Praga da Ásia: O perigo do percevejo-de-pintas-amarelas no Brasil

Recentemente, uma notícia alarmante revelou que uma praga da Ásia, o percevejo-de-pintas-amarelas, chegou ao Brasil pelo Porto de Santos.

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo desafio que pode comprometer a produtividade de diversas culturas: a chegada do percevejo-de-pintas-amarelas, uma praga exótica originária da Ásia. 

Detectado recentemente no Porto de Santos, em São Paulo, o inseto já acendeu um alerta entre especialistas e produtores rurais devido ao seu alto potencial de disseminação e aos prejuízos que pode causar.

Com o histórico de outras pragas invasoras que afetaram a agricultura nacional, o aparecimento do percevejo-de-pintas-amarelas reforça a importância de uma vigilância fitossanitária rigorosa e da adoção de estratégias de manejo eficientes para mitigar seus impactos. 

O que é a praga asiática?

O percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) é uma praga originária da Ásia, conhecida por sua capacidade de se adaptar rapidamente a novos ambientes

O inseto pertence à família Pentatomidae, a mesma de outras pragas já conhecidas na agricultura brasileira. 

O percevejo tem um corpo marrom-acinzentado, com características pintas amarelas nas laterais do abdome, que facilitam sua identificação.

No Brasil, embora ainda não tenha causado danos significativos, passou a ser considerado uma praga quarentenária devido ao seu potencial de proliferação rápida e aos danos significativos que causa nas culturas agrícolas. 

Além disso, sua alta mobilidade e capacidade de sobreviver em diversas condições climáticas o tornam uma ameaça constante.

percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) — Foto: Yan Lima
Figura 1. Percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) — Foto: Yan Lima e G1 Globo (2025).

Características do Percevejo-de-Pintas-Amarelas

O Erthesina fullo é um inseto polífago, ou seja, se alimenta de diversos tipos de plantas. No continente asiático, é responsável por danos em algumas culturas.

Mesmo com a presença confirmada, no Brasil, ainda não há dados suficientes para afirmar se a espécie representa uma ameaça para as plantas cultivadas.

O inseto atinge de 1,2 a 1,5 cm de comprimento, com um corpo que pode variar entre verde e amarelo, marcado por pintas amarelas que facilitam sua identificação visual.

Quanto à reprodução, a fêmea deposita entre 50 a 200 ovos por vez, o que contribui para a rápida expansão da espécie em áreas infestadas. 

O ciclo de vida completo do percevejo-de-pintas-amarelas dura de 4 a 6 semanas, desde a fase de ovo até a fase adulta, que pode se estender entre 2 a 4 meses, dependendo das condições ambientais e da disponibilidade de alimento.

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Quais os perigos do percevejo-de-pintas-amarelas?

O principal perigo do percevejo-de-pintas-amarelas está na sua capacidade de causar prejuízos diretos à produção agrícola. Esse inseto se alimenta da seiva de plantas, perfurando folhas, frutos e caules, o que compromete o desenvolvimento das culturas. 

Entre os impactos estão a redução da qualidade dos frutos, com o surgimento de manchas e deformidades, tornando os produtos menos atrativos para o mercado. 

Além disso, há o comprometimento da produtividade, pois a alimentação excessiva do percevejo pode levar à queda prematura de frutos, prejudicando o rendimento final das safras. 

Outro fator de risco é a possibilidade de o inseto atuar como vetor de doenças fúngicas e bacterianas, o que agrava ainda mais os danos, especialmente em culturas comerciais de grande valor econômico.

Quais culturas a praga asiática ataca?

O percevejo-de-pintas-amarelas é altamente polífago, ou seja, se alimenta de uma grande variedade de plantas. As culturas mais vulneráveis incluem:

  • Soja e milho: Comprometimento dos grãos e da produtividade;
  • Frutíferas: Como maçã, pêssego e uva, afetando diretamente a qualidade dos frutos;
  • Hortaliças: Prejuízos em culturas de tomate, pimentão e berinjela;
  • Plantas ornamentais e nativas: o que amplia o potencial de dispersão da praga.

Essa diversidade de hospedeiros torna o controle da praga ainda mais desafiador. Na China, programas de controle atuais para o percevejo, dependem principalmente de inseticidas químicos convencionais de amplo espectro, que nem sempre são compatíveis com programas de MIP

Como se preparar para as principais pragas agrícolas

Manejo correto do percevejo-de-pintas-amarelas

O manejo eficiente do percevejo-de-pintas-amarelas requer uma abordagem integrada, que combina diferentes estratégias para minimizar o impacto da praga.

Algumas técnicas recomendadas incluem o monitoramento constante, para a identificação precoce da praga. 

O uso de armadilhas de feromônio é eficaz para monitorar a presença do percevejo e avaliar a densidade populacional.

Além disso, o controle cultural com práticas agronômicas, como a rotação de culturas e o manejo adequado da vegetação espontânea, ajuda a reduzir os locais de abrigo e reprodução da praga. 

O controle biológico, com a utilização de inimigos naturais, como vespas parasitoides, tem se mostrado uma alternativa promissora para o controle do percevejo em outros países. 

Em casos de infestações severas, pode ser necessário o uso de inseticidas, mas o uso excessivo de produtos químicos deve ser evitado para prevenir o desenvolvimento de resistência.

O que a praga da Ásia pode causar na lavoura?

O dano direto ocorre pela sucção da seiva das plantas, resultando em murchamento das folhas e frutos, manchas escuras e necrose nos tecidos vegetais, deformidades em frutos e grãos, redução da capacidade fotossintética da planta e queda prematura de frutos e sementes. 

Esses prejuízos podem levar a perdas econômicas significativas, afetando tanto pequenos produtores quanto grandes propriedades.

A praga asiática pode prejudicar a safra 2025/26?

Sim, o percevejo-de-pintas-amarelas representa uma ameaça real para a safra 2025/26, especialmente se a praga conseguir se estabelecer e se espalhar rapidamente pelo território nacional.

O impacto pode ser devastador, com prejuízos econômicos devido à perda de produtividade nas principais culturas agrícolas.

Além disso, haverá um aumento nos custos de produção, pois os produtores precisarão intensificar as práticas de manejo para controlar a praga, incluindo o uso de defensivos agrícolas e medidas preventivas.

Outro ponto de preocupação é o impacto ambiental, já que o uso descontrolado de produtos químicos pode afetar a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas agrícolas.

Medidas de prevenção e controle para produtores

Para minimizar os riscos associados ao percevejo-de-pintas-amarelas, os produtores devem adotar uma série de práticas integradas.

Realizar inspeções frequentes nas lavouras é essencial, especialmente em regiões próximas a portos e áreas urbanas, onde a praga pode ter maior facilidade de entrada e dispersão.

Além disso, implementar o manejo integrado de pragas (MIP) permite combinar diferentes estratégias, como controle biológico, práticas culturais e o uso criterioso de defensivos agrícolas.

É importante manter contato constante com técnicos e órgãos de defesa agropecuária, que podem fornecer orientações atualizadas sobre o monitoramento e as melhores práticas de manejo.

Outra medida é evitar o transporte de materiais vegetais de áreas infestadas sem a devida inspeção fitossanitária, reduzindo o risco de disseminação da praga para novas regiões.

A Aegro está atenta às novidades do setor e pronta para apoiar os produtores na adoção
de boas práticas de manejo.

Fique atento e compartilhe essas informações com outros profissionais do campo para juntos enfrentarmos esse novo desafio.

Principais doenças de solo e como proteger suas culturas

O solo é um dos recursos mais importantes para a agricultura, não apenas sustenta as plantas, mas também influencia diretamente a qualidade e a produtividade das lavouras.

Quando negligenciado, pode se tornar um ambiente propício para o surgimento de doenças de solo que afetam severamente a produção agrícola. 

Estas doenças podem comprometer as raízes, caules e até os frutos prejudicando tanto a qualidade quanto a quantidade colhida

A grande maioria das doenças de solo são causadas por agentes patogênicos como fungos, bactérias, nematóides e vírus que sobrevivem e se multiplicam no solo.

Essas pragas atacam diretamente as plantas comprometendo seu desenvolvimento e em muitos casos levando à morte.

A presença desses organismos no solo é um dos principais fatores que comprometem a longevidade das lavouras e a saúde do ecossistema agrícola.

O que são doenças de solo?

As doenças de solo são originadas por agentes patogênicos como fungos, bactérias, nematoides e vírus, que possuem a capacidade de sobreviver e se multiplicar no ambiente do solo, criando condições desfavoráveis ao desenvolvimento das plantas.

Esses organismos podem permanecer inativos no solo por longos períodos, esperando condições adequadas para se retirarem e atacarem as culturas agrícolas.

É comum agirem diretamente nas raízes e, em alguns casos, nas partes aéreas das plantas, interferindo na absorção de água e nutrientes, enfraquecendo o sistema radicular e limitando o crescimento das culturas.

