Ferrugem asiática: 5 dicas para combater a doença

A ferrugem asiática da soja é uma das doenças mais severas e preocupantes da cultura no Brasil. 

Considerada uma doença foliar, pode reduzir a produtividade da lavoura em até 90%, gerando impactos econômicos expressivos e prejuízos difíceis de reverter.

Segundo a Embrapa, os custos com o manejo da ferrugem da soja ultrapassam US$ 2,8 bilhões por safra no Brasil. 

Isso mostra que identificar rapidamente os sintomas, conhecer o ciclo da doença e aplicar o manejo correto é indispensável para manter a lavoura sadia e produtiva.

Neste artigo, vou te explicar de forma simples e direta tudo o que você precisa saber sobre a ferrugem asiática da soja no Brasil, respondendo às principais dúvidas dos produtores.

O que causa a ferrugem asiática da soja?

A ferrugem asiática é uma doença foliar causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Esse patógeno se desenvolve nas folhas da planta e pode atingir qualquer ciclo da cultura, desde a emergência até a fase final de desenvolvimento.

O fungo se espalha pelo vento e precisa de umidade e temperaturas amenas para infectar a planta. Com condições favoráveis, o ciclo do patógeno é rápido, com repetições a cada 6 a 9 dias.

Além disso ela, tem diversos hospedeiros. São cerca de 150 espécies de leguminosas, incluindo o feijão-comum e a soja-perene em todas as regiões do país, da família Fabaceae.

Algumas plantas daninhas podem serhospedeiras alternativas da ferrugem asiática na entressafra, exigindo monitoramento e controle para evitar a sobrevivência do fungo.

Há relatos que indicam a ocorrência em espécies como corda-de-viola, leiteira, kudzu e beiço-de-boi, especialmente nas regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil.

A doença surgiu na América em 2001, no Paraguai, chegando ao Brasil meses depois, no Paraná, e hoje está presente em todas as regiões produtoras do país.

Qual é a causa da ferrugem asiática da soja?

A doença é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que só consegue sobreviver em tecidos vivos.

O patógeno se aloja em plantas da soja e outras leguminosas, inclusive daninhas, que funcionam como hospedeiras alternativas.

Durante a entressafra, se houver presença de tigueras ou plantas como corda-de-viola, kudzu e leiteira, o fungo permanece ativo e pronto para se espalhar assim que as condições climáticas forem favoráveis.

Quais são os sintomas da ferrugem asiática?

Os sintomas da ferrugem asiática da soja surgem nas folhas inferiores das plantas, com pontos escuros que se tornam pequenas lesões com aspecto de pústulas (urédias).

Com o tempo, os sintomas se espalham pelas folhas superiores, e as urédias liberam esporos em forma de pó alaranjado.

As folhas infectadas perdem o vigor, ficam amareladas e caem precocemente, reduzindo o enchimento de grãos e, consequentemente, a produtividade.

Para identificar os sintomas, é preciso monitorar e prestar atenção se a planta apresentar as seguintes características:

  • Folhas do terço inferior e médio com pontos escuros;
  • Pústulas na parte de baixo da folha (face abaxial);
  • Presença de esporos alaranjados ao toque;
  • Desfolha precoce e redução no vigor das plantas.

Se você perceber que as folhas estão amareladas e com pontos castanhos-claros, pode ser um sinal de que a ferrugem já está na lavoura a mais de 30 dias. Esse tempo dificulta o controle químico eficaz e causa prejuízos.

Foto ampliada de folha de soja com ferrugem asiática. Pontos avermelhados estão presentes em toda a folha.
(Fonte: Diário de Agrônomo)

Como ocorre o ciclo da ferrugem da soja?

O ciclo da ferrugem da soja começa com a liberação de urediniósporos (esporos) pelas urédias, que são levados pelo vento e se depositam nas folhas sadias. Para que a infecção aconteça, é necessário:

  • Molhamento foliar de pelo menos 6 horas;
  • Temperaturas entre 15 °C e 25 °C;
  • Alta umidade relativa do ar.

Com essas condições, o fungo penetra diretamente pela cutícula da folha e, em poucos dias, os primeiros sintomas surgem. O ciclo se repete rapidamente, ampliando a infecção na lavoura.

A ferrugem da soja precisa de mínimo seis horas de umidade na folha e temperaturas entre 15°C e 25°C para infectar a planta.

As chuvas prolongam a umidade e favorecem a doença e em temperaturas extremas (abaixo de 10 °C ou acima de 27 °C), são necessárias oito horas de molhamento foliar.

Se houver plantas hospedeiras na área, a infecção pode começar mais cedo e, mesmo sem sintomas aparentes, a infecção pode estar avançada no terço médio da planta.

Imagem ilustra o ciclo da ferrugem asiática da soja
(Fonte: Reis e Carmona)

Como combater a ferrugem asiática?

O combate à ferrugem asiática exige um manejo integrado e a combinação de diversas estratégias, já que nenhuma estratégia isolada é capaz de controlar a doença completamente.

Para ajudar nisso, separamos abaixo as principais práticas para reduzir os danos da doença. Veja:

1. Vazio sanitário

Vazio sanitário é o período de 60 a 90 dias sem presença de soja ou tigueras no campo, que reduz a população do fungo na entressafra.

O objetivo da técnica é reduzir o número de esporos do fungo, atrasando a ocorrência da doença na safra.

A partir disso, você também consegue diminuir o uso de aplicações de fungicidas, evitando o surgimento da resistência de populações de patógenos.

2. Calendarização da semeadura

Consiste em estabelecer datas-limite para o plantio de soja, evitando semeaduras tardias que favorecem a infecção precoce da cultura.

Semear a soja no início da época recomendada reduzir os danos causados pela doença, evitando que a soja receba o inóculo nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta.

planilha - monitore e planeje a safra de soja de forma automática

3. Uso de cultivares resistentes ou precoces

As variedades resistentes são uma opção para reduzir a necessidade de aplicações e o risco de danos graves. A Embrapa lançou cultivares como a BRS 511 e BRS 539, com bom nível de resistência, que apresentam bom nível de resistência à ferrugem asiática

Essas variedades também demonstram boa adaptação às condições climáticas brasileiras, o que contribui para uma maior produtividade e sustentabilidade no cultivo da soja.

4. Monitoramento da lavoura

Monitore a sua lavoura para definir o momento ideal de controle. Olhe as folhas na parte superior e observe se há pontos escuros. Depois, utilize uma lupa e observe a parte inferior das folhas.

Você deve se atentar se houver a presença de saliências, com aspecto de “vulcão”. O consórcio antiferrugem é uma ótima estratégia para monitorar em tempo real os focos da doença próximos à região de cultivo.

Você pode acessá-lo para registrar a ocorrência da doença em sua propriedade, ajudando outros produtores. Assim, produtores da região e proximidades devem permanecer em alerta e monitoramento das lavouras. 

5. Controle químico ferrugem asiática soja

O controle químico da ferrugem asiática da soja é feito com a aplicação de fungicidas preventivos ou no início dos primeiros sintomas da doença.

Segundo a Embrapa, mais de 68 produtos estão registrados para o controle da ferrugem, distribuídos entre os seguintes grupos químicos:

  • Carboxamidas
  • Estrobilurinas
  • Triazóis

A utilização desses fungicidas previne a pressão de seleção do fungo, evitando o desenvolvimento de resistência. Para otimizar os resultados e prevenir a resistência, algumas práticas recomendadas incluem:

  • Uso de fungicidas com diferentes modos de ação e em rotação, para evitar a aplicação sucessiva do mesmo princípio ativo;
  • Redução das aplicações excessivas de fungicidas, aliada a outras estratégias de controle, como a eliminação de plantas hospedeiras alternativas e o uso de cultivares resistentes;
  • Calendarização da semeadura para evitar o desenvolvimento da doença em períodos de alta pressão.

De acordo com as recomendações do FRAC (Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas do Brasil), as orientações para a utilização de fungicidas são:

  • Estrobilurinas: devem ser aplicadas sempre combinadas com triazóis, triazolintione A e/ou carboxamidas. O controle deve ser iniciado de forma preventiva;
  • Triazóis e Triazolintione: indicados para associação com estrobilurinas;
  • Carboxamidas: devem ser sempre aplicadas em combinação com fungicidas do grupo das estrobilurinas.

Essas estratégias, quando seguidas corretamente, podem maximizar a eficiência do controle químico e reduzir o risco de resistência do fungo à aplicação de fungicidas.

Checklist para manejo da ferrugem asiática da soja

  • Faça um planejamento agrícola bem feito, com todas as medidas de controle possíveis. Planeje a época de semeadura, monitoramento, tipos de fungicidas com diferentes mecanismos de ação, e outros;
  • Sempre monitore a lavoura a procura da ferrugem asiática da soja. Se necessário, peça auxílio de um profissional;
  • Cumpra o vazio sanitário de acordo com o seu estado;
  • Identifique se sua região tem o período de calendarização da semeadura e realize o plantio de variedades precoces;
  • Identifique quais fungicidas você pode utilizar. Faça isso de acordo com dados de redução da severidade da doença, produtividade da cultura e custo;
  • Avalie a possibilidade de utilizar variedades resistentes ou tolerantes na instalação da cultura;
  • Anote as suas atividades, custos e a produtividade da sua lavoura, para te auxiliar na gestão da sua propriedade.

Qual o melhor fungicida para a ferrugem asiática?

Não existe um fungicida isolado considerado o melhor. O ideal é usar produtos com diferentes mecanismos de ação, sempre em misturas e rotações, como recomenda o FRAC Brasil.

Estudos recentes da Embrapa apontam que combinações entre estrobilurinas + triazóis + carboxamidas apresentaram maior eficiência no controle da doença e melhor produtividade.

O que você mais deve levar em consideração, é o uso incorreto dos fungicidas, com repetição de princípios ativos e aplicações em momento inadequado.

