Plantação de gergelim: tudo o que você precisa saber

Plantação de gergelim: conheça as características, principais pragas e doenças da cultura, quais são as condições para o plantio e muito mais

O gergelim é uma das principais oleaginosas do mundo. Ele foi introduzido no Brasil durante a colonização portuguesa. Trata-se de uma cultura de fácil cultivo, que apresenta resistência à seca.

Nos últimos anos, as áreas destinadas ao plantio dessa oleaginosa têm crescido expressivamente. No Brasil, onde mais há plantação de gergelim é no estado do Mato Grosso.

Para cultivá-lo, é necessário saber as características da cultura e as condições ideais para garantir boa produtividade. Além disso, é interessante saber as vantagens de se plantar gergelim.

Neste artigo, veja esses detalhes e conheça as principais pragas, doenças e plantas daninhas da plantação de gergelim. Aproveite a leitura!

Características da planta do gergelim

O gergelim ou sésamo (Sesamum indicum) é uma espécie oleaginosa da família Pedaliaceae. O ciclo dessa planta varia entre 90 e 130 dias.

O caule é ereto e tem entre 0,5 e 3,0 metros de altura. O caule pode ou não apresentar ramificações, e o sistema radicular do gergelim é pivotante. As raízes secundárias alcançam grandes profundidades, o que permite o aproveitamento da água armazenada no subsolo. 

As folhas do gergelim são alternadas e opostas. Numa mesma planta, é possível encontrá-las em diferentes formatos. Nas plantas adultas, as folhas localizadas na parte inferior são mais largas e têm as bordas irregularmente dentadas

As folhas da porção superior da planta são menores e têm formato lanceolado. As flores do gergelim estão localizadas nas axilas das folhas. Pode haver entre 1 e 3 flores por axila foliar, com cor branca ou rosada. Cada flor dá origem a um fruto com cerca de 50 sementes.

O fruto do gergelim é uma cápsula de formato alongado, com entre 2 e 8 centímetros de comprimento. Dependendo da variedade, o fruto pode se abrir de maneira espontânea quando as sementes estiverem maduras, ou pode não se abrir ao atingir a maturação. 

Vale ressaltar que o grau de frutos do gergelim que se abrem espontaneamente está relacionado à colheita mecanizada. 

As sementes de gergelim são ricas em lipídeos e proteínas. Em média, elas contém 50% de óleo de elevada qualidade nutricional. As sementes são bem pequenas, têm formato ovalado e são levemente achatadas. Dependendo da cultivar, elas podem ser pretas, amarelas ou brancas.

O peso médio de mil sementes varia entre 2 e 4 gramas. Essa variação de peso ocorre em função das características da cultivar e do ambiente em que as plantas se desenvolveram. 

Principais pragas e doenças no cultivo de gergelim

A cultura do gergelim é suscetível ao ataque de várias pragas e doenças. É importante destacar que a incidência severa de fatores bióticos reflete negativamente no desenvolvimento das plantas e na produtividade final. Isso torna o manejo integrado de pragas necessário.

As principais pragas que atacam a plantação de gergelim são:

As principais doenças dessa oleaginosa são:

  • mancha-de-cercospora (Cercospora sesami);
  • mancha-angular (Cylindrosporium sesami);
  • podridão-negra-do-caule (Macrophomina phaseolina);
  • murcha-de-fusário (Fusarium oxysporum).
  • mancha-de-alternária (Alternaria sesami);
  • podridão-do-colo (Sclerotium rolfsii);
  • mancha-bacteriana (Xanthomonas campestris);
  • filoidia (Phytoplasma asteris);
  • virose (Bean common mosaic virus – BCMV).

Interferência das plantas daninhas na cultura do gergelim

As plantas de gergelim apresentam crescimento inicial bastante lento. Esse fato faz com que a fase inicial de desenvolvimento dessa oleaginosa seja sensível à presença de espécies invasoras.

As plantas daninhas competem com a cultura do gergelim por água, luz, espaço e nutrientes. Assim, o manejo das espécies invasoras deve ser realizado com muito rigor nos primeiros 45 dias após a emergência das plântulas da plantação de gergelim.

Além disso, o manejo integrado das doenças e das pragas está diretamente relacionado ao controle das plantas daninhas. Afinal, elas podem ser hospedeiras de diferentes pragas e patógenos.

Como plantar gergelim?

O gergelim é uma cultura que pode ser explorada em sistemas solteiros ou consorciados, de sequeiro ou irrigado. A época da semeadura dessa oleaginosa é determinada com base no ciclo da cultivar e com o período de chuvas onde a lavoura será instalada.

Preparo do solo e adubação

O preparo de solo é realizado com operações de aração e gradagem. Como as sementes do gergelim são pequenas e leves e a velocidade de crescimento inicial é lenta, é muito importante que o solo esteja bem preparado. 

Isso garante boas condições para a germinação e para o estabelecimento da lavoura. Para o plantio do gergelim, as recomendações de calagem e adubação devem ser sempre orientadas pela análise físico-química de solo

Vale lembrar que o gergelim extrai muito nitrogênio, fósforo e potássio do solo. Ainda, essa espécie pode ser cultivada de forma manual ou mecanizada.

