O sucesso de qualquer safra começa muito antes da semeadura. O preparo do solo, muitas vezes subestimado, é a base para um cultivo saudável e produtivo.
Você já parou para pensar em como as técnicas depreparo do solo podem influenciar diretamente a qualidade e a quantidade da sua colheita?
Entender qual é a importância do solo e como otimizá-lo se torna é necessário para garantir o máximo potencial da sua lavoura. Neste conteúdo você vai entender tudo isso.
Quais os cuidados essenciais com o solo?
O solo exige atenção e cuidado para que possa nutrir as culturas da melhor forma. Para isso, a análise do solo surge como uma forma de orientar manejos mais eficientes.
Com isso, são identificadas as necessidades específicas da sua terra, permitindo uma correção precisa do pH através da calagem e um aprimoramento das camadas subsuperficiais com a gessagem.
Essa correção, ajustada para cada cultura, como para preparar o solo para o plantio de soja, impacta diretamente a disponibilidade de nutrientes essenciais. Além disso, a adubação deve ser planejada com precisão.
Nutrientes como fósforo, potássio e nitrogênio também são importes, e sua aplicação deve ser baseada nas particularidades do solo e da cultura.
No caso da soja, a fixação biológica de nitrogênio, feita por bactérias simbióticas, reduz a necessidade de adubação nitrogenada.
Por que o preparo do solo é tão importante?
O preparo do solo é importante porque é responsável pelo desenvolvimento saudável das culturas e, consequentemente, aumentara produtividade.
Um solo bem estruturado facilita a penetração das raízes, melhora a absorção de água, nutrientes e reduz a compactação, permitindo que as plantas cresçam com mais vigor.
As práticas ainda ajudam a controlar erosão, manter a microbiota do solo ativa e otimizar o uso de insumos, resultando em maior eficiência produtiva e sustentabilidade na lavoura.
Quais são as etapas do preparo do solo?
Um bom preparo do solo facilita a penetração das raízes, melhora a absorção de água e nutrientes, garantindo um desenvolvimento mais saudável e produtivo para as plantas.
Estudos indicam que práticas adequadas de preparo podem aumentar a produtividade de culturas, como o milho, em até 29%.
Investir no preparo do solo impacta diretamente o rendimento das culturas, além da eficiência das operações agrícolas. Mas para isso é necessário seguir algumas etapas, como:
Análise do solo: Identifica a fertilidade, o pH e a necessidade de correções, orientando as práticas de manejo;
Correção da acidez (calagem e gessagem): Aplicação de calcário regula o pH do solo, enquanto o gesso agrícola melhora a estrutura e corrige a camada subsuperficial;
Adubação e fertilização: Reposição de nutrientes essenciais, conforme a necessidade da cultura, com fertilizantes químicos ou orgânicos;
Descompactação do solo: Técnicas como escarificação ou subsolagem evitam camadas compactadas que dificultam o crescimento das raízes;
Preparo mecânico ou cultivo mínimo: Uso de aração e gradagem para revolver o solo (preparo convencional) ou técnicas conservacionistas, como o plantio direto;
Manejo da matéria orgânica: Uso de palhada e rotação de culturas para melhorar a fertilidade e a retenção de umidade;
Controle de ervas daninhas, pragas e doenças: Aplicação de herbicidas seletivos e práticas de manejo integrado para evitar perdas na lavoura.
Solo, manejo integrado e sustentabilidade
O manejo de plantas daninhas, pragas e doenças contribui para a proteção da lavoura e melhora o desenvolvimento das culturas.
No preparo do solo, mesmo no plantio direto, o controle inicial das invasoras evita a competição por água, luz e nutrientes, reduzindo perdas na produtividade.
Enquanto isso, a rotação de culturas diversifica o ambiente agrícola, ajudando a quebrar ciclos de pragas e melhorar a fertilidade do solo.
O uso de coberturas vegetais também pode ser um aliado, favorecendo a retenção de umidade e fazendo a proteção contra a erosão.
Por fim, o controle químico, quando necessário, deve ser feito com herbicidas seletivos e na dose correta, reduzindo impactos ambientais e evitando a resistência de plantas daninhas.
Ao integrar diferentes estratégias, o manejo se torna mais eficiente, diminuindo custos e preservando a saúde do solo para as próximas safras.
Como preparar a terra para o plantio?
Cada cultura tem suas particularidades quando se trata de etapas de preparação do solo para o plantio.
Para a soja, por exemplo, o sistema de plantio direto (SPD) se destaca múltiplos benefícios, como proteção contra erosão, retenção de umidade e enriquecimento da matéria orgânica.
Entretanto, em alguns casos, um preparo inicial do solo pode ser necessário para corrigir problemas de compactação ou fertilidade, garantindo assim um ambiente ideal para o desenvolvimento da cultura.
Já para o milho, o preparo do solo pode variar desde sistemas convencionais até o plantio direto, dependendo das condições da sua propriedade.
A rotação de culturas, uma prática sábia e sustentável, surge como um aliado importante em ambas as culturas.
Ao alternar soja e milho, não apenas diversificamos a produção, mas também melhoramos a saúde do solo, reduzindo a incidência de pragas e doenças e otimizando o aproveitamento de nutrientes.
A complexidade na coordenação de múltiplas atividades simultâneas, somada à imprevisibilidade do clima, pode desafiar o planejamento do preparo do solo.
As ferramentas de planejamento detalhado e acompanhamento em tempo real da Aegro permitem ajustes rápidos e eficientes, otimizando o uso de maquinário e insumos, permitindo uma melhor organização das atividades de campo.