Além disso, podem causar sintomas como lesões, podridões, murchas e até a morte das plantas, comprometendo seriamente a produtividade e a viabilidade econômica da lavoura.

Um aspecto preocupante é que esses agentes patogênicos se adaptam facilmente às condições do ambiente e podem ser disseminados por meio de água, vento, resíduos de culturas anteriores, ferramentas agrícolas contaminadas ou pelo trânsito de máquinas e implementos entre talhões.

Isso torna o manejo das doenças de solo um grande desafio para os produtores. Entre os exemplos mais comuns estão fungos como Fusarium spp. e Rhizoctonia solani, que causam doenças como tombamento de plântulas e podridão de raízes, além de nematoides como Meloidogyne spp., responsáveis por formar galhas nas raízes.

Saiba mais!

Quais as principais doenças do solo? 

As principais doenças do solo vão variar conforme a cultura e o patógeno. Algumas delas são mais comuns na lavoura de soja, como a antracnose, mas podem aparecer em outras plantações. 

De qualquer forma, existem pelo menos 7 doenças de solo que você deve se preocupar. Acompanhe quais são elas e como tratar. 

 1. Tamanduá-da-Soja (Sternechus subsignatus)

  • Sintomas: Corte na base das hastes da soja, murcha das plantas e redução do porte e menor número de vagens.
  • Principais culturas afetadas: Soja e algumas leguminosas. 
  • Impactos: Perda total da planta afetada e redução na produtividade devido à queda de vagens.
  • Manejo: Rotação de culturas para evitar a perpetuação do ciclo da praga, controle químico com inseticidas direcionados à fase adulta e Destruição dos restos culturais para eliminar os refúgios da praga.

Confira mais informações no conteúdo 12 principais pragas da soja que podem acabar com sua lavoura.

2. Broca-do-Café (Hypothenemus hampei)

  • Sintomas: Perfuração nos frutos do café e grãos ocos ou com perda de qualidade devido à alimentação da larva.
  • Impactos: Redução da qualidade dos grãos e perdas na produtividade que podem chegar a 30% em infestações severas.
  • Manejo: Monitoramento com armadilhas de captura, uso de inseticidas específicos em momentos de maior vulnerabilidade e controle biológico com fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana.

Para mais informações sobre o patógeno siga a leitura: Broca-do-café: Alternativas de controle.

3. Antracnose (Colletotrichum spp.)

  • Sintomas: Lesões escuras em vagens, folhas, hastes e sementes, apodrecimento e queda de folhas em estágios avançados.
  • Principais culturas afetadas: Soja, feijão, milho, tomate e algodão.
  • Impactos: Perda de produtividade devido ao apodrecimento de vagens e frutos, e redução na qualidade das sementes.
  • Manejo: Uso de sementes sadias e certificadas, tratamento de sementes com fungicidas, rotação de culturas e manejo de restos culturais.

Saiba mais informações sobre a Antracnose e detalhes de como realizar o controle para diferentes culturas.

4. Tombamento (Fusarium spp., Rhizoctonia solani, Phytophthora spp.)

  • Sintomas: Morte de plântulas logo após a emergência, lesões marrons ou negras no coleto e reboleiras de falhas no estande.
  • Principais culturas afetadas: Soja, feijão, milho, algodão e hortaliças.
  • Impactos: Perda de plantas na fase inicial e dificuldade em atingir o estande ideal.
  • Manejo: Tratamento de sementes com fungicidas específicos, uso de variedades resistentes, adequação do espaçamento e drenagem para evitar excesso de umidade.

Saiba todas as informações sobre tombamento da soja e como fazer o melhor manejo na sua lavoura.

5. Nematóides (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp., Heterodera glycines)

  • Sintomas: Raízes com galhas ou lesões necróticas, murcha, clorose e plantas de menor porte e reboleiras com falhas no estande.
  • Principais culturas afetadas: Soja, milho, feijão, algodão, cana-de-açúcar e hortaliças.
  • Impactos: Redução na capacidade de absorção de água e nutrientes, e queda significativa na produtividade.
  • Manejo: Uso de cultivares resistentes ou tolerantes, rotação de culturas com plantas não hospedeiras, controle biológico com agentes como Bacillus spp. ou Pasteuria spp e uso de nematicidas em casos severos.
Nematoides: como identificar e controlar

6. Lagarta-Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

  • Sintomas: Ataque ao coletor (base do caule), causando murcha e morte das plantas, e plântulas mortas em reboleiras.
  • Principais culturas afetadas: Milho, soja, sorgo, algodão e feijão.
  • Impactos: Perda de plantas na fase inicial, comprometendo o estande.
  • Manejo: Tratamento de sementes com inseticidas, manejo da palhada para reduzir populações iniciais, monitoramento e controle químico em áreas de alta infestação.

7. Coró-da-Soja (Phyllophaga spp.)

  • Sintomas: Corte das raízes e morte das plantas em reboleiras e murcha causada pela perda de capacidade de absorção de água e nutrientes.
  • Principais culturas afetadas: Soja, milho, pastagens e trigo.
  • Impactos: Redução do estande e produtividade, plantas enfraquecidas e maior suscetibilidade a estresses.
  • Manejo: Rotação de culturas com espécies menos suscetíveis, tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e manejo integrado, incluindo controle biológico com nematóides entomopatogênicos.
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Como evitar doenças de solo?

A melhor forma de evitar doenças de solo é a implementação de práticas agronômicas que protejam as plantas e promovam a saúde do solo, reduzindo a presença e a atividade de agentes patogênicos. 

As medidas a seguir são essenciais para minimizar os impactos e, ao mesmo tempo,  garantir uma lavoura mais resiliente e produtiva. Confira:

1. Rotação de culturas

Alterar as culturas no mesmo talhão ao longo das safras é uma técnica eficaz para reduzir a pressão de patógenos. 

Ao introduzir plantas que não são hospedeiras, como crotalária antes da soja ou milho, é possível interromper o ciclo de vida de fungos, nematoides e outras pragas

Além disso, essa a rotação de culturas a diversificar os sistemas de cultivo, promovendo um equilíbrio biológico no solo.

2. Cobertura do solo 

As plantas de cobertura, como crotalária, braquiária e milheto, desempenham um papel importante no manejo de doenças. 

Sua função é criar uma barreira física que dificulta a proliferação de pragas e patógenos, além de melhorar a estrutura do solo e contribuir para a retenção de umidade e nutrientes. 

A cobertura também reduz a erosão e previne o aparecimento de plantas daninhas que podem servir como hospedeiras de doenças.

3. Higienização de equipamentos

A movimentação de máquinas e implementos agrícolas entre talhões pode disseminar patógenos, como fungos e nematoides. 

Por isso, é essencial realizar a limpeza e a desinfecção regular dos equipamentos. 

O uso de desinfetantes específicos e a eliminação de resíduos de solo e vegetais aderidos às máquinas ajudam a evitar a contaminação cruzada entre áreas.

4. Adubação equilibrada

Fornecer nutrientes em quantidades adequadas é uma medida excelente para fortalecer as plantas e tornar a lavoura menos vulnerável a doenças. 

Solos bem nutridos e com balanço adequado de macro e micronutrientes proporcionam um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das culturas e menos propício à proliferação de patógenos. 

A aplicação de matéria orgânica e compostos orgânicos também pode melhorar a atividade microbiológica do solo, inibindo a ação de organismos prejudiciais.

5. Análise periódica do solo

Realizar análises regulares do solo permite identificar a presença de patógenos e avaliar as condições gerais da área. 

Com base nos resultados, é possível implementar práticas corretivas, como o ajuste do pH ou a aplicação de produtos biológicos que favorecem a saúde do solo.

6. Uso de produtos biológicos 

O uso de bioinsumos, como microrganismos antagonistas, são ferramentas importantes no manejo de doenças de solo

A aplicação em fungos como Trichoderma spp. e bactérias como Bacillus spp. podem ser aplicados para combater diretamente os patógenos e melhorar o equilíbrio biológico do solo.

Doenças do solo: Um desafio constante

As doenças de solo são desafios constante que exigem atenção contínua e práticas bem planejadas. 

Conhecer os patógenos, entender as particularidades do solo e adotar medidas de manejo adequadas são ações indispensáveis para garantir a saúde das culturas e a sustentabilidade da produção agrícola. 

Ao aplicar soluções como rotação de culturas, uso de sementes certificadas e controle biológico, o é possível minimizar muito os impactos dessas doenças e preservar sua lavoura ao longo dos ciclos.

Outro ponto que também ajuda é o monitoramento regular da lavoura. No Software Aegro é possível ter esse tipo de cuidado por NDVI, além de fazer manejo integrado de pragas e registrar cada evolução no próprio sistema.

Mancha foliar no milho: como livrar sua lavoura dessas doenças

Mancha foliar no milho: quais são as principais, como identificar os sintomas, como realizar o manejo e muito mais

A denominação “mancha foliar” é utilizada em referência a algumas doenças que atacam a cultura do milho.