Recomendações de semeadura na plantação de gergelim

Na semeadura realizada manualmente, a indicação é distribuir de 25 a 30 sementes por metro linear, em sulcos ou covas. O consumo de sementes por hectare pode variar de 1,5 kg a 3,5 kg, dependendo do espaçamento entre plantas e entre linhas adotado.

Para o plantio de cultivares de gergelim ramificadas, a recomendação de espaçamento varia de 80 cm a 100 cm entre fileiras, e 20 centímetros entre plantas. 

Já para cultivares não ramificadas, o espaçamento é de 60 cm a 70 cm entre filas, e 10 centímetros entre plantas.

Densidade do plantio das cultivares de gergelim

É importante que as sementes de gergelim sejam plantadas a uma profundidade de 1 cm a 2 cm. A densidade de plantio indicada para a plantação de gergelim é de 100 mil plantas/hectare. Para isso, é preciso realizar dois desbastes, eliminando as plantas menos vigorosas.

O primeiro desbaste é feito quando as plantas apresentarem quatro folhas. Nesse caso, são conduzidas 20 plantas/metro

Já o segundo desbaste é realizado quando as plantas estiverem com aproximadamente 15 centímetros de altura. Aqui, o ideal é que se conduza de 8 a 10 plantas/metro.

Solo e clima adequados para o plantio de gergelim

O gergelim se desenvolve bem em solos de textura média e férteis. Outras características desejáveis são boa drenagem do solo e boa profundidade. 

Essa planta também tem preferência por solos com boa capacidade de retenção de água e pH próximo da neutralidade, em torno de 7%. Além do mais, o gergelim não tolera encharcamento, compactação do solo e salinidade.

De modo geral, condições de clima quente e seco favorecem o desenvolvimento dessa espécie. As temperaturas ideais para o desenvolvimento do gergelim situam-se entre 25°C e 30°C.

A plantação de gergelim é pouco exigente em água. Porém, é importante que as chuvas sejam bem distribuídas ao longo do ciclo da cultura. O plantio dessa oleaginosa é recomendado em áreas com precipitação média anual variando entre 400 mm e 650 mm

Durante o ciclo da cultura, 80% do total de chuva deve ocorrer até a fase do florescimento e, no máximo, 20% durante a maturação dos frutos.

Chuvas em excesso e por longos períodos são prejudiciais para o crescimento das plantas de gergelim, além de favorecer o aparecimento de doenças fúngicas. Chuvas intensas podem provocar ainda o acamamento das plantas e queda das flores.

Por que ter plantação de gergelim no Brasil?

Nos últimos anos, o interesse pela cultura do gergelim tem crescido em função do alto valor comercial da semente e do óleo. Apesar disso, quando comparada a outras oleaginosas, como a soja e o girassol, a produção de gergelim ainda é pouco expressiva no Brasil.

Diante disso, é importante reforçar que o gergelim é uma espécie resistente à seca e adaptada às condições de solo e clima brasileiro. Além disso, é uma ótima opção para diversificar a produção agrícola

Essa oleaginosa pode ser cultivada em rotação com a soja, feijão, milho, sorgo e algodão. Ainda, há a possibilidade do plantio consorciado com espécies frutíferas e florestais. 

A plantação de gergelim também é de fácil cultivo e exige práticas agrícolas simples. Isso faz dessa cultura uma excelente alternativa para pequenos e médios produtores.  Além do valor nutricional das sementes, o gergelim é usado em diversos setores da indústria cosmética, farmacêutica e oleoquímica.

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Conclusão

O gergelim é uma importante oleaginosa e que vem despertando o interesse dos produtores em razão do alto valor da semente e do óleo. As sementes do gergelim são ricas em óleos, que podem ser aplicados em diferentes segmentos industriais.

Além de ser um excelente alimento, o gergelim é uma opção para a rotação de culturas e para diversificar a produção agrícola. Também é uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas do Brasil, que não necessita de tratos culturais complexos.

Se você tem interesse em cultivar essa espécie e tem alguma dúvida sobre os manejos, não deixe de consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já conhecia essa cultura? Já pensou em ter uma plantação de gergelim na sua propriedade? Conte sua experiência nos comentários.

Por que a mucuna-preta pode ser uma opção vantajosa para adubação verde

Mucuna-preta: conheça as características, como cultivar, formas de utilização e também os benefícios da rotação de culturas com essa espécie.

A mucuna-preta é uma leguminosa de primavera/verão com hábito de crescimento trepador. Ela controla a presença de nematoides e de plantas daninhas, além de ser vantajosa para solos degradados.

Trata-se de uma planta rústica e adaptada às condições de clima e de solo brasileiros.

Neste artigo, confira um pouco mais sobre a mucuna-preta e os benefícios do seu cultivo para adubação verde e rotação de culturas. Boa leitura!

Mucuna-preta: para que serve?

A mucuna-preta é uma planta com diferentes finalidades: adubação verde, fixação biológica do nitrogênio, rotação de culturas, recuperação de áreas degradadas e no combate à erosão do solo. 

Em razão da grande produção de biomassa, garante cobertura vegetal bastante eficiente na conservação do solo.

Além disso, a mucuna-preta tem potencial na alimentação humana e animal. Os grãos têm alto teor de proteína e a planta pode ser destinada à produção de silagem e feno, e também ser utilizada sob pastejo direto.

A mucuna-preta também é uma alternativa para o controle de plantas daninhas e de nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica). 

