Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas para 2024

Previsão para o preço do feijão: entenda o mercado, estimativas de produção, tendências e muito mais!

A produção agrícola sofre impactos de diversos fatores, desde o clima até a economia. Isso não é diferente em relação ao feijão, que tem seus preços afetados pelos mesmos fatores.

A partir do segundo semestre de 2023, o feijão apresentou uma redução nos preços, devido às  colheitas de segunda e terceira safra. 

Veja abaixo como tem se comportado o preço do feijão ao longo dos anos e confira neste artigo a previsão para o preço do feijão para 2023/24. Boa leitura!

Qual a previsão para o preço do feijão?

A queda no preço do feijão na segunda metade de 2023 inibiu os aumentos da área de plantio no verão. O preço do feijão carioca recuou 24,2% em 2023. 

Em Minas Gerais, as negociações atingiram R$ 330,00, enquanto no Paraná, as referência indicam valores entre R$ 320,00 e R$ 325,00 para o feijão carioca.

A  manutenção da área plantada em relação a 2022/23 e o El Niño tem gerado um cenário de incertezas para a plantação e o preço do feijão em 2024.

Esse cenário de incertezas sobre a oferta e os preços do feijão nos primeiros meses do ano, tem indicado uma subida intensa dos preços até março.

É importante estar atento ao movimento ascendente dos preços. O valor de US$ 70,00 por saca de 60 quilos, que atualmente é considerado excelente, só ocorreu em janeiro de 2023, tornando o cenário atual muito favorável.

Preço do feijão carioca de 2014 a janeiro de 2024 no Brasil e em Goiás

(Fonte: Agrolink)

Produção de feijão de 2024

O Brasil possui três épocas distintas de plantio do feijão, favorecendo a oferta constante do produto ao longo do ano.

Tem-se o feijão da primeira safra, semeado entre agosto e dezembro, o de segunda safra, cultivado entre janeiro e abril, e o de terceira safra, semeado de maio a julho.

De acordo com a Conab, a área plantada na safra 2023/24 é semelhante à de 2022/23, mas 19% menor que a de cinco anos atrás.

A cultura se encontra em entressafra, e o país conta apenas com os estoques remanescentes da terceira safra e das lavouras paulista na oferta de feijão novo, pelo menos até meados de janeiro de 2024.

A partir de meados de janeiro, poderá contar com volumes mais robustos do grão produzido no Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Além disso, o plantio do feijão tem sofrido com os efeitos do El Niño. Em Minas Gerais e São Paulo, o tempo seco e o calor reduziram a taxa de germinação. No Sul, o problema é o excesso de chuvas.

Por outro lado, a safra da Bahia deve ter um desempenho melhor.

Para 2024, a estimativa era de que a colheita de feijão fosse de aproximadamente 3 milhões de toneladas, mas a safra deve registrar retração de mais ou menos 2,5%. 

De acordo com o Portal do Agronegócio, a colheita da primeira safra de feijão para o período de 2023/24 no Paraná atingiu 40% da área total estimada. Este número representa uma redução de 2% em comparação à plantação da safra anterior.

Produção, área e produtividade de feijão de 2012 até 2023

Comparação entre as safras de feijão entre 2012 e 2022/23 (Fonte: Conab)

Como estará o mercado do feijão em 2024?

No Brasil, a maior parte das ofertas do feijão recém-colhido continua sendo dos estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Goiás. 

As projeções para 2024 indicam um cenário inédito, sugerindo que o Brasil pode enfrentar um dos menores volumes de feijão em estoque da história nos primeiros meses do ano.

A escassez de produto armazenado indica dificuldades significativas no abastecimento futuro, principalmente, ao considerar a calamidade pública declarada em municípios do Norte e Nordeste, devido à seca. 

Esperava-se uma maior demanda no início do mês, período típioc de reposição de estoques, porém, o volume de negócios tem sido limitado pela quantidade de feijão ofertado.

As perspectivas de melhoria dos preços dependem do término do período de férias escolares, quando se espera uma eventual recuperação do consumo.

Planilha para controle de estoque da fazenda

Vai faltar feijão em 2024?

O plantio de feijão da safra das águas de 2023/2024 começou em agosto, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A primeira safra tem sofrido com as adversidades climáticas como, falta/excesso de chuva e baixas temperaturas durante o ciclo da cultura. Esse cenário tem influenciado negativamente a produtividade e, consequentemente, a produção.

O volume a ser colhido não será suficiente para manter o mercado em equilíbrio e impedir, no curto prazo, preços em patamares mais elevados.

A segunda safra está em início de semeadura. A tendência é que a superfície a ser cultivada seja próxima da safra anterior. 

Caso as condições climáticas sejam adequadas, a produção será superior à colheita registrada em 2023, o que manterá elevada a oferta interna do produto.

Conclusão

O preço do feijão carioca para os próximos meses deve se manter nos patamares elevados atuais, com leve queda no final de 2024, quando está prevista expansão da safra.

Para o início de 2024, espera-se que os preços ainda estejam elevados, o que é bom para o produtor.

Fique sempre de olho no mercado e nas variações de preços dessa cultura. Assim, você garante deixar seus preços competitivos, lucrando bem mesmo com as mudanças mais recentes.

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5 passos para acertar na semeadura do feijão

7 principais doenças do feijão e como controlá-las na lavoura

Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão

Plantação de feijão: veja as melhores práticas para sua produção

Plantação de feijão: entenda mais sobre as épocas de plantio, variedades e preparo do solo desta cultura.

A plantação de feijão tem uma grande importância para o agronegócio nacional, uma vez que o grão é uma das bases da alimentação brasileira.

Na última década, conforme dados da Conab, a produção de feijão, incluindo as três safras, foi de 3.133,8 milhões de toneladas.

Vários fatores influenciam na produtividade das lavouras. Neste artigo, vamos falar sobre como fazer o melhor plantio de feijão e os principais manejos para que você obtenha sucesso e lucro com sua produção! Confira! 

Qual é a época de plantar feijão?

As épocas recomendadas para semeadura do feijão podem ser divididas em três: período das águas (nos meses de setembro a novembro), o período da seca (de janeiro a março) e período de outono-inverno ou terceira época (que vai de maio a julho).

A melhor época para plantar feijão, no entanto, varia por ser uma cultura de ciclo curto. As recomendações também mudam conforme o Estado. 

Melhor época para plantar feijão em diferentes estados
 Épocas de semeadura para a cultura do feijão nos estados da região Central brasileira
(Fonte: adaptado de ProEdu)

Aqui no blog nós já falamos em detalhes sobre qual a melhor época para plantar feijão em cada região do país. Confira!

Como iniciar uma plantação de feijão: pré-plantio

Antes de iniciar o plantio, você precisa considerar diversos fatores que interferem na produtividade do feijão. As condições edafoclimáticas como clima, solo, temperatura e precipitação são decisivas no resultado no plantio e para evitar quebra de safra.

Veja um pouco mais sobre cada uma delas.

Temperatura

A temperatura ideal de produção de feijão é de 21 °C. A faixa de 18 °C e 24 °C é ótima para o bom desenvolvimento das plantas, vagens e grãos.

Locais onde a média de temperatura fica abaixo de 12 °C e acima de 30 °C são prejudiciais para produção de feijão. Essas temperaturas podem causar: 

  • atraso na germinação;
  • redução na porcentagem de germinação;
  • atraso no desenvolvimento;
  • abortamento de flores, grãos e vagens.

Radiação solar

Se a quantidade de luz nas plantas for reduzida, ocorre menor índice de área foliar. Isso gera menor captação de energia, afeta o metabolismo fisiológico da planta e diminui a produção.

Quando a radiação solar é intensa durante todo o ciclo das plantas, ocorre maior produção de massa foliar. A consequência disso é o auto-sombreamento. Ele causa abortamento de flores, reduzindo a quantidade de vagens e grãos.

O ideal é que as plantas de feijão consigam interceptar a maior quantidade de radiação solar possível no período vegetativo.

No manejo, procure oferecer maior intensidade luminosa até o florescimento. Fique de olho no espaçamento e na população de plantas. 

Precipitação pluvial

A quantidade de chuvas ideias durante o ciclo do feijoeiro é de 300 mm a 400 mm. Essa quantidade deve ser bem distribuída até antes da época de colheita.

Excesso de chuvas em locais de acúmulo de água reduz o tamanho das plantas e favorece doenças no feijão. As plantas podem morrer nessas condições. 

Na época de colheita, as chuvas dificultam a retirada dos grãos do campo. Isso causa acamamento de plantas e reduz a qualidade do produto.

A falta de chuvas durante o desenvolvimento das plantas também é prejudicial. Essa falta causa falha no estande, caso ocorra no período de germinação e emergência.

Durante o desenvolvimento, as plantas sem a quantidade de água necessária crescem pouco. Isso influencia na quantidade de vagens produzida. Na época da floração, a falta de água leva ao abortamento das flores, menor quantidade de vagens e de grãos.

Solo

As plantas de feijão preferem solos soltos, fofos, bem areados, ricos em matéria orgânica e livres de encharcamento.

Entretanto, regiões de várzea e de solos encharcados também servem para o cultivo de feijão, com alguns cuidados. Isso ocorre desde que sejam cultivados em épocas de seca, com baixa quantidade de chuva.

Assim, estes solos não ficam encharcados e fornecem água para o desenvolvimento das plantas. Mesmo que seja possível, o cultivo de feijão nesse tipo de solo deve ser evitado. Afinal, em casos de chuvas intensas, o sistema radicular não suporta o alagamento.

Como fazer o preparo do solo para a plantação de feijão

O feijão tem algumas exigências que precisam ser seguidas para que se possa atingir produtividades elevadas. 

