Tipos de nematoides: conheça suas características e saiba como combatê-los

Tipos de nematoides mais frequentes nas culturas agrícolas: saiba o que fazer para evitar esse prejuízo na lavoura

A redução da produtividade na sua lavoura pode ser causada por vários fatores, entre eles os nematoides.

A presença desses organismos na lavoura causa prejuízos em torno de R$ 35 bilhões ao agronegócio nacional, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN). Nos canaviais, as perdas ultrapassam R$ 12 bilhões e, na soja, passam de R$ 16 bilhões.

Conheça a seguir os principais tipos de nematoides que atacam culturas agrícolas e como fazer o manejo mais adequado na sua propriedade.

O que é um nematóide? 

Os nematóides são vermes microscópicos, encontrados no  solo, água doce, água salgada e como parasitas de plantas, animais e humanos. 

Com mais de 25.000 espécies descritas, esses organismos variam em tamanho, de menos de 1 milímetro a vários centímetros, sendo responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e o ciclo de nutrientes no solo.

Na agricultura, são conhecidos por serem parasitas causadores de doenças, responsáveis por grandes prejuízos ao atacarem as raízes, dificultando a absorção de água e nutrientes pelas plantas, em especial os gêneros:

  1. Meloidogyne (nematóide-das-galhas);
  2. Pratylenchus (nematóide das lesões radiculares);
  3. Heterodera (nematóide do cisto). 

A presença desses parasitas são causadas por fatores como solos contaminados, uso de mudas ou sementes infectadas, práticas agrícolas inadequadas e condições ambientais favoráveis, como solos compactados, pobre em matéria orgânica e com alta umidade. 

Além disso, a movimentação de máquinas, ferramentas e irrigação com água contaminada também contribuem para a disseminação desses parasitas, causando grandes danos na lavoura. 

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Ciclo de vida dos nematoides

O ciclo de vida dos nematoides varia dependendo da espécie, mas, em geral, segue algumas etapas comuns. 

O ciclo começa com a postura de ovos pela fêmea, que pode ocorrer tanto no solo quanto nas raízes das plantas. Quando os ovos eclodem, liberam juvenis (geralmente no estádio J2), que são a forma infectante e podem se mover pelo solo em busca de raízes. 

Uma vez que encontram uma raiz hospedeira, esses juvenis penetram nas células do sistema radicular e começam a se alimentar, o que pode causar danos ao tecido da planta.

Dependendo dos tipos de nematoides, esse processo pode envolver diferentes interações com as células das raízes, como a formação de galhas ou lesões. 

Os nematoides passam por várias mudas até atingirem a fase adulta, podendo formar cistos ou liberar ovos que reiniciam o ciclo. Em espécies como o nematoide de cisto (Heterodera), as fêmeas se fixam nas raízes e se transformam em cistos, abrigando os ovos. 

O ciclo completo pode durar de semanas a meses, dependendo das condições ambientais, como temperatura e umidade.

Tipos de nematoides importantes na agricultura

Os tipos de nematoides são um grande problema na agricultura em razão dos prejuízos que podem causar em diversas culturas agrícolas. 

Lavouras atacadas por esses fitoparasitas têm plantas menores, amareladas, com lesões no sistema radicular. Além disso, os nematoides podem causar a morte das plantas. 

Os primeiros sintomas de sua presença geralmente são percebidos na parte aérea das plantas, devido à dificuldade na absorção de água e nutrientes. 

Sintomas esses que, inclusive, podem ser confundidos com deficiência nutricional e estresse hídrico.

1. Meloidogyne 

Também conhecidos como nematoides das galhas, esse tipo de parasita tem fêmeas com corpo globoso e “pescoço”, que depositam ovos em aglomerados na raiz. 

Dentro do ovo ocorre a fase juvenil J1, que evolui para J2, estádio em que saem no solo à procura de raízes. 

Ao encontrá-las, os nematoides injetam secreções que modificam algumas células, formando células gigantes (nutridoras) e galhas, resultado do crescimento e divisão celular estimulados por reguladores de crescimento. 

Nesse estágio, os parasitas perdem a mobilidade e passam pelas fases J3 e J4 até se tornarem adultos. Machos, quando presentes, têm corpo filiforme e alongado.

Sintomas Meloidogyne incognita 

  • Galhas (não é um sintoma obrigatório, podendo não ocorrer em algumas espécies de planta hospedeiras e, em outras, podem ser de tamanho reduzido);
  • Redução do sistema radicular; 
  • Raízes digitadas;
  • Rachaduras;
  • Tamanho desigual das plantas;
  • Murchamento;
  • Desfolha;
  • Redução na produção.

Alguns desses sintomas podem ocorrer por outras causas, isso também para os demais tipos de nematoides. Por isso, é importante a correta diagnose do agente causal, que vamos falar mais adiante.

2. Pratylenchus

Esse tipo de nematóide são conhecidos pelas lesões radiculares, que se caracterizam por sua forma filiforme e movimento intenso, tanto nas fases jovens quanto adultas. 

As fêmeas depositam os ovos separadamente no solo ou nas raízes das plantas. A partir do estádio J2, iniciam o processo de parasitismo. 

Durante a alimentação, injetam secreções tóxicas nas células das raízes, o que leva à morte celular após a saída do nematoide, resultando em lesões necróticas nas raízes.

No Brasil, há algumas espécies com maior ocorrência, como:  P. coffeae, Pratylenchus brachyurus e P. zeae

O Pratylenchus brachyurus pode afetar muitas espécies de plantas cultivadas como soja, arroz, cana-de-açúcar, trigo, milho, sorgo, algodão e outras. Pode causar perdas de até 50% na produtividade de grãos de soja, por exemplo.

Sintomas do Nematoide Pratylenchus

  • Redução do sistema radicular;
  • Lesões nas raízes;
  • Redução na produção;
  • Podem ocorrer em reboleiras.

3. Heterodera

O nematoide de cisto, do gênero Heterodera, é de grande importância no Brasil, especialmente o Heterodera glycines, causador de danos à soja, sua principal hospedeira. 

Após a eclosão dos ovos, os juvenis parasitas (J2), que são móveis e filiformes, se tornam infectantes e penetram nas raízes das plantas.

Ao entrar nas raízes, eles estimulam a formação de células nutridoras e se fixam, passando por várias trocas de tegumento até atingirem a fase adulta.

Com o crescimento dos juvenis, ocorre o rompimento do córtex e da epiderme da raiz, deixando parte do corpo do nematoide exposta. 

As fêmeas adultas, com o corpo parcialmente fora da célula, fixam-se por uma região chamada pescoço, com formato semelhante a um limão. 

A coloração das fêmeas varia de branca ou amarelada para marrom à medida que o ciclo avança. 

Durante o ciclo, as fêmeas retêm a maior parte dos ovos dentro de seus corpos, o que leva à sua morte e à formação de cistos, que ficam cheios de ovos.

Os cistos têm uma parede muito resistente e podem ser dispersos no solo. Os ovos podem sobreviver nessa estrutura por muito tempo, o que acaba dificultando uma medida de manejo que é a rotação de cultura.

Sintomas do Nematoide Heterodera

  • Plantas com porte reduzido;
  • Plantas cloróticas em reboleiras (por isso a doença também é chamada de nanismo amarelo);
  • Pode ocorrer a morte das plantas.

Existem raças do NCS, sendo que no Brasil já foram encontradas 11 delas. No caso da soja, há algumas cultivares resistentes ao nematoide do cisto.

4. Rotylenchulus 

Uma espécie desse nematoide importante no Brasil é o R. reniformis, também chamado de nematoide reniforme. Esse nematoide tem causado grandes prejuízos na cultura do algodão.

As fêmeas do nematoide reniforme são semiendoparasitas. Após a eclosão dos ovos, os juvenis femininos procuram raízes da planta hospedeira. 

Assim que encontram, penetram parcialmente, ou seja, metade do corpo fica para fora da raiz. 

Com o tempo, o corpo das fêmeas aumenta e adquire uma forma de rim, por isso o nome de reniforme. Já os machos não são fitoparasitas.

Sintomas do Nematoide Rotylenchulus 

  • Clorose (amarelamento das folhas);
  • Crescimento reduzido e desenvolvimento desigual;
  • Raízes atrofiadas;
  • Formação de nódulos nas raízes;
  • Morte precoce das plantas.

5. Tylenchulus

Uma espécie importante desse gênero é o T. semipenetrans, o nematoide dos citros, que atualmente está bastante disseminado pelo país.

As fêmeas colocam os ovos na parte exterior das raízes, que dão origens a fases juvenis, e após algumas ecdises, originam os adultos.

Normalmente, os sintomas ocorrem tardiamente nas plantas por, atualmente, se utilizar mudas sadias e também porque apesar de muito disseminado nas áreas, o nível populacional é baixo. 

Sintomas do Nematoide Tylenchulus

  • Clorose (amarelamento das folhas);
  • Deficiência de nutrientes;
  • Morte de ramos e galhos;
  • Atraso na maturação dos frutos;
  • Redução na formação de raízes laterais.

6. Radopholus

Uma espécie importante desse gênero é R. similis, também chamado de nematoide cavernícola, sendo muito importante para a cultura da bananeira

O tipo de parasitismo se assemelha ao gênero Pratylenchus, que também causa lesões nas raízes.

Em ataques severos do nematoide, as plantas de banana podem tombar pela ação do vento ou pelo peso dos cachos.

Sintomas do Nematoide Radopholus

  • Lesões necrosadas em áreas específicas das raízes;
  • Decomposição das raízes;
  • Desfolha e murchamento irregular;
  • Rachaduras nas raízes. 
Planilha de manejo integrado de pragas

Como identificar nematoides na lavoura?

O sintoma de ataque em reboleira é um dos principais indicativos de que pode haver infestação de tipos de nematoides na lavoura. A principal característica é o baixo vigor, desenvolvimento limitado da parte aérea das plantas e clorose das folhas. 

Solos arenosos ou franco-arenosos são mais propícios à movimentação e migração desses organismos, mas nem o solo argiloso nem áreas com baixo índice de matéria orgânica estão imunes à infestação. 