Características da mucuna-preta 

A mucuna-preta (Mucuna pruriens ou Mucuna aterrima) é uma espécie herbácea da família Fabaceae, das leguminosas. Ela é adaptável ao clima tropical e subtropical, e seu ciclo pode ser anual ou bianual.

O período do plantio ao pleno florescimento é de 140 a 180 dias. Além disso, os caules da mucuna são grandes, finos e flexíveis. Ela tem hábito de crescimento rasteiro e trepador. Seu porte é baixo, podendo medir até 90 cm de altura. 

As flores são grandes e de coloração violeta ou branca. As vagens têm de 3 a 6 sementes

Mucuna-preta em lavoura, na fase de inflorescência

Inflorescência da mucuna-preta

(Fonte: TV TEM)

As sementes são grandes, pretas e com hilo de cor clara. Além disso, a dormência das sementes da mucuna-preta é comum. Isso ocorre em função da impermeabilidade do tegumento à água. 

Para a quebra da dormência, a Embrapa recomenda que antes do plantio as sementes sejam colocadas em água quente. A temperatura deve ser de aproximadamente 80 °C e as sementes devem permanecer na água durante um minuto.

Vagem de mucuna-preta com alguns grãos

Vagem com sementes de mucuna-preta

(Fonte: Adaptado de Santos, 2016)

A mucuna-preta é bastante rústica e apresenta boa adaptação às condições de solos ácidos. Ela também tolera bem elevadas temperaturas e déficit hídrico.

Essa leguminosa se desenvolve tanto em solos argilosos quanto nos solos arenosos. Além disso, não é exigente quanto à fertilidade. 

Ela é tolerante à toxidez por alumínio, ao sombreamento e ao encharcamento temporário do solo.

Plantio da mucuna-preta

Geralmente, a semeadura da mucuna-preta é realizada em linhas. A recomendação é de 6 a 9 sementes por metro linear, com espaçamento entre linhas de 50 cm.

O plantio também pode ser feito em covas. No plantio em covas, a recomendação é de 2 a 3 sementes por cova, espaçadas em 40 cm.

Fique de olho também na quantidade de sementes: geralmente, usa-se 60 kg de sementes de mucuna-preta por hectare. Se a semeadura for feita a lanço, é recomendado usar 100 kg por hectare.

A melhor época para plantio da mucuna-preta é entre outubro e novembro. Logo em seguida da floração, cerca de 150 dias depois do plantio, é feito o corte/colheita da mucuna.

Inoculação 

No intuito de maximizar a fixação de nitrogênio, é recomendado fazer a inoculação das sementes de mucuna-preta antes do plantio. A estirpe de rizóbio indicada é a SEMIA 6158 (BR 2811), da Embrapa Cerrados.

Isso é necessário porque a fixação biológica do nitrogênio ocorre pela simbiose estabelecida entre as raízes das leguminosas e bactérias específicas (rizóbios). 

Em solos com baixa fertilidade, a nodulação da mucuna-preta pode ficar abaixo do esperado.  Isso ocorre pela baixa eficiência das bactérias nativas presente no solo.  A ausência desses microrganismos também é um problema.  

Quais os benefícios da mucuna na rotação de culturas? 

A rotação com mucuna-preta pode trazer inúmeros benefícios à lavoura, como descompactação do solo e melhora das condições de aeração e infiltração de água. Além disso, reduz os custos com adubação, manejo de plantas daninhas e nematoides. 

A mucuna-preta é excelente para adubação verde e fixação biológica de nitrogênio. Ela também oferece maior sustentabilidade da atividade agrícola e maior produtividade da cultura principal.

A rotação de mucuna-preta com soja, milho e feijão é uma prática agrícola muito comum. O cultivo de espécies como a mucuna ocorre na entressafra da cultura anual, e serve como fonte de nutrientes para a próxima safra, principalmente nitrogênio.

Vale ressaltar que os dois principais e mais relevantes benefícios são o controle de plantas daninhas e de nematoides. Veja mais sobre eles em seguida.

Controle de plantas daninhas

A mucuna-preta suprime plantas invasoras da lavoura. Seu rápido crescimento forma uma barreira física que prejudica o desenvolvimento de espécies espontâneas. 

Além da barreira física, ela também apresenta efeitos alelopáticos que contribuem para o manejo de daninhas. Isso quer dizer que ela produz compostos que inibem o desenvolvimento dessas plantas.

O picão-preto (Bidens pilosa) e a tiririca (Cyperus rotundus) são exemplos de invasoras afetadas pela mucuna-preta.

Controle de nematoides

Em áreas infestadas por nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica), a mucuna-preta apresenta eficiente controle da população dos parasitas.

Apesar disso, é importante lembrar que o cultivo dessa planta de forma sucessiva em uma mesma área deve ser evitado. Afinal, a mucuna-preta é hospedeira de outro gênero de nematóide, o Pratylenchus, também conhecido por nematóide-das-lesões.

Dessa forma, o plantio sequenciado da mucuna-preta pode reduzir a população de nematóides do gênero Meloidogyne. Entretanto, pode favorecer os nematóides do gênero Pratylenchus.

Outra planta que tem efeito direto no controle de nematóides é a crotalária. Assim como a mucuna-preta, ela melhora a qualidade do solo e aumenta a população de microrganismos inimigos dos fitonematóides. 

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Conclusão

A mucuna-preta é utilizada como adubo verde, na recuperação de áreas degradadas, no combate à erosão e na rotação de culturas.

