Safra de inverno: Tudo o que você precisa saber sobre culturas, clima e manejo

Com a chegada do inverno, as preocupações com a safra de inverno precisam ser redobradas, afinal, as condições climáticas acabam por propiciar desafios maiores para a plantação

Contudo, a safra de inverno continua sendo uma ótima oportunidade para que os produtores mantenham sua produção ativa, mesmo em um período de clima menos favorável.

O avanço da tecnologia no campo e o aprimoramento de técnicas de plantio possibilitaram a diversificação de culturas de inverno e evitam grandes impactos na renda. 

Além disso, muitos têm ido além do esquema soja-milho, buscando novas opções para melhorar os resultados do empreendimento rural.

Neste artigo, você confere as principais alternativas de culturas de inverno que se adaptam melhor às condições do período, quais cuidados são essenciais para manter a produtividade e as perspectivas de mercado para a safra de inverno 2025/26.

O que são as culturas de inverno?

As culturas de inverno são plantas adaptadas para crescer e se desenvolver em condições climáticas mais frias e secas, características da estação. 

O plantio dessas espécies acontece entre janeiro/fevereiro e setembro/outubro, logo após a colheita da safra de verão. 

Por isso, o cultivo de plantas de inverno também é chamado de segunda safra ou cultura de entressafra.

A escolha das espécies a serem cultivadas deve considerar as condições climáticas da região e a cultura anterior.

Essa estratégia permite maximizar a fertilidade do solo e otimizar os recursos disponíveis. Algumas opções de culturas incluem:

Além disso, o plantio de culturas de inverno pode contribuir para o controle de pragas, melhoria da estrutura do solo e conservação da umidade, garantindo benefícios para o cultivo seguinte.

Um vasto plantio de nabo forrageiro

Figura 1. Área de cultivo de nabo forrageiro. Créditos: Equipe FieldView™ (2023).

O que é safra de inverno e qual a diferença para a safra de verão?

A safra de inverno é o ciclo de plantio que ocorre durante os meses mais frios do ano, em contraposição à safra de verão, que ocorre nos meses quentes e chuvosos. 

A principal diferença entre safra de inverno e verão está nas condições climáticas e nas culturas cultivadas.

  • Safra de verão: Cultivada entre os meses de setembro e março, com alto índice de chuvas e temperaturas elevadas. Principais culturas: soja, milho e arroz.
  • Safra de inverno: cultivada entre abril e setembro, com temperaturas mais amenas e menor volume de chuvas. Principais culturas: trigo, cevada, aveia e canola.

Quais os benefícios das culturas de inverno?

O plantio de culturas de inverno traz diversas vantagens, especialmente para o sistema produtivo como um todo. 

Além de otimizar o uso da terra, essas espécies contribuem para a preservação e manejo sustentável do solo, preparando a área para o próximo ciclo agrícola. Dentro disso, os principais benefícios do cultivo de inverno incluem:

  • Favorece o controle de plantas invasoras, reduzindo a competição por nutrientes;
  • Diminui os riscos de erosão, mantendo a estrutura do solo;
  • Melhora os atributos químicos, físicos e biológicos do solo, promovendo maior produtividade na safra seguinte;
  • Aumenta a retenção de água, tornando o sistema mais resiliente a períodos de estiagem;
  • Reduz a amplitude térmica do solo, favorecendo o desenvolvimento radicular das culturas subsequentes;
  • Contribui para o manejo integrado de pragas e doenças, interrompendo o ciclo de vida de organismos prejudiciais;
  • Diminui os custos com defensivos agrícolas, uma vez que a rotação de culturas reduz a incidência de doenças e pragas;
  • Equilibra o sistema produtivo, proporcionando maior estabilidade frente a condições climáticas adversas.
e-book culturas de inverno Aegro

Culturas de inverno: O que plantar na entressafra?

