Safra de inverno: Tudo o que você precisa saber sobre culturas, clima e manejo

Com a chegada do inverno, as preocupações com a safra de inverno precisam ser redobradas, afinal, as condições climáticas acabam por propiciar desafios maiores para a plantação

Contudo, a safra de inverno continua sendo uma ótima oportunidade para que os produtores mantenham sua produção ativa, mesmo em um período de clima menos favorável.

O avanço da tecnologia no campo e o aprimoramento de técnicas de plantio possibilitaram a diversificação de culturas de inverno e evitam grandes impactos na renda. 

Além disso, muitos têm ido além do esquema soja-milho, buscando novas opções para melhorar os resultados do empreendimento rural.

Neste artigo, você confere as principais alternativas de culturas de inverno que se adaptam melhor às condições do período, quais cuidados são essenciais para manter a produtividade e as perspectivas de mercado para a safra de inverno 2025/26.

O que são as culturas de inverno?

As culturas de inverno são plantas adaptadas para crescer e se desenvolver em condições climáticas mais frias e secas, características da estação. 

O plantio dessas espécies acontece entre janeiro/fevereiro e setembro/outubro, logo após a colheita da safra de verão. 

Por isso, o cultivo de plantas de inverno também é chamado de segunda safra ou cultura de entressafra.

A escolha das espécies a serem cultivadas deve considerar as condições climáticas da região e a cultura anterior.

Essa estratégia permite maximizar a fertilidade do solo e otimizar os recursos disponíveis. Algumas opções de culturas incluem:

Além disso, o plantio de culturas de inverno pode contribuir para o controle de pragas, melhoria da estrutura do solo e conservação da umidade, garantindo benefícios para o cultivo seguinte.

Um vasto plantio de nabo forrageiro

Figura 1. Área de cultivo de nabo forrageiro. Créditos: Equipe FieldView™ (2023).

O que é safra de inverno e qual a diferença para a safra de verão?

A safra de inverno é o ciclo de plantio que ocorre durante os meses mais frios do ano, em contraposição à safra de verão, que ocorre nos meses quentes e chuvosos. 

A principal diferença entre safra de inverno e verão está nas condições climáticas e nas culturas cultivadas.

  • Safra de verão: Cultivada entre os meses de setembro e março, com alto índice de chuvas e temperaturas elevadas. Principais culturas: soja, milho e arroz.
  • Safra de inverno: cultivada entre abril e setembro, com temperaturas mais amenas e menor volume de chuvas. Principais culturas: trigo, cevada, aveia e canola.

Quais os benefícios das culturas de inverno?

O plantio de culturas de inverno traz diversas vantagens, especialmente para o sistema produtivo como um todo. 

Além de otimizar o uso da terra, essas espécies contribuem para a preservação e manejo sustentável do solo, preparando a área para o próximo ciclo agrícola. Dentro disso, os principais benefícios do cultivo de inverno incluem:

  • Favorece o controle de plantas invasoras, reduzindo a competição por nutrientes;
  • Diminui os riscos de erosão, mantendo a estrutura do solo;
  • Melhora os atributos químicos, físicos e biológicos do solo, promovendo maior produtividade na safra seguinte;
  • Aumenta a retenção de água, tornando o sistema mais resiliente a períodos de estiagem;
  • Reduz a amplitude térmica do solo, favorecendo o desenvolvimento radicular das culturas subsequentes;
  • Contribui para o manejo integrado de pragas e doenças, interrompendo o ciclo de vida de organismos prejudiciais;
  • Diminui os custos com defensivos agrícolas, uma vez que a rotação de culturas reduz a incidência de doenças e pragas;
  • Equilibra o sistema produtivo, proporcionando maior estabilidade frente a condições climáticas adversas.
e-book culturas de inverno Aegro

Culturas de inverno: O que plantar na entressafra?

As condições climáticas do inverno podem parecer desafiadoras, mas existem diversas opções de culturas de inverno que podem ser bem aproveitadas

Essas culturas contribuem para a fertilidade do solo, ajudam no manejo sustentável da lavoura e garantem rentabilidade ao produtor. Por isso, algumas das culturas mais plantas são:

  • Trigo: Base para a produção de farinha e amplamente cultivado no Sul e Sudeste;
  • Cevada: Utilizada na indústria cervejeira e em rações animais;
  • Aveia: Pode ser destinada tanto para consumo humano quanto para alimentação animal;
  • Canola: Cultura oleaginosa importante para a produção de óleo vegetal;
  • Triticale: Cereal híbrido entre trigo e centeio, empregado na alimentação animal e panificação;
  • Hortaliças de inverno: Rúcula, alface, espinafre e repolho, que se beneficiam do clima mais ameno;
  • Milho safrinha: Embora seja plantado no final da safra de verão, muitas vezes é considerado parte da produção de inverno.

Ainda existem outras opções, como nabo forrageiro, ervilhaca e feijão guandu, que podem ser utilizadas como plantas de cobertura para melhorar as condições do solo.

Quais cuidados precisa ter com a safra de inverno?

A safra de inverno pode ser uma excelente oportunidade para diversificar a produção e otimizar o uso da terra.

No entanto, essa época do ano também traz desafios específicos, como temperaturas mais baixas, menor disponibilidade de água e maior risco de geadas.

Para garantir uma colheita produtiva e rentável, é preciso adotar estratégias adequadas de manejo, como:

1. Planejamento e escolha das culturas

Nem todas as culturas se adaptam bem às condições do inverno. Por isso, é importante escolher espécies mais resistentes ao frio e com ciclo adequado para a região.

Algumas das opções mais comuns para a safra de inverno são trigo, aveia, cevada e canola, além de hortaliças como brócolis e couve.

Junto disso, considere o uso de rotação de culturas para evitar esgotamento do solo e opte por cultivares que também sejam resistentes a pragas e doenças.

2. Preparação do solo e nutrição

Antes do plantio, é preciso analisar o solo para identificar possíveis necessidades de correção e garantir um ambiente adequado para o desenvolvimento das culturas.

  • Realize a amostragem do solo para avaliar a fertilidade e definir as correções necessárias;
  • Corrija a acidez e melhore a estrutura do solo com a aplicação de calcário e gessagem, quando indicado;
  • Adube de forma equilibrada, utilizando fertilizantes adequados para suprir os nutrientes essenciais ao crescimento saudável das plantas.

Um solo bem preparado e nutrido contribui para uma lavoura mais resistente e produtiva, aumentando os resultados da safra de inverno.

3. Manejo de pragas e doenças

O controle eficiente de pragas e doenças ajuda a preservar a produtividade da safra de inverno. Mas para isso é necessário:

  • Monitorar a lavoura regularmente para identificar precocemente doenças fúngicas, como ferrugem do trigo e oídio, além da presença de pragas.
  • Aplicar defensivos biológicos e químicos de forma responsável, seguindo as recomendações técnicas para evitar resistência e minimizar impactos ambientais.
  • Adote o manejo integrado de pragas (MIP), combinando práticas como rotação de culturas, uso de variedades resistentes e controle biológico para reduzir a necessidade de defensivos.

Com um monitoramento eficiente e estratégias adequadas, é possível proteger a lavoura e garantir uma produção mais sustentável.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Como garantir rentabilidade na safra de inverno?

Além de focar no rendimento da cultura, é interessante buscar rentabilidade econômica. Para isso, acompanhe tendências de mercado e avalie a demanda dos produtos cultivados.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de aveia, cevada e trigo deve ultrapassar 7,78 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da demanda por cereais no mercado interno e externo.

Já o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que a baixa disponibilidade interna de cereais de inverno tem incentivado preços competitivos para os produtores.