Ela incrementa a matéria orgânica do solo e favorece a manutenção do equilíbrio dos nutrientes. Além disso, diminui os custos de produção pela menor dependência dos adubos nitrogenados.

Essa espécie também colabora com o manejo de nematóides e plantas invasoras. Todos esses motivos são mais que suficientes para considerar o plantio de mucuna-preta na lavoura!

Você já cultivou mucuna-preta na sua propriedade? Teve uma boa experiência com a cultura? Adoraria ler seu comentário.

Triticale: alternativa de cultura de inverno para sua fazenda

Triticale: saiba quando e como cultivar, como é feito o controle de pragas e doenças, recomendações de colheita e muito mais!

O triticale é um cereal de inverno gerado a partir do cruzamento do trigo com o centeio. Ele herdou o potencial de rendimento de grãos do trigo e a rusticidade do centeio.

Uma das dificuldades que você pode enfrentar no cultivo do triticale está no manejo da cultura. Afinal, esse cereal possui muitas especificidades.

Neste artigo, você verá detalhes sobre a semeadura e a colheita do triticale, assim como manejo de pragas e doenças. Aproveite a leitura! 

O que é o triticale?

O triticale é um cereal híbrido de inverno. Ele é resultado da hibridação do trigo com o centeio, e possui alta tolerância às geadas. O cereal contribui com a manutenção de palhada em solos arenosos e fracos, além de colaborar com o plantio direto.

Consequentemente, o triticale tem baixa resistência à seca e ao calor excessivo.

Esse cereal se adapta a diferentes condições de solo e clima. Além disso, tem alta capacidade de produção e resistência a doenças fúngicas.

Ele é utilizado principalmente no Sul do Brasil. Afinal, é uma ótima opção para anteceder o cultivo de grandes culturas como milho, soja e feijão

Quando o triticale pode ser cultivado?

A semeadura do triticale ocorre entre os meses de fevereiro e maio

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, é semeado na mesma época que a cultura de trigo. Nessa época, há maior possibilidade de a cultura ter um bom rendimento.

Plantio do triticale

A semeadura deve ser feita em linhas, com espaçamento de 17 cm, e a densidade indicada é de 400 sementes por metro (ou 300 sementes por metro, em locais com risco de acamamento).  A profundidade ideal de semeadura deve ficar entre 2 cm e 5 cm.

Outros espaçamentos podem ser utilizados, mas não ultrapasse 20 cm.

É recomendado que você eleve a saturação de bases do solo para 70%.  Conforme os teores de nutrientes do solo, faça a adubação corretiva.

Devido a sua rusticidade, o cereal possui tolerância a solos ácidos e a altos teores de alumínio tóxico. Apesar dessa tolerância, a correção da acidez por meio da aplicação de calcário é fundamental.

Ela proporciona incrementos significativos na sua produtividade. Além disso, o triticale também responde significativamente à adubação nitrogenada

Antes de semear, avalie as condições e faça a adubação e as correções conforme os resultados da análise de solo.

Grãos de triticale vistos de perto

Grãos de triticale após serem colhidos

(Fonte: Kaufmann seeds)

Quantidade de triticale por hectare

A quantidade de triticale por hectare deve ser de 350 a 400 sementes viáveis/m².

Em áreas onde existe o risco de acamamento, a densidade de semeadura pode ser reduzida para 300 sementes viáveis/m².

Esse cereal é rústico e tolera bem solos ácidos e a toxidez de alumínio. Por isso, pode ser cultivado em regiões classificadas como marginais à cultura do trigo.

Controle de doenças do triticale

O primeiro passo para o controle de pragas e doenças está no tratamento de sementes com fungicidas e inseticidas. O tratamento de sementes apresenta diversas vantagens, como:

  • reduz o inóculo inicial de doenças;
  • controla de pragas iniciais;
  • proporciona maior porcentagem de germinação de sementes;
  • garante plântulas mais vigorosas;
  • garante estande adequado de plantas;
  • fornece maior rendimento de grãos.

Durante o desenvolvimento da cultura, a giberela e a brusone merecem atenção especial. Essas doenças atacam as espigas do triticale. Consequentemente, causam danos significativos ao rendimento da cultura.  

Portanto, faça o controle fitossanitário dessas doenças no início da floração plena.

Controle de pragas do triticale

As pragas de maior ocorrência no triticale são lagartas, pulgões, corós e percevejos.

No entanto, vale alertar que o controle dessas pragas deve ser realizado somente quando a população das pragas atingirem o nível de dano econômico utilizando inseticidas.

Para calcular o nível de dano econômico, contar com ferramentas é essencial. Por isso, separamos para você uma planilha de Manejo Integrado de Pragas que te permite fazer esse cálculo.

Clique na imagem a seguir para baixar a planilha gratuita:

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Recomendações de colheita para o triticale

A colheita do triticale deve ser feita com a máquina em baixa velocidade. A umidade das espigas e dos grãos também precisa estar baixa, e o uso de batedores em barras é o mais recomendado.

Além disso, a colheita dependerá da forma de utilização da cultura.

Quando usadas para produção de feno ou silagem pré-secada, as plantas devem ser colhidas até o estádio do emborrachamento.

Quando utilizado como silagem da planta inteira, a colheita deve acontecer quando os grãos atingirem o estádio leitoso a pastoso.