Elas têm grande importância econômica, pois estão presentes nas principais áreas produtoras do grão. Além disso, reduzem consideravelmente o potencial produtivo da lavoura. 

Neste artigo, saiba mais sobre como identificar e manejar cercosporiose, helmintosporiose, mancha-branca, mancha-de-bipolares e mancha-de-diplodia. Boa leitura!

Principais manchas foliares no milho

As principais doenças causadoras de manchas foliares em lavouras de milho são: 

Essas doenças reduzem a área fotossintética das plantas. Como consequência, interferem na produtividade e na qualidade do produto final. Abaixo, veja quais são e como identificar as principais doenças foliares  em milho.

Cercosporiose

A cercosporiose é uma doença foliar causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, e também é conhecida como cercospora do milho. 

Os sintomas se manifestam primeiro nas folhas inferiores das plantas, onde aparecem manchas alongadas e com bordas amareladas. Sob condições de elevada umidade, as lesões adquirem coloração acinzentada em função da produção de esporos pelo fungo. 

Uma característica que diferencia a cercosporiose de outras doenças foliares do milho é o fato de as lesões apresentarem formato retangular e delimitado pelas nervuras. Elas se desenvolvem mais lentamente do que as lesões provocadas por outros patógenos.

Em casos mais severos, essa doença pode provocar o acamamento das plantas. Isso acontece pois as plantas de milho ficam mais predispostas ao ataque de outros patógenos, como os que causam danos ao colmo.

Essa doença se desenvolve sob condições de elevada umidade relativa do ar (maior que 90%) e em temperaturas entre 25°C e 30°C. A disseminação da cercosporiose ocorre através dos esporos do fungo e pelos restos culturais contaminados.

Sintomas da cercosporiose em folha de milho

(Fonte: NC State Extension)

Helmintosporiose

O agente causal da helmintosporiose é o fungo Exserohilum turcicum. Essa doença tem maior incidência em lavouras de milho safrinha.  Os sintomas característicos são lesões necróticas e em formato de charuto. A coloração pode variar de verde-acinzentada a marrom. 

Nesse caso, o crescimento das lesões não é limitado pelas nervuras da folha.   

À medida que a doença se desenvolve, as lesões aumentam de tamanho, comprometendo toda a área foliar. A helmintosporiose é favorecida por condições de temperaturas amenas, entre 20°C e 25°C, umidade relativa do ar acima de 90% e pela presença de orvalho.

A disseminação ocorre pela ação do vento, que transporta o fungo a longas distâncias. Além disso, os restos culturais são fontes de inóculo do fungo, uma vez que ele sobrevive nesse ambiente por longos períodos. 

Manchas em formato de charuto característica da helmintosporiose

Manchas em formato de charuto característica da helmintosporiose

(Fonte: Crop Protection Network)

Mancha-branca ou mancha foliar de Phaeosphaeria

A mancha-branca é uma doença foliar causada pela bactéria Pantoea ananatis. Ela é conhecida por mancha-de-Phaeosphaeria, feosféria e pinta-branca. Ela é uma das doenças mais distribuídas em regiões produtoras.

Além disso, os danos dependem das condições ambientais e do estádio de desenvolvimento da planta infectada. Os sintomas aparecem primeiro nas pontas das folhas. 

À medida que a doença avança, essas manchas são visíveis também na base das folhas do milho. As lesões foliares têm formato circular ou oval, cor verde-clara e aspecto encharcado (anasarca). Com o passar do tempo essas lesões necrosam e podem coalescer. 

Além disso, essa doença pode causar a seca prematura das plantas. De modo geral, os sintomas são mais severos após o pendoamento do milho

As condições ótimas para o desenvolvimento da mancha branca são noites com temperaturas amenas (15°C a 20°C) e umidade do ar acima de 60%. Períodos chuvosos também favorecem essa doença.  A disseminação ocorre por respingos de água da chuva e pelo vento.

Sintomas típicos da mancha branca no milho

Sintomas típicos da mancha branca no milho

(Fonte: Embrapa – Circular Técnica 167)

Mancha-de-bipolaris no milho (Bipolaris Maydis)

A mancha-de-bipolaris é uma doença do milho causada pelo fungo Bipolaris maydis. Por isso, também é conhecida como mancha de bipolaris no milho.

Os sintomas variam de acordo com a raça do fungo que está infectando as plantas. De modo geral, os sintomas são lesões necróticas de formato oval, alongado e estreito. Elas não têm bordas definidas e se desenvolvem seguindo a orientação das nervuras foliares. 

Em alguns casos, os sintomas da mancha-de-bipolaris podem ser confundidos com os da cercosporiose. No entanto, é possível diferenciar as doenças com base na avaliação das lesões.

Sintomas da mancha-de-bipolaris em folha de milho

Sintomas da mancha-de-bipolaris em folha de milho

(Fonte: Crop Protection Network)

Em geral, as lesões da cercosporiose são delimitadas, na largura, pelas nervuras das folhas e apresentam bordas bem definidas. Além disso, elas são mais estreitas. Enquanto isso, as lesões da mancha-de-bipolaris apresentam bordas irregulares.

As condições ambientais que contribuem para o desenvolvimento da mancha-de-bipolaris são um ambiente úmido e quente, com temperaturas entre 22°C e 30°C

A disseminação dos conídios é feita pelo vento e por respingos de água da chuva. O fungo ainda sobrevive nos restos culturais e nos grãos de milho.

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Mancha-de-diplodia

A mancha-de-diplodia é causada pelo fungo Stenocarpella macrospora. Os sintomas dessa doença são lesões alongadas e grandes, que podem atingir até 10 centímetros de comprimento.  

As lesões de mancha-de-diplodia podem ser confundidas com as da helmintosporiose. A diferença entre elas está no fato de que as lesões de mancha-de-diplodia apresentam um ponto de infecção pelo patógeno

Esse ponto de infecção é um pequeno círculo localizado em qualquer lugar da lesão e que é visível contra a luz. Além das lesões foliares, a mancha-de-diplodia causa podridão do colmo e das espigas.

A disseminação dos esporos do fungo é feita pelo vento, por respingos de chuva e por sementes infectadas. Os restos culturais também são fonte de inóculo. A doença se desenvolve melhor sob condições de alta umidade do ar e temperaturas entre 25°C e 30°C

Sintomas da mancha-foliar-de-diplodia em milho

Sintomas da mancha-foliar-de-diplodia em milho

(Fonte: American Physiological Society)

Manejo das manchas foliares do milho

O manejo das manchas foliares na cultura do milho deve ser realizado de forma integrada. A combinação de diferentes medidas garante maior sucesso no controle dessas doenças foliares em milho. Por isso, as principais estratégias de manejo recomendadas são:

  • plantio de cultivares de milho resistentes às doenças;
  • plantio de cultivares diferentes em uma mesma área;
  • escolha da época de plantio do milho;
  • evitar o plantio sequencial de milho na mesma área;
  • utilizar sementes sadias;
  • tratamento de sementes;
  • manejo adequado da lavoura: população adequada de plantas, adubação equilibrada do milho, controle de daninhas da cultura;
  • rotação de culturas;
  • controle químico com fungicidas de amplo espectro.
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No controle químico das manchas foliares do milho são indicados, principalmente, os fungicidas dos grupos químicos triazol e estrobilurina

Conclusão

As principais doenças que causam manchas foliares da cultura do milho são a cercosporiose, a helmintosporiose, a mancha-branca, a mancha-de-bipolaris e a mancha-de-diplodia.

Essas doenças ocorrem em todas as áreas produtoras de milho do país e comprometem a produtividade final. O manejo das manchas foliares é feito pela adoção de diferentes estratégias

Por exemplo, a resistência genética, o plantio de sementes sadias, a rotação de culturas e a aplicação de defensivos químicos. Na dúvida, sempre procure ajuda de uma pessoa especialista da agronomia.

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Ácaro-branco na lavoura? Veja como manejar essa praga

Ácaro-branco: saiba como identificar a presença na lavoura, quais as condições ambientais favoráveis, como monitorar, qual acaricida usar e mais!

O ácaro-branco é uma praga agrícola que tem causado grandes danos em grandes culturas nas últimas safras. Essa é uma praga capaz de se alimentar de muitas espécies diferentes. Além disso, ela está presente em diversas regiões produtoras do mundo. 

Essa praga possui enorme potencial de dano, especialmente pela redução do porte das plantas. Ainda, pode ser confundida com outras pragas, doenças, fungos e vírus. Justamente por isso, é importante estar ciente das características dessa praga.

Neste artigo, entenda os sintomas causados pelo ácaro-branco e veja quais são as condições ambientais favoráveis. Aproveite a leitura!

O que é o ácaro-branco?

