O que é monocultura?

A monocultura consiste no cultivo de uma única espécie vegetal em uma determinada área durante uma ou mais safras consecutivas. 

Essa prática permite a concentração no manejo de determinada cultura, o que pode simplificar a mecanização e o uso de tecnologias específicas. 

Em regiões onde a monocultura é predominante, como o Cerrado brasileiro, por exemplo, é comum encontrar grandes áreas de soja ou milho manejadas com equipamentos modernos e insumos de alta precisão. 

Por outro lado, também pode trazer implicações ambientais e agronômicas, como a redução da biodiversidade, que compromete equilíbrios naturais importantes no ecossistema.

A monocultura é uma das práticas mais antigas e difundidas na agricultura mundial, sendo impulsionado pela crescente demanda por alimentos, fibras e biocombustíveis, especialmente em mercados globais. 

Apesar de sua popularidade, a monocultura levanta questões importantes sobre impactos ambientais, biodiversidade e segurança alimentar.

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Qual a diferença entre monocultura e policultura?

Enquanto a monocultura se concentra em uma única espécie vegetal, a policultura é um técnica de cultivo que promove a diversidade de cultivos, trazendo uma série de benefícios para o solo e para o sistema produtivo como um todo.

Ao integrar diferentes culturas no mesmo espaço ou ao longo do tempo, a policultura favorece a regeneração natural dos nutrientes do solo, reduzindo sua degradação e aumentando a fertilidade.

Além disso, essa prática ajuda a interromper ciclos de pragas e doenças específicas, diminuindo a necessidade de defensivos agrícolas e promovendo um controle biológico mais eficiente.

A combinação de diferentes espécies também contribui para o equilíbrio ecológico, incentivando a biodiversidade local e aumentando a resiliência da lavoura a condições adversas, como secas, chuvas excessivas ou oscilações de temperatura.

Tipos de monocultura mais comuns

A monocultura é o cultivo de uma única espécie de planta em uma área por um longo período, e algumas das monoculturas mais comuns ao redor do mundo incluem:

  1. Soja: É uma das monoculturas mais predominantes, especialmente no Brasil, Estados Unidos e Argentina. É cultivada em grandes extensões para a produção de óleo, farelo e alimentos.
  2. Milho: Cultivado em várias partes do mundo, especialmente nas Américas. É utilizado para consumo humano, ração animal e produção de etanol.
  3. Trigo: Uma das principais monoculturas em países com climas temperados, como os Estados Unidos, Rússia e China, sendo utilizado principalmente para farinha e produtos de panificação.
  4. Café: O cultivo de café é uma importante monocultura em países tropicais, como Brasil, Vietnã e Colômbia. A produção é altamente concentrada em algumas regiões, especialmente nas áreas de clima favorável.
  5. Cana-de-açúcar: Cultivada principalmente em países tropicais como Brasil, Índia e China. A monocultura de cana é usada para a produção de açúcar e etanol.
  6. Arroz: Em países como China, Índia e Japão, o arroz é cultivado em grandes áreas, especialmente em regiões com sistemas de irrigação adequados. O cultivo intensivo de arroz é uma prática comum na Ásia.
  7. Pinho: Em áreas de reflorestamento e produção de madeira, o pinho é uma monocultura comum, especialmente em países como os Estados Unidos, Canadá e países da Europa, para a indústria de celulose e papel.

Quais as vantagens da monocultura?

A monocultura segue sendo usada na agricultura moderna, apresentando diversos benefícios que contribuem para sua popularidade, especialmente em sistemas de larga escala.

Ao concentrar o cultivo em uma única espécie vegetal, é possível simplificar processos, reduzir custos e investir em tecnologias específicas para aumentar a eficiência. Confira:

1. Facilidade de manejo

A concentração em uma única cultura permite o uso de métodos padronizados, o que simplifica o trabalho e os processos operacionais. Isso é particularmente valioso em sistemas de larga escala.

2. Economia de escala

As produções em grandes volumes geram maior otimização nos custos por unidade, contribuindo para a competitividade no mercado. Por exemplo, o cultivo de cana-de-açúcar é essencial para a produção de etanol no Brasil, que depende de operações altamente organizadas.

3. Adaptação de tecnologias

Equipamentos e insumos podem ser projetados especificamente para atender às demandas dessa cultura, permitindo maior precisão no plantio e colheita.

4. Especialização no manejo

A monocultura permite que produtores se concentrem em aperfeiçoar técnicas específicas para a cultura escolhida, aumentando a eficiência operacional e reduzindo a complexidade das atividades.

5. Padronização na produção

Com uma única cultura, é possível uniformizar a qualidade do produto final, algo essencial para mercados que exigem padrões rígidos, como o de exportação.

6. Viabilização de investimentos em infraestrutura

Grandes áreas destinadas à monocultura justificam o investimento em equipamentos e infraestrutura, como sistemas de irrigação e silos de armazenamento.

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Desvantagens da monocultura

Embora a monocultura seja utilizada em muitas fazendas por conta da facilidade de manejo e pela otimização econômica, a prática também tem alguns desafios ambientais, sociais e agronômicos.

A ausência de diversificação no cultivo pode desencadear problemas como a degradação do solo, a perda de biodiversidade e a dependência de insumos químicos, comprometendo a sustentabilidade a longo prazo. Confira:

1. Degradação do solo

A falta de rotação de culturas pode exaurir os nutrientes do solo, levando à compactação e erosão, o que diminui a produtividade ao longo do tempo.

2. Perda de biodiversidade

A monocultura reduz drasticamente a diversidade biológica das áreas cultivadas, prejudicando o equilíbrio ecológico e afetando polinizadores e outros organismos essenciais.

3. Dependência de insumos químicos

Grandes extensões de monoculturas frequentemente requerem o uso intensivo de fertilizantes, herbicidas e pesticidas, o que pode contaminar o solo e os recursos hídricos.

4. Vulnerabilidade a pragas e doenças

A uniformidade genética das plantas torna as monoculturas mais suscetíveis a infestações e epidemias, como já observado com a ferrugem asiática na soja.

5. Impactos sociais

A expansão da monocultura pode levar ao desmatamento e à expulsão de comunidades locais, agravando problemas sociais como a concentração de terras e o êxodo rural.

6. Pressão sobre recursos hídricos

Culturas como cana-de-açúcar e soja demandam grandes volumes de água, o que pode causar conflitos pelo uso da água e afetar ecossistemas locais.

Monocultura no Brasil: Contexto e perspectivas

No Brasil, a monocultura é amplamente praticada em regiões como o Cerrado e o Sudeste, sendo essencial em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar e café. 

Essas plantações têm um papel relevante na economia nacional, respondendo por grande parte das exportações e do PIB do agronegócio. 

No entanto, críticas relacionadas ao desmatamento e à concentração fundiária trazem questões importantes para o debate público. 

A adoção de políticas que incentivem a rotação de culturas e sistemas agrícolas mais diversificados surge como uma alternativa promissora para mitigar esses problemas, promovendo maior sustentabilidade e equilíbrio no setor.

O uso de estratégias para controle de doenças pode complementar a prática, garantindo a saúde das culturas e a produtividade.

A combinação de técnicas sustentáveis com materiais de alta eficiência é essencial para enfrentar os desafios atuais e construir um modelo agrícola mais resiliente e sustentável.

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Embora a monocultura possa ser eficiente em termos de produção e escalabilidade, ela também apresenta desafios, como a redução da biodiversidade, o aumento de pragas e doenças e o esgotamento do solo.

Plantio de cana-de-açúcar: O que esperar?

O plantio de cana-de-açúcar no Brasil para a safra 2024/25 se depara com um cenário que mistura otimismo em produtividade com desafios financeiros. 

O ciclo anterior (2023/24) trouxe resultados muito bons, atingindo 644,14 milhões de toneladas, um aumento de 18,76% em relação à safra de 2022/23. 

Esse avanço foi impulsionado pelo crescimento do TCH , que alcançou 92,5 t/ha no segundo trimestre, 27,7% a mais que no ano anterior, e pela redução dos custos de produção entre 15% e 20%. 

A baixa nos preços de insumos e um ATR de R$ 1,02 no início da safra contribuíram para uma margem favorável aos produtores.

No entanto, a projeção para 2024/25 indica ajustes. O ATR, que teve um valor médio de R$ 1,2176 na safra passada, está estimado para cair para R$ 1,10, devido à queda nos preços de açúcar e etanol.

Essa retração pode reduzir a margem de lucro dos produtores, exigindo um controle rigoroso dos custos para compensar a volatilidade de preços.

Assim, a expectativa é de que, apesar de uma produtividade promissora, os próximos ciclos podem enfrentar desafios no mercado, exigindo estratégias mais eficientes de gestão de custos e diversificação para proteger a rentabilidade do setor.

