Agrometeorologia: saiba como ela é importante para a produtividade da lavoura

Agrometeorologia: veja a definição, usos e aplicações, importância e potencial para aumento da produtividade

A influência do clima na agricultura é muito delicada, sobretudo porque o clima tem sido cada vez mais extremo e imprevisível. 

Veranicos longos, chuvas torrenciais, ventos muito fortes, temperaturas muito altas ou geadas bruscas têm sido cada vez mais normais.

A agrometeorologia estuda esses fenômenos. Seu conhecimento pode trazer grandes benefícios ao produtor, facilitando suas tomadas de decisão e trazendo vantagens na atividade agrícola.

Nesse artigo explicaremos, em detalhes, os diversos fatores relacionados à meteorologia agrícola. Boa leitura!

O que é meteorologia agrícola?

A agrometeorologia (ou meteorologia agrícola) é a parte da meteorologia que estuda as interações entre o clima e a atividade agrícola. Ela está relacionada à Engenharia Florestal, Agrícola e Agronômica, além da Zootecnia.

Isso inclui o estudo de diversos fatores que formam a condição do tempo atual como:

  • Temperatura;
  • Umidade do ar;
  • Chuva;
  • Vento;
  • Radiação solar.

Ao analisar essas condições ao longo do tempo, é formada a definição de clima, que é estudado pela climatologia.

A agrometeorologia de cultivos estuda as condições ideais e as respostas de cultivos diversos às condições meteorológicas. Isso ajuda a entender sua resiliência e resistência a estes fatores. 

Além disso, a meteorologia agrícola analisa e identifica a formação de microclimas. Microclimas são áreas com condições climáticas específicas e diferentes do clima predominante ao redor. 

São alterações principalmente em parâmetros como temperatura e umidade do ar. Elas acontecem devido a fatores como a cultura agrícola, as características do solo, do relevo, da presença de cursos de água, da face de exposição ao sol, dentre outras. 

Os microclimas são específicos de cada região e podem causar a necessidade de manejos específicos em áreas da propriedade. Por isso, uma análise detalhada de suas formações é essencial.

Agrometeorologia operacional: objetivos

Os objetivos do estudo da agrometeorologia podem ser definidos de acordo com sua aplicação nas atividades agrícolas e no tempo (cronológico). Esses estudos procuram identificar as condições ambientais atuais, passadas e futuras.

Esses conhecimentos são fundamentais na tomada de decisão. Esse processo é chamado de Agrometeorologia operacional. Afinal, ela define as operações agrícolas de acordo com a meteorologia.

Condições ambientais atuais

Ao estudar as condições atmosféricas na propriedade no presente momento ou no futuro próximo, o objetivo é tomar decisões sobre as atividades no curto prazo.  

Exemplos: não se deve fazer pulverização de produtos fitossanitários se houver vento ou chuva.

Condições ambientais passadas

Ao estudar as condições atmosféricas passadas e o impacto delas no comportamento das culturas agrícolas, o objetivo é compreender as melhores maneiras de manejo quando essas condições se repitam. 

Exemplo: quem produz aprende que determinada doença tende a ser mais rigorosa em anos de temperatura mais amena e maior umidade no ar.

Condições ambientais futuras

Ao prever condições atmosféricas futuras, o objetivo é diminuir os impactos delas na atividade agrícola através do planejamento de ações de manejo. 

Exemplo: ao ter informações de que a tendência de geada é grande na região, quem produz pode utilizar da irrigação como método de diminuir os impactos do frio extremo.

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Importância da agrometeorologia dos cultivos

Os estresses causados por condições atmosféricas não ideais aos cultivos agrícolas são diretamente responsáveis por grande parte das perdas de produtividade. São exemplos desses estresses: 

Além disso, outra parte das perdas da produtividade são causadas por ataques de pragas e doenças, que também estão relacionados às condições do ambiente. 

Por exemplo, a cercosporiose na soja, que causa cerca de 30% de perda de produtividade, tem maior incidência em alta umidade e em temperaturas entre 23 e 27 graus.

A agrometeorologia é importante para aumentar a capacidade de compreensão dos produtores sobre a influência do clima. Além disso, ela dá maiores possibilidades de prever e planejar ações de mitigação das perdas, aumentando produtividade.

Foto de uma estação meteorológica, ponto fundamental da agrometeorologia
Exemplo de estação meteorológica
(Fonte: AgSolve)

Quais as aplicações da Agrometeorologia na propriedade?

Você pode se perguntar como aplicar esses conhecimentos na prática. Veja alguns exemplos para ilustrar.

Estação meteorológica ou Agromet, da Embrapa

Cada dia mais o uso de tecnologia no campo tem ocupado seu espaço, principalmente após o surgimento das chamadas Agricultura 4.0 e Agricultura 5.0

Esses conceitos se baseiam bastante no uso de dados detalhados da propriedade para controle e eficiência de processos.

As características do tempo e do clima são cruciais para aumentar a eficiência da produção agrícola. Esses dados podem ser conseguidos, por exemplo, por meio de uma estação meteorológica instalada na fazendo. 

Isso permite o conhecimento das condições a que a cultura tem sido ou será exposta e auxilia na tomada de decisões.

Há também a possibilidade de se obter dados através de sites ou aplicativos gratuitos, como o portal AgroMet da Embrapa. Porém, eles são de abrangência mais geral e não específicos para micro-regiões.

Assim, é comum que muitas fazendas modernas já utilizem dados de estações em combinação com outros sensores para decidir quando e como efetuar atividades. Isso acaba aumentando a eficiência de processos e a produtividade.

Plantio

Data de plantio: normalmente há muitas dúvidas sobre a data de plantio de culturas anuais, principalmente após o início das chuvas após estiagem. Conhecendo as previsões de chuva e os níveis de água no solo, fica mais seguro decidir a data de plantio.

Além disso, conhecer características como temperaturas máximas e mínimas, incidência de vento e insolação e umidade do solo têm muitas vantagens. Por exemplo, fica mais fácil decidir quais culturas serão implantadas em cada área da fazenda.

Manejo

A decisão por irrigar ou não uma lavoura pode ser tomada em conjunto com dados de umidade do ar e do solo, de chuvas acumuladas ou previstas e da evapotranspiração da cultura. 

Além disso, a pulverização não é recomendada em certos níveis de incidência de vento. Se há previsão de chuva ou o molhamento foliar é muito grande, pode ocorrer diluição ou lavagem do produto, diminuindo ou anulando sua eficiência.

Conhecendo as características de umidade do ar e temperatura, fica mais fácil prever a chance de ataque e expansão de algumas doenças de plantas. Esse conhecimento também auxilia na previsão da produtividade.

A combinação de dados como disponibilidade de água, temperatura acumulada e evapotranspiração podem ser usados em modelos para a previsão de produção de lavouras específicas.

Colheita e pós-colheita

A colheita, principalmente de grãos, é bastante relacionada ao grau de umidade das plantas. De posse da informação das últimas chuvas e temperaturas e da previsão pros dias seguintes, fica fácil decidir sobre quando colher com perdas menores.

Ainda, para produtos que demandam secagem, por exemplo, o conhecimento das condições de chuva e temperatura facilitam a decisão de processos. Isso ocorre principalmente em condições de secagem natural.

Foto de terreiro suspenso, com grãos de café
Secagem de café em terreiro suspenso
(Fonte: shutterstock)

Conclusão

Conhecer as condições climáticas de sua região e os microclimas de sua propriedade é um fator crucial para o sucesso da atividade agrícola.

Esses dados, juntamente com novas tecnologias de mapeamento de plantas e solo, são combinados com maquinários inteligentes e geolocalização.

Em conjunto, eles permitem um manejo mais eficiente das lavouras.

