Gestão do estoque de insumos: como fazer de forma eficiente

Estoque de insumos: saiba como definir o local de armazenagem, como atualizar as informações, custos e ferramentas para gerenciamento

O trabalho no campo vai muito além das operações nas lavouras. O gerenciamento do negócio também precisa de eficiência no sistema de estoque de insumos, que inclui as ferramentas de manejo utilizadas, produtos colhidos e sementes.

A perda de qualquer um desses itens por conta de armazenagem incorreta aumenta o custo de produção ou causa perda de volume da matéria-prima produzida. Isso gera um problema financeiro que pode ser evitado com um estoque sob controle.

Há algumas práticas que você pode adotar para melhorar seu controle de estoque de insumos e proteger sua rentabilidade e seus investimentos. Continue a leitura e entenda como superar esse desafio.

O que é estoque de insumos?

O estoque de insumos faz parte de qualquer negócio. Quando se trata da atividade agrícola, o assunto é um tanto complexo, pois envolve o armazenamento correto de tudo aquilo que dá suporte à produção. Ainda, envolve o que foi colhido na lavoura e aguarda distribuição.

O estoque de uma fazenda, independente do porte e da capacidade produtiva, precisa ter capacidade e ser otimizado para manter a conservação de:

  • maquinários e implementos agrícolas;
  • equipamentos de proteção individual (EPIs);
  • fertilizantes;
  • defensivos químicos;
  • produtos biológicos;
  • sementes;
  • grãos.

O controle de insumos agrícolas necessita de um sistema eficiente. Ainda, precisa de um sistema que otimize o uso dos recursos disponíveis no cotidiano de trabalho e garanta que tudo se mantenha em perfeita qualidade. Isso, é claro, pelo tempo em que for preciso manter armazenado.

Controle de estoque de insumos agrícolas: o que é e como fazer?

Para que a fazenda mantenha sua produção em dia, é preciso ter todas as ferramentas em mãos no momento certo para as operações. A falta da administração de estoque não causa somente prejuízos financeiros, mas pode levar a atrasos na produção

Com a gestão, você alcança o equilíbrio que protege seus investimentos. Você pode obter insumos com antecedência para evitar escassez, e na quantidade correta para evitar excessos e desperdícios. Esse controle facilita o fluxo de caixa, relacionado à compra e venda de insumos e produtos agrícolas.

Essa é uma prática necessária em qualquer segmento do mercado. Assim, para ter as finanças, os investimentos e a margem de lucro sob controle, é imprescindível acertar no controle de estoque de insumos, a partir de quatro práticas indispensáveis:

Definição do local de armazenamento

Em primeiro lugar, é preciso infraestrutura. O espaço físico do estoque de insumos vai depender do que se precisa armazenar. As máquinas agrícolas e os implementos precisam estar sempre em fácil acesso, protegidos da chuva e do sol, para evitar desgastes. Invista em um local espaçoso e arejado.

Os defensivos agrícolas e outros produtos de manejo devem, obrigatoriamente, ser estocados em áreas isoladas da propriedade. Eles devem estar distantes de cursos de água, de área de preservação ambiental e de outras construções, por causa do risco de incêndio.

estoque-de-insumos

Galpão de estoque de insumos agrícolas 

(fonte: Topflexlog)

O armazenamento de sementes precisa de um espaço livre de umidade e calor, com um sistema de ventilação adequado para a manutenção de sua qualidade. Preferencialmente, opte por estoque alto, sem contato com o chão, e em ambiente diferente de onde ficam os defensivos.

Os produtos colhidos no fim da safra precisam de atenção especial quanto ao local de armazenamento. Afinal, é preciso considerar a facilidade logística para escoar os produtos. Além disso, os mantenha livres de patógenos, insetos e fatores ambientais que possam interferir na qualidade das sementes.

Planejamento e metas de estoque

Definidas as questões infraestruturais, o controle de estoque de insumos passa por um planejamento estratégico. Isso é necessário para entender:

  • quais produtos precisam ser comprados e em que quantidade;
  • simulação de datas das operações de plantio, aplicações, manejo integrado e colheita;
  • previsão de tudo que é pra uso imediato e daquilo que vai ficar estocado e por quanto tempo.