Práticas desse tipo tem levado à redução da eficiência desses produtos, tornando a resistência do fungo é uma realidade cada vez maior. Por isso, sempre considere:

  • Rotacionar grupos químicos;
  • Evitar aplicações sucessivas de um mesmo ingrediente ativo;
  • Utilizar sempre nas doses e intervalos recomendados.

Novidades e tecnologias no combate à ferrugem

Estudos indicam que o uso de peróxido de hidrogênio (H2O2) em caldas com fungicidas pode aumentar a eficiência da aplicação, reduzindo em até 44% a severidade da doença.

Outra novidade é o uso de proteínas Harpin, com função de “vacina vegetal”. Estudos mostram incrementos de 3 a 5 sacas por hectare com essa tecnologia.

O uso de software de gestão agrícola também se destaca por oferecer um controle mais preciso da doença, a partir de funcionalidades como:

  • Mapeamento de áreas com focos;
  • Acompanhamento NDVI por satélite;
  • Alertas para aplicações no momento certo;
  • Caderno de campo;
  • Planejamento de safra.

O software de gestão agrícola não apenas otimiza o controle da saúde das lavouras, mas também oferece uma visão mais detalhada e estratégica das operações.

A tecnologia chegou para ser uma aliada, minimizar os riscos e maximizar a eficiência, para melhores resultados para o negócio agrícola.

Ferrugem no milho: Sintomas, identificação e controle

As ferrugens do milho estão entre as principais doenças da cultura, podendo causar perdas de até 65% na produtividade, como no surto registrado no Sul do Brasil na safra 2009/2010.

Entre elas, a ferrugem polissora é a mais agressiva, seguida pela ferrugem branca e a ferrugem comum.

Na safra atual, o avanço da ferrugem polissora tem preocupado produtores em regiões como PR, MS e GO, onde o clima favorece o desenvolvimento do fungo.

O uso de cultivares resistentes, aliado à aplicação correta de fungicidas e ao monitoramento das condições climáticas, é essencial para evitar prejuízos.

Dados da Embrapa Milho e Sorgo mostram que, entre as 315 cultivares disponíveis, apenas 55 apresentam resistência à ferrugem polissora, o que reforça a importância do manejo integrado.

Neste artigo, você vai aprender como identificar os sintomas, diferenciar cada tipo de ferrugem e aplicar as melhores estratégias de prevenção e controle. Proteja sua lavoura com informação e técnica!

O que causa a ferrugem no milho?

A ferrugem no milho pode ser causada por três tipos de fungos: Puccinia sorghi (Ferrugem Comum), Physopella zeae (Ferrugem Branca ou Tropical) ou Puccinia polysora (Ferrugem Polissora).

Esses fungos se desenvolvem em condições climáticas quentes e úmidas, com temperaturas entre 20°C e 30°C e alta umidade.

A ferrugem no milho afeta as folhas da planta, formando pústulas que liberam esporos, que podem se espalhar pelo vento, irrigação ou contato com equipamentos contaminados.

A doença é mais comum em áreas com histórico de infecção e em cultivos com manejo inadequado, como falta de rotação de culturas, uso contínuo de variedades suscetíveis e alta densidade de plantio.

Quando uma lavoura é atingida, pode diminuir o vigor das plantas, o peso dos grãos, antecipar a senescência e levar a perdas na produtividade.

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Quais os tipos de ferrugem no milho?

Os tipos de ferrugem no milho são a Puccinia sorghi, Puccinia polysora e Physopella zeae, todas causadas por fungos.

Embora todas causem danos à planta, a gravidade e os impactos variam de acordo com o patógeno e as condições da sua lavora.

Enquanto algumas formas podem ter um impacto mais moderado, outras, como a ferrugem polissora, são mais agressivas e podem resultar em perdas maiores, tanto na produtividade quanto na qualidade da safra. Confira mais detalhes abaixo:

1. Ferrugem polissora

A ferrugem polissora é considerada a doença foliar mais agressiva na cultura do milho. 

Causada pelo fungo Puccinia polysora, se desenvolve principalmente na parte superior das folhas e também nas bainhas foliares, comprometendo o enchimento de grãos e, consequentemente, a produtividade da lavoura.

Os primeiros sintomas aparecem como pequenas pústulas, de formato circular a elíptico, facilmente visíveis nas folhas infectadas.

As pústulas são pequenas saliências, localizadas nas folhas, que abrigam as estruturas reprodutivas do fungo. Quando se rompem, liberam os urediniósporos (esporos), que são espalhadas pelo vento.

Esses esporos funcionam como as sementes nas lavouras, germinando ao entrar em contato com a planta e causando a infecção, que dá origem à doença.

O estrago é tão grande, que na safra 2009/2010, a região Sul do Brasil registrou epidemias severas de ferrugem polissora nas lavouras de milho, causando inúmeras perdas.

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Figura 1. Detalhes da ferrugem no milho (Fonte: Lucas Silva (2010) em Fitopatologia)

2. Ferrugem comum do milho

A ferrugem comum do milho, causada pelo fungo Puccinia sorghi, é considerada a menos severa se comparada às outras ferrugens do milho.

Essa doença é bastante antiga na cultura do milho e de ampla distribuição pelo país, com sintomas que se manifestam por pústulas elípticas e alongadas em ambas as faces da folha.

A ferrugem comum se manifesta em temperaturas amenas, entre 16°C e 23°C, alta umidade relativa do ar e altitudes elevadas.

Quando está em condições favoráveis, pode causar seca prematura das folhas, redução no ciclo da planta e diminuição do tamanho e peso dos grãos.

A ampla distribuição da doença no Brasil possibilitou que programas de melhoramento genético selecionassem variedades de milho com maior resistência à Puccinia sorghi.

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Figura 2. Ferrugem comum do milho (Fonte: Nicésio F J A Pinto em Panorama/Embrapa)

3. Ferrugem branca do milho ou Ferrugem tropical

A ferrugem branca do milho, ou ferrugem tropical, é causada pelo fungo Physopella zeae, que também gosta de clima quente e úmido.

Os sinais dessa ferrugem no milho começam em ambas as faces da folha, com pústulas pequenas e brancas, que se agrupam em conjuntos paralelos à nervura central da folha.

Com o avanço da infecção, essas pústulas aumentam de tamanho e se espalham por toda a superfície foliar.

A ferrugem branca é mais frequente durante a safra de verão, em áreas tropicais e subtropicais, quando o calor e a umidade são maiores, criando um ambiente propício para a disseminação do fungo.

Por conta disso, algumas regiões são mais suscetíveis a doença, como: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, —especialmente durante a estação chuvosa —, Maranhão, Piauí e Bahia, no interior de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

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Figura 3. Como é a ferrugem tropical? (Fonte: Rodrigo Véras da Costa em Embrapa)

Ferrugem no Milho: Quais os sintomas e como identificar?

DoençaSintomasCondições Ambientais Favoráveis
Puccinia sorghi
(Ferrugem Comum)
Manchas elípticas e alongadas em ambas as faces; esporos de cor marrom-canelaBaixas temperaturas e alta umidade relativa do ar (UR)
Puccinia polysora (Ferrugem Polissora) Manchas pequenas, circulares e elípticas, com cor amarelo e douradoTemperaturas elevadas, e menos dependente da umidade relativa do ar que a ferrugem comum
Physopella zeae (Ferrugem Branca ou Tropical) Pequenos grupos de manchas paralelas às nervuras; esbranquiçadas, amareladas ou castanhasAmbiente úmido e quente

Você pode monitorar o tempo em sua lavoura (região) e relacionar com as condições favoráveis das ferrugens, como na ferrugem tropical, por exemplo:

Para monitorar o tempo você pode utilizar aplicativos gratuitos ou contar com soluções mais específicas, como as de um software de gestão rural.

O Boletim técnico da Epagri pode te ajudar a identificar essas e outras doenças, como também as pragas na cultura do milho.

Como controlar as ferrugens no milho?

A ferrugem no milho precisa ser controlada por manejo integrado que combine práticas culturais, uso de produtos fitossanitários e o monitoramento constante da lavoura.

Além desses cuidados, outras técnicas podem ser usadas para diminuir o impacto do fungo. Veja mais detalhes a seguir:

1. Variedades resistentes

O uso de variedades resistente é a principal estratégia de manejo para as ferrugens no milho.

Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo relataram que, na safra 2016/2017, foram disponíveis 315 cultivares de milho no mercado brasileiro. Destes, 63 eram resistentes à ferrugem comum, 55 à ferrugem polissora e 59 à ferrugem tropical.

O fungo que causa a ferrugem polissora apresenta uma elevada variabilidade, o que permite uma rápida adaptação às cultivares resistentes disponíveis no mercado. Por isso, é necessário que se continue o trabalho de pesquisa buscando novos genes de resistência.

2. Aplicação de fungicidas

O uso de fungicida para ferrugem no milho é recomendado principalmente no aparecimento das primeiras pústulas, especialmente quando há baixa resistência genética da cultivar utilizada.

A utilização de controle químico é justificável quando ocorre o aparecimento das primeiras pústulas (aplicação foliar) ou quando os campos possuem baixa ou média resistência genética.

As aplicações mais efetivas têm sido as estrobilurinas e dos triazois, nas doses recomendadas pelos respectivos fabricantes.

Os fungicidas combatem as doenças em média até 20 dias após aplicação, dependendo das condições climáticas e do nível da doença.

3. Rotação de Culturas

A rotação de culturas reduz a pressão de doenças, especialmente da ferrugem no milho.

Quando você cultiva outras plantas, como soja, feijão ou sorgo, em áreas que antes estavam com milho, o ciclo do fungo é interrompido, diminuindo as chances de reinfestação.

Com isso, é possível evitar o acúmulo de inóculo do fungo nas lavouras, evitando mais problemas futuras e, principalmente, perdas financeiras por conta do cultivo contaminado.

