sobre o café Arara e o motivo de ele estar tendo tamanho destaque nos últimos anos. Boa leitura!

O que é o café Arara?

O café Arara é proveniente do cruzamento natural entre as variedades Obatã e Catuaí Amarelo, após muita pesquisa. Ele foi selecionado pela primeira vez no Paraná, no fim da década de 80. A variedade é produtiva e resistente a várias doenças

No fim da década de 90 e início dos anos 2000, houve aumento no interesse de pesquisadores pela variedade de café Arara. Ele passou a ser mais estudado e incluído em processos de melhoramento do cafeeiro, em instituições como a Fundação Procafé.

Hoje, o café Catuaí é o mais cultivado no país. Porém, o café Arara tem assumido papel de destaque, sendo uma escolha bastante comum para produtores que desejam implementar novas lavouras. Essa tendência teve um aumento principalmente a partir de 2017.

Estima-se que o café Arara represente cerca de 50 % a 60% das mudas de café arábica produzidas hoje em dia. Também estima-se que, na safra de 2020, tenham sido plantados em torno de 60 a 80 milhões de mudas no Brasil. 

Características agronômicas

As principais características que diferenciam o café Arara são o porte baixo (porém mais alto que o Catuaí), frutos maiores e amarelos. Além disso, a alta resistência natural à ferrugem do cafeeiro, a maturação tardia e o alto potencial produtivo também são relevantes.

As características agronômicas completas do café Arara são resumidas no quadro a seguir.

Tabela de características agronômicas do café Arara
(Fonte: adaptado de Consórcio Pesquisa Café)

Principais vantagens do café Arara

A variedade café Arara tem uma série de vantagens, mas a principal é ser praticamente imune à doença ferrugem. Essa é a doença que mais atinge o cafeeiro. Além disso, a variedade é resistente à bactérias pseudomonas e é tolerante à phoma, mais uma doença muito frequente.

Como dito anteriormente, o café Arara tem se tornado bastante comum entre os produtores que implementam novas lavouras nos últimos anos. Algumas das vantagens desse café é que ele tem muita resistência a doenças como ferrugem do cafeeiro.

Veja algumas vantagens que têm sido diferenciais desta variedade.

Resistência fitossanitária

Essa é uma das características mais importantes desse café. A variedade de café Arara é extremamente resistente às doenças importantes como a ferrugem do cafeeiro, as pseudomonas de fruto e a mancha de phoma.

Facilidade de colheita

Por apresentar uma copa mais compacta, mas com maior diâmetro, a colheita de café manual ou mecânica é facilitada. 

Apesar disso, os grãos tendem a ter maior adesão ao caule, necessitando maior força para retirada. Porém, isso acaba diminuindo a queda de frutos. Estima-se que o rendimento de colheita no café Arara seja 20% mais alto que em outras variedades.

Os grãos de café da variedade Arara tendem a ser maiores e de peneira mais alta se comparados ao Catuaí, por exemplo.  Isso faz com que os grãos de Arara tenham maior peso médio que os de Catuaí e outras variedades.

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Potencial produtivo alto

O café Arara apresenta uma especificidade do surgimento de flores (que geram frutos) em ramos mais velhos. Isso acaba contribuindo para aumento de produção.

O café Arara apresenta um potencial de produção mais alto que outras variedades. Ele possui  reportes de até 35% de aumento em comparação ao Catuaí.

Redução do uso de agroquímicos

Por apresentar maior resistência a algumas doenças do cafeeiro, a variedade necessita de menos aplicações de produtos fitossanitários, como fungicidas, por exemplo.  Isso também o faz uma boa escolha para cultivos orgânicos.

Qualidade de bebida 

Apesar da qualidade da bebida não ser uma característica que dependa apenas da variedade, o café Arara tem se destacado por pontuações altas em concursos. Às vezes, essa pontuação fica acima de 90 pontos, com características de uma bebida limpa e adocicada.

Foto de cafeeiros da cultivar café arara
Plantas de cultivar Arara
(Fonte: Revista Cafeicultura)

Café arara: espaçamento e outras recomendações de cultivo

A escolha da variedade do café é muito importante, principalmente por se tratar de uma cultura perene. Ela só começa a dar retorno produtivo a partir de 3 anos após o plantio.

O café Arara, assim como todos os outros, possui recomendações específicas de plantio para garantir uma produtividade ainda melhor.