Pensando em aplicar a agrometeorologia na sua fazenda? Já sabe por onde começar? Deixe seu comentário abaixo!

Estação meteorológica na fazenda: Entenda como funciona 

Estação meteorológica: saiba quais equipamentos fazem parte, o que eles medem e como seus dados podem ser um diferencial na atividade da fazenda

As condições climáticas influenciam muito no crescimento, desenvolvimento e produtividade das culturas.

Quanto mais mapeadas forem as condições ambientais, melhor você entenderá os ciclos climáticos e sua interação com a cultura. Com uma estação meteorológica, é possível fazer isso na sua própria fazenda.

Neste artigo, veja quais são os impactos positivos das informações obtidas em estações meteorológicas, quais são os instrumentos necessários e muito mais. Boa leitura! 

O que é uma estação meteorológica?

Uma estação meteorológica é um conjunto de sensores e equipamentos que tem a capacidade de medir, gravar e recolher dados sobre o tempo. Eles medem parâmetros como temperatura, pressão atmosférica, radiação, chuva, pressão atmosférica, direção e velocidade do vento e muito mais.

A meteorologia é a ciência que estuda os fenômenos da atmosfera, a entende e prevê. Assim, a meteorologia estuda as condições passadas e atuais para prever o futuro próximo. 

Vale lembrar que o tempo é uma situação momentânea das condições meteorológicas. Já o clima é um conjunto de condições meteorológicas em um determinado intervalo, como por exemplo, um ano.

Dessa forma,  uma estação meteorológica ajuda a avaliar a situação atual do tempo. Com essa análise, é possível comparar e entender os fenômenos passados que formam o clima.

Equipamentos da estação meteorológica

Uma estação meteorológica é composta por instrumentos de medição como termômetros, higrômetros, barômetros, anemômetros, pluviômetros, radiômetros, tensiômetros, sensores e tanque. 

Além desses itens básicos, também podem fazer parte da estação outros equipamentos. Data loggers, GPS, redes de comunicação para transferência de dados, dispositivos armazenadores de dados e repetidores de sinais são exemplos.

Equipamentos de estação meteorológica
(Fonte: AgSolve)

Conheça os instrumentos de medição de uma estação meteorológica e saiba como esses equipamentos funcionam.

Termômetros

Esse é um dos equipamentos mais conhecidos e mede a temperatura do ar. Existem diversos tipos de termômetro, em vários níveis de tecnologia.  A unidade de medida mais comum no Brasil é graus Celsius (°C).

Higrômetro

O higrômetro é o equipamento que mede a umidade do ar. Essa medida reflete a quantidade de água presente no ar, de acordo com a capacidade de retenção do mesmo. Sua unidade é refletida em porcentagem (%), e seus valores podem variar entre 0 e 100.

Anemômetro

Esse é o sensor responsável por detectar a velocidade e direção do vento. A unidade de velocidade normalmente é medida em metros por segundo (m/s) ou quilômetros por hora (km/h).

A direção do vento é dada de acordo com as coordenadas geográficas (norte, sul, leste, oeste e suas intermediárias).

Barômetro

O barômetro mede a pressão atmosférica. Apesar dessa característica ser bastante constante com a altitude, é importante ter um valor bem medido para estimativa de outros parâmetros. Isso, é claro, em combinação com outros instrumentos da estação. 

As unidades mais comuns de medida são BAR e Mega Pascal (MPa).

Pluviômetro

A quantidade de precipitação/chuva é medida por esse equipamento. Apesar de poder ser medida em outras unidades, normalmente o mais comum é o milímetro (mm) de água. O milímetro representa litros por metro quadrado (l/m2).

Radiômetro

O radiômetro (ou piranômetro) é um sensor que mede a quantidade de radiação solar que chega ao dossel ou ao solo em uma área específica e intervalo de tempo. 

A unidade de medida normalmente é dada em megaJoules por metro quadrado por hora (MJ/m2/h) ou em Watts por metro quadrado (W/m2). 

Existe também um medidor específico para a radiação fotossinteticamente ativa, que é a parte da radiação total absorvida pelas plantas. A unidade de medida é em micromols por metro quadrado por segundo (µmol/m2/s).

Termômetro e tensiômetro de solo

Existem sensores específicos para a medição de características do solo. Essas medições são normalmente feitas na parte superficial do solo, mas também podem atingir porções mais profundas, de acordo com a necessidade. 

As unidades são as mesmas de temperatura (°C) e umidade (%). A porcentagem também pode ser medida em metros cúbicos por metros cúbicos (m3/m3).

Sensores de molhamento e umidade foliar

Os sensores de molhamento e umidade são utilizados para medir características específicas, como o tempo de molhamento foliar e a umidade da folha.

Tanque classe A

Esse equipamento consiste em um tanque de volume e área conhecida que contém uma quantidade de água conhecida. 

Ele permite a medição da quantidade de água evaporada em um período de tempo e auxilia no cálculo da evapotranspiração. A unidade de medida normalmente é em milímetros por unidade de tempo (mm/h).

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Tipos de estação meteorológica

As estações meteorológicas podem ser automáticas, convencionais, de primeira classe, segunda classe ou terceira classe. Essa classificação acontece de acordo com o modo de captura e armazenamento de dados, e também de acordo com os dados coletados. 

As estações podem ter os dados medidos e armazenados automaticamente, por meio de dispositivos eletrônicos e redes de transmissão de dados (estações automáticas). 

Os principais sensores das estações meteorológicas automáticas são os anemômetros, piranômetros, sensores de temperatura e umidade, além dos pluviômetros.

A aquisição de dados também pode ser feita pelos instrumentos mecanicamente e verificadas e anotadas por um operador (convencional).

As estações são também classificadas de acordo com os tipos de sensores que apresentam e os dados gerados.

As estações de primeira classe coletam dados de diversos sensores, trazendo informações completas. 

As estações de segunda classe são mais simples e não apresentam informações sobre pressão atmosférica, vento e radiação.

As estações de terceira classe coletam apenas temperaturas máxima e mínima e chuva acumulada, e são ainda mais simples.

Estação meteorológica convencional e automática
Exemplo de estações meteorológicas convencional e automática
(Fontes: Ufla/Oficina de textos)

Quais são as principais estações meteorológicas do Brasil?

O Inmet  (Instituto Nacional de Meteorologia) é o órgão que organiza e controla as informações meteorológicas captadas pelas estações espalhadas pelo país. A rede do Inmet conta com cerca de 500 estações automáticas, além de quase 300 estações convencionais.

Abaixo, mostramos um mapa das estações cadastradas na rede do Inmet.

Mapa do Brasil com indicador de estação meteorológica por região
Mapa de estações meteorológicas do Brasil, pertencentes à rede Inmet
(Fontes: Inmet)

Além do Inmet, também há a rede de estações do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), além de algumas estações da Embrapa. Estações de instituições estaduais também são presentes no Brasil, como:

  • IAC (Instituito Agronômico de Campinas); 
  • Iapar (Instituto Agronômico do Paraná);
  • Climerh (Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos de Santa Catarina);
  • Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná). 

Importância e vantagens de levantar os dados climatológicos

O conhecimento das variáveis meteorológicas é muito importante nas tomadas de decisão em uma propriedade agrícola. Ele pode definir a produtividade das lavouras e o sucesso do empreendimento.

Apesar do elevado número de estações com dados disponíveis pela rede Inmet, ter uma estação própria na propriedade tem muitas vantagens:

  • Disponibilidade de dados facilitada;
  • Caracterização específica da propriedade;
  • Capacidade de verificações momentâneas das variáveis ambientais;
  • Maior assertividade nas previsões a curto prazo;
  • Tomada de decisões de manejo mais bem embasadas;
  • Diminuição de risco de perdas devido a condições extremas;
  • Redução de custos e de retrabalho;
  • Maior eficiência no uso de maquinários, mão-de-obra e recursos.