Mercado e comercialização da safra de inverno

A demanda por grãos de inverno tem crescido, especialmente para a lavoura de trigo nacional, reduzindo a dependência de importações

Além disso, culturas como cevada e canola estão ganhando mais espaço na produção brasileira. Para garantir bons preços de venda, você pode recorrer a:

  • Hedge agrícola: Proteção contra variações de preços no mercado futuro;
  • Contratos de venda antecipada: Asseguram preços fixos e evitam oscilações prejudiciais;
  • Monitoramento das exportações: Acompanhar as tendências globais para avaliar oportunidades de venda.

Acompanhar as oscilações do mercado e investir em boas estratégias de comercialização são passos importante para garantir a lucratividade da produção de inverno. 

O investimento em tecnologias agrícolas e boas práticas de manejo também vão fazer diferença para otimizar os resultados e manter a propriedade sempre competitiva.

Previsão do preço da soja para 2025

O mercado da soja é um dos pilares da economia global e o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores da cultura, tem um papel estratégico no abastecimento mundial.

A soja, presenta na alimentação humana, na produção de ração animal e ba fabricação de biocombustíveis, ter uma forte influência na balança comercial brasileira.

Nos últimos anos, o preço da soja apresentou variações, impulsionado por fatores climáticos, geopolíticos e econômicos.

Produção de Soja no Brasil para 2025

O Brasil segue como um dos principais produtores e exportadores de soja do mundo. Para a safra 2024/25, a produção está estimada em 169 milhões de toneladas, um aumento em relação às safras anteriores. 

Esse crescimento reflete o avanço da tecnologia agrícola, a expansão da área plantada e o uso de práticas de manejo mais eficientes.

As principais regiões produtoras, como Mato Grosso, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, devem manter uma participação expressiva na produção nacional. 

No entanto, as condições climáticas, como a influência do El Niño ou La Niña, podem impactar diretamente o desempenho das lavouras e, consequentemente, o preço da soja.

Qual a previsão para a safra de soja 2025?

A previsão da safra de 2025 aponta para um volume recorde de 169 milhões de toneladas no Brasil. Esse resultado depende de fatores climáticos favoráveis e de uma boa gestão agronômica. 

No cenário internacional, é esperado uma produção global de 427,1 milhões de toneladas, com destaque para a recuperação da produção na Argentina, estimada em 50 milhões de toneladas.

A implementação de estratégias de manejo adequado e monitoramento contínuo vão ajudar a garantir que a safra alcance seu potencial máximo e contribua para a manutenção da competitividade do Brasil no mercado global.

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Estoques globais e o impacto no preço da soja

A expectativa é de que os estoques finais globais alcancem 131,9 milhões de toneladas, representando um aumento de 17,6% em relação ao ciclo anterior. 

Esse crescimento ocorre devido à expansão da produção global, não acompanhada pelo consumo no mesmo ritmo.

No Brasil, o estoque final da safra 2024/25 está projetado em 33,5 milhões de toneladas, acima dos 28 milhões de toneladas da safra anterior, mas ainda abaixo dos níveis observados em anos anteriores.

Estoques elevados tendem a pressionar o preço da soja para baixo, uma vez que indicam maior disponibilidade do grão no mercado. 

As políticas de exportação dos países produtores, variações no câmbio e os custos logísticos também influenciam a formação dos preços.

A demanda chinesa, que representa a maior fatia das importações globais de soja, será um fator determinante para a sustentação das cotações, especialmente diante das incertezas no mercado internacional.

Diante desse cenário, o monitoramento constante das tendências de mercado e o uso de estratégias de comercialização vão fazer diferença para otimizar a rentabilidade da safra.

Fatores que influenciam o preço da soja

Os impactos climáticos são um dos principais fatores de impacto na produção e, consequentemente, nas cotações da soja

A dinâmica de oferta e demanda global, os estoques finais, os custos logísticos e as políticas comerciais dos principais países produtores e importadores influenciam diretamente o mercado, além de:

  • Taxa de câmbio: A valorização ou desvalorização do real frente ao dólar influencia diretamente a competitividade da soja brasileira no mercado internacional.
  • Custo de produção: Os preços dos insumos agrícolas impactam o custo final da produção e, consequentemente, o preço da soja.
  • Política internacional: Questões geopolíticas podem afetar o fluxo comercial e as cotações da soja.
Missão Safra 2024 | Comercialização de grãos, mercado futuro e hedge com Ronaty Makuko

Qual o valor da soja 2025?

As projeções indicam que o preço da soja deve variar entre US$21,4 e US$22,0 por saca no mercado internacional, considerando o período entre janeiro e julho de 2025.

No Brasil, com um câmbio estimado em torno de R$6,00, o preço da soja deve se manter abaixo de R$140,00 por saca.

As oscilações no câmbio e nos custos logísticos podem impactar diretamente a competitividade da soja brasileira no mercado externo.

Outro ponto de atenção é o comportamento dos prêmios de exportação nos portos brasileiros, que podem alterar os valores pagos ao produtor.

Caso a safra americana tenha alguma quebra de produção ou a demanda global aumente além do esperado, os preços podem apresentar recuperação ao longo do ano.

Qual a probabilidade da soja subir?

A probabilidade da soja subir em 2025 está ligada a fatores como: quebras de safra em países produtores, aumento da demanda internacional e oscilações cambiais significativas.

Se ocorrerem condições climáticas adversas em regiões produtoras importantes, a tendência é de alta nas cotações da soja

Por outro lado, os estoques globais elevados podem limitar o potencial de valorização.

Qual a previsão do preço da soja no futuro?

As previsões para o preço da soja em 2025 tem algumas divergências entre os analistas. De acordo com portais de notícias, é esperado que o preço da soja se mantenha abaixo de R$140,00 por saca, considerando um câmbio de R$6,00 por dólar, por conta da produção e estoques mundiais recordes.

É prevista uma recuperação nos preços, fundamentada no aumento contínuo da demanda global e na expectativa de estoques estáveis, o que poderia impulsionar os preços no mercado internacional

É importante entender que o mercado de soja é influenciado, principalmente, pelo clima e as políticas comerciais, o que pode resultar em volatilidade nos preços ao longo do ano.

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Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas para 2024

Previsão para o preço do feijão: entenda o mercado, estimativas de produção, tendências e muito mais!

A produção agrícola sofre impactos de diversos fatores, desde o clima até a economia. Isso não é diferente em relação ao feijão, que tem seus preços afetados pelos mesmos fatores.

A partir do segundo semestre de 2023, o feijão apresentou uma redução nos preços, devido às  colheitas de segunda e terceira safra. 

Veja abaixo como tem se comportado o preço do feijão ao longo dos anos e confira neste artigo a previsão para o preço do feijão para 2023/24. Boa leitura!

Qual a previsão para o preço do feijão?

A queda no preço do feijão na segunda metade de 2023 inibiu os aumentos da área de plantio no verão. O preço do feijão carioca recuou 24,2% em 2023. 

Em Minas Gerais, as negociações atingiram R$ 330,00, enquanto no Paraná, as referência indicam valores entre R$ 320,00 e R$ 325,00 para o feijão carioca.

A  manutenção da área plantada em relação a 2022/23 e o El Niño tem gerado um cenário de incertezas para a plantação e o preço do feijão em 2024.

Esse cenário de incertezas sobre a oferta e os preços do feijão nos primeiros meses do ano, tem indicado uma subida intensa dos preços até março.

É importante estar atento ao movimento ascendente dos preços. O valor de US$ 70,00 por saca de 60 quilos, que atualmente é considerado excelente, só ocorreu em janeiro de 2023, tornando o cenário atual muito favorável.