A colheita pode ser feita de forma manual ou mecânica. Na colheita manual, o grão deve ser colhido com menos de 25% de umidade. Em seguida, esses grãos devem ser secos até 14% de umidade para realizar a sua trilha.

Já na colheita mecanizada, o grão deve apresentar entre 14% e 25% de umidade. É importante que a máquina esteja bem regulada e ajustada para colher cereais de inverno de grãos pequenos.

Colha o mais cedo possível. Assim você evita prejuízos na germinação, vigor qualidade dos grãos.

A colheita com menos de 20% de umidade é aconselhável. Isso pode evitar perdas econômicas quando há ameaça de chuva, além da facilidade de secagem.

Pela maior quantidade de palha em relação ao trigo, a colheita deve ser realizada com menor velocidade.

Triticale em fase adulta, em ponto de colheita

Triticale em fase adulta, prestes a ser colhido

(Fonte: FMApa)

Cuidados na pós-colheita

Após a colheita, é importante observar se há a presença de grãos giberelados.

A retirada desses grãos permite que os grãos sadios sejam usados sem problemas na alimentação dos animais. Esse processo pode ser feito com uma máquina de ar e peneira ou outra prática de seleção, como a manual.

Isso é importante porque tanto o triticale como outros cereais de inverno giberelados podem causar problemas de toxidez em animais. Portanto, tenha atenção na pós-colheita e garanta a seleção dos melhores grãos.

Zoneamento Agrícola para o triticale

Recentemente, o triticale entrou para a base de dados do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Ele pode ser acessado gratuitamente pela internet.

Ele permite a indicação da melhor época de semeadura nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Isso tanto em sistema de sequeiro quanto irrigado.

A criação do zoneamento para a cultura foi impulsionado pelo aumento da demanda desse cereal na alimentação animal. Essa expansão permitirá o aumento do cultivo do cereal no país.

Benefícios do triticale na sucessão de culturas

Com a inserção do triticale como cultura de inverno, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso. Afinal, o cereal minimiza danos do solo e suprime plantas daninhas da lavoura

Além dessas, existem outras vantagens:

  • o triticale tem qualidades panificáveis;
  • é uma ótima opção para cobertura do solo na entressafra, protegendo-o da erosão e da lixiviação de nutrientes/
  • é uma excelente alternativa para adubação verde, garantindo muitos nutrientes para a lavoura;
  • possui alta resistência ao frio;
  • seus grãos têm alta qualidade nutricional;
  • também pode ser utilizado na consorciação e rotação de culturas.
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Conclusão

O triticale pode ser utilizado na rotação e/ou sucessão de culturas como cobertura do solo, produção de grãos e alimentação animal.

A giberela e a brusone são as principais doenças que atacam as espigas do triticale, e merecem atenção especial. Com sua inserção como cultura de inverno, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso.

Agora que você tem essas informações, que tal considerar o triticale como cultura de inverno em sua propriedade?

Restou alguma dúvida sobre o tema? Quais espécies de triticale você utiliza no cultivo de inverno em sua propriedade? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber sobre cobre nas plantas

Cobre nas plantas: qual a importância para a agricultura, como e quando aplicar, sintomas de deficiência ou excesso e mais!

O cobre é um dos elementos necessários para o crescimento, desenvolvimento e reprodução das plantas.

Seu excesso ou sua falta podem causar danos sérios à sua lavoura. Por isso, estar de olho nos sintomas é a primeira medida para evitar problemas.

Você sabe identificar se o nutriente está em equilíbrio? Confira essa e outras informações neste artigo!

Importância do cobre nas plantas 

Os nutrientes exigidos em maiores quantidades pelas plantas são denominados macronutrientes. Os que são exigidos em menores quantidades são os micronutrientes.

O cobre é um micronutriente. As plantas precisam de pouca quantidade dele para suprir as necessidades. Porém, sua falta causa prejuízos na parte nutricional, fisiológica e protetora das plantas.

O cobre participa nos seguintes processos e modos nas plantas:

  • participação em enzimas;
  • fotossíntese;
  • distribuição de carboidratos;
  • metabolismo de proteínas;
  • redução e fixação do nitrogênio;
  • respiração;
  • reprodução das plantas;
  • lignificação da parede celular;
  • aumento da resistência à seca;
  • influência na permeabilidade dos vasos do xilema;
  • influência na floração e frutificação;
  • ajuda no mecanismo de resistência a doenças.

Além de afetar o desenvolvimento das plantas, o cobre está presente em algumas enzimas que interferem na qualidade do produto final.

Uma delas é a polifenoloxidase, em que o cobre está presente no centro ativo. Nos grãos de café, sua presença é essencial para a qualidade da bebida.

São várias as funções desempenhadas pelo cobre nas plantas. 

Você precisa saber se sua área consegue fornecer a quantidade necessária para suprir a necessidade da sua cultura.

Tabela demonstra os teores de cobre nas plantas considerados adequados para as culturas do milho, algodão, café, citros, milho, soja e cana-de-açúcar.

Teores de cobre considerados adequados para algumas culturas

(Fonte: adaptado de Esalq)

Influência do manejo na disponibilidade do cobre

Se o solo tiver a quantidade adequada de cobre disponível, as plantas conseguem absorver o necessário.

Entretanto, devido à sua baixa mobilidade, 98% do cobre fica retido como quelato.