Esse momento da gestão de estoque depende da tomada de decisão sobre os processos operacionais que envolvem a cadeia de produção interna da fazenda. É importante um programa de manejo bem estruturado, que antecipe possíveis imprevistos.

Isso especialmente quanto ao clima, pressão de patógenos e janelas de plantio e colheita.

Atualização do estoque

Não é interessante manter excesso de insumos em estoque. Isso pode gerar perdas se demorar muito para serem usados, assim como não pode haver falta de nenhum item no momento de realizar as operações.

Por isso, é importante um controle de entrada e saída, por meio de planilhas ou softwares que contabilizam o que está disponível, o que já foi usado e o que precisa de reposição. No caso dos produtos colhidos, registre os volumes armazenados, as datas de vendas e de distribuição.

Custos e fornecimento

Faz parte da gestão de estoque de insumos a pesquisa de fornecedores e de preços do mercado, para conseguir sempre negociações pelos melhores preços. Isso te ajuda a melhorar a rentabilidade, tanto no que diz respeito à compra quanto à venda.

Nessa decisão, considere os custos como um todo, o preço do produto em si, o gasto com frete, formas de pagamento, gastos com a manutenção dos estoques e o valor estimado com as vendas do que a fazenda produz. É uma estratégia de fluxo de caixa, que também interfere no controle de estoque.

Ferramentas para gerenciamento de estoque de insumos

A administração de estoque não é tarefa simples, mas é o segredo para uma produção agrícola rentável, com o melhor retorno sobre o investimento, sem desperdícios de tempo ou dinheiro.

Felizmente, hoje você não precisa fazer todo o gerenciamento manualmente. Afinal, há tecnologias de gestão de estoque de insumos que auxiliam nos registros cotidianos e no controle das atividades.

Os softwares de gestão agrícola e outras ferramentas de alta tecnologia são grandes aliadas das atividades no campo, criando o conceito conhecido como agricultura de precisão. Nesse sentido, uma boa ferramenta de controle de estoque permite que a gestão: 

  • acompanhe entradas e saídas em tempo real;
  • verifique datas de validade e lotes com facilidade;
  • realize requisição de compras para reposição de insumos;
  • administre todos os seus estoques simultaneamente.

Por fim, um sistema digital integrado para a gestão da fazenda facilita as tarefas. Ele permite, por exemplo, que os dados de controle de estoque já sirvam para realizar o fluxo de caixa. Além disso, te ajuda a criar um histórico das operações financeiras que ajudam a otimizar as tomadas de decisão.

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Otimize a gestão dos seus insumos

Administrar todos os insumos utilizados na lavoura pode ser um grande desafio, mas o Aegro te ajuda nessa missão.

Cadastre e acompanhe todos os insumos da fazenda, fique de olho na movimentação de estoque e faça o orçamento do custo dos insumos. Além disso, compare com o realizado para identificar oportunidades de economia e possíveis desperdícios. 

Receba alertas sobre manutenção dos veículos e máquinas, além de analisar relatórios de abastecimento e trabalho das máquinas evitando consumo desenfreado por mau funcionamento. Aproveite para identificar os insumos em falta, acompanhar a data de entrega e reposição.

Tela para acompanhamento do estoque no Aegro

Tela para acompanhamento do estoque no Aegro

Conclusão

A armazenagem também faz parte da gestão do estoque no que tange custos, planejamento e metas de entradas e saídas. O controle de estoque em si se relaciona diretamente a defensivos, fertilizantes e implementos agrícolas.

Pela complexidade da tarefa de garantir que não haja falta nem excesso de insumos para a safra, você pode recorrer à digitalização da administração do estoque.

Softwares e tecnologias como o Aegro automatizam processos relacionados ao estoque de insumos. Eles possibilitam um registro do histórico do negócio, algo muito caro para embasar as negociações e proteger a rentabilidade.

Como você faz a gestão do estoque de insumos na sua fazenda? Aproveite para compartilhar este artigo com a sua equipe de trabalho responsável por essa etapa.