O espaçamento para café Arara precisa ser de 3 metros entre linhas e 50 centímetros entre plantas. Isso permite um plantio semi-adensado, sem limitar os tratos culturais e manejo e ainda permitindo a opção por safra zero.

O café Arara apresenta maiores bifurcações dos ramos. Por isso, a poda de esqueletamento/ponteiro pode ser necessária com mais frequência que em outras variedades adensadas. O objetivo disso é “desembatumar” a planta.

Já os limites de altitude para o café Arara também são específicos. O Arara é um café recomendado para altitudes mais altas e não para áreas de baixada

Ele se adapta bem a condições mais frias e úmidas, e é recomendado para altitudes entre 600 e 1200 metros acima do nível do mar.

O café Arara pode ser combinado com outras variedades de maturação precoce ou normal na mesma propriedade. Por exemplo, pode-se alocar o Arara em áreas mais altas e a outra variedade em áreas mais baixas. 

Por ser uma variedade imune à ferrugem e bastante resistente a pseudomonas e phoma, as pulverizações para controle de doenças podem diferir de outras variedades. Normalmente, há diminuição das aplicações.

A correção de solo e adubações do café Arara são comuns aos de outras variedades de café. Isso, é claro, sempre de acordo com as análises de solo, análise foliar e a previsão de produção.

Isso aumenta o potencial de cada um e ainda permite organização de colheita de acordo com a maturação de cada um.

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Conclusão

O café Arara é cada vez mais presente nas lavouras brasileiras. A tendência é que isso continue a acontecer. Suas características agronômicas oferecem vantagens em condições de altitude e clima específicos.

Além disso, por necessitar menor uso de fitoquímicos, têm grande aceitação em lavouras destinadas à produção orgânica.

Sua  alta produtividade e qualidade de bebida podem proporcionar um produto final de valor agregado mais alto. Ele é uma opção bastante interessante, principalmente em combinação com outras variedades em áreas distintas da fazenda.

Você já conhecia a variedade de café Arara? Está pensando em implantá-la na sua lavoura? Adoraria ler seu comentário!

Saiba a previsão do preço do café para 2023

Previsão do preço do café para 2023: veja como está o mercado de café neste momento, confira os preços da saca, tendências, valores e mais!

A previsão do preço do café para 2023 será influenciada pelo excedente de estoques, estimado em 7,9 milhões de sacas. Segundo especialistas, variações do clima, como La Niña e o El Niño, também podem interferir.

O mercado do café, nos últimos anos, tem passado por diversas oscilações. Tudo isso é efeito do clima, mudança nos hábitos de consumo, pandemia de Covid19 e guerra na Ucrânia. Mas o principal fator que você deve estar atento para saber como vai ficar o preço do café é o excedente de estoque.

Neste artigo, confira detalhes sobre a previsão do preço do café para 2023 neste artigo. Boa leitura!  

Previsão do preço do café para 2022

O preço da saca de café (60 kg) em 2022 deve variar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 nos próximos meses. Isso pode depender da região de produção, segundo analistas do setor.

Esses são os preços da saca atualmente. Portanto, os próximos meses devem ser de estabilidade nos valores pagos ao produtor, pelo menos até o último trimestre do ano. 

O cenário apontado é dentro de contexto de normalidade da produção, com o aumento natural da oferta. Afinal, a fase atual é de colheita de café nas regiões produtoras.

Também dentro de um cenário normal, espera-se que as condições climáticas sejam favoráveis ao término da colheita. A principal preocupação é o La Niña.

Os meteorologistas do Noaa (agência de clima e meteorologia dos Estados Unidos) preveem 52% de chances de La Ninã e 46% de Enso neutro (El Niño-Oscilação do Sul) de julho a setembro de 2022.

A avaliação é de que, se o La Niña surgir durante o período de colheita no Brasil, ele não afeta a quantidade da safra 2022/2023. Porém, atrasa a disponibilidade do café ao mercado.

Gráfico que demonstra previsões de eventos climáticos
Previsões do Noaa para os fenômenos climáticos La Niña, Enso e El Niño
(Fonte: Stonex)

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), muitos produtores estão preocupados com a colheita por conta do clima e da falta de mão de obra. Em locais onde a colheita é feita de forma manual, os grãos estão secando nos pés. 

O que explica a alta do café?