O ácaro-branco é uma espécie de ácaro encontrada nas mais importantes culturas agrícolas. Ele é muito semelhante ao ácaro-rajado, embora seja menor. Ainda, essa praga polífaga também pode ser reconhecido como:

  • Polyphagotarsonemus latus;    
  • Hemitarsonemus latus;
  • Neotarsonemus latus;
  • Tarsonemus latus;
  • Tarsonemus phaseoli.
acaro-rajado
Diferenças visuais entre o ácaro rajado à esquerda, e o ácaro-branco a direita 
(Fonte: Salvadori, 2007)

Embora possa parecer que o ácaro-branco seja uma das novas pragas da soja, a sua ocorrência já foi registrada em safras anteriores. Isso principalmente em função das condições ambientais favoráveis em algumas regiões do país.

No entanto, a novidade em relação à ocorrência da praga é a alta frequência e as grandes áreas em que tem sido registrada. Por isso, produtores têm estado em alerta.

Seu ciclo de vida é extremamente rápido: de ovo até a fase adulta, são entre 5 a 8 dias. A oviposição é realizada principalmente na face inferior das folhas e o ciclo de vida é composto por três fases principais: ovo, larva e adulto.

O ácaro-branco possui coloração pálida amarelada ou verde amarelada, dependendo da espécie em que é utilizada para alimentação. Ainda, o ácaro-rajado é muito pequeno. Já os ovos são alongados e transparentes, possuindo pontos brancos. 

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Como diferenciá-lo dos outros tipos de ácaro e doenças?

Uma das características observadas no ataque do ácaro-branco, diferente das viroses, é a sua distribuição uniforme ao longo da lavoura. Ou seja, há diversas plantas próximas afetadas, distribuídas ainda em reboleiras pequenas ou grandes.

Em ataques mais severos, é possível ocorrer a queda de folíolos. Além disso, pode haver o bronzeamento das hastes, da face inferior das folhas (exceto as nervuras), dos pecíolos e das vagens. Outro diferencial do ácaro-branco é não formar teias nas folhas lesionadas.

É possível diferenciar danos causados por ácaro-branco de outras viroses ou doenças causadas por fungos cortando a haste da folha. Faça isso no sentido longitudinal e analise o aspecto visual interno. 

Quando o ataque está sendo causado pelo ácaro-branco, diferentemente das doenças, a coloração interna será normal. Já nas doenças que afetam a haste principal, pode ser observado o escurecimento interno dos tecidos.

Dada a preferência por tecidos jovens, a época de maior infestação do ácaro-branco é a época de crescimento intenso das culturas. Isso acontece principalmente na fase vegetativa.

Quais as condições ambientais favoráveis para a praga?

Para a maioria dos ácaros, as condições ambientais favoráveis para ocorrência são períodos secos. Por outro lado, para o ácaro-branco, as condições ambientais favoráveis são opostas.

Períodos de alta nebulosidade, com chuvas associadas a temperaturas elevadas favorecem a explosão da infestação em áreas de produção.

Para a cultura da soja, essas condições climáticas ocorreram especialmente em parte da Região Central do Brasil. O mesmo vale para os estados do Sul do Brasil. É importante ressaltar que o ácaro-branco pode causar problemas em estufas de produção.

Afinal, ele é sensível a baixas temperaturas, não resistindo ao frio.

Danos do ácaro-branco na soja, no café e no algodão

O ácaro-branco é uma praga de grande potencial de dano. Em outros países, por exemplo, já foi relatado causando redução de 50% da produção de feijão. Para a cultura do algodão, é considerada uma praga importante na África tropical e em regiões produtoras do Brasil.

Segundo dados da Cabi (Centro Internacional de Biociência Agrícola), o ácaro-branco está amplamente distribuído no mundo, e é capaz de afetar as seguintes culturas de interesse:

Esse ácaro na soja também reduz a distância entre os entrenós, diminuindo assim a estatura da leguminosa. Como consequência, as plantas próximas acabam por sombrear as plantas afetadas, reduzindo ainda mais o seu potencial produtivo

acaro-branco
Sintomas do ácaro-branco em infestação severa, com bronzeamento da haste principal e redução da estatura da planta
(Fonte: Roggia, 2023)

No algodão, o ácaro-branco é considerado uma praga importante em anos chuvosos e de altas temperaturas. O ataque ocorre principalmente após as adubações foliares ou nitrogenadas, desde que coincidam com as condições ambientais favoráveis. 

Os danos provocados pela alimentação do ácaro resultam em aspecto brilhante da face inferior das folhas e retorcimento das folhas para cima.

Em decorrência do desenvolvimento anormal das folhas, há redução do número de maçãs. Isso impacta negativamente a qualidade das fibras produzidas. 

acaro-branco
Aspecto das folhas de algodoeiro após o ataque do ácaro-branco
(Fonte: Tomquelski, 2020)

No ácaro-branco provoca a formação de rugosidades sobre a superfície da folha, além de distorção das folhas e brotos novos. As folhas também podem apresentar aspecto bronzeado, assim como os ramos.

Na imagem abaixo, você pode conferir o aspecto visual da presença dessa praga nas folhas de café.

acaro-branco
Danos causados pelo ácaro-branco em café
(Fonte: Nelson, 2023)

Como se livrar do ácaro em plantas?

O controle do ácaro-branco deve ser feito quando 20% das folhas apresentarem sintomas característicos da sua presença até o período em que a floração se inicia.  Por isso, um bom monitoramento da praga deve ser feito.

Para isso, você pode amostrar 10 plantas aleatórias em diferentes pontos da lavoura. Não se esqueça de investigar ainda aquelas plantas com crescimento anormal, principalmente presentes em reboleiras. Vale lembrar que a visualização do ácaro, mesmo com lupa, é difícil.

Existem poucos produtos registrados para controle do ácaro-branco. Entretanto, a praga ataca principalmente os pontos de crescimento da planta, o que pode ser um ponto a se considerar.

Quando a planta estiver em estádios de desenvolvimento mais avançados, o controle já não é mais tão necessário. Nesses estádios, as folhas estão expandidas e as estruturas reprodutivas já estão formadas. 

Nessa situação, com ausência de tecidos novos presentes na planta, a população da praga tende a reduzir significativamente de forma natural. No Agrofit, podem ser consultados diversos acaricidas para diferentes culturas

Além disso, fazer o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é fundamental para garantir um bom controle na lavoura.

Consulte sempre um(a) agrônomo(a) para recomendação do melhor controle. Faça isso especialmente quando outras pragas estiverem ocorrendo, otimizando assim as aplicações. 

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Conclusão

O ácaro-branco é uma praga de ampla distribuição mundial e potencial de danos.

Seu controle é realizado principalmente com acaricidas. No entanto, deve ser realizado assim que a praga foi identificada em porcentagem que justifique o seu controle

Ainda, observe em que estádio de desenvolvimento da cultura a praga está ocorrendo. Assim, você consegue acertar na tomada de decisão sobre quando aplicar o acaricida ideal.

Restou alguma dúvida sobre o ácaro-branco? Se você conhece outros produtores com essa praga na lavoura, não deixe de compartilhar esse artigo com eles. 

Como controlar pragas com ajuda da Beauveria bassiana?

Beauveria bassiana: saiba o que é, como fazer as aplicações, custos, vantagens do uso, onde encontrar e muito mais!

O fungo Beauveria bassiana pode ser encontrado nos solos de todo mundo.

É classificado como fungo entomopatogênico, porque causa doenças em insetos. Para a produção agrícola, especialmente no caso das pragas, é um grande benefício. 

Depois da sua descoberta como um aliado no controle de pragas, ele passou a ser multiplicado em massa. Posteriormente, foi liberado nas lavouras das mais diversas culturas.

Para ter o maior benefício possível no uso desse fungo, é importante entender como fazer uma aplicação mais eficiente. Neste artigo, saiba esses e outros detalhes importantes sobre o Beauveria bassiana. Boa leitura!

O que é o fungo Beauveria bassiana?

Beauveria bassiana é um fungo entomopatogênico capaz de parasitar insetos, causando uma doença fatal em vários deles. Ele está presente naturalmente em solos do mundo inteiro, e por isso diversos estudos foram feitos para compreender seu potencial no controle de insetos

Atualmente, já são conhecidas mais de 200 espécies de insetos que são afetadas pelo fungo. A Beauveria bassiana atua da seguinte maneira em contato com as pragas e com as plantas:

  • capacidade de causar doenças;
  • produção de substâncias tóxicas às pragas;
  • estimula sinais químicos na planta antes do ataque dos insetos, ativando suas defesas.

O fungo afeta os insetos de forma contínua, como resultado cumulativo da produção de toxinas. Ele entope importantes canais de absorção de água e nutrientes das pragas. Como consequência desse e de outros efeitos, as pragas morrem.

O fungo também pode permanecer sob raízes, solo e água, criando oportunidade para disseminação rápida. Este fato requer atenção de quem produz, porque o fungo pode causar danos aos inimigos naturais de pragas presentes na lavoura.

Quais pragas o  inseticida biológico Beauveria bassiana controla?