Saiba como ocorre a germinação das sementes e conheça 11 fatores que influenciam o processo

Como ocorre a germinação das sementes: entenda quais são as etapas, cuidados necessários e como avaliar a germinação do lote

A germinação de sementes é um processo decisivo no estabelecimento da população de plantas em uma lavoura, considerada o primeiro componente de rendimento das culturas.

Informações sobre a germinação de um lote de sementes são importantes. Através delas, você pode calcular a quantidade que deverá ser utilizada na semeadura por área.

Conhecer a porcentagem de sementes de qualidade, que poderão originar plantas vigorosas antes da semeadura, pode te garantir sucesso produtivo das culturas.

Neste artigo, entenda como ocorre o processo de germinação, as etapas envolvidas, além dos fatores que interferem no sucesso da germinação e na produção de sementes!

Como ocorre a germinação de sementes

O processo de desenvolvimento das sementes envolve uma sequência ordenada de eventos. Dentre eles há divisões celulares, acúmulo de reservas e perda de água.

As sementes se desenvolvem, passam pelo repouso fisiológico, criptobiose, quiescência e dormência. Conheça mais sobre cada um desses processos a seguir!

1. Desenvolvimento das sementes

Quando as sementes estão ligadas à planta-mãe, ocorre o acúmulo inicial de açúcares, aminoácidos e amidas.

Depois, moléculas mais complexas são formadas, incluindo proteínas, amido, lipídeos, celulose, dentre outras.

O acúmulo de matéria seca ocorre durante o enchimento das sementes, até que ela atinja o PMF (ponto de maturidade fisiológica). Nesse ponto, a semente possui alta porcentagem de água e é desligada da planta-mãe.

No PMF, a semente possui maior porcentagem de germinação e vigor. A partir dessa fase, é armazenada no campo até que o teor de água seja adequado à colheita.

A partir do PMF, as sementes iniciam seu processo de secagem, e estão suscetíveis a deterioração por umidade, temperatura, pragas e doenças

Elas devem ser colhidas o mais rápido possível e submetidas à secagem em temperatura do ar ideal. Depois disso, devem ser armazenadas em temperatura e umidade relativa do ar baixas, para que sua qualidade seja conservada ao longo do tempo.

Temperatura, umidade e teor de água baixos das sementes reduzem o metabolismo e a respiração, evitando a rápida deterioração.

Tabela com percentual de umidade de espécies em relação à colheita e ao armazenamento de sementes

Percentual de umidade de algumas espécies em relação à colheita e ao armazenamento

(Fonte: Senar, 2018)

2. Repouso fisiológico

O período de repouso fisiológico não ocorre com frequência em sementes que não toleram a dessecação e temperaturas baixas, como as recalcitrantes. Este período está associado às condições ambientais e à espécie.

Esse mecanismo permite que as sementes germinem apenas quando as condições de temperatura e umidade estiverem ideais. 

3. Criptobiose

Na criptobiose, há baixo consumo de água. O teor de água da semente é baixo, e há presença de substâncias inibidoras do metabolismo.

4. Quiescência

Este processo é inibido principalmente por:

  • restrição ou baixo teor de água nas sementes; 
  • baixo consumo de oxigênio;
  • menor atividade enzimática;
  • presença de substâncias inibidoras.

5. Dormência

A dormência das sementes acontece quando elas são expostas a condições ambientais específicas durante o período de maturação.

O período de repouso fisiológico de uma semente antes da germinação envolve a repressão. Isso significa paralisação do crescimento do embrião da semente.

Desta forma, para que a germinação ocorra, é necessária a reativação do crescimento embrionário.

A semente deve ser hidratada, reiniciando os processos anteriores.

Esta reativação depende da disponibilidade de água, que deve ser suficiente. Também depende de condições ideais de temperatura.

O tempo em dias para que ocorra a germinação de uma semente depende da espécie, da cultivar e das condições ambientais.