Além disso, temperaturas acima de 28°C e alta umidade, condições comuns no clima tropical, também favorecem a proliferação dos nematoides.

Os sintomas causados por nematoides podem ser confundidos com deficiências nutricionais ou estresse hídrico, pois afetam a absorção de água e nutrientes.

Para identificar a causa, é necessário investigar o solo e as raízes, conhecer os principais tipos de nematoides e realizar uma amostragem do solo e raízes (a 25-30 cm de profundidade). 

Nematoides: como identificar e controlar

Como prevenir todos os tipos de nematoides na lavoura?

A prevenção de qualquer tipo de nematóide em uma lavoura envolve cuidados diversos, que podem ser combinados entre si.

Um dos mais comuns é o plantio direto, que tem contribuído, em partes, nessa mudança de percepção sobre solo, sua estrutura e vida. Ainda, a rotação com plantação de amendoim pode reduzir a incidência dessas pragas. Mas os seguintes cuidados ajudam na prevenção:

1. Limpeza do maquinário   

A movimentação de nematoides no solo é bastante limitada. Por isso, o deslocamento de maquinário contribui na disseminação entre áreas desses microrganismos.

A limpeza é tão fundamental quanto a regulagem do maquinário e uma das opções é começar os manejos pelas áreas limpas, deixando por último a área infestada.

2. Rotação de culturas 

A rotação de culturas é uma das melhores técnica de manejo para controlar a infestação de nematoides no solo. 

Ao alterar as culturas cultivadas de uma safra para a outra, é possível evitar que os parasitas encontrem hospedeiros específicos e possam se reproduzir constantemente, quebrando o ciclo de vida desses organismos. 

Muitas espécies de nematoides são seletivas quanto às plantas que atacam, por isso, ao optar por culturas que não são hospedeiras para esses parasitas, conseguimos reduzir a sua população no solo.

Além disso, algumas plantas utilizadas na rotação, como leguminosas e adubos verdes, não apenas interrompem o ciclo dos nematoides, mas também contribuem para a melhoria do solo. 

Essas plantas aumentam a matéria orgânica, o que favorece o equilíbrio microbiológico, além de melhorar a estrutura do solo, tornando-o mais saudável para as culturas subsequentes. 

Algumas espécies, como a crotalária, atuam diretamente como armadilhas para os nematoides, impedindo que suas larvas se desenvolvam completamente.

3. Análise de solo

Caso os sintomas já estejam presentes na área, é preciso identificar a causa do problema e determinar a espécie predominante para implementar um programa de controle eficaz. Uma análise de solo bem executada pode garantir resultados precisos.

A coleta deve ser realizada dividindo a área em quadrantes de 2 a 10 hectares. Pelo menos 5 a 10 quadrantes devem ser selecionados, e uma amostra composta retirada de cada um. O solo deve ser aberto em forma de V, da superfície até 25-30 cm de profundidade, retirando a lâmina lateral.

Neste processo, algumas precauções importantes incluem: evitar deixar as amostras ao sol, pois os nematoides são sensíveis e deterioráveis; realizar a análise o mais rápido possível, armazenando as amostras a 10°C (na geladeira) por até 2 semanas, sem colocar no congelador.

4. Controle biológico de nematóides

O controle biológico de nematoides é uma abordagem que utiliza organismos vivos, como predadores naturais, fungos, bactérias e plantas biofumantes, para reduzir as populações de nematoides no solo. 

Métodos como o uso de Paecilomyces lilacinus, Bacillus thuringiensis, e plantas como a crotalária, que atuam como armadilhas ou liberam compostos nematicidas, são eficazes no controle desses parasitas. 

Além disso, a rotação de culturas com plantas que favorecem microrganismos benéficos e o uso de compostos orgânicos ajudam a melhorar a biodiversidade do solo e a reduzir a infestação de nematoides. 

Micro-organismos que controlam nematóides

O controle biológico de vários tipos de nematoides pode envolver o uso de micro-organismos naturais que atuam para reduzir as populações desses parasitas no solo, como: 

  1. Trichoderma harzianum: Fungo que combate o nematoide das lesões radiculares Pratylenchus spp.
  2. Paelomyces lilacinus: Fungo que afeta diretamente a capacidade reprodutiva dos nematoides.
  3. Bacillus amiloliquefaciens: É uma bactéria que pode inibe a penetração dos nematoides nas raízes, promovendo a morte do embrião de nematoide dos ovos presentes próximos ao sistema radicular.
  4. Pochonia chlamydosporia: É um fungo que controla o nível populacional de nematoides dos gêneros Meloidogyne, Heterodera, Rotylenchulus, Pratylenchus.
  5. Arthrobotrys spp.: Fungo que atua pela formação de estruturas ao longo das hifas, penetra o nematóide, se desenvolve em seu interior e lança suas estruturas vegetativas e reprodutivas para o exterior. 

Ao integrar esses micro-organismos ao manejo agrícola, o controle dos nematoides pode ser realizado de maneira eficiente, além de ser possível reduzir a dependência de produtos químicos, favorecendo práticas mais ecológicas e sustentáveis. 

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Nematóides do milho: Veja quais são os sintomas e o melhor cuidado

O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores de milho no cenário global, ficando atrás dos Estados Unidos e da China. 

Para a safra 2023/24, a produção nacional foi estimada em 118,5 milhões de toneladas, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). 

De acordo com um estudo desenvolvido pela Syngenta, a Agroconsult e a Sociedade Brasileira de Nematologia, os prejuízos causados por nematoides do milho podem superar R$ 873 bilhões até 2031, com mais de R$ 110 bilhões relacionados exclusivamente à produção de milho.

Os nematóides do milho são um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores, por serem organismos microscópicos e podem causar perdas econômicas expressivas. 

Principais sintomas de nematoides do milho 

Os nematóides do milho podem causar danos severos, especialmente no sistema radicular, comprometendo a absorção de água e nutrientes. 

Embora os sintomas sejam mais visíveis em cultivos como a soja, onde é comum a formação de reboleiras, no milho o impacto é mais silencioso, mas igualmente prejudicial.

Identificar os sinais logo no início, pode salvar a lavoura. Neste sentido, fique de olho se a plantação apresentar: 

  • Manchas desuniformes no campo: áreas com plantas de diferentes alturas e vigor;
  • Folhas amareladas: indicativo de deficiência de nutrientes;
  • Raízes deformadas ou com galhas: sinal clássico de ataque de Meloidogyne spp.
  • Redução no desenvolvimento: perceptível em períodos de estresse hídrico.

Esses sintomas geralmente são mais visíveis em solos com histórico de compactação ou baixa fertilidade.

planilha de planejamento da safra de milho

Ciclo de vida dos nematóides no solo

Os nematóides têm um ciclo de vida complexo que inclui as fases de ovo, larva e adulto.  As condições ambientais, como temperatura e umidade, influenciam diretamente sua reprodução e atividade. 

Em solos compactados ou mal manejados, os nematóides encontram condições ideais para sua multiplicação.

Além disso, práticas como o uso de maquinário contaminado e o cultivo contínuo de culturas hospedeiras contribuem para a dispersão e o aumento das populações. 

As plantas daninhas e tigueras também são importantes hospedeiras para essas pragas, mantendo sua população ativa mesmo na ausência de uma cultura principal.

Espécies de nematóides que atacam o milho

Os nematóides do milho podem atacar as plantas em qualquer estágio de desenvolvimento após a eclosão do ovo. Por esse e outros motivos, o manejo adequado desde o início do ciclo é tão importante. 

A falta de cuidados pode gerar danos devastadores, causando perdas significativas na produção de milho, que podem chegar a 50% em situações de alta infestação na fase inicial. 

Você não precisa passar por esse problema se souber identificar os parasitas. Confira a lista que preparamos abaixo:

1. Meloidogyne spp. (nematóide das galhas)

Este tipo de nematóide induz a formação de galhas nas raízes, que são estruturas que dificultam a absorção de nutrientes e água, resultando em plantas debilitadas.

O seu ciclo se completa no solo e nas raízes hospedeiras, passando por fases de ovo, larva e adulto, também sendo comum nas culturas da soja, tomate, algodão, batata e cenoura.

Figura 2. Galhas em raízes de milho causadas pela atividade do nematoide-das-galhas.
Fonte: NCStateExtension, 2022.


2. Pratylenchus spp. (nematóide das lesões radiculares)

Ataca diretamente as células radiculares, provocando lesões que servem como porta de entrada para patógenos secundários, como fungos e bactérias. 

O Pratylenchus spp. é um nematoide do milho classificado como endoparasita migrador, o que significa que ele se desloca e se alimenta dentro dos tecidos das plantas. 

Já o Pratylenchus zea é frequentemente encontrado em áreas cultivadas com gramíneas, enquanto o P. brachyurus ocorre com maior frequência em sistemas de rotação que incluem culturas como soja e algodão, devido à sua ampla gama de hospedeiros. 

Entre os principais sintomas estão lesões escuras e necroses nas raízes, além da redução das radicelas, consequências diretas da alimentação e deslocamento dos nematoides nos tecidos vegetais. 

Figura 3. Lesões necróticas em raízes de milho causadas pelo nematoide-das-lesões.
Fonte: ExtensionAUS, 2017.

Quais danos os nematóides do milho causam?

Os nematóides do milho causam danos diretos às raízes, como necroses e deformações, além de comprometerem a estrutura do sistema radicular.  Esses danos facilitam a entrada de patógenos secundários, resultando em doenças como:

1. Podridão radicular causada por Fusarium spp.: agravada por lesões feitas pelos nematóides.
2. Murcha bacteriana: nematóides abrem portas para infecções bacterianas.
3. Deficiências nutricionais generalizadas: decorrentes da incapacidade das raízes de absorver nutrientes adequadamente.

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Como reconhecer nematoides na lavoura?

