Agricultura tradicional: O que é e quais as características?

A agricultura tradicional é um modelo de produção ancestral que reflete o equilíbrio entre as práticas agrícolas e a interação humana com a natureza.

Praticada desde o período Neolítico, essa forma de agricultura é conhecida pelas técnicas rudimentares e a sua conexão com os ciclos naturais.

Ao explorar os valores e características da agricultura tradicional, podemos compreender sua importância histórica, social e ambiental, além de observar como ele continua a influenciar práticas agrícolas atuais. 

Neste artigo, você vai entender como este tipo de agricultura moldou civilizações, suas contribuições para a preservação da biodiversidade e os desafios que enfrenta em um mundo cada vez mais tecnológico.

O que é agricultura tradicional?

A agricultura tradicional é um sistema de cultivo baseado em práticas transmitidas ao longo de gerações. 

Com raízes históricas no período Neolítico, ela representa não apenas um meio de subsistência, mas também um elo cultural que conecta comunidades à terra. 

Sua principal característica são os métodos manuais, interação direta com o meio ambiente, dependência de condições naturais, adaptabilidade a diferentes ecossistemas e a valorização dos recursos locais.

Além de ir além da produção de alimentos, essa forma de agricultura é um sistema integrado que abrange práticas culturais, sociais e espirituais.

Muitos povos indígenas e comunidades tradicionais ao redor do mundo utilizam os sistemas agrícolas tradicionais não só como meio de sobrevivência, mas também como expressão de identidade cultural, respeitando ciclos naturais e promovendo um equilíbrio sustentável entre o ser humano e a natureza.

Principais características da agricultura tradicional

A agricultura tradicional apresenta uma série de características que a diferenciam de modelos modernos de produção agrícola, como o uso de técnicas ancestrais transmitidas entre gerações.

Outro aspecto dominante é a menor dependência de insumos químicos, foco na sustentabilidade, preservação da biodiversidade local e forte ligação com valores culturais e comunitários. Confira abaixo mais detalhes:

1. Diversidade de Culturas

A predominância da policultura assegura um uso variado do solo e favorece a biodiversidade local. Isso reduz a vulnerabilidade a pragas e garante uma maior resiliência a mudanças climáticas.

2. Utilização de Ferramentas Simples

Equipamentos rudimentares, como arados e enxadas, feitos de materiais locais, continuam sendo essenciais nesse modelo. Essas ferramentas representam a conexão entre o conhecimento ancestral e as condições ambientais específicas de cada região.

3. Interação com a Pecuária

A integração com animais para tração e fertilização do solo é comum, criando um sistema cíclico e sustentável. O esterco, por exemplo, é amplamente utilizado como fertilizante natural.

4. Dependência de Condições Naturais

A relação íntima com o meio ambiente faz com que os agricultores tradicionais possuam um conhecimento profundo sobre os ciclos das chuvas, fases da lua e condições do solo.

5. Produção Local e Subsistência

O foco principal é atender às necessidades da família ou da comunidade local. O excedente, quando existe, é utilizado para trocas ou pequenas vendas, promovendo um sistema de economia local.

Contribuições históricas da agricultura tradicional

A agricultura tradicional desempenhou um papel essencial na formação das primeiras civilizações. 

O desenvolvimento de excedentes permitiu o surgimento de cidades, o comércio e a diversificação de atividades econômicas, além de consolidar sistemas sociais organizados. 

Culturas agrícolas, como as de arroz na Ásia, milho na América Latina e trigo no Oriente Médio, moldaram não apenas ecossistemas, mas também a identidade de sociedades inteiras.

Culturalmente, a agricultura tradicional é um patrimônio imaterial. Sistemas agrícolas reconhecidos pela FAO, como os jardins suspensos de Djebba El Olia, na Tunísia, ou o sistema agrícola da Serra do Espinhaço, no Brasil, ilustram como a prática agrícola está profundamente enraizada em tradições culturais e espirituais.

Além disso, os sistemas agrícolas tradicionais contribuem para a preservação da biodiversidade. Técnicas como a rotação de culturas, o plantio consorciado e o uso de sementes crioulas garantiram a continuidade de espécies que hoje são a base da segurança alimentar global. 

Esses métodos são referências para práticas contemporâneas, como a agroecologia e a agricultura regenerativa.