Plantio e produção de cana-de-açúcar no Brasil 

O plantio e a produção de cana-de-açúcar no Brasil para a safra 2024/25 está variações entre regiões, influenciadas, principalmente, por condições climáticas e pela ampliação de áreas plantadas. Acompanhe a seguir:

Sudeste

É a região com a maior produção de cana, responsável por cerca de 64% da safra nacional. São Paulo lidera, mesmo com uma queda de aproximadamente 5,6% na produtividade devido ao déficit hídrico.

A estimativa para a região é de 442,8 milhões de toneladas, com uma produtividade média de cerca de 82,8 t/ha​.

Centro-Oeste

A segunda maior região produtora deve colher cerca de 149,17 milhões de toneladas, um aumento de 2,8% sobre o ciclo anterior.

Este crescimento se deve à expansão de áreas próximas às usinas, mesmo com a produtividade média mantida em torno de 81,5 t/ha.​

Nordeste

A produção estimada é de 59,62 milhões de toneladas, com um crescimento de 5,6% devido ao aumento na área plantada e melhorias em práticas agrícolas.

Essa região continua ampliando sua área cultivada para atender à crescente demanda do setor​

Sul e Norte

O Sul deve produzir 34,21 milhões de toneladas, uma leve queda devido à menor produtividade e área.

No Norte, a produção deve crescer 2,6%, atingindo cerca de 4,04 milhões de toneladas, com produtividade estável​

Essas estimativas refletem o cenário e um mercado com alta demanda por açúcar e etanol, embora a projeção para o ATR permaneça mais modesta devido à possível queda nos preços desses produtos no mercado internacional.

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Épocas de plantio da cana-de-açúcar 

A escolha da época de plantio de cana-de-açúcar é fundamental para o sucesso da cultura, que requer condições climáticas específicas para se desenvolver adequadamente e acumular açúcar. 

A cana se desenvolve bem com alta disponibilidade de água, temperaturas elevadas e um bom índice de radiação solar

Neste sentido, existem 3 sistemas principais de plantio: o sistema de ano-e-meio, o sistema de ano e o plantio de inverno. Acompanhe:

1. Sistema de ano-e-meio (cana de 18 meses)

Neste sistema de ano-e-meio, a cana-de-açúcar é plantada entre janeiro e março. Nos primeiros três meses, a planta inicia seu crescimento, mas, com a chegada da seca e do inverno, o desenvolvimento fica mais lento durante cinco meses (abril a agosto). 

Durante os sete meses seguintes (setembro a abril), a cana vegeta e amadurece nos meses finais, completando um ciclo de 16 a 18 meses. 

Essa época de plantio é considerada a ideal, pois oferece boas condições de temperatura e umidade, favorecendo o desenvolvimento das gemas. 

Durante esse período propiciam uma brotação rápida e reduzem a incidência de doenças nos toletes.

2. Sistema de ano (cana de 12 meses)

Em algumas regiões, a cana-de-açúcar é plantada entre outubro e novembro. No entanto, é preciso utilizar o sistema de plantio com cautela, pois apresenta tanto vantagens quanto desvantagens. Uma das vantagens é o ciclo mais curto, que permite uma colheita antecipada.

No entanto, as desvantagens incluem o risco de condições climáticas desfavoráveis e um potencial aumento na incidência de pragas e doenças, já que a cana pode estar mais suscetível devido ao crescimento em um período menos ideal.

A escolha do sistema de plantio deve considerar as características regionais e as condições climáticas específicas para garantir o melhor desenvolvimento da cultura.

3. Plantio de inverno

No Brasil, o plantio de inverno da cana-de-açúcar é realizado entre maio e agosto, em regiões como São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Durante o inverno, as temperaturas mais baixas e a menor umidade ajudam a controlar pragas e doenças, reduzindo a necessidade de defensivos.

Com o solo mantendo boa parte da umidade, há condições para um desenvolvimento inicial saudável das mudas, e a menor ocorrência de chuvas evita erosão, facilitando o enraizamento.

Além disso, o plantio de inverno permite antecipar a colheita no próximo ciclo, atendendo a demanda da indústria durante a entressafra.

É preciso ter um preparo adequado do solo e, em muitas regiões, a suplementação com irrigação por gotejamento ou aspersão, supre a necessidade hídrica da planta no início do desenvolvimento.

5 Práticas para um plantio bem-sucedido de cana-de-açúcar

O processo de plantio da cana-de-açúcar começa com um planejamento detalhado da área, incluindo o levantamento topográfico e a sistematização do terreno

Para isso, é feita uma subdivisão da área em talhões, definindo carreadores principais e secundários para facilitar o manejo.

Apenas com essa organização, o plantio já é bem-sucedido, porém algumas outras técnicas, pode ficar ainda melhor, como: 

1. Talhões e eficiência operacional 

A organização dos talhões ajudam maximizar a eficiência das operações mecanizadas, especialmente se forem em linhas longas para aumentar manobras das máquinas.

Em média, cada talhão ocupa entre 10 e 20 hectares, organizados conforme a topografia e a homogeneidade do solo.

2. Práticas de conservação do solo

A conservação do solo se torna importante para que o planejamento inclua práticas de conservação, como a instalação de terraços para prevenir erosão, contribuindo para a sustentabilidade da área.

A rotação de culturas com plantas que enriquecem o solo e a prática do plantio direto, também podem ser utilizadas para manter a fertilidade e a estrutura do solo. 

3. Planejamento das mudas

A programação do plantio das mudas considera a origem, podendo ser cultivadas na própria propriedade ou compradas de fornecedores confiáveis.

O ideal é iniciar escolhendo uma variedade de cana bem adaptada às condições de solo, clima e manejo local.

Opte por variedades resistentes a pragas e doenças para reduzir custos com defensivos e prolongar a vida do canavial. 

Em relação a distribuição das mudas, o ideal é de 12 nós por metro de sulco, com uma densidade entre 10 e 15 toneladas por hectare.

4. Espaçamento entre plantas

É preciso ajustar o espaçamento entre as plantas conforme a fertilidade do solo, a variedade de cana e as condições climáticas, como precipitação e temperatura, para otimizar a produção.

Em solos arenosos,  o espaçamento deve ser menor entre as linhas, de 1 a 1,2 metro, para facilitar o fechamento das entrelinhas e reduzir a perda de umidade, sendo benéfico em condições secas. 

Já em solos férteis, o espaçamento padrão é de 1,5 metro, permitindo o pleno desenvolvimento das plantas e o uso eficiente de máquinas. 

5. Método de plantio da cana-de-açúcar

O plantio da cana pode ocorrer de forma manual ou mecanizada e inclui 3 etapas: corte das mudas, corte dos colmos em pedaços menores e, por fim, cobertura do sulco.

Logo após essas etapas iniciais, é importante monitorar o desenvolvimento das mudas, para garantir que estejam recebendo a irrigação adequada e estejam livres de pragas e doenças.

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10 pontos-chave para o setor sucroenergético em 2024 

  • Redução da contribuição da cana planta e aumento da idade média do canavial, atrasando a necessidade de reforma;
  • Plantio atrasado em 2023 resulta em cana com menor tempo de crescimento e menor produtividade;
  • Aumento do plantio mecanizado, elevando o consumo de mudas e os custos de produção;
  • Entressafra curta, com início antecipado em fevereiro/março e prioridade para cana bisada;
  • Safra focada em açúcar, com mix superior a 50% no centro-sul e possível aumento de 2 milhões de toneladas;
  • Maior oferta de etanol de milho, pressionando para baixo os preços do biocombustível;
  • Queda nos custos de insumos (fertilizantes e defensivos), aliviando os gastos de produção;
  • ATR projetado em queda para 24/25, entre R$ 1,10 e R$ 1,15/kg;
  • Boas margens de lucro, com preços adequados e custos menores;
  • Clima decisivo para definir a produtividade da safra 24/25.

Melhore seu plantio com Aegro

Diante desses desafios, muitos produtores de cana enfrentam dificuldades para acompanhar as demandas de um mercado em constante mudança. 

O uso de tecnologias, como o software da Aegro, pode ajudar a otimizar a gestão do canavial, monitorando a produtividade, o uso de insumos e a análise de dados em tempo real. 

Com Aegro, você pode tomar decisões informadas que garantam a eficiência do seu plantio e maximizem os resultados.

Faça uma demonstração gratuita do Aegro e descubra como podemos ajudar a resolver as dores do seu dia a dia na produção de cana-de-açúcar!

5 passos para fazer o cultivo do consórcio cana e milho

Consórcio cana e milho: saiba quais são as vantagens, desvantagens e o que você deve considerar antes de optar por ele

A Embrapa lançou em outubro de 2021 uma tecnologia de consorciação de cana com milho.

O consórcio alia rentabilidade e sustentabilidade. Além disso, pode te ajudar no plantio da cana para um período de menor demanda.

A união da cana com o milho pode proporcionar um melhor aproveitamento da área e reduzir perdas de solo por erosão.

Neste artigo, você vai conhecer melhor essa tecnologia de consorciação que gera tantos benefícios. Confira a seguir!