A identificação de nematoides do milho é um desafio para os produtores, devido ao fato de os sintomas serem confundidos com deficiências nutricionais ou outras condições adversas, como estresse hídrico

No entanto, observar o comportamento das plantas, combinado com análises de solo e raízes, pode ajudar a diferenciar os tipos de nematoides que afetam a lavoura de milho.

Os nematoides das lesões (Pratylenchus spp.) se destacam pela presença de lesões necróticas nas raízes, redução das radicelas e a formação de reboleiras, onde as plantas apresentam porte reduzido. 

Por outro lado, os nematoides das galhas (Meloidogyne spp.) induzem a formação de galhas características nas raízes, associadas a deformações radiculares e sintomas de amarelecimento das folhas, especialmente em infestações severas.

Além desses, há os nematoides ectoparasitas, que vivem no solo ao redor das raízes e causam sintomas menos evidentes na parte aérea. Apesar de sua ação ser mais discreta, a redução do crescimento radicular é um indicador importante de sua presença.

A tabela a seguir fornece um panorama detalhado dos sintomas associados a cada tipo de nematoide e as características que os diferenciam no campo, facilitando o diagnóstico e o manejo adequado.

Tipo de NematoideSintomas CaracterísticosDiferenciação em Campo
Nematoide das Lesões (Pratylenchus spp.)– Lesões necróticas nas raízes
– Redução das radicelas
– Reboleiras com plantas menores
Lesões distribuídas ao longo das raízes e ausência de galhas visíveis.
Nematoide das Galhas (Meloidogyne spp.)– Formação de galhas nas raízes
– Deformação radicular
– Amarelecimento das folhas
Presença de galhas visíveis e deformidades marcantes nas raízes.
Nematoides Ectoparasitas– Redução no crescimento radicular
– Sintomas menos evidentes na parte aérea
Geralmente não causam galhas ou lesões visíveis; vivem ao redor das raízes.
Fonte: ExtensionAUS, 2017.

Manejo integrado: Melhor solução para Nematóides do milho

A forma mais eficiente de controlar nematóides no milho é por meio de um manejo integrado, que combina práticas culturais, biológicas e químicas. Confira algumas estratégias indispensáveis:

  1. Rotação de culturas: Alternar o cultivo com plantas não hospedeiras, como Crotalaria spp. ou Brachiaria spp., reduz a população de nematoides de forma significativa.
  2. Cultivares resistentes: Escolher híbridos de milho com menor fator de reprodução de nematoides ajuda a mitigar os danos às lavouras.
  3. Controle biológico: Organismos como Bacillus amyloliquefaciens oferecem uma solução sustentável, unindo ação nematicida ao fortalecimento das plantas.
  4. Uso de nematicidas químicos: Deve ser uma medida complementar, reservada para áreas com altas infestações e sempre sob recomendação técnica.
  5. Adubação orgânica: Contribui para a biodiversidade do solo, favorecendo o equilíbrio natural e estimulando a ação de inimigos naturais dos nematoides.

Para potencializar os resultados no manejo sustentável, o Aegro oferece o uso do NDVI, permitindo monitorar a saúde das lavouras de forma prática e precisa, identificando áreas com possíveis estresses antes mesmo que os sintomas sejam visíveis a olho nu. 

Assim, você pode direcionar o manejo de nematoides e outras práticas com maior eficiência, otimizando recursos e maximizando os resultados na sua produção agrícola. Faça uma demonstração e conheça a plataforma! 

Guia completo de análise e manejo dos principais nematoides no algodão

Nematoides no algodão: conheça as principais espécies e seus sintomas, o que é a análise nematológica e como é realizado o manejo desses parasitas nos algodoais.

Os nematoides podem causar inúmeros danos às lavouras. Além disso, sua presença pode facilitar a entrada de fungos nas plantas.

Saber identificar os nematoides e determinar seu nível populacional é essencial. Assim, você consegue traçar um plano de manejo eficiente no controle desses parasitas.

Neste artigo, você conhecerá os principais nematoides da cultura do algodão. 

Você também terá um guia completo de como realizar a amostragem para análise nematológica, e assim conseguirá se planejar melhor. Confira!

Principais nematoides no algodão

No Brasil, três espécies de nematoides causam grandes prejuízos à cultura do algodão

As espécies de maior importância econômica são:

Esses nematoides estão amplamente disseminados nas regiões produtoras de algodão. Além disso, têm causado prejuízos a diversas outras culturas como soja, feijão, milho e cana-de-açúcar.

A ausência de sintomas evidentes pelo ataque de nematoides faz com que alguns sintomas sejam confundidos com problemas de compactação do solo, desequilíbrios nutricionais e estresse hídrico

Nematoide das galhas (Meloidogyne incognita)

Os nematoides das galhas têm grande importância econômica. Eles afetam diversas espécies de plantas cultivadas e não-cultivadas.

Têm maior ocorrência em condições de clima quente e em solos arenosos e médio-argilosos.

Na parte aérea das plantas atacadas por nematoides das galhas, é possível observar o amarelecimento com aspecto mosqueado das folhas (sintoma de “carijó”). Esses parasitas prejudicam o desenvolvimento das plantas. 

Plantas afetadas apresentam sistema radicular menos desenvolvido e com menor número de raízes secundárias.

Outro sintoma é a formação de galhas nas raízes. Elas ocorrem em função da penetração e infecção pelo nematoide.

O sintoma de galha facilita a identificação em campo.

Galhas nas raízes da planta de algodão provocadas por M. incognita

Galhas nas raízes da planta de algodão provocadas por M. incognita
(Fonte: LSU College of Agriculture)

Nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis)

O nematoide reniforme possui um grande número de hospedeiros. 

Além disso, tem a capacidade de sobreviver em condições adversas. Isso possibilita sua sobrevivência na área mesmo na ausência do hospedeiro.

O nematoide reniforme pode ser encontrado em vários tipos de solo. 

Lavouras de algodão com sintomas provocados por esse parasita podem apresentar plantas de tamanho reduzido e menor volume de raízes.

Dependendo do nível populacional de nematoides e da suscetibilidade da cultivar, pode ser observado o sintoma de “carijó” nas folhas. 

Nesse caso, as folhas apresentam áreas amareladas que necrosam com o tempo.

Sintoma de “carijó” em folha de algodão causado pelo nematoide reniforme

Sintoma de “carijó” em folha de algodão causado pelo nematoide reniforme
(Fonte: Galbieri et al., 2015)

Nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus

A espécie Pratylenchus brachyurus é conhecida como nematoide das lesões radiculares

Esse nematoide tem ampla gama de hospedeiros (inclusive plantas daninhas). Tem maior ocorrência em solos de textura média.

Ele destrói o sistema radicular das plantas, provocando sintomas como podridão e necrose, diminuindo o número de radicelas. 

As plantas afetadas também podem apresentar clorose e murchamento.

 À esquerda, raízes necrosadas pelo parasitismo do nematoide das lesões radiculares. À direita, galhas provocadas por Meloidogyne incognita (plantas com 80 dias após a inoculação)

 À esquerda, raízes necrosadas pelo parasitismo do nematoide das lesões radiculares. À direita, galhas provocadas por Meloidogyne incognita (plantas com 80 dias após a inoculação)
(Fonte: Boletim P&D – IMAmt)

Interação entre nematoides e fungos de solo

A associação entre nematoides e fungos de solo é bastante comum. 

O ataque dos nematoides aos tecidos radiculares facilita a entrada de fungos fitopatogênicos na planta

Além disso, predispõe fisiologicamente as plantas de algodão a ação do fungo.

Nematoide das galhas, nematoide reniforme e nematoide das lesões radiculares apresentam associação com fungos do gênero Fusarium e Verticillium

Assim, doenças causadas por esses fungos são favorecidas na presença desses nematoides.

Análise nematológica

A análise nematológica tem por objetivo quantificar a população de nematoides e também identificar as espécies parasitas. 

A avaliação é feita somente em laboratório. O eficiente manejo de nematoides está diretamente relacionado à análise nematológica. 

É preciso ter conhecimento das espécies presentes na área e seu nível populacional para estabelecer estratégias de controle. Conhecer o histórico da área também é fundamental.

Quando fazer a amostragem

A amostragem deve ser realizada durante o florescimento da cultura

É nessa fase que as plantas estão em pleno desenvolvimento. Os nematoides podem ser encontrados em elevados níveis populacionais nas raízes e no solo.

No final da fase reprodutiva, as raízes das plantas entram em senescência e a população de nematoides diminui.

Material para amostragem

Confira quais materiais são necessários para a coleta das amostras de solo e raízes:

  • balde;
  • enxada;
  • pá;
  • tesoura de poda;
  • sacos plásticos (previamente identificados);
  • caixa térmica.

Como coletar as amostras

Para a coleta das amostras, caminhe em zigue-zague pela área. A coleta deve ser feita na linha de plantio a uma profundidade de 25 cm.

Em áreas com suspeita de ocorrência de nematoides reniformes, a profundidade de amostragem deve ser entre 20 cm e 40 cm.

O material coletado deve conter solo e raízes finas da cultura de interesse agronômico. 

O solo coletado deve ser aquele que se encontra localizado próximo ao sistema radicular da planta.

Em relação ao número de subamostras, amostre entre 20 e 25 pontos a cada 10 hectares, no máximo.

As subamostras devem ser homogeneizadas em um balde, formando uma amostra composta. 

A amostra composta deve ser formada por aproximadamente 500 g de  solo e 50 g de raiz por área amostrada.  

Armazene as amostras em sacos plásticos previamente identificados com uma ficha de coleta. As raízes e o solo devem estar acondicionados no mesmo saco plástico.

Na ficha de coleta, insira informações como:

  • número da amostra;
  • cultivar plantada;
  • sintomas;
  • tipo de solo;
  • sistema de plantio;
  • data de semeadura;
  • local;
  • data da coleta. 

Transporte as amostras até o laboratório de nematologia o mais rápido possível

Os sacos de amostras podem ser armazenados em caixas térmicas durante esse processo, para melhor conservação do material. 

Caso o material não seja levado rapidamente para o laboratório, você pode armazená-lo em geladeira por um período máximo de 4 dias.