Assim, retém o cobre os:

  • solos de várzea;
  • solos de plantio direto;
  • solos com elevada quantidade de matéria orgânica;
  • ácidos húmicos;
  • ácidos fúlvicos.

O pH é outra característica do solo que afeta a disponibilidade desse micronutriente. Quando pH é acima de 7, há menor disponibilidade e solubilidade do cobre no solo.

Gráfico mostra disponibilidade dos nutrientes em função do pH do solo

Disponibilidade dos nutrientes em função do pH do solo

(Fonte: Sementes Biomatrix)

O tipo de solo também interfere no teor de cobre.  

Solos arenosos tendem a lixiviar este micronutriente. Os solos argilosos tendem a ter maior concentração, devido à retenção dele pela argila.

Entretanto, não são apenas fatores do solo que interferem na disponibilidade e absorção do cobre nas plantas. Há também a relação com outros nutrientes.

Quando as plantas necessitam de cobre, os sintomas da deficiência são agravados quando há altos níveis de nitrogênio.

Pode ocorrer redução na absorção de cobre pelas plantas, seja da raiz ou folhas, devido ao excesso de ferro, alumínio, fósforo e zinco.

Além da falta, pode ocorrer excesso de cobre. Existem produtos que são utilizados nas plantas que contêm o nutriente.

O cobre presente nesses produtos pode acumular no solo, elevando sua concentração a níveis que causam toxidez.

Como identificar a deficiência ou excesso do cobre nas plantas?

Conhecer os sinais através dos sintomas nas folhas, caule e raízes é fundamental para saber o que está em falta ou excesso. Quanto mais rápida a identificação do sintoma, sua ação será mais rápida e efetiva. Veja abaixo os principais sintomas que as plantas apresentam com a falta ou excesso de cobre.

Deficiência de cobre

  • Os sintomas aparecem inicialmente nas folhas novas das plantas. Elas ficam murchas e enroladas.
Imagem de uma planta de trigo com sintomas de deficiência de cobre. A planta está amarelada e enrugada nas pontas.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de trigo

(Fonte: Ipni)

  • O pecíolo e talos das folhas mais novas ficam curvados para baixo.
Sintoma de deficiência de cobre na planta de café. As folhas da planta estão curvadas para baixo.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de café

(Fonte: Yara)

  • As folhas não apresentam a mesma coloração verde. Ficam com tons amarelados ou verde mais claro, e depois sofrem amarelecimento.
Foto de duas plantas. A primeira mostra uma folha de milho amarelada, e a segunda, uma folha de soja com coloração verde-clara.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de (A) milho folha amarelada e (B) soja folha com coloração verde clara

(Fonte: (A) Esalq e (B) Biosoja)

  • Em algumas culturas, como o café, as plantas podem apresentar elevação nas nervuras secundárias. Isso causa deformação na nervura central, que fica em forma de S.
Imagem de uma folha de café com sintoma de deficiência de cobre. A folha está enrugada, e a nervura central está em formato de "s"

Sintoma da deficiência de cobre em planta de café

(Fonte: Yara)

  • Ocorre diminuição do transporte de água e solutos pelo xilema, devido à redução da lignificação.
  • Ocorre abortamento de flores, o que interfere na produção.
Imagem de plantas de milho com deficiência de cobre, ao lado de espigas saudáveis.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de trigo, da esquerda espigas saudáveis e direita espiga com deficiência de cobre

(Fonte: Ipni)

Excesso de cobre

Os sintomas de excesso de cobre ocorrem nas raízes, devido à elevada concentração do elemento no solo.

Um indicativo da ocorrência é a lentidão no crescimento das plantas. O desenvolvimento das raízes é afetado, levando à morte dos tecidos.

A planta tem dificuldade para absorver água e nutrientes, refletindo no baixo porte e até morte das plantas.

Foto de plantas de videira em solos com diferentes teores de cobre. Em baixo, há uma imagem de raízes de plantas com excesso de cobre, todas enrugadas e necrosadas.

Plantas de videira em solos com diferentes teores de cobre (A) parte aérea e (B) sintomas de excesso de cobre nas raízes 

(Fonte: Gazeta-RS)

Pode ocorrer também fitotoxicidade nas folhas devido ao uso de produtos feitos à base de cobre. Isso acontece principalmente com os fungicidas cúpricos, causando queima, necrose e deformação das folhas.

Foto de folhas de uva com excesso de cobre, todas enrugadas.

Fitotoxidade em folhas de uva causadas por fungicida cúprico

(Fonte: Embrapa)

O excesso de cobre, além dos sinais visíveis nas plantas, prejudica a fotossíntese. Afinal, o excesso afeta o transporte de elétrons, a formação de enzimas, proteínas e carboidratos.

Outro ponto é saber a sensibilidade da cultura ao excesso ou falta de cobre. Algumas são mais sensíveis, outras mais tolerantes à presença do elemento no solo.

Tabela mostra níveis de sensibilidade das culturas à deficiência de cobre. Está dividida entre alta, média e baixa sensibilidade.

Sensibilidade das culturas à deficiência de cobre

(Fonte: Ipni)

Áreas propensas à deficiência de cobre

A deficiência de cobre não é extremamente comum em todas as áreas. Algumas regiões são mais propensas a ter essas ocorrências. 