Preço do feijão carioca de 2014 a janeiro de 2024 no Brasil e em Goiás

(Fonte: Agrolink)

Produção de feijão de 2024

O Brasil possui três épocas distintas de plantio do feijão, favorecendo a oferta constante do produto ao longo do ano.

Tem-se o feijão da primeira safra, semeado entre agosto e dezembro, o de segunda safra, cultivado entre janeiro e abril, e o de terceira safra, semeado de maio a julho.

De acordo com a Conab, a área plantada na safra 2023/24 é semelhante à de 2022/23, mas 19% menor que a de cinco anos atrás.

A cultura se encontra em entressafra, e o país conta apenas com os estoques remanescentes da terceira safra e das lavouras paulista na oferta de feijão novo, pelo menos até meados de janeiro de 2024.

A partir de meados de janeiro, poderá contar com volumes mais robustos do grão produzido no Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Além disso, o plantio do feijão tem sofrido com os efeitos do El Niño. Em Minas Gerais e São Paulo, o tempo seco e o calor reduziram a taxa de germinação. No Sul, o problema é o excesso de chuvas.

Por outro lado, a safra da Bahia deve ter um desempenho melhor.

Para 2024, a estimativa era de que a colheita de feijão fosse de aproximadamente 3 milhões de toneladas, mas a safra deve registrar retração de mais ou menos 2,5%. 

De acordo com o Portal do Agronegócio, a colheita da primeira safra de feijão para o período de 2023/24 no Paraná atingiu 40% da área total estimada. Este número representa uma redução de 2% em comparação à plantação da safra anterior.

Produção, área e produtividade de feijão de 2012 até 2023

Comparação entre as safras de feijão entre 2012 e 2022/23 (Fonte: Conab)

Como estará o mercado do feijão em 2024?

No Brasil, a maior parte das ofertas do feijão recém-colhido continua sendo dos estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Goiás. 

As projeções para 2024 indicam um cenário inédito, sugerindo que o Brasil pode enfrentar um dos menores volumes de feijão em estoque da história nos primeiros meses do ano.

A escassez de produto armazenado indica dificuldades significativas no abastecimento futuro, principalmente, ao considerar a calamidade pública declarada em municípios do Norte e Nordeste, devido à seca. 

Esperava-se uma maior demanda no início do mês, período típioc de reposição de estoques, porém, o volume de negócios tem sido limitado pela quantidade de feijão ofertado.

As perspectivas de melhoria dos preços dependem do término do período de férias escolares, quando se espera uma eventual recuperação do consumo.

Planilha para controle de estoque da fazenda

Vai faltar feijão em 2024?

O plantio de feijão da safra das águas de 2023/2024 começou em agosto, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A primeira safra tem sofrido com as adversidades climáticas como, falta/excesso de chuva e baixas temperaturas durante o ciclo da cultura. Esse cenário tem influenciado negativamente a produtividade e, consequentemente, a produção.

O volume a ser colhido não será suficiente para manter o mercado em equilíbrio e impedir, no curto prazo, preços em patamares mais elevados.

A segunda safra está em início de semeadura. A tendência é que a superfície a ser cultivada seja próxima da safra anterior. 

Caso as condições climáticas sejam adequadas, a produção será superior à colheita registrada em 2023, o que manterá elevada a oferta interna do produto.

Conclusão

O preço do feijão carioca para os próximos meses deve se manter nos patamares elevados atuais, com leve queda no final de 2024, quando está prevista expansão da safra.

Para o início de 2024, espera-se que os preços ainda estejam elevados, o que é bom para o produtor.

Fique sempre de olho no mercado e nas variações de preços dessa cultura. Assim, você garante deixar seus preços competitivos, lucrando bem mesmo com as mudanças mais recentes.

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Saiba a previsão do preço do café para 2023

Previsão do preço do café para 2023: veja como está o mercado de café neste momento, confira os preços da saca, tendências, valores e mais!

A previsão do preço do café para 2023 será influenciada pelo excedente de estoques, estimado em 7,9 milhões de sacas. Segundo especialistas, variações do clima, como La Niña e o El Niño, também podem interferir.

O mercado do café, nos últimos anos, tem passado por diversas oscilações. Tudo isso é efeito do clima, mudança nos hábitos de consumo, pandemia de Covid19 e guerra na Ucrânia. Mas o principal fator que você deve estar atento para saber como vai ficar o preço do café é o excedente de estoque.

Neste artigo, confira detalhes sobre a previsão do preço do café para 2023 neste artigo. Boa leitura!  

Previsão do preço do café para 2022

O preço da saca de café (60 kg) em 2022 deve variar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 nos próximos meses. Isso pode depender da região de produção, segundo analistas do setor.

Esses são os preços da saca atualmente. Portanto, os próximos meses devem ser de estabilidade nos valores pagos ao produtor, pelo menos até o último trimestre do ano. 

O cenário apontado é dentro de contexto de normalidade da produção, com o aumento natural da oferta. Afinal, a fase atual é de colheita de café nas regiões produtoras.

Também dentro de um cenário normal, espera-se que as condições climáticas sejam favoráveis ao término da colheita. A principal preocupação é o La Niña.

Os meteorologistas do Noaa (agência de clima e meteorologia dos Estados Unidos) preveem 52% de chances de La Ninã e 46% de Enso neutro (El Niño-Oscilação do Sul) de julho a setembro de 2022.

A avaliação é de que, se o La Niña surgir durante o período de colheita no Brasil, ele não afeta a quantidade da safra 2022/2023. Porém, atrasa a disponibilidade do café ao mercado.

Gráfico que demonstra previsões de eventos climáticos
Previsões do Noaa para os fenômenos climáticos La Niña, Enso e El Niño
(Fonte: Stonex)

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), muitos produtores estão preocupados com a colheita por conta do clima e da falta de mão de obra. Em locais onde a colheita é feita de forma manual, os grãos estão secando nos pés. 

O que explica a alta do café?

Em 2021, o preço da saca de 60 kg de café começou em R$ 640 e fechou em R$ 1.446. Isso significa alta de 126,31%, segundo a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé). 

Em 2022, o preço da saca de café chegou a ser negociada por R$ 1.550 pela Coopama (Cooperativa Agrária de Machado). Esse foi um valor recorde para o arábica.

De acordo com especialistas das cooperativas, a alta dos preços é explicada pelo aumento dos custos de produção com insumos, sobretudo os fertilizantes e combustível. No geral, o aumento dos custos para os produtores no Brasil é estimado entre 50% e 60%.

A inflação também é outro fator de grande importância para a previsão do preço do café para 2023. No Brasil, a inflação do café aumentou impressionantes 67% no ano passado.

Previsão do preço do café para 2023: estimativa de inflação no Brasil, EUA e Europa.
Evolução da inflação do café torrado e moído no Brasil, EUA e Europa
(Fonte: StoneX)

Os preços do café e a inflação na Europa não aumentaram tanto quanto nos EUA e no Brasil. Para analistas da StoneX, “isso é uma indicação da recuperação mais lenta da demanda e do mercado competitivo, permitindo que os varejistas mantenham os preços mais baixos”.

Qual a safra do café em 2022?

De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra de 2022 de café deve ter produção total de 53,43 milhões de sacas.

Essa quantia representa queda de 15,3%, frente às 63,08 milhões de sacas de 2020, último ano de bienalidade positiva do café arábica. O arábica é a principal variedade produzida no país, ficando na frente do conilon.

Em comparação a 2021 (bienalidade negativa), o resultado é 12% superior.