Em 2021, o preço da saca de 60 kg de café começou em R$ 640 e fechou em R$ 1.446. Isso significa alta de 126,31%, segundo a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé). 

Em 2022, o preço da saca de café chegou a ser negociada por R$ 1.550 pela Coopama (Cooperativa Agrária de Machado). Esse foi um valor recorde para o arábica.

De acordo com especialistas das cooperativas, a alta dos preços é explicada pelo aumento dos custos de produção com insumos, sobretudo os fertilizantes e combustível. No geral, o aumento dos custos para os produtores no Brasil é estimado entre 50% e 60%.

A inflação também é outro fator de grande importância para a previsão do preço do café para 2023. No Brasil, a inflação do café aumentou impressionantes 67% no ano passado.

Previsão do preço do café para 2023: estimativa de inflação no Brasil, EUA e Europa.
Evolução da inflação do café torrado e moído no Brasil, EUA e Europa
(Fonte: StoneX)

Os preços do café e a inflação na Europa não aumentaram tanto quanto nos EUA e no Brasil. Para analistas da StoneX, “isso é uma indicação da recuperação mais lenta da demanda e do mercado competitivo, permitindo que os varejistas mantenham os preços mais baixos”.

Qual a safra do café em 2022?

De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra de 2022 de café deve ter produção total de 53,43 milhões de sacas.

Essa quantia representa queda de 15,3%, frente às 63,08 milhões de sacas de 2020, último ano de bienalidade positiva do café arábica. O arábica é a principal variedade produzida no país, ficando na frente do conilon.

Em comparação a 2021 (bienalidade negativa), o resultado é 12% superior.

A Sincal (Associação Nacional dos Cafeicultores do Brasil), no entanto, prevê 40 milhões de sacas para a safra de 2022.

A principal razão para a queda da safra de 2022 (em relação a 2020) são a estiagem e a geada. Eles antecederam a florada do café de 2021, conforme analistas da Conab.

Somente a geada afetou mais de 200 mil hectares de cafezais em Minas Gerais em 2021.

A produção mundial de café para a temporada 2022/2023 está estimada entre 175 milhões de sacas, de acordo com o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Segundo o departamento, os estoques mundiais estão em 32,7 milhões de sacas.

Qual a demanda do café para 2022?

A previsão do preço da saca de café para 2022, com impactos em 2023, pode ser influenciada pela demanda. Nos Estados Unidos, maior consumidor mundial, teve queda de 3,6% em 2020 e de 1,3% em 2021, por conta da pandemia de coronavírus.

O esperado para 2022 é que a demanda americana de café se recupere. É esperado um aumento de 6,9% e estabilização em 2023.

A StoneX prevê demanda global de 24,5 milhões de sacas em 2022 e aumento de 4,1% no consumo em 2023. Também é previsto 1 milhão de sacas a mais.

Já o Usda estima que a demanda mundial crescerá 1,8 milhão de sacas em 2022. 

Houve um agravamento da guerra na Ucrânia, com a entrada da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) nos combates contra a Rússia, apoiada pela China. Isso causaria outro impacto ainda mais grave no consumo.

A Ucrânia consumiu 1,235 milhão de sacas em 2021 e não deve comprar um grão do café brasileiro em 2022, segundo especialistas do CoffeeNetwork.

A Rússia, e ainda num cenário sem a entrada da Otan na guerra, deve ter 50% de queda no consumo este ano. Em 2021, os russos compraram quase 4 milhões de sacas. 

O agravamento da guerra na Ucrânia representa uma preocupação em relação ao consumo de café, na análise de especialistas da Conab. Tudo isso explica o por que o preço do café subiu em 2022.

“O conflito bélico no leste europeu intensificou a inflação global, ameaçando a demanda do café e favorecendo a migração de investidores para outras commodities com maior perspectiva de valorização”, avaliam especialistas do CoffeeNetwork.

A demanda prevista para o Brasil em 2022/2023 é de 19 milhões de sacas, o mesmo da atual temporada.

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Qual a previsão do preço do café para 2023?

A previsão do preço do café para 2023 é que ele deve se manter nos mesmos patamares de 2022. Isso, é claro, caso não ocorram eventos extremos na economia global, relacionados ao consumo ou à oferta.

Problemas com o La Niña no Brasil e o atraso das chuvas de final de ano pode ter problemas para o desenvolvimento da florada. Isso pode impactar negativamente a oferta em ano de bienalidade negativa do arábica.