As condições climáticas do inverno podem parecer desafiadoras, mas existem diversas opções de culturas de inverno que podem ser bem aproveitadas

Essas culturas contribuem para a fertilidade do solo, ajudam no manejo sustentável da lavoura e garantem rentabilidade ao produtor. Por isso, algumas das culturas mais plantas são:

  • Trigo: Base para a produção de farinha e amplamente cultivado no Sul e Sudeste;
  • Cevada: Utilizada na indústria cervejeira e em rações animais;
  • Aveia: Pode ser destinada tanto para consumo humano quanto para alimentação animal;
  • Canola: Cultura oleaginosa importante para a produção de óleo vegetal;
  • Triticale: Cereal híbrido entre trigo e centeio, empregado na alimentação animal e panificação;
  • Hortaliças de inverno: Rúcula, alface, espinafre e repolho, que se beneficiam do clima mais ameno;
  • Milho safrinha: Embora seja plantado no final da safra de verão, muitas vezes é considerado parte da produção de inverno.

Ainda existem outras opções, como nabo forrageiro, ervilhaca e feijão guandu, que podem ser utilizadas como plantas de cobertura para melhorar as condições do solo.

Quais cuidados precisa ter com a safra de inverno?

A safra de inverno pode ser uma excelente oportunidade para diversificar a produção e otimizar o uso da terra.

No entanto, essa época do ano também traz desafios específicos, como temperaturas mais baixas, menor disponibilidade de água e maior risco de geadas.

Para garantir uma colheita produtiva e rentável, é preciso adotar estratégias adequadas de manejo, como:

1. Planejamento e escolha das culturas

Nem todas as culturas se adaptam bem às condições do inverno. Por isso, é importante escolher espécies mais resistentes ao frio e com ciclo adequado para a região.

Algumas das opções mais comuns para a safra de inverno são trigo, aveia, cevada e canola, além de hortaliças como brócolis e couve.

Junto disso, considere o uso de rotação de culturas para evitar esgotamento do solo e opte por cultivares que também sejam resistentes a pragas e doenças.

2. Preparação do solo e nutrição

Antes do plantio, é preciso analisar o solo para identificar possíveis necessidades de correção e garantir um ambiente adequado para o desenvolvimento das culturas.

  • Realize a amostragem do solo para avaliar a fertilidade e definir as correções necessárias;
  • Corrija a acidez e melhore a estrutura do solo com a aplicação de calcário e gessagem, quando indicado;
  • Adube de forma equilibrada, utilizando fertilizantes adequados para suprir os nutrientes essenciais ao crescimento saudável das plantas.

Um solo bem preparado e nutrido contribui para uma lavoura mais resistente e produtiva, aumentando os resultados da safra de inverno.

3. Manejo de pragas e doenças

O controle eficiente de pragas e doenças ajuda a preservar a produtividade da safra de inverno. Mas para isso é necessário:

  • Monitorar a lavoura regularmente para identificar precocemente doenças fúngicas, como ferrugem do trigo e oídio, além da presença de pragas.
  • Aplicar defensivos biológicos e químicos de forma responsável, seguindo as recomendações técnicas para evitar resistência e minimizar impactos ambientais.
  • Adote o manejo integrado de pragas (MIP), combinando práticas como rotação de culturas, uso de variedades resistentes e controle biológico para reduzir a necessidade de defensivos.

Com um monitoramento eficiente e estratégias adequadas, é possível proteger a lavoura e garantir uma produção mais sustentável.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Como garantir rentabilidade na safra de inverno?

Além de focar no rendimento da cultura, é interessante buscar rentabilidade econômica. Para isso, acompanhe tendências de mercado e avalie a demanda dos produtos cultivados.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de aveia, cevada e trigo deve ultrapassar 7,78 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da demanda por cereais no mercado interno e externo.

Já o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que a baixa disponibilidade interna de cereais de inverno tem incentivado preços competitivos para os produtores.

Mercado e comercialização da safra de inverno

A demanda por grãos de inverno tem crescido, especialmente para a lavoura de trigo nacional, reduzindo a dependência de importações

Além disso, culturas como cevada e canola estão ganhando mais espaço na produção brasileira. Para garantir bons preços de venda, você pode recorrer a:

  • Hedge agrícola: Proteção contra variações de preços no mercado futuro;
  • Contratos de venda antecipada: Asseguram preços fixos e evitam oscilações prejudiciais;
  • Monitoramento das exportações: Acompanhar as tendências globais para avaliar oportunidades de venda.

Acompanhar as oscilações do mercado e investir em boas estratégias de comercialização são passos importante para garantir a lucratividade da produção de inverno. 

O investimento em tecnologias agrícolas e boas práticas de manejo também vão fazer diferença para otimizar os resultados e manter a propriedade sempre competitiva.