A Sincal (Associação Nacional dos Cafeicultores do Brasil), no entanto, prevê 40 milhões de sacas para a safra de 2022.

A principal razão para a queda da safra de 2022 (em relação a 2020) são a estiagem e a geada. Eles antecederam a florada do café de 2021, conforme analistas da Conab.

Somente a geada afetou mais de 200 mil hectares de cafezais em Minas Gerais em 2021.

A produção mundial de café para a temporada 2022/2023 está estimada entre 175 milhões de sacas, de acordo com o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Segundo o departamento, os estoques mundiais estão em 32,7 milhões de sacas.

Qual a demanda do café para 2022?

A previsão do preço da saca de café para 2022, com impactos em 2023, pode ser influenciada pela demanda. Nos Estados Unidos, maior consumidor mundial, teve queda de 3,6% em 2020 e de 1,3% em 2021, por conta da pandemia de coronavírus.

O esperado para 2022 é que a demanda americana de café se recupere. É esperado um aumento de 6,9% e estabilização em 2023.

A StoneX prevê demanda global de 24,5 milhões de sacas em 2022 e aumento de 4,1% no consumo em 2023. Também é previsto 1 milhão de sacas a mais.

Já o Usda estima que a demanda mundial crescerá 1,8 milhão de sacas em 2022. 

Houve um agravamento da guerra na Ucrânia, com a entrada da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) nos combates contra a Rússia, apoiada pela China. Isso causaria outro impacto ainda mais grave no consumo.

A Ucrânia consumiu 1,235 milhão de sacas em 2021 e não deve comprar um grão do café brasileiro em 2022, segundo especialistas do CoffeeNetwork.

A Rússia, e ainda num cenário sem a entrada da Otan na guerra, deve ter 50% de queda no consumo este ano. Em 2021, os russos compraram quase 4 milhões de sacas. 

O agravamento da guerra na Ucrânia representa uma preocupação em relação ao consumo de café, na análise de especialistas da Conab. Tudo isso explica o por que o preço do café subiu em 2022.

“O conflito bélico no leste europeu intensificou a inflação global, ameaçando a demanda do café e favorecendo a migração de investidores para outras commodities com maior perspectiva de valorização”, avaliam especialistas do CoffeeNetwork.

A demanda prevista para o Brasil em 2022/2023 é de 19 milhões de sacas, o mesmo da atual temporada.

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Qual a previsão do preço do café para 2023?

A previsão do preço do café para 2023 é que ele deve se manter nos mesmos patamares de 2022. Isso, é claro, caso não ocorram eventos extremos na economia global, relacionados ao consumo ou à oferta.

Problemas com o La Niña no Brasil e o atraso das chuvas de final de ano pode ter problemas para o desenvolvimento da florada. Isso pode impactar negativamente a oferta em ano de bienalidade negativa do arábica.

Outro fator importante para a previsão do preço do café para 2023 é a oscilação do valor do dólar em relação ao real.

Em 2022, o dólar chegou a ultrapassar R$ 5, o que é muito positivo para quem exporta café. Porém, a tendência do café para 2023, apontada por especialistas, é a de que o real se valorize frente ao dólar, como vem ocorrendo nos primeiros quatro meses do ano.

Na demanda, o superávit de 7,9 milhões apontado pelo Usda pode também reduzir os preços da saca do café, para o ano cafeeiro 2022/2023. Confira abaixo a evolução dos preços do café nos últimos anos:

Previsão do preço de café para 2023: preços do arábica e do conilon
Preços de café nas bolas de Nova Iorque (arábica) e Londres (conilon)
(Fonte: Conab)

Conclusão

As previsões do preço do café para a temporada 2022/2023 apontam para uma estabilidade dos preços. Porém, há uma preocupação geral com a queda no consumo, em decorrência do agravamento da guerra na Ucrânia.

Nesse sentido, a geopolítica deverá ditar nos próximos meses as tendências para os preços do café, com interferência em toda a economia global.

A previsão do preço do café para 2023 é a de que fique entre R$ 1.250 e R$ 1.300 a saca de 60 kg. Fique sempre de olho no mercado do café e nas mudanças para garantir acertar no preço das suas sacas.

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Produção de grãos no Brasil: entenda o cenário e como ele afeta sua lavoura

Produção de grãos no Brasil: importância da agricultura brasileira, cenário de produção de arroz, feijão, soja, milho e muito mais!

Se você produz grãos, ficar por dentro do mercado é essencial.

Conhecer a  lei da oferta e demanda e o cenário de produção de grãos influencia diretamente nos preços recebidos por você. Isso também impacta nos preços que você vai colocar nos seus produtos.

Neste artigo, veja como anda a produção de grãos no Brasil e como isso afeta o seu trabalho no campo. Confira!

Quais os maiores produtores de grãos do mundo?

A alimentação mundial é muito baseada no consumo de grãos, seja de cereais ou de oleaginosas. No cenário mundial os cinco países em destaque são a China, Estados Unidos, Índia, Brasil e Rússia.

Segundo o Conselho Internacional de Grãos (IGC) a estimativa de produção de grãos em 2021/22 será de 2,287 bilhões de toneladas.

Cada país apresenta um destaque da produção. Por exemplo, a China é maior produtor de arroz. O Brasil vem assumindo a posição de maior produtor de soja, antes dos Estados Unidos.

Veja mais adiante a posição de cada país na produção de grãos no mundo.

Produção de grãos no Brasil

A participação do setor do agronegócio no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro tem média acima de 20% do total.

Em valores reais, o PIB do agronegócio gerou nos últimos anos uma média de mais de R$ 1,2 trilhões. Somente o ramo agrícola apresenta grande parte destes ganhos.

Qual é a área cultivada com grãos no Brasil?

A área cultivada na safra 2021/22 é de 72,9 milhões de hectares. Há um aumento de área prevista para soja e milho, impulsionado pelos preços dessas commodities. Graças a essas duas culturas, a safra 2021/22 pode ser 3,8% maior que a safra 2020/21.

Qual a produção de grãos no Brasil em 2022?

A projeção de produção de grãos no Brasil para a safra 2021/22 é de até 269,3 milhões de toneladas, de acordo com a Conab (Companhia Nacional do Abastecimento).

Em comparação à safra passada, a produção aumenta cerca de 13,8 milhões de toneladas.

A produção de grãos no Brasil está aumentando?

Nas primeiras projeções da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) a produção era de 288,6 milhões de toneladas. Essa redução foi provocada pelo clima adverso em algumas regiões produtoras brasileiras.

Entretanto, observando o histórico de produção do Brasil nos últimos anos, a produção de grãos vem aumentando. Esse aumento está sendo causado por:

  • aumento de área de produção;
  • aumento de produtividade;
  • melhoramento das cultivares;
  • manejo de produção; 
  • investimento em tecnologia no campo.

Quais os grãos mais produzidos no Brasil? 

Soja, milho, arroz, feijão, trigo e algodão estão entre os principais grãos produzidos no Brasil. Na produção mundial, o país assume a quarta colocação, ficando atrás dos Estados Unidos, China e Índia.  Veja um pouco mais esse cenário para os principais grãos produzidos no Brasil.

Soja

O Brasil ganha o cenário mundial como maior produtor e exportador da cultura da soja.

A produção nacional média supera a marca de 120 milhões de toneladas. O Estado do Mato Grosso produziu mais de 34 milhões de toneladas nos últimos anos.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de soja nas regiões produtoras brasileiras

(Fonte: Adaptado de Conab)

O principal país importador da soja brasileira e americana é a China, com uso principal para ração animal. Logo atrás do Brasil, há os Estados Unidos lidera na produção e exportação. 