5 passos para cultivar o consórcio cana e milho

1. Faça a análise química do solo

A análise química do solo é importante para a correção e adubação adequadas da área.

As doses de macro e micronutrientes recomendadas para cada cultura devem ser somadas e consideradas para a adubação de todo sistema.

somadas e consideradas para a adubação de todo sistema.

2. Prepare o solo

O plantio deve ser nivelado, sem realizar a operação de quebra-lombo.

Na fase de plantio, recomenda-se a utilização de piloto automático com correção RTK (Real Time Kinematic).

Se a área ficar desuniforme depois do plantio, com torrões ou camalhões, será necessário passar um rolo destorroador ou uma grade niveladora. Assim, você irá melhorar a qualidade de semeadura do milho.

3. Escolha as variedades de cana e milho

É recomendado o uso de variedades de cana com germinação mais lenta. Para o milho, escolha o de ciclo precoce, com alta inserção de espigas.

Foto de uma lavoura com consórcio de cana de açúcar e milho. Na imagem, é possível ver as duas culturas no mesmo estande.

Alta inserção de espiga do milho consorciado para não danificar a cana durante a colheita

(Foto: Fabiano Bastos, 2020) 

4. Plantio das culturas

Faça o tratamento dos toletes de cana com inseticidas e fungicidas. Eles devem ser distribuídos entre 15 a 20 gemas viáveis por metro linear, com espaçamento entre linhas de 1,5 m.

Após o plantio da cana, faça a semeadura do milho o mais rápido possível. Dessa forma você diminuirá a necessidade de supressão da cana com herbicida.

Foto de lavoura em fase inicial do estabelecimento do consórcio de cana e milho. Na foto, as plantas ainda estão pequenas, dispostas entre linhas

Fase inicial de estabelecimento do consórcio

(Foto: Fabiano Saggin, 2020)

As sementes de milho devem ser tratadas com fungicida e inseticida para garantir um bom estande de plantas.

Semeie o milho com piloto automático com correção RTK. O  espaçamento do milho deve ser de 0,5 m entre linhas e a 0,25 m das linhas de cana.

A semeadora do milho deve ser compatível com o espaçamento da cana.

Em uma lavoura de cana com espaçamento de 1,5 m, podem ser utilizadas semeadoras com três, seis ou doze linhas espaçadas em 0,5 m.

A semeadora deverá ser tracionada por trator com bitola entre 1,5 m e 2,4 m de largura, para trafegar nas entrelinhas da cana e não sobre o sulco de plantio.

5. Colha o milho

Acompanhe a maturação dos grãos de milho e o crescimento da cana. Caso o crescimento da cana acelere, a colheita do milho deverá ser iniciada o mais rápido possível.

A colhedora de milho não pode ter rodado duplo, para evitar o tráfego sobre o sulco de plantio da cana.

A plataforma de colheita deve ter no mínimo 9 linhas, com espaçamento de 0,5 m.

Na colheita, não é necessário o uso de piloto automático com correção RTK.

Após a colheita do milho, o manejo fitossanitário da cana consorciada é o mesmo da cana solteira.

O que considerar antes de optar pelo consórcio Canamilho

Antes de analisar as vantagens e desvantagens do consórcio, você deve considerar dois pontos:

  • você precisa ter condições de adquirir piloto automático com correção RTK;
  • você precisa ter semeadora de milho compatível com o espaçamento da cana.

Benefícios do consórcio cana e milho

A tecnologia Canamilho antecipa o plantio da cana para o início do período chuvoso (novembro). Nessa fase de implantação, seu crescimento é lento por causa da competição por luz.

O crescimento da cana só retorna no fim do período chuvoso, quando o milho é colhido.

Isso amplia a janela de plantio e desafoga a implantação do canavial. Afinal, a maior demanda ocorre em março.

A cana consorciada é cultivada como cana de ano. No entanto, apresenta rendimentos semelhantes à cana de ano-meio.

O uso do consórcio Canamilho tem vantagens em relação ao cultivo solteiro.

Tabela com informações sobre renda de lavoura de cana solteira e de cana com milho. A cana solteira rendeu 1.693 reais por hectare. A cana consorciada com milho rendeu 6.898 reais por hectare.

A tecnologia Canamilho não afeta a produtividade das culturas consorciadas

(Fonte: Embrapa, 2021)

Desta forma, a renovação do canavial através do consórcio é promissora e economicamente viável.

Veja alguns benefícios do consórcio Canamilho:

  • pode aumentar a produtividade da cana-de-açúcar no Cerrado;
  • antecipa o plantio da cana para um período de menor demanda;
  • permite ampliar a janela de semeadura do milho;
  • otimiza a produção por área;
  • evita a abertura de novas áreas de cultivo;
  • maior potencial de geração de etanol por área;
  • mesmo plantada em novembro, a cana apresenta comportamento e rendimento semelhantes a cana de ano-meio.
  • reduz perdas de solo por erosão e melhora o aproveitamento do solo;
  • potencializa a produção de etanol de cana e milho em usinas flex;
  • favorece a emissão de créditos de descarbonização, como prevê a política RenovaBio.

Desvantagens 

  • no sistema Canamilho, a adubação nitrogenada pode ser maior;
  • aumento no uso de pesticidas para o controle de pragas comuns entre as culturas;
  • solos arenosos e de baixa fertilidade apresentam pouca aptidão para o milho e necessitam de correções do solo.

Dicas de manejo de plantas daninhas 

Devem ser utilizadas estratégias para evitar a fitointoxicação ou perda de produtividade das culturas. Ela pode ser causada por herbicidas ou pela interferência das plantas daninhas.

É importante fazer um manejo que permita que o milho seja colhido sem plantas daninhas. Essa é uma forma de facilitar o manejo na cana-de-açúcar.

O herbicida a ser utilizado deve ser seletivo para as duas culturas, dentro de doses que elas tolerem.

Tenha precisão na escolha desses produtos para não haver nenhum tipo de dano no milho e na cana.

Veja algumas opções no mercado que atendem a esses critérios:

  • Pré-emergente: atrazina (seletivo e boa performance de controle);
  • Pós-emergente: atrazina + mesotrione (excelente controle e não acarreta danos para as culturas).

Caso o desenvolvimento da cana interfira no do milho, é necessário aplicar algum produto químico que trave o crescimento da cana.

Se o híbrido de milho utilizado for resistente ao herbicida glifosato, ele pode ser utilizado em dose baixa (menor que 180 g de equivalente ácido por hectare)

Dessa forma, ele inibirá apenas o desenvolvimento da cana.

Se for um híbrido de milho convencional, você pode aplicar nicosulfuron, na dose de 6 g por hectare.

Para o manejo adequado é preciso monitorar a pressão de pragas e doenças na cana e no milho.

Faça a  aplicação de inseticidas e fungicidas conforme recomendação técnica.

Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O consórcio cana e milho pode aumentar a produtividade da cana-de-açúcar e potencializar a produção de etanol de cana e milho em usinas flex.

Proporciona a antecipação do plantio da cana para um período de menor demanda. Além disso, melhora o aproveitamento do solo e reduz as perdas por erosão.

Agora que você tem essas informações, avalie se o consórcio Canamilho é interessante para a realidade da sua fazenda.

>> Leia mais: “Como fazer a implantação e o manejo do consórcio milho-braquiária”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Já pensou em utilizar o consórcio cana e milho em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

Plantio cana ano-meio: Quais as particularidades e orientações para melhorar o canavial

Plantio cana ano-meio: veja dicas para auxiliar no manejo como espaçamento, uso de vinhaça e de torta de filtro, épocas de plantio e mais. 

Você sabia que o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo? São mais de 8,6 milhões de hectares cultivados (SENAR, 2018).

A cana-de-açúcar é uma cultura com três épocas de plantio: cana de ano (outubro a dezembro – início da estação chuvosa), cana de ano e meio (janeiro a março) e cana de inverno (locais com disponibilidade de água).

A seguir, vamos tratar sobre o plantio cana ano-meio, suas características e dicas para melhor produtividade no canavial. Confira!

Plantio cana ano-meio: definição

A cana de ano-meio é aquela com ciclo de 18 meses, com plantio entre janeiro a março.

No entanto, de abril a agosto (devido ao inverno) o crescimento da cana de ano e meio é lento. 

Assim, a cultura começa a vegetar entre os períodos de setembro a abril, amadurecendo nos próximos meses até completar de 16 a 18 meses.

O plantio cana ano-meio é o mais utilizado pelo produtores rurais, devido às maiores produtividades, mas é necessário um tempo maior para a colheita.

plantio cana ano-meio

Ciclos da cana-de-açúcar e variações na temperatura e pluviosidade da região centro-sul do Brasil
(Fonte: Luis Fernando Sanglade Marchiori)

Vantagens do plantio de cana de ano e meio

No ano, o período de janeiro a março é o melhor para o plantio de cana-de-açúcar.