Muitas atividades podem ser beneficiadas pelo conhecimento vindo das estações meteorológicas particulares. Elas são:

  • Estimativa de geadas;
  • Controle preciso das atividades de irrigação, baseados em cálculos de umidade de solo e folha e evapotranspiração;
  • Eficiência nas atividades de pulverização de acordo com condições de vento, molhamento foliar e possibilidade de chuva;
  • Mapeamento da previsão de incidência de doenças devido a condições favoráveis de temperatura, vento e umidade;
  • Decisão facilitada da melhor época de plantio e maior eficiência de acordo com umidade do solo;
  • Menor compactação de solo devido ao controle de tráfego de acordo com a umidade do solo.

Qual o custo de uma estação meteorológica?

O custo de uma estação meteorológica é proporcional ao seu grau tecnológico. Elas costumam custar entre R$ 5 mil e R$ 30 mil. Outro fator que influencia no valor é o fato de a estação ser ou não usada.

Estações meteorológica automáticas, que contenham grande número de sensores e estejam conectadas a redes de compartilhamento de dados terão preços mais altos. As estações convencionais, mais simples, podem ser mais baratas.

É importante ressaltar que, apesar de o investimento em uma estação meteorológica poder ser alto, a economia que ela pode gerar também é alta. Como você viu, é possível evitar perdas, melhorar a produtividade e ter mais eficiência nas atividades da lavoura.

Requerimentos para ter uma estação meteorológica na fazenda

Apesar de todos os possíveis benefícios, a instalação de uma estação meteorológica na propriedade deve ser bem planejada por diversos fatores.

Alguns desses fatores estão relacionados aos requerimentos do terreno e local para a instalação e perfeito funcionamento da estação. A área deve ter as seguintes características:

  • Ser plana e ter cobertura vegetal rasteira, de preferência gramado;
  • Estar em área aberta e longe de obstáculos que possam interferir no vento, criar microclimas específicos ou bloquear a radiação solar;
  • Não ser próxima a cursos ou reservatórios de água, evitando impacto nas medições de umidade;
  • Evitar proximidade a redes de energia elétrica.

Conclusão

Há muitas vantagens de se ter informações de uma estação meteorológica. 

Isso destaca a importância de as fazendas possuírem um bom nível tecnológico para abrigar ferramentas que podem ser aliadas da produtividade. 

Analise bem os tipos de estação meteorológica e escolha o melhor modelo para sua fazenda com base em sua realidade, capacidade de investimento, nível tecnológico da propriedade e o conhecimento dos operadores. Na dúvida, consulte um especialista!

>> Leia mais: Saiba como fazer um projeto de fazenda sustentável

Restou alguma dúvida sobre ter ou não uma estação meteorológica em sua fazenda? Deixe seu comentário aqui embaixo!

Saiba quais são e como se preparar para os efeitos do La Niña na agricultura

Efeitos do La Niña: saiba quais as chances de o fenômeno afetar a agricultura, como se preparar e as previsões para a safra 2021/2022

Com certeza você já ouviu alguém falar “esse ano é ano de La Niña” ou que “estamos em ano de El Niño”, não é mesmo?

O La Niña é um evento climático de resfriamento e aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Essas pequenas mudanças de temperatura têm efeitos mundiais! Saber mais sobre elas é fundamental para quem produz.

Você sabe quais são as expectativas climáticas para a safra 2021/2022? Sabe como se preparar para elas? Confira a seguir!

Entenda os efeitos do La Niña: o fenômeno Enos

O La Niña e o El Niño são partes do mesmo fenômeno atmosférico-oceânico. Ele ocorre no Oceano Pacífico Equatorial e é chamado Enos (El Niño Oscilação Sul).

O Enos é o aquecimento ou resfriamento anormal das águas do oceano em regiões específicas. 

A movimentação e relação entre atmosfera e oceano nessa região são conhecidas. Elas  apresentam níveis e variações consideradas normais, chamados anos neutros.

Essas regiões do mapa são as mais importantes. Elas permanecem sob monitoramento para identificação desses fenômenos.

Quando as águas dessas regiões estão mais quentes, temos o El Niño. Quando mais frias, a La Niña. Saiba mais sobre cada um deles neste vídeo:

El Niño, La Niña

La Niña

O La Niña é o resfriamento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial.

O fenômeno começa com a intensificação dos ventos alísios. Eles sopram no sentido Oeste, na faixa equatorial do continente americano.

Isso faz com que grandes quantidades de água quente se acumulem no Oceano Pacífico Equatorial Oeste.

Relações oceano-atmosféricas de Walker normais (acima) e sob a influência do La Niña (abaixo).

Relações oceano-atmosféricas de Walker normais (acima) e sob a influência do La Niña (abaixo).

(Fonte: UFBA Conquista)

Esse acúmulo de águas quentes causa chuvas abundantes na região, graças à grande quantidade de evaporação.

Além disso, aumenta o fenômeno da ressurgência na costa da América do Sul.

Essa alteração causada pelas águas frias da ressurgência muda as chuvas e a temperatura média de diversas regiões.

Alterações climáticas e efeitos do La Niña na agricultura

Veja os principais riscos de efeitos do La Niña sobre as diferentes regiões brasileiras:

Efeitos do La Niña no brasil: ilustração mostra que há risco de estiagem e invernada na colheita.

(Fonte: Canal Rural)

Os efeitos do La Niña em dezembro, janeiro e fevereiro são:

  • chuvas acima da média nordeste brasileiro;
  • condições de frio acentuado no Sul do Brasil.
  • a Região Central do Brasil fica bastante instável e de difícil previsibilidade.

Nos meses de junho, julho e agosto:

  • toda costa Oeste da América do Sul sente temperaturas mais baixas, e o Sul do Brasil tem um inverno bastante seco.
Ilustração que mostra efeitos globais do la niña

Efeitos globais do La Niña

(Fonte: Enos – Cptec)

Efeitos do La Niña para a safra 2021/2022

O La Niña acontece quando em 5 trimestres consecutivos há alterações nas temperaturas das águas do Oceano Pacífico.

As alterações devem ser abaixo de -0,5.

Na safra passada, 2020/2021, houve uma La Niña moderada. Os valores, do ONI (Oceanic Niño Index), foram de -0,5 a 1,5.

Tabela que demonstra as variações do La Niña nos anos de 2020 e 2021

Variações do ONI (Oceanic Niño Index) nos anos de 2020 e 2021 (até setembro)

(Fonte: Noaa)

O resfriamento das águas influenciará a safra 2021/22. A temperatura da superfície do mar esteve, entre julho e setembro, em -0,5 °C.

Portanto, prepare-se para os efeitos do fenômeno na próxima safra e fique sempre por dentro da situação climática.

Como preparar a lavoura para os efeitos do La Niña

Saiba o que esperar do clima

O mais importante é conhecer a sua região e usar ferramentas como o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

O Zarc é um programa nacional que facilita o acesso e uso dos dados e informações de risco climático no Brasil.

Ele indica datas e/ou períodos de semeadura por cultura e por município. Além disso, o programa considera características do clima, o tipo de solo e ciclo de cultivares.

Isso garante com que as adversidades climáticas sejam evitadas. Assim, elas coincidem com as fases mais críticas das culturas, minimizando as perdas agrícolas.

É uma ferramenta essencial para a gestão agrícola e para a tomada de decisão!

Planeje-se e proteja a sua lavoura

Após se informar sobre as condições climáticas na época do plantio, algumas mudanças no planejamento agrícola podem ser bem-vindas.