Outro fator importante para a previsão do preço do café para 2023 é a oscilação do valor do dólar em relação ao real.

Em 2022, o dólar chegou a ultrapassar R$ 5, o que é muito positivo para quem exporta café. Porém, a tendência do café para 2023, apontada por especialistas, é a de que o real se valorize frente ao dólar, como vem ocorrendo nos primeiros quatro meses do ano.

Na demanda, o superávit de 7,9 milhões apontado pelo Usda pode também reduzir os preços da saca do café, para o ano cafeeiro 2022/2023. Confira abaixo a evolução dos preços do café nos últimos anos:

Previsão do preço de café para 2023: preços do arábica e do conilon
Preços de café nas bolas de Nova Iorque (arábica) e Londres (conilon)
(Fonte: Conab)

Conclusão

As previsões do preço do café para a temporada 2022/2023 apontam para uma estabilidade dos preços. Porém, há uma preocupação geral com a queda no consumo, em decorrência do agravamento da guerra na Ucrânia.

Nesse sentido, a geopolítica deverá ditar nos próximos meses as tendências para os preços do café, com interferência em toda a economia global.

A previsão do preço do café para 2023 é a de que fique entre R$ 1.250 e R$ 1.300 a saca de 60 kg. Fique sempre de olho no mercado do café e nas mudanças para garantir acertar no preço das suas sacas.

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Você acha que mais algum fator pode influenciar a previsão do preço do café para 2023? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Colheita de café: quando realizar e como evitar perda de qualidade

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Veja como fazer a colheita do café e a reconhecer qual é a época correta, diferentes métodos, custo e muito mais!

A época de colheita do café é um dos fatores que mais interferem no sabor da bebida. Saber o momento correto de realizá-la é primordial.

Os tipos de colheita de café também precisam ser analisadas de acordo com a realidade da sua propriedade. Essa é outra forma de evitar perdas de qualidade dos grãos.

Neste artigo, separamos informações valiosas sobre a colheita de café, tipos e dicas que podem te ajudar. Boa leitura!

Época de colheita do café

A colheita de café deve ser feita com os frutos em maturação fisiológica, parecidos com cerejas. Esse estado ocorre entre março e abril até setembro, no período da seca. Nesse momento, a cor da casca do café fica entre o vermelho e o amarelo, e os grãos precisam ter entre 55% e 70% de umidade.

O tempo de colheita após a floração do café é de aproximadamente 7 meses. Há mais de uma floração por ano. Por isso, a colheita se estende por vários meses. No Brasil, o pico de colheita acontece entre junho e agosto.

Em países próximos à linha do Equador, pode ocorrer florada todos os meses, devido aos fatores climáticos serem favoráveis. Nesses locais, a colheita é feita durante o ano todo.

Diversos fatores interferem na qualidade dos grãos colhidos. Por exemplo, o manejo da lavoura, clima, momento de colheita, beneficiamento, secagem e armazenamento.

Colher o café no momento ideal é fundamental porque os grãos influenciam diretamente na qualidade da bebida.

Se a colheita ocorrer antes do tempo, a maioria dos frutos estão verdes e há alta concentração de fenóis, como taninos e ligninas. Essas substâncias interferem negativamente no sabor do café.

Quando são colhidos muitos secos, também sofrem alterações de sabor. Isso acontece devido a fermentação negativa, reduzindo sua qualidade.

Como a floração não ocorre somente uma vez, existem grãos em todos os estádios de maturação na mesma planta.

Assim, se a colheita do café não for manual, de grão a grão, o ideal é realizar quando estiver com maior uniformidade de maturação. Isso representa de 80%  a 90% dos frutos já maduros, com menos de 20% dos frutos verdes.

Para a  produção de cafés especiais, são utilizados grãos do tipo cereja. Isso tem gerado maior valor agregado para os produtores que buscam produzir este tipo de café.

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Classificação dos grãos de café

A coloração é um importante sinal da maturidade fisiológica dos frutos. A cor cereja dos grãos indica esse ponto. 

Os grãos começam com coloração verde. Com o avanço do processo de maturação,  eles vão adquirindo a cor do cultivar, que pode ser vermelho ou amarelo

Com o avanço do processo, os grãos vão adquirindo uma coloração escura. Eles perdem teor de água até estarem secos, no estádio conhecido como coco.