4. Manejo de Plantas Daninhas

As plantas daninhas podem servir como hospedeiras alternativas para os fungos que causam a ferrugem no milho.

Por isso, o controle eficiente de plantas daninhas do milho evita que elas se tornem fontes de inoculação para a doença.

O controle pode ser feito tanto com o uso de herbicidas ou práticas de controle mecânico, como capinas, por exemplo.

Guia para manejo de plantas daninhas

5. Plantio em épocas certas

O planejamento do calendário de plantio é importante para evitar o cultivo do milho em períodos climáticos favoráveis ao desenvolvimento do fungo, como no pico das chuvas e nas altas temperaturas.

O plantio antecipado ou no momento certo pode ajudar a escapar da proliferação intensa do fungo, principalmente quando é integrado e combinado a outras estratégias de controle.

O uso de fungicidas e o monitoramento da lavoura, são estratégias simples e que reduzem muito a incidência da ferrugem do milho.

6. Monitoramento da lavoura

O monitoramento da lavoura permite a detecção precoce dos primeiros sinais de infecção e a aplicação de medidas antes que a doença se espalhe.

Inspeções regulares nas lavouras, com foco nas folhas inferiores onde as pústulas podem aparecer, são ótimas para identificar os primeiros sintomas, como manchas amareladas ou laranjas.

A tecnologia é outra aliada, com o uso de drones e sensores de imagem, tem facilitado o monitoramento em larga escala, com identificações mais precisas de áreas infectadas.

Além disso, o monitoramento climático é outro ponto que pode ajudar muito na identificação da ferrugem.

Para otimizar o processo, softwares de gestão rural, com NDVI, oferecem orientação personalizadas, caderno de campo, planejamento preciso da lavoura e gestão de recursos.

Com esses recursos, é mais fácil de identificar problemas como a ferrugem no milho, podendo antecipada e implementar estratégias de controle mais eficientes.

Tipos de nematoides: conheça suas características e saiba como combatê-los

Tipos de nematoides mais frequentes nas culturas agrícolas: saiba o que fazer para evitar esse prejuízo na lavoura

A redução da produtividade na sua lavoura pode ser causada por vários fatores, entre eles os nematoides.

A presença desses organismos na lavoura causa prejuízos em torno de R$ 35 bilhões ao agronegócio nacional, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN). Nos canaviais, as perdas ultrapassam R$ 12 bilhões e, na soja, passam de R$ 16 bilhões.

Conheça a seguir os principais tipos de nematoides que atacam culturas agrícolas e como fazer o manejo mais adequado na sua propriedade.

O que é um nematóide? 

Os nematóides são vermes microscópicos, encontrados no  solo, água doce, água salgada e como parasitas de plantas, animais e humanos. 

Com mais de 25.000 espécies descritas, esses organismos variam em tamanho, de menos de 1 milímetro a vários centímetros, sendo responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e o ciclo de nutrientes no solo.

Na agricultura, são conhecidos por serem parasitas causadores de doenças, responsáveis por grandes prejuízos ao atacarem as raízes, dificultando a absorção de água e nutrientes pelas plantas, em especial os gêneros:

  1. Meloidogyne (nematóide-das-galhas);
  2. Pratylenchus (nematóide das lesões radiculares);
  3. Heterodera (nematóide do cisto). 

A presença desses parasitas são causadas por fatores como solos contaminados, uso de mudas ou sementes infectadas, práticas agrícolas inadequadas e condições ambientais favoráveis, como solos compactados, pobre em matéria orgânica e com alta umidade. 

Além disso, a movimentação de máquinas, ferramentas e irrigação com água contaminada também contribuem para a disseminação desses parasitas, causando grandes danos na lavoura. 

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Ciclo de vida dos nematoides

O ciclo de vida dos nematoides varia dependendo da espécie, mas, em geral, segue algumas etapas comuns. 

O ciclo começa com a postura de ovos pela fêmea, que pode ocorrer tanto no solo quanto nas raízes das plantas. Quando os ovos eclodem, liberam juvenis (geralmente no estádio J2), que são a forma infectante e podem se mover pelo solo em busca de raízes. 

Uma vez que encontram uma raiz hospedeira, esses juvenis penetram nas células do sistema radicular e começam a se alimentar, o que pode causar danos ao tecido da planta.

Dependendo dos tipos de nematoides, esse processo pode envolver diferentes interações com as células das raízes, como a formação de galhas ou lesões. 

Os nematoides passam por várias mudas até atingirem a fase adulta, podendo formar cistos ou liberar ovos que reiniciam o ciclo. Em espécies como o nematoide de cisto (Heterodera), as fêmeas se fixam nas raízes e se transformam em cistos, abrigando os ovos. 

O ciclo completo pode durar de semanas a meses, dependendo das condições ambientais, como temperatura e umidade.

Tipos de nematoides importantes na agricultura

Os tipos de nematoides são um grande problema na agricultura em razão dos prejuízos que podem causar em diversas culturas agrícolas. 

Lavouras atacadas por esses fitoparasitas têm plantas menores, amareladas, com lesões no sistema radicular. Além disso, os nematoides podem causar a morte das plantas. 

Os primeiros sintomas de sua presença geralmente são percebidos na parte aérea das plantas, devido à dificuldade na absorção de água e nutrientes. 

Sintomas esses que, inclusive, podem ser confundidos com deficiência nutricional e estresse hídrico.

1. Meloidogyne 

Também conhecidos como nematoides das galhas, esse tipo de parasita tem fêmeas com corpo globoso e “pescoço”, que depositam ovos em aglomerados na raiz. 

Dentro do ovo ocorre a fase juvenil J1, que evolui para J2, estádio em que saem no solo à procura de raízes. 

Ao encontrá-las, os nematoides injetam secreções que modificam algumas células, formando células gigantes (nutridoras) e galhas, resultado do crescimento e divisão celular estimulados por reguladores de crescimento. 

Nesse estágio, os parasitas perdem a mobilidade e passam pelas fases J3 e J4 até se tornarem adultos. Machos, quando presentes, têm corpo filiforme e alongado.

Sintomas Meloidogyne incognita 

  • Galhas (não é um sintoma obrigatório, podendo não ocorrer em algumas espécies de planta hospedeiras e, em outras, podem ser de tamanho reduzido);
  • Redução do sistema radicular; 
  • Raízes digitadas;
  • Rachaduras;
  • Tamanho desigual das plantas;
  • Murchamento;
  • Desfolha;
  • Redução na produção.

Alguns desses sintomas podem ocorrer por outras causas, isso também para os demais tipos de nematoides. Por isso, é importante a correta diagnose do agente causal, que vamos falar mais adiante.

2. Pratylenchus

Esse tipo de nematóide são conhecidos pelas lesões radiculares, que se caracterizam por sua forma filiforme e movimento intenso, tanto nas fases jovens quanto adultas. 

As fêmeas depositam os ovos separadamente no solo ou nas raízes das plantas. A partir do estádio J2, iniciam o processo de parasitismo. 

Durante a alimentação, injetam secreções tóxicas nas células das raízes, o que leva à morte celular após a saída do nematoide, resultando em lesões necróticas nas raízes.

No Brasil, há algumas espécies com maior ocorrência, como:  P. coffeae, Pratylenchus brachyurus e P. zeae

O Pratylenchus brachyurus pode afetar muitas espécies de plantas cultivadas como soja, arroz, cana-de-açúcar, trigo, milho, sorgo, algodão e outras. Pode causar perdas de até 50% na produtividade de grãos de soja, por exemplo.

Sintomas do Nematoide Pratylenchus

  • Redução do sistema radicular;
  • Lesões nas raízes;
  • Redução na produção;
  • Podem ocorrer em reboleiras.

3. Heterodera

O nematoide de cisto, do gênero Heterodera, é de grande importância no Brasil, especialmente o Heterodera glycines, causador de danos à soja, sua principal hospedeira. 

Após a eclosão dos ovos, os juvenis parasitas (J2), que são móveis e filiformes, se tornam infectantes e penetram nas raízes das plantas.

Ao entrar nas raízes, eles estimulam a formação de células nutridoras e se fixam, passando por várias trocas de tegumento até atingirem a fase adulta.

Com o crescimento dos juvenis, ocorre o rompimento do córtex e da epiderme da raiz, deixando parte do corpo do nematoide exposta. 

As fêmeas adultas, com o corpo parcialmente fora da célula, fixam-se por uma região chamada pescoço, com formato semelhante a um limão. 

A coloração das fêmeas varia de branca ou amarelada para marrom à medida que o ciclo avança. 

Durante o ciclo, as fêmeas retêm a maior parte dos ovos dentro de seus corpos, o que leva à sua morte e à formação de cistos, que ficam cheios de ovos.

Os cistos têm uma parede muito resistente e podem ser dispersos no solo. Os ovos podem sobreviver nessa estrutura por muito tempo, o que acaba dificultando uma medida de manejo que é a rotação de cultura.

Sintomas do Nematoide Heterodera

  • Plantas com porte reduzido;
  • Plantas cloróticas em reboleiras (por isso a doença também é chamada de nanismo amarelo);
  • Pode ocorrer a morte das plantas.

Existem raças do NCS, sendo que no Brasil já foram encontradas 11 delas. No caso da soja, há algumas cultivares resistentes ao nematoide do cisto.

4. Rotylenchulus 

Uma espécie desse nematoide importante no Brasil é o R. reniformis, também chamado de nematoide reniforme. Esse nematoide tem causado grandes prejuízos na cultura do algodão.

As fêmeas do nematoide reniforme são semiendoparasitas. Após a eclosão dos ovos, os juvenis femininos procuram raízes da planta hospedeira. 

Assim que encontram, penetram parcialmente, ou seja, metade do corpo fica para fora da raiz. 