  • Não antecipe a compra de defensivos para doenças, porque o clima seco proporcionado pelo La Niña desfavorece algumas doenças;
  • Invista em sementes resistentes e tolerantes à seca;
  • Compre insumos quanto antes e verifique se o maquinário está pronto para a semeadura. O ideal é aproveitar um período de mais umidade para o plantio;
  • Tente tornar a janela de plantio maior. Assim, você terá mais tempo para encontrar a umidade ideal.
  • Estude o histórico da safra passada e arquive os dados da safra atual para te ajudar na próxima. Avalie quais insetos, plantas daninhas e doenças estiveram presentes e previna-se contra eles. Esteja com o manejo integrado de doenças e pragas em dia.
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Conclusão

 La Niña pode afetar as diferentes regiões produtoras do Brasil.

Ainda não há definição de um evento climático de La Niña para a safra de 2021/2022. No entanto, as chances de sua ocorrência são grandes.

É importante agora ficar de olho nas notícias. Também é importante fazer o monitoramento das condições meteorológicas da sua região.

Afinal, elas irão definir quando realizar os principais manejos e tratos culturais nas lavouras.

>> Leia mais:

Fenômenos meteorológicos na agricultura: Planeje sua produção!

Influência da lua na agricultura: saiba o que é verdade e o que é mito

E você, alguma vez já sentiu os efeitos do La Niña na sua lavoura? Como fez para contorná-los? Deixe seu comentário!

O que é a La Ninã?

O La Niña é um evento climático de resfriamento e aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Quais as consequências do La Ninã?

O fenômeno começa com a intensificação dos ventos alísios. Eles sopram no sentido Oeste, na faixa equatorial do continente americano. Isso faz com que grandes quantidades de água quente se acumulem no Oceano Pacífico Equatorial Oeste. Esse acúmulo de águas quentes causa chuvas abundantes na região, graças à grande quantidade de evaporação. Além disso, aumenta o fenômeno da ressurgência na costa da América do Sul.

Quais os efeitos do La Ninã no Brasil?

Os efeitos do La Niña em dezembro, janeiro e fevereiro são: chuvas acima da média nordeste brasileiro; condições de frio acentuado no Sul do Brasil; a Região Central do Brasil fica bastante instável e de difícil previsibilidade. Nos meses de junho, julho e agosto:
toda costa Oeste da América do Sul sente temperaturas mais baixas, e o Sul do Brasil tem um inverno bastante seco.

A influência da lua na agricultura: verdades e mitos

Influência da lua na agricultura: saiba se há relação entre as fases da lua e o plantio, e o que os conhecimentos popular e científico têm a dizer a respeito

Desde a antiguidade, os povos usavam as fases da lua para orientar a agricultura.

Até hoje, muitos agricultores seguem piamente o conhecimento desses povos, baseando o planejamento de safra nessas fases.

Mas afinal, qual é a verdadeira influência da lua na agricultura? O que vem da sabedoria popular e o que a ciência diz a respeito disso? Confira neste artigo!

A Terra, a lua e o sol

Existem importantes relações entre o sol, a lua e a Terra. O Sol está no centro do sistema solar e mantém os planetas e corpos celestes unidos.

Representação do sistema solar

Representação esquemática do sistema solar (sem escala)
(Fonte: Brasil Escola)

A Terra gira em torno de si mesma e ao redor do Sol. Esses movimentos chamam-se rotação e translação, respectivamente.

A lua também gira ao redor de si mesma e da Terra.

Apesar de ser bem menor que a Terra, a lua é o maior objeto visível no céu noturno devido à sua proximidade da Terra.

Diferente do sol, que é uma estrela e possui luz própria, a lua é o único satélite natural da Terra. É um corpo opaco que apenas reflete a luz solar

Juntos, os três ‘dançam’ pelo espaço.

Representação dos movimentos de rotação e translação da Terra e da lua

Representação esquemática (sem escala) dos movimentos de rotação e translação
(Fonte: Brasil Escola)

As estações do ano

Os movimentos de rotação e translação da Terra, aliados ao eixo de inclinação, fazem os dias e as estações do ano.

Há períodos no ano em que a posição da Terra em relação ao Sol varia nos diferentes hemisférios. Por isso as estações do ano são invertidas nos diferentes hemisférios.

Representação do movimento de translação da Terra e das estações do ano

Movimento de translação da Terra e as estações do ano 

(Fonte: Trogello et al 2015)

As fases da lua

A lua não possui luz própria, e a luz que vemos dela à noite é a reflexão dos raios solares. Com o passar dos dias, o formato dela muda no céu. Esses diferentes aspectos formam as fases.

Há 8 fases da lua, mas são 4 as principais:

  • nova;
  • crescente (ou quarto crescente);
  • cheia;
  • minguante (ou quarto minguante).

Vale ressaltar que, devido à curvatura da Terra, as fases da lua podem ter aspectos diferentes. Pessoas em diferentes regiões do planeta podem enxergá-la de formas diferentes.

Algumas das fases da lua no hemisfério Norte e Sul são invertidas, como no esquema a seguir:

Representação das fases da lua, vistas do hemisfério norte e sul

Visualização das diferentes fases da Lua vistas do hemisfério Norte e Sul

(Fonte: Adaptado de Go Science Girls)

A influência da lua na agricultura: sabedoria antiga x ciência

A crença da humanidade na ação dos astros sobre a Terra é antiga. No entanto, muito mudou desde então. O que a ciência tem a nos dizer sobre o tema? Confira!

A sabedoria popular

Existem inúmeros relatos, passados de geração em geração, a respeito da influência da lua na agricultura.

Segundo eles, a lua influencia principalmente no fluxo de seiva das plantas e no ciclo de vida dos animais.

Em seu livro “La Luna”, o autor Jairo Rivera relata grande parte desses conhecimentos. Segundo ele, o ciclo de seiva nas plantas muda de acordo com as fases da lua:

Lua nova

Nesta fase da lua, o fluxo de seiva é descendente, ou seja, vai para as raízes.

Haveria maior concentração de água no solo. Essa água pode fazer com que as sementes inchem, cresçam e rompam com facilidade. De acordo com as crenças, a fase da lua nova não é aconselhável para o plantio.

Lua crescente

Nessa fase, o fluxo de seiva começa a subir das raízes para os ramos. Acredita-se que essa é uma boa fase para o plantio de folhosas, e que causa bom crescimento foliar. O que cresce acima do solo seria beneficiado nesse período.

Lua cheia

Aqui, o fluxo de seiva concentra-se na parte aérea das plantas. Portanto, também não seria uma boa fase para semear, apenas para colher.

Lua minguante

Na lua minguante, a seiva começa a descer para as raízes. 

Nessa fase, a força da Terra provavelmente desce, favorecendo cultivos que crescem para baixo do solo.

As fases da lua  e sua influência na dinâmica da seiva das plantas

As fases da lua  e sua influência na dinâmica da seiva das plantas

(Fonte: Adaptado de Rivera, 2005)

Além do ciclo das plantas, o ciclo dos insetos e pragas também é influenciado.

A relação das fases da lua com o ciclo dos insetos

Relação das fases da lua com o ciclo dos insetos

(Fonte: Adaptado de Rivera, 2005)

Muitos outros pontos são influenciados pelas fases da lua. Conhecendo todos eles, é possível definir e adequar as atividades nas lavouras.

Com base nisso, há a chamada agricultura biodinâmica.

A sabedoria popular recomenda que aquilo que se colhe de cima da terra deve ser plantado na lua crescente e cheia. Aquilo que se colhe debaixo da terra deve ser plantado na lua minguante.

O que diz a ciência?