No plantação de feijão, uma das principais operações é a calagem e a adubação do solo. Além disso, o pH do solo deve estar entre 6 e 7. A saturação por bases ideal é acima de 70%.

Para obter esses resultados é importante realizar a análise química do solo a cada 2 ou 3 anos, somente assim você conseguirá ter a fertilidade ideal que as plantas de feijão necessita.

Outro ponto importante é o sistema de plantio que você realiza na sua área, ele pode ser: convencional ou direto. O preparo do solo convencional é realizado normalmente com discos como arados, grades pesadas ou arado de aiveca.

É importante evitar o uso frequente da mesma profundidade dos implementos e trabalhar o solo com o teor de umidade ideal para evitar camadas de compactação que prejudicam o desenvolvimento radicular das plantas, reduzindo a produtividade do feijoeiro.

Já o plantio direto na palha visa o não revolvimento do solo e também a cobertura total do solo por resíduos vegetais. Além de reduzir a erosão causada pelas chuvas, isso aumenta a disponibilidade de água e diminui a compactação do solo. 

É importante na entressafra sempre utilizar diferentes espécies para cobertura vegetal, assim o solo terá uma camada de palha constantemente, o uso de espécies com raízes agressivas também é recomendado, como nabo forrageiro, para descompactar a camada superficial do solo.

Espaçamento, densidade e profundidade ideais de plantio

Para garantir uma plantação de feijão de sucesso, o planejamento começa antes mesmo do plantio. Por isso, você deve estar de olho em aspectos como:

Profundidade 

O tipo de solo influencia na profundidade da semeadura do feijão.

Em solos arenosos, a profundidade ideal de plantio é de 5 a 6 centímetros. Em solos argilosos, por sua vez, é ideal semear com profundidade de 3 a 4 centímetros. 

Densidade 

Outro fator importante na hora da semeadura é a densidade de plantio. A densidade ideal para o feijão é aquela em que as plantas recobrem toda a área durante o florescimento.

A média recomendada é de no mínimo 10 e no máximo 15 sementes a cada metro. O número de plantas varia em média de 250 mil a 300 mil plantas/ha. 

Entretanto, no momento de definir a densidade, é necessário considerar o histórico de doenças na lavoura. 

Espaçamento 

Feijões do tipo 1 e 2 requerem um espaçamento em torno de 40 cm a 50 cm entre linhas.  Para feijões do tipo 3,  o espaçamento varia de 50 cm a 60 cm entre linhas. 

Pesquisas da Embrapa relatam que os melhores rendimentos têm sido obtidos com espaçamentos de 40 cm a 60 cm entre linhas e com 10 a 15 plantas/m

Adubo para plantação de feijão

Dos nutrientes exigidos pelo feijoeiro, os principais são nitrogênio, fósforo e potássio. A absorção desses macronutrientes, no entanto, ocorre em épocas diferentes. 

  • Adubação nitrogenada: é essencial durante todo o ciclo do feijoeiro, com maior absorção de nitrogênio ocorrendo entre 35 e 50 dias após a emergência da planta – época do florescimento.”;
  • Fósforo para plantas: a maior absorção é entre 30 e 55 dias após a emergência do feijão. Ou seja, antes de aparecerem os botões florais, indo até o florescimento e início da formação das vagens;
  • Potássio para plantas: a máxima absorção pode ser observada em 2 períodos, o primeiro entre 25 e 35 dias (período em que ocorre a diferenciação dos botões florais) e o segundo dos 45 aos 55 dias (época final do florescimento e início da formação das vagens).

Para garantir que a planta tenha acesso a esses nutrientes essenciais em cada fase do seu desenvolvimento, é fundamental o uso de um adubo para feijão adequado. O adubo deve ser rico em nitrogênio, fósforo e potássio, fornecendo os nutrientes necessários para maximizar a produtividade da cultura e evitar deficiências nutricionais ao longo do ciclo.

Ao longo do desenvolvimento, a planta de feijão é capaz de exportar as seguintes  quantidades desses nutrientes:

  • 35,5 kg de nitrogênio;
  • 4 kg de fósforo;
  • 15,3 kg de potássio;
  • 3,1 kg de cálcio; 
  • 2,6 kg de magnésio;
  • 5,4 kg de enxofre.

Essas quantidades consideram cada 1.000 kg de grãos produzidos. Conhecer esses detalhes é fundamental para garantir uma adubação de qualidade para o seu feijoeiro.

Colheita do feijão

Por ser uma cultura semeada de pequenas a grandes áreas, a colheita de feijão pode ser feita de forma manual, semimecanizada ou mecanizada.

A época ideal de colheita é logo após a maturidade fisiológica do feijão (estádio R9) o que ocorre normalmente de 80 a 100 dias após a germinação. Um indicador de que se atingiu esse ponto é a mudança de coloração das vagens do feijão de verde para “cor de palha”.

Em pequenas áreas,  a colheita do feijão geralmente é realizada manualmente devido ao menor volume de produção.

Neste método de colheita manual, as plantas são arrancadas, secadas e trilhadas (separação do grãos da vagem) de forma manual.

Já na colheita semimecanizada, parte é feita manual e parte é mecanizada. É feito o arranquio das plantas e o enleiramento manualmente. Já o trilhamento e as etapas seguintes é feita mecanizada. Veja na figura abaixo:

Fluxograma com aspectos da colheita do feijão
Fluxograma de colheita semimecanizada de feijão
(Fonte: Unesp)

Em grandes áreas, devido à rapidez da operação, a colheita mecanizada é a mais realizada.

A colheita mecanizada pode ser dividida em colheita indireta – onde são utilizadas uma máquina para arranquio e enleiramento, e outra para trilha, abanação e ensacamento; e colheita direta – onde todas as operações são realizadas por uma única máquina.

Não é necessária grande quantidade de trabalhadores: uma ou duas pessoas realizam a operação.

Colhedora vermelha em plantação de feijão
Colhedora automotriz para colheita de feijão
(Fonte: Miac)

Armazenamento do feijão

Após a colheita, a umidade dos grãos deve estar abaixo 13% para que o armazenamento dos grãos seja seguro.

O local adequado para o armazenamento, tanto para semente quanto para grãos, deve ser limpo, arejado, frio, com pouca luminosidade, seco e as sacarias não devem ter contato direto com o chão, assim as características desejadas são mantidas.

Foto de sacas de feijão armazenado
Exemplo de armazenamento de feijão para consumo em sacaria
(Fonte: Embrapa)

Hábito de crescimento e ciclo do feijoeiro

Existem 4 tipos de hábitos de crescimento desse grão. Você deve conhecê-los antes de iniciar a plantação de feijão, porque cada um desses hábitos exige manejos diferentes.

  • Tipo 1: o porte das plantas do tipo 1 é ereto, com arquitetura arbustiva. A ramificação terminal é uma inflorescência. Como o ciclo deste tipo de crescimento é rápido, entre 60 a 80 dias, a falta de água e luz comprometem a produtividade.
  • Tipo 2: o crescimento de plantas do tipo 2 continua após o início da floração. As plantas têm porte arbustivo, semi ereto e pouco ramificação nos caules. A duração do ciclo é de 82 a 95 dias.
  • Tipo 3: as plantas do tipo 3 apresentam crescimento indeterminado com boa ramificação. Isso favorece o acamamento das plantas e dificulta os tratos culturais.
  • Tipo 4: plantas do tipo 4 exigem suporte para condução das ramificações. O crescimento é indeterminado e trepador. Sem a condução das plantas, elas formam um emaranhado de caules, aumentando a incidência de doenças e pragas do feijão, dificultando a colheita.
Ilustração de plantas com hábitos de crescimento diferentes.
Diferentes hábitos de crescimento das plantas de feijão
(Fonte: Embrapa)

Independente do hábito de crescimento do feijão, todos apresentam a mesma fenologia, ou seja, apresentam fase vegetativa e reprodutiva.

Estádios completos de desenvolvimento do feijão em ilustração
Estádios de desenvolvimento da planta de feijão
(Fonte: Embrapa)

Veja abaixo, resumidamente, cada fase da planta de feijão:

Vegetativa 

A fase vegetativa é composta por 5 etapas. Elas são classificadas de V0 até V4.

V0 – Germinação

Ocorre o início da germinação, com desenvolvimento da radícula. Termina com o rompimento do solo pelos cotilédones.

V1 – Emergência

Inicia quando 50% dos cotilédones estão visíveis e termina quando ocorre o aparecimento das folhas primárias.

V2 – Folhas primárias

Ocorre quando as folhas primárias estão totalmente expandidas e termina com a abertura da primeira folha trifoliolada.

V3 – Primeira folha composta aberta

Nesse momento, a primeira folha trifoliolada está totalmente aberta. Esse estádio vai até o início do crescimento da terceira folha trifoliolada.

V4 – Terceira folha composta aberta

Com a terceira folha trifoliolada totalmente desenvolvida, começa o desenvolvimento dos ramos secundários na planta. Esse estádio termina com o surgimento dos primeiros botões florais.

A duração desse estádio é menor nas plantas com hábito de crescimento tipo I, em comparação com as demais.

Foto de feijão germinado e em estado de plântula
Estádios vegetativos da cultura do feijoeiro
(Fonte: Embrapa)

Reprodutiva 

A fase reprodutiva também é dividida em 5 momentos, de R5 até R9.

R5 – Pré-floração

Em R5, as plantas já apresentam os primeiros botões florais. O período de duração deste estádio é menor em cultivares de hábito de crescimento tipo 1 e 2.

R6 – Floração

O final de R5 e começo de R6 ocorre quando 50% das flores estão abertas, e termina com 100% das flores abertas.

Em plantas do tipo 2, 3 e 4, a abertura das flores inicia de baixo para cima, devido ao hábito de crescimento ser indeterminado. Nas de tipo 1, ocorre de cima para baixo.