Desafios e adaptações da agricultura tradicional

Embora rica em valores e práticas sustentáveis, a agricultura tradicional enfrenta desafios significativos:

  • Pressão Demográfica: o aumento da população mundial exige maior produtividade agrícola, muitas vezes ultrapassando a capacidade das práticas tradicionais de atender à demanda;
  • Mudanças Climáticas: eventos climáticos extremos, como secas e inundações, afetam diretamente a produtividade, tornando agricultores tradicionais mais vulneráveis;
  • Concorrência com a Agricultura Industrial: a intensificação da mecanização, o uso de insumos químicos e a monocultura têm deslocado práticas tradicionais em muitas regiões, levando à perda de conhecimentos ancestrais;
  • Acesso a Recursos: muitos agricultores tradicionais enfrentam dificuldades para obter terras e água, especialmente em regiões onde o avanço do agronegócio ou a urbanização comprometem áreas agrícolas tradicionais.

Apesar dos desafios, a agricultura tradicional tem demonstrado notável resiliência. Programas de incentivo à agricultura familiar e o reconhecimento internacional de sistemas agrícolas tradicionais têm impulsionado a integração de saberes ancestrais com tecnologias contemporâneas.

Práticas como o uso de tecnologias apropriadas, manejo agroecológico e certificações de produtos típicos abrem novas oportunidades para revitalizar e fortalecer essas tradições.

Preservar e valorizar a agricultura tradicional é importante não apenas para garantir a segurança alimentar, mas também para proteger a biodiversidade, a cultura e a identidade das comunidades ao redor do mundo.

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Controle agrícola: como uma boa gestão pode aumentar a sua lucratividade?

Controle agrícola: entenda como o planejamento e uma gestão eficiente podem melhorar o faturamento do seu negócio rural.

A agricultura tem mudado muito, e vem transformando as técnicas e formas de cultivar a terra, modernizando e facilitando as práticas agrícolas e aumentando a produtividade de diversas culturas

Na agricultura moderna, devemos encarar todos os empreendimentos agrícolas, independente do tamanho — como uma empresa, que tem custos e visa a transformar a produção e gerar lucro.

Toda empresa rural precisa de uma boa gestão. Portanto, o sucesso do negócio fica muito mais garantido quando é feito um controle agrícola dos custos e dos processos.

Se você tem interesse em aprender o que é controle agrícola e como fazer uma gestão eficiente do seu negócio rural para obter altas lucratividades, acompanhe este artigo, pois vamos explicar tudo o que você precisa saber! Boa leitura!

Entenda o que é controle agrícola

O controle agrícola consiste em fazer uma gestão adequada de todos os processos envolvidos na cadeia produtiva

Alguns desses processos podem ser:

  • planejamento;
  • preparo;
  • cultivo;
  • colheita;
  • vendas.

O primeiro passo é conhecer cada um desses processos citados. Só assim será possível realizar um planejamento de aspectos que envolvem:

De forma geral, o controle agrícola permite que o produtor tenha uma organização mais apropriada da empresa, com uma visão completa de cada detalhe da produção.

Portanto, fazendo esse controle e planejamento, você evita ou diminui erros, otimiza os processos produtivos e consegue se preparar para contornar problemas eventuais.

Muitas vezes, acaba sendo difícil registrar e avaliar corretamente o trabalho feito na propriedade. Por isso, vamos explicar melhor alguns aspectos sobre o controle agrícola, e dar dicas importantes para te auxiliar!

Controle agrícola e gestão financeira no agronegócio
Como melhorar a gestão financeira no agronegócio

O controle agrícola e a gestão financeira

Qualquer atividade agrícola demanda recursos financeiros, seja para comprar insumos como sementes, animais, ração, fertilizantes, defensivos, entre outros, ou para adquirir ferramentas e meios de produção, como máquinas, terras, etc.

Além disso, tem todo o planejamento da mão-de-obra e construção e manutenção de galpões. Portanto, independente se for o começo da atividade ou uma atividade antiga, precisa de dinheiro para operar.

É comum que muitos produtores não tenham o controle dos custos e dos lucros que a empresa rural gera, ou seja, eles realizam  atividade mas não sabem se ela é lucrativa, ou se simplesmente se sustenta.

Ao realizar o controle agrícola, o produtor passa a conhecer as entradas e saídas de dinheiro. Isso envolve a gestão dos custos. A análise dos custos possibilita avaliar os componentes que envolvem a produção, os custos e os benefícios gerados por eles. 