A ciência já confirmou que a lua exerce influência sobre as marés,devido à força de gravidade não só da lua, mas também do Sol.

Entretanto, muitos dos que afirmam a influência da lua sobre a Terra baseiam-se mais em recordações e memórias, e não em evidências.

O professor Salim Simão é um dentre vários pesquisadores ao redor do mundo que não observaram qualquer influência da lua sobre a agricultura.

Muitos ensaios científicos já foram realizados na tentativa de identificar e quantificar a influência da lua na agricultura, sem sucesso.

Muitas vezes, os resultados que atribuímos à lua podem estar relacionados a outros fatores. Isso nos leva a crenças errôneas de que a lua exerce alguma influência.

As fases da lua alternam todo mês, durante todas as estações do ano.

Não seriam então as estações do ano um fator de maior influência na agricultura, já que os regimes hídricos e térmicos são diferentes em cada uma delas?

Por isso é importante ter cuidado com o que acreditar e seguir. Porém, respeitar e nunca desdenhar das opiniões e crenças dos outros é necessário.

Não se esqueça de sempre pesquisar para melhor compreender o que acontece na sua lavoura.

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Conclusão

A influência da lua sempre intrigou a humanidade e, com certeza, continuará intrigando por muito tempo.

Entretanto, a falta de evidências científicas reforça a não influência da lua na agricultura. Há outros fatores que podem influenciar muito mais os cultivos.

É sempre interessante buscar informações de qualidade. Assim, você garante que um dado errado ou algo sem fundamento não prejudique a produtividade da sua lavoura.

>> Leia mais:

Fenômenos meteorológicos na agricultura: planeje sua produção!

Aumente sua rentabilidade com o planejamento estratégico da produção agrícola

E você, o que você sabe sobre a influência da lua na agricultura? Já observou facilidade ou dificuldade de plantio em alguma das fases? Deixe seu comentário abaixo!

Como minimizar os impactos e prejuízos da geada no milho

Geada no milho: principais regiões de ocorrência, efeitos em cada estágio fenológico da cultura, como reduzir as consequências e mais!

O Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo. Essa cultura pode ser produzida em duas safras nos estados brasileiros.

Em determinadas épocas do ano, as lavouras ficam sujeitas a desafios climáticos, como seca e frio.

A geada é uma das condições climáticas que influencia a produtividade do milho. Ela pode gerar grandes perdas econômicas.

Neste artigo, você lerá sobre os efeitos da geada no milho e como reduzir os efeitos dessa condição climática na lavoura. Confira!

Locais de ocorrência da geada no milho 

O clima interfere e gera risco a quem produz, e o milho segunda safra é o principal influenciado.  Quanto mais tarde o milho safrinha for semeado, maior o risco de geada em algumas regiões.

Isso pode ocorrer em alguns anos, quando a onda de frio intenso atinge o país. Os estados do Sul e Sudeste são os mais afetados.

mapa que mostra frequência das geadas nas regiões do Brasil

Frequência das geadas nas regiões do Brasil
(Fonte: Esalq)

O milho pode ser produzido em todos os estados brasileiros. A produção é dividida pelo calendário agrícola da Conab em três safras.

No Brasil são consagradas a primeira e segunda safra, conhecidas como safra e safrinha.

O plantio do milho de primeira safra (ou verão) ocorre entre outubro e dezembro. Já o  milho safrinha, entre janeiro e abril.

A época ideal de cultivo de milho é o verão. Entretanto, devido à maior competitividade com a soja por área, a maior parte do milho brasileiro é semeada na segunda safra.  

Com o investimento no milho segunda safra, a produtividade é igual ou superior ao milho de verão. 

Consequências da geada na cultura do milho

A temperatura ideal para a cultura do milho varia entre 15 °C a 30 °C, sem ocorrência de déficit hídrico e livre de geadas.

Conhecer os estágios fenológicos do milho em épocas de ocorrência de geada é importante. Assim, você consegue saber os efeitos e decidir quais ações realizar.

Estágios iniciais

Se a planta estiver nova, entre os estágios VE e V2, provavelmente ocorrerá recuperação da planta. Até o estágio V2, o ponto de crescimento está abaixo do solo.

Conforme a planta vai crescendo, a ocorrência da geada vai se tornando mais prejudicial.

Estágios V3 e V4

Em V3 e V4, a reserva da semente já foi totalmente consumida. A planta precisa produzir sua energia por meio da fotossíntese.

Com a ocorrência da geada, há o congelamento das células da planta, especialmente das folhas. Como consequência, há ruptura da célula e morte do tecido.

Plantas de milho afetadas pela geada

Plantas de milho afetadas pela geada
(Fonte: AssisCity)

A geada na cultura do milho afeta principalmente as folhas jovens. Nelas, há maior quantidade de água e menor quantidade de sais.

Estágios até 6 folhas

Se a planta se recuperar nos estágios vegetativos até 6 folhas, ocorrerá diminuição de 10 a 25% da produção, devido à diminuição da fotossíntese.

Além disso, pode ocorrer redução do crescimento da planta. Isso reduz o tamanho das espigas devido ao menor acúmulo de fotoassimilados.

Estágio de embonecamento

Se a planta estiver no estágio de embonecamento (quando o pendão e os estilos-estigmas, ou cabelos, estão aparentes), a ocorrência de geada afeta diretamente a produção de grãos, devido à má fecundação.

Estágio de enchimento de grãos

Também pode acontecer a perda de grãos por geada, caso os grãos ainda não estejam bem formados. 

Para o enchimento dos grãos, as folhas produzem fotoassimilados e encaminham os nutrientes para os grãos.

Devido à redução da área foliar, os grãos ficam pequenos e mais leves, o que reduz a produtividade do milho.

Estimativa de perda de produtividade em relação a desfolha e estágios fenológicos do milho

Estimativa de perda de produtividade em relação a desfolha e estágios fenológicos do milho
(Fonte: Dekalb)

A redução de produção em casos extremos de geada pode chegar a 100% da área semeada. Confira mais informações neste vídeo.

Como minimizar os efeitos da geada no milho? 

Não é possível mudar o clima. Mas você pode adotar medidas para reduzir os danos que podem ser causados pelas geadas. O planejamento é fundamental neste momento. 

Cultivares precoces

Em anos em que houver atraso da semeadura do milho segunda safra, utilizar cultivares mais precoces pode ser uma opção.

Adubação foliar com potássio

O ponto de congelamento da célula das plantas muda com a concentração de sais na célula.

Desse modo, outra opção para evitar grandes perdas pela ocorrência de geadas é fazer uma adubação foliar com potássio.

O potássio eleva o ponto de congelamento da seiva. Assim, as folhas toleram o frio intenso das geadas.

Irrigação

Outro fator que interfere no congelamento das folhas é a irrigação. Se há previsão de geada e você tiver sistema de irrigação em sua área, utilize-o!

A irrigação aumenta a umidade do ar, interferindo no ponto de congelamento das células. Além disso, a massa de ar frio congela primeiro as gotas de água presentes nas folhas.

Barreira natural

Se sua área é aberta e sua região está sempre com risco de geada, cercar a área com árvores pode diminuir a intensidade da geada.

Nebulização artificial

Em pequenas áreas é possível fazer a formação de uma névoa que ajuda a evitar a perda de calor pelo solo, consequentemente ajuda a minimizar os efeitos da geada.

Planejamento

Atenção ao clima sempre é importante, mesmo não havendo previsões climáticas precisas para os meses do ano.

Ainda assim, o acompanhamento das massas de ar fornece informações de como o clima pode se comportar durante o ano agrícola.

Com o conhecimento do histórico climático na sua região, aliado ao comportamento do clima no mundo, é possível traçar estratégias para prevenir ou minimizar os riscos da geada.