R7 – Formação das vagens

Com a fecundação, as flores murcham e ocorre a formação das vagens, este é o sinal que iniciou o estádio R7. Neste estádio, o tamanho das vagens vai desde canivete até a formação completa.

R8 – Enchimento das vagens

O enchimento de grãos ocorre neste estádio. As vagens começam a pesar, as folhas começam a cair. No final de R8, os grãos de feijão já começam a adquirir a coloração da cultivar, deixando de ser verdes.

R9 – Maturação

O último estádio de desenvolvimento do feijão ocorre quando os grãos estão prontos. Ou seja, as vagens já estão secando e os grãos já estão com coloração do cultivar semeado.

O acompanhamento quando as plantas estão em R9 é fundamental para iniciar o momento de colheita.

Fotos da floração, vagens e grãos prontos para a colheita
Estádios reprodutivos da cultura do feijoeiro
(Fonte: Embrapa)

Aqui no blog nós já falamos em detalhes sobre o ciclo do feijão. Recomendo que você confira tudo no artigo: “Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão”.

Tipos de feijão

Considerar a variedade a ser plantada também é uma etapa importante. Afinal, cada variedade possui características que podem interferir no seu manejo.

  • Grupo preto BRS Esteio: ciclo de 85 a 90 dias, adaptada à colheita mecanizada devido à arquitetura ereta. Resistente ao vírus do mosaico comum e a quatro raças do agente causador da antracnose, moderadamente resistente à antracnose e ferrugem e moderadamente suscetível à murcha de fusário.
  • BRS Esplendor: adaptado à colheita mecanizada, resistente ao crestamento bacteriano comum e mosaico comum. É moderadamente resistente à antracnose, ferrugem e murchas de fusarium e curtobacterium.  
  • BRSMG Madrepérola: cultivar de grãos tipo carioca, porte ereto e hábito de crescimento indeterminado. Baixa tolerância ao acamamento, considerada como semi-precoce, resistência ao mosaico comum e a várias raças de antracnose.
  • Feijão-caupi: também conhecido por feijão-de-corda, feijão-miúdo e feijão-fradinho. Tolera temperaturas elevadas, mas não muito altas durante o florescimento.
  • Cultivar de feijão carioca BRS: alto potencial produtivo, arquitetura de planta ereta, adaptada à colheita mecânica, moderadamente resistente à antracnose, ferrugem e ao crestamento bacteriano comum, suscetível à mancha angular, ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro e à murcha de Fusarium.
  • BRS FC104: cultivar de feijão superprecoce com ciclo abaixo de 65 dias, o que permite diminuir o risco de perdas por estiagem na safra de verão e escapar das doenças de solo. Possui moderada resistência à antracnose. 
  • Feijão-vagem: não tolera frio e geadas, a temperatura ótima para o desenvolvimento está entre 18 °C e 30 °C.
  • BRS FC402: é cultivar do grupo carioca, resistente à antracnose e à murcha de fusário, adaptada às principais regiões produtoras, ciclo normal de cerca de 90 dias, arquitetura de planta semiereta (favorece colheita manual e semimecanizada).

Conclusão

Neste texto, você viu os principais fatores edafoclimáticos que influenciam diretamente a produtividade da sua plantação de feijão.

Também viu todas as especificidades de espaçamento, densidade e profundidade, todas fundamentais para garantir ótimas produtividades.

Reúna todos esses conhecimentos para estabelecer uma plantação de feijão de sucesso na sua lavoura. Boa safra!

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a plantação de feijão? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Guia completo de manutenção de máquinas agrícolas + planilha grátis

Manutenção de máquinas agrícolas: saiba quais são os principais processos, melhores épocas e cuidados que você deve tomar.

O trabalho em uma propriedade rural é baseado no uso das mais diversas máquinas

O uso inadequado do maquinário pode gerar custos desnecessários e queda de produtividade. Por isso, existem três tipos de manutenção que você pode e deve fazer: preditiva, preventiva e corretiva.

Quer conhecer todas elas e garantir uma ótima manutenção?

Neste artigo, confira os principais procedimentos de manutenção e tudo o que você precisa saber para manter sua frota em dia. Boa leitura!

Principais usos das máquinas agrícolas

São várias as atividades agrícolas que podem ser efetuadas por máquinas e implementos:

  • Preparo de solo: essa etapa consiste em revolver, descompactar, nivelar e fazer sulcos de plantio. As máquinas utilizadas são subsolador, grade, arado, sulcador;
  • Correção do solo e adubação: consiste em corrigir as propriedades químicas do solo por meio de adubos, gessagem e calagem. As máquinas utilizadas são carretas, calcareadoras, adubadoras;
  • Plantio: consiste em semear (no caso de sementes) ou plantar (no caso de plântulas ou toletes). As máquinas utilizadas são semeadoras e plantadoras;
  • Controle de plantas daninhas: consiste em diminuir ou eliminar a população de plantas que podem competir com a cultura de interesse. As máquinas utilizadas são roçadeiras, enxada rotativa, pulverizadores;
  • Controle de pragas e doenças: consiste em controlar a população de pragas e doenças que podem diminuir a produtividade das culturas. As máquinas utilizadas são pulverizadores, fumigadores, atomizadores;
  • Colheita: consiste em tirar do campo o produto agrícola de interesse como grãos, frutos ou plantas inteiras. As máquinas utilizadas são colhedora de grãos e ensiladora.

Além dos implementos mencionados, o trator agrícola  é uma máquina que está envolvida em todas essas atividades. 

Manutenção de máquinas agrícolas. Foto de vários tipos diferentes de máquinas, como trator, colhedeira de grãos, enxada rotativa, etc.

Exemplos de implementos agrícolas

(Fonte: Adaptação feita pelo autor)

Pra que serve a manutenção de máquinas agrícolas

As máquinas agrícolas podem ser muito caras e necessitar de alto investimento. 

Por isso, devem ser cuidadas e preparadas para o trabalho. Essa é uma forma de aumentar sua vida útil.

É importante  que o maquinário esteja sempre disponível e que apresente o menor número de falhas durante o funcionamento. Assim, suas tarefas na lavoura não serão atrasadas.

A manutenção prepara a máquina para estar em perfeitas condições de uso e diminui os riscos de problemas durante a atividade no campo. 

Isso aumenta a eficiência dos processos e evita perdas da sua cultura, de combustível, de tempo, de mão de obra e de insumos. Além disso, você garante um menor custo operacional das máquinas.

Porém, é importante lembrar que nem toda manutenção deve ser feita a qualquer momento. Veja um pouco mais sobre isso em seguida.

Épocas ideais para a manutenção de máquinas agrícolas

Os maquinários agrícolas são demandados em diferentes épocas do ano ou do ciclo das culturas. Pensando nisso, sempre planeje a manutenção de algumas máquinas enquanto outras estão em uso.

Por exemplo: arados e sulcadores são mais utilizados na época de estiagem, antes do plantio. 

Semeadoras são necessárias no início da safra e antes da implantação da safrinha. As colheitadeiras precisam estar disponíveis no final do ciclo das culturas

Seguindo esse exemplo, você pode planejar a manutenção das semeadoras durante o uso das colheitadeiras. Assim, para a próxima semeadura, elas estarão prontas e disponíveis.

O planejamento das épocas também deve acontecer de acordo com o tipo de manutenção. Elas são três:

Manutenção preventiva das máquinas

Esse tipo de manutenção é feito de tempos em tempos, em intervalos definidos pelos manuais das máquinas.

O objetivo é verificar o estado geral de componentes da máquina, fazer sua troca e prevenir falhas e danos ao seu maquinário. Esse tipo de manutenção pode e deve ser planejada.

As manutenções preventivas mais comuns são, normalmente, as seguintes: 

  • verificação de filtros e níveis de fluido de refrigeração;
  • lubrificação;
  • condição de pneus;
  • checar nível de combustível;
  • identificar possíveis bloqueios ou vazamentos em sistemas de circulação de ar ou fluido;
  • lubrificação de sistemas móveis;
  • verificação da fixação de peças, etc.

Apesar da manutenção preventiva evitar as manutenções corretivas, elas também podem gerar gastos desnecessários. Isso principalmente porque o desgaste ou estados de algumas peças podem depender do tipo de atividade e não apenas das horas de uso indicadas no manual.

Para evitar esse problema, a manutenção preditiva pode ser uma solução.

Manutenção preditiva das máquinas

A manutenção preditiva procura predizer a possibilidade de falhas dos sistemas de máquinas agrícolas baseados em informações provenientes de equipamentos de análise.

Por ser feita baseada em marcadores mais confiáveis, ela aumenta a confiabilidade do maquinário. Isso diminui a necessidade de manutenções corretivas e a execução de manutenções preventivas não necessárias.

Esse tipo de manutenção ainda não é muito utilizada em máquinas agrícolas, mas deve ser implementada de acordo com a possibilidade.

Elas são bastante utilizadas, por exemplo, em veículos de passeio ou de transporte, por meio de equipamentos de telemetria como:

  • ultrassom;
  • sensores de vibração;
  • escaneamento de central de injeção eletrônica;
  • testes de bateria;
  • termografia.

Manutenção corretiva das máquinas

Ela é feita quando um problema surge durante a operação da máquina. Nesses casos, é necessária a intervenção imediata.

Essa manutenção é crítica, afinal, pode causar perdas e diminuição da eficiência da atividade. Por exemplo, algumas falhas que podem gerar manutenções corretivas são:

  • sobretemperatura de motores;
  • falta de líquido de lubrificação;
  • peças emperradas ou soltas;
  • pneus murchos;
  • sistemas de ar ou fluidos bloqueados;
  • falha elétrica;
  • baterias descarregadas, etc.