No laboratório, é realizada a extração e isolamento dos nematoides presentes na amostra. Após esse processo, os nematoides são identificados e quantificados.

Esquema de amostragem, homogeneização, acondicionamento, identificação, transporte de amostras de solo e raiz da cultura do algodoeiro para quantificação de fitonematoides

Esquema de amostragem, homogeneização, acondicionamento, identificação, transporte de amostras de solo e raiz da cultura do algodoeiro para quantificação de fitonematoides
(Fonte: Galbieri et al., 2015)

Cuidados na amostragem

Veja alguns cuidados que você deve adotar na coleta das amostras para análise nematológica:

  • não realizar a amostragem quando o solo estiver muito seco ou muito úmido;
  • não molhar o solo para facilitar a coleta;
  • não coletar amostras no centro de reboleiras de plantas com severos sintomas;
  • na presença de reboleira de plantas com sintomas, a amostragem deve ser feita nas plantas da periferia da área afetada;
  • coletar apenas raízes vivas da cultura de interesse agronômico;
  • utilizar sacos plásticos resistentes e limpos para armazenar as amostras;
  • identificar corretamente as sacos plásticos;
  • não deixar as amostras expostas ao sol ou à condições de altas temperaturas;
  • utilizar caixas térmicas para o transporte das amostras até o laboratório;
  • os equipamentos utilizados na amostragem devem ser limpos ao mudar o talhão de coleta.

Manejo de nematoides no algodão

A primeira medida de controle é evitar a contaminação da área. 

Para isso, não esqueça de limpar os implementos agrícolas ao mudar de talhão. Isso evita que torrões de terra contendo nematoides sejam transportados para uma área isenta. 

Para a redução do nível populacional de nematoides na área, a rotação de culturas com espécies que não são hospedeiras desses parasitas é uma boa opção. 

O manejo de nematoides também envolve o uso de genótipos tolerantes e o controle de plantas daninhas no período da entressafra.

A nutrição balanceada da lavoura também é essencial para aumentar a tolerância das plantas ao ataque de nematoides.

O controle biológico com bactérias e fungos nematógafos também é indicado para o manejo. No Brasil, já é possível encontrar no mercado alguns nematicidas biológicos

Outro método de controle é o químico

Abaixo estão listados alguns produtos registrados pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle de nematoides na cultura do algodão

tabela de nematicidas registrados para a cultura do algodão no Brasil, segundo o Mapa

Nematicidas registrados para a cultura do algodão no Brasil, segundo o Mapa
(Fonte: adaptado de Boletim P&D – IMAmt)

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Três espécies de nematoides causam danos à cultura do algodão no Brasil: nematoide das galhas, nematoide reniforme e nematoide das lesões radiculares.

Doenças provocadas por fungos do gênero Fusarium e Verticillium são favorecidas na presença desses parasitas.

Caso encontre sinais dos nematoides em sua lavoura, faça a análise nematológica o mais rápido possível. 

Nessa análise, você terá a quantificação e a identificação dos nematoides presentes na amostra. 

Ao realizar o manejo, lembre-se que práticas culturais, controle químico e biológico, e o plantio de cultivares tolerantes são as melhores opções.

>> Leia mais:

“Como a crotalária controla nematoides em sua lavoura”

Você já enfrentou problemas com nematoides no algodão? Realizou a análise nematológica? Quais estratégias de manejo adotou? Conte sua experiência nos comentários.

Tudo sobre as novas cultivares de soja com resistência ao nematoide do cisto

Resistência ao nematoide do cisto: Novas cultivares de soja, raças do NCS e as principais medidas de manejo para evitar prejuízos na lavoura.

Muitos problemas podem afetar uma lavoura de soja. O nematoide do cisto é um deles e pode causar perdas de até 100% na produtividade.

Para evitar prejuízos, é importante conhecer as características do nematoide, sintomatologia nas plantas de soja e medidas de manejo.

Uma das mais eficientes é o uso de cultivares com resistência ao nematoide do cisto. 

Aqui mostramos os estudos com novos cultivares de soja com essa resistência e outras dicas para se livrar desses nematoides na sua área. Confira!

Resistência ao nematoide do cisto da soja

O mecanismo de resistência das cultivares de soja ao Nematoide do Cisto da Soja (NCS) (Heterodera glycines) é, normalmente, a reação de hipersensibilidade. Ou seja, os tecidos da planta de soja afetados morrem, o nematoide não se desenvolve e acaba morrendo.

Existem, no mercado, várias cultivares de sojas resistentes normalmente apenas às raças 1 e 3 do NCS.

Uma cultivar lançada este ano pela Embrapa, Fundação Cerrados e Fundação Bahia, a BRS 7581RR, tem resistência a quatro raças do NCS: 1, 3, 5 e 14.

Mesmo tendo várias cultivares de soja no mercado, é necessária a contínua busca por novas variedades que sejam resistentes a mais raças do NCS e a novas fontes de resistência, pois o nematoide apresenta alta variabilidade genética.

Por isso, várias instituições de pesquisa trabalham para obtenção de cultivares resistentes de soja.

Para entender melhor como essas pesquisas são realizadas, vou comentar sucintamente sobre um trabalho desenvolvido pela UFMT para seleção de genótipos de soja resistentes a raças do NCS.

Estudos sobre resistência ao nematoide do cisto da soja

No estudo da UFMT foram testadas linhagens e cultivares de soja provenientes do Programa de Melhoramento Genético da Universidade Federal de Uberlândia.

Para a pesquisa, foi avaliada a resistência dos genótipos às raças de NCS: 1, 2, 4, 5, 6 e 14.

Também foram incluídas no teste algumas cultivares diferenciadoras (padrão de suscetibilidade e resistência) para caracterização das raças.

Foram analisadas algumas variáveis como: altura de plantas, diâmetro do caule e número de fêmeas do NCS nas raízes.

E, ao final, têm-se as cultivares que apresentaram resistência, algum grau de resistência ao nematoide do cisto ou são suscetíveis a ele.

Lembre-se que foram e são realizados muitos trabalhos para desenvolvimento de cultivares resistentes de soja por várias instituições de pesquisas.

E os trabalhos apresentam muitas diferenças quanto à execução e desenvolvimento para a obtenção de novas cultivares com resistência ao nematoide do cisto.

resistência ao nematoide do cisto

Fêmeas do nematoide do cisto da soja

(Fonte: C. Grau em Crop Protection Network)

Você observou que falamos de raças do NCS. Mas, afinal, o que são essas raças?

Raças do Nematoide do cisto da soja

Raça fisiológica é habilidade de uma determinada população em parasitar determinada planta hospedeira. Ou seja, são populações de nematoides que a maioria tem preferência por parasitar uma hospedeira.

Já foram encontradas 11 raças de NCS no Brasil. Essas raças são denominadas 1, 2, 3, 4, 4+, 5, 6, 9, 10, 14 e 14+.

As raças 4+ e 14+ somente foram descritas no Brasil e diferem das raças 4 e 14 por parasitar a ‘Hartwig’, uma cultivar de soja norte-americana até então resistente a todas as raças conhecidas nos EUA.

Ainda não sabe se tem problemas com esse nematoide na sua fazenda? Veja a seguir como descobrir:

Como saber se tenho o nematoide do cisto na minha área? Veja os principais sintomas

Na cultura da soja, o NCS causa a doença nanismo amarelo da soja.

Como o nematoide penetra na raiz, isso interfere na absorção de água e nutrientes, provocando porte reduzido (plantas pequenas) e clorose na parte área das plantas. Esses sintomas, normalmente, acontecem em reboleira.

Pelos danos causados nas raízes, algumas plantas podem acabar morrendo.

resistência ao nematoide do cisto

Danos causados por nematoides na soja, sintoma em reboleira

(Fonte: Grupo Cultivar)

Para o diagnóstico correto, deve-se observar as fêmeas presas nas raízes das plantas ou cisto no solo. Normalmente, as raízes das plantas atacadas ficam com desenvolvimento reduzido.

A análise de solo pode te auxiliar na identificação do nematoide do cisto da soja. Falamos recentemente sobre isso aqui no blog. Confira: “Nematoide de cisto: como afeta sua lavoura e o que fazer para se livrar dele”.

Manejo integrado do nematoide do cisto da soja

O cisto é uma importante estrutura para a dispersão do nematoide em áreas de cultivos, por ser resistente e leve.

Você pode disseminar o NCS de uma área infestada para uma área sem a presença do nematoide pelo transporte de solo infestado.

Esse transporte pode ocorrer pelo trânsito de máquinas e implementos agrícolas, sementes que apresentem partículas do solo, vento, água e outros.

Assim, em muitas áreas (propriedades) não infestadas pelo NCS, a prevenção da sua entrada é muito importante.

Algumas medidas relacionadas à prevenção são:

  • Limpeza de máquinas e implementos agrícolas vindas de outras áreas de cultivo. Deve-se realizar a limpeza de equipamento, veículos e até calçados vindos de áreas infestadas com o NCS;
  • Sementes sadias e certificadas.

Se o nematoide já estiver presente na sua área, você precisará conviver com o NCS, pois a erradicação desse fitonematoide é muito difícil. 

Dessa forma, algumas medidas de manejo são:

  • Rotação de culturas com plantas não hospedeiras do NCS como: milho, arroz, sorgo, algodão, entre outras;
  • Controle químico e biológico: o tratamento pode ser aplicado diretamente no solo ou no tratamento de sementes;
  • Cultivares resistentes. As cultivares resistentes de soja que são mais disponíveis no mercado são resistentes às raças 1 e 3.

Além disso, plantas armadilhas (o nematóide penetra, mas não completa seu desenvolvimento) também pode ser utilizadas. Veja aqui Como a crotalária controla nematoides em sua lavoura.

Lembre-se que o uso de cultivar resistente não deve ser feito sozinho como medida de manejo.

O uso somente da técnica de controle genético (cultivar resistente) e utilização da mesma fonte de resistência pode promover pressão de seleção sobre a população do patógeno e selecionar indivíduos capazes de parasitar as plantas que eram resistentes (perda da resistência).