Mapa mostra frequência relativa das deficiências de cobre no Brasil. Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco possuem muita frequência dessas deficiências.

Frequência Relativa das Deficiências de Cobre no Brasil

(Fonte: Esalq)

São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco são os principais lugares sujeitos à deficiência de cobre.

No entanto, há vários fatores que afetam sua disponibilidade. Sempre fique de olho nos sintomas para que sua cultura não seja prejudicada.

Quando aplicar o cobre na lavoura? 

Constatada a deficiência do cobre, existem produtos que podem ser utilizados na lavoura em casos de emergência.

O cobre é um nutriente com pouca mobilidade na planta. Assim, as aplicações foliares, independentemente do tipo de produto, não serão muito eficientes.

Tabela com as principais fontes de cobre existentes no mercado brasileiro.

Principais fontes de cobre existentes no mercado brasileiro

(Fonte: Esalq)

Em caso de culturas perenes, como café e laranja, realizar análise foliar para verificar a concentração deste e outros nutrientes é uma alternativa para evitar a deficiência.

A época de aplicação da adubação foliar, portanto, é quando há presença de sintomas de deficiência ou em uma aplicação preventiva planejada.

A aplicação do nutriente via solo, nas linhas de plantio ou nas áreas perto das raízes, é mais eficiente. Mas tome cuidado, pois as doses não podem ser muito elevadas.

A dosagem dependerá da concentração de cobre no produto aplicado.

De modo geral, para sulfato de cobre, a dose é de 3 kg/ha a 5 kg/ha de cobre. Para os quelatos, a dose é de 0,5 kg/ha de cobre.

Sua disponibilidade pode aumentar durante os anos devido à sua retenção no solo. Por isso, faça a análise do solo com frequência.

Para evitar problemas, busque sempre o acompanhamento e recomendações do engenheiro-agrônomo na sua lavoura!

O que fazer para corrigir o excesso de cobre?

Se o seu problema for o excesso de cobre na área, realize a calagem. Ela causa elevação do pH do solo. Como consequência, reduz a disponibilidade do elemento.

planilha calculo fertilizante milho e soja

Conclusão

Neste artigo você viu que o cobre nas plantas é fundamental para diversas reações, metabolismos, desenvolvimento e prevenção.

Viu que o manejo do solo influencia diretamente na disponibilidade deste micronutriente para as plantas.

Seu excesso é tão prejudicial quanto sua deficiência, e aprender a reconhecer os principais sintomas de cada um destes cenários é fundamental.

Acompanhe a quantidade desse elemento no solo para definir as estratégias de aplicação.

>> Leia mais:

“Boro nas plantas: manual rápido do manejo desse micronutriente”

“Enxofre para as plantas: recomendações de adubação e manejo”

“Potássio nas plantas: tudo que você precisa saber para fazer melhor uso dele”

Você já precisou realizar alguma prática de manejo devido à falta ou excesso de cobre nas plantas em sua área? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Soja convencional: Uma opção para aumentar sua rentabilidade

Soja convencional: veja características, vantagens, diferenças de outras cultivares, mercado e resultado produtivo para sua lavoura. 

A estimativa do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) indica que 8% do total de soja produzida no Mato Grosso é convencional, do total de 33 milhões de toneladas produzidos no estado.

Isso porque utilizar cultivares convencionais contribui na rotação de produtos para o controle de plantas daninhas, além de ter um custo de produção mais baixo.

E sobre o portfólio de cultivares, as convencionais apresentam bons resultados produtivos e um mercado cada vez mais em ascensão para bonificações diferenciadas.

Neste artigo vou compartilhar as vantagens da soja convencional e os diferenciais dessas cultivares disponíveis no mercado. Confira a seguir!

Características da soja convencional

Uma das decisões mais importantes no planejamento da safra com certeza é a cultivar. 

E para essa escolha, a proporção continental do Brasil interfere bastante nessa decisão. Sendo que as regiões com condições climáticas tão distintas do país necessitam de cultivares diferentes, que possam apresentar bons resultados produtivos. 

São dois os tipos principais de cultivares disponíveis, as convencionais e as transgênicas

A soja convencional conta com uma tecnologia intrínseca, ou seja, sem modificação por melhoramento genético, possui tecnologia natural como ferramenta de manejo de alta resistência a doenças e alto potencial produtivo, além de também ter produtividade competitiva.

Já a soja transgênica possui alto potencial produtivo e as principais são a RR, resistente ao glifosato, e a IPRO que também possui tolerância ao glifosato e a alguns insetos como as lagartas. 

Entre os benefícios, as cultivares convencionais contribuem na manutenção da biodiversidade e, se em conjunto com a aplicação de manejo integrado, para uma maior conservação do meio ambiente. 

Além disso, atua na rotação de cultivares evitando o desenvolvimento de resistências a doenças e plantas daninhas.

Mas para isso, a qualidade da semente é importante. 

Então, lembre-se: uma semente certificada é sua melhor garantia de qualidade em atributos fisiológicos, físicos, sanitários e genéticos. 

Saiba um pouco mais no artigo Semente de soja: Principais cuidados e novas tecnologias para fazer a melhor escolha

soja convencional

(Fonte: Página Rural)

Vantagens da Soja Convencional

A cultivar deve atuar como uma ferramenta que auxilia no manejo da lavoura e, no caso das cultivares convencionais, você pode rotacionar os produtos fitossanitários de controle de plantas daninhas e pragas agrícolas. 