Representação de eventos que caracterizam o repouso após maturidade das sementes

Representação da sequência de eventos que caracterizam o repouso pós-maturidade fisiológica

(Fonte: Marcos Filho, 2005)

Agora que compreendemos os eventos relacionados ao desenvolvimento das sementes e mecanismos que regulam a sua germinação, evitando que estas germinem ainda em campo, embora em algumas espécies este fenômeno ocorra em determinadas situações, como no trigo, vamos entender quais as etapas estão envolvidas na germinação das sementes e quais fatores que contribuem para o seu sucesso ou insucesso.

Foto de uma espiga de trigo, em que sementes estão germinando.

Germinação de sementes de trigo na espiga, com formação do sistema radicular visível, em decorrência das chuvas no período pré-colheita. A suscetibilidade da germinação ainda na espiga depende da cultivar e condições climáticas vigentes.

(Fonte: Pires, 2017).

Etapas da germinação das sementes

A germinação é caracterizada pelo fim do período de repouso fisiológico. O processo começa com o contato da semente com água.

Na germinação começa o desenvolvimento embrionário, que resulta na formação de uma plântula normal.

A germinação das sementes é caracterizada por três principais eventos metabólicos. Veja mais detalhes na imagem abaixo:

Gráfico que mostra os principais eventos metabólicos da germinação das sementes. O processo é dividido em três fases.

Principais eventos metabólicos que caracterizam a germinação de sementes

(Fonte: Adaptado de Bewley, 1997. In: Marcos Filho, 2005)

11 fatores que afetam a germinação das sementes

O desempenho das sementes é influenciado por fatores relacionados à própria semente e ao ambiente. Confira quais são eles!

1. Vitalidade e viabilidade 

A semente deve ser viável, viva e completamente desenvolvida. Suas características morfológicas e fisiológicas devem estar preservadas. 

Além disso, não deve estar sob interferência de mecanismos que bloqueiam a germinação, como a dormência. Sementes dormentes são consideradas vivas, mas não viáveis.

Logo, antes da implantação de uma lavoura, é indispensável que se conheça o potencial fisiológico de um lote de sementes.

Embora o teste de germinação seja o único obrigatório para os lotes de sementes, é importante saber que elevadas porcentagens no teste de germinação não são garantias de que elevadas germinações a campo.

Ou seja, um lote de sementes pode apresentar elevada germinação e baixo vigor.

Para isso, o teste de vigor pode ser utilizado, para conhecimento do real potencial fisiológico do lote.

2. Longevidade 

Período em que a semente permanece viva. Esta característica é determinada pelo genótipo e influenciada pelo ambiente.

Sementes armazenadas com alto teor de água e em locais com alta umidade relativa do ar deterioram rápido. Isso interfere diretamente na capacidade de germinação.

Além disso, essas sementes devem ser imediatamente submetidas ao processo de secagem. Afinal, a deterioração ocorre de forma rápida em condições de altas temperaturas e umidade.

3. Grau de maturidade

 Os valores máximos de germinação ocorrem na maturidade fisiológica. Nessa fase, há maior acúmulo de matéria seca. 

O ponto de colheita é fundamental para a produção de sementes de alto potencial fisiológico.

4. Dormência

Embora as sementes dormentes estejam vivas, a germinação não ocorre.

Neste caso,  mecanismos (relacionados a temperatura, umidade, concentração e produção de enzimas e fitormônios) devem ser anulados. Só assim a germinação acontece.

Para isso, é importante observar o período de dormência e se a espécie a ser cultivada apresenta esta característica. 

5. Sanidade

Patógenos estabelecem relação com as sementes antes da germinação em campo, na fase de maturação. 

Fungos e bactérias podem estar associados às sementes. Assim, são disseminados para novas áreas.

Além disso, a contaminação por patógenos pode favorecer a deterioração durante o armazenamento. Isso reduz o potencial germinativo e de vigor de um lote de sementes.

Para conhecimento sobre a sanidade de um lote de sementes, o teste de sanidade pode ser solicitado em um laboratório de análise de sementes.

6. Genótipo 

Processos fisiológicos da semente são programados geneticamente durante a sua formação. Por isso, na mesma espécie, podem existir diferenças devido às características do material genético (cultivar) utilizado.