Com o tempo, o corpo das fêmeas aumenta e adquire uma forma de rim, por isso o nome de reniforme. Já os machos não são fitoparasitas.

Sintomas do Nematoide Rotylenchulus 

  • Clorose (amarelamento das folhas);
  • Crescimento reduzido e desenvolvimento desigual;
  • Raízes atrofiadas;
  • Formação de nódulos nas raízes;
  • Morte precoce das plantas.

5. Tylenchulus

Uma espécie importante desse gênero é o T. semipenetrans, o nematoide dos citros, que atualmente está bastante disseminado pelo país.

As fêmeas colocam os ovos na parte exterior das raízes, que dão origens a fases juvenis, e após algumas ecdises, originam os adultos.

Normalmente, os sintomas ocorrem tardiamente nas plantas por, atualmente, se utilizar mudas sadias e também porque apesar de muito disseminado nas áreas, o nível populacional é baixo. 

Sintomas do Nematoide Tylenchulus

  • Clorose (amarelamento das folhas);
  • Deficiência de nutrientes;
  • Morte de ramos e galhos;
  • Atraso na maturação dos frutos;
  • Redução na formação de raízes laterais.

6. Radopholus

Uma espécie importante desse gênero é R. similis, também chamado de nematoide cavernícola, sendo muito importante para a cultura da bananeira

O tipo de parasitismo se assemelha ao gênero Pratylenchus, que também causa lesões nas raízes.

Em ataques severos do nematoide, as plantas de banana podem tombar pela ação do vento ou pelo peso dos cachos.

Sintomas do Nematoide Radopholus

  • Lesões necrosadas em áreas específicas das raízes;
  • Decomposição das raízes;
  • Desfolha e murchamento irregular;
  • Rachaduras nas raízes. 
Planilha de manejo integrado de pragas

Como identificar nematoides na lavoura?

O sintoma de ataque em reboleira é um dos principais indicativos de que pode haver infestação de tipos de nematoides na lavoura. A principal característica é o baixo vigor, desenvolvimento limitado da parte aérea das plantas e clorose das folhas. 

Solos arenosos ou franco-arenosos são mais propícios à movimentação e migração desses organismos, mas nem o solo argiloso nem áreas com baixo índice de matéria orgânica estão imunes à infestação. 

Além disso, temperaturas acima de 28°C e alta umidade, condições comuns no clima tropical, também favorecem a proliferação dos nematoides.

Os sintomas causados por nematoides podem ser confundidos com deficiências nutricionais ou estresse hídrico, pois afetam a absorção de água e nutrientes.

Para identificar a causa, é necessário investigar o solo e as raízes, conhecer os principais tipos de nematoides e realizar uma amostragem do solo e raízes (a 25-30 cm de profundidade). 

Nematoides: como identificar e controlar

Como prevenir todos os tipos de nematoides na lavoura?

A prevenção de qualquer tipo de nematóide em uma lavoura envolve cuidados diversos, que podem ser combinados entre si.

Um dos mais comuns é o plantio direto, que tem contribuído, em partes, nessa mudança de percepção sobre solo, sua estrutura e vida. Ainda, a rotação com plantação de amendoim pode reduzir a incidência dessas pragas. Mas os seguintes cuidados ajudam na prevenção:

1. Limpeza do maquinário   

A movimentação de nematoides no solo é bastante limitada. Por isso, o deslocamento de maquinário contribui na disseminação entre áreas desses microrganismos.

A limpeza é tão fundamental quanto a regulagem do maquinário e uma das opções é começar os manejos pelas áreas limpas, deixando por último a área infestada.

2. Rotação de culturas 

A rotação de culturas é uma das melhores técnica de manejo para controlar a infestação de nematoides no solo. 

Ao alterar as culturas cultivadas de uma safra para a outra, é possível evitar que os parasitas encontrem hospedeiros específicos e possam se reproduzir constantemente, quebrando o ciclo de vida desses organismos. 

Muitas espécies de nematoides são seletivas quanto às plantas que atacam, por isso, ao optar por culturas que não são hospedeiras para esses parasitas, conseguimos reduzir a sua população no solo.

Além disso, algumas plantas utilizadas na rotação, como leguminosas e adubos verdes, não apenas interrompem o ciclo dos nematoides, mas também contribuem para a melhoria do solo. 

Essas plantas aumentam a matéria orgânica, o que favorece o equilíbrio microbiológico, além de melhorar a estrutura do solo, tornando-o mais saudável para as culturas subsequentes. 

Algumas espécies, como a crotalária, atuam diretamente como armadilhas para os nematoides, impedindo que suas larvas se desenvolvam completamente.

3. Análise de solo

Caso os sintomas já estejam presentes na área, é preciso identificar a causa do problema e determinar a espécie predominante para implementar um programa de controle eficaz. Uma análise de solo bem executada pode garantir resultados precisos.

A coleta deve ser realizada dividindo a área em quadrantes de 2 a 10 hectares. Pelo menos 5 a 10 quadrantes devem ser selecionados, e uma amostra composta retirada de cada um. O solo deve ser aberto em forma de V, da superfície até 25-30 cm de profundidade, retirando a lâmina lateral.

Neste processo, algumas precauções importantes incluem: evitar deixar as amostras ao sol, pois os nematoides são sensíveis e deterioráveis; realizar a análise o mais rápido possível, armazenando as amostras a 10°C (na geladeira) por até 2 semanas, sem colocar no congelador.

4. Controle biológico de nematóides

O controle biológico de nematoides é uma abordagem que utiliza organismos vivos, como predadores naturais, fungos, bactérias e plantas biofumantes, para reduzir as populações de nematoides no solo. 

Métodos como o uso de Paecilomyces lilacinus, Bacillus thuringiensis, e plantas como a crotalária, que atuam como armadilhas ou liberam compostos nematicidas, são eficazes no controle desses parasitas. 

Além disso, a rotação de culturas com plantas que favorecem microrganismos benéficos e o uso de compostos orgânicos ajudam a melhorar a biodiversidade do solo e a reduzir a infestação de nematoides. 

Micro-organismos que controlam nematóides

O controle biológico de vários tipos de nematoides pode envolver o uso de micro-organismos naturais que atuam para reduzir as populações desses parasitas no solo, como: 

  1. Trichoderma harzianum: Fungo que combate o nematoide das lesões radiculares Pratylenchus spp.
  2. Paelomyces lilacinus: Fungo que afeta diretamente a capacidade reprodutiva dos nematoides.
  3. Bacillus amiloliquefaciens: É uma bactéria que pode inibe a penetração dos nematoides nas raízes, promovendo a morte do embrião de nematoide dos ovos presentes próximos ao sistema radicular.
  4. Pochonia chlamydosporia: É um fungo que controla o nível populacional de nematoides dos gêneros Meloidogyne, Heterodera, Rotylenchulus, Pratylenchus.
  5. Arthrobotrys spp.: Fungo que atua pela formação de estruturas ao longo das hifas, penetra o nematóide, se desenvolve em seu interior e lança suas estruturas vegetativas e reprodutivas para o exterior. 

Ao integrar esses micro-organismos ao manejo agrícola, o controle dos nematoides pode ser realizado de maneira eficiente, além de ser possível reduzir a dependência de produtos químicos, favorecendo práticas mais ecológicas e sustentáveis. 

A Aegro pode ser uma aliada importante nesse processo a partir do monitoramento da lavoura, imagens em NDVI e outras vantagens para o controle e produtividade da sua fazenda. Clique no banner e saiba mais! 

Principais doenças de solo e como proteger suas culturas

O solo é um dos recursos mais importantes para a agricultura, não apenas sustenta as plantas, mas também influencia diretamente a qualidade e a produtividade das lavouras.

Quando negligenciado, pode se tornar um ambiente propício para o surgimento de doenças de solo que afetam severamente a produção agrícola. 

Estas doenças podem comprometer as raízes, caules e até os frutos prejudicando tanto a qualidade quanto a quantidade colhida

A grande maioria das doenças de solo são causadas por agentes patogênicos como fungos, bactérias, nematóides e vírus que sobrevivem e se multiplicam no solo.

Essas pragas atacam diretamente as plantas comprometendo seu desenvolvimento e em muitos casos levando à morte.

A presença desses organismos no solo é um dos principais fatores que comprometem a longevidade das lavouras e a saúde do ecossistema agrícola.

O que são doenças de solo?

As doenças de solo são originadas por agentes patogênicos como fungos, bactérias, nematoides e vírus, que possuem a capacidade de sobreviver e se multiplicar no ambiente do solo, criando condições desfavoráveis ao desenvolvimento das plantas.

Esses organismos podem permanecer inativos no solo por longos períodos, esperando condições adequadas para se retirarem e atacarem as culturas agrícolas.

É comum agirem diretamente nas raízes e, em alguns casos, nas partes aéreas das plantas, interferindo na absorção de água e nutrientes, enfraquecendo o sistema radicular e limitando o crescimento das culturas.

Além disso, podem causar sintomas como lesões, podridões, murchas e até a morte das plantas, comprometendo seriamente a produtividade e a viabilidade econômica da lavoura.

Um aspecto preocupante é que esses agentes patogênicos se adaptam facilmente às condições do ambiente e podem ser disseminados por meio de água, vento, resíduos de culturas anteriores, ferramentas agrícolas contaminadas ou pelo trânsito de máquinas e implementos entre talhões.

Isso torna o manejo das doenças de solo um grande desafio para os produtores. Entre os exemplos mais comuns estão fungos como Fusarium spp. e Rhizoctonia solani, que causam doenças como tombamento de plântulas e podridão de raízes, além de nematoides como Meloidogyne spp., responsáveis por formar galhas nas raízes.

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Quais as principais doenças do solo? 

As principais doenças do solo vão variar conforme a cultura e o patógeno. Algumas delas são mais comuns na lavoura de soja, como a antracnose, mas podem aparecer em outras plantações. 