É muito importante ter à disposição peças de reposição, ferramentas, equipamentos e mão de obra para a execução dessa manutenção. Assim, caso a manutenção seja necessária, o tempo de inatividade da máquina será menor.

Principais manutenções de máquinas agrícolas

Cada tipo de maquinário apresenta um nível de tecnologia e demanda um tipo de manutenção. 

Quanto maior o nível de detalhes e de peças da máquina, maior será a necessidade e a quantidade de manutenções a serem executadas.

Por isso, é normal que a atividade de manutenção em um semeadora-adubadora seja muito mais detalhada que em um arado simples.

Além disso, o tipo de manutenção dependerá da composição da máquina e se ela tem motores, sistemas hidráulicos, peças móveis, etc. 

Veja quais são as atividades mais comuns:

  • Troca de filtros de ar, óleo e combustível;
  • Verificação de níveis de água, fluidos e combustíveis;
  • Lubrificação de peças móveis;
  • Calibragem das condições de pneus e fixação de rodados;
  • Limpeza e desbloqueio de sistemas de circulação e/ou injeção de ar ou líquidos;
  • Detecção de vazamentos em tubulações;
  • Isolamento e conectividade de sistemas elétricos;
  • Teste de sistemas de freio e movimentação.

Cuidar da manutenção de máquinas não é uma tarefa fácil, sobretudo em fazendas com frota grande. Você e a equipe responsável pelo maquinário devem estar sempre na mesma página quanto aos status de manutenção.

A tecnologia pode e deve ser sua aliada nesses momentos. Por isso, separamos para você uma planilha para gerenciar a manutenção das suas máquinas de forma simples e intuitiva.

Com ela, você pode ficar sempre por dentro do que foi feito e do que precisa ser ajustado em cada máquina. Clique na imagem abaixo para baixar:

Banner da planilha de manutenção de máquinas

Cuidados a serem tomados na manutenção

Há uma série de cuidados que devem ser tomados na execução da manutenção. Esses cuidados garantem:

  • segurança de quem estiver envolvido na atividade;
  • o bom uso de ferramentas e insumos;
  • a integridade da máquina;
  • a eficiência da atividade,

Estas são algumas boas práticas importantes de serem verificadas durante a manutenção:

  • Executar manutenção sempre com as máquinas e implementos desligados;
  • Verificar a fixação da máquina em caso de necessidade de elevação do maquinário;
  • Uso de peças originais ou similares de boa qualidade;
  • Uso de insumos de qualidade e de ferramentas adequadas;
  • Controle de estoque e armazenamento de insumos para evitar indisponibilidade;
  • Planejar uma janela de tempo adequada para a execução do serviço;
  • Buscar mão de obra especializada caso não haja um  especialista na propriedade;
  • Seguir sempre o manual do fabricante;

Conclusão

Ter um maquinário sempre em bom estado e disponível para as atividades da propriedade pode definir o sucesso do seu negócio. Porém, são inúmeras as atividades que precisam ser organizadas em conjunto.

O gerenciamento de manutenções de um número grande de máquinas pode ser bastante confuso e complicado. 

Isso pode causar indisponibilidade de máquinas, gerar atrasos e perdas na atividade, além de diminuir a eficiência da propriedade. 

Por isso, conte com ferramentas como a planilha disponibilizada no artigo para tornar esse processo mais simples e intuitivo.

Como você faz a manutenção de máquinas agrícolas? Ficou com alguma dúvida? Adoraria ler seu comentário!

5 passos para calcular o custo de produção do feijão por hectare

Custo de produção do feijão: entenda como calcular o custo com insumos, operações, transporte, armazenagem e mais!

Além de grande consumidor, o Brasil é um grande produtor do feijão. Ele está entre os cinco maiores do mundo.

Esse grão precisa de diversos cuidados e manejo que geram custos para quem produz. É necessário um bom planejamento e controle cuidadoso desses custos de produção. Assim, as despesas não vão superar a receita.

Neste artigo, veja o passo a passo para calcular o custo de produção e garantir uma lavoura mais rentável. Boa leitura!

Como calcular o custo de produção do feijão

O valor dos produtos e serviços necessários para produzir têm aumentado constantemente. É muito importante saber seus gastos por hectare. Assim, no final do ciclo da cultura, você não sairá no prejuízo.

Você deve somar todas as despesas, fixas e variáveis, de preferência com ajuda de planilhas e tecnologias. Essas ferramentas facilitarão o seu controle.

Veja agora todas as etapas para fazer esse cálculo.

1. Custo com insumos

Contabilize todos os insumos utilizados para a implantação e condução da cultura do feijão. Faça isso independente da tecnologia que você usa.

Os valores de muitos insumos são reajustados pela variação da cotação do dólar. Analisar esses custos é fundamental na hora de decidir o quanto, onde e quando plantar. Para você produzir uma lavoura de feijão, vai precisar de muitos insumos. 

Como essa é uma cultura sensível à competição, a lavoura necessita de controle eficiente de plantas daninhas. Inicialmente, você também precisa adquirir sementes, sejam elas tecnológicas ou convencionais.

É comum produtores pequenos salvarem a sua própria semente, mas isso tem um custo que não pode ser ignorado. Fique sempre de olho nas normas para sementes salvas no Ministério da Agricultura. Para a condução de uma lavoura de feijão, os seguintes insumos são essenciais:

  • Sementes;
  • Produtos para tratamento de semente;
  • Herbicidas;
  • Fungicidas;
  • Inseticidas;
  • Óleos e adjuvantes;
  • Corretivos e fertilizantes (orgânicos ou minerais);
  • Inoculante;

Cálculo de sementes de feijão por hectare

  1. Através da densidade de plantio, você sabe a quantidade de sementes que deve ser utilizada em um hectare;
  2. Use o preço por kg ou saca de sementes e transforme isso para um hectare;
  3. Multiplique o preço pela quantidade de sementes por hectare (em kg ou sc).

Cálculo de fertilizantes de feijão por hectare

Para os fertilizantes, use a mesma lógica do cálculo de sementes. 

  1. Multiplique o preço do produto (por kg) pela quantidade (em kg) utilizada por hectare.
  2. Multiplique o valor da tonelada de corretivo pela quantidade usada por hectare (em tonelada). Se for o caso, divida pela quantidade de safras até a próxima correção.

Para correção do solo, você pode fazer o rateio entre as safras em que a correção se mantém.

Cálculo de agroquímicos no feijão por hectare

  1. Saiba a quantidade de cada produto utilizada por hectare no decorrer da safra;
  2. Multiplique pelo valor do produto.

Como exemplo, se você utilizou 0,5L de abamectina em um hectare, o valor do produto é de 30 reais por litro. 

Multiplique 30 (valor por litro) por 0,5 (quantidade usada por hectare). Seu custo por hectare com esse produto foi de 15 reais. Agora, basta organizar e calcular todos esses custos. Em vez de fazer esses cálculos em um caderno, você pode contar com a tecnologia.

Foto de uma tabela de computador, com opções de descrever os insumos, unidade, quantidade e preço

Modelo de planilha para cálculo do custo de insumos por hectare

Com tecnologia, você não precisa perder muito tempo. Além disso, pode garantir que os cálculos estão todos corretos. Separamos para você uma planilha grátis de cálculo de custo com insumos por hectare! Você pode baixar clicando na imagem abaixo:

Planilha de custos dos insumos da lavoura

2. Custo com operações

Esse é basicamente o custo que você tem para aplicar os insumos na lavoura.

Nessa conta, entram os custos de:

Organizada a lista de todas as operações necessárias, você calculará o custo delas. Caso as operações sejam terceirizadas, esse cálculo é mais simples. Se você utilizar maquinário próprio, deve considerar diversos fatores:

  • Combustível (valor combustível x consumo por hora x horas por hectare);
  • Manutenção (valor médio por safra / hectares cultivados);
  • Depreciação ou desvalorização.

Para calcular a depreciação das suas máquinas, você pode usar a seguinte fórmula:

  • Depreciação anual = (valor de compra — valor residual ao final da vida útil) / anos de vida útil

O cálculo de depreciação de máquinas pode ser mais simples com a ajuda da nossa planilha gratuita! Clique na imagem abaixo para baixar:

Cada hora trabalhada tem um custo, saiba organizar suas despesas.

Use os custos de manutenção, a depreciação da máquina e custo com combustível. Divida isso pelos hectares cultivados. Esses custos são bastante variáveis. Você deve adaptar tudo de acordo com as condições da sua região.

3. Mão de obra

A mão de obra representa um custo na sua fazenda. Ela deve ser contabilizada, seja ela contratada ou familiar.  Se a mão de obra for contratada, inclua na planilha de custos os salários pagos por safra e todos os impostos inclusos.

Caso somente a família trabalhe na lavoura, você pode calcular da seguinte maneira:

  • Estipule um salário por hora trabalhada para cada membro da família ou funcionário;
  • Multiplique as horas totais trabalhadas pelo valor estimado.

Neste campo de custos, você também pode colocar o gasto com assistência técnica, caso haja.

4. Custos financeiros

O cálculo de custos financeiros por hectare deve ser feito quando você tem:

  • juros a pagar referente ao custeio da safra;
  • juros de financiamentos de máquinas e implementos;
  • custo de oportunidade (o lucro que você deixa de ganhar caso use a área com outra atividade).

5. Transporte/Armazenagem

O ideal é que os custos da pós-colheita sejam lançados separadamente dos demais. Esses custos incluem desde o transporte do grão até as despesas com secagem e armazenamento. A pós-colheita do feijão é bastante crítica. Afinal, a maior parte da produção é destinada ao consumo “in natura”.

Se o transporte do campo ao armazém for fretado, faça a seguinte conta:

  • Verifique a quantidade de horas das operações e o preço pago por hora;
  • Divida tudo pelo número de hectares.