Desse modo, agregando às informações de mercado, é possível identificar os riscos e as oportunidades que a atividade apresenta a longo prazo.

Não podemos esquecer que o controle dos custos e o aumento da produtividade são fatores que determinam a lucratividade da empresa rural.

Vamos ver alguns aspectos importantes a serem considerados no planejamento para o controle agrícola:

1. Estoque e armazenamento

Quando falamos em estoque, não estamos nos referindo ao armazenamento da colheita, mas às matérias primas destinadas ao processo produtivo, ou seja, os insumos como adubos, calcário e defensivos.

Um controle do estoque não inclui somente ter insumos disponíveis. Claro, é muito importante que não falte nada durante a safra, mas também não é interessante que se tenha exageros e desperdícios.

Por isso, o segredo aqui é fazer um planejamento antecipado da safra, definir os tipos de produtos e as quantidades suficientes para atender às necessidades.

Saber o preço de determinado insumo não significa ter controle dos custos. É preciso também analisar outros gastos, como transporte, entrega, pagamento de impostos e até treinamento de colaboradores para usar os recursos adequadamente, em alguns casos.

Uma forma de organizar essas informações é analisando de acordo com a cultura, as áreas em que serão aplicadas ou o uso por funcionário.

O ideal é ter um controle detalhado sobre as entradas e saídas dos itens armazenados no estoque. Muitas vezes, papel e caneta, ou uma planilha, podem ser suficientes para fazer um controle adequado; mas na maioria das vezes é mais fácil utilizar um software ou um aplicativo.

2. Cuidados com manutenção

A manutenção está relacionada, sobretudo, à prevenção de problemas. Neste ponto, estamos falando em cuidados contínuos para evitar situações problemáticas que possam ocorrer.

Um exemplo são os cuidados com o solo, que incluem manter ele com boa cobertura, realizar análise de solo anualmente, fazer a correção da acidez e da fertilidade quando necessário. Isso evita prejuízos decorrentes do descuido e aumenta a produtividade.

Outro exemplo é realizar com frequência a revisão e manutenção do maquinário, para estar tudo certo e não ter imprevistos no momento de realizar as atividades, principalmente a colheita.

3. Venda dos produtos

Por fim, para garantir que a produção obtida na lavoura retorne ao produtor de forma monetária, ou seja, que ela seja lucrativa, é importante fazer a gestão da venda dos produtos adequadamente.

Isso envolve cuidados como:

  • Providenciar o transporte adequado até os compradores;
  • Armazenamento adequado dos produtos que não serão entregues no momento.

Identifique a receita que o produto agrícola está gerando

Para saber se cada atividade agrícola está gerando lucros é simples, basta utilizar as informações do controle agrícola para calcular a margem de contribuição de cada item.

O valor da receita será obtido diminuindo o valor dos custos e despesas do preço de venda. Desta forma, o controle agrícola se torna eficiente e adaptável às oscilações que podem ocorrer na produção, como variações de produtividade ou imprevisto no cultivo.

Ele será seu aliado para descobrir onde os custos estão mais altos e impactando de forma mais agressiva a margem de contribuição. Assim, você poderá traçar estratégias de gestão para controlar tal gasto.

Centralização da gestão

Embora o produtor possa fazer o controle da cadeia produtiva da forma que melhor se adaptar, o mais indicado é centralizar todos os controles, seja de estoque, manutenção e vendas, em uma única ferramenta.

Um sistema centralizado de gestão permite a visualização clara e instantânea da situação, por isso ele é mais vantajoso e prático do que ter as informações distribuídas de diferentes formas ou em diferentes meios.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão

O controle agrícola tornou-se uma alternativa para a identificação dos principais gargalos nos sistemas de produção, permitindo levantar informações capazes de criar intervenções, a fim de aumentar a sua eficiência.

Para tanto, é necessário um planejamento que utilize as informações de mercado e as do processo produtivo, com o objetivo de contribuir na tomada de decisão da propriedade.

De forma geral, o controle agrícola garante recursos para todas as etapas envolvidas na cadeia produtiva, e viabilidade na resolução de falhas, o que reflete no aumento da produtividade.

Não deixe de seguir as nossas dicas e tenha sempre o controle dos investimentos e lucratividade do seu negócio.

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