De qualquer forma, existem pelo menos 7 doenças de solo que você deve se preocupar. Acompanhe quais são elas e como tratar. 

 1. Tamanduá-da-Soja (Sternechus subsignatus)

  • Sintomas: Corte na base das hastes da soja, murcha das plantas e redução do porte e menor número de vagens.
  • Principais culturas afetadas: Soja e algumas leguminosas. 
  • Impactos: Perda total da planta afetada e redução na produtividade devido à queda de vagens.
  • Manejo: Rotação de culturas para evitar a perpetuação do ciclo da praga, controle químico com inseticidas direcionados à fase adulta e Destruição dos restos culturais para eliminar os refúgios da praga.

Confira mais informações no conteúdo 12 principais pragas da soja que podem acabar com sua lavoura.

2. Broca-do-Café (Hypothenemus hampei)

  • Sintomas: Perfuração nos frutos do café e grãos ocos ou com perda de qualidade devido à alimentação da larva.
  • Impactos: Redução da qualidade dos grãos e perdas na produtividade que podem chegar a 30% em infestações severas.
  • Manejo: Monitoramento com armadilhas de captura, uso de inseticidas específicos em momentos de maior vulnerabilidade e controle biológico com fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana.

Para mais informações sobre o patógeno siga a leitura: Broca-do-café: Alternativas de controle.

3. Antracnose (Colletotrichum spp.)

  • Sintomas: Lesões escuras em vagens, folhas, hastes e sementes, apodrecimento e queda de folhas em estágios avançados.
  • Principais culturas afetadas: Soja, feijão, milho, tomate e algodão.
  • Impactos: Perda de produtividade devido ao apodrecimento de vagens e frutos, e redução na qualidade das sementes.
  • Manejo: Uso de sementes sadias e certificadas, tratamento de sementes com fungicidas, rotação de culturas e manejo de restos culturais.

Saiba mais informações sobre a Antracnose e detalhes de como realizar o controle para diferentes culturas.

4. Tombamento (Fusarium spp., Rhizoctonia solani, Phytophthora spp.)

  • Sintomas: Morte de plântulas logo após a emergência, lesões marrons ou negras no coleto e reboleiras de falhas no estande.
  • Principais culturas afetadas: Soja, feijão, milho, algodão e hortaliças.
  • Impactos: Perda de plantas na fase inicial e dificuldade em atingir o estande ideal.
  • Manejo: Tratamento de sementes com fungicidas específicos, uso de variedades resistentes, adequação do espaçamento e drenagem para evitar excesso de umidade.

Saiba todas as informações sobre tombamento da soja e como fazer o melhor manejo na sua lavoura.

5. Nematóides (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp., Heterodera glycines)

  • Sintomas: Raízes com galhas ou lesões necróticas, murcha, clorose e plantas de menor porte e reboleiras com falhas no estande.
  • Principais culturas afetadas: Soja, milho, feijão, algodão, cana-de-açúcar e hortaliças.
  • Impactos: Redução na capacidade de absorção de água e nutrientes, e queda significativa na produtividade.
  • Manejo: Uso de cultivares resistentes ou tolerantes, rotação de culturas com plantas não hospedeiras, controle biológico com agentes como Bacillus spp. ou Pasteuria spp e uso de nematicidas em casos severos.
Nematoides: como identificar e controlar

6. Lagarta-Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

  • Sintomas: Ataque ao coletor (base do caule), causando murcha e morte das plantas, e plântulas mortas em reboleiras.
  • Principais culturas afetadas: Milho, soja, sorgo, algodão e feijão.
  • Impactos: Perda de plantas na fase inicial, comprometendo o estande.
  • Manejo: Tratamento de sementes com inseticidas, manejo da palhada para reduzir populações iniciais, monitoramento e controle químico em áreas de alta infestação.

7. Coró-da-Soja (Phyllophaga spp.)

  • Sintomas: Corte das raízes e morte das plantas em reboleiras e murcha causada pela perda de capacidade de absorção de água e nutrientes.
  • Principais culturas afetadas: Soja, milho, pastagens e trigo.
  • Impactos: Redução do estande e produtividade, plantas enfraquecidas e maior suscetibilidade a estresses.
  • Manejo: Rotação de culturas com espécies menos suscetíveis, tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e manejo integrado, incluindo controle biológico com nematóides entomopatogênicos.
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Como evitar doenças de solo?

A melhor forma de evitar doenças de solo é a implementação de práticas agronômicas que protejam as plantas e promovam a saúde do solo, reduzindo a presença e a atividade de agentes patogênicos. 

As medidas a seguir são essenciais para minimizar os impactos e, ao mesmo tempo,  garantir uma lavoura mais resiliente e produtiva. Confira:

1. Rotação de culturas

Alterar as culturas no mesmo talhão ao longo das safras é uma técnica eficaz para reduzir a pressão de patógenos. 

Ao introduzir plantas que não são hospedeiras, como crotalária antes da soja ou milho, é possível interromper o ciclo de vida de fungos, nematoides e outras pragas

Além disso, essa a rotação de culturas a diversificar os sistemas de cultivo, promovendo um equilíbrio biológico no solo.

2. Cobertura do solo 

As plantas de cobertura, como crotalária, braquiária e milheto, desempenham um papel importante no manejo de doenças. 

Sua função é criar uma barreira física que dificulta a proliferação de pragas e patógenos, além de melhorar a estrutura do solo e contribuir para a retenção de umidade e nutrientes. 

A cobertura também reduz a erosão e previne o aparecimento de plantas daninhas que podem servir como hospedeiras de doenças.

3. Higienização de equipamentos

A movimentação de máquinas e implementos agrícolas entre talhões pode disseminar patógenos, como fungos e nematoides. 

Por isso, é essencial realizar a limpeza e a desinfecção regular dos equipamentos. 

O uso de desinfetantes específicos e a eliminação de resíduos de solo e vegetais aderidos às máquinas ajudam a evitar a contaminação cruzada entre áreas.

4. Adubação equilibrada

Fornecer nutrientes em quantidades adequadas é uma medida excelente para fortalecer as plantas e tornar a lavoura menos vulnerável a doenças. 

Solos bem nutridos e com balanço adequado de macro e micronutrientes proporcionam um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das culturas e menos propício à proliferação de patógenos. 

A aplicação de matéria orgânica e compostos orgânicos também pode melhorar a atividade microbiológica do solo, inibindo a ação de organismos prejudiciais.

5. Análise periódica do solo

Realizar análises regulares do solo permite identificar a presença de patógenos e avaliar as condições gerais da área. 

Com base nos resultados, é possível implementar práticas corretivas, como o ajuste do pH ou a aplicação de produtos biológicos que favorecem a saúde do solo.

6. Uso de produtos biológicos 

O uso de bioinsumos, como microrganismos antagonistas, são ferramentas importantes no manejo de doenças de solo

A aplicação em fungos como Trichoderma spp. e bactérias como Bacillus spp. podem ser aplicados para combater diretamente os patógenos e melhorar o equilíbrio biológico do solo.

Doenças do solo: Um desafio constante

As doenças de solo são desafios constante que exigem atenção contínua e práticas bem planejadas. 

Conhecer os patógenos, entender as particularidades do solo e adotar medidas de manejo adequadas são ações indispensáveis para garantir a saúde das culturas e a sustentabilidade da produção agrícola. 

Ao aplicar soluções como rotação de culturas, uso de sementes certificadas e controle biológico, o é possível minimizar muito os impactos dessas doenças e preservar sua lavoura ao longo dos ciclos.

Outro ponto que também ajuda é o monitoramento regular da lavoura. No Software Aegro é possível ter esse tipo de cuidado por NDVI, além de fazer manejo integrado de pragas e registrar cada evolução no próprio sistema.

Nematóides do milho: Veja quais são os sintomas e o melhor cuidado

O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores de milho no cenário global, ficando atrás dos Estados Unidos e da China. 

Para a safra 2023/24, a produção nacional foi estimada em 118,5 milhões de toneladas, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). 

De acordo com um estudo desenvolvido pela Syngenta, a Agroconsult e a Sociedade Brasileira de Nematologia, os prejuízos causados por nematoides do milho podem superar R$ 873 bilhões até 2031, com mais de R$ 110 bilhões relacionados exclusivamente à produção de milho.

Os nematóides do milho são um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores, por serem organismos microscópicos e podem causar perdas econômicas expressivas. 

Principais sintomas de nematoides do milho 

Os nematóides do milho podem causar danos severos, especialmente no sistema radicular, comprometendo a absorção de água e nutrientes. 

Embora os sintomas sejam mais visíveis em cultivos como a soja, onde é comum a formação de reboleiras, no milho o impacto é mais silencioso, mas igualmente prejudicial.

Identificar os sinais logo no início, pode salvar a lavoura. Neste sentido, fique de olho se a plantação apresentar: 

  • Manchas desuniformes no campo: áreas com plantas de diferentes alturas e vigor;
  • Folhas amareladas: indicativo de deficiência de nutrientes;
  • Raízes deformadas ou com galhas: sinal clássico de ataque de Meloidogyne spp.
  • Redução no desenvolvimento: perceptível em períodos de estresse hídrico.

Esses sintomas geralmente são mais visíveis em solos com histórico de compactação ou baixa fertilidade.

planilha de planejamento da safra de milho

Ciclo de vida dos nematóides no solo

Os nematóides têm um ciclo de vida complexo que inclui as fases de ovo, larva e adulto.  As condições ambientais, como temperatura e umidade, influenciam diretamente sua reprodução e atividade. 

Em solos compactados ou mal manejados, os nematóides encontram condições ideais para sua multiplicação.

Além disso, práticas como o uso de maquinário contaminado e o cultivo contínuo de culturas hospedeiras contribuem para a dispersão e o aumento das populações. 

As plantas daninhas e tigueras também são importantes hospedeiras para essas pragas, mantendo sua população ativa mesmo na ausência de uma cultura principal.