As pragas controladas pelo Beauveria bassiana dependem do produto em questão. Entretanto, as principais pragas controladas pelo produto são:

Vale ressaltar novamente que a indicação de controle para determinada praga deve ser conferida na bula do produto, pois há variação entre fabricantes. Essa variação depende do isolado utilizado na formulação.

Sintomas e sinais da infecção por Beauveria bassiana
Sintomas e sinais da infecção por Beauveria bassiana em lagarta (A), fungo cultivado em meio de cultura (B e C), conídios do fungo em detalhes (D, E e F)
(Fonte: Castro)

Como aplicar Beauveria bassiana (dose, custo e bula)

Se você pretende usar o Beauveria bassiana na sua lavoura, é necessário tomar alguns cuidados na aplicação. Por exemplo:

  • Prepare a calda e aplique nas horas mais frescas do dia, com alta umidade do ar;
  • Fins de tarde e dias nublados são ideais para aplicação do fungo Beauveria bassiana;
  • Evite misturas ou resíduos de outros produtos no tanque de pulverização, assim como nas demais estruturas do equipamento. Assim, você evita contaminação e redução da eficiência do produto;
  • Dissolva o produto em um primeiro momento em menor quantidade de água (20 litros). Em seguida, dissolva o conteúdo no pulverizador contendo 2/3 da água necessária para a calda.
  • As recomendações de aplicação variam conforme a bula, então sempre leia antes de começar o preparo da calda.

Também é importante ficar por dentro do custo de aplicação desse fungo na lavoura. O custo depende da praga alvo a ser controlada e da cultura, o que determinará a melhor tecnologia de aplicação e tipo de formulação. No entanto, em geral, o custo é baixo.

Se você pretende usar o fungo na sua lavoura, é preciso ficar de olho no preço da Beauveria bassiana. Embalagens com cerca de 1kg do produto costumam custar cerca de R$ 160, valor que pode variar bastante conforme o fabricante.

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Limitações do uso desse fungo no controle de pragas

Esse fungo pode causar danos em inimigos naturais presentes na lavoura, que ajudam no controle de pragas agrícolas.

Ainda, no caso de inseticidas sintéticos e outros defensivos, há uma forma específica de preparo das caldas. Além disso, é necessário fazer um monitoramento constante das condições ambientais para sua aplicação.

Para isso, indica-se o preparo da calda no máximo uma hora antes da aplicação. Você também deve manter os equipamentos sem a presença de outros produtos, especialmente em função da incompatibilidade

Além disso, a adição de adjuvantes agrícolas pode reduzir a população de fungos viáveis. Ou seja, fique de olho também nesse aspecto.

Outra limitação do uso da Beauveria bassiana é a lentidão do seu funcionamento. Enquanto inseticidas sintéticos matam as pragas em até algumas horas, esse fungo pode levar entre 6 a 14 dias. 

O fungo também depende de condições ambientais favoráveis para a germinação dos esporos no hospedeiro. São ideais as temperaturas entre 23°C a 28°C, além de alta umidade relativa do ar.

Por fim, a fabricação desse fungo na fazenda não é indicada. Por isso, é necessário adquiri-lo através de fabricantes do mercado, devidamente regulamentados.

Vantagens no uso do fungo na lavoura

Uma grande vantagem é que esse fungo pode ser usado independentemente da cultura. Para os produtos sintéticos, isso não ocorre. Geralmente, no caso dos sintéticos, há indicações para algumas culturas específicas.

Ainda, ele pode ser usado na produção orgânica por possuir autorização para esse fim.

Outra vantagem é que a Beauveria bassiana pode continuar a se reproduzir na praga que foi controlada, disseminando outros esporos na área. Mas atenção, essa característica não anula a necessidade de outras aplicações.

O fungo pode também ser utilizado no manejo integrado de pragas, especialmente no manejo anti-resistência. Afinal, muitos insetos são resistentes aos inseticidas químicos disponíveis no mercado, caso de diversos insetos alvo do fungo, como a mosca-branca

Como conseguir Beauveria bassiana?

Alguns produtores relatam dificuldades em conseguir Beauveria bassiana para aplicação em suas lavouras. Ainda, muito se pergunta sobre como produzir o Beauveria bassiana ou como multiplicar o Beauveria bassiana.

Entretanto, vale ressaltar que produtos formulados a partir do fungo entomopatogênico podem ser adquiridos diretamente em revendas ou em empresas de controle biológico. A produção desse fungo na fazenda não é recomendada.

No Agrofit, podem ser encontradas 93 diferentes formulações registradas. No entanto, é importante conferir atentamente a bula do produto. Afinal, para diferentes fabricantes, há indicações específicas quanto às pragas controladas e modos de aplicação.

O fungo pode ainda ser formulado em mistura com outros fungos utilizados no controle de pragas, como Metarhizium anisopliae e Isaria javanicaDesta forma, as recomendações variam de acordo com a formulação do produto e do fabricante.

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Conclusão

É gigante o potencial da Beauveria bassiana no controle de importantes pragas nas lavouras. Além disso, vimos aqui inúmeras vantagens do uso desse fungo.

A possibilidade de aplicação sem restrição de culturas e custo baixo de aplicação são as principais delas. 

Para máxima eficiência das formulações de Beauveria bassiana é indispensável que as recomendações da bula sejam seguidas. Tome cuidado quanto às doses do produto e, na dúvida, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a)

Você já conhecia o fungo Beauveria bassiana? Está pensando em utilizá-lo na sua lavoura? Inscreva-se na nossa newsletter para não perder mais conteúdos como esse.

Curuquerê-dos-capinzais: como identificar e controlar

Curuquerê-dos-capinzais: conheça as características, quais culturas são afetadas pela praga e como manter a lavoura livre dela

Também conhecida como curuquerê-do-algodão, essa lagarta desfolhadora é considerada uma das principais pragas do algodoeiro. Ela pode reduzir a produtividade da cultura em até 67%.

Por causar danos tão significativos, conhecer todas as características da praga é fundamental para controlá-la antes de sofrer prejuízos. Além disso, saber os manejos corretos te ajudará a manter a sua cultura saudável e produtiva.

Neste artigo, conheça as principais características da lagarta curuquerê-dos-capinzais, bem como culturas afetadas e danos causados por ela. Boa leitura!

O que é o curuquerê-dos-capinzais?

A lagarta curuquerê (Alabama argillacea ou mocis latipes) ou lagarta dos capinzais, é chamada de diferentes formas. No entanto, ela pertence à ordem Lepidóptera, e é uma mariposa da família Erebidae. Ela é encontrada em diversos lugares, desde América do Norte, Central e do Sul.

Ela pode atacar outras espécies além do algodão, e possui duas características importantes. A primeira é que ela possui hábitos migratórios. Ou seja, as mariposas tendem a migrar de diferentes locais. Por isso, o controle regional é extremamente importante.

Alteração de cor da mocis latipes é visualizada quando esta atinge altas populações na área de cultivo
(Fonte: F.J. Celoto/Lab. MIP – Unesp/Ilha Solteira)

A segunda característica é o hábito monófogo durante o estádio larval. Isso significa que as mariposas são encontradas majoritariamente na cultura do algodão.

Período larval e ciclo de vida da mocis latipes

A cultivar utilizada na lavoura pode responder de forma diferente ao número de ovos ovipositados pela lagarta. Ela pode influenciar em maior ou menor postura.

Cada fêmea pode ovipositar entre 6 e mais de 1700 ovos. A escolha da cultivar mais adequada à área, observando o histórico de ataque da lagarta, é fundamental.

O período de oviposição da lagarta dura aproximadamente um mês. Após, os ovos são incubados durante 4 e 6 dias, eclodindo posteriormente e liberando as novas lagartas ao ambiente.

O tempo em que a lagarta permanece em fase de lagarta é variável. Ele pode durar até 30 dias, a depender da temperatura. O período em que a lagarta entra no casulo para se transformar em mariposa, pode durar entre 10 e 30 dias.

Esse período também é influenciado pela temperatura. No verão, e consequentemente em temperaturas mais elevadas, o ciclo de vida pode ser mais rápido. Assim, o potencial de danos é maior, exigindo cuidados redobrados.

Temperaturas entre 25°C e 30°C são favoráveis à lagarta. Temperaturas acima de 35°C prejudicam o desenvolvimento da espécie, assim como temperaturas muito amenas.

Como identificar a praga

Esta lagarta tem coloração diferente das principais lagartas da soja, do algodão e do milho. Sua coloração é verde clara, e ela possui duas estrias dispostas ao longo de todo o corpo. Além disso, há pontos pretos distribuídos aleatoriamente de uma extremidade até a outra.

Característica da lagarta-caruquerê-dos-capinzais em fase larval ou de lagarta, pré-pupa (à esquerda) e pupa (à direita).
(Fonte: González et a., 2021)

Mas esta não é a única cor que esta lagarta pode ter. Em populações elevadas, elas mudam de coloração. O corpo torna-se preto, mantendo as listras brancas e os pontos pretos visíveis nas laterais do corpo. 