O que fazer quando a geada afetar a plantação de milho?

Caso sua lavoura de milho tenha sofrido danos por geada, é importante esperar de 5 a 7 dias para avaliar as perdas e tomar as ações necessárias.

Com planta ainda pequena, você deve avaliar se o ponto de crescimento foi afetado. Em caso afirmativo, a planta não cresce e provavelmente não irá produzir.

Nesses casos, avaliar as opções de ressemeadura, se a janela de plantio estiver adequada. Semear outra cultura no lugar ou derrubar as plantas e mantê-las na área também são opções viáveis.

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Conclusão

Neste texto, você viu que as geadas no milho são mais frequentes nas regiões Centro-Sul do país.

Viu também que os danos ocorrem em qualquer estágio fenológico. O que muda de um estágio para outro é a porcentagem de perda que poderá ocorrer na lavoura de milho.

As plantas podem se recuperar da geada mesmo sofrendo perdas em sua produtividade. Porém, também é possível sofrer grandes perdas econômicas.

Além disso, você viu que é possível minimizar os efeitos da geada com planejamento,  conhecimento da área e algumas técnicas simples. Não deixe a prevenção para depois.

>> Leia mais:

Cálculo de perdas na colheita de milho: Passo a passo de como fazer

A ocorrência de geadas é frequente em sua região? Você já teve perdas ocasionadas pela geada no milho? Deixe seu comentário abaixo!

Zoneamento agrícola para o sorgo forrageiro: o que você precisa saber sobre essa nova medida

Zoneamento agrícola do sorgo forrageiro: entenda o que é, qual a sua importância, onde e como consultar os dados deste estudo.

O clima na agricultura é um fator de risco. Saber onde e quando plantar é fundamental.

O Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) é um importante instrumento de gestão de riscos. Ele contribui para a redução de perdas em decorrência de problemas climáticos.

O Zarc identifica os municípios e os períodos do ano que apresentam condições de cultivo mais favoráveis. Os resultados são apresentados considerando o ciclo fenológico da cultura e as diferentes classes texturais do solo.

Neste artigo, você pode conferir como funciona o Zarc para a cultura do sorgo forrageiro, onde e como consultar essa ferramenta. Boa leitura!

Zoneamento agrícola do sorgo forrageiro

Recentemente, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) divulgou o Zarc para a cultura do sorgo forrageiro. 

O sorgo é uma planta classificada em cinco grupos: granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura. 

Apesar de se tratar da mesma espécie, os sistemas de produção dos tipos de sorgo são diferentes

O Zarc direcionado para o sorgo forrageiro permite o melhor manejo da cultura. Além disso, reduz a probabilidade de perdas de produtividade em função de adversidades climáticas. 

No Zarc, foram identificadas áreas com condições favoráveis para o cultivo de sorgo: aquelas que apresentavam menor risco climático

Também foram definidas as melhores épocas de plantio, considerando a textura do solo e o ciclo do sorgo forrageiro.

>> Leia mais: “Veja como lidar com as pragas e doenças do sorgo”

Tipos de solo

Nos resultados gerados pelo Zarc, são considerados três tipos de solo aptos para o cultivo: 

  • solo tipo 1: solos arenosos, com teor de argila acima de 10% e menor ou igual a 15%;
  • solo tipo 2: solos com textura média, com teor de argila entre 15% e 35%, e menos de 70% de areia;
  • solo tipo 3: solos argilosos, com teor de argila acima de 35%.

Ciclo fenológico da cultura do sorgo

Além do tipo de solo, os resultados do Zarc são fornecidos em função do ciclo fenológico da espécie cultivada. O ciclo da cultura é dividido em quatro fases:

  • fase 1, estabelecimento: semeadura/germinação/emergência;
  • fase 2, crescimento vegetativo: das primeiras folhas verdadeiras até o surgimento da primeira flor;
  • fase 3, reprodução: da primeira flor, incluindo floração e frutificação, até o enchimento dos grãos;
  • fase 4, maturação: do enchimento dos grãos até a maturação fisiológica.

Veja na tabela a duração média dos ciclos e as respectivas fases fenológicas do sorgo forrageiro:

Sorgo forrageiro: tabela de duração média dos ciclos e suas respectivas fases fenológicas

Sorgo forrageiro: duração média dos ciclos e suas respectivas fases fenológicas
(Fonte: Mapa – Portaria 268, de 6 de julho de 2021)

Segundo a Embrapa, o estudo que permitiu a elaboração do Zarc do sorgo forrageiro mostrou que seu cultivo deve ser iniciado em outubro e finalizado em fevereiro na maioria das regiões do Brasil Central. 

Já nas áreas em que o regime de chuvas começa e termina mais tarde, o sorgo forrageiro pode ser plantado até março – caso da região Nordeste.

A seguir, veja como pesquisar as épocas para plantio do sorgo forrageiro na sua região!

Como funciona o Zarc

Os dados do Zarc podem ser acessados de três formas:

Como consultar o zoneamento agrícola do sorgo forrageiro

Painel de Indicação de Riscos do Zarc

Veja como consultar as datas de plantio pelo Painel de Indicação de Riscos do Zarc:

  1. acessar o Painel no site do Mapa;
  2. selecionar a aba Zarc – 20%;
  3. selecionar o indicativo de safra;
  4. selecionar a safra;
  5. selecionar a cultura;
  6. selecionar a unidade federativa;
  7. selecionar o município.

Feito isso, são apresentadas as melhores datas para semeadura. Isso de acordo com o tipo de solo e o grupo da cultura, considerando um nível de risco de perda de 20%.

Portarias de Zarc por Estado

As Portarias de Zarc são publicadas a cada ano-safra no Diário Oficial da União. Elas podem ser acessadas pelo site do Mapa.

Na consulta pelas portarias vigentes do Zarc, é necessário indicar o seu Estado e a cultura de interesse

São apresentadas informações técnicas sobre a cultura e a janela de plantio por município, textura de solo e ciclo da planta

Também são considerados três níveis de risco de perda: 20%, 30% e 40%.

Aplicativo Zarc – Plantio Certo

O aplicativo possibilita uma consulta fácil e rápida aos dados do Zarc. Nele, é necessário selecionar o município e a cultura de interesse

A partir disso, é indicada a melhor época do ano para se realizar a semeadura, com base no tipo de solo e no ciclo fenológico da cultura. São considerados diferentes níveis de risco de perda.

Confira como são apresentados os resultados da pesquisa pelo aplicativo:

Aplicativo Plantio Certo: recomendação de datas de plantio do sorgo forrageiro no município de Rio Verde, Goiás, para a safra 2021/2022

Aplicativo Plantio Certo: recomendação de datas de plantio do sorgo forrageiro no município de Rio Verde, Goiás, para a safra 2021/2022
(Fonte: Aplicativo Zarc – Plantio Certo)

Zarc para concessão de crédito e seguro agrícola 

O Zarc também é cada vez mais utilizado por instituições financeiras como um dos critérios para concessão de crédito de custeio e seguro agrícola.

O Proagro e Proagro Mais (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) são políticas de seguro agrícola do governo federal. 

Elas têm seu acesso facilitado quando as recomendações do Zarc são seguidas.

Ao adotar as orientações do Zarc e práticas de manejo adequadas, você reduz os riscos de perda de produtividade em decorrência de problemas climáticos, como períodos de seca.

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Conclusão

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma importante ferramenta na orientação da melhor época para a semeadura, além de indicar as regiões aptas para o plantio das culturas de interesse agronômico.

O Zarc também influencia na orientação da concessão de crédito de custeio e seguro agrícola.

É importante ressaltar que o Zarc te orienta quanto à melhor época de plantio e quanto às regiões com condições para o cultivo.