Além da vantagem de diminuir os custos da lavoura com o pagamento de royalties, existe a possibilidade de bonificação para esse tipo de produto, que vamos falar mais adiante. 

Mesmo não passando por um processo de melhoramento biotecnológico, como uma transgenia, os resultados de desempenho agronômico das cultivares convencionais também são competitivos.

Como exemplo, trabalhei com o teste de 13 cultivares e muitos pontos importantes foram considerados e revelados no resultado produtivo da cultivar. 

Os principais que são válidos considerar em características agronômicas:

  • Projeção de produtividade e estabilidade;
  • Grupo de maturação; 
  • Tolerância e resistência a doenças;
  • População;
  • Época de semeadura;
  • População recomendada. 

Para comparar essas cultivares e verificar as vantagens e desvantagens, foram utilizadas parcelas com o objetivo de avaliar o desempenho de cada uma, lado a lado.

Assim, foi possível verificar os dados dos vendedores de características agronômicas, descrição da semente, pacote sanitário, populações e data de semeadura de cada variedade. 

A partir daí, selecionamos as cultivares com alta adaptabilidade, média adaptabilidade e não recomendadas.

Entre os principais critérios foram considerados produtividade e estabilidade, tolerância a doenças, grupo de maturação, composição e altura do grão – que são as principais características varietais que devem ser ponderadas, engalhamento, acamamento, ciclo e nós viáveis. 

Com os resultados de desempenho agronômico deste teste foi decidido qual das cultivares seria colocada no próximo ano em uma parcela de hectares e, caso os resultados na próxima safra fossem mantidos, seria plantada em um grande talhão. 

Esse procedimento garantiu confiabilidade da adaptação e do desempenho da cultivar em nossas condições.

Diferenças entre soja convencional, Intacta e soja RR

Somente a partir de 2005 que a produção de soja transgênica foi liberada no Brasil. 

Nas cultivares transgênicas como RR ou IPRO (soja Intacta) são utilizados produtos do grupo dos glifosatos no manejo fitossanitário. 

Agora nas cultivares convencionais, você terá que utilizar produtos para folhas largas e produtos para folhas estreitas, sendo que isso pode ser uma grande vantagem.

Se considerarmos que 25% das perdas nas lavouras são por conta das plantas daninhas que estão apresentando mais resistência, a utilização de outros tipos de produtos fitossanitários vão auxiliar no manejo integrado. 

A mudança do manejo fitossanitário pode contribuir e muito com os resultados da sua área.

Como essas cultivares interferem nos resultados

Os resultados produtivos são iguais aos das cultivares transgênicas no quesito produtividade. As cultivares convencionais também são resistentes a nematoides como os cistos – que são mais comuns em áreas arenosas.

Veja esta lista de cultivares disponíveis no mercado que você pode verificar as recomendações agronômicas para a sua região:

  • BRS 7980 da Embrapa;
  • Cultivar BRS 8381 da Embrapa;
  • BRS 8581 da Embrapa;
  • BR 284 da Embrapa;
  • Brs 6680 da Embrapa;
  • 4182 da Amaggi/TMG;
  • ANsc83 022 da Agronorte; 
  • BRS pintado da Amaggi;
  • TMG 4185 da TMG;
  • W870 (Bayer) do Agrobom;
  • Msoy 8757 da Monsoy;
  • M 8866 da Monsoy;
  • FTS 4188 CV da FT.

Você também pode verificar as opções de cultivares de soja convencional no site da Embrapa, de acordo com sua localização. 

soja convencional

Cultivares por Região Edafoclimática (REC)
(Fonte: Embrapa Soja) 

Mercado da soja convencional

O mercado tem aumentado a demanda por soja convencional. Existem tendências que os animais na União Européia sejam alimentados exclusivamente com grãos não geneticamente modificados, segundo o relatório do Global Protein Ingredients.

Também há iniciativas como o Programa Soja Livre, uma parceria da Aprosoja Mato Grosso e da Embrapa para o fortalecimento e o desenvolvimento do mercado para a soja. O objetivo é que os produtores tenham poder de escolha por meio de conteúdos e dias de campo para repassar informações sobre as tecnologias das cultivares convencionais. 

Assim como o Centro de Difusão e Aprendizagem (CAD) – Parecis que tem promovido mostras dos campos experimentais com as sojas convencionais.  

A venda como soja convencional e sua bonificação é condicionada a todo o cuidado realizado durante o manejo, pois não é permitido a contaminação por soja transgênica.

Por isso, as práticas de limpeza do maquinário desde a plantadeira, colheitadeira e caminhões é muito importante.  

Vale lembrar que boas práticas tecnológicas como a inoculação e o manejo integrado de pragas fazem toda a diferença nos seus resultados produtivos.

planilha de produtividade da soja

Conclusão

As cultivares convencionais podem proporcionar um maior valor agregado ao produto e também contribuir em um manejo mais integrado da sua lavoura pela rotação de produtos.

Os custos de produção são altos e, por isso, vimos que realizar a escolha de uma cultivar que tenha alta produção e estabilidade é fundamental. 

O grande diferencial sempre é a compatibilidade de diferentes táticas para o sucesso da lavoura. 

E você, qual cultivar de soja convencional utiliza na sua lavoura? Ficou com dúvidas? Deixe o seu comentário abaixo.