Isso porque esses meses apresentam temperatura e umidade que favorecem a brotação da cana-de-açúcar.

Essa brotação rápida reduz a incidência de doenças nos toletes, como a podridão abacaxi que é causada pelo fungo Thielaviopsis paradoxa. A doença ocorre devido ao atraso na brotação das gemas, a baixas temperaturas e seca no plantio.

Estádios de desenvolvimento da cana-de-açúcar

Estádios de desenvolvimento da cana-de-açúcar
(Fonte: YARABRASIL, 2016

Quer saber mais sobre o plantio de cana-de-açúcar? Leia também o artigo: Como plantar cana-de-açúcar para altas produtividades”.

Espaçamento do plantio cana ano-meio

O espaçamento utilizado varia de acordo com a fertilidade do solo e com a variedade de cana-de-açúcar, sendo uniforme ou combinado.

Assim, o espaçamento uniforme é aquele em que as distâncias entre os sulcos são iguais em toda área de plantio.

Já o combinado é conhecido como espaçamento abacaxi em cana-de-açúcar, feito com duas linhas de cana plantadas, a 30 cm de distância uma da outra, com espaçamento da entrelinha de 1,50 metros – num total de 1,80 metros. 

O objetivo do espaçamento combinado é de propiciar condições para o controle do tráfego.

Em solos mais arenosos, utiliza-se espaçamento de 1 m ou 1,20 m, pois permitem que a cana-de-açúcar feche mais rápido a entrelinha, reduzindo gastos com o controle de plantas daninhas.

Em solos férteis e nas áreas onde a colheita for mecanizada, o espaçamento deve ser de pelo menos 1,5 m para evitar a compactação e o pisoteamento das linhas.

plantio cana ano-meio

(Fonte: Professor Doutor Alexandrius de Moraes Barbosa)

Épocas de plantio em função dos ambientes de produção

Como sabemos, a cana-de-açúcar possui ambientes de produção e o plantio dos canaviais pode variar de acordo com este fator.

Veja na figura abaixo como o plantio pode variar de acordo com o solo, sua textura, o relevo e as épocas de plantio.

Épocas de plantio da cana-de-açúcar

Épocas de plantio da cana-de-açúcar em função dos ambientes de produção, tipos de solos, drenagem, textura e relevo
(Fonte: Boletim Técnico IAC, 2016)

Adubação de base para plantio cana ano-meio

A adubação na cultura da cana-de-açúcar vai ser diferente se for cana-planta ou cana-soca.

Na cana-planta, ou seja, no plantio da cultura, utiliza-se altas doses de fósforo e potássio, mas baixas doses de nitrogênio.

Já em cana-soca, utiliza-se altas doses de nitrogênio e potássio e baixas doses de fósforo.

Os nutrientes que devem ser fornecidos com a adubação em cana-de-açúcar são: 

  • Nitrogênio; 
  • Fósforo;
  • Potássio;
  • Cálcio;
  • Magnésio;
  • Enxofre;
  • Boro;
  • Cobre;
  • Manganês;
  • Zinco;
  • Molibdênio. 

A quantidade a ser colocada de cada nutriente varia na extração e exportação destes pela cultura. 

Extração e exportação de macronutrientes para a produção de 100 t de colmos
(Fonte: Vitti et al. (2005))

Extração e exportação de micronutrientes para a produção de 100 t de colmos
(Fonte: Vitti et al. (2005))

Quer saber mais sobre adubação de cana-de-açúcar? Leia também o artigo: Adubo para cana: principais recomendações para alta produtividade”.

Uso de vinhaça em cana-de-açúcar

A vinhaça é o resíduo da produção de álcool etílico (etanol), sendo que a cada litro de etanol produzido, 12 litros de vinhaça são gerados.

Desta forma, a vinhaça é aplicada nos canaviais com o objetivo de atingir maiores produtividades e reduzir o uso de fertilizantes nas lavouras.

Além disso, com esse método também é possível reduzir o uso de água para irrigação e aumentar a fertilidade dos solos, o que reduz custos.

Entretanto, deve-se lembrar que há um limite no uso de até 300 m³/ha. O uso em excesso pode causar danos em solos rasos e/ou arenosos, além de contaminação de água subterrânea.

A vinhaça é capaz de fornecer ao solo água e nutrientes, como cálcio, magnésio e potássio, o que contribui para altas produtividades dos canaviais.

Geralmente, é utilizada na cana-soca fornecendo parte do nitrogênio e todo o potássio necessário para o canavial.

Em doses adequadas, as principais vantagens de utilizar a vinhaça no plantio cana ano-meio são:

  • Aumento da produtividade do canavial;
  • Melhora das propriedades químicas e biológicas do solo;
  • Aumento da matéria orgânica;
  • Ajuda na melhora da fertilidade do solo;
  • Aumento do poder de retenção de água pelo solo.
plantio cana ano-meio

Plantio de mudas pré-brotadas de cana-de-açúcar
(Fonte: da autora)

Uso da torta de filtro nos canaviais

A torta de filtro, assim como a vinhaça, também é um resíduo da indústria sucroenergética.

Em sua composição podemos encontrar de 1,2% a 1,8% de fósforo, 70% de umidade, alto teor de cálcio, uma boa quantidade de micronutrientes e 50% de fósforo prontamente disponível para a planta.

Para saber mais sobre o uso de fósforo em cana-de-açúcar, leia também o artigo: Como fazer manejo de fósforo para aumentar a produção de cana”.

A alta concentração de umidade na torta de filtro é muito importante nos plantios realizados durante o inverno, porque precisam da umidade para a brotação.

O método é muito utilizado em cana-planta, na dose de 80 a 100 toneladas/ha. Em cana-soca pode ser aplicada a torta de filtro de 40 a 60 toneladas/ha nas entrelinhas.

Também pode ser utilizada na dose de 15 a 35 toneladas/ha (sulco) em área total.

planilha ponto otimo de renovacao canavial

Conclusão

Neste texto vimos mais sobre o que pode auxiliar o produtor para manter ou aumentar a produtividade dos canaviais, principalmente em plantio cana ano-meio. 

Conferimos também as épocas de plantio, adubação, espaçamento, uso de vinhaça, torta de filtro, entre outras particularidades da cultura da cana-de-açúcar.

O plantio da cana pode ser feito em três épocas e em usinas, com o devido planejamento, todas são utilizadas. Cada uma tem suas particularidades e envolvem alguns cuidados diferentes. 

>> Leia Mais:

5 passos para fazer o cultivo do consórcio cana e milho

Como fazer o melhor manejo da broca da cana-de-açúcar

E você, tem mais dicas sobre plantio cana ano-meio? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Como fazer o melhor manejo da broca da cana-de-açúcar

Broca da cana-de-açúcar: características, sintomas da praga no canavial e diferentes formas de controle para evitar prejuízos.

A broca da cana-de-açúcar é considerada praga-chave da cultura por estar presente em todo o território nacional e em outros países do continente Americano.

Sua presença na lavoura pode representar perdas significativas na produtividade, além de afetar a qualidade da produção de açúcar e de etanol.

Mas como fazer para identificar esta praga? Qual parte da planta ela ataca e como fazer um controle eficaz? Veja a seguir! 

Importância da broca da cana-de-açúcar

Esta praga é pertencente à ordem Lepidoptera e as principais espécies são Diatraea saccharalis e Diatraea flavipennella. A primeira pode ser encontrada em todo o território brasileiro enquanto a segunda é mais frequente na região nordeste do Brasil.

Daremos maior ênfase aqui para a espécie Diatraea saccharalis

A mariposa tem coloração amarelo-palha com manchas escuras nas asas anteriores e cor branca nas asas posteriores. 

 Diatraea saccharalis

Adulto de Diatraea saccharalis; broca-da-cana é importante praga da cultura 
(Fonte: Invasive.org)

Os ovos são colocados nas folhas, tanto na parte abaxial como adaxial, de forma imbricada (coberta parcialmente)

Após a eclosão, as lagartas (de coloração branco-leitosa e com pontos escuros ao longo do corpo) permanecem por um tempo nas folhas e se alimentam do parênquima foliar, por meio da raspagem.

Ovos de broca-da-cana

Ovos de broca-da-cana podem ser observados nas partes abaxial e adaxial folhas
(Fonte: Panorama Fitossanitário) 

Entre o segundo e o terceiro ínstar, as lagartas migram para o colmo da planta, o perfurando. Ali permanecem consumindo o conteúdo interno e formando galerias abertas.

broca da cana-de-açúcar

Lagarta de Diatraea saccharalis dentro do colmo 
(Fonte: Agro Bayer) 

Além disso, o ciclo total da broca da cana-de-açúcar dura até 90 dias, por isso pode haver ocorrência de quatro a cinco gerações por ano na lavoura. 

Danos da broca-da-cana

Esta praga causa danos diretos e indiretos na cultura da cana. 