Por isso, é importante um manejo integrado, utilizando diferentes técnicas.

resistência ao nematoide do cisto

(Fonte: Michigan Soybean Promotion Committee)

Conclusão

Existem no mercado cultivares de soja com resistência ao nematoide do cisto, porém apenas a poucas raças. 

Neste artigo, falamos sobre elas, sua obtenção e raças que o nematoide apresenta.

Também comentamos sobre os sintomas que o NCS pode causar na soja, sua disseminação e melhores manejos. 

Agora que você sabe dessas informações, não deixe que o nematoide cause perdas na sua propriedade!

>> Leia mais:

Como controlar nematoide das galhas de uma vez por todas

Tipos de nematoides: Conheça suas características e saiba como combatê-los


Você já utilizou cultivares com resistência ao nematoide do cisto? Quais medidas de manejo você utiliza em sua lavoura? Adoraria ver seu comentário abaixo

Nematoide de cisto: Como afeta sua lavoura e o que fazer para se livrar dele

Nematoide de cisto: Como identificar esse micro-organismo na sua área e fazer o controle de forma adequada para evitar prejuízos.

Nematoides não são um tema fácil quando se fala de lavouras. Sua presença pode causar perdas significativas na produção de soja e e, além do prejuízo direto, eles também contribuem de diferentes modos para outras doenças.

O nematoide de cisto, por exemplo, é uma das maiores dores de cabeça na lavoura de soja. E como identificar sua presença na área? Qual a forma de controle ideal?

Nesse artigo, vou mostrar como você pode se livrar desse fitonematoide em sua lavoura. Confira a seguir! 

Nematoide de cisto: Heterodera glycine 

O nematoide de cisto (Heterodera glycine) é um endoparasita com ciclo de vida que dura em torno de 21 a 23 dias, com 4 fases ou ecdises. Na segunda fase do ciclo juvenil, ele realiza infestação nas raízes. 

São as fêmeas que completam o ciclo e permanecem dentro da raiz, após fertilizadas, produzindo e armazenando ovos no interior de seu corpo que, após a sua morte, se altera, se tornando rígido e quimicamente adquirindo coloração marrom. 

Essa estrutura possui cerca de 500 ovos que, mesmo sem a presença de hospedeiro, podem permanecer viáveis por até 7 anos.

nematoide de cisto

(Fonte: Nematoide Brasil)

O nematoide Heterodera glycine ou nematoide de cisto (NCS) possui de três a seis gerações por ano.

As fêmeas têm de 0,4 mm a 0,8 mm de comprimento, com formato de limão, ligeiramente alongado. Já os machos possuem de 0,6 mm a 1,6 mm de comprimento, vermiformes com cauda arredondada.

As condições ótimas para seu desenvolvimento são temperaturas entre 23℃ e 28℃, cessando com temperaturas inferiores a 14℃ ou superiores a 34℃. Condições nada difíceis em nosso país tropical, não é mesmo? 

Ocorrência e sintomas do nematoide de cisto

O nematoide de cisto foi identificado pela primeira vez na região do Cerrado, nas lavouras de soja, na safra de 1991/92. Hoje, estima-se que esteja presente em milhões de hectares no Brasil.

É característico desse nematoide que os sintomas apareçam em reboleiras, com plantas de baixo crescimento, com clorose, nanismo, raquíticas e com amarelamento.

O amarelecimento causado por NCS ocorre na época de florescimento da cultura da soja.

Ele se diferencia do ocorrido por deficiências nutricionais, como de ferro, pois essas aparecem mais cedo no ciclo da cultura. 

Mas o diagnóstico definitivo sempre exige observação do sistema radicular, que fica reduzido e infestado, apresentando minúsculas fêmeas brancas do nematoide.

nematoide de cisto

Sistema de raízes fica reduzido e infestado por minúsculas fêmeas do nematoide de cisto da soja (A); fêmeas maduras e cistos (B); cisto rompido com ovos (C); 

(Fonte: Luiz Ferraz e Derek Brown)

Identificação do nematoide de cisto

Se tem uma coisa que não se pode deixar passar para identificar nematoides é a análise de solo. Ela é a base para identificar qual espécie está atacando a lavoura.

O período da entressafra é um bom momento para realizar essa análise. Você também pode fazer a análise das raízes de plantas daninhas que, na maioria das vezes, são hospedeiras dos nematoides.

A amostra habitual da análise de solo da sua lavoura pode ser utilizada para a análise de nematoides. Aqui no blog nós já falamos sobre isso na matéria: “Tudo o que você precisa saber para acertar na escolha do laboratório de análise de solo.”

Disseminação

A movimentação de nematoides no solo é bastante limitada. Com o manejo de muitas áreas, somos responsáveis por boa parte da disseminação dos nematoides entre elas.

Um cuidado muito importante para evitar a disseminação é a limpeza do maquinário

Assim, evitamos a disseminação de nematoides. Além de que, iniciar pelas áreas limpas ou mais sadias, sempre é a melhor opção.

Manejo do nematoide de cisto

Uma vez presente na região, é muito difícil a eliminação da população de nematoides. Por isso, o  foco aqui é quebrar o ciclo dele. 

Cultural

Rotação de culturas é vantajosa em vários aspectos para a sua lavoura, desde que sejam espécies não hospedeiras do nematoide.  

Nesse sentido, as crotalárias são uma das melhores opções no controle dos nematoides. 

Suas raízes exercem a função de armadilha, permitindo a penetração de nematoides jovens que não conseguirão se desenvolver até a fase adulta na planta hospedada. 

Aqui no blog falamos recentemente sobre “Como a crotalária controla nematoides em sua lavoura”.

Além disso, elas contribuem como massa verde e também na fixação biológica de nitrogênio atmosférico. Isso ajuda no aumento do fornecimento de carbono fotossintetizado para fungos e bactérias.

Outras plantas que podem ser utilizadas são a braquiária e o milheto, com foco na produção de matéria orgânica, favorecendo outros micro-organismos com hábitos alimentares diferentes, diminuindo, assim, os fitonematoides.

nematoide de cisto

Sintomas do nematoide de cisto aparecem em reboleiras, com amarelamento. Em muitos casos, plantas acabam morrendo

(Fonte: Revista Globo Rural)

Nematicidas biológicos e químicos

Os produtos biológicos têm apresentado ótimos resultados a campo, atuando por competição ou predação dos nematoides.

Eles ainda permanecem por mais tempo no ambiente e contribuem para toda a vida biológica do agrossistema.

Essa modificação da rizosfera favorece a alteração da suscetibilidade do hospedeiro. 

Os principais agentes biológicos utilizados são: 

  • Pochonia chlamydosporia
  • Pausteria nishizawae
  • Paecilomyces lilacinus

O tratamento pode se dar de forma direta ao solo e também na forma de tratamento de sementes para combate e controle preventivo.

No tratamento de sementes, o uso de produtos biológicos e até mesmo químicos para controle de nematoides tem intuito de promover o desenvolvimento radicular inicial, permitindo que a planta se estabeleça. 

Cultivares resistentes 

Existem no mercado algumas opções de cultivares de com resistência ao NCS. A maioria é resistente às raças 1 e 3. Além disso, é muito importante você avaliar se essa cultivar é precoce ou tardia para que se encaixe no seu planejamento

A Embrapa, que tem o maior banco de germoplasma de soja tropical do mundo, lançou recentemente a cultivar BRS 7581RR. Ela é resistente a quatro raças: 1, 3, 5 e 14 do nematoide do cisto da soja (NCS). É uma cultivar RR precoce de ciclo médio de 85 a 117 dias.

Os silicatos também têm se apresentando como uma alternativa, atuando como indutor químico de resistência. 

Conclusão

Muitas das estratégias de controle de nematoides podem servir como prevenção e contribuir muito na qualidade da lavoura como um todo. 

Desde o uso de mais rotação de culturas e plantio direto ao uso de microrganismos..

Desse modo, você vai aos poucos se livrando dos fitonematoides e estabelecendo uma lavoura mais sã e produtiva. 

>> Leia mais:

Como controlar nematoide das galhas de uma vez por todas

Nematoides na cana-de-açúcar: Como reconhecer e manejar

“Como identificar e fazer o manejo adequado da podridão vermelha da raiz da soja”

Você já teve problemas com o nematoide de cisto na sua área? Como fez o manejo? Compartilhe suas experiências nos comentários!

Crotalária: por que ela é uma boa opção de adubação verde e controle de nematoides

Atualizado em 16 de maio de 2022.

Crotalária: conheça os diferentes tipos, melhores épocas de plantio, tudo sobre seu manejo, benefícios, e mais!

A crotalária é uma leguminosa que pode reduzir até 80% dos nematoides da lavoura. Ela também é muito utilizada em adubação verde, e apresenta vários benefícios para a lavoura.

Muitos produtores já têm aderido à planta, e conhecer todos os detalhes é essencial para você decidir se ela é válida no seu campo.

Nesse artigo, você verá tudo sobre essa leguminosa, desde os manejos recomendados até os benefícios que ela proporciona. Acompanhe a leitura!

O que é e para que serve a crotalária? 

A crotalária é uma leguminosa da família Fabaceae que possui diversas espécies. Muito usada para adubação verde, ela tem rápido crescimento e sistema radicular pivotante. Isso significa que sua raíz penetra verticalmente o solo, favorecendo a absorção de nutrientes.

A crotalária controla nematoides de solo, e também é excelente na fixação biológica de nitrogênio. A consequência disso é você precisar usar menos adubos nitrogenados na cultura. Seu ciclo dura de 170 a 180 dias. 

Essa leguminosa é uma espécie de clima tropical, e tem baixa resistência ao frio. Porém, resiste bem à seca e a altas temperaturas. Ela produz compostos tóxicos que impedem a movimentação dos nematoides na lavoura.

Quando plantar crotalária?

O plantio da crotalária ocorre entre os meses de outubro e novembro, durante a primavera. Para a crotalária spectabilis, porém, a época de plantio é diferente: caso opte por essa espécie, plante entre outubro e março.