O armazém pode ser próprio ou alugado. Se for próprio, você deve saber qual o custo do armazém, e dividir isso pelos hectares cultivados. A locação de espaço em armazém facilita o cálculo. Se esse for seu caso, apenas divida o valor cobrado pelos hectares cultivados.

É importante que a armazenagem dos grãos de feijão seja feita de forma eficaz. O local deve ter secador eficiente e um silo adaptado a esses grãos. 

Isso pode gerar um custo diferente dos grãos mais comuns (milho e soja). Esteja sempre de olho em todos os detalhes para garantir seus lucros.

Como calcular o custo de produção do feijão com software?

Muitas vezes, quem produz esquece o caderno de anotações no escritório e deixa de anotar alguns gastos. A desvantagem disso é nunca conseguir definir e entender bem os custos de produção, o que pode tornar o planejamento financeiro incerto.

Ferramentas de gestão como o software agrícola Aegro te ajudam muito nesse momento, já que cálculos ficam mais automatizados. Com essas ferramentas, você pode inserir os gastos pelo celular.

Além disso, o próprio sistema gera automaticamente gráficos e tabelas que facilitam seu entendimento e visualização:

gif que mostra a tela de custo realizado do software de gestão rural Aegro

Agora que você já sabe qual o seu custo de produção e tem tudo contabilizado, fica mais fácil definir qual será sua margem de lucro. Assim, você pode definir qual a produtividade e preço por saca de feijão necessários para chegar na sua meta.

Custo de produção agrícola: Controle tudo pelo Aegro!

Conclusão

É muito importante ter a noção do seu custo para produzir um hectare de feijão.

Para controlar esses custos, lembre-se de separar as atividades por tipo de gasto. Insumos, máquinas, operações, transporte e armazenamento devem ser calculados separadamente.

O planejamento é essencial para manter a saúde financeira da propriedade. E não se esqueça de que você sempre pode contar com a tecnologia e com planilhas nesses momentos.

>> Leia mais: Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas

Você sabe qual é o custo de produção do feijão por hectare na sua propriedade? Deixe um comentário contando como você se organiza!

3 dicas para ter mais eficiência na colheita do feijão mecanizada

Colheita do feijão: entenda os principais passos para garantir uma colheita mais eficiente.

Existem diversas cultivares de feijão e cada região do país tem o seu preferido para colocar em cima do arroz… ou embaixo… (não vou entrar nessa discussão!).

Para chegar até a mesa do brasileiro, a colheita do feijão é um ponto crítico, tanto em termos de custo, como de eficiência do processo, pois determinadas características do feijoeiro podem dificultar o processo.

Separamos algumas dicas e pontos que devemos levar em conta para tornar a colheita do feijão mais eficiente e lucrativa. Confira comigo!

A planta de feijão e os tipos de colheita

A colheita de feijão pode ser realizada de três maneiras:

  •  colheita manual, onde se faz o arranquio, trilha e abanação das plantas manualmente, tornando o processo custoso e de baixa eficiência. 
  • sistema semimecanizado, o mais utilizado, emprega arranquio manual, mas a trilha e abanação são mecanizadas.
  • colheita mecanizada, em que todos os processos são feitos com máquinas.

O foco do texto será a colheita mecanizada, dada a maior eficiência e a dificuldade de se encontrar mão de obra para as operações manuais. 

A colheita mecanizada pode ser dividida em colheita indireta – onde são utilizadas uma máquina para arranquio e enleiramento, e outra para trilha, abanação e ensacamento; e direta – onde todas as operações são realizadas por uma única máquina, como ocorre com milho e soja, por exemplo. 

Contudo, algumas características da planta de feijão dificultam a adoção da colheita direta e o desenvolvimento de máquinas para este fim. 

O terreno também deve ser regular para que na hora da colheita não se “colha” solo junto e se perca qualidade.

Colheita do feijão: 3 dicas para ter mais eficiência 

1. Colha no ponto certo

A época ideal de colheita do feijão é logo após a maturidade fisiológica, estádio R9, como exemplifica a figura abaixo. 

Em termos práticos, um indicador de que se atingiu esse ponto é a mudança de coloração das vagens do feijão de verde para “cor de palha”.

infográfico com Fenologia do feijoeiro

Fenologia do feijoeiro
(Fonte: Coopertradição)

Pensando na produção de sementes, esse é o ponto de máxima qualidade fisiológica da semente, com máximo vigor e germinação. 

Passado esse ponto, maiores são os riscos de perdas de grãos e qualidade, além do ataque de pragas no grão como o caruncho.

A umidade das sementes deve estar em torno de 15% para colheita para evitar danos no processo e perdas após a colheita.

Para garantir a uniformidade das plantas na colheita é possível fazer o uso de dessecantes, já que muitas vezes a maturação é desuniforme. Isso também reduz as daninhas que infestam a área no momento da colheita. Outra opção é escolher cultivares mais uniformes para o plantio

As condições da lavoura e do ambiente no momento da colheita do feijão são críticas para a eficiência e os resultados do processo. 

Chuvas em excesso próximas à colheita são problemáticas para a entrada na área com o maquinário, mas também podem proporcionar que as sementes germinem ainda no pé.

2. Maquinário para colheita do feijão

No mercado, existem máquinas para a colheita de feijão de forma indireta e direta. Dada as dificuldades da realização da colheita direta, existem mais opções para colheita indireta. 

Como ocorre para milho e soja, por exemplo, uma única operação mecânica facilita o processo e reduz os gastos com a operação de colheita. Essa é uma das razões pela qual a colheita direta seria preferível.

fotos de ceifadora e enleiradora de feijão/recolhedora trilhadora para colheita indireta de feijão.

Ceifadora e enleiradora de feijão/recolhedora trilhadora para colheita indireta de feijão
(Fonte: Miac)

foto de Colhedora de feijão vermelha (colheita direta)

Colhedora de feijão (colheita direta)
(Fonte: Miack)

Para viabilizar a colheita mecânica direta é necessário escolher cultivares mais adequadas a este fim.

Aqui no blog nós já falamos em detalhes sobre “Como escolher a colheitadeira ideal para a sua lavoura”. Confira!

Manutenção de máquinas

Uma boa colheita do feijão passa primeiramente por um maquinário bem regulado e funcionando corretamente. O melhor funcionamento das máquinas precisa de manutenção constante e preventiva.

Não deixe para hora da colheita para arrumar, trocar as peças… você pode ficar na mão.

É claro que o dia a dia na propriedade rural é atarefado e temos que dar conta de várias tarefas. Por isso, devemos aproveitar quando as coisas estão mais tranquilas para cuidar dessas manutenções e do planejamento para a próxima safra.

Uma boa época para se fazer isso é na entressafra, onde há mais tempo disponível para essas atividades. Com isso, estaremos preparados para a hora em que o plantio e colheita chegarem. 

3. Escolha corretamente a cultivar/variedade 

Para viabilizar a colheita mecanizada é necessário considerar o hábito de crescimento ou arquitetura de planta. Isso porque as plantas que possuem arquitetura prostrada e vagens mais próximas ao solo inviabilizam a colheita direta, sendo necessárias duas operações. 

É importante considerar cultivares cuja altura de inserção da primeira vagem seja mais distante do solo e com maturação uniforme, reduzindo assim perdas de colheita e de qualidade.

A Embrapa Arroz e Feijão traz essas informações nos catálogos de cultivares de feijão, além de potencial produtivo, tamanho do ciclo e resistência a doenças, como mostra a figura abaixo.

Descrição das características de cultivar de feijão indicando a aptidão para cada tipo de colheita

Descrição das características de cultivar de feijão indicando a aptidão para cada tipo de colheita
(Fonte: Embrapa Arroz e Feijão)

Desse modo, é de extrema importância considerar a arquitetura da planta de feijão para se obter melhores resultados com a colheita mecanizada, especialmente se o objetivo for realizá-la em uma única operação. 

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

Como pudemos acompanhar durante o texto, a colheita do feijão é um dos gargalos desse sistema produtivo. 

Dentre as possibilidades de colheita mecanizada do feijão, existe a colheita direta e a indireta.

Diferente de outras culturas, a colheita mecanizada do feijão é dificultada por aspectos da morfologia da própria planta, que dificulta o acesso às vagens e possibilita perdas de qualidade e de grãos.

Portanto, para se obter os melhores resultados na colheita do feijão é necessário escolher a cultivar adequada, colher no ponto certo e nas condições adequadas.

>> Leia mais: “Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas

Qual a sua principal dificuldade na colheita do feijão? Conte nos comentários abaixo. Grande abraço!

11 principais doenças do feijão e como controlá-las na lavoura

Atualizado em 13 de junho de 2022.

Doenças do feijão: entenda os sintomas, o que causa cada uma delas, condições favoráveis para a ocorrência e como controlá-las

O plantio do feijão no Brasil pode ocorrer em três safras. Mas, por conta das condições climáticas, algumas doenças podem ocorrer de forma mais intensa em uma safra que na outra.

Conhecer as doenças mais frequentes e saber como manejá-las é essencial para garantir uma boa produção e, consequentemente, mais rentabilidade com a lavoura.

Neste artigo, veja quais são os sintomas mais recorrentes das doenças do feijão e como fazer o controle em sua propriedade. Confira!

Doenças do feijão: incidência nas diferentes safras

As doenças do feijoeiro podem ocorrer de forma mais ou menos acentuada conforme a safra (primeira, segunda ou terceira).

De forma geral, as principais doenças do feijão são:

  1. Mosaico-dourado;
  2. Crestamento bacteriano comum;
  3. Antracnose;
  4. Mancha-angular;
  5. Mofo-branco;
  6. Podridão radicular seca;
  7. Podridão de raízes;
  8. Ferrugem;
  9. Murcha ou amarelecimento de Fusarium;
  10. Nematoides;
  11. Oídio.