Os danos diretos são causados pelo ataque da praga no colmo, formando galerias longitudinais e transversais. Isso impede o fluxo da seiva e pode, pela ação do vento, causar a quebra ou tombamento das plantas. 

Também podem ocorrer problemas como perda de peso, morte das gemas, secamento dos ponteiros (conhecido como coração morto), enraizamento aéreo e brotações laterais. 

Danos diretos causados por broca da cana-de-açúcar
(Fonte: Manual de Identificação de Pragas da Cana

De maneira indireta, a abertura de orifícios torna a planta mais suscetível ao ataque de microrganismos como Colletotrichum falcatum e Fusarium moniliforme, que causam doenças como a podridão vermelha. Isso diminui a pureza do caldo pela inversão da sacarose. 

podridão vermelha

Danos indiretos causados por broca-da-cana – podridão vermelha
(Fonte: Manual de Identificação de Pragas da Cana)

Controle da broca da cana-de-açúcar

Uma praga que fica, na maior parte de seu desenvolvimento, dentro do colmo, parece ser impossível de ser controlada.

Mas existem diversos métodos de controle capazes de reduzir a população da broca da cana-de-açúcar de maneira efetiva dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP)

E, como em qualquer outra cultura, é essencial realizar o monitoramento. 

Monitoramento

O controle deve ser baseado na intensidade de infestação da praga. Para isso, é necessário fazer cortes dos colmos da cana. 

É importante que sejam feitos levantamentos de 2 a 4 meses após o plantio (cana-planta) ou após o corte da cana (cana-soca). 

O ideal é fazer dois pontos de amostragem por hectare em sistema de mosaico:

  • Duas ruas de 5 metros cada (total de 10 m por ponto); 
  • Cada ponto amostrado deve ter um espaçamento de 50 m x 100 m;
  • Devem ser coletados cerca de 100 colmos por talhão. 
levantamento populacional da broca da cana-de-açúcar

Esquema de levantamento populacional da broca da cana-de-açúcar
(Fonte: Socicana) 

Para calcular a intensidade de infestação (IF), deve-se contar o número de internódios e o número de internódios atacados e usar a seguinte fórmula:

IF= 100 x n° internódios atacados
n° total de internódios

Se o IF estiver em nível igual ou maior do que 3%, é imprescindível entrar com controle. 

Veja as formas de controle a seguir.

Controle biológico 

Quando existe infestação em nível igual ou maior do que 3%, a maneira ideal de controlar as lagartas é por meio da liberação da vespa parasitoide Cotesia flavipes. 

Cotesia flavipes e lagarta da broca-da-cana

Cotesia flavipes parasitando lagarta da broca-da-cana
(Fonte: Defesa Vegetal) 

Muitas usinas têm produção própria, mas também existem muitas biofábricas que produzem este parasitoide em larga escala. 

A liberação vai depender da população da broca no campo. 

bula de Cotésia Biocontrol

Tabela com informações da bula de Cotésia Biocontrol
(Fonte: Agrofit

Um outro parasitoide muito utilizado é a espécie de microvespa Trichogramma galloi. Ela também tem registro de várias empresas no site do Mapa (Agrofit).

O Trichogramma galloi, diferente da Cotesia flavipes, parasita ovos da broca da cana-de-açúcar. 

Trichogramma galloi

Trichogramma galloi parasitando ovos da broca-da-cana
(Fonte: Defesa Vegetal) 

Juntos, esses dois parasitoides podem controlar até 60% da infestação da broca da cana-de-açúcar.

Existem outros inimigos naturais que ocorrem naturalmente nos canaviais. O ideal é que sejam conservados para que possam contribuir na redução da população da praga.

Controle cultural 

O controle cultural também pode ser feito para prevenir que a praga atinja o nível de controle. 

Alguns métodos são bastante difundidos e têm tido sucesso, alguns deles são:

  • Eliminar plantas hospedeiras;
  • Corte da cana sem desponte;
  • Moagem rápida da cana.

Variedade resistente

Utilizar variedade com uma boa tolerância ou resistência à praga pode contribuir muito no controle da broca-da-cana. 

Como, por exemplo, a variedade CTC9001BT que foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no final do ano de 2018. 

Controle químico

Embora não atinja a broca quando já está alojada dentro do colmo, os inseticidas podem contribuir na redução das lagartas neonatas, logo após a eclosão. 

Logo após a eclosão, as lagartas ficam um período se alimentando das folhas por raspagem. Esse período pode durar de 2 a 6 dias. E é nesse momento que, se necessário, pode entrar com o controle químico.

Existem 45 produtos registrados para o controle de Diatraea saccharalis pelo MAPA que estão no site Agrofit

Produtos registrados pelo MAPA para controle de Diatraea saccharalis
(Fonte: Agrofit)

É importante que os inseticidas sejam seletivos aos inimigos naturais presentes no agroecossistema. Além disso, fazer rotação de ingrediente ativo impede que ocorra seleção de insetos resistentes. 

Veja alguns exemplos de inseticidas mais seletivos:

  • Altacor (clorantraniliprole)
  • Atabron (clorfluazuron)
  • Certero (triflumuron)
  • Mimic (tebufenozida)
  • Rimon (novaluron)

As doses e caldas podem ser encontradas na bula dos produtos de acordo com cada fabricante. 

Sempre consulte um engenheiro agrônomo.

Conclusão

A broca da cana-de-açúcar é a principal praga da cultura canavieira.

Os danos causados podem ser tanto diretos como indiretos e prejudicar muito a produção final.

A lagarta passa a maior parte do seu desenvolvimento dentro do colmo, por isso o monitoramento é importante. 

Existem diversos métodos de controle pelo manejo integrado de pragas que podem ser utilizados de forma concomitante, como você viu aqui.

Com essas informações, ficará mais fácil fazer o manejo adequado da broca e evitar prejuízos na lavoura.

>> Leia mais:

Nematoides na cana-de-açúcar: como reconhecer e manejar

Plantação de cana-de-açúcar: maior produtividade e ponto ótimo de renovação

Colheita de cana: 5 dicas para otimizar a sua

Restou alguma dúvida sobre a broca da cana-de-açúcar? Você já enfrentou problemas com essa praga na sua lavoura? Adoraria ler seu comentário!

Adubo para cana: principais recomendações para alta produtividade

Adubo para cana: nutrientes mais requeridos, recomendações das doses, principais fontes e como fazer a adubação líquida no canavial.

Já fez a adubação para cana este ano?

A adubação do canavial parece simples, mas alguns macetes fazem a diferença para conseguir uma produtividade acima da média.

Reunimos aqui os principais pontos de atenção, como a extração de nutrientes pela cana e as doses mais recomendadas. Confira!

Adubo para cana-de-açúcar

Em cana-de-açúcar, assim como nas demais culturas, para realizar a adubação precisamos saber qual a quantidade de nutriente requerida pela cultura e em qual quantidade o solo pode fornecer. 

Assim, temos a fórmula abaixo:

Adubação = (nutriente requerido pela planta – nutriente fornecido pelo solo) x F

F é o fator de aproveitamento do fertilizante.

Na figura abaixo podemos ver que a cana-de-açúcar extrai diferentes quantidades de cada nutriente, de acordo com a fase de desenvolvimento da cultura.

macronutrientes cana

(Fonte: Yara)

Vamos ver agora alguns dos nutrientes essenciais e que não podem faltar na hora da adubação.

Recomendação de adubação para cana-de-açúcar

Nitrogênio

Em relação à adubação com nitrogênio, a cana-planta apresenta normalmente respostas baixas à adubação nitrogenada. 

Por isso, em geral é recomendado a dose de 30 Kg/ha para cana-planta, independentemente da produtividade esperada.

Já as soqueiras de cana-de-açúcar respondem melhor à adubação nitrogenada. Segue abaixo a recomendação:

Adubação de nitrogênio cana-soca

Adubação de nitrogênio para cana-soca

Fósforo

O nutriente mais limitante em área de expansão de cana-de-açúcar é o fósforo.

A cana-planta pode receber até 180 kg P2O5 ha-1. Já nas soqueiras, esse valor é reduzido para 30 kg a 60 kg P2O5 ha-1. 

Adubação de fósforo cana-planta

Adubação de fósforo para cana-planta

Já na cana-soca, a recomendação mais aceita é aquela que, para fósforo resina até 15 mg/dm³, deve-se colocar 30 Kg/ha da fórmula de fósforo, como vemos abaixo:

Adubação de fósforo cana-soca

Adubação de fósforo para cana-soca

Potássio

O potássio é outro importante macronutriente tanto em cana-planta como na cana-soca. 

No entanto, o excesso de potássio ou sua falta pode diminuir a qualidade da cana-de-açúcar. Para isso, veja a recomendação:

Adubação de potássio cana-planta

Adubação de potássio para cana-planta

Adubação de potássio cana-soca

Adubação de potássio para cana-soca

Micronutrientes

No caso dos micronutrientes, em solos de menor fertilidade, o cobre e o zinco são os mais limitantes para a cultura da cana. 