Você pode fazer a lanço ou em linhas, e preparar o solo como se fosse cultivar cana-de-açúcar. O comportamento dessas espécies é parecido. Além disso, o cultivo pode ser solteiro ou em consórcio com gramíneas forrageiras.

Espaçamento e profundidade

O espaçamento ideal para a crotalária é entre 25 cm a 50 cm. A profundidade ideal de semeadura deve ser de 2 cm a 3 cm

É extremamente importante distribuir entre 25 e 30 sementes por metro linear. Além disso, lembre-se de não irrigar em excesso, porque a cultura se adapta bem a solos arenosos e mais secos.

Controle de doenças

As principais doenças que ocorrem na crotalária são a antracnose, murcha vascular, podridão da haste e oídio.

Essas doenças podem comprometer muito o desenvolvimento da cultura. O mais recomendado para reduzir as doenças é o controle químico, sobretudo com fungicidas

É importante ressaltar que cada uma dessas doenças é causada por um fungo diferente. Escolha o fungicida com base na doença presente na sua cultura para garantir um controle efetivo.

Controle de pragas

A lagarta-das-crotalárias (Utetheisa ornatrix) é a principal praga que ataca essa leguminosa. Ela costuma ser presente principalmente na fase de inflorescência e nas vagens da planta.

Se você pretende utilizar as sementes da crotalária, faça uso de inseticidas com ação de contato. Os fisiológicos também funcionam nesses casos.

Ela pode reduzir a área foliar e prejudicar a produção de sementes. Para o controle dessa praga, o manejo mais adequado é o uso de inseticidas a partir do momento em que você notar a presença na cultura.

Quais são os tipos de crotalária

Existem três tipos principais de crotalárias: Spectabilis, Juncea e ochroleuca . Veja como inseri-las no seu sistema de lavoura.

Crotalaria spectabilis

As sementes do tipo spectabilis contêm quantidades abundantes de proteínas.  As principais são peroxidases, proteases cisteínicas e inibidores de proteases cisteínicas.

Essas substâncias são significativas na redução de populações de nematoide das lesões (P. brachyurus). Pesquisas comprovaram seu potencial no controle do nematoide de cistos. 

Essa espécie tem algumas especificidades:

  • época de plantio vai de outubro a novembro em grande parte do Brasil;
  • para a semeadura a lanço, são recomendáveis cerca de 15 kg/ha;
  • fixação biológica de nitrogênio entre 100 kg/ha e 150 kg/ha

Crotalaria juncea 

A crotalária juncea é uma espécie de clima tropical. Essa é a espécie que mais produz biomassa. Ela também tem contribuições para o sistema de produção, melhorando a matéria orgânica e a microbiota do solo.

Essa espécie ficou bem famosa pelo combate à dengue. Ela atrai libélulas que são predadoras do mosquito transmissor da doença. 

As especificidades dessa espécie são:

  • época de plantio ideal de setembro a março em grande parte do Brasil. 
  • para semeadura a lanço, são recomendados cerca de 30 kg/ha.
  • a floração plena dessa espécie ocorre entre 107 e 157 dias;
  • a altura da planta pode passar de 2 metros;
  • suas raízes têm grande comprimento (cerca de 50 cm);
  • a espécie faz fixação biológica de nitrogênio entre 300 kg/ha e  450 kg/ha
Foto de crotalária juncea, já em estádio avançado

Crotalaria juncea: plantio da crotalária é feito entre setembro e março na maior parte do país

(Fonte: Embrapa)

Crotalaria ochroleuca

Esta é considerada a leguminosa mais eficiente na redução da população de nematoides. Além disso, o sistema radicular dessa espécie é agressivo. Isso melhora muito a qualidade física do solo.

As especificidades mais importantes dessa espécie são:

  • época de plantio ideal de setembro a dezembro em grande parte do Brasil. 
  • para semeadura a lanço, são recomendados 8kg/ha.
  • a fixação biológica de nitrogênio varia de 200 kg/ha a 300 kg/ha.

Quais os benefícios da crotalária?

A crotalária pode ser uma ótima opção para a lavoura, promovendo a adubação verde, o controle de nematoides e a recuperação do solo. A leguminosa também é forte aliada no controle de plantas daninhas.

Como a crotalária controla nematoides 

As crotalárias não são apenas uma hospedeira pobre ou não hospedeira de muitos nematoides parasitas de plantas. Elas têm a capacidade de produzir compostos alelopáticos (tóxicos) que impedem, por exemplo, a movimentação dos nematoides.

Elas atuam como plantas armadilhas, fazendo com que os nematoides não consigam completar seu ciclo até a vida adulta. 

O ideal é entrar na entressafra com a cultura. Somente a sua palhada, em um sistema de plantio direto, já possui contribuição enorme no controle de nematoides do solo.

Uma pesquisa realizada pela Unesp mostrou a possibilidade de fazer consórcio entre milho safra e safrinha com Crotalaria spectabilis. Houveram bons resultados de produtividade do milho e acúmulo de palhada sem a necessidade de uso de herbicidas.

Campo com plantio de milho e crotalária

Experimento conduzido em Taquaruçu do Sul, RS

(Fonte: Arquivo pessoal)

É fundamental que você saiba qual nematoide está presente em sua área. Só então é possível determinar qual tipo de crotalária será mais eficaz no controle.

  • Controle do nematoide das lesões radiculares: é indicado o uso de qualquer crotalária;
  • Controle de nematoide do cisto: é indicado o uso de qualquer crotalária;
  • Controle do nematoides de galhas: é indicada a rotação das crotalárias C. spectabilis e C. breviflora.
  • Controle do nematoide das galhas do algodão: a indicação é utilizar qualquer uma das crotalárias, mas evitar o plantio de milho.

Outro ponto importante é o monitoramento. Sem ele, você até pode reduzir a população de nematoides, mas garante as pragas (como lagartas) para a próxima safra.

Recuperação do solo 

A crotalária também apresenta grandes impactos no solo da sua lavoura. Dentre eles, estão:

  • proteção do solo e diminuição dos riscos de erosão;
  • minimiza os danos causados pelo uso intensivo do solo;
  • melhora a infiltração e retenção de água no solo;
  • maior disponibilidade de nutrientes;
  • raízes profundas que auxiliam na descompactação do solo;

Controle de plantas daninhas

A utilização da crotalária como cobertura do solo e adubação verde proporciona a redução da incidência de plantas daninhas.  Isso acontece pela cultura manter o solo coberto durante a entressafra.

Aumento da produtividade da lavoura

As crotalárias são grandes aliadas para o aumento da produtividade das lavouras. O uso da crotalária durante a entressafra favorece a manutenção da matéria orgânica e a atividade dos microrganismos do solo. 

Se você precisa produzir muita matéria orgânica em pouco tempo, pode apostar na crotalária. Além disso, essa leguminosa reduz a aplicação de fertilizantes nitrogenados no solo.

Consórcio de gramíneas forrageiras com crotalária

A crotalária consorciada com gramíneas forrageiras é uma alternativa de baixo custo para produção de palha. Isso tanto em quantidade quanto em qualidade.

Além disso, as crotalárias podem fornecer nitrogênio ao solo, via fixação biológica de nitrogênio. Dependendo da crotalária cultivada, há possibilidade de pastejo nos sistemas integrados.

O consórcio de crotalária com gramíneas forrageiras aumenta a produtividade de grãos da soja cultivada em sucessão. Isso acontece porque a rápida decomposição dos resíduos vegetais das crotalárias oferece nutrientes ao solo em curto prazo.

Gráfico de produtividade média de grãos de soja em duas safras, com e e sem crotalária.

Produtividade média de grãos de soja de duas safras, em função do cultivo de Brachiaria solteira e consorciada com crotalárias na entressafra

Fonte: (Garcia & Machado, 2019)

O consórcio de gramíneas forrageiras com crotalárias é uma alternativa para produção de biomassa em quantidade e qualidade.

Adubação verde

Os adubos verdes são bem conhecidos pela capacidade de fixar nitrogênio

Eles fornecem grande volume de matéria orgânica. Esse volume aumenta a atividade biológica do solo e contribui com o sistema de plantio direto.

Outra vantagem é o aumento dos inimigos naturais de nematoides parasitas de plantas. Um grande exemplo são os fungos que capturam nematoides ou se alimentam de seus ovos. 

A adubação verde também contribui para a liberação de ácidos graxos voláteis pelas plantas. Essa substância pode ser muito tóxica aos nematoides.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

A crotalária é uma leguminosa que reduz a incidência de nematoides nas áreas.

Antes de utilizá-la em seu manejo, é preciso conhecer muito bem a sua área. Assim, saberá qual tipo de crotalária trará melhores resultados.

A melhor solução é a prevenção. Por isso, é recomendado manter o solo sempre coberto, diversificar e manter raízes vivas pelo maior tempo possível. Espero que com as dicas passadas aqui você consiga obter ótimos resultados.

>> Leia mais: Tudo sobre as novas cultivares de soja com resistência ao nematoide do cisto

Restou alguma dúvida sobre o manejo da crotalária? Já utilizou essa leguminosa na sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

Atualizado em 16 de maio de 2022 por Denise Prevedel.

Denise é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Doutoranda em agronomia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Nematoides na cana-de-açúcar: como reconhecer e manejar de forma eficiente

Nematoides na cana-de-açúcar: veja como identificá-los em seu canavial e quais as formas de controle mais eficazes.

Plantas de tamanhos desiguais, nanismo, perfilhamento menor… Já se deparou com alguns destes problemas no canavial?

A situação é frequente no país: segundo estudos, 70% das áreas de cultivo de cana possuem nematoides.

Eles chegam a reduzir a safra pela metade, provocando perdas significativas.

Mas existem manejos que contribuem  muito para o controle de populações. Confira aqui cada um deles e saiba como reconhecer os sintomas de nematoides na cana:

Nematoides na cana-de-açúcar: diferentes tipos

Os nematoides podem afetar diversas culturas, mas existem alguns tipos que podem reduzir a produtividade especificamente da cana-de-açúcar.

nematoides na cana-de-açúcar

Diferença de área saudável (à esquerda) e com nematoides (à direita)
(Fonte: Spaull et al., 2017)

Cada espécie de nematoide apresenta diferentes graus de severidade no canavial, sendo aquelas dos gêneros  Meloidogyne e Pratylenchus os mais impactantes para cana.