Espécies de nematóides que atacam o milho

Os nematóides do milho podem atacar as plantas em qualquer estágio de desenvolvimento após a eclosão do ovo. Por esse e outros motivos, o manejo adequado desde o início do ciclo é tão importante. 

A falta de cuidados pode gerar danos devastadores, causando perdas significativas na produção de milho, que podem chegar a 50% em situações de alta infestação na fase inicial. 

Você não precisa passar por esse problema se souber identificar os parasitas. Confira a lista que preparamos abaixo:

1. Meloidogyne spp. (nematóide das galhas)

Este tipo de nematóide induz a formação de galhas nas raízes, que são estruturas que dificultam a absorção de nutrientes e água, resultando em plantas debilitadas.

O seu ciclo se completa no solo e nas raízes hospedeiras, passando por fases de ovo, larva e adulto, também sendo comum nas culturas da soja, tomate, algodão, batata e cenoura.

Figura 2. Galhas em raízes de milho causadas pela atividade do nematoide-das-galhas.
Fonte: NCStateExtension, 2022.


2. Pratylenchus spp. (nematóide das lesões radiculares)

Ataca diretamente as células radiculares, provocando lesões que servem como porta de entrada para patógenos secundários, como fungos e bactérias. 

O Pratylenchus spp. é um nematoide do milho classificado como endoparasita migrador, o que significa que ele se desloca e se alimenta dentro dos tecidos das plantas. 

Já o Pratylenchus zea é frequentemente encontrado em áreas cultivadas com gramíneas, enquanto o P. brachyurus ocorre com maior frequência em sistemas de rotação que incluem culturas como soja e algodão, devido à sua ampla gama de hospedeiros. 

Entre os principais sintomas estão lesões escuras e necroses nas raízes, além da redução das radicelas, consequências diretas da alimentação e deslocamento dos nematoides nos tecidos vegetais. 

Figura 3. Lesões necróticas em raízes de milho causadas pelo nematoide-das-lesões.
Fonte: ExtensionAUS, 2017.

Quais danos os nematóides do milho causam?

Os nematóides do milho causam danos diretos às raízes, como necroses e deformações, além de comprometerem a estrutura do sistema radicular.  Esses danos facilitam a entrada de patógenos secundários, resultando em doenças como:

1. Podridão radicular causada por Fusarium spp.: agravada por lesões feitas pelos nematóides.
2. Murcha bacteriana: nematóides abrem portas para infecções bacterianas.
3. Deficiências nutricionais generalizadas: decorrentes da incapacidade das raízes de absorver nutrientes adequadamente.

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Como reconhecer nematoides na lavoura?

A identificação de nematoides do milho é um desafio para os produtores, devido ao fato de os sintomas serem confundidos com deficiências nutricionais ou outras condições adversas, como estresse hídrico

No entanto, observar o comportamento das plantas, combinado com análises de solo e raízes, pode ajudar a diferenciar os tipos de nematoides que afetam a lavoura de milho.

Os nematoides das lesões (Pratylenchus spp.) se destacam pela presença de lesões necróticas nas raízes, redução das radicelas e a formação de reboleiras, onde as plantas apresentam porte reduzido. 

Por outro lado, os nematoides das galhas (Meloidogyne spp.) induzem a formação de galhas características nas raízes, associadas a deformações radiculares e sintomas de amarelecimento das folhas, especialmente em infestações severas.

Além desses, há os nematoides ectoparasitas, que vivem no solo ao redor das raízes e causam sintomas menos evidentes na parte aérea. Apesar de sua ação ser mais discreta, a redução do crescimento radicular é um indicador importante de sua presença.

A tabela a seguir fornece um panorama detalhado dos sintomas associados a cada tipo de nematoide e as características que os diferenciam no campo, facilitando o diagnóstico e o manejo adequado.

Tipo de NematoideSintomas CaracterísticosDiferenciação em Campo
Nematoide das Lesões (Pratylenchus spp.)– Lesões necróticas nas raízes
– Redução das radicelas
– Reboleiras com plantas menores
Lesões distribuídas ao longo das raízes e ausência de galhas visíveis.
Nematoide das Galhas (Meloidogyne spp.)– Formação de galhas nas raízes
– Deformação radicular
– Amarelecimento das folhas
Presença de galhas visíveis e deformidades marcantes nas raízes.
Nematoides Ectoparasitas– Redução no crescimento radicular
– Sintomas menos evidentes na parte aérea
Geralmente não causam galhas ou lesões visíveis; vivem ao redor das raízes.
Fonte: ExtensionAUS, 2017.

Manejo integrado: Melhor solução para Nematóides do milho

A forma mais eficiente de controlar nematóides no milho é por meio de um manejo integrado, que combina práticas culturais, biológicas e químicas. Confira algumas estratégias indispensáveis:

  1. Rotação de culturas: Alternar o cultivo com plantas não hospedeiras, como Crotalaria spp. ou Brachiaria spp., reduz a população de nematoides de forma significativa.
  2. Cultivares resistentes: Escolher híbridos de milho com menor fator de reprodução de nematoides ajuda a mitigar os danos às lavouras.
  3. Controle biológico: Organismos como Bacillus amyloliquefaciens oferecem uma solução sustentável, unindo ação nematicida ao fortalecimento das plantas.
  4. Uso de nematicidas químicos: Deve ser uma medida complementar, reservada para áreas com altas infestações e sempre sob recomendação técnica.
  5. Adubação orgânica: Contribui para a biodiversidade do solo, favorecendo o equilíbrio natural e estimulando a ação de inimigos naturais dos nematoides.

Para potencializar os resultados no manejo sustentável, o Aegro oferece o uso do NDVI, permitindo monitorar a saúde das lavouras de forma prática e precisa, identificando áreas com possíveis estresses antes mesmo que os sintomas sejam visíveis a olho nu. 

Assim, você pode direcionar o manejo de nematoides e outras práticas com maior eficiência, otimizando recursos e maximizando os resultados na sua produção agrícola. Faça uma demonstração e conheça a plataforma! 

Fusariose no café: O que é e como controlar?

Fusariose no café: conheça os sintomas, as causas e as alternativas de controle desta doença que causa a morte das plantas.

O cultivo do café no Brasil tem valor histórico e cultural. No século XIX e início do século XX, foi o principal produto da economia do país, se beneficiando da mão de obra escrava existente na época.

Naquela época, o cultivo era concentrado em grandes latifúndios e a produção, voltada para exportação. 

Atualmente, embora outras espécies tenham grande importância no país, o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo!

Porém, a variedade de climas do país expõe as plantas a condições climáticas e isso é favorável à ocorrência de doenças, dentre as quais a fusariose tem destaque. 

Como uma planta de café pode dar frutos por até 25 anos, é necessário ter conhecimento e controle constante do cultivo para prevenir doenças e garantir sua longevidade. 

Para que você seja capaz de controlar e evitar prejuízo nos cultivos de café, vamos falar tudo sobre uma de suas principais doenças, a fusariose.

O que é a fusariose?

A fusariose é uma doença que ataca as plantas de café e é causada por fungos do gênero Fusarium, de diferentes espécies. Esses fungos vivem no solo e, normalmente, entram na planta através de ferimentos.

Os produtores identificam a fusariose como “amarelão do cafeeiro”. No entanto, não é a única doença que causa o amarelecimento das plantas. Portanto, é importante conhecer os sintomas que caracterizam a fusariose:

  • Amarelecimento do topo da planta;
  • Desfolha de cima para baixo;
  • Murcha;
  • Paralisação do crescimento;
  • Morte do topo da planta;
  • Ramos secos;
  • Perda das folhas da planta até a seca prematura dos frutos;
  • Estrangulamento do ramo, que perde a casca e fica com cor escura; e
  • Podridão seca do caule, logo abaixo do colo.
Imagem de uma muda de café com sintoma de amarelecimento à esquerda, e à direita o caule de uma planta adulta com sintoma de escurecimento
(Fonte: José Roberto Vieira Junior, 2015)

Essas manchas escuras encontradas no caule cortado são características da fusariose. 

O escurecimento do caule ocorre pois o fungo “entope” os vasos de condução da planta, e a seiva, fundamental para o desenvolvimento e produtividade do cultivo, acaba sendo impedida de circular para a parte aérea, resultando no enfraquecimento, amarelecimento e morte da planta.

Como mencionado, é fácil confundir a fusariose com outras doenças de solo, como a Rhizoctoniose e a Roseliniose. No entanto, apenas a fusariose apresenta o sintoma de podridão seca do caule.

Além disso, a fusariose normalmente se manifesta em cafezais mais antigos, em plantas com idade superior a 10 anos.

Como vimos, a fusariose compromete a planta de café, podendo causar a sua morte! Vamos entender melhor quais são as causas da fusariose, assim poderemos usar estratégias para evitar o surgimento da doença nos cafezais!

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Quais são as causas da fusariose?

Existem condições climáticas que são favoráveis para a ocorrência da fusariose. Solos encharcados e solos ácidos são preferidos pelos fungos que causam a doença. 

No entanto, existem três fatores que aparentam estar relacionados com a incidência da doença:

  1. Idades dos cafeeiros: é comum observar problemas com fusariose em cafezais mais velhos, pois os produtores realizam diversos tipos de poda, como recepa ou decote, a fim de renovar sua estrutura vegetativa;
  2. Podas frequentes: esta maior incidência pode ser explicada pois a poda causa um ferimento na planta, por onde o fungo tem a chance de entrar no seu interior, mas também pode ser devido ao uso de ferramentas de poda contaminadas, ou seja, se o produtor podar uma planta contaminada e não fizer a limpeza dessa ferramenta antes de continuar o manejo, estará levando para a próxima planta, espalhando a doença no cafezal;
  3. Colheita mecânica: esse fator também tem relação com a maior causa de ferimentos na planta, possibilitando a entrada do fungo que causa a doença.