Por isto, o conhecimento sobre as características do material genético utilizado quanto às necessidades de água e condições ambientais é indispensável!

7. Água

 A água é responsável pela retomada da atividade metabólica da semente após a maturidade.

A velocidade da absorção da água é diferente entre as espécies. Ela não deve acontecer de forma rápida, pois provoca danos às sementes.

Em sementes em deterioração avançada a absorção é mais rápida.

Conteúdo de água necessário para que o processo de germinação ocorra

(Fonte: Adaptado de Peske; Rosenthal; Rota, 2003)

As relações entre sementes e água no solo também são importantes. O excesso provoca problemas relacionados às trocas gasosas e danos relacionados à absorção.

Em solos com pouca disponibilidade de água, há redução da velocidade da germinação, estande desuniforme e estabelecimento da população de plantas.

Por isso, é importante conferir a umidade do solo antes da semeadura e se esta encontra-se abaixo do ideal, a conferência das previsões meteorológicas de chuva e temperaturas devem ser realizadas.

No caso de previsões de chuvas próximas, a semeadura pode ser realizada sem maiores problemas. 

8.Temperatura

A germinação pode ocorrer em amplas faixas de temperatura. Porém, a temperatura ótima para a maioria das espécies cultivadas é entre  20 °C e 30 °C.

Tabela com temperatura mínima do solo e temperaturas cardinais necessárias para ocorrer a germinação de sementes

Temperatura mínima do solo e temperaturas cardinais para que ocorra a germinação da semente de algumas espécies cultivadas

(Fonte: Peske; Rosenthal; Rota, 2003)

Para a cultura da soja, por exemplo, excesso de água, combinados com temperaturas elevadas, podem resultar no tombamento de plântulas e comprometer a germinação.

9. Oxigênio

É indispensável para as reações de oxidação das reservas. O oxigênio disponibiliza energia para o desenvolvimento do embrião.

Desta forma, em ambientes muito úmidos, o processo germinativo é influenciado negativamente.

10. Luz

A luz não é um fator determinante para a maioria das espécies.  Espécies como alface, gramíneas e forrageiras, em contrapartida, são beneficiadas pela presença de luz.

11. Promotores químicos

Nitrato de potássio, água-oxigenada, ácido sulfúrico e os fitormônios (produzidos pelas plantas em pequenas quantidades) auxiliam ou bloqueiam a germinação das sementes.

No caso dos fitormônios, as auxinas favorecem o crescimento da raiz primária e do caule. As giberelinas favorecem a expansão celular e o crescimento da plântula. 

Citocininas estimulam a divisão celular, e o etileno está envolvido na superação da dormência de várias espécies.

Como avaliar a germinação de um lote de sementes?

Para conferir o potencial germinativo de um lote, diferentes métodos podem ser empregados. O teste de germinação em canteiros é o método mais utilizado entre produtores.

Confira o passo a passo:

  1. Adicione uma camada de 10 cm a 15 cm de solo em um canteiro;
  1. Abra sulcos de 3 cm de profundidade (consulte a profundidade recomendada para a semeadura da espécie a ser avaliada. Os 3 cm são adequados à cultura da soja);
  1. Acomode as sementes nos sulcos, que deverão ter de 1,5 cm a 2 cm de comprimento;
  1. Utilize um espaçamento de 10 cm a 15 cm entre os sulcos;
  1. Recubra as sementes com solo, de modo que o máximo da profundidade seja de 4 cm;
  1. Realize a semeadura de 4 repetições de 100 sementes por amostra a ser testada;
  1. Cada repetição deverá ser semeada em um sulco.
Foto de um canteiro com plântulas de soja em fileiras

Canteiro para avaliação da emergência de plântulas de soja

(Fonte: Kryzanowski; França-Neto; Henning, 2018)

Avaliação da germinação

A contagem do percentual de emergência de plântulas pode ser realizada em dois momentos. O tempo também varia conforme a espécie.

Germinação de sementes de diferentes espécies e indicações de substratos para o teste de germinação, faixa de temperatura e tempo em dias para a primeira e última contagem de sementes germinadas.