Milho

No Brasil, a semeadura do milho pode acontecer em três épocas: 

Esta produção coloca o Brasil como o terceiro maior produtor deste cereal, logo atrás dos Estados Unidos e da China. Juntos, os três produzem mais de 60% do milho do mundo.

Como destaque dos estados produtores temos Minas Gerais na safra e Mato Grosso na safrinha. Na terceira safra, o milho é produzido em poucos estados, mas o destaque é para o Sergipe.

A maior produção e área semeada desta cultura ocorre no milho safrinha. Mais de 65 milhões de toneladas são produzidas. Somando as três épocas, a média da produção nacional nos últimos anos é de 96 milhões de toneladas.

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Arroz 

O arroz é o terceiro cereal mais produzido no mundo, ficando atrás do milho e trigo.

Todos os continentes produzem arroz, com destaque para a Ásia. O principal país produtor é a China, e o Brasil assume o nono lugar.

No Brasil o arroz pode ser cultivado irrigado ou em sequeiro (também conhecido como arroz de terras altas). As maiores produções são obtidas nas plantações de arroz irrigado. 

Em sequeiro, o Brasil produz em média 1 milhão de toneladas. A produção do arroz irrigado é, em média, de mais de 10 milhões de toneladas

O estado do Mato Grosso é o principal produtor, seguido do Maranhão. O destaque para o maior produtor nacional é o Rio Grande do Sul, em seguida Santa Catarina. Juntos, esses dois estados produzem mais de 87% do total de arroz nacional.

A época de semeadura do arroz de sequeiro vai de outubro a fevereiro. O irrigado pode ser semeado de agosto a dezembro. Essas datas são definidas pelo Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

Tabela com áreas e produção de grãos de arroz sequeiro e irrigado, em todas as regiões do Brasil.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de arroz de sequeiro (amarelo) e arroz irrigado (azul), das regiões produtoras brasileiras

(Fonte: Adaptado de Conab)

Feijão 

Na produção de feijão, o Brasil está na terceira posição. Ele fica atrás de dois países asiáticos: Myanmar e Índia. No Brasil, o plantio de feijão pode acontecer em 3 épocas: 

  • 1ª safra (ou safra das águas);
  • 2ª safra (ou safra da seca);
  • 3ª safra (ou safra de inverno).

Em relação à produção, a 2ª safra é a principal época de produção no Brasil. Nela, são produzidas mais de 1 milhão de toneladas.

Na 1ª safra, os principais produtores são Paraná e Minas Gerais. 

Na 2ª safra, o Paraná segue como principal produtor, logo após o Mato Grosso. Na 3ª safra, os destaques de produção são os estados de Minas Gerais e Goiás. A melhor época para plantar feijão depende da região produtora.

Produção de feijão no Brasil nas três safras, em todos os Estados Brasileiros.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de feijão nas 3 épocas

(Fonte: Adaptado de Conab)

Algodão

Para a cultura do algodão, o Brasil é o quinto colocado no ranking mundial.

A produção de pluma brasileira é de mais de 2,5 milhões de toneladas. Além do aproveitamento da pluma na indústria têxtil, o caroço também é aproveitado.

Seu uso vai desde a produção de óleo comestível, até na mistura em rações animais e na na produção de biodiesel.  

Em disparada,  o Mato Grosso é o principal Estado produtor. A média dos últimos anos é maior que 1,7 milhões de toneladas.

Área (em mil hectares) e produção (em mil toneladas) de algodão das regiões produtoras brasileiras.

(Fonte: Adaptado de Conab)

Trigo

Dos principais grãos produzidos no mundo, o trigo é o único em que o Brasil não aparece entre os 10 primeiros países produtores.

O Brasil é o 16º produtor mundial deste cereal, com uma produção média de mais de 6 milhões de toneladas. 

O Brasil não produz a quantidade de trigo consumida. Por isso, é necessário importar principalmente dos Estados Unidos e Argentina quase a mesma quantia que produz.

O Paraná e o Rio Grande do Sul são responsáveis por cerca de  85% a 90% do total de trigo produzido. A época de semeadura do trigo nestes estados varia de abril e agosto, conforme o zoneamento agroclimático.

Qual a projeção de produção de grãos no Brasil até 2031?

Dos principais grãos produzidos e comercializados no mundo, o Brasil tem sua parcela de produção e comercialização, interna e externa.

A produção brasileira, mesmo em anos de intempéries climáticas, como secas e geadas, ainda consegue obter grandes volumes. Esse volume abastece o mercado interno e externo.

A demanda por alimentos é cada vez maior. Por isso, a  busca por produzir mais e com melhor qualidade tem se tornado uma realidade. Isso tudo se agravou após as consequências da pandemia de coronavírus na agricultura.

Pelas projeções realizadas pelo Mapa, até a safra de 2030/31, o Brasil deve ultrapassar a marca de 333 milhões de toneladas de grãos produzidos.

Projeções de produção de grãos no Brasil das próximas safras, até 2031, em 4 regiões: sul, centro-oeste, norte e sudeste.

Projeções da produção de grãos no Brasil entre 2020/2021 e 2030/2031

(Fonte: Mapa)

Projeção do aumento e redução da área de produção no Brasil

Há estimativas para um aumento de área de produção. Mas, segundo as projeções, nem todas as culturas participarão deste aumento de área.

Segundo o Mapa, o arroz perderá 62% de área colhida. O feijão perderá 36,9% de área. Por outro lado, o milho segunda safra ganha 35,2% de área plantada, a soja ganha 26,9% e o milho, 10,6% a mais.

A boa notícia é que não haverá redução da produção destas culturas que perdem área. Afinal, as projeções realizadas consideram vários fatores, como:

  • aumento tecnológico;
  • novas cultivares mais adaptadas e resistentes às principais doenças e pragas;
  • novos produtos para manejo e maior produtividade, etc.

Assim, mesmo com a redução da área de plantio de algumas culturas, a produtividade pode manter ou até mesmo aumentar ao longo dos anos.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

A produção de grãos no Brasil é competitiva com demais países produtores.

Entre os seis principais grãos produzidos no mundo, em cinco deles o Brasil está entre os dez primeiros. No caso da soja, é o maior produtor do mundo.

É clara a importância da agricultura na economia mundial. E, além disso, a quantidade de área e produção do Brasil ainda tem potencial para crescimento nos próximos anos.

Você sabia o quanto a produção de grãos no Brasil é promissora? Qual ou quais desses grãos você produz? Adoraria ler seu comentário!

Commodities agrícolas: conheça os 4 tipos de negociação

Commodities agrícolas: veja como funcionam, os tipos de negociações possíveis, as diferentes categorias e mais!

Commodities agrícolas são mercadorias que sofrem pouca ou nenhuma interferência industrial. Soja, milho e café são apenas alguns exemplos.

Se você produz alguma dessas culturas, ficar por dentro do mercado das commodities é fundamental. Afinal, esse mercado pode influenciar muito o gerenciamento da fazenda.

Quer conhecer os diferentes tipos de negociação, como funciona este mercado e como você pode sofrer os impactos? Acompanhe o artigo! 

O que são commodities agrícolas?    

Commodities agrícolas são as mercadorias do agronegócio que sofrem o mínimo possível de interferências industriais em seus processos.

Commodity significa mercadoria. Ele vale para a maioria dos produtos comercializados no mercado internacional.

O preço de uma commodity não possui grandes diferenças de um país para o outro. Afinal, o produto segue uma padronização de tamanho, tipo, peso, dentre outras especificações.

Commodities negociadas em qualquer país vão obedecer a um preço internacional por determinada quantidade/peso.