Na primeira safra, também chamada de safra das águas, a semeadura do feijão acontece entre setembro e dezembro. Nela, há maior ocorrência de doenças como antracnose, mofo-branco e crestamento bacteriano.

Na segunda (janeiro a maio) e terceira safras (abril a julho), algumas doenças como mancha-angular e mosaico-dourado são as de maior ocorrência e dano.

Doenças de solo estão associadas à presença do patógeno no solo, e não dependem necessariamente da safra. Agora, veja mais detalhes sobre cada uma das principais doenças do feijão.

1. Mosaico dourado do feijoeiro

O mosaico-dourado, causado pelo vírus BGMV (Bean Golden Mosaic Virus), é a principal virose do feijoeiro, podendo causar grandes perdas na produção. A mosca-branca é vetora dessa doença.

Os principais sintomas causados pelo vírus do mosaico dourado do feijoeiro são:

  • mosaico amarelo intenso em todo limbo foliar
  • redução do crescimento das plantas;
  • superbrotamento;
  • má formação de vagens e grãos;
  • encarquilhamento das folhas e mosaico.

O mosaico dá um aspecto mosqueado amarelo às folhas. Com a evolução da doença, toda superfície foliar se torna amarelada. Já as vagens e os grãos ficam deformados e mal formados, o que prejudica a qualidade do produto.

Foto de folha de feijão amarelada

Sintoma de mosaico em folha de feijão

(Fonte: Howard F. Schwartz)

Algumas medidas de manejo para esta doença são: 

  • vazio sanitário para feijoeiro;
  • uso de inseticidas com objetivo de controlar o vetor;
  • variedades tolerantes ou resistentes.

2. Crestamento bacteriano comum no feijoeiro

É considerada a principal doença bacteriana de algumas regiões produtoras de feijão do Brasil. O crestamento bacteriano comum é causado pelas bactérias Xanthomonas axonopodis pv. phaseoli e X. fuscans sus. Fuscans.

Elas penetram na parte aérea da planta por aberturas naturais ou por ferimentos. A doença pode provocar até 70% de redução na produção do feijoeiro.  

A doença prevalece na safra das águas devido às altas temperaturas e ocorrências de chuvas. Esses são fatores que favorecem as bactérias.

Como sintomas, você pode observar inicialmente lesões com aspecto encharcado de coloração verde-escura nas folhas.  Com o progresso da doença, esses sintomas evoluem e aumentam de tamanho. As folhas ficam necrosadas. 

Nas extremidades das lesões surgem halos amarelos.  Os sintomas típicos da doença ocorrem quando as lesões são mais velhas, tendo o centro necrótico e com halo amarelo. Isso pode ocasionar a queda prematura das folhas.

Folhas de feijão com manchas

(Fonte: Agrolink)

Nas vagens, podem ocorrer lesões de aspecto encharcado, que depois progridem para lesões escuras e um pouco deprimidas

Medidas de manejo do crestamento bacteriano em feijoeiro são:

  • variedades resistentes;
  • aplicação de cúpricos na lavoura, que pode retardar o aparecimento dos sintomas.

3. Antracnose no feijão

A antracnose no feijão é causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum. Ela é considerada uma das doenças mais importantes da cultura, e ocorre mais em regiões de temperaturas moderadas e alta umidade

Pode causar até 100% de danos em variedades suscetíveis, além de causar manchas nos grãos. A necrose nas nervuras é um sintoma bastante característico da doença. 

Além disso, há presença de lesões principalmente na parte de baixo das folhas. Essas lesões são alongadas, de coloração avermelhada a marrom.

Nas vagens, os sintomas típicos são lesões circulares, deprimidas e com a borda da lesão mais escura. Quando atinge os grãos, pode depreciar a comercialização agrícola.

Doenças do feijão: sintomas de antracnose em folhas, grãos e vagens

Lesões de antracnose no feijão nas folhas, grãos e vagens

(Fonte: Adama)

Esse fungo pode sobreviver em sementes, restos culturais e hospedeiros alternativos. 

Algumas medidas de manejo da antracnose do feijoeiro são:

  • sementes sadias e certificadas;
  • rotação de culturas (uso de gramíneas não hospedeiras);
  • eliminação de restos culturais;
  • variedades resistentes;
  • controle químico com fungicidas para feijão.

4. Mancha angular do feijoeiro

A mancha angular do feijoeiro é causada pelo fungo Pseudocercospora griseola, que pode sobreviver em sementes, restos de culturas e outros hospedeiros. Pode causar até 80% de perdas em produtividade.

Os sintomas típicos são lesões de coloração cinza a marrom, de formato angular (delimitadas pelas nervuras), e com halo amarelo. No campo, os sintomas ficam mais evidentes na fase final da cultura. 

Com o progresso da doença, pode ocorrer a desfolha prematura da planta.

Doenças do feijão: folha com sintomas de mancha angular

(Fonte: Taurino Alexandrino Loiola em Embrapa)

Medidas de manejo da mancha angular do feijoeiro:

  • variedades resistentes;
  • uso de sementes sadias e certificadas;
  • eliminação de restos culturais;
  • aplicação de fungicidas.

5. Mofo-branco

O mofo-branco é causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, que pode afetar várias culturas. Em feijoeiro, é considerada uma das doenças mais agressivas da cultura, sendo mais problemática no florescimento.

A doença é favorecida pela alta umidade e temperaturas amenas. Como sintomas, ocorrem lesões encharcadas na parte aérea da planta. E, com o progresso da doença, há o crescimento de um micélio branco, com aspecto de algodão, sobre essas lesões. 

Há ainda a formação de escleródios. Os escleródios são um enovelamento/agregado de hifas, que são estruturas de resistência do fungo. Assim, este fungo pode sobreviver no solo através dessas estruturas por vários anos.

Caule de feijão com mofo-branco.

(Fonte: Nédio Rodrigo Tormen em Cultivar)

Os escleródios podem ser propagados por sementes ou máquinas agrícolas

Medidas de manejo do mofo-branco do feijoeiro são:

  • sementes sadias e tratamento de sementes;
  • limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas;
  • evitar alta densidade de plantio que favorece a formação da doença;
  • uso de fungicidas para proteção da cultura.

6. Podridão radicular seca no feijoeiro

Essa doença é causada pelo fungo Fusarium solani e está presente em todas as regiões produtoras de feijão do Brasil.  O patógeno sobrevive no solo por vários anos e raramente mata a planta, mas pode causar até 50% de perdas na cultura.

Como sintoma, você pode observar coloração avermelhada nas raízes jovens das plantas. Essa coloração progride para lesões marrons por toda superfície da raiz. A doença resulta em plantas pouco desenvolvidas, causando um estande irregular.

Doenças de feijão: raízes de feijão com sintomas de podridão radicular.

(Fonte: Murillo Lôbo Júnior em Embrapa)

A doença é favorecida por condições de solos compactados, encharcados, temperaturas baixas e pelo cultivo intenso de feijão. 

Medidas de manejo da podridão radicular seca do feijoeiro são:

  • tratamento de sementes com fungicida para feijão;
  • evitar plantar em solos compactados e encharcados.

7. Podridão de raízes do feijoeiro

A podridão radicular ou podridão de raízes do feijoeiro é uma doença fúngica causada por Rhizoctonia solani. Esse patógeno está presente na maioria dos solos cultivados.

O fungo pode atacar as sementes, que apodrecem antes de iniciar ou durante sua germinação. Se a plântula de feijão é infectada, ocorre lesão na base do caule, de coloração avermelhada.

Saber o que é a podridão radicular e como identificá-la na lavoura é fundamental. Afinal, a doença pode resultar em morte do sistema radicular e tombamento das plântulas.

Medidas de manejo da podridão das raízes do feijoeiro são:

  • sementes sadias;
  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • evitar plantar em solos compactados e encharcados.

8. Ferrugem

A ferrugem do feijoeiro é uma doença causada pelo fungo Uromyces appendiculatus.  Essa doença está presente em todas as áreas produtoras do grão e responde por expressivas perdas na produção. 

Sua ocorrência é maior em áreas tropicais e subtropicais úmidas. Os estádios de pré-floração e floração da cultura são as fases mais críticas para o aparecimento da ferrugem.

O sintoma inicial dessa doença é o aparecimento de pequenas lesões esbranquiçadas na parte inferior das folhas. 

Com o tempo, essas lesões evoluem para pústulas de cor ferrugem. As pústulas podem se desenvolver dos dois lados da folha. É comum que elas estejam rodeadas por um anel de coloração amarelada. 

Folha de feijão com sinais de ferrugem

Sintomas de ferrugem em folha de feijoeiro

(Fonte: Dr Parthasarathy Seethapathy e colaboradores)

Dependendo do grau de infestação da lavoura, esse sintoma também pode ser observado nas vagens e nas hastes das plantas de feijão. 

9. Murcha ou amarelecimento de Fusarium

A murcha de Fusarium é uma doença causada pelo fungo de solo Fusarium oxysporum  f. sp. phaseoli. Essa doença se desenvolve melhor sob condições de temperaturas amenas, solo úmido e compactado. 

Ela se manifesta na fase vegetativa e reprodutiva do feijoeiro. Os sintomas dessa doença são a murcha das plantas nas horas mais quentes do dia, amarelecimento das folhas e o desfolhamento precoce. 

As folhas do feijão amarelas e murchas são sinais de que o fungo impediu a água e os sais minerais de serem transportados para a parte aérea das plantas. 

No entanto, o amarelecimento das folhas também pode estar associado a presença de outras pragas e doenças do feijão. Problemas nutricionais, compactação do solo e deriva de produtos químicos também podem causar esses sintomas. 