Germinação de sementes de diferentes espécies e indicações de substratos para o teste de germinação, faixa de temperatura e tempo em dias para a primeira e última contagem de sementes germinadas. Substratos: RP=Rolo de Papel; SA= Sobre Areia; EP=Entre Papel; EA=Entre Areia

(Fonte:  Regras para Análise de Sementes, 2009)

Para a avaliação, conte as plântulas que surgiram no solo por cada repetição de 100 sementes. Depois, some todas as 4 repetições do lote e calcule a média de germinação do lote.

A contagem final deverá ser realizada no 8º ou 9º dia após a semeadura.

Cuidados na implantação do teste de germinação em canteiros

  • Não conduza o teste em canteiros de hortas domésticas;
  • Nos canteiros, utilize solo de área de lavoura. Colete em camada superficial de 0 – 20 cm de profundidade;
  • O solo não deve conter inóculo de patógenos ou pragas da lavoura;
  • O solo deverá estar seco e de preferência ser peneirado;
  • O solo não deve ser reaproveitado em outros testes;
  • Para facilitar o processo de semeadura nos canteiros e garantir o espaçamento recomendado, utilize uma régua guia perfurada.

13 dicas para obter sementes de qualidade 

Existem uma série de processos que devem ser seguidos para obter qualidade das sementes. 

As vantagens do pré-condicionamento são a rápida e uniforme germinação (se o lote de sementes possui alto potencial fisiológico e vigor). O resultado disso é bom desenvolvimento e maturação uniforme.

  1. Em época de semeadura, a maturidade em período de chuva pode prejudicar a semente. Programe a semeadura para maturidade em período seco;
  2. O manejo de água também é importante. A seca durante o desenvolvimento prejudica a qualidade da semente, então maneje a irrigação corretamente;
  3. Plantas daninhas podem dificultar a colheita e interferir na qualidade das sementes. Elimine-as do estande da cultura quanto antes;
  4. Picadas de insetos podem prejudicar sementes, sobretudo as de soja. Pulverize com inseticida caso a população seja alta, e comece cedo;
  5. Existem doenças que reduzem a germinação, então utilize variedades resistentes, escolha locais com baixa incidência e realize o tratamento de sementes adequado;
  6. Não atrase a colheita! Inicie assim que as sementes debulharem ou atingirem o teor de água ideal para esta operação;
  7. Faça o monitoramento de pragas e doenças durante o cultivo;
  8. Escolha o material genético mais apropriado para as condições ambientais da região. Considere a tolerância ao estresse hídrico, caso na sua região períodos de estiagem sejam comuns;
  9. Monitore o ponto de colheita ideal. As sementes devem estar com teor de água que não provoque trincamentos (teor de água baixo: 13% para soja) ou amassamentos (teor de água alto: 18% para soja);
  10. Cuide da velocidade e regulagem da colheitadeira, além da rotação do motor adequada. Rotações do cilindro superiores a 450rpm provocam em soja com 22% de teor de água danos mecânicos. Com umidade da semente mais alta, a velocidade do cilindro pode ser entre 400 e 700rpm;
  11. A umidade da semente varia, a depender das horas do dia. Ela é maior no período da manhã e menor durante a tarde;
  12. A colheita deve ser realizada o mais próximo possível do ponto de maturidade fisiológica;
  13. A depender da espécie cultivada, as sementes podem ser pré-condicionadas através do umedecimento prévio controlado. Assim, elas reiniciam os processos metabólicos sem haver protusão da radícula e podem ser semeadas, garantindo maior uniformidade e estande a campo.
Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

A germinação é um processo complexo, que depende de fatores intrínsecos (associados à própria semente)  e ambientais.

Conhecer as necessidades das culturas é importante, principalmente na produção de sementes de alto potencial fisiológico. Isso também vale para a implantação de uma lavoura.

Faça a avaliação de germinação de sementes para garantir uma lavoura sadia e produtiva. E na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo.

>>Leia mais: “Sementes esverdeadas: 3 causas mais comuns e dicas para evitá-las

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