Fatores que influenciam os preços das commodities     

As commodities sofrem impacto com as mudanças climáticas (secas, geadas, La Niña e excesso de chuvas). Perdas em diversas culturas são a consequência.

A situação fica mais preocupante por causa da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que agravou a crise dos fertilizantes.

Esses fatores fazem com que os preços das commodities agrícolas e dos insumos necessários para produzi-las sofram grandes mudanças.  

A variação de preços é influenciada pela bolsa de valores. Nas bolsas, são registrados os preços que vão balizar as negociações atuais ou do mercado futuro.

Os preços sofrem oscilações acontecem por vários fatores. Por exemplo: safra, entressafra, distância entre compradores e vendedores, eficiência dos portos.

Outras influências nos preços das commodities são:

  • Riscos geopolíticos, como o da guerra na Ucrânia;
  • Crises sanitárias (pandemia de Covid-19);
  • Cenários macroeconômicos;
  • Nível de desenvolvimento da economia internacional, sobretudo porque eles são indicativos das demandas por matérias-primas ou produtos primários e da movimentação de câmbio.

Requisitos das commodities agrícolas    

Para ser uma commodity, a mercadoria precisa ser negociada em bolsa de valores. Ela também precisa obedecer características pré-estabelecidas do contrato negociado em bolsa.

Por exemplo, a soja precisa ter um máximo de 14% de umidade, máximo de 8% de grãos avariados, máximo de 8% de grãos esverdeados e até 30% quebrados. Caso a saca não se enquadre nessas regras, ela não pode ser negociada.

Para ser uma commodity, a mercadoria precisa ser negociada em bolsa de valores. Nelas são registrados os preços que vão balizar as negociações atuais ou do mercado futuro 

Para um produto agrícola ser considerado commodity, deve ser in-natura ou sofrer o mínimo de interferência possível da indústria.

As commodities agrícolas são produtos primários. Por exemplo, o grão de café é uma commodity, mas a bebida pronta não. Chocolate não é commodity, mas o cacau é.

Quais mercadorias são consideradas commodities    

As mercadorias consideradas como commodities podem ser:

  • Financeiras (títulos do Tesouro Direto, euro, dólar, real, além de moedas fiduciárias);
  • Ambientais (água, energia, madeira);
  • Agrícolas.

Na agricultura, existem vários produtos comercializados no mercado nacional e no internacional. 

O Brasil é destaque como maior produtor e exportador de soja, açúcar, café e suco de laranja. Também é um grande competidor de milho, algodão e carnes

Quais são os tipos de commodities?

As commodities são classificadas “de origem” e “por uso”. A classificação é feita conforme a organização do próprio mercado. 

As commodities do grupo de origem são:

  • Agrícolas: soja, milho, café, açúcar, algodão, biocombustíveis, trigo, cacau;
  • Minerais: gás natural, petróleo, minérios;
  • Industriais: inclui os petroquímicos. 

O grupo de commodities do grupo por uso são:

  • Alimentos: soja, milho, açúcar;
  • Metais: minérios, aço, alumínio;
  • Energia: petróleo, gás, gasolina, biocombustíveis;
  • Fibras: pluma de algodão, fibras sintéticas.

As commodities também podem ser agrupadas entre soft e hard. As soft commodities são os produtos agrícolas e as hard commodities os minerais.

Imagem do quadro de commodities da bolsa de valores do Brasil

Quadro de commodities da B3, a bolsa de valores do Brasil

(Fonte: B3

Subdivisões das commodities    

As commodities agrícolas possuem uma subdivisão:

  • grãos: soja, milho e trigo;
  • proteínas: carnes, leite e derivados;
  • softs: açúcar, cacau, café, suco de laranja e algodão.

Esse agrupamento pode variar de acordo com o que cada país produz. No entanto, seguem a mesma linha de comercialização e padronização.

Talvez você tenha estranhado não ter visto o feijão nessa lista de commodities agrícolas. Ele, apesar de também ser exportado, não é considerado uma commodity. 

Isso acontece por o feijão ser de difícil padronização. Há diferentes características dele, assim como do arroz, como teores de amilose e amilopectina, além do comprimento dos grãos.

Como funciona o mercado de commodities agrícolas   

As negociações das commodities agrícolas podem ser feitas no mundo todo.

No mercado internacional, um dos principais fatores que interferem nos preços das commodities é a oferta e a demanda agregada.

Normalmente, as empresas não interferem nos preços das negociações. 

Porém, as indústrias nacionais estão com prêmios mais altos que a exportação nos últimos tempos. Isso acaba influenciando, mesmo que indiretamente, o mercado físico e os preços.

Os países também possuem poder limitado de influenciar nos preços das commodities. 

Uma vantagem das bolsas de valores é que algumas delas atuam também com a estocagem de commodities para venda futura. Por exemplo, as bolsas de Nova Iorque, Chicago e Londres.

Isso favorece as commodities agrícolas porque a oferta ocorre durante certa época do ano, mas a demanda ocorre o ano todo

A instabilidade dos preços é uma grande característica das commodities agrícolas.

Isso porque as culturas sofrem grande influência das instabilidades climáticas. Elas interferem nas épocas de plantio e colheita, bem como no volume da produção.

Tipos de negociações das commodities agrícolas 

Existem quatro tipos de mercados de negociação das commodities agrícolas:

1. Mercado físico

Se caracteriza pela troca de mercadorias em dinheiro (à vista). 

A venda é feita para um comprador que atua no mercado físico, também conhecido como spot ou disponível.

2. Mercado a termo

Nesta negociação, ocorre um acordo de pagamento a prazo entre vendedor e comprador. Todos os detalhes da negociação são definidos previamente, sem haver variações de preço após finalizado o acordo.

Com isso, neutraliza-se a instabilidade dos preços. Isso pode causar prejuízos ou lucros para as partes, a depender do cenário futuro do produto negociado.

3. Mercado futuro

Segue o mesmo tipo de negociação do mercado a termo. A diferença é de que os contratos futuros derivam de produtos agrícolas, e não ocorre a entrega física quando o contrato é encerrado. 

É também conhecido como mercado de derivativos.

A liquidação é financeira, com diferença de preços baseada nas oscilações da bolsa de valores. Com isso, ocorre uma maior proteção das safras agrícolas de eventuais prejuízos.

4. Mercado de opções

É também um mercado de derivativos. Porém, ele dá a opção para o negociador vender ou comprar um produto agrícola com prazos e preços pré-definidos.

Cenário das commodities do Brasil

Nos últimos meses, o setor agrícola mundial tem sentido de maneira mais firme os impactos das mudanças climáticas nas negociações.  Com a guerra na Ucrânia, houve uma oscilação ainda maior dos preços das commodities.

Soja

A soja é um dos principais grãos produzidos no Brasil. O preço da soja tem sido muito influenciado pela instabilidade geopolítica no leste europeu. Outras grandes influências são as perdas da safra no Brasil e Argentina, devido à seca e excesso de chuvas. 

Entre fevereiro e março de 2022, o preço subiu 10,6% (está em US$ 16,9/bu). A colheita de deve ficar em 121,17 milhões de toneladas (-4,2%);

Milho

Em dois meses, o preço do milho valorizou 20,4% (cotado a US$ 7,64/bu), atingindo os maiores preços desde 2012.  O cenário de guerra na Ucrânia e seca no Brasil fizeram o preço disparar. 

A primeira safra deve ficar em 25 milhões de toneladas (-1,1%) e a segunda em 89,4 milhões de toneladas. Isso resultaria em safra recorde de 116,1 milhões de toneladas.