Aliado a isso, é imprescindível adotar um manejo agronômico adequado que contribua para o pleno desenvolvimento da lavoura.

Restou alguma dúvida sobre o zoneamento agrícola do sorgo forrageiro? Já consultou qual a melhor época de plantio em sua região? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas

Estresse hídrico nas plantas: saiba quais são as consequências, o que pode ser feito para minimizar a falta de água e mais

A quantidade ideal de água em uma cultura existe quando as condições climáticas são favoráveis ou a irrigação é bem distribuída.

Entretanto, isso geralmente não ocorre em campo. A má distribuição de água e a falta das chuvas ocasiona o estresse hídrico nas plantas.

O estresse hídrico causa redução da produção das culturas. Saber quais estratégias você pode adotar para minimizar o problema pode ser sua solução.

Confira neste artigo o que ocorre quando a planta sofre estresse hídrico, os fatores que agravam este problema e o que pode ser feito!

Importância da água nas plantas

A água desempenha diversas funções na planta. Por exemplo, participação no processo de fotossíntese e na regulação da abertura e fechamento estomático.

O conteúdo de água de uma planta herbácea é superior a 90%. Em plantas como a alface, esse conteúdo ultrapassa 95%. Processos como a germinação só são desencadeados com a presença de água.

A água hidrolisa macromoléculas com amido em açúcares solúveis. Esses açúcares fornecem energia para germinação e desenvolvimento inicial da plântula. Além disso, as células são importantes para o crescimento vegetal e para a  sustentação da morfologia da planta. 

Para que desempenhem esses papéis, a água é fundamental por manter as células túrgidas. A principal forma de absorção da planta é através de suas raízes. Elas captam a água e nutrientes presentes no solo.

Após a entrada pelas raízes, a água tem de ser distribuída para a parte área.  Esse papel é feito por um vaso condutor denominado xilema. O xilema é responsável por distribuir a seiva bruta das raízes para os caules e folhas.

ilustração de transporte da água do solo para a planta

Transporte da água do solo para a planta
(Fonte: UFC)

Como ocorre o estresse hídrico?

A disponibilidade hídrica adequada é necessária para a produção das plantas. A irregularidade das chuvas, por exemplo, pode levar a períodos de falta de água.

O solo é o principal fornecedor de água para as plantas. Ele apresenta uma capacidade de armazenamento de água determinada. Pense no solo como uma caixa d’água que abastece uma casa. Se a caixa não for reabastecida, a casa fica sem água.

Se as chuvas forem irregulares ou o manejo de qualquer tipo de irrigação for mal planejado, o volume de água no solo reduz e as raízes das plantas não conseguem absorver. O volume adequado para as plantas absorverem água é a CAD (Capacidade de Água Disponível) completa.

Quando faltam chuvas ou a irrigação é insuficiente, a disponibilidade de água fica abaixo da quantidade ideal e chamamos isso de PMP (Ponto de Murcha Permanente).

Quando o solo está no PMP, a quantidade de água é tão baixa que a planta, mesmo gastando energia, não consegue retirar a água do solo.

Representação da capacidade de água armazenada no solo

Representação da capacidade de água armazenada no solo
(Fonte: adaptado de Unesp)

A falta de chuva, geralmente em épocas mais quentes, aumenta a perda de água pelo processo de transpiração. Isto caracteriza o déficit hídrico, que se prolongado, causa estresse nas plantas.

A deficiência hídrica ocorre quando a demanda por água pela planta é maior que a oferta de água pelo solo.

Fatores que influenciam 

A perda de água de um solo pode ocorrer de diferentes maneiras: pela absorção de água pelas plantas, evaporação, escoamento, entre outros.

O tipo de solo influencia na capacidade de retenção de água. Solos mais rasos (solos jovens), são pedregosos, que retém pouca quantidade de água. 

Em solos mais profundos (solos maduros), a presença de rochas é mais profunda. Assim, há mais espaços porosos para reter água e disponibilizá-la para as plantas.

Além disso, em solos mais rasos a evapotranspiração é maior. O tempo de armazenamento de água acaba sendo menor. 

A infiltração de solos rasos é menor. Com grandes volumes de água eles saturam-se rapidamente, e ocorre o escoamento de água superficial.

Vale lembrar que todos os solos podem saturar, mesmo os mais profundos. Se solos profundos saturam-se rapidamente, é provável que ele esteja compactado.

A compactação do solo também influencia no déficit hídrico das plantas. Com a compactação, a infiltração será reduzida e maior será a perda de água por escoamento.

Efeitos do estresse hídrico nas plantas

Como você viu, as plantas têm em sua composição a maior parte de água. Sem ela, diversas reações químicas, metabólicas e fisiológicas não ocorrem.

A água mantém a turgência das células. Então, com a falta de água, as plantas murcham. Ocorrem mudanças da estrutura, espessura e coloração das folhas com a falta de água.

foto de Planta murcha e planta normal

Planta murcha e planta normal
(Fonte: Embrapa)

A escassez de água causa o fechamento dos estômatos, locais de passagem de gases e vapor de água, geralmente localizados nas folhas.

Esse fechamento, em períodos de seca, é uma linha de defesa da planta por reduzir a transpiração. 

Porém, caso a situação de déficit hídrico se prolongue, ocorrerá redução da fotossíntese. Isso porque o fechamento causa redução do suprimento de CO2.

Com a redução da fotossíntese, a planta reduz a produção de fotoassimilados. Como consequência, seu crescimento e produção são reduzidos.

Efeito em plantas de café da falta de água adequada (sequeiro) e ideal (irrigado)

Efeito em plantas de café da falta de água adequada (sequeiro) e ideal (irrigado)
(Fonte: Embrapa)

Como minimizar a deficiência hídrica nas plantas? 

O primeiro passo para minimizar ou evitar o estresse hídrico é conhecer o histórico de chuvas da sua região.

Saiba as épocas de maior oscilação de chuvas e planeje estratégias que reduzam o efeito da falta de água no campo.

Outro ponto importante é saber a demanda hídrica da cultura que irá produzir. Sabendo qual é a necessidade, você consegue relacionar o histórico de chuvas da região com a produção.

A principal ferramenta é o uso de irrigação, mas não é possível realizá-la em todas as áreas. Nesses casos, adote outros métodos. O uso de variedades resistentes à seca é uma opção para algumas culturas, como no caso do trigo.

Evite a compactação dos solos, pois ela afeta a quantidade de água disponível para as plantas, o desenvolvimento radicular e a absorção de nutrientes. 

O sistema de plantio direto também é uma estratégia para evitar o estresse hídrico nas plantas.

A palhada no solo reduz a perda de água pela evaporação, e assim o solo consegue manter a quantidade de água por mais tempo.

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Conclusão

Você viu qual a importância da água para as plantas e como o estresse hídrico ocorre.

Viu que existem fatores que aceleram ou retardam a deficiência hídrica. Além disso, os efeitos causados pela falta de água podem ser irreversíveis e afetar sua produção.

Existem estratégias que diminuem o efeito do estresse hídrico nas plantas. Lembrar delas é essencial para garantir que o estresse não ocorra.

Tenha atenção nas épocas mais quentes do ano e use medidas para evitar a redução da sua produção!

>> Leia mais:

“Irrigação com drip protection: conheça as vantagens e cuidados necessários”

Como é a distribuição de chuvas na sua região? Já teve perdas de sua lavoura pela deficiência hídrica? Deixe seu comentário abaixo!

O que fazer para minimizar os impactos da geada no café e evitar prejuízos

Geada no café: como ocorre, como identificar os tipos, como pode afetar suas plantas e quais as melhores medidas preventivas

O café é uma cultura importante no Brasil, o maior produtor e exportador do grão.