Desta forma, ao visualizar lagartas pretas na lavoura, produtores já podem ter ideia de que a população deste inseto está elevada. Consequentemente, os danos já estão ocorrendo em grandes proporções.

Lagarta-dos-capinzais em fase adulta, sobre folha de soja
(Fonte: González et a., 2021)

Distribuição da lagarta curuquerê nas regiões produtoras

No Brasil, a ocorrência da lagarta é principalmente entre os meses de janeiro a julho. No entanto, apresenta diferenças nas regiões. Na região Centro-Sul, a lagarta pode ser observada principalmente a partir do mês de dezembro, até julho. 

Em São Paulo, em contrapartida, o pico de maior população deste inseto ocorre próximo ao mês de abril. No Nordeste, pode ocorrer no início de janeiro até o mês de maio. 

Desta maneira, geralmente, as infestações têm origem inicial na região Centro-Norte, e posteriormente para a região Centro-Sul do país. 

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Curuquerê no algodão e em outras culturas

Na cultura do algodão, principal cultura afetada, os danos podem ocorrer em todas as partes da planta. Entretanto, os danos acontecem especialmente quando a população da praga encontra-se elevada na área. Ou, ainda, quando há pouca disponibilidade de alimento.

Inicialmente, a lagarta se alimenta de folhas novas do ponteiro, que apresentam sinais de raspagem. Com o avançar, as lagartas atacam o terço mediano da planta, provocando desfolha generalizada.

Ela pode consumir mais de 90 cm² de folhas até completar todo o seu ciclo de vida. Dada a capacidade de cada fêmea ovipositar até entre 1800 ovos, uma única lagarta pode causar redução da área foliar. Essa redução pode ser equivalente a mais de 16,2 m²

Sendo as folhas indispensáveis para a fotossíntese e para a produção, a rápida identificação desta praga para o controle é fundamental. Assim, você consegue manter o potencial produtivo da cultura frente a este inseto.

Para a cultura do algodão, as fases iniciais e a abertura das maçãs são as mais críticas. A primeira é delicada pois pouca quantidade de folhas estarão disponíveis, fazendo com que a lagarta consuma outras partes da planta. 

A segunda também é delicada, já que o ataque à maçã provoca maturação forçada. Isso causa redução da qualidade e quantidade das fibras produzidas. Até os 135 dias, a lagarta pode ainda, causar:

  • redução do peso do capulho e das sementes;
  • redução da porcentagem e uniformidade das fibras;
  • retardo do ciclo floral em aproximadamente um mês.

A lista de culturas afetadas é longa. A presença próxima destas culturas a áreas de produção de algodão podem favorecer a reprodução da praga e as infestações iniciais. A lagarta curuquerê também pode afetar significantemente a:

Além da lagarta ser um problema, as mariposas (fase posterior a lagarta), também têm potencial de causar danos. Afinal, elas podem se alimentar de diferentes espécies frutíferas.

Manejo da lagarta Alabama argillacea

O manejo da lagarta curuquerê-dos-capinzais não é tarefa fácil e exige um conjunto de medidas. Elas incluem controle preventivo, controle cultural, controle genético, controle biológico e controle químico.

Controle preventivo

Algumas medidas preventivas para evitar a ocorrência desta praga é evitar que condições ideais de desenvolvimento sejam dadas.

Nas últimas safras, os danos causados pelo curuquerê-dos-capinzais têm ocorrido no início da safra. Isso acontece muito em razão da presença contínua das plantas de algodão, que permanecem nas áreas de cultivo após a safra.

Por isso, o monitoramento da área e beiradas de lavouras e estradas é fundamental. Assim, você elimina as plantas tigueras.

Com a presença de plantas de algodão na área, a lagarta encontra condições de continuar a produzir novos indivíduos. Desta maneira, as infestações tendem a ocorrer cada vez mais cedo, visto que a lagarta já possui uma pequena população presente na lavoura.

Controle cultural

As medidas de controle cultural tem como objetivo manejar a cultura em benefício próprio, dificultando o estabelecimento da praga nas áreas de produção. 

A redução da irrigação com pivô pode auxiliar no controle. No entanto, é necessário observar que esta prática pode favorecer outras pragas importantes, como a mosca-branca.

Controle genético

Outra medida utilizada para o controle da lagarta curuquerê do algodão é a escolha de cultivares resistentes ou tolerantes. Essa é uma medida fundamental, uma vez que este inseto já apresenta relatos de resistência a alguns inseticidas químicos.

Controle com inimigos naturais

Alguns parasitóides e fungos atuam como inimigos naturais e podem ser utilizados no controle desta lagarta. 

É importante que medidas de manejo integrado de pragas sejam tomadas em conjunto. Afinal, uma única forma de controle geralmente não é eficaz a longo prazo.

Para a utilização do controle biológico e químico, é necessário que produtores e técnicos tenham conhecimento dos produtos utilizados e verifiquem a compatibilidade entre eles. 

Além disso, é necessário conhecer o período entre as aplicações, para evitar interferência na eficiência do controle.

Controle químico

Para a cultura do algodão, segundo o Agrofit, existem atualmente 277 produtos registrados para o controle desta lagarta na cultura do algodão. Dentre eles, existem opções à base dos ingredientes ativos:

  • Abamectina;
  • Acefato;
  • Beta-cipermetrina;
  • Bifentrina;
  • Fipronil;
  • Cipermetrina;
  • Clorpirifós;
  • Cipermetrina;
  • Diflubenzurom;
  • Metomil, dentre outros.

No entanto, a escolha do controle químico deve sempre ser baseada no inseticida que cause menos danos aos inimigos naturais presentes na área.

O uso contínuo de inseticidas não seletivos (que eliminam também os inimigos naturais presentes na área de cultivo) podem provocar o desequilíbrio. Isso acontece ao ponto de uma praga secundária vir atingir uma população que cause danos à cultura.

Este é o caso de inúmeras espécies de lagartas que assumiram papel de pragas primárias em diversas culturas, principalmente na cultura do milho. Por isso, o manejo integrado de pragas com a junção de diferentes métodos de controle é indispensável.

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Conclusão

A lagarta curuquerê dos capinzais ou do algodoeiro é uma das principais pragas da cultura. A identificação rápida do problema é fundamental para o controle, especialmente devido aos riscos da resistência dessa praga aos inseticidas.

Além disso, é fundamental que outros métodos de controle sejam empregados de forma conjunta. Alguns exemplos são o controle preventivo, controle cultural, genético, biológico (quando possível e disponível) e químico.

Também é importante evitar que a população da praga alcance grandes densidades. Isso principalmente devido aos riscos de pressão de seleção de indivíduos resistentes aos inseticidas químicos.

Você já percebeu a presença do curuquerê-dos-capinzais na sua lavoura? Compartilhe conosco, vamos adorar o seu comentário!

Cochonilha na lavoura: entenda tudo sobre esse inseto sugador

Cochonilha: entenda o que são, principais famílias, como identificar, quais culturas são afetadas e manejo mais recomendado para o controle!

Embora as cochonilhas sejam importantes na indústria farmacêutica e alimentícia, para a agricultura são ameaças e podem limitar a produção.

As cochonilhas são umas das principais pragas do café, da cana-do-açúcar, e das forrageiras. Elas podem causar até 100% de perdas, a depender da infestação.

Por isto, entender mais sobre este inseto é fundamental para realizar um manejo mais eficiente e evitar perdas.

Veja a seguir o que são as cochonilhas, como você pode identificá-las, quais culturas são mais afetadas, como manejar e acabar com elas. Boa leitura!

O que é cochonilha?

As cochonilhas são hemípteros (um grupo de insetos) pertencentes ao filo Arthropoda, classe Insecta e a ordem Hemiptera. Elas possuem entre 3mm e 5mm de comprimento, e possuem corpo de cor castanha ou amarela. Se alimentam principalmente através da seiva de cactos e plantas no geral.

Além da seiva de cactos, essas pragas também se alimentam de folhas, caules, rosetas, flores, frutos, e raízes das plantas. As cochonilhas pertencem à mesma ordem dos pulgões e cigarrinhas. Além disso, elas possuem aparelho bucal do tipo picador-sugador

Esse inseto possui uma série de tipos ou famílias. Cada um desses tipos possui características diferentes e causam diferentes tipos de danos às produtitvidade agrícola.