Algodão

A expectativa real de redução do consumo pela indústria, por conta do cenário global, fez preço cair 2,3%, indo a cUS$ 108,2/lp.

As cotações da pluma no Brasil devem seguir o mercado internacional, com preocupações com poder de compra por parte da indústria local;

Arroz

O preço do arroz aumentou 13,8% em dois meses, cotado a R$ 75,18/sc. Isso aconteceu devido à alta demanda provocada pelo andamento da colheita no Rio Grande do Sul. 

Na bolsa de Chicago, chegou a US$ 15/cwt, por conta da redução de área plantada nos EUA, secas e excesso de chuvas.          

planilha controle de custos por safra

Conclusão

O mercado de commodities agrícolas é essencial para um controle maior sobre as negociações globais dos alimentos. As regras são claras e valem para todos.

Para quem produz, são várias as opções de negociação.

É importante estar sempre em constante atualização dos seus conhecimentos sobre o tema. O mercado varia bastante, e ficar sempre de olho é fundamental.

>> Leia mais: “O que é hedge e por que você deveria ter essa opção

Você costuma se informar sobre as commodities agrícolas? Quais são suas fontes de informação? Deixe seu comentário!

O que é o Plano ABC e como ele impacta na sua produção agrícola

Plano ABC: entenda a importância dessa política pública para o agronegócio e saiba como se beneficiar do programa e sua nova versão, o ABC+

O Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), lançado em 2012, é uma das principais políticas públicas voltadas para o agronegócio no Brasil.

Ele possui uma linha de crédito, o Programa ABC. Através dela, você consegue financiamento para a adoção de tecnologias sustentáveis na fazenda.

Até o final de 2021, o Plano ABC será atualizado com o ABC+. A atualização trará novas tecnologias e orientações para o avanço da agricultura de baixa emissão de carbono no país.

Saiba neste artigo o que é o Plano ABC, como ele impacta na sua produção agrícola e o que fazer para ter acesso ao crédito do programa. Boa leitura!

O que é o Plano ABC e qual sua importância para o agronegócio

No Brasil, a principal política pública voltada ao agronegócio para reduzir as emissões de gás carbônico é o Plano ABC. 

Ele foi criado em 2009, após o país assumir o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O relatório mais recente sobre o tema (de 2019) aponta que o Brasil lança na atmosfera 2,17 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Deste total, 72% dessas toneladas vêm de atividades agrícolas.

Somente entre julho e dezembro de 2020, o programa financiou R$ 1,958 bilhão. Isso elevou para mais de 750 mil hectares as áreas rurais do país com tecnologias sustentáveis.

É grande a pressão internacional sobre o Brasil para a redução de emissão de carbono. O Plano ABC é o principal aliado do agro neste sentido.

O Plano ABC já fez com que mais de 50 milhões de hectares em todo o país adotassem as tecnologias propostas por ele.

Em comparação com o mesmo período de 2019, o aumento é de 47%

Destaque no Plano Safra 2021/2022

Os financiamentos se dão por meio do Programa ABC, linha de crédito do Plano ABC aprovada pela Resolução Bacen nº 3.896 de 17/08/10.

O programa teve aumento de 101% no volume de recursos do Plano Safra 2021/2022, em relação ao Plano Safra anterior.

São R$ 5,05 bilhões em recursos, com taxa de juros de 5,5% e 7% ao ano. A carência é de até 8 anos e o prazo máximo de pagamento é de 12 anos.

Além do Programa ABC, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) fortaleceu o Proirriga (projetos de irrigação) e o Inovagro (de inovação e tecnologia).

Infográfico que mostra que dados demonstram que governo deu prioridade ao programa ABC no Plano Safra.

Dados mostram que governo deu prioridade ao Programa ABC no Plano Safra
(Fonte: Mapa)

>> Leia mais: “Saiba como será o Plano Safra 2022/23”

Como se beneficiar do Programa ABC

O Programa ABC está disponível para produtores rurais (pessoa física e jurídica) e cooperativas. No total, são nove projetos dentro do Programa ABC: 

  1. ABC Recuperação (recuperação de pastagens degradadas);
  2. ABC Orgânico (para sistemas orgânicos de produção agropecuária);
  3. ABC Plantio Direto (de sistemas de plantio direto na palha);
  4. ABC Integração (sobre sistemas de integração lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuária-floresta ou lavoura-pecuária-floresta e de sistemas agroflorestais);
  5. ABC Florestas (implantação, manutenção e melhoramento do manejo de florestas comerciais);
  6. ABC Ambiental (adequação ou regularização das propriedades rurais frente à legislação ambiental);
  7. ABC Tratamento de dejetos (implantação, melhoramento e manutenção de sistemas de tratamento de dejetos e resíduos da produção animal, para geração de energia e compostagem);
  8. ABC Dendê (implantação, melhoramento e manutenção de áreas de dendezais degradadas);
  9. e ABC Fixação (para fixação biológica do nitrogênio).

Segundo o Mapa, a quantidade de recursos para financiar a agricultura sustentável no país é de mais de R$ 20,8 bilhões.

Parte desses recursos possibilitaram que 26,8 milhões de hectares de pastagens degradadas fossem recuperadas.

Integração lavoura-pecuária-floresta, um dos programas do Plano ABC. Imagem mostra seis bois no meio do pasto, com uma floresta atrás.

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), um dos programas do Plano ABC 
(Fonte: Embrapa/Divulgação)

Financiamentos e prazos

Pelas regras do Banco Central, o Programa ABC financia até R$ 5 milhões por pessoa, por ano agrícola. Também financia R$ 150 milhões de forma coletiva, observando o limite individual. 

O limite individual também é considerado no caso de financiamentos a cooperativas que farão repasse aos cooperados.

O limite poderá ser excedido somente quando a atividade em questão necessitar. Além disso, deve ficar comprovada a capacidade de pagamento da pessoa que acessou o crédito.

Prazos

Os prazos do Programa ABC variam de acordo com o projeto. São 8 anos de carência e até 12 anos para concluir o pagamento dos seguintes projetos:

  • Implantação e manutenção de florestas comerciais e para produção de carvão vegetal;
  • Implantação e manutenção de florestas de dendezeiro, açaí, cacau, oliveiras e nogueiras;
  • Recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente ou de reserva legal.

Os demais projetos têm carência de até 5 anos e prazo máximo de pagamento de 10 anos.

O seguro é obrigatório para bens oferecidos em garantia da operação.

ABC+: renovação para reduzir a emissão de carbono

Até o final de 2021, o Mapa pretende lançar o ABC+. O objetivo é fortalecer a política de redução de carbono.

O ABC+ deve ser executado até 2030. Também até o final do ano, o Mapa deve lançar o Plano Operativo do ABC+. 

O plano contém informações detalhadas e complementares, relacionadas às ações e metas quantitativas necessárias à operacionalização do ABC+.

No novo ciclo (2020-2030), o Mapa pretende fortalecer a governança institucional com monitoramento e avaliação da gestão integrada de dados e acesso às ações adotadas. Isso  favorece a transparência.

“Ao promover conjuntamente ações miradas à adaptação e mitigação no setor, o ABC+ mantém-se como uma das mais importantes políticas públicas para o enfrentamento da mudança do clima, dentro do contexto de desenvolvimento sustentável”, afirma o Mapa.

banner que convida o leitor para baixar um informativo, de diagnóstico de gestão 360º da propriedade rural

Conclusão

O Plano ABC deve servir como instrumento de ações integradas dos governos federal, estadual e municipal, setor produtivo e sociedade civil.

Só assim, será possível promover a redução das emissões dos gases de efeito estufa provenientes das atividades agropecuárias.