Para a correção da deficiência desses micronutrientes você pode seguir a recomendação abaixo ou, segundo outros estudos, fazer a adubação no sulco de plantio, na dose de 5 a 7 t ha-1  de zinco e cobre.

Para manganês, pode ser utilizado o sulfato de ferro ou de manganês a 1%. No caso do boro, pode ser usado 20 kg a 30 kg de bórax ha-1 no solo ou pulverização com ácido bórico 0,5%. 

adubo para cana

Efeito da aplicação de micronutrientes em cana-de-açúcar
(Fonte: Mellis e Quaggio, 2009)

Extração e exportação de nutrientes na cana-de-açúcar

Além de carbono, hidrogênio e oxigênio, a cana-de-açúcar necessita de uma série de outros nutrientes.

Alguns elementos são exigidos em maiores quantidades, por isso são conhecidos por macronutrientes. São eles: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre.

adubo para cana

Extração e exportação de macronutrientes para a produção de 100 toneladas de colmo (Orlando, 1993)
(Fonte: Vitti et al.)

Outros são exigidos em menores quantidades e, por isso, são denominados micronutrientes. São eles: boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco.

Extração e exportação de micronutrientes

Extração e exportação de micronutrientes para a produção de 100 toneladas de colmo (Orlando, 1993)
(Fonte: Vitti)

Tipos de adubo para cana

Podemos ter diferentes fontes minerais para adubação na cana-de-açúcar.

Em relação ao nitrogênio, pode ser utilizada a ureia, desde que ela seja levemente incorporada ao solo em uma profundidade de 5 cm. Isso reduz as perdas por volatilização.

Outra fonte de nitrogênio que pode ser utilizada é o sulfato de amônio, que também irá fornecer enxofre ao sistema. 

Sulfato de amônio (SA)

Vantagens do sulfato de amônio (SA)
(Fonte: Advansix)

Fontes de nitrogênio mais utilizadas

  • Ureia (45% de N);
  • Sulfato de amônio (21% de N e 23% de enxofre);
  • Nitrato de potássio (13% de N e 44% de K2O);
  • Fosfato monoamônico ou MAP (10% de N e 46 a 50% de P2O5);
  • Fosfato diamônico ou DAP (16% de N e 38 a 40% de P2O5).

No caso do fósforo, a adubação fosfatada não vai interferir na qualidade da cana-de-açúcar. Mas, os fosfatos solúveis, inclusive o termofosfato e o multifosfato magnesiano, produzem melhores resultados que os fosfatos naturais.

Principais fontes de fósforo

  • Fosfato monoamônico ou MAP (10% de N e 46 a 50% de P2O5);
  • Fosfato diamônico ou DAP (16% de N e 38 a 40% de P2O5);
  • Superfosfato simples ou super simples (16% a 18% de P2O5 e 18% a 20% de cálcio);
  • Superfosfato triplo ou super triplo (41% de P2O5 e 7 a 12% de Ca);
  • Termofosfato (18% de P2O5, 9% de magnésio, 20% de Ca e 25% de SiO4).

Fonte de potássio

O suprimento de potássio para a cana-de-açúcar pode ocorrer por meio do uso da vinhaça. 

A vinhaça e a torta de filtro são resíduos da fabricação do açúcar e do álcool. 

Na produção de açúcar, 1 tonelada de cana-de-açúcar gera 35 kg de torta de filtro. Cada litro de álcool produzido resulta em 10 a 13 litros de vinhaça. 

A vinhaça é rica em potássio; já a torta de filtro, em fósforo e cálcio.

No caso da torta de filtro, a aplicação pode ser feita em área total em pré-plantio, no sulco de plantio e nas entrelinhas.

Em área total utiliza-se de 80 a 100 t ha-1 de torta de filtro. No sulco de plantio, de 10t a 20 t ha-1; e, nas entrelinhas da cana-de-açúcar, de 40 a 50 t ha-1.

Principais fontes de potássio:

  • Cloreto de potássio, sulfato de potássio (48% a 50% ou 60% a 62% de K2O);
  • Nitrato de potássio (16% de N e 46% de K2O).

Adubo para cana: adubação líquida

A adubação líquida contribui para o aumento da produtividade dos canaviais, pois melhora o aproveitamento dos nutrientes aplicados.

Com a adubação líquida, evitam-se perdas por fixação e lixiviação, além de benefícios químicos, físicos, biológicos e fisiológicos ao solo e às plantas.

Geralmente a adubação líquida é feita via foliar para suprir uma necessidade nutricional imediata. Por isso, a adubação foliar sempre vai ser complementar.

Pode ser utilizada adubação líquida no plantio da cana, fazendo a pulverização dos nutrientes nos colmos-semente ou na soqueira, principalmente com fósforo, boro e zinco.

adubo para cana

Chave para determinar sintomas de deficiências
(Fonte: Rossetto e Dias, 2007)

Custos do adubo para cana-de-açúcar

O preço do adubo para cana vai depender da quantidade que você vai precisar e qual irá utilizar.

Assim, primeiro deve ser estudada a análise de solo para identificar quais as deficiências de nutrientes conforme a produtividade esperada.

Produtividade média de cana

Produtividade média de cana (colmos, açúcar e etanol), qualidade e viabilidade econômica em resposta à aplicação de micronutrientes em oito locais
(Fonte: Mellis e Quaggio, 2009)

planilha ponto otimo de renovacao canavial

Conclusão

A deficiência de macro e micronutrientes reduz a produtividade no campo. E, uma correta adubação se torna essencial para garantir bons resultados na lavoura.

Vimos neste artigo que a cana-de-açúcar requer quantidades diferentes de nutrientes ao longo do seu ciclo.

Também vimos que existem vários tipos de adubos minerais que podem ser utilizados, além dos adubos orgânicos, como a vinhaça e a torta de filtro.

Agora que você entendeu um pouco mais sobre a adubo para cana, que tal colocar em prática?

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Colheita de cana: 5 dicas para otimizar a sua

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre adubo para cana? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Colheita de cana: 5 dicas para otimizar a sua

Colheita de cana: Como reduzir as perdas, além de quais são as principais dicas e tecnologias para obter melhores resultados na sua colheita.

Você sabia que o Brasil é o maior produtor e exportador de cana-de-açúcar?

Mas, mesmo com alta produtividade, as perdas na colheita são muitas.

Do total produzido, mais de 10% é perdido neste período, considerando a colheita mecanizada de cana. E isso representa um prejuízo enorme para o agricultor.

Neste artigo, compartilho algumas estratégias para otimizar esse processo e ter melhores resultados. Confira a seguir!

Sistemas de colheita de cana e seus impactos na produtividade

Os sistemas de colheita de cana-de-açúcar passaram por significativas mudanças. Passamos, por exemplo, da colheita manual (corte manual) para a mecanizada.

A colheita mecanizada de cana picada contribui para um sistema mais sustentável, pois reduz custos. Não precisa haver a queima (colheita de cana crua), além de deixar a palha no sistema.

Segundo um levantamento do Centro de Tecnologia Canavieira, em menos de 10 anos, a região centro sul do Brasil saiu de 47% de índice de mecanização em 2008 para 97% em 2015.

Entretanto, mesmo com os avanços em tecnologia, ainda há muitas perdas neste sistema.

No Brasil, uma colhedora é capaz de ter produção média de 400 a 700 toneladas por máquina.

Mas ainda existem grandes oportunidades para aumento da eficiência na colheita mecanizada.

Isso porque, como podemos ver pela figura abaixo, com a entrada da colheita mecanizada há redução da produtividade média, o que ocorre pelos danos que a máquina causa à soqueira, especialmente pelo corte e pisoteio das linhas.

Esses danos prejudicam a brotação e a planta como um todo o que acarreta na menor produtividade do canavial.

colheita de cana
(Fonte: Novacana)

Por isso, há muito o que se pesquisar e aperfeiçoar. Não é exatamente a máquina ou a operação que causam os danos, mas a forma como são realizadas, precisando maior cuidado e atenção à esta etapa.

5 dicas para otimizar a colheita de cana na sua propriedade

1. O planejamento da colheita começa no plantio: Processos importantes

Dentre as etapas de cultivo da cana-de-açúcar, muitos processos são importantes, como:

  • Escolha da área de plantio
  • Época de plantio e colheita
  • Atenção às necessidades da cultura: alta disponibilidade de água, altas temperaturas e alto índice de radiação solar
  • Planejamento da colheita

O ideal é planejar a época e cultivares de cana escalonados, não sobrecarregando apenas poucas semanas para a colheita.

Além disso, como podemos perceber, a colheita é uma etapa que demanda planejamento, especialmente porque muitos problemas podem acontecer:

  • Problemas climáticos
  • Sociais
  • Administrativos

Veja mais detalhes na tabela que eu separei:

colheita de cana
(Fonte: Opiniões)

Por isso, outro processo importante aqui é o cronograma para colheita. Ele deve ser flexível permitindo mudanças pelas imprevistos, mas que também tenha uma brecha para que a operação como um todo não atrase muito.