Por isso, é de extrema importância realizar monitoramentos periódicos na área para avaliar a presença de pragas e doenças do feijão. Conhecer o histórico da área e analisar a distribuição dos sintomas na lavoura também contribuem com o diagnóstico.

No caso da murcha de Fusarium, os sintomas podem ser observados em reboleiras. Quando infectadas, as plantas jovens de feijoeiro apresentam redução do crescimento da parte aérea e do sistema radicular.

Em condições severas de infecção, as plantas podem morrer.

Doenças do feijão: plantas murchas na lavoura

Sintomas de murcha de Fusarium em plantas de feijão

(Fonte: Howard F. Schwartz)

Por se tratar de um fungo habitante do solo, a murcha de Fusarium é favorecida pela presença de nematoides na área. O ataque de nematoides ao sistema radicular do feijoeiro contribui para a entrada do fungo na planta.

10. Nematoides

O nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.) e o nematóide das lesões (Pratylenchus brachyurus spp.) são tipos de nematoides responsáveis por causarem prejuízos às lavouras de feijão.

Seu ataque causa a destruição do sistema radicular. Ele também provoca o amarelecimento das folhas, diminui a absorção de nutrientes e reduz o estande de plantas.

A presença desses parasitas na área favorece o aparecimento de doenças causadas por microrganismos habitantes do solo. 

A estratégia de manejo mais utilizada no controle de nematóides é o plantio de variedades resistentes/tolerantes.

11. Oídio

O oídio é uma doença de importância secundária para a cultura do feijão.

Essa doença é causada pelo fungo Eryshipe polygoni. As condições ótimas para o desenvolvimento do oídio em lavouras de feijão são baixas temperaturas e pouca umidade no solo.

O primeiro sintoma do oídio é o aparecimento de uma massa branca com aspecto pulverulento nas folhas do feijoeiro. Dependendo da severidade da doença, esse sintoma pode ser observado nas hastes e nas vagens das plantas.

Com o avanço da doença, o oídio também provoca a desfolha precoce

Manejo integrado das doenças da cultura do feijão

O manejo integrado na cultura do feijão associa diferentes técnicas que contribuem para o controle populacional do patógeno e da doença de forma eficiente. 

No manejo integrado de doenças da cultura do feijão, devem ser adotadas estratégias culturais, genética, biológica e química. Confira a seguir. 

Manejo cultural

Para o controle de doenças no feijoeiro, é importante que algumas práticas culturais sejam adotadas, como:

  • realizar um bom preparo de solo para o plantio do feijão;
  • adubação equilibrada;
  • rotação com culturas não suscetíveis;
  • controle de vetores de doenças;
  • controle de plantas daninhas hospedeiras de doenças;
  • utilizar sementes certificadas;
  • fazer tratamento de sementes com agroquímicos;
  • evitar o plantio em áreas com condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças;
  • realizar a limpeza de máquinas e implementos agrícolas;
  • respeitar o período de vazio sanitário determinado para a cultura.

Manejo genético

O plantio de variedades resistentes/tolerantes é uma estratégia que apresenta bons resultados no manejo de doenças na cultura do feijão.

A resistência genética é eficaz no controle de doenças, segura para o meio ambiente e tem baixo custo.

Manejo biológico

Trata-se de uma técnica de baixo impacto ambiental, econômica e alinhada às práticas de produção sustentável.

Na cultura do feijão, o controle biológico com Trichoderma tem sido utilizado no manejo de algumas doenças, como podridão de raízes, podridão radicular seca, mofo-branco e antracnose.

O número de produtos com registro do Mapa ainda é bastante reduzido, quando comparado aos produtos químicos.

Manejo químico

No caso do feijoeiro, o controle das doenças com defensivos agrícolas químicos é uma prática bastante comum e indispensável para alcançar altas produtividades.

Para garantir a eficiência desse manejo, utilize produtos registrados no Mapa. Siga as orientações quanto à dosagem, época e modo de aplicação. O melhor inseticida para feijão irá depender da doença em questão, então cuidado para não aplicar o produto errado.

Faça também a rotação de produtos com mecanismos de ação diferentes. É importante lembrar que a melhor estratégia de manejo é evitar que a doença entre na sua lavoura. Por isso, sempre adote boas práticas agronômicas.

Em áreas que a doença já está presente, procure adotar mais de uma estratégia de manejo para evitar o desenvolvimento e evolução da doença. 

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão

O feijoeiro é cultivado praticamente durante o ano todo no Brasil, mas muitas doenças podem interferir na produtividade dessas safras.

Neste artigo, mostramos as principais doenças do feijão, seus sintomas e como controlá-las. 

Agora que você tem essas informações, não deixe que essas doenças reduzam o lucro da sua lavoura!

Você já teve muitos problemas com doenças do feijão? Como realiza o manejo na sua fazenda? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Atualizado em 13 de junho de 2022 por Bruna Rhorig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

Irrigação de feijão: quando vale a pena investir?

Irrigação de feijão: como avaliar melhor esse investimento, vantagens, desvantagens e o resultado na produtividade da lavoura.

O feijão é uma cultura de ciclo curto, por isso pode ser muito afetada pela deficiência hídrica. 

A primeira safra de 2020, por exemplo, sofreu com a estiagem e teve impactos na sua produtividade.

A irrigação é uma tecnologia que pode ajudar muito, pois permite planejar melhor a lavoura e não contar somente com a “sorte” da chuva na hora certa.

Mas o que considerar antes de optar pela irrigação de feijão? Neste artigo vou mostrar as principais vantagens e desvantagens para que você faça a melhor escolha. Confira a seguir!

O ciclo do feijão e suas exigências hídricas

O feijão possui três safras por ano, o que proporciona sazonalidade das condições ambientais em cada safra. Mas as exigências da cultura durante o ciclo são sempre as mesmas, claro que de acordo com a cultivar utilizada. 

A exigência hídrica do feijão começa na germinação, a qual requer uma lâmina mínima de água de 1,3 mm. 

Mas é em V4 que a necessidade da cultura é maior. Neste momento em que existe mais área foliar, são necessários 56 mm ao todo.

Em R5, com o surgimento dos primeiro botões florais, também ocorre uma demanda hídrica grande. Em R7, na formação das vagens, ocorre outro pico de exigência hídrica.

Já falamos isso em detalhes no Blog do Aegro. Confira os “Manejos essenciais em cada um dos estádio fenológicos do feijão”.

O plantio de outono/inverno é o que enfrenta maior escassez de chuvas e, por isso, é uma das que mais requer o uso da irrigação para a produção. Mas quando vale a pena fazer a irrigação e quais são suas vantagens e desvantagens? Vou mostrar a seguir:

Vantagens e desvantagens da irrigação de feijão

Alguns pontos devem ser bem considerados para avaliar se vale a pena ou não o uso da irrigação para o feijão.

Antes de instalar a irrigação, considere:

  1. distribuição das chuvas da sua região;
  2. necessidade de água na cultura;
  3. efeito da irrigação na produtividade;
  4. fonte de água.

Vantagens 

Com o uso da irrigação, há todo suprimento hídrico necessário à cultura. 

Isso garante produtividade, eficiência de aplicação com a regulação correta do bicos irrigadores, proteção contra geadas e a possibilidade de uso para fertirrigação. 

E, se tudo for bem planejado, não há qualquer desperdício de água na propriedade. 

Desvantagens 

Para a implantação da irrigação, as condições locais vão fazer toda a diferença. Por isso, a declividade do terreno e as condições meteorológicas, como o vento, devem ser bem avaliadas.

Há também a necessidade do investimento inicial na estrutura para a irrigação e as despesas recorrentes com manutenção e energia elétrica que devem entrar no planejamento agrícola

Além disto, você necessita de autorização para captação de água: a outorga.

Tipos de irrigação para feijão

São três os principais tipos de irrigação: a localizada, a superficial e a de aspersão. Vou explicar melhor cada uma deles a seguir.

Localizada

Esse tipo de irrigação é realizada próximo às raízes das plantas, promovendo o umedecimento do solo. As técnicas utilizadas podem ser o gotejamento ou a microaspersão

foto com foco na irrigação localizada, mostrando a técnica de gotejamento em solo. irrigação de feijão

(Fonte: Érico Andrade/G1)

Superficial

Essa é a irrigação realizada por meio de sulcos na lavoura ou pela realização de inundações. A água é conduzida pela superfície do solo até o ponto de infiltração. 

Aspersão

Esse é o tipo de irrigação que simula uma chuva. 

Os sistemas mais utilizados nesses casos são o autopropelido, convencional ou pivô central. Vou falar um pouco mais sobre eles. 

Autopropelido

Nesse sistema existe o deslocamento pela área de cultivo de um carrinho com plataforma onde ficam as mangueiras e aspersores, podendo utilizar barras ou canhão de irrigação.

A vantagem desse sistema é ser utilizado em diversos tipos de áreas (com relevos e delimitações diferentes) e ter baixa exigência de trabalho manual

As desvantagens são o custo de investimento no equipamento e uma inadequada proteção contra geadas e gotas muito grandes quando mal regulado. 

foto de carrinho com plataforma autopropelido em um campo para irrigação de feijão

(Fonte: Embrapa)

Pivô Central

Como o próprio nome já diz, esse sistema é baseado em um pivô fixado ao centro de uma área circular, no qual as barras de irrigação atingem para a aspersão da água.

A vantagem desse sistema é a baixa exigência de mão de obra, a uniformidade da aplicação da irrigação, possibilidade de aplicação frequente em pequenas quantidades de água, protegendo de geadas e adaptação à fertirrigação. 

Por outro lado, o custo inicial da implantação é alto e a área irrigada pelo pivô é delimitada.

