O cascudinho-da-soja pode reduzir a produtividade e trazer sérios prejuízos à lavoura. Saiba como identificar e controlar essa praga que ataca a cultura.
O controle das pragas agrícolas é fundamental para garantir o sucesso da safra de soja. Todos os anos, os produtores fazem investimentos altos no solo e em sementes para ter altas produtividades.
As pragas, caso não controladas, podem comprometer ou até inviabilizar a lavoura. Dentre as principais pragas agrícolas que atacam as lavouras de soja, uma que vem se destacando nos últimos anos é o cascudinho-da-soja.
O cascudinho-da-soja é um coleóptero que ataca as plantas principalmente no início do ciclo da cultura, causando danos tanto como larva como quando adulto.
A praga merece bastante atenção, pois pode causar grandes prejuízos e sua incidência tem crescido em áreas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Por isso, o monitoramento deve iniciar o quanto antes.
Para evitar problemas com o cascudinho, vamos conhecer essa praga e aprender como combatê-la. Confira!
Como identificar o cascudinho-da-soja
O Myochrous armatus (cascudinho-da-soja) pertence à ordem Coleoptera, família Chrysomelidae. Isso significa que ele é um tipo de besouro bem pequeno, que mede em torno de 5 milímetros de comprimento.
O inseto adulto tem o corpo em formato oval de coloração preta fosca, variando também entre cinza-escura ou marrom, sempre com manchas mais escuras ou claras. Além disso, é recoberto por escamas curtas e robustas.
Os adultos têm pouca habilidade para voar e, quando perturbados, têm o hábito de se fingir de mortos e permanecem imóveis, ou se jogam no chão.
As larvas do cascudinho são amarelas e vivem no solo, onde se alimentam de matéria orgânica e raízes de plantas de diversas espécies. Elas podem causar danos às raízes da soja ao se alimentarem, porém, nessa fase estes danos não são significativos.
É comum o cascudinho-da-soja ser confundido com outro besouro, conhecido como torrãozinho (Aracanthus mourei). Nesse ponto, vale destacar que é muito importante a identificação correta do inseto para que o seu controle seja eficiente!
Conforme podemos observar nas imagens, os dois insetos apresentam diferenças na sua morfologia, como nas antenas e na cabeça. O torrãozinho é “parente” do bicudo-do-algodoeiro, e por isso tem a cabeça prolongada.
A confusão entre os dois insetos afeta diretamente o manejo de pragas da lavoura, e por levar ao uso incorreto de medidas de controle, impacta direta e negativamente a produtividade e a lucratividade da área.
Danos causados pelo cascudinho da soja
Os adultos são polífagos, ou seja, atacam várias espécies, como braquiária, fedegoso, amendoim bravo, feijão e milho. Na soja, o ataque geralmente ocorre na fase inicial da cultura, e os danos têm maior intensidade quanto mais jovem for a planta.
Poucos dias após a emergência, a praga fica localizada na base do caule e causa o tombamento e a morte da plântula. Se durante essa fase houver falta de chuva, o desenvolvimento das plantas fica comprometido, e os danos ficam ainda mais severos.
Por isso, o principal impacto dessa praga na lavoura é a redução do estande de plantas, o que afeta diretamente a produtividade da área total.
Além disso, as plantas podem apresentar um desenvolvimento inicial reduzido, seguido por amarelecimento, murcha e morte. Estes sintomas podem ocorrer em grandes reboleiras de forma aleatória na lavoura.
O cascudinho consegue permanecer no solo na forma de pupa por até sete meses durante períodos de seca, sendo que o adulto emerge somente quando houver condições adequadas.
Embora os danos mais significativos ocorram na fase de plântula, o cascudinho também pode prejudicar a planta em estágios mais avançados, atacando os pecíolos e as hastes mais finas, que murcham e secam.
Como controlar o cascudinho da soja
Já sabemos que o cascudinho é uma praga que afeta a lavoura de soja nos primeiros dias após a semeadura. Por isso, é fundamental a identificação desta praga logo no início.
Alguns indicativos de que o cascudinho está presente na lavoura são:
- Plântulas sem o ponteiro;
- Plântulas com a haste principal decepada;
- Folíolos pendentes na planta ou folhas inteiras caídas no solo (servem de abrigo para os adultos);
- Constatação de insetos adultos em plantas em estágio de florescimento.
Monitoramento
O monitoramento é a primeira ferramenta de manejo que deve ser adotada para combater essa praga, e deve ser realizado com base no Manejo Integrado de Pragas (MIP). Para isso, o pano de batida é uma maneira simples e eficiente para realizar o monitoramento.
O nível de controle para o cascudinho-da-soja ainda está sendo estudado. Porém, a realização do pano de batida continua sendo essencial para o monitoramento.
Controle químico e biológico
O controle desta praga ainda é um desafio. O inseto adulto se abriga na palhada durante as horas mais quentes do dia. Isso complica um pouco seu controle, pois o cascudinho fica protegido, dificultando que o produto entre em contato com ele.
Uma das ferramentas mais indicadas e eficientes para o controle do cascudinho é o tratamento de sementes. Essa prática é indispensável, pois protege a cultura na fase mais crítica ao ataque da praga, que são os primeiros dias após a emergência.
Somado a isso, é importante realizar o manejo químico, em associação ou não com produtos biológicos, na fase inicial da cultura, quando a planta ainda estiver com o primeiro par de folhas.
Para aumentar a eficiência das pulverizações, é recomendado realizar as aplicações nos horários mais frescos do dia ou à noite, quando a praga está mais exposta.
Atualmente não há evidências de inseticidas eficazes no controle do cascudinho, sendo necessário adaptar doses e misturas. Alguns dos princípios ativos que vêm sendo usados com bons resultados são o fipronil, clorpirifós e thiametoxan e imidacloprid.
Estudos indicam que produtos biológicos à base de bactérias e fungos entompatogênicos em associação com inseticidas químicos têm demonstrado grande potencial no combate do cascudinho.
É muito importante sempre rotacionar os princípios ativos dos inseticidas. Além disso, o controle de plantas daninhas e plantas tigueras de milho na área auxiliam para evitar que o inseto permaneça abrigado e se alimente destas plantas.

Conclusão
O cascudinho-da-soja é uma praga que ameaça a produtividade das plantas. O seu controle ainda é um desafio, mas algumas medidas como o tratamento de sementes e o manejo de invasoras e tigueras de milho, auxiliam no combate ao inseto.
Não deixe de realizar o monitoramento da lavoura, pois os danos causados pelo cascudinho acontecem na fase inicial do desenvolvimento da cultura.
Dessa forma, o melhor caminho a ser seguido para combater o cascudinho é realizar a identificação correta, fazer as aplicações nos horários indicados e adotar técnicas preconizadas pelo manejo integrado de pragas.
>> Leia mais:
“Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?”
“Como a morfolina pode te ajudar no manejo de doenças da soja”
“Como o Manejo Integrado de Doenças pode reduzir custos e aplicações no seu cultivo”
“Mancha foliar no milho: como livrar sua lavoura dessas doenças”
Gostou desde artigo? Compartilhe com sua equipe e assine nossa newsletter para receber outros textos assim direto em seu e-mail.