Como percebemos, a fusariose se espalha com facilidade através de práticas de manejo comuns, como a poda. Portanto, é fundamental ficar atento para o surgimento dos sintomas desde o início, para evitar contaminação do cafezal.

Agora, no caso de identificarmos a doença no cafezal, precisamos saber como tratar ela. Vejamos no próximo tópico estratégias para prevenir e controlar a fusariose.

Como manejar a fusariose no cafezal

Atualmente, não existem fungicidas registrados para a fusariose no café. Portanto, uma série de estratégias de manejo preventivo e controle cultural devem ser realizadas.

Preventivamente, é recomendado a utilização de variedades resistentes, como o clone de café Conilon A1. Por ser uma doença pouco comum no Brasil, ainda não foram desenvolvidas muitas variedades resistentes.

Para o plantio de novas áreas, é importante a aquisição de mudas sadias, provenientes de fontes confiáveis. Além disso, deve-se evitar o plantio em locais onde há indícios de encharcamento ou onde houve mortalidade de plantas de café anteriormente.

Conforme verificamos, a maior incidência da fusariose se dá em função de algum ferimento causado às plantas. Portanto, as principais estratégias de prevenção devem se concentrar em impedir a entrada dos fungos. Vejamos a seguir alguns cuidados fundamentais:

  • Realizar o tratamento com fungicidas dos tocos ou locais de ferimento após a poda. Um fungicida que pode ser utilizado nesta prática é a pasta bordalesa;
  • Evitar a contaminação entre as plantas pelas ferramentas de poda contaminadas, realizando a desinfecção das ferramentas com álcool ou hipoclorito de sódio antes de utilizá-las na próxima planta;
  • Ao observar plantas com sintomas de fusariose, deve-se eliminar o quanto antes as plantas doentes, para que estas não sirvam de fonte de contaminação para as demais;
  • Realizar a queima dos restos de poda ou de plantas com sintomas antes de enterrá-los.

Uma prática que tem mostrado certa eficiência, ainda no estádio inicial, quando a doença atinge apenas a parte alta das plantas, é o corte do tronco (decote) um pouco abaixo da área mais atingida, eliminando o entupimento ali existente.

Conclusão

A fusariose é uma doença do café recente e que afeta, principalmente, os cafezais mais antigos. Ela é causada por um fungo de solo que penetra na planta através de ferimentos.

As plantas atacadas começam a apresentar a ponta amarelada, em seguida murcham, secam e morrem, podendo ocorrer em algumas hastes ou em toda a planta. Isso ocorre pois o fungo entope os vasos junto ao caule ou hastes, impedindo a circulação da seiva.

Não havendo fungicidas eficientes, é necessário utilizar medidas de controle preventivas, bem como ser cuidadoso nas práticas do dia-a-dia, realizando monitoramento do surgimento de plantas com sintomas, e eliminação dessas plantas.

No entanto, o principal cuidado está no tratamento das ferramentas e das plantas no momento da realização das podas, para que os ferimentos resultantes não permitam a entrada do fungo na planta.

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Brusone no trigo: o que é e como controlar

Brusone no trigo: entenda como o fungo se comporta e quais estratégias de manejo são recomendadas para evitar perdas, principalmente em anos de El Niño.

A brusone é uma doença que geralmente afeta cereais de inverno, como trigo, cevada, centeio e triticale, cultivados em regiões consideradas de temperaturas mais elevadas durante o inverno (quando comparadas ao Rio Grande do Sul, por exemplo).

Essa doença pode reduzir significativamente o peso da espiga. Dados apontam que a redução pode ser de até 74%, refletindo em baixa produtividade do trigo. 

Além disso, a brusone pode reduzir a qualidade do cereal colhido (grãos chochos, deformados e de baixo peso), impactando diretamente o preço de comercialização pago aos produtores (em função da redução do peso do hectolitro, conhecido como PH).

Sendo uma doença que causa maiores danos no período reprodutivo, e podendo ser facilmente confundida com a giberela, é fundamental que produtores e técnicos tenham pleno conhecimento sobre as especificidades de cada doença.

Um fator adicional é que, em anos com maior volume de chuvas, como aqueles com ocorrência do fenômeno El Niño, a ocorrência da doença é mais intensa, exigindo atenção redobrada.

Por isso, este artigo sobre brusone do trigo vai abordar o que é essa doença, qual é o seu agente causal, a diferença entre brusone e giberela na cultura do trigo quanto aos sintomas e condições favoráveis, além de quais são as boas práticas de controle da doença. Boa leitura!

O que é brusone do trigo?

A brusone no trigo é uma doença causada pelo fungo Pyricularia oryzae, o qual também pode ser encontrado na literatura e no campo como Magnaporthe oryzae, quando em estádio perfeito, fruto da reprodução sexuada do patógeno.

O primeiro relato mundial da doença foi realizado no Brasil, na década de 1980, em campos de produção de trigo, localizados na região Norte do Estado do Paraná. A partir de então, foi se espalhando nas diferentes regiões produtoras do país e do mundo.

Atualmente, a doença já foi relatada em campos de produção de trigo nos Estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e em países da América do Sul, próximos ao Brasil.

O que causa a brusone no trigo?

Como vimos, o que causa a brusone no trigo é um fungo, que pode ser encontrado sob duas formas, a depender de como a sua reprodução ocorreu. Vale ressaltar que a fase sexuada, ou perfeita é a que possui maior variabilidade genética (maior troca de material genético entre populações do fungo).

Embora a brusone seja uma doença que afeta diversas partes da planta, incluindo órgãos aéreos como folhas, colmos e espigas, ela é considerada uma doença de espiga, ou seja, os danos mais significativos ocorrem no estádio reprodutivo da cultura do trigo. 

É uma doença comum de regiões que cultivam cereais de inverno, no entanto, que não possuem a ocorrência de temperaturas tão amenas, como é o caso do norte do Paraná, São Paulo e regiões de cultivo localizadas no Centro-Oeste do Brasil.

Dessa forma, a ocorrência é mais comum em regiões com temperaturas acima de 20ºC, associada a alta umidade relativa do ar. Para o sucesso da infecção fúngica nas lavouras, é necessário pelo menos 10 horas de molhamento foliar.

Sintomas da brusone do trigo

Os sintomas podem ocorrer em todas as partes aéreas da planta e incluem:

  • descoloração das espigas, caracterizado pelo seu branqueamento em função da penetração do fungo. A descoloração ocorre a partir do ponto de infeção, dessa maneira, pode afetar toda a espigueta;
  • podem surgir lesões em plântulas, folhas, folhas bandeira e em espigas, geralmente entre cinco e sete dias após a inoculação do patógeno, de formato ovalado a elípticas, podendo apresentar bordas escurecidas e centro cinza;
  • pequenas lesões sem centro definido, de coloração marrom a marrom-escura também podem ser visualizadas, especialmente no início do desenvolvimento dos sintomas, ou a depender do nível de suscetibilidade da cultivar utilizada;

No entanto, é importante manter-se atento, uma vez que os sintomas observados podem ser confundidos com os provocados pelo fungo causador da giberela. 

A importância da distinção entre as duas doenças se dá pelo fato que o controle recomendado pode ser diferente, requerendo fungicidas específicos para cada uma das delas. 

Qual a diferença entre giberela e brusone?

Essa pergunta é frequente entre produtores de trigo e técnicos. A diferença principal entre as doenças está para além das condições climáticas necessárias. 

Os sintomas, embora possam parecer semelhantes, são diferentes.

Para a brusone, como vimos, a descoloração da espigueta ocorre a partir do ponto de infecção. Logo, poderemos visualizar o branqueamento parcial (de metade da espigueta), ou total, sem que haja pontos verdes entre as porções esbranquiçadas.

Já para a giberela, além dos sintomas iniciais caracterizados pelo desvio das aristas do sentido (artistas “descabeladas”), as lesões esbranquiçadas podem ser visualizadas em diferentes pontos da espigueta, podendo portanto, haver transição entre tecido descolorado e tecido verde.

O que é giberela do trigo?

A giberela do trigo é uma doença causada por outro fungo conhecido da cultura e considerado, de forma conjunta a brusone, como as principais doenças do cereal de inverno.

Também conhecida como fusariose, é causada pelo fungo denominado Gibberella zeae, que possui como fase anamorfa ou decorrente da reprodução assexuada como Fusarium graminearum.

Diferenças entre as condições climáticas favoráveis para a ocorrência da brusone e da giberela do trigo

Enquanto para a ocorrência da brusone, são necessárias temperatura e umidade elevada, sendo a faixa entre 24ºC e 27ºC altamente favorável para a ocorrência da doença. 

Para a giberela, as condições favoráveis incluem temperaturas que variam entre 20 e 25ºC, acompanhadas de molhamento foliar de pelo menos 48 horas. É importante salientar que o molhamento foliar pode ser causado pela deposição de gotas de orvalho, por exemplo.

Dessa maneira, mesmo que ocorra apenas um dia de chuva, a umidade relativa do ar se mantendo alta, há ainda a possibilidade da doença se manifestar.

Para ambas as doenças, os períodos de maior atenção aos produtores compreendem a fase em que a cultura dá início ao período reprodutivo. Estádio esse em que aplicações de fungicidas são altamente recomendadas.

Isso ocorre pois o estádio e local em que a doença ocorre, na espigueta, dificulta o seu controle, por isso, esse deve ser baseado no controle preventivo.

Em anos com condições climáticas favoráveis, como em anos de El Niño, a atenção acaba tendo de ser redobrada, em função do fenômeno resultar em maior volume de chuvas nas principais regiões produtoras, especialmente no sul do país, combinando ainda, temperaturas mais elevadas durante o inverno.

Como controlar a brusone?