Tipos de cochonilha

As principais espécies dessa praga são a cochonilha branca, cochonilha de carapaça e cochonilha de raiz. Elas são divididas em oito famílias:

  • Asterolecaniidae: causam o aprofundamento e distorção dos tecidos;
  • Coccidae: possuem corpo achatado e recoberto por escamas. São conhecidas como cochonilhas de carapaça;
  • Dactylopiidae: são as espécies utilizadas na fabricação de corantes;
  • Diaspididae: possuem formatos diferentes das cochonilhas de carapaça e farinhentas, são geralmente brancas e com variações de cores;
  • Ortheziidae: possuem dois pares de patas que são visíveis, além da prolongação do corpo, a qual é utilizada pela cochonilha fêmea para proteção dos ovos;
  • Pseudococcidae: são as cochonilhas farinhentas, possuem cerdas distribuídas ao longo do corpo e produzem uma substância cotonosa sobre o corpo e sobre os tecidos das plantas;
  • Margarodidae: incluem as cochonilhas de raiz.
Fotos de cochonilhas ao lado de uma régua, onde é possível  ver o tamanho do inseto. Ao lado, uma foto das cochinilhas em raízes de planta.
Fases da pérola-da-terra (Eurhizococcus spp.), principal cochonilha da videira. (A) cisto amarelo; (B) cisto branco; (C) fêmea móvel. À direita, cochonilhas associadas às raízes da videira
(Fonte: Zart, 2012)

Como identificar essa praga

As cochonilhas podem ser encontradas em todas as partes das plantas. Elas ficam especialmente na face inferior das folhas jovens, mais velhas e caules. A presença é constatada a partir do formato do seu corpo e dos danos.

A cochonilha de carapaça tem formato oval, arredondado, comprido/estreito e em formato de vírgula. Enquanto isso, as cochonilhas sem carapaça possuem formato arredondado, oval.

Sua coloração pode variar de esbranquiçada, amarronzada, esverdeada, ligeiramente transparente, amarelada. Também podem conter combinações de cores e formatos bastante atípicos. Ainda,  os machos possuem asas.

Elas são relatadas em maiores infestações principalmente em períodos secos ou de estiagem. Portanto, nesses períodos, fique mais de olho na lavoura.

Fotos de várias fêmeas de cochonilhas
Fêmeas adultas de diferentes espécies de cochonilhas e sua aparência distinta.
(Fonte: Wolff, 2016)

Também é importante ficar de olho no ciclo de vida das cochonilhas. A duração varia conforme a função da espécie, do hospedeiro e das condições ambientais. Em temperaturas amenas, inferiores a 15°C, a reprodução pode ser paralisada.

Cada fêmea é capaz de depositar entre 50 e 600 ovos durante toda a sua vida. Além disso, essas pragas possuem três fases de ninfa em que se assemelham a aparência na fase adulta, distinguindo em coloração e tamanho.

O ciclo de vida pode variar de 60 até 150 dias. Em geral, ele dura 100 dias

Danos causados pelo inseto

Os danos causados pelas cochonilhas ocorrem de forma direta e indireta. Os danos diretos acontecem através da sucção da seiva que seria utilizada no desenvolvimento de novos tecidos. Ela também é utilizada no enchimento de grãos e frutos

Os danos indiretos, por sua vez, acontecem através da injeção de toxinas que debilitam as plantas. Quanto maior for o ataque ou população de cochonilhas, maior é o enfraquecimento de toda a planta. Elas podem causar a queda precoce de folhas, flores e frutos

Além disso, durante a alimentação, estes insetos costumam excretar uma substância açucarada, conhecida como honeydew. Por isso, é possível em muitos casos visualizar formigas doceiras na cultura, já que elas se alimentam dessa substância.

Além das formigas, os fungos do gênero Capnodium spp. (ou fumagina) são favorecidos pelo honeydew liberado pela praga. A fumagina tem coloração escura e recobre as folhas, reduzindo a fotossíntese e a respiração da planta. 

Foto de folha com fumagina, causada pelas cochonilhas.
Aspecto visual do fungo causador da fumagina (Capnodium spp.), recobrindo folhas de cafeeiro e reduzindo a fotossíntese e a respiração da planta, afetando assim a produção da cultura
(Fonte: Costa, 2009)

No café, as cochonilhas causam danos mais severos. Dentre as principais cochonilhas consideradas pragas na cultura estão: a cochonilha branca farinhenta, a cochonilha que ataca as raízes e a cochonilha verde.

Foto de cochonilhas na terra, entre raízes de plantas.
Dysmicoccus spp. atacando raízes
(Fonte: Da silva, 2016)

Estas espécies são problemáticas, pois podem se manter nos campos, sobrevivendo e se reproduzindo em plantas daninhas do café. Alguns exemplos são caruru, capim-rabo-de-burro e tiririca.

Como acabar com a cochonilha?

Algumas medidas podem ser tomadas, como o monitoramento constante das áreas de produção, incluindo raízes. Isso deve ser feito quando as plantas apresentarem sintomas como desenvolvimento reduzido, murcha e amarelecimento.

Além disso, evitar o uso de inseticidas de amplo espectro também é uma boa estratégia para eliminar as cochonilhas. Isso acontece porque estes produtos atuam contra os inimigos naturais.

O uso do controle químico pode provocar a alteração no metabolismo da planta. Como  consequência, esse desequilíbrio faz com que a resistência da planta seja perdida.

Por fim, uma adubação equilibrada, luminosidade e disponibilidade de água são essenciais para desfavorecer as cochonilhas.

As cochonilhas podem ser disseminadas principalmente pelo vento, máquinas, solo, mudas contaminadas e por formigas. Por isso, verificar todos esses aspectos que entram em contato com a cultura é fundamental.

A depender do local de ataque, algumas táticas de manejo podem ser mais eficientes. No caso de infestações em raízes, por exemplo, o controle biológico associado ao manejo a longo prazo pode ser a alternativa mais eficaz.

Controle cultural

O monitoramento constante das áreas de produção, incluindo plantas daninhas hospedeiras, é essencial. As cochonilhas utilizam estas espécies para se reproduzir e, em seguida, migram para a cultura principal.

Ainda, a inspeção em caso de plantios de mudas deve ser rigorosa. Recuse lotes que apresentem infestação dessa praga.

Controle químico

O controle de cochonilhas de carapaça exige a utilização conjunta de produtos oleosos. Afinal, a constituição do corpo da praga é de camadas sobrepostas de cera.

Para controle da cochonilha-da-raiz, os inseticidas granulados são eficientes, principalmente em detecções de infestações em reboleiras e de forma precoce.

Lembre-se de seguir as recomendações do fabricante sobre como aplicar o produto, intervalo entre aplicações, condições ambientais e intervalo de segurança.

Os produtos utilizados devem ser recomendados por um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a), após a avaliação da cultura e histórico da área de cultivo e podem ser consultados no Agrofit.

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Controle alternativo

Para espécies da cochonilha branca, a calda sulfocálcica em concentração 25% é uma alternativa no controle em cultivos de café. 

A calda de fumo, por sua vez, possui eficiência de 60% para as espécies de Planococcus spp. É necessário intervalo de segurança para consumo seguro. 

Por fim, óleo de neem e óleo mineral, em concentração de 3%, ocasiona 100% de mortalidade para a espécie Planococcus citri.

Controle biológico 

Os nematoides entomopatogênicos são os principais utilizados para infestações causadas pela cochonilha-da-raiz-do-cafeeiro.

Por outro lado, os fungos entomopatogênicos, como o  Beauveria bassiana, são relatados como eficiente no controle das cochonilha-da-roseta em cultivos de café conilon.

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Conclusão

Inúmeras espécies de cochonilhas podem ocorrer em diversas culturas de interesse agrícola.

O monitoramento e identificação correta das espécies incidentes são indispensáveis para o planejamento das estratégias de controle mais adequadas.

O controle químico deve sempre ser planejado, evitando a eliminação de inimigos naturais às cochonilhas e a outros insetos com potencial para se tornarem pragas. Em casos de dúvidas, sempre busque orientação de profissionais.

E você, ficou com alguma dúvida sobre os tipos de cochonilhas e de como eliminá-las? Deixe um comentário abaixo!

Lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania): entenda como identificar e controlar esta praga na sua lavoura!

Lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania): entenda como ela se comporta nas diferentes culturas, como identificar e fazer o manejo efetivo. 

A lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania), também conhecida como lagarta-das-vagens, é um inseto-praga de espécie polífaga. Ela ataca culturas como soja (Glycine max), arroz (Oryza sativa), milho (Zea mays) e diversas outras. 

Essa lagarta era considerada praga secundária até pouco tempo. No entanto, nas últimas safras na região Centro-Oeste e Sul do Brasil, vem se tornando um problema. 

Isto porque além de consumir as folhas e caules das culturas, a lagarta-das-folhas causa redução da qualidade dos produtos colhidos.

Neste artigo, veja como identificar a lagarta-das-folhas na sua lavoura, em quais hospedeiros ela sobrevive na entressafra e quais os métodos de controle podem ser utilizados! Boa leitura!

Como identificar Spodoptera eridania

Algumas mariposas da lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) possuem pontos arredondados nas asas ou uma faixa preta larga. Já adultos de Spodoptera eridania medem entre 3,3 cm e 3,8 cm e possuem asas de cor cinza e marrom, com marcas pretas e marrons com formas irregulares.