Nesse sentido, em estudo da pesquisadora Leila Dinardo Miranda (IAC), 97% das amostras de solo de canaviais tinham presença do nematoide Pratylenchus zeae; 35% tinham Meloidogyne javanica e 20% continham Meloidogyne incognita.

Falamos recentemente aqui no blog sobre como controlar nematoide das galhas de uma vez por todas.

Para que você identifique o aparecimento de nematoides na cana-de-açúcar separei abaixo as características das principais espécies que atacam a cultura:

Ciclo dos nematoides na cana-de-açúcar

Meloidogyne spp.

O ciclo completo de vida do nematoide das galhas é de 37 dias.

2-nematoides-na-cana-de-açúcar
(Fonte: Desenho de Patrícia Milano em Torres et al. (2008))

Os jovens penetram nos ápices radiculares e iniciam o desenvolvimento de células gigantes nos tecidos da raiz (as galhas), prejudicando o transporte de água e nutrientes.

3-nematoides-na-cana-de-açúcar-Meloidogyne
Sintoma de Meloidogyne javanica  em cana-de-açúcar
(Fonte: Macedo et al. (2011))

Os sintomas são manchas em reboleiras, com plantas pequenas e amarelas. As folhas das plantas apresentam manchas claras ou necrose entre as nervuras.

O Meloidogyne incognita é o que possui infestação e ataque mais severo, com a formação de galhas no sistema radicular.

Pratylenchus zeae

O ciclo também é curto (cerca de 40 dias) e ocorrem várias gerações em uma mesma safra.

Como sintoma, as raízes sofrem engrossamento e apresentam-se parcial ou totalmente escurecidas.  Há diminuição da absorção de água e nutrientes da solução do solo, podendo apresentar também pequenas galhas.

O principal sintoma são as áreas necrosadas no sistema radicular da cultura. A infestação pode ser vista em reboleiras onde as plantas ficam menores, mas continuam verdes.

4-nematoides-na-cana-de-açúcar

Sintoma de Pratylenchus zeae em cana-de-açúcar
(Fonte: Foto de L.L. Dinardo-Miranda)

Fatores importantes na dinâmica dos nematoides

É importante lembrar nematoides são micro-organismos naturais dos solos. Algumas espécies e sua altas populações, porém, são causadoras de ataques severos às culturas.

Características do solo como temperatura, umidade, granulometria, teor de matéria orgânica e composição da população de microrganismos são fatores fundamentais para a dinâmica dos nematoides.

O solo arenoso é forte facilitador para a disseminação dos nematoides na cana-de-açúcar, pois favorece a movimentação desses microrganismos.

Alta umidade também os favorece, além de que a composição natural de um solo pode conter mais ou menos desses microrganismos.

Danos dos nematoides na cana-de-açúcar

Quando o ataque de nematoides é na cana de açúcar podemos observar algumas características como:

  • Tamanho desigual das plantas;
  • Nanismo;
  • Menor perfilhamento;
  • Tombamento de plantas (dependendo da infestação e severidade);
  • No primeiro corte de uma variedade suscetível, a redução da produtividade pode chegar a 30% (também dependendo dos diferentes graus de infestação);
  • Conforme a severidade dos danos, nas socas subsequentes pode haver  diminuição drástica da longevidade da soqueira.
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Reboleira com sintomas de nematoides na cana-de-açúcar
(Fonte: Embrapa)

Medidas de controle: o que fazer?

Alguns manejos contribuem muito para o controle dos nematoides na cana-de-açúcar.

Dentre eles, destaco a limpeza das máquinas e implementos agrícolas, já que é comum a movimentação de maquinário entre propriedades.

Abaixo você confere em detalhes outros tipos de manejo que são eficientes para nematoides:

Adubação verde

Os adubos verdes incrementam matéria orgânica no solo e seus resultados  na cultura da cana-de-açúcar para o controle de nematoides também têm sido significativos.

Em estudos, foram observadas reduções do uso de adubação nitrogenada devido à fixação biológica de nitrogênio.

Isso ocorre quando utilizamos leguminosas na adubação verde, já que há  grande fixação de nitrogênio (200 a 300 kg/ha), podendo aumentar a produtividade de aproximadamente 15 a 20 toneladas de colmos por hectare.

Em especial, tem sido verificada a eficiência da Crotalaria spectabilis no controle de nematoide das galhas e das lesões radiculares.

Ela  contribui na produção de biomassa de 20 t/ha a 30 t/ha e na fixação de nitrogênio de 40 kg/ha a 50 kg/ha.

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Cana-de-açúcar com Crotalaria spectabilis
(Fonte: Revide)

Além dela, as principais culturas utilizadas como adubos verdes nas entrelinhas da cana-de- açúcar são:

  • Crotalaria juncea;
  • Crotalaria ochroleuca;
  • Crotalaria spectabilis;
  • Coquetel de Crotalaria ochroleuca e milheto;
  • Nabo forrageiro.

Químico

O uso de nematicidas é realizado na semeadura no sulco de plantio ou em pulverização na cana soca, aplicando o produto dirigido à base da soqueira da cana-de-açúcar.

O período ideal para a utilização é entre setembro e abril, pois são os meses mais chuvosos.

São recomendados produtos como o aldicarb (Temik 150G), carbofuran (Furadan 50G ou 100G ou 350SC) e terbufós (Counter 150G).

Biológico

Na natureza, os nematoides possuem diversos inimigos naturais.

Na cultura da cana-de-açúcar, tem sido comprovado o uso de microrganismos como a Pochonia chlamydosporia, Paecilomyces lilanus, Bacillus subtillis. Veja os detalhes sobre cada um deles abaixo:

Pochonia chlamydosporia

Esse fungo coloniza, parasitando e matando ovos e fêmeas de nematoides.

Além disso, sobrevive na matéria orgânica no solo e na ausência de populações de nematoides.

Paecilomyces lilacinus

É um fungo que afeta a capacidade reprodutiva dos nematoides. Através do parasitismo dos ovos, ele penetra e destrói o embrião ou ataca as fêmeas sedentárias, que são colonizadas e mortas.

Pode promover redução de 60% na penetração do nematoide na fase de estabelecimento da cultura.

Bacillus amiloliquefaciens

Essa bactéria age de duas maneiras principais sobre os nematoides.

Quando aplicada no solo, promove colonização do sistema radicular, alimentando-se dos exsudatos radiculares.

Com isso, os nematoides não conseguem reconhecer os exsudatos radiculares, o que inibe sua  penetração nas raízes.

Já o mecanismo de produção natural de antibióticos e toxinas promove a morte do embrião de nematoide dos ovos próximos ao sistema radicular.

Análise nematológica de solos

A análise de solo de áreas com suspeita de nematoides é fundamental. Com ela em mãos, você conseguirá definir de forma mais acertada o manejo.

Para isso, é importante realizar a correta amostragem de solo, seguindo os seguintes passos:

  • A coleta da amostra de solo e raízes deve ocorrer no início da observação de sinais visíveis como reboleiras
  • O ideal é que o solo esteja com umidade natural (evite coletar após chuva ou calor extremo).
  • As amostras podem seguir padrão de 0 cm a 25/30 cm;
  • Na amostragem das raízes, não faça o arranque das mesmas, pois assim elas perdem as radicelas, também importantes nos diagnósticos.
  • Para esse tipo de análise, recomenda-se a coleta de 10 subamostras a cada 30 hectares.

Aqui você pode conferir o Manual – Procedimento para coleta de amostra de solo e raiz para análise nematológicas.

planilha ponto otimo de renovacao canavial

Conclusão

O desenvolvimento de seu canavial livre de nematoides é possível!

Percebemos aqui a importância de realizar a correta identificação dos sintomas de nematoides na cana-de-açúcar e de realizar análise de solo para classificarmos os responsáveis pelo ataque.

Por isso, comece hoje mesmo a monitorar mais o seu canavial e a testar novos manejos de controle do solo que vimos neste texto!

>> Leia mais:

5 maneiras de controlar os nematoides na soja

Lavoura saudável: Como combater as doenças da soja (+nematoides)”

Como fazer o melhor manejo da broca da cana-de-açúcar

Você tem tido problemas com nematoides na cana-de-açúcar? Como você faz o controle em sua propriedade? Deixe suas dúvidas e comentários abaixo!

Como controlar o nematoide das galhas de uma vez por todas

Nematoide das galhas: Saiba como reconhecê-lo em sua lavoura, sua importância e confira 6 métodos eficientes de controle que você pode usar.

Sua lavoura está com pontos amarelos e algumas plantas parecem menores. Ao verificar as raízes, você pode ver as galhas. O que fazer agora?

Na cultura da soja, as perdas por nematoides podem chegar a 10,6% , enquanto que no algodão esse valor aumenta para 40%.

Esses prejuízos totalizam cerca de R$ 35 bilhões ao ano para o agronegócio brasileiro, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN).

Mas voltando a pergunta inicial: O que fazer? Como controlar algo difícil de observar a olho nu e está no solo?

Aqui separei as principais informações sobre o nematoide das galhas e os melhores manejos para evitar esses prejuízos na sua propriedade. Confira!

Nematoide das galhas: o que é e sua importância

Nematoides são vermes que tem o corpo normalmente alongado e cilíndrico e podem apresentar tamanhos variados.

A maioria dos nematoides não causam problema a outros organismos, porém alguns são parasitas.

O nematoide das galhas é um parasita de diversas culturas e tem grande importância para a agricultura do país.

Algumas culturas afetadas por nematoide das galhas são soja, cenoura, algodão, videira, cafeeiro, arroz, algumas hortaliças e outras.