Os grãos podem ser classificados conforme seu ponto de maturidade:

  • Café verde, ou grãos verdes (teor de água de 60 a 70 %): é quando ocorre a granação dos frutos, ou seja, o endosperma fica duro, e os frutos estão com coloração verde; 
  • Grãos verde cana (teor de água de 55 a 60 %): os grãos vão mudando a coloração, se tornando mais maduros, passando a assumir a coloração do cultivar;
  • Grãos cereja (teor de água de 45 a 55 %): quando os frutos já estão totalmente com a coloração do cultivar, este é o momento ideal de colheita;
  • Grãos passa (teor de água de 30 a 45 %): quando os grãos já passaram do momento correto de colheita. O tegumento dos grãos, ou casca, começa a adquirir uma coloração escura.
  • Grãos secos/coco (menor que 25%): os frutos de café neste ponto já estão secos, com umidade baixa.
  • Grãos bóia: são grãos que flutuam na água devido ao menor peso, que pode ocorrer devido a má formação do grãos, por estar imaturo ou com ataque de pragas como da broca do café.
Estagios do café, desde gema dormente até seco
Escala para determinação de estádios fenológicos do café arábica 
(Fonte: Ciiagro)

Como é feita a colheita de café

Existem três tipos de colheita de café: manual (com trabalhadores que fazem a poda e retiram os frutos), semimecanizada (com trabalhadores e uso de máquinas em alguns processos) e mecanizada (totalmente feita através de máquinas). 

Veja mais sobre eles a seguir:

Colheita de café manual

A colheita manual ainda é bastante utilizada em áreas declivosas, em que a entrada de colhedoras é inviável. Pequenas propriedades também costumam adotar esse método.

Esse tipo de colheita consiste em retirar manualmente os grãos dos ramos. Ele exige muita mão de obra e é mais demorada.

Primeiro é feita a arruação, que consiste em limpar embaixo das plantas e nas entrelinhas. Essa operação é feita para facilitar a varrição depois da colheita e evitar mistura dos grãos com restos vegetais.

Para realizar a colheita manual de café são estendidas lonas ou panos na saia do cafezal, ou o colhedor carrega uma peneira. A colheita por este método pode ser feita de dois modos.

Os colhedores fazem a derriça total dos grãos nos panos ou peneiras, que são coletados e abanados. Isso os separa dos restos vegetais, como folhas e ramos. Em seguida, são levados para secagem.

Para este modo de colheita manual, é preciso que a lavoura esteja com a maior quantidade dos grãos cereja possível. Afinal, a colheita só ocorre uma vez por ano.

Em locais onde a colheita é feita o ano todo, ou para fabricação de cafés especiais, os colhedores retiram da planta de café somente os grãos cereja. Eles deixam os verdes para a próxima colheita.

Neste caso, os grãos apresentam maior qualidade, apesar do maior gasto com mão de obra.

Trabalhadores rurais colhendo café no campo. Todos usam boné verde e estão com braços erguidos na frente do cafezal.
Derriça manual sobre o pano 
(Fonte: Helton)

Após a colheita, é feita a varrição. Nela, os grãos que caíram no chão devem ser coletados para não servirem de local viável para broca-do-café. Essa praga pode prejudicar a próxima safra.

São utilizados rastelo e peneira para catar estes grãos e separá-los dos restos vegetais. Posteriormente, eles são comercializados por um preço menor em relação ao café colhido. 

Colheita de café semimecanizada

Na colheita semimecanizada, parte das operações são feitas manualmente e a outra parte de forma mecanizada.

Devido a falta de mão de obra para colheita do café, este método tem sido adotado por muitos produtores. Ele reduz a quantidade de mão de obra, otimiza o tempo e gera maior rendimento na operação.

Todas estas etapas podem ser feitas de modo manual ou mecanizado, gerando várias combinações de máquinas e mão de obra são possíveis como:

  • Derriça: manual ou com uso de derriçadeiras elétricas.
  • Recolhimento: no pano ou com uso de máquina que recolhe a lona.
  • Abanação: feita em peneiras ou abanador mecânico.
Trabalhadores em cafezal, realizando a colheita do café com um grande arado. Todos usam equipamentos de proteção cinza e laranja.
Derriça mecânica sobre o pano 
(Fonte: Stihl)

Na colheita semimecanizada, um ou mais processos destes citados são feitos com uso de máquinas, o que agiliza o trabalho.