Aspersão Convencional 

Nesse sistema, a aspersão é fixada em um local que realiza a aspersão da água por canhão. 

As vantagens são o custo menor de implantação, facilidade de operação, além de poder ser utilizada em diversos tipos de área.

As desvantagens são a exigência de mão de obra para movimentação dos canhões na lavoura para irrigar outras regiões e dificuldade em possibilitar outros manejos fitossanitários da lavoura.

Ferramentas para intervalo de irrigações 

Para que não haja desperdícios, é necessário que se tenha um gerenciamento correto dos turnos de regas (ou o intervalo de irrigações). Por isso, vamos entender algumas ferramentas de controle: 

Tensiômetro 

Essa aparelho é colocado no solo para medir a tensão da água em duas profundidades diferentes: a 15 cm e a 30 cm. 

É a leitura dos dados dos tensiômetros que baseiam o processo de irrigação, que segue o método de turno de rega (TR). O cálculo do intervalo entre regas considera fatores como:

  • capacidade de campo;
  • ponto de murcha permanente;
  • densidade do solo;
  • profundidade efetiva das raízes da planta;
  • fator de disponibilidade de água;
  • evapotranspiração;

Ao longo do ciclo de feijoeiro, esses fatores variam. 

Em pivô central, os tensiômetros são instalados em distâncias de 4/10, 7/10 e 9/10 do raio do pivô.

Irrigâmetro

Esse aparelho contém um evaporímetro e o objetivo é estimar a evapotranspiração da cultura. Ele é constituído de um recipiente de seção cônica, de cor verde, que mantém uma superfície de água exposta à atmosfera e foi desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa.

Sensores

Através do uso de sensores é possível acompanhar diversas variáveis ambientais que influenciam diretamente na necessidade de rega.

Esses sensores podem ser distribuídos em várias partes da lavoura e coletando, a todo o momento, informações sobre a disponibilidade hídrica. 

planilha custos de pivô Aegro

Conclusão

O importante é você começar pelo simples: conheça bem a sua região, o clima, relevo, solo e o ciclo da cultura do feijão. 

Depois, faça bem feito o seu planejamento agrícola e conheça outras experiências de agricultura irrigada. Com isso, você saberá avaliar bem se a prática se encaixa no seu planejamento. 

Uma coisa é certa: se planejar bem o uso da irrigação da sua lavoura o resultado vem, pois o feijão é uma cultura com o mercado aquecido. 

>> Leia mais:

Melhore seu plantio de feijão (Phaseolus vulgaris L.)

Gostou do texto? A irrigação de feijão é uma opção para a sua propriedade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

6 dicas para alcançar alta produtividade do feijão

Produtividade do feijão: pré-plantio, escolha da cultivar e outros pontos importantes para ter melhor resultado com a lavoura.

A produção de feijão é essencial para o mercado interno brasileiro, pois forma a base da alimentação nacional.

Mas as flutuações de preço nem sempre agradam o produtor e podem afetar bastante a lucratividade da fazenda. 

Melhorar a produtividade do feijão, portanto, é fundamental para assegurar uma rentabilidade melhor. Para isso, separei algumas dicas que vão te ajudar. Confira a seguir!

1ª dica: escolha da área e rotação de culturas

Para obter alta produtividade do feijão, alguns cuidados são essenciais. E o primeiro deles é a escolha da área.

Dê preferência por áreas com fácil acesso de maquinários, com boa drenagem de solo e sem compactação.

Solos com má drenagem podem favorecer o ataque por fungos de solo, o que poderá se refletir em menores produtividades. Já a compactação pode reduzir consideravelmente o crescimento e desenvolvimento da cultura e, consequentemente, o rendimento dos grãos.

A dica é: realize a rotação de culturas em seu pré-plantio. Isso pode auxiliar na estruturação do seu solo, proporcionando uma melhor drenagem, além de auxiliar ainda no controle de patógenos e pragas.

2ª dica: manejo adequado de plantas daninhas

A cultura do feijão é bastante sensível à competição. Por isso, como em outras culturas de interesse agronômico, o estabelecimento deve ocorrer no limpo.

foto de Emergência de plântulas de feijão

Emergência de plântulas de feijão

Estudos indicam que, nos primeiros 30 dias após a emergência das plântulas de feijão, deve haver ausência de plantas daninhas, evitando, assim, perdas consideráveis de produtividade.

Além disso, lembre-se que o manejo das daninhas durante todo ciclo é fundamental!

Aqui no Blog do Aegro já falamos especificamente sobre isso. Confira: “Plantas daninhas em feijão: principais espécies, manejo e combate”.

3ª dica: adubação ideal

A recomendação de adubação com macro e micronutrientes acontece em função da análise de solo.

De modo geral, a adubação pode ocorrer em diferentes momentos para suprir as necessidades da cultura.

Estudos realizados pela Embrapa indicam que a quantidade de adubação necessária depende de diversos fatores como: época de plantio, cultura anterior, histórico da área e da produtividade esperada. Por isso, a adubação da sua lavoura de feijão irá depender da realidade da propriedade.

Nitrogênio e o fósforo são considerados os nutrientes essenciais para a cultura e limitantes na produtividade.

Uma adubação realizada de modo planejado irá trazer menores custos e maior produtividade do feijão.

Leia mais sobre o assunto neste artigo do Blog: “Conheça as melhores práticas de adubo para feijão”. 

4ª dica: inoculação e tratamento de sementes para melhorar a produtividade do feijão

Inoculação

A inoculação pode ser uma ótima alternativa para aumentar a produtividade do feijão.

De acordo com pesquisa realizada na Universidade de São Paulo, a inoculação com bactérias fixadoras de nitrogênio pode diminuir em 75% a utilização de fertilizantes nitrogenados por hectare.

O estudo realizou a comparação da adubação tradicional para a cultura do feijão (com fertilizantes nitrogenados) com a inoculação de Azospirillum brasilense e Rhizobium tropici.

Verificando que a inoculação na semente ou no sulco com Azospirillum brasilense e/ou Rhizobium tropici substitui a aplicação de nitrogênio em cobertura (60 kg ha-1), além de favorecer a nodulação e o rendimento da cultura.

A utilização da inoculação pode diminuir os custos de produção em até 12%, sendo uma ótima opção de manejo, diminuindo custos e promovendo alta produtividade e maior rentabilidade!

foto de um homem de camisa azul mostrando duas mudas de feijão com inoculação

(Fonte: Embrapa)

Leia mais sobre o assunto no artigo: “inoculante para feijão caupi: por que e como utilizar”.

Tratamento de sementes

O tratamento de sementes é uma excelente técnica para garantir o estabelecimento adequado do estande de plantas.

Tem como função proteger a semente contra o ataque de doenças e pragas e pode ser mais uma estratégia no manejo para garantir altas produtividades.

Para saber qual a melhor opção de tratamento de sementes em sua propriedade, procure um engenheiro agrônomo. 

5ª dica: cultivares e espaçamento adequados

Cultivares

A escolha da cultivar é de grande importância para o sucesso da lavoura.

Opte por sementes certificadas, com alto potencial produtivo e tolerantes a pragas e doenças.

Não esqueça de observar se a cultivar escolhida tem boa adaptabilidade para sua região.

E, antes de iniciar a sua semeadura, realize um teste de emergência em um canteiro da fazenda.

Separei algumas opções de cultivares disponíveis no mercado:

Cultivares do grupo preto

BRS FP 403

IPR Gralha

BRS Esteio

BRS Esplendor

Cultivares do grupo carioca

BRS FC 104

IPR Campos Gerais

BRS FC 401

BRS Estilo

Cultivares com grãos especiais

BRS Ártico

BRS Embaixador 

Para mais opções, confira o portfólio das empresas. 

Espaçamento

O espaçamento ideal é aquele em que a planta pode expressar melhor suas características. 

Para o plantio de feijão, diversos autores dividem o espaçamento em função do seu hábito de crescimento.

  • tipo 1: crescimento determinado
  • o tipo 2: crescimento indeterminado arbustivo 
  • e tipo 3: crescimento  indeterminado prostrado 

Separei algumas opções de espaçamento geralmente indicados:

Tabela com Faixa usual de espaçamento entrelinhas em função do hábito de crescimento da planta

Faixa usual de espaçamento entrelinhas em função do hábito de crescimento da planta
(Fonte: Unesp)

Já o espaçamento entre covas pode variar de 10 cm a 30 cm.

Alguns autores indicam que a redução do número de sementes/cova pode aumentar o rendimento da cultura.

6ª dica: manejo adequado

Para o sucesso de sua lavoura, o manejo adequado é fundamental.

Por isso, realize o planejamento na pré-safra, elencando os possíveis problemas que você pode encontrar durante o ciclo, inclusive na colheita.

Faça um planejamento para monitoramento durante todo o ciclo da cultura.

Observe quais as principais pragas e doenças que podem atacar seu cultivo e como realizar o controle. Isso irá facilitar muito na tomada de decisão!

Dica extra: baixe esse checklist gratuito para realizar um bom planejamento agrícola!

Conclusão

Alguns cuidados são fundamentais para alcançar uma melhor produtividade do feijão.

Neste artigo você conferiu algumas dicas que vão auxiliar durante a produção da cultura: os cuidados pré-safra, manejo de plantas daninhas, adubação e inoculação.

Você também conferiu as recomendações para espaçamento adequado e as diferentes cultivares para os grupos de feijão preto, carioca e grãos especiais.

Espero que com essas informações você consiga realizar uma boa safra e alcançar alta produtividade na lavoura. 

>> Leia mais:

Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas

Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão

Como você tem se programado para a próxima safra? Quais dicas daqui vão te ajudar a melhorar a produtividade do feijão? Adoraria ver seu comentário abaixo!