Como cultivar e garantir lucros com a cevada como cultura de inverno

Cevada como cultura de inverno: conheça a importância, onde e como cultivar, nutrição, manejo de pragas, doenças, daninhas e muito mais!

O cultivo da cevada vem ganhando força na safra de inverno, como fonte de renda alternativa.

Essa espécie ainda é pouco explorada, mas tem grande potencial econômico.

Antes de cultivar, saber como evitar as doenças das culturas de inverno e fazer o manejo correto é essencial. Assim, você garante a produtividade do grão.

Neste artigo, você saberá mais sobre como cultivar o grão e terá muitas outras informações. Confira!

Características gerais da cevada 

A cevada é uma planta típica de inverno.

Ela precisa de períodos frios para se desenvolver, e não se adapta a qualquer região. A região Sul do Brasil possui os requisitos ideais para o desenvolvimento da cevada.

O período de cultivo no Sul é entre junho e novembro. Em São Paulo, Goiás e Minas Gerais, pode ser produzida entre maio e setembro.

A germinação leva de um a três dias, e o ciclo total dura 110 dias.

Foto aproximada de espigas de cevada na lavoura

Espigas de cevada com aquênios ovalados

(Fonte: Embrapa)

É uma das culturas mais cultivadas no mundo, com área plantada de mais de 50 milhões de hectares.

Para 2022, há expectativa de produção de 427,5 mil toneladas de grãos.

A planta é utilizada principalmente como:

  • fonte de nutrientes para animais (forragem e ração);
  • alimentação humana (farinha);
  • matéria-prima da indústria cervejeira (malte).

No Brasil, a malteação é o principal uso e o maior potencial econômico da cevada. Afinal, o país produz 30% da demanda da indústria cervejeira.

Cevada como oportunidade de renda

A produtividade da cevada gira em média de 4000 kg/ha. Há um potencial produtivo de mais de 5000.

Segundo pesquisador da Embrapa trigo, os preços podem variar de 120% a 135% do preço do trigo pão quando houver boa qualidade de grãos.

A rentabilidade tende a aumentar se houver mais de 85% dos grãos na classe 1. Além disso, deve chegar a 150% a mais que o preço do trigo.

O Brasil é um dos maiores mercados consumidores de cerveja no mundo. Por isso, absorve cerca de 70% dos grãos para malteação.

Foto de grãos de cevada maltados. Dos grãos, saem pequenos fiapos claros.

Grãos de cevada maltados

(Fonte: HominiLupulo)

Quando não atende à demanda das cervejarias, a cevada é destinada para ração animal. Essa indústria absorve 30% da produção.

A cervejaria Ambev, uma das maiores do mundo, anunciou em 2021 que incentivará a produção de cevada em Santa Catarina.

A empresa fornece a semente e possui contratos de venda garantida para o produtor. 

A expectativa da empresa é haver oferta de 2000 hectares nos próximos anos. Isso é muito mais que os atuais 500 hectares aproximados.

Por ser um mercado pouco explorado, o cultivo da cevada pode te render grandes lucros. Além disso, a cultura trará benefícios à sua lavoura, como a proteção do solo no inverno. 

Cultivo da cevada como cultura de inverno

Cultive a cevada nas estações mais frias (outono e inverno).

Planeje a sua safra de acordo com as perspectivas para a lavoura. A cevada para grãos ou para malte requerem algumas particularidades.

De acordo com o zoneamento agroclimático, a cevada de sequeiro para malte é produzida em:

  • Santa Catarina;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul.

O cultivo sob irrigação é indicado para os estados:

  • São Paulo;
  • Minas Gerais;
  • Goiás;
  • Distrito Federal.

Semeadura

Semeie em solo com pH e nutrientes corrigidos de acordo com a recomendação regional. Dê preferência para o sistema de plantio direto.

Utilize densidade de semeadura para estabelecer uma população de 250 plantas/m², ou 2.500.000 plantas/ha. O espaçamento entre linhas deve ser entre 15 cm e 20 cm.

Foto aproximada de plântulas da cevada na lavoura, sobre palha.

Plântulas de cevada na lavoura

(Fonte: Embrapa)

Uma cultivar com alta capacidade de perfilhamento pode ser plantada com até 30 cm com a mesma densidade de plantas.

Utilize a profundidade de 3 cm a 5 cm, depositando as sementes uniformemente.