Vários dos estados destaques em grandes áreas cafeeiras são localizados em regiões propensas à geada.

E a ocorrência desse fenômeno climático pode provocar até 100% de perdas no cafezal.

Neste artigo, tire suas maiores dúvidas sobre a geada no café e entenda como proteger sua lavoura para evitar prejuízos. Confira!  

Impactos da geada no café

A geada causa sérios prejuízos à agricultura por poder gerar morte da planta ou de parte dela (folhas, ramos e frutos).

Ela possui dois tipos: a branca e a negra, classificadas pelo aspecto visual.

A geada branca ocorre devido à baixa temperatura e alta umidade do ar. O vapor da água presente na atmosfera condensa e forma o orvalho. O orvalho (gotículas de água na superfície das folhas) congela e há formação de gelo.

A geada negra não forma cristais de gelo na superfície das folhas, pois as condições de ocorrência são de baixa temperatura e baixa umidade do ar. A água presente no interior das células congela, causando a morte da célula, do tecido vegetal e de toda a planta. 

É o tipo mais severo. 

fotos de geada branca (A) e geada negra (B) em plantas de café
Geada branca (A) e geada negra (B) em plantas de café 
(Fonte: CaféPoint e Londrinando)

As geadas podem ser classificadas como de canela ou de capote, de acordo com a parte da planta que afetam.

A geada de canela ocorre com temperaturas do ar abaixo de -2 °C. O ar frio desce para a superfície terrestre, para perto do tronco das plantas. Por isso, esse tipo de geada é presente em áreas de plantio em morros.

Essas condições na base das plantas, principalmente de cafezais de até 1,5 anos, causam o congelamento da seiva nos vasos condutores. Assim, não há fornecimento de nutrientes para a parte aérea da planta, ocasionando sua morte.

Na geada de capote, somente a parte externa das plantas é atingida, queimando as folhas e os ramos superiores.

duas fotos com rebrota da planta atingida pela geada de canela (A) e uma de capote (B) em plantas de café
Rebrota da planta atingida pela geada de canela (A) e capote (B) em plantas de café
(Fonte: Unesp e Jornal Dia de Campo)

Riscos nos cafezais do Brasil

A geada é um fenômeno atmosférico natural que ocorre devido à queda da temperatura do ar. Existem plantas mais suscetíveis a ela, como o café.

Atualmente, alguns dos principais estados produtores de café ainda sofrem com as geadas, como Minas Gerais (principalmente o Sul de Minas), São Paulo e Paraná.

Veja as principais regiões brasileiras afetadas:

mapa com frequência das geadas nas regiões do Brasil
Frequência das geadas nas regiões do Brasil
(Fonte: Esalq)

Para as plantas de café, a temperatura ideal é entre 18 °C e 22 °C. Elas não suportam temperaturas abaixo de 10 °C.

Temperaturas abaixo de 18 °C  prejudicam a floração por causa da prolongação da fase vegetativa, o que reduz a produção.

Além disso, as geadas causam amarelecimento das folhas, e dependendo da intensidade, pode ocasionar a morte, assim como dos galhos. Se a geada for leve, somente as folhas e ramos secundários são afetados.

Se for intensa, pode causar queda da parte aérea da planta (folhas e ramos secundários), rebrota (como no caso da geada de canela) ou morte de toda a planta, como na ocorrência de geada negra.

Desse modo, se você não realizar medidas para evitar ou prevenir a ocorrência nos seus cafezais, certamente perderá produtividade.

Onde há maior e menor ocorrência de geadas?

A geada no café ocorre com maior frequência em algumas regiões e em determinadas épocas do ano. Para evitar que elas afetem sua lavoura, é necessário realizar o planejamento antes mesmo do plantio das mudas.

Áreas de baixadas e espigões muito planos e extensos devem ser evitados, porque o frio fica estagnado nesses locais e propicia a ocorrência das geadas.

gráfico com locais com acúmulo de ar frio com alta probabilidade da ocorrência de geada
Locais com acúmulo de ar frio com alta probabilidade da ocorrência de geada
(Fonte: Unesp)

Em regiões de morros, se houver vegetação alta e densa abaixo da lavoura de café, você deve fazer corredores nessas vegetações para que o frio não seja mantido.

Por outro lado, se a vegetação for alta e densa acima da lavoura, você deve mantê-las para que o frio não desça para as plantas.

Disposição correta da lavoura de café, com vegetação densa acima e vegetação rala abaixo das plantas
Disposição correta da lavoura de café, com vegetação densa acima e vegetação rala abaixo das plantas
(Fonte: Esalq)

Locais em que a face do terreno está voltada para sul ou sudeste, no inverno, ficam menos expostos à radiação solar. Dê preferência a terrenos voltados para norte ou nordeste.

ilustração de recomendação da área com face do terreno voltada para norte ou nordeste
Recomendação da área com face do terreno voltada para norte ou nordeste
(Fonte: Gonçalves)

Como evitar os riscos da geada na lavoura de café

Em áreas onde a lavoura está com plantas de até 6 meses, em caso de alerta de geada, você deve fazer o enterro das mudas em campo

Veja como fazer o procedimento:

Enterro de mudas de café na véspera da geada e desenterro no dia posterior
Enterro de mudas de café na véspera da geada e desenterro no dia posterior
(Fonte: adaptado de Fundação Procafé)

Quando as plantas já estão maiores, para evitar a ocorrência de geada de canela, você deve colocar terra na base do caule do café. Essa prática é conhecida como chegamento de terra.

Exemplo de chegamento de terra em plantas de café
Exemplo de chegamento de terra em plantas de café
(Fonte: Caramori e colaboradores)

Em áreas de cafezal já formado, mantenha as entrelinhas limpas, sem palhada e plantas daninhas, deixando o solo exposto para retenção de calor do sol. Essas práticas reduzem seus efeitos.

Faça adubação foliar com potássio antes da ocorrência de geada, porque este nutriente aumenta o ponto de congelamento da seiva. Assim, a planta fica mais tolerante à massa de ar frio.

Se houver sistema de irrigação em sua área, o funcionamento em noite de geada é uma prática que evita e reduz seus efeitos, pois a água da irrigação umidifica o ar e eleva o ponto de congelamento da seiva.

Outro aspecto importante são os ventos que carregam as massas de ar frio. Utilizar barreiras de vento, como árvores, pode ser viável.

Em áreas de maior acúmulo de frio, a utilização de árvores ou plantas de porte alto como o guandu, quando o café ainda é pequeno, também é uma alternativa.

Arborização em cafezal
Arborização em cafezal
(Fonte: Emater-MG)

Caso a geada tenha afetado sua lavoura de modo leve, realizar desbrotas pode ser o suficiente.

Se ocorreu uma geada severa e grande parte da planta foi comprometida, talvez seja necessária a recepa

Mas antes de tomar qualquer decisão, veja o nível de dano causado na sua lavoura.

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Conclusão

A geada no café pode causar sérios prejuízos nas lavouras, porque gera perda ou redução drástica de produtividade.

É importante que você saiba quais são os diferentes tipos de geada e as áreas de maior probabilidade de ocorrência, para poder evitar seus efeitos na planta.

Além disso, lembre-se das medidas necessárias para prevenir os danos e o que fazer caso as plantas já tenham sido afetadas.

Ficar por dentro das previsões climáticas da sua região também te ajuda a estar preparado(a) para tomar as medidas preventivas! 

>> Leia mais:

Entenda como a umidade do grão de café pode impactar a qualidade do produto final

Você já teve perdas devido à geada no café? O que você fez para resolver o problema? Adoraria ler o seu comentário aqui em baixo.