E qual o melhor momento para a colheita de cana?

O melhor momento é quando a cana atingir o máximo de teor de açúcar.

A maturação da cana depende da região e do sistema de cultivo, dentre outros fatores.

O planejamento de plantio e da colheita estão diretamente ligados, pois o sistema de produção poderá ser de 12 ou 18 meses.

O sistema de plantio da cana-de-açúcar pode ser:

  • Sistema de ano-e-meio;
  • Sistema de ano;
  • Plantio de inverno.

No sistema de ano-e-meio, o plantio ocorre entre janeiro e março e a cana colhida entre 16 e 18 meses após o plantio.

Neste sistema, o potencial de produtividade agrícola é maior, já que há mais tempo para crescimento da cultura.

O sistema de plantio de ano tem um período de 12 meses de cultivo, com início entre outubro e novembro.

A colheita de cana-de-açúcar na região Centro-Sul ocorre entre os meses de abril e novembro.

Para a região Nordeste, a colheita é entre novembro e abril.

O planejamento da colheita pode ser facilitado por algumas técnicas como: irrigação, maturadores, transporte da cana, entre outros.

2. Faça a colheita na hora certa

Como vimos, a colheita da cana deve ser feita quando ela atingir o máximo de açúcar. Para saber essa informação você pode contar com um aparelho chamado de refratômetro.

colheita de cana
(Fonte: Educalingo)

Com o refratômetro você poderá medir o Brix da cana-de-açúcar.

Para determinação do Brix você fará a média dos resultados obtidos da base, meio e ponta do colmo. A colheita deve ocorrer quando essa média for maior que 18.

Para determinar o Índice de Maturação você deve dividir o Brix do topo pelo Brix da base vezes 100.

Neste caso, a colheita deve ocorrer quando o Brix for próximo a 1.

colheita de cana
(Fonte: Na sala com Gismonti)

3. Preste atenção na velocidade da máquina!

Durante a colheita, deve-se prestar atenção na velocidade utilizada na máquina. Velocidades mais altas do que as recomendadas podem causar prejuízos.

Qualquer dano que atinja a soqueira compromete a longevidade do canavial, fazendo que seja necessário um investimento em renovação.

Hoje no Brasil, segundo estudo do CTBE (Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol), ocorrem 11% de perdas na colheita.

colheita de cana
(Fonte: Novacana)

4. Controle o tráfego de máquinas

O controle de tráfego dentro da área é muito importante, pois as máquinas pisoteiam as linhas de cana, o que reduz a produtividade.

Para contornar este problema, controle para que as rodas da máquina passem sempre no mesmo lugar no momento da colheita. Elas não devem passar sobre a linha de cana.

Para controle do tráfego, você pode investir no uso de piloto automático ou GPS.

Outras importantes dicas são:

  • Faça a colheita na época adequada
  • Utilize mão de obra especializada na colheita mecanizada
  • Use variedades de cana-de-açúcar adequadas à mecanização
  • Adeque o espaçamento da cana-de-açúcar e o maquinário, assim o trânsito ocorrerá sempre nas entrelinhas

colheita de cana
Comparativo entre cana colhida mecanicamente com e sem controle do tráfego
(Fonte: Novacana)

5. Acompanhe tendências de mercado

Procure sempre saber o que há de novo no mercado!

Por isso, vamos ver agora algumas inovações tecnológicas introduzidas nas colhedoras de cana-de-açúcar nos últimos anos.

Colhedora de 2 linhas de 1,5 m

colheita de cana
(Fonte: Revista RPA News edição 168/2015)

A colheita da cana-de-açúcar com máquina de duas linhas reduz o tráfego de colheita no canavial em 50%.

Isso, consequentemente, diminui a compactação do solo, além de reduzir o consumo de combustível.

colheita de cana
(Fonte: Revista RPA news – edição 168/2015)

Sistemas automáticos de ajuste de altura do corte de base

Durante a colheita da cana-de-açúcar, sabemos que é necessário fazer o corte o mais rente possível do solo.

Entretanto, também é preciso preservar a soqueira.

O controle automático de ajuste do corte de base possibilita um menor esforço da máquina. Além disso, reduz as perdas e não prejudica a longevidade da lavoura.

colheita de cana
(Fonte: Machado et al., 2018)

Piloto Automático

O piloto automático vem sendo muito utilizado na colheita da cana-de-açúcar.

Essa tecnologia ajuda a superar problemas que vieram com o sistema mecanizado: o pisoteamento de soqueiras e a compactação de solos.

Entre outros benefícios estão: aumentar a uniformidade entre os sulcos de plantio, reduzir o consumo de combustível e aumentar a capacidade operacional das máquinas.

Outras tecnologias disponíveis, segundo Roberto Biasotto são:

  • Automação dos Acionamentos da Manobra (Início e Final de Linha)
  • Câmeras Operacionais
  • Velocidade Variável Esteira do Elevador

Funções automatizadas para as manobras segundo Roberto Biasotto:

  • Rotação do motor
  • Altura do corte de base
  • Reversão do despontador
  • Inversão do disco de corte lateral
  • Desligamento do industrial
  • Giro do capuz do extrator primário
  • Redução da rotação do extrator primário e secundário
  • Esteira do elevador
  • Sistema de correção de rota
planilha ponto otimo de renovacao canavial

Conclusão

A colheita de cana mecanizada traz inúmeros benefícios, mas ainda tem problemas a serem resolvidos.

E neste artigo você viu muitas dicas de como melhorar o processo de colheita na sua propriedade.

Falamos sobre a plantação de cana, cálculo do teor de açúcar e velocidade ideal das máquinas. Também mostramos como a tecnologia pode te ajudar ao longo do processo.

Então, aproveite as dicas e boa colheita!

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Como plantar cana-de-açúcar para altas produtividades

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Como plantar cana-de-açúcar para altas produtividades

Como plantar cana-de-açúcar: tipos de plantio, melhor época, correção do solo e adubação para uma melhor formação de canavial.

A cultura da cana-de-açúcar tem grande importância econômica para o Brasil.

Segundo levantamento da Conab, a safra 2018/2019 deve alcançar produção de 615,84 milhões de toneladas.

Mas para se ter um canavial formado, o custo é alto: em média R$ 7.253,50 por hectare.

Por isso, saber como plantar cana-de-açúcar para obter alta produtividade é fundamental! E pode ser a diferença entre registrar lucro ou ‘empatar’ com os custos.

A seguir, vamos falar sobre a melhor época, tipo e espaçamento de plantio para sua lavoura e mais algumas dicas! Confira!

Como plantar cana-de-açúcar: sistemas e melhor época para plantio

A cana-de-açúcar pode ser plantada o ano todo. O que indicará a melhor época para plantio é o sistema que se deseja e a região em que a lavoura está.

Vou mostrar algumas divisões para a época de plantio:

Cana de ano (12 meses)

A cana de ano é plantada pouco tempo depois da última colheita e colhida no ano seguinte.

Assim, a área destinada à cana de ano sempre está cultivada com a cultura.

Normalmente, o plantio deve ocorrer entre setembro e novembro, em solos com alta fertilidade.

Trata-se de um ciclo rápido, por isso é necessária alta fertilidade do solo.

Cana de ano e meio (18 meses)

Após a última colheita do canavial, o solo fica vários meses descansando ou recebe uma cultura de rotação (soja e amendoim são os mais utilizados).

O plantio da cana de ano e meio acontece, normalmente, entre janeiro e março.

A cana inicia seu desenvolvimento nos primeiros três meses após o plantio.

Mas, com a chegada da seca e do inverno, esse processo se torna mais lento por cinco meses (de abril a agosto).

A planta então vegeta nos sete meses subsequentes (setembro a abril), para amadurecer nos meses seguintes. Para cortar a cana, espera-se entre 16 e 18 meses.

Cana de inverno

O plantio ocorre nos meses de inverno (junho a agosto).

Mas o produtor deve ter cautela com esta época de plantio, dependendo da região da lavoura, por ser um período de pouca chuva em vários locais do Brasil.

Uma estratégia é utilizar torta de filtro no sulco de plantio, pois contém cerca de 70% a 80% de umidade.

Pode-se também utilizar fertirrigação com vinhaça ou irrigação na área para melhor produtividade da cultura. Sobre isso, falarei mais adiante!

Agora vou mostrar os tipos de plantio e as recomendações para cada um deles!

planilha ponto otimo de renovacao canavial

Como plantar cana-de-açúcar: Tipos de plantio

Alguns tipos de plantio da cana-de-açúcar realizados no Brasil são:

Plantio manual:

Neste plantio, os colmos da cana-de-açúcar (muda) são colocados em uma carreta ou caminhão e são, manualmente, jogados no sulco de plantio.

O colmo dentro do sulco é fragmentado, e depois disso, o produtor deve cobrir o sulco. Ou seja, o trabalho manual é colocar os colmos no sulco e a sua fragmentação.