Nutrição

A cevada é suscetível à acidez. Utilize calcário para elevar o pH do solo para 5,5 – 6,0. Essa prática também coloca cálcio e magnésio no solo.

A dose de nitrogênio varia de acordo com a quantidade de matéria orgânica no solo. Ela também varia de acordo com a cultura anterior e expectativa de rendimento.

Aplique entre 15 kg e 20 kg de nitrogênio por hectare na semeadura. O restante deve ser aplicado em cobertura entre os estádios de afilhamento e alongamento. 

Reduza a dose de cobertura em cultivares suscetíveis ao acamamento.

Doses maiores que 40 kg de nitrogênio por hectare podem ter a cobertura dividida em duas: 

  • no início do afilhamento;
  • e o restante no início do alongamento.

É necessário usar redutor de crescimento em alguns cultivares. Aplique dose de 0,4 L/ha do produto Moddus quando visualizar o primeiro nó no colmo principal.

As quantidades de fósforo e potássio são determinadas em função de dois fatores: 

  • seu teor no solo;
  • expectativa de rendimento da cultura.

Faça a interpretação da análise de solo e considere aspectos financeiros para determinar a dose e fontes de fósforo e potássio utilizar.

Manejo integrado

Dê preferência a áreas sem gramíneas no último ano, com prática do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

Quando for escolher a sequência de espécies para usar na rotação de culturas, considere:

  • Aspectos técnicos: fertilidade exigida, suscetibilidade a pragas e doenças, controle de plantas daninhas, disponibilidade de equipamentos adequados;
  • Aspectos econômicos: expectativa de produção, custo de produção e preço de venda.

No sul do Brasil, as espécies recomendadas para um período de três anos envolve a sequência (cultura de inverno/verão): 

  1. aveia/soja;
  2. cevada/soja e leguminosa;
  3. nabo forrageiro/milho.

Com a rotação de culturas, haverá menor incidência de doenças, pragas e plantas daninhas para todas as espécies da sequência.

Controle de plantas daninhas na cevada

Quando a infestação exigir o controle químico das plantas daninhas, lembre-se de fazer a limpeza do pulverizador agrícola. Use todos os equipamentos de proteção individual.

Use entre 100 L e 150 L de calda por hectare. Os bicos devem se adequar às condições ambientais locais.

Veja a seguir os herbicidas recomendados para a cevada:

Tabela com nomes de herbicidas indicados para o controle de daninhas na cevada

Herbicidas indicados no controle de daninhas na cevada

(Fonte: Embrapa)

Controle de pragas

Pulgões, lagartas e corós são as pragas mais comuns. Elas podem reduzir a produção de grãos.

Faça o Manejo Integrado de Pragas adequadamente para a população não atingir o nível de dano econômico. Utilize o controle biológico sempre que possível.

Caso a população de pragas exija o controle químico, use produtos indicados para a cultura. Estes produtos estão disponíveis no site Agrofit, do Ministério da Agricultura.

Controle de doenças

Diversas são as doenças que afetam a cevada. Fique de olho e faça monitoramento periódico na lavoura.

As melhores estratégias de controle são:

  • rotação de culturas;
  • eliminar plantas voluntárias e hospedeiros secundários;
  • usar sementes sadias e tratadas;
  • optar por cultivares resistentes;
  • usar produtos biológicos
  • aplicar fungicidas específicos.

Colheita

A colheita deve ser realizada em dias secos, evitando períodos de orvalho.

O grãos devem estar com 15%, para evitar a secagem artificial e a colheita de grãos verdes.

A colhedora deve estar adequadamente regulada, para evitar perdas de grãos retidos nas espigas, descascamento e quebra de grãos.

Se houver manchas de plantas ainda verdes na área de cultivo, elas devem ser colhidas separadamente.

Guia completo sobre as culturas de inverno

Conclusão

A cevada deve ser cultivada nos meses mais frios.

Ela pode ser uma boa fonte de renda para a sua propriedade, com bons preços de venda.

Os grãos são destinados principalmente à indústria cervejeira, mas também para outras finalidades.

Por isso, se você busca uma opção para a entressafra, vale a pena considerar a cevada.

Restou alguma dúvida sobre porque a cevada como cultura de inverno é uma grande oportunidade de negócio? Deixe sua dúvida ou conte sua experiência nos comentários!