Porém, tão importante quanto identificar a mariposa, é necessário identificar a lagarta-das-folhas em todos os estágios de desenvolvimento.

No caso dos ovos da lagarta-das-folhas, eles são redondos, com cor que varia entre amarelo e verde. Além disso, têm escamas do corpo da mariposa.

Cada fêmea é capaz de ovipositar até 800 ovos durante o seu ciclo de vida, que tem duração de até 40 dias, a depender da temperatura e do hospedeiro.

Ovos de lagarta-das-folhas

Ovos de Spodoptera eridania em laboratório. Na figura A é possível observar as escamas depositadas pela lagarta, para proteção dos ovos. 

(Fonte: Efrom, 2013)

Já o período larval da Spodoptera eridania dura entre 15 e 19 dias. Após o término do período larval, a pupa permanece no solo em profundidades de 5 cm a 10 cm.

A duração do período pupal (onde a lagarta se transforma em pupa, antes de adquirir forma de mariposa) dura entre 9 a 11 dias.

Na figura abaixo, é possível observar as diferenças entre as mariposas do gênero Spodoptera para correta identificação e manejo. Afinal, hospedeiros alternativos podem ser semelhantes ou distintos, a depender da espécie de lagarta.

Diferentes tipos de lagarta-das-folhas

Dois principais clados (grupos de espécies gerados a partir de um único ancestral comum) de Spodoptera

(Fonte: Kergoar e colaboradores,  2021)

Para identificar a lagarta-das-folhas, as plantas devem ser inspecionadas principalmente no baixeiro. Essas lagartas preferem a parte inferior das folhas para se protegerem do sol.

A atividade maior da lagarta-das-folhas pode ser observada principalmente no período da noite. Nesse horário, elas são mais mais ativas.

Como diferenciar as Spodopteras spp.

Diferenciar as Spodopteras pode ser difícil, mas algumas espécies possuem características próprias que as distinguem das demais. 

A Spodopera frugiperda possui um “Y” invertido na cabeça. Além disso, seu corpo é composto por 4 pontuações que formam um quadrado, localizadas na região posterior.

Foto da spodoptera frugiperda em todos os estágios: ovos, pupa, mariposas e lagartas.

Detalhes morfológicos que permitem a identificação da lagarta S. frugiperda a campo: (a) mariposas macho e fêmea, (b) ovos, (c) lagartas recém eclodidas, (d) (e) e (f) lagarta de último estádio, e (g) pupa.

(Fonte: Hickel, 2020)

A Spodoptera eridania possui diversos triângulos negros ao longo do comprimento de seu corpo, que podem ser facilmente observados. Além disso, seu corpo possui uma listra branca ou amarela no primeiro segmento abdominal. Essa listra não chega até a cabeça.

Foto de spodoptera eridania sobre folha de soja

Triângulos dispostos ao longo do corpo da lagarta S. eridania que permitem a sua identificação a campo.

(Fonte: Tomquelski e colaboradores, 2020)

Por fim, a lagarta Spodoptera cosmioides possui 3 listras alaranjadas ao longo do corpo, que chegam até a cabeça. Alguns pontos brancos acompanham as listras alaranjadas.

Foto de spodopera cosmioides, seguida de imagem da cabeça da lagarta em foco

Listras alaranjadas de S. cosmioides, com presença de pontuações brancas ao longo destas.

(Fonte: Phytus Group In: Agrobayer)

Danos causados pela lagarta-das-folhas

A Spodoptera eridania causa severa desfolha, além de deixar aparência de esqueletização das folhas. Ao longo do desenvolvimento, podem afetar órgãos reprodutivos das culturas, bem como frutos (como vagens da soja e cápsulas de algodão). 

A consequência disso é a redução da qualidade dos produtos colhidos. Quando estão  sob estresses, essas lagartas consomem partes de crescimento das plantas, como ramos. 

Podem causar perfurações em ramos, caules, e órgãos próximos à superfície do solo.

Lagarta-das-folhas sobre folha com danos intensos.

Danos causados pela lagarta-das-folhas (S. eridania) na cultura da soja, com aspecto de esqueletização das folhas atacadas.

(Fonte: Teodoro e colaboradores, 2013)

Desde a safra 2007, a lagarta-das-folhas tem surgido anualmente nas áreas de produção, em populações cada vez maiores, causando danos significativos.

Sua alta densidade (população de lagartas)  também é preocupante.

A alta densidade tem sido atribuída ao uso desregulado principalmente de inseticidas piretroides. Eles não são seletivos a predadores e parasitoides, e acabam eliminando inimigos naturais da lagarta-das-folhas.

Além disso, medidas de manejo inadequado também estão relacionadas. A falta de monitoramento da lagarta, rotação de princípios ativos de inseticidas e controle em populações muito altas também são perigosos.

Culturas afetadas pela Spodoptera eridania

As lagartas das folhas podem afetar uma infinidade de culturas, como soja, arroz, algodão, milho, feijão e café. Além disso, ela afeta plantas frutíferas, ornamentais e até mesmo plantas daninhas.

Outras espécies de interesse agrícola afetadas são girassol, colza, mandioca e azevém.

O conhecimento sobre quais espécies são hospedeiras da praga é fundamental para o monitoramento e controle da população. Se a sua cultura é hospedeira da lagarta, você pode fazer rotação de culturas com espécies não hospedeiras. 

Por exemplo, o milheto é uma cultura caracterizada por ser desfavorável à lagarta-das-folhas. Na presença dessa cultura, as lagartas não são capazes de se alimentar de forma adequada e se reproduzir.

Por outro lado, espécies como feijão-de-porco, nabo-forrageiro e crotalária são hospedeiras favoráveis e por isso devem ser evitadas. Outras daninhas hospedeiras incluem:

  • Lingua-de-vaca (Rumex obtusifolius);
  • Caruru (Amaranto retroflexo);
  • Crista de galo (Celosia cristata);
  • Buva (Conyza canadensis);
  • Corda-de-viola (Ipomea grandifolia, Ipomea purpurea e Ipomea tiliacea);
  • Mamona (Ricinus communis);
  • Capim-elefante (Pennisetum purpureum), dentre outras.

Como controlar a lagarta-das-folhas

Para controlar a lagarta-das-folhas na lavoura é indicado que você faça uma amostragem de pelo menos 10 plantas aleatórias. Se a quantidade de lagartas nessa amostragem foi de 30% na fase vegetativa e 15% na fase reprodutiva, é hora de começar o MIP (Manejo Integrado de Pragas).

O MIP consiste no uso de diferentes métodos de controle de forma conjunta. Por exemplo, controle cultural pela rotação de culturas, biológico, genético, químico, dentre outros.

Os controles biológico e químico têm sido utilizados de forma associada. Porém, para serem efetivos, é necessário que a compatibilidade entre os produtos biológicos e químicos seja consultada.

Para te ajudar, você pode usar nossa planilha de manejo integrado de pragas. Clique na imagem a seguir para baixar sem qualquer custo:

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Controle biológico

Para o controle biológico, podem ser utilizados fungos entomopatogênicos como Beauveria bassiana, Metharizium anisopliae e Nomuraea sp.

A adição de produtos com grandes populações desses agentes não só auxilia no controle, como o torna mais eficaz.

É importante ressaltar que a eficiência do controle biológico também está associada a outros fatores. Boas condições ambientais no momento e após a aplicação, como alta umidade relativa do ar, são essenciais.

Espécies de baculovírus também podem ser utilizadas, mas é necessário que o Baculovírus específico para Spodoptera eridania seja utilizado. Para cada espécie de lagarta, há uma espécie de baculovírus que exerce controle.

Controle químico

Para o controle químico, use produtos recomendados pelo Mapa. Estas informações devem ser consultadas no Agrofit e recomendadas por um Engenheiro Agrônomo. Isso tudo é feito de acordo com as condições específicas da sua lavoura.

As principais moléculas recomendadas fazem parte dos grupos:

  • espinosinas;
  • diamidas;
  • organofosforados (que potencializam o controle, mas devem ser utilizados com cuidado, para não reduzir a população de inimigos naturais);
  • reguladores de crescimento de insetos;
  • produtos de controle biológico, como bactérias do gênero Bacillus (Bacillus thuringiensis).

No Agrofit, existem 28 produtos disponíveis com recomendação para uso em todas as culturas.

Conclusão

A lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) tem grande número de hospedeiros alternativos. Por isso, o monitoramento e controle são indispensáveis.

Saiba identificar a lagarta em qualquer fase de desenvolvimento. Assim, você garante conseguir controlar no momento certo e evita danos na lavoura.

E, antes de aplicar algum produto para o controle, consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) é fundamental. Isso garante uma aplicação de qualidade e eficaz. 

>> Leia mais:

“Tudo o que você precisa saber para controlar a larva arame”

“Como proteger sua lavoura da lagarta-rosca”

Você já identificou a lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) na sua fazenda? Compartilhe sua experiência com a gente, vamos adorar receber o seu comentário!