Ao mesmo tempo, ele é uma ótima oportunidade para, por meio do Programa ABC, você modernizar sua fazenda e torná-la mais tecnológica, sustentável e lucrativa.

>> Leia mais:

“Agricultura de baixo carbono: o que é e como fazer?”

“Como vai funcionar o bureau verde do crédito rural e como ele pode impactar os financiamentos”

“Saiba o que é sequestro de carbono na agricultura e como se beneficiar dele”

Você já conhecia o Plano ABC? Já fez algum financiamento com ele? Adoraria ler o seu comentário!

Saiba o que muda com as novas regras de sementes salvas

Sementes salvas: entenda o que diz a nova legislação que passa a vigorar em 21 de março de 2021

O decreto 10.586/2020 entra em vigor no dia 21 de março de 2021 e nele constam algumas alterações no que diz respeito às sementes salvas. 

As novas orientações prometem desburocratizar o processo e facilitar a vida do produtor. Mas também prevê punições mais severas, diferenciando o usuário do produtor ilegal de sementes. 

Quer entender melhor as novas regras para sementes salvas? Confira a seguir!

O que são sementes salvas?

Sementes salvas são aquelas sementes reservadas pelo produtor para serem plantadas exclusivamente na próxima safra, não sendo possível sua comercialização.

Essa reserva é feita somente após a aquisição comercial da semente. Ou seja, o produtor compra as sementes de uma empresa devidamente cadastrada no Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas) para formar sua lavoura, que terá parte da sua produção reservada para ser plantada na safra seguinte. 

É direito do produtor, previsto em lei, guardar parte da sua produção. No entanto, é preciso estar em concordância com o que preconiza a legislação, que agora tem mudanças. Separei as principais para que você entenda melhor.

Quais alterações foram feitas?

A primeira alteração trazida pelo decreto 10.586/2020 está no aumento do prazo para que o produtor rural solicite junto ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a amostragem para verificação do índice de germinação ou viabilidade, quando for o caso. 

Após o recebimento da semente pelo produtor, o prazo para solicitação de amostragem foi estendido de 10 para até 20 dias. É importante ressaltar que a solicitação deve ser feita mediante justificativa e que a embalagem das sementes não tenha sido violada. 

Outra modificação se refere à documentação que o produtor deve ter sob sua posse. Continua sendo obrigatório, por parte do produtor, manter à disposição da fiscalização a documentação original de aquisição da semente. Porém, a documentação necessária e o tempo de arquivamento ainda serão determinados. 

Outra alteração está relacionada às exigências quanto à identificação da embalagem e local de armazenamento das sementes. O antigo decreto não especificava essas questões.

O novo decreto indica que a semente reservada pelo produtor rural deverá ser identificada em seu local de armazenamento. Entretanto, mais informações precisam ser determinadas em norma complementar a ser divulgada.

Antes, somente as áreas destinadas à produção de cultivares protegidas precisavam ser inscritas pelo produtor. Com a nova legislação, tanto as cultivares protegidas quanto as de domínio público precisam ter suas áreas de produção declaradas.

Reserva técnica

Outra modificação trazida pelo decreto 10.586/2020 refere-se à reserva técnica

Antes, a reserva de sementes para uso próprio era quantificada somente com base na área a ser plantada na próxima safra. 

Já o novo decreto autoriza que o produtor tenha uma reserva técnica com quantidade de sementes maior que a necessária para o plantio da safra seguinte. 

Essa atualização na legislação possibilita que o produtor tenha material de propagação no caso da necessidade de ressemeadura

Apesar disso, é importante lembrar que informações sobre o percentual da reserva técnica terá por base a espécie a ser cultivada e ainda será divulgado.

Confira também: “Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda”

Punições previstas

O novo decreto também prevê que o produtor que descumprir as orientações poderá ser enquadrado como produtor ilegal de sementes, estando sujeito às penalidades administrativas, civis e financeiras.

A reserva de sementes não pode ser plantada fora da área de posse do produtor e deve ainda ser utilizada, exclusivamente, na safra seguinte à da sua reserva. 

Além disso, a reserva de semente deve estar em concordância com o tamanho da área a ser cultivada na safra seguinte e de acordo com as recomendações técnicas indicadas para a cultura. 

Já o percentual da reserva técnica não pode exceder o estabelecido pela legislação para a cultura.

Veja mais informações sobre as mudanças nas regras na figura abaixo:

infográfico que mostra todas as mudanças das sementes salvas para o novo decreto

(Fonte: adaptado de Sistema Faep)

Como armazenar sementes com segurança?

Depois de beneficiadas, as sementes salvas podem ser armazenadas em sacos de papel, polipropileno ou juta e também em sacos tipo big bag. 

foto de armazenamento de sementes em sacos de papel

Armazenamento de sementes em sacos de papel
(Fonte: Cocari)

foto de armazenamento de sementes em sacos tipo big bag

Armazenamento de sementes em sacos tipo big bag
(Fonte: Sementes São Francisco)

Outra forma de armazenagem é em silos de madeira com sistema de ventilação para auxiliar no processo de conservação das sementes.

Silos de madeira utilizados no armazenamento de sementes

Silos de madeira utilizados no armazenamento de sementes
(Fonte: Sementes Simão)

As sementes também podem ser armazenadas em contêineres. Essas estruturas metálicas são herméticas, de fácil higienização e podem ser transferidas de um local para outro sem prejuízo para as sementes. 

Container dry utilizado para armazenamento de sementes

Container dry utilizado para armazenamento de sementes
(Fonte: Miranda Container)

Vale lembrar que a escolha de como será o armazenamento deve considerar as características fisiológicas das sementes, bem como fatores econômicos e tecnológicos disponíveis. 

9 dicas para o armazenamento de sementes

Abaixo você pode conferir algumas orientações de como armazenar sementes de forma correta:

  1. o local deve ser seco e arejado;
  2. controle e monitore as condições ambientais do armazém como temperatura e umidade. Para a preservação e conservação das sementes é preciso ambiente com baixa temperatura e baixa umidade. É necessário respeitar as características intrínsecas de conservação de cada espécie.
  3. mantenha os sacos de sementes sob estrados (pallets), de modo que não fiquem em contato direto com o solo;
  4. identifique as sementes por lotes;
  5. não faça pilhas de sacos muito altas e mantenha distanciamento das paredes e do telhado do armazém, facilitando a ventilação;
  6. evite o contato direto das sementes com a luz solar;
  7. não guarde as sementes e outros tipos de insumos como adubos, defensivos agrícolas e ração no mesmo local;
  8. controle insetos e roedores no local de armazenagem e arredores;
  9. mantenha o local limpo, organizado e bem sinalizado.
checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

A semente é um organismo vivo e seu armazenamento requer cuidados específicos para melhor conservação. 

As corretas condições de armazenamento das sementes salvas, aliadas ao manejo adequado, garantem o bom desenvolvimento inicial da cultura e um estande de plantas uniforme, o que é importante para atingir altas produtividades. 

Diante deste cenário, é preciso estar atento às mudanças na legislação. Como você viu nesse artigo, algumas informações ainda precisam ser divulgadas por meio de normas complementares, que não têm data prevista para serem publicadas.

Enquanto algumas orientações específicas não são determinadas, considere o decreto atual para não sofrer penalidades.

>> Leia mais:

“O que caracteriza sementes piratas e como fugir disso”

“Tratamento de sementes na fazenda ou industrial? Faça a melhor escolha!”

“O que é e por que adotar o sistema de combinação de híbridos”

Restou alguma dúvida sobre as novas normas para sementes salvas? Como você faz em sua propriedade hoje? Deixe seu comentário!