A quantidade de colmo utilizado no plantio é de 10 a 15 toneladas/hectare.

Plantio mecanizado:

Ocorre a colheita mecanizada da cana-de-açúcar por colhedoras, em que se obtém fragmentos de cana (rebolo – popularmente chamado de tolete).

Com um distribuidor mecanizado, há abertura do sulco de plantio, distribuição dos fragmentos de cana e, por fim, o fechamento do sulco.

como plantar cana-de-açúcar


(Fonte: Cana Online)

Plantio com mudas pré-brotadas (MPB) no sistema Meiosi:

A MPB é uma muda originada a partir de gemas individualizadas da cana-de-açúcar.

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(Fonte: Fernanda Testa/G1)

Veja as etapas descritas pelo IAC para a produção de MPB:

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A-Corte do minirebolo; B-Tratamento químico; C-Caixa de brotação;
D e E-Aclimatação; F-Obtenção do MPB.
(Fonte: IAC)

Um tipo de plantio realizado com a MPB é o Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente, mais conhecido por Meiosi.

A Meiosi visa a implantação de um sistema de viveiro na área da lavoura comercial que se deseja originar.

Fala-se em viveiro por utilizar MPB, que apresenta alta qualidade fitossanitária e vigor.

O método consiste em plantar com MPB de forma a intercalar um percentual da área de reforma.

Sua própria produção será utilizada como muda para o restante da área.

Assim, realiza-se o plantio com MPB de uma ou duas linhas, com espaço para o posterior plantio de 8 a 10 linhas.

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(Fonte: Notícias agrícolas)

Do período de crescimento das MPB até a colheita para plantio das linhas vizinhas, pode-se realizar o cultivo na área sem MPB com culturas de ciclo curto.

Inicialmente, o plantio das linhas seguintes do plantio da MPB era realizado de forma manual. Hoje já ocorre plantio mecanizado.

Depois de escolhidos a época e o tipo de plantio da cana-de-açúcar, você pode ficar em dúvida sobre qual espaçamento deve utilizar.

Vou falar sobre isso agora!

Como plantar cana-de-açúcar: Espaçamento do canavial

O espaçamento do seu canavial depende do solo, dos maquinários, da tecnologia empregada na sua propriedade e de outros aspectos.

O espaçamento adequado contribui para aumento da produção, já que interfere na oferta de luz, temperatura e água.

Por isso, você tem que conhecer os tipos de espaçamento e determinar qual é o melhor para a sua propriedade, levando em conta a relação custo/benefício. Veja como plantar cana-de-açúcar com:

Espaçamento simples:

O espaçamento simples ou tradicional apresenta distância entre as linhas de cultivo variando de 1,10 metro a 1,50 metro.

Espaçamento duplo:

No espaçamento duplo, as linhas de plantio se alternam, tendo uma distância maior e outra menor.

Os espaçamentos duplos mais comuns são: 1,50 m x 0,90 m; 1,40 m x 0,45 m; 1,60 m x 0,90 metro.

Lembrando que, para o espaçamento duplo, é realizado o corte (rente ao solo) mecânico simultâneo de dois sulcos (linhas).

Por isso, é importante ter maquinários adaptados a este cultivo, como colhedora de duas linhas, por exemplo, entre outros maquinários.

A profundidade do sulco, em ambos os casos, deve variar entre 20 cm e 30 centímetros.

Definidos época, tipo e espaçamento de como plantar cana-de-açúcar, você não pode se esquecer da adubação adequada e da correção do solo.

Como plantar cana-de-açúcar: Análise de solo e correção

Como plantar cana-de-açúcar sem considerar a fertilidade do solo em que estará a lavoura?

Por isso é essencial realizar a análise de solo. Assim, você conseguirá identificar a fertilidade e as necessidades do solo local.

E, como a cana-de açúcar é uma cultura semi-perene, permanecendo de 4 anos a 6 anos na área, a análise de solo deve ser feita na profundidade de até 40 cm a 50 cm.

Outro ponto importante é que ela deve ser realizada 3 meses antes do início do plantio.

Esse período é importante para que haja tempo suficiente de fazer calagem e gessagem, se necessárias.

Após a análise de solo, deve-se interpretar os dados para determinar o que precisa ser colocado na área.

Lembrando que verificar o pH do seu solo é extremamente importante.

Em solos com pH ácidos, os nutrientes podem ficar indisponíveis para as plantas.

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(Fonte: Malavolta, 1979 em Agronomia com Gismonti)

O ideal é que o pH do solo esteja entre 5,5 e 6,5. Caso contrário, deve ser corrigido.

Para reduzir a acidez, você pode utilizar a calagem, que também fornece cálcio e magnésio para as plantas.

Neste post do blog falamos “Tudo o que você precisa saber sobre cálculo de calagem (+calcário líquido)”. Confira!

Outra atividade agrícola que pode ser muito importante antes do plantio é a gessagem.

A gessagem é realizada com gesso agrícola, que é um condicionador de solo.

Ele neutraliza o alumínio, que é tóxico para as plantas, possibilitando aumento do sistema radicular.

Além disso, disponibiliza cálcio e enxofre para o solo.

Esse aumento do sistema radicular em profundidade é importante para a cana, pois a cultura fica por vários anos na área antes da reforma do canavial.

O que vai determinar a necessidade da gessagem é a análise de solo.

Adubação da cana-de-açúcar: Torta de filtro e vinhaça

Após as correções do solo, no plantio da cana-de-açúcar deve ser realizada a adubação.

Para determinar qual o adubo utilizar, também é importante verificar sua análise de solo.

Como já falamos recentemente aqui no Blog do Aegro, um nutriente muito importante para o cana-de-açúcar é o fósforo.

Neste post você pode conferir Como fazer manejo de fósforo para aumentar a produção de cana”.

Para o plantio da cana-de-açúcar você também pode utilizar a torta de filtro e a vinhaça.

(Fonte: Gurgel)

Torta de filtro

A torta de filtro é um resíduo proveniente da filtração do caldo extraído das moendas no filtro rotativo.

Sua constituição é de 1,2% a 1,8% de fósforo e de cerca de 70% de umidade quando sai do processo.

A torta de filtro pode ser usada no sulco de plantio da cana-de-açúcar, utilizando normalmente de 20t a 30 toneladas/hectare.

Vinhaça

A vinhaça é um resíduo da destilação do caldo para a obtenção de etanol. Ela possui grandes quantidades de matéria orgânica e potássio.

É possível e utilizar vinhaça como fertilizante (fertirrigação).

Ela pode promover melhoria na fertilidade do solo, mas a quantidade não deve ultrapassar sua capacidade de retenção de íons.

Isso significa que as dosagens dependem das características do solo.

A vinhaça pode ser utilizada no sulco de plantio da cana-de-açúcar.

Veja como calcular a quantidade de vinhaça para utilizar na sua área.

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(Fonte: Unica – Estado da arte da Vinhaça)

Com a análise de solo, você determina o que deve ser realizado.

Caso opte por utilizar vinhaça e torta de filtro, verifique as concentrações desses resíduos e a quantidade que seu solo necessita.

Uma boa adubação no plantio é essencial para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.

Por isso, veja quais as limitações do seu solo para a escolha do adubo, torta de filtro e/ou vinhaça necessários para adubação da área de plantio.

E não se esqueça da calagem e da gessagem!

Além disso, para ter mais produtividade na sua plantação de cana-de-açúcar, você também pode contar com a agricultura de precisão!

Agricultura de Precisão no seu canavial

Você deve ter notado que a sua propriedade não é uniforme. Pode haver vários tipos de solo, por exemplo.

Então, você não pode realizar todas as atividades, como aplicar fertilizantes ou agroquímicos, de forma uniforme na lavoura.

Para ter um melhor aproveitamento de cada porção da sua propriedade, você pode utilizar a Agricultura de Precisão (AP).

Assim, você consegue melhorar o aproveitamento da sua área e dos insumos aplicados, otimizando a gestão da lavoura, possibilitando mais lucro.

Conclusão

Neste artigo, falamos sobre como plantar cana-de-açúcar para ter melhor produtividade.

Abordamos época, tipos e espaçamento de plantio da cultura, além da importância de se fazer a correção, gessagem e adubação do solo para o plantio.

Você pôde conferir como alguns resíduos da produção de etanol e açúcar, como a vinhaça e a torta de filtro, podem ser aproveitados no plantio da cana.

Com essas informações, espero que você realize um bom plantio da cana-de-açúcar e obtenha uma ótima produtividade!

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5 passos para cultivar o consórcio cana e milho

Nematoides na cana-de-açúcar: como reconhecer e manejar

Como fazer o melhor manejo da broca da cana-de-açúcar

Você ainda tem dúvidas relacionadas a como plantar cana-de-açúcar? Hoje em dia, como você realiza o planejamento para as atividades de plantio? Adoraria ver seu comentário abaixo!