Fusariose no café: conheça os sintomas, as causas e as alternativas de controle desta doença que causa a morte das plantas.
O cultivo do café no Brasil tem valor histórico e cultural. No século XIX e início do século XX, foi o principal produto da economia do país, se beneficiando da mão de obra escrava existente na época.
Naquela época, o cultivo era concentrado em grandes latifúndios e a produção, voltada para exportação.
Atualmente, embora outras espécies tenham grande importância no país, o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo!
Porém, a variedade de climas do país expõe as plantas a condições climáticas e isso é favorável à ocorrência de doenças, dentre as quais a fusariose tem destaque.
Como uma planta de café pode dar frutos por até 25 anos, é necessário ter conhecimento e controle constante do cultivo para prevenir doenças e garantir sua longevidade.
Para que você seja capaz de controlar e evitar prejuízo nos cultivos de café, vamos falar tudo sobre uma de suas principais doenças, a fusariose.
O que é a fusariose?
A fusariose é uma doença que ataca as plantas de café e é causada por fungos do gênero Fusarium, de diferentes espécies. Esses fungos vivem no solo e, normalmente, entram na planta através de ferimentos.
Os produtores identificam a fusariose como “amarelão do cafeeiro”. No entanto, não é a única doença que causa o amarelecimento das plantas. Portanto, é importante conhecer os sintomas que caracterizam a fusariose:
- Amarelecimento do topo da planta;
- Desfolha de cima para baixo;
- Murcha;
- Paralisação do crescimento;
- Morte do topo da planta;
- Ramos secos;
- Perda das folhas da planta até a seca prematura dos frutos;
- Estrangulamento do ramo, que perde a casca e fica com cor escura; e
- Podridão seca do caule, logo abaixo do colo.

(Fonte: José Roberto Vieira Junior, 2015)
Essas manchas escuras encontradas no caule cortado são características da fusariose.
O escurecimento do caule ocorre pois o fungo “entope” os vasos de condução da planta, e a seiva, fundamental para o desenvolvimento e produtividade do cultivo, acaba sendo impedida de circular para a parte aérea, resultando no enfraquecimento, amarelecimento e morte da planta.
Como mencionado, é fácil confundir a fusariose com outras doenças de solo, como a Rhizoctoniose e a Roseliniose. No entanto, apenas a fusariose apresenta o sintoma de podridão seca do caule.
Além disso, a fusariose normalmente se manifesta em cafezais mais antigos, em plantas com idade superior a 10 anos.
Como vimos, a fusariose compromete a planta de café, podendo causar a sua morte! Vamos entender melhor quais são as causas da fusariose, assim poderemos usar estratégias para evitar o surgimento da doença nos cafezais!

Quais são as causas da fusariose?
Existem condições climáticas que são favoráveis para a ocorrência da fusariose. Solos encharcados e solos ácidos são preferidos pelos fungos que causam a doença.
No entanto, existem três fatores que aparentam estar relacionados com a incidência da doença:
- Idades dos cafeeiros: é comum observar problemas com fusariose em cafezais mais velhos, pois os produtores realizam diversos tipos de poda, como recepa ou decote, a fim de renovar sua estrutura vegetativa;
- Podas frequentes: esta maior incidência pode ser explicada pois a poda causa um ferimento na planta, por onde o fungo tem a chance de entrar no seu interior, mas também pode ser devido ao uso de ferramentas de poda contaminadas, ou seja, se o produtor podar uma planta contaminada e não fizer a limpeza dessa ferramenta antes de continuar o manejo, estará levando para a próxima planta, espalhando a doença no cafezal;
- Colheita mecânica: esse fator também tem relação com a maior causa de ferimentos na planta, possibilitando a entrada do fungo que causa a doença.
Como percebemos, a fusariose se espalha com facilidade através de práticas de manejo comuns, como a poda. Portanto, é fundamental ficar atento para o surgimento dos sintomas desde o início, para evitar contaminação do cafezal.
Agora, no caso de identificarmos a doença no cafezal, precisamos saber como tratar ela. Vejamos no próximo tópico estratégias para prevenir e controlar a fusariose.
Como manejar a fusariose no cafezal
Atualmente, não existem fungicidas registrados para a fusariose no café. Portanto, uma série de estratégias de manejo preventivo e controle cultural devem ser realizadas.
Preventivamente, é recomendado a utilização de variedades resistentes, como o clone de café Conilon A1. Por ser uma doença pouco comum no Brasil, ainda não foram desenvolvidas muitas variedades resistentes.
Para o plantio de novas áreas, é importante a aquisição de mudas sadias, provenientes de fontes confiáveis. Além disso, deve-se evitar o plantio em locais onde há indícios de encharcamento ou onde houve mortalidade de plantas de café anteriormente.
Conforme verificamos, a maior incidência da fusariose se dá em função de algum ferimento causado às plantas. Portanto, as principais estratégias de prevenção devem se concentrar em impedir a entrada dos fungos. Vejamos a seguir alguns cuidados fundamentais:
- Realizar o tratamento com fungicidas dos tocos ou locais de ferimento após a poda. Um fungicida que pode ser utilizado nesta prática é a pasta bordalesa;
- Evitar a contaminação entre as plantas pelas ferramentas de poda contaminadas, realizando a desinfecção das ferramentas com álcool ou hipoclorito de sódio antes de utilizá-las na próxima planta;
- Ao observar plantas com sintomas de fusariose, deve-se eliminar o quanto antes as plantas doentes, para que estas não sirvam de fonte de contaminação para as demais;
- Realizar a queima dos restos de poda ou de plantas com sintomas antes de enterrá-los.
Uma prática que tem mostrado certa eficiência, ainda no estádio inicial, quando a doença atinge apenas a parte alta das plantas, é o corte do tronco (decote) um pouco abaixo da área mais atingida, eliminando o entupimento ali existente.
Conclusão
A fusariose é uma doença do café recente e que afeta, principalmente, os cafezais mais antigos. Ela é causada por um fungo de solo que penetra na planta através de ferimentos.
As plantas atacadas começam a apresentar a ponta amarelada, em seguida murcham, secam e morrem, podendo ocorrer em algumas hastes ou em toda a planta. Isso ocorre pois o fungo entope os vasos junto ao caule ou hastes, impedindo a circulação da seiva.
Não havendo fungicidas eficientes, é necessário utilizar medidas de controle preventivas, bem como ser cuidadoso nas práticas do dia-a-dia, realizando monitoramento do surgimento de plantas com sintomas, e eliminação dessas plantas.
No entanto, o principal cuidado está no tratamento das ferramentas e das plantas no momento da realização das podas, para que os ferimentos resultantes não permitam a entrada do fungo na planta.
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