O controle da brusone pode ser realizado de diferentes formas, no entanto, é importante lembrar que deve ser baseado em estratégias de manejo integrado de doenças (MID) , que incluem:

  • rotação de culturas não hospedeiras do fungo (como vimos os cereais de inverno, bem como gramíneas como o arroz, são hospedeiras do fungo);
  • semeadura mais tardia, evitando assim que o florescimento ocorra em períodos favoráveis à doença (sempre respeitando o Zoneamento de Risco Agroclimático – ZARC);
  • utilização de cultivares tolerantes, uma vez que cultivares resistentes ao fungo ainda não estão disponíveis no mercado;
  • utilização de fungicidas de forma preventiva, especialmente quando as previsões climáticas para as semanas seguintes à aplicação, forem favoráveis. Por isso, o controle deve se basear na prevenção à doença, com uso de fungicidas registrados e recomendados por um profissional.
    • as primeiras aplicações (controle preventivo) devem ocorrer ainda no período de emborrachamento, seguida de uma aplicação subsequente no florescimento e se necessária, uma terceira aplicação após 12 dias (o período pode ser menor, a depender das condições favoráveis e do fungicida utilizado, sendo imprescindível seguir as recomendações da bula do fungicida utilizado).

Assim, a importância do conhecimento das informações vistas neste artigo estão relacionadas ao fato da brusone, junto da giberela serem as duas doenças mais importantes do trigo. Sendo portanto, fundamental o conhecimento sobre o comportamento e distinção de ambas. 

Além disso, as condições favoráveis para a ocorrência são semelhantes, e dessa forma, é necessário que o manejo seja pensado estrategicamente, para que contemple o controle de ambas, caso seja possível, otimizando assim os recursos e a lucratividade do cultivo.

Conclusão

A brusone é uma doença com grande potencial de perdas nas lavouras tritícolas do Brasil e apresenta sintomas bastante característicos, os quais devem ser conhecidos por técnicos e produtores, para que não sejam confundidos com a giberela, por exemplo.

A giberela e a brusone, embora frequentemente confundidas, são doenças diferentes e portanto, podem exigir táticas distintas de controle. Enquanto para o controle da giberela indica-se como uma das estratégias a semeadura antecipada, para a brusone, a semeadura tardia é indicada.

Outro ponto de atenção é a performance das moléculas fungicidas. Por isso, é primordial que ambas sejam devidamente distinguidas.

Para um manejo assertivo é fundamental que produtores monitorem constantemente as condições climáticas previstas, para a tomada de decisão sobre a aplicação de fungicidas, que deve ser iniciada preventivamente quando chuvas e temperaturas favoráveis estão previstas.

É fundamental que em um manejo com controle químico, caracterizado pela aplicação de fungicidas, que os ingredientes ativos e consequentemente grupos químicos, sejam rotacionados (alternância de fungicidas), para um manejo antirresistência.

>> Leia mais:

“8 doenças do trigo e como fazer o manejo ideal”

“Principais sintomas da brusone no arroz e como controlá-la na lavoura”

“Veja como escolher o melhor fungicida para trigo”

“Como o Manejo Integrado de Doenças pode reduzir custos e aplicações no seu cultivo”

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Veja como escolher o melhor fungicida para trigo

Fungicida para trigo: saiba quais são os principais no mercado, recomendações de uso, quando as aplicações devem ser feitas e mais!

O aumento da intensidade de doenças causadas por fungos na cultura do trigo tem sido um grande desafio para os produtores rurais. 

Em cultivares mais suscetíveis, a ocorrência de doenças no trigo pode reduzir a produtividade. Se você enfrenta problemas com fungos na plantação de trigo, precisa ficar por dentro dos melhores fungicidas do mercado.

Neste artigo, saiba mais quando iniciar a aplicação, como escolher o melhor produto e quais cuidados são necessários durante esse processo. Boa leitura!

Qual é a importância dos fungicidas em trigo?

Os fungicidas são produtos utilizados no controle de doenças causadas por fungos, bactérias e algas. Na cultura do trigo, esse grupo de defensivos agrícolas ocupa posição de destaque. 

Entre os fatores limitantes para a produção desse cereal, destacam-se as doenças causadas por fungos. Elas prejudicam o desenvolvimento das plantas, interferem na qualidade do produto final e reduzem a produtividade.  

Justamente por isso, os fungicidas são uma importante ferramenta na produção e na qualidade do trigo

Quando iniciar a aplicação?

Independente da doença, quanto antes elas forem controladas, maiores serão as chances de sucesso do manejo fitossanitário.

Na cultura do trigo, alguns fungicidas respondem melhor quando utilizados de forma preventiva. Assim, eles são aplicados quando há um ambiente favorável à infecção, o que reduz as chances de incidência da doença.

Após o estabelecimento da doença na lavoura, podem ser utilizados fungicidas com efeito erradicante. Eles possuem efeito curativo sobre as plantas doentes. No entanto, a escolha da hora certa para iniciar a aplicação dos fungicidas depende de alguns aspectos. 

Primeiramente, é preciso conhecer bem o histórico da área onde está instalada a lavoura. Fique por dentro das pragas no trigo e doenças ocorridas nas safras passadas, produtos químicos utilizados, adubações e sistema de cultivo.

Também é fundamental monitorar a lavoura regularmente. Somente assim é possível identificar focos das doenças, o modo de distribuição na área, o nível de infestação e o estágio de infecção.

É importante lembrar que sob condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das doenças, a atenção deve ser redobrada. Além disso, é preciso considerar a suscetibilidade da cultivar de trigo.

Outro ponto importante é conhecer o comportamento dos patógenos e as condições que favorecem as doenças. Essas informações irão contribuir para a antecipação dos problemas e na tomada de decisão de quando iniciar a aplicação dos fungicidas.

Melhores fungicidas para oídio, mancha-amarela, ferrugem e outras doenças da cultura

Pesquisas indicam que para o controle da ferrugem e da mancha-amarela em trigo, a combinação entre epoxiconazol + fluxapiroxade + piraclostrobina possui cerca de 85% de eficiência. Entretanto, há outras doenças fúngicas no trigo, como:

O manejo dessas doenças é baseado em dois grupos de fungicidas: estrobilurinas e triazóis. A orientação é que as estrobilurinas sejam sempre utilizadas em associação com os triazóis. A estrobilurina não deve nunca ser aplicada isoladamente. 

Já os triazóis devem ser combinados com fungicidas de mecanismos de ação diferentes (estrobilurinas e fungicidas multissítio). Essas aplicações são feitas de maneira preventiva.  Nas tabelas a seguir, confira algumas recomendações de fungicidas para trigo:

Fungicidas para controle de oídio, manchas foliares, ferrugem da folha e do colmo
Fungicidas para controle de oídio, manchas foliares, ferrugem da folha e do colmo 
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

Os fungicidas também podem ser utilizados no tratamento das sementes de trigo. Ainda, é necessário escolher cultivares de trigo resistentes a doenças fúngicas.  Abaixo, estão relacionados alguns produtos para essa finalidade.

Fungicidas indicados para o tratamento de sementes de trigo e triticale
Fungicidas indicados para o tratamento de sementes de trigo e triticale 
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

O uso de fungicidas é apenas uma das medidas recomendadas para a cultura do trigo. O controle eficiente e a garantia de uma lavoura produtiva de trigo envolve a adoção de outras práticas, como:

  • plantio na época recomendada;
  • cultivo de sementes certificadas;
  • cultivares de trigo com maior grau de resistência;
  • rotação de culturas.

É importante ressaltar que os custos com fungicidas representam grande parte do custo total de produção do trigo. Nesse sentido, é preciso aliar aspectos técnicos e econômicos para traçar as melhores estratégias.

Cuidados da aplicação na cultura do trigo

O uso de qualquer defensivo agrícola, seja fungicida, inseticida, acaricida ou herbicida, requer bastante cautela.  Ainda, na aplicação de fungicidas, é preciso seguir rigorosamente as instruções da bula do produto em relação à: 

  • dosagem;
  • intervalo de segurança;
  • número;
  • época;
  • modo de aplicação. 

É importante deixar claro que exceder a dose recomendada pode provocar fitotoxicidade nas plantas, além de elevar os custos de produção.  Faça também a rotação de fungicidas com diferentes mecanismos de ação. Isso contribui para evitar a seleção de patógenos resistentes.

No momento da aplicação dos fungicidas, as condições meteorológicas devem ser respeitadas para evitar problemas com a deriva e para garantir a qualidade da pulverização. Os fatores climáticos que devem ser avaliados são: 

  • umidade relativa do ar; 
  • temperatura; 
  • velocidade e direção do vento.

Esses fatores influenciam no processo de chegada das gotas de pulverização até o alvo. A orientação é que as aplicações sejam feitas nas horas mais frescas do dia.  O sucesso no manejo de doenças do trigo também está relacionado à qualidade da aplicação dos fungicidas. 

Assim, é preciso utilizar técnicas e tecnologias de aplicação que irão garantir tamanho de gota ideal, boa cobertura e uniformidade de deposição.  Por se tratar de substâncias químicas perigosas, a adoção dessas medidas garante a segurança do aplicador e do meio ambiente

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Conclusão

Os fungicidas são substâncias empregadas no manejo de doenças provocadas por fungos, bactérias e algas. Na cultura do trigo, as principais doenças fúngicas podem ser controladas com fungicidas.

O manejo eficiente dessas doenças envolve o uso de fungicidas químicos, em especial os triazóis e as estrobilurinas, associado a outras medidas.

Tendo em vista a importância desse cereal, é fundamental estabelecer um plano de manejo fitossanitário que envolva a adoção de diferentes estratégias. Na dúvida, conte sempre com ajuda de uma pessoa profissional da agronomia.

Tem alguma dúvida quanto ao uso de fungicida para trigo? Se você conhece outros produtores que enfrentam problemas com doenças fúngicas na lavoura, não deixe de compartilhar esse artigo.