Como o próprio nome diz, há uma formação de galha, ou seja, um engrossamento das raízes. Isso, afeta a translocação de água e nutrientes pela planta.

nematoide das galhas

Diferença entre raiz saudável (à direita) e com nematoide das galhas (à esquerda)
(Fonte: Tiwari,Eisenback e Youngman)

Meloidogyne é o gênero que compreende o chamado “nematoide das galhas” e apresenta várias espécies, sendo as principais:

  • M. arenaria;
  • M. incognita;
  • M. javanica;
  • M. hapla.

Nematoide das galhas na cultura da soja

Há vários nematoides que podem afetar a cultura da soja, as espécies mais importantes de nematoide das galhas nesta cultura são Meloidogyne incognita e M. javanica.

Entre essas duas espécies de nematóide do gênero Meloidogyne,  é a M. javanica que tem ocorrência generalizada no país.

Os sintomas na cultura da soja ocorrem em reboleiras com plantas menores e amareladas, podem apresentar o abortamento de vagens e raízes apresentam galhas.

As folhas das plantas afetadas às vezes apresentam manchas cloróticas ou necroses entre as nervuras, caracterizando a folha “carijó”.

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Sintoma conhecido como “folha carijó” devido a doença causada por nematoide na soja
(Fonte: Soares em SENAR – Paraná)

Nematoide de galha em algodão

O nematoide das galhas que afetam a cultura do algodoeiro é Meloidogyne incognita.

Os sintomas são semelhantes aos causados na cultura da soja, como a presença de reboleira, galha nas raízes, sintoma tipo “carijó” nas folhas e redução da planta e do sistema radicular.

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Sintomas em algodoeiro causados por Meloidogyne incognita em Campo Verde-MT. Duas linhas da esquerda, cultivar suscetível e, as duas linhas da direita, tolerante ao nematoide
(Fonte: Rafael Galbieri em IMAMT)

>> Leia mais: “Guia completo de análise e manejo dos principais nematoides no algodão”

Ciclo de vida dos nematoides das galhas

Falamos que os nematoides são geralmente alongados e cilíndricos, porém, as fêmeas deste gênero podem ter a largura do corpo aumentada em algumas fases do ciclo, por produzir muitos ovos.

Vou explicar resumidamente o ciclo desses nematoides, para entendermos a formação das galhas.

O ciclo de vida dos nematoides é dividido em ovo, jovem e adulto.

As fêmeas dos nematoides das galhas colocam os ovos nas raízes em forma de aglomerado.

Ainda dentro do ovo ocorre a fase juvenil 1° estádio (J1), que evoluiu para J2, na qual os nematoides deixam o ovo e saem no solo em busca de raízes.

Quando encontram raízes, os nematoides entram nas mesmas, liberando substâncias para favorecerem sua nutrição.

Com isso, as células das raízes aumentam de tamanho, com formação de células gigantes, formando as galhas.

Esses nematoides ainda passam por J3 e J4, que ficam imóveis nas raízes e depois se tornam adultos.

Então, quando você observa galhas nas raízes das plantas isso é formado pela própria planta em resposta à substâncias secretadas pelos nematoides.

Você pode observar diferença no tamanho das galhas em diferentes espécies de plantas.

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(Fonte: APS)

Como reconhecer e diferenciar os sintomas dos nematoides das galhas

Alguns sintomas que você pode observar nas áreas infestadas pelo nematoide das galhas:

  • Presença de galhas nas raízes;
  • Redução do volume do sistema radicular;
  • Sintomas na parte aérea podem ser de amarelamento e redução foliar;
  • Redução do tamanho das plantas;
  • Murchamento das plantas em algumas variedades de plantas;
  • Desfolha;
  • Redução da densidade populacional de plantas e produção (principalmente reduzir o número de vagens e grãos na soja).
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Sintomas de nematoides na soja
(Fonte: Edward Sikora, Auburn University)

Os sintomas podem ser facilmente confundidos com deficiência de nutrientes ou estresse hídrico, devido ao fato de que os nematoides prejudicam a absorção de água e nutrientes.

Para isso não ocorrer, lembre-se que sintomas nutricionais se dão em manchas de solo ou mais generalizado na lavoura, enquanto que os nematoides ocorrem em reboleiras.

Ter o histórico da área e o controle das atividades agrícolas também é essencial para você identificar o que foi aplicado na área e se atentar a possibilidade de problemas nutricionais ou hídrica.

Monitorar sua propriedade, arrancando algumas plantas do solo e observando as raízes também é essencial para o correto diagnóstico.

6 métodos de controle para os nematoides das galhas

O controle dos nematoides é bastante complicado por ficarem no solo, dificultando o controle.

Também é importante que você tenha em mente que a erradicação é praticamente impossível, mas que podemos manejá-los para a cultura não ser prejudicada.

Assim, para o controle de nematoides devem ser realizadas técnicas combinadas, ou seja, pensar em manejo integrado.

Veja algumas medidas de manejo para os nematoides das galhas:

1. Evite a entrada do nematoide na sua área

Você deve evitar a entrada do nematoide na sua área, assim, observe as principais formas de disseminação dos nematoides a seguir e as evite.

Disseminação dos nematoides

O deslocamento do nematoide é bastante limitado, dependendo de ações externas. As principais formas de disseminação são:

  • Deslocamento de máquinas e implementos agrícolas;
  • Utilização de mudas, porta enxerto ou material de propagação contaminados com nematoides;
  • Água de irrigação;
  • Chuva;
  • Substrato infectado.

2. Rotação ou sucessão de culturas

Realize a rotação ou sucessão de culturas com plantas não hospedeiras dos nematoides das galhas.

Por exemplo, se você cultiva soja e tem a área infectada com M. javanica, você pode realizar a rotação da soja com amendoim.

Além disso, se atentar se na área há muitas plantas daninhas que possibilitam que o nematoide complete o seu ciclo de vida.

3. Plantio de culturas armadilhas

Os nematoides são atraídos por essas plantas (sendo denominadas plantas armadilhas), nas quais eles conseguem entrar nas raízes mas não conseguem completar o seu ciclo de vida.

As plantas de braquiária, capim-mombaça, andropogon e Paspalum spp. são bons exemplos de plantas armadilhas.

4. Variedades resistentes ou tolerantes

Há diversas variedades de plantas desenvolvidas que possuem resistência ou maior tolerância ao nematoide das galhas.

Conheça os talhões mais prejudicados por esses nematoides e utilize esses tipos de variedades nos mesmos.

5. Adubação verde

A adubação verde é uma prática agrícola que algumas espécies de plantas são plantadas e depois em um determinado estágio de desenvolvimento são incorporadas no solo.

E você pode utilizar esta técnica para o manejo de nematoides.

Você pode escolher plantas para a adubação verde que não são hospedeiras para o nematoide das galhas.

Por exemplo, a Crotalaria juncea é uma planta anual e é má hospedeira para nematoide das galhas.

Além disso, ela produz grande quantidade de biomassa no menor tempo e, consequentemente, fornece nitrogênio em maior quantidade.

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(Fonte: Piraí sementes)

Veja mais sobre adubação verde em:
Vantagens e desvantagens de fazer adubação verde em sua propriedade
“Adubação verde e cultura de cobertura: Como fazer?

6. Controle biológico e químico

Meloidogyne incognita em soja

São registrados 6 defensivos agrícolas para este nematoide na cultura da soja, sendo 2 deles produtos biológicos.

Um produto biológico tem como ingrediente ativo o fungo Paecilomyces lilacinus e o outro a bactéria Bacillus firmus.

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Meloidogyne javanica em soja

São registrados 11 produtos para o manejo deste nematoide, sendo 2 produtos biológicos.

Os biológicos têm como ingredientes ativos as bactérias Bacillus subtilis e Bacillus firmus.

Isso mostra que há produtos biológicos com ação nematicida no mercado e que para cada espécie de nematoide e de acordo com a espécie cultivada, são registrados diferentes tipos de produtos.

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Meloidogyne incognita em algodão

Para a cultura do algodão, são registrados 11 produtos comerciais para o controle do nematoide das galhas, sendo apenas 1 produto biológico, que tem como ingrediente ativo o Bacillus firmus.

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Nematoide de galha X nódulos de bactérias fixadoras de nitrogênio na cultura da soja

A fixação biológica de nitrogênio (FBN) é um processo que microrganismos são capazes de quebrar a ligação do nitrogênio atmosférico , transformando em amônia, a qual é utilizada pela planta.

Nesse processo há a formação de um nódulo, cuja função é alojar a bactéria e permitir que ela realize a fixação do nitrogênio.

Este nódulo formado em leguminosas, como na soja, e não pode ser confundido com as galhas dos nematoides.

Assim, uma forma simples e fácil de diferenciar nódulos de galhas é:

Nódulos são externos nas raízes e podem ser retirados com facilidade da raiz.

Galha é um engrossamento da própria raiz, onde se alojam os nematoides em desenvolvimento, e por isso, não consegue ser retirado da raiz.

Lembrando que para identificar se um nódulo está ativo ele deve ter a cor avermelhada.

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Nódulos de soja, com interior cor de rosa, indicando a presença da leghemoglobina e, consequentemente, de um processo ativo de fixação de nitrogênio
(Fonte: Revista campo e negócios)

Planilha de manejo integrado de pragas

Conclusão

Neste texto foi discutido sobre os nematoides das galhas que afetam muitas culturas agrícolas no Brasil.

Entendemos a formação das galhas, o ciclo de vida, importância e a disseminação dos nematoides.

Assim, conhecemos como identificar os sintomas do nematoides das galhas sem confundir com outras questões da lavoura.

Aqui também você viu como realizar 6 métodos de controle diferentes, proporcionando um manejo efetivo na sua propriedade.

Agora que você sabe um pouco mais sobre o nematoide das galhas, não deixe de realizar o manejo na sua propriedade!

>> Leia mais:

Nematoides na cana-de-açúcar: como reconhecer e manejar

Nematoide de cisto: Como afeta sua lavoura e o que fazer para se livrar dele

Você tem problemas com nematoides das galhas? Quais técnicas de manejo você utiliza? Você utiliza controle biológico ou químico? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.