Para o café conilon ou robusta, o uso de máquina que recolhe e trilha os grãos já é uma opção de uso dos produtores.

Colheita de café mecanizada

A colheita mecanizada do café vem sendo empregada em diversas regiões, principalmente nas que apresentam topografia adequada para este método. Ela pode ser realizada em grandes, médias e pequenas propriedades.

Todas as etapas de colheita citadas acima são realizadas por uma máquina, seja automotriz ou de arrasto.

Com o uso de mecanização, há aumento do rendimento operacional e redução do custo de mão de obra.

Se você vai instalar sua lavoura de café e pretende colher mecanicamente, é recomendável ajustar o espaçamento do cafezal entre linhas de 3-4 metros. Isso vai facilitar a locomoção da máquina.

Outro ponto importante neste método é a regulagem da colheitadeira, para evitar perdas de grãos ou danos nas plantas.

Máquina agrícola em cafezal, realizando a colheita.
Exemplo de colhedora de café
(Fonte: Jacto)

Pós-colheita de café

Com a colheita realizada, outro ponto que afeta a qualidade da bebida é a pós-colheita do café, feita em várias etapas. Após a retirada dos grãos do campo, o teor de água é elevado nos grãos. O próximo passo é a secagem.

Ela pode ser feita em terreirões ou em terreiros suspensos, utilizados principalmente para fabricação de cafés especiais.

O café precisa estar entre 10,5% a 11,5% de umidade para ser beneficiado. O cuidado com a temperatura é importante, por isso é preciso de tempo em tempo revolver o café durante a secagem.

Após a secagem, o próximo passo é o beneficiamento. A máquina que realiza esse processo pode ser móvel ou fixa.

Máquina amarela em campo, realizando o beneficiamento após a colheita de café
Exemplo de máquina de beneficiamento de café móvel
(Fonte: Campo e Negócio)

No beneficiamento, ocorre a separação de impurezas como pedras, restos vegetais, entre outros, e a separação dos grãos da casca seca.

Depois de beneficiados, os grãos são colocados em sacarias ou big-bags. Eles devem ser armazenados em local arejado, piso impermeável, limpo e sem iluminação solar direta.

Os sacos ou big-bags devem ser colocados sobre paletes para evitar contato direto com o chão ou paredes.

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Quanto vale uma colheita de café

Em maio, o preço do café arábica tem apresentado forte oscilação, pressionados por movimentos técnicos, incertezas relacionadas às demandas globais e pelo início da colheita 2022/23, principalmente. No dia 17, o Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, no posto da capital paulista, chegou a atingir R$ 1.308,24/sc, o maior patamar nominal desde 9 de março.

Quanto aos custos de produção do café, a mão de obra na colheita é um dos principais – e também um dos entraves da produção. Muitos produtores realizam a colheita fora do momento ideal devido à falta de trabalhadores.

Mesmo em áreas declivosas, onde a colheita não pode ser totalmente mecanizada, fazer parte da operação com uma máquina já gera economia. 

No custo de produção, tanto do café arábica quanto do café conilon, a mão de obra utilizada na colheita fica em média 20% do valor total da produção.

Pela informação fornecida pela Embrapa, a colheita manual necessita de aproximadamente 20 trabalhadores. Eles demoram mais tempo para colher em comparação com a semimecanizada.

Na colheita semimecanizada, somente 4 ou 5 trabalhadores são necessários. Na colheita mecanizada do café, esse número cai para 1 ou 2.

Isto geraria uma grande redução no custo de produção do café por mão de obra, além de colher os grãos próximos do momento ideal. Isso melhora a qualidade do produto final, resultando em maior lucro.

Mesmo havendo gasto com aluguel ou aquisição de maquinário, o investimento é pago ao longo das safras. Muitos produtores estão investindo em maquinários para colheita e prestando serviços para outros produtores, gerando mais renda.

Conclusão

A colheita de café é um fator que interfere na qualidade da bebida.

Saber o momento ideal de colher é fundamental para obtenção de grãos desejados e evitar perdas de produção.

Além disso, a colheita pode ser realizada de três métodos: manual, semimecanizada e mecanizada. Escolha o método ideal de acordo com as necessidades e a realidade da sua fazenda. Boa colheita!

Está se preparando para a colheita de café? As dicas desse artigo te ajudaram? Deixe seu comentário abaixo!