O solo é a base da produção agrícola e sua qualidade está diretamente ligada ao sucesso das lavouras. Entre os fatores que influenciam a produtividade das culturas, a nutrição do solo ocupa um papel de destaque, fornecendo os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento das plantas.
Um solo equilibrado não só garante o fornecimento adequado de nutrientes, mas também contribui para a fertilidade do solo, promovendo uma maior eficiência no uso de insumos agrícolas e reduzindo impactos ambientais.
Um solo bem nutrido apresenta características químicas, físicas e biológicas adequadas para o desenvolvimento radicular e a absorção eficiente dos nutrientes.
Identificar e corrigir deficiências nutricionais exige um conhecimento aprofundado sobre o processo de nutrição do solo e práticas de manejo que garantam um equilíbrio sustentável.
O que é nutrição do solo?
A nutrição do solo se refere à disponibilidade e ao balanço de nutrientes necessários para o crescimento das plantas.
Um solo bem nutrido fornece os elementos essenciais para que as plantas completem seu ciclo de desenvolvimento, garantindo um bom desempenho agrícola.
O padrão de nutrição do solo é determinado pelo equilíbrio entre os nutrientes disponíveis e a necessidade das culturas.
Esse conjunto de técnicas contribui para a saúde do ecossistema agrícola e para o aumento da eficiência da produção.
Além disso, o solo pode armazenar até 25.000 kg de matéria orgânica por hectare em condições ideais. Essa matéria orgânica é importante para a fertilidade e nutrição do solo, por melhorar a retenção de umidade, disponibilizando nutrientes e estimulando a atividade microbiana.
Quais são os nutrientes para o solo?
Os nutrientes essenciais para o solo são divididos em macronutrientes e micronutrientes, ambos fundamentais para o desenvolvimento saudável das plantas, sendo eles:
Macronutrientes:
Primários: Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K);
Secundários: Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S).
Micronutrientes:
Boro (B): Usado para a germinação do pólen e desenvolvimento celular;
Cloro (Cl): Ajuda na regulação osmótica e equilíbrio hídrico;
Cobre (Cu): Auxilia na fotossíntese e na formação de enzimas;
Ferro (Fe): Essencial para a produção de clorofila;
Manganês (Mn): Participa da fotossíntese e da ativação enzimática;
Molibdênio (Mo): Necessário para a fixação biológica do nitrogênio;
Zinco (Zn): Importante para a produção de hormônios de crescimento.
Esses elementos tem funções vitais para a formação e desenvolvimento das plantas, principalmente para a fertilidade e nutrição do solo. A ausência ou excesso de qualquer um deles pode comprometer o desempenho das culturas e reduzir a produtividade.
Quais são os 3 tipos de fertilidade do solo?
A fertilidade não é algo estático, podendo ser classificada de diferentes maneiras, dependendo das condições e do manejo do solo.
Existem três tipos principais de fertilidade, cada uma influencia diretamente o desenvolvimento das culturas e deve ser entendido para aumentar a produtividade das lavouras. Veja mais detalhes a seguir:
Fertilidade química: Relacionada à presença de nutrientes no solo e à sua disponibilidade para as plantas. Solos bem equilibrados quimicamente favorecem a absorção eficiente dos nutrientes pelas raízes.
Fertilidade física: Diz respeito à estrutura do solo, como a porosidade, aeração e capacidade de retenção de água, que influenciam diretamente o crescimento radicular.
Fertilidade biológica: Atividade dos microrganismos benéficos presentes no solo, que auxiliam na decomposição da matéria orgânica, na fixação biológica de nitrogênio e na disponibilização de nutrientes essenciais para as plantas.
Como são classificados os nutrientes do solo?
Os nutrientes do solo são classificados em dois grupos principais, com base na quantidade em que as plantas precisam, e quanto à sua função no crescimento das plantas. Veja abaixo:
Essenciais: Fundamentais para o ciclo de vida da planta.
Benéficos: Melhoram o crescimento, mas não são essenciais.
A análise de nutrição de solo auxilia na identificação dos teores desses elementos e na aplicação adequada de fertilizantes.
A correta interpretação dos resultados permite ajustes específicos para cada cultura, otimizando o uso dos insumos agrícolas.
Cada nutriente tem um papel específico no desenvolvimento da planta, e a disponibilidade deles no solo é necessária para garantir uma boa produtividade agrícola.
Como saber se o solo está nutrido?
A melhor forma de avaliar a nutrição do solo é por meio da análise de solo. Esse procedimento indica os níveis de nutrientes e permite correções adequadas com fertilizantes e corretivos. A interpretação correta dos resultados auxilia no ajuste do padrão de nutrição do solo.
Além da análise laboratorial, observações em campo, como a coloração das folhas, o desenvolvimento radicular e o crescimento uniforme da cultura, são indicativos do estado nutricional do solo.
1. Análise de Solo
A maneira mais precisa de saber se seu solo está nutrido é por meio de uma análise de solo, que envolve a coleta de amostras de diferentes partes da lavoura e o envio para um laboratório especializado. A análise indica informações sobre:
Níveis de nutrientes (macronutrientes e micronutrientes);
pH do solo (acidez ou alcalinidade);
Capacidade de troca catiônica (CTC), que indica a capacidade do solo de reter nutrientes;
Teor de matéria orgânica.
Com base nos resultados, você pode determinar se o solo está carente de algum nutriente e qual tipo de correção (como a aplicação de fertilizantes ou calagem) é necessária.
2. Observação das Plantas
A saúde das plantas é um reflexo direto daqualidade do soloe caso apresentem sintomas ou aparência incomum, pode ter certeza que alguma coisa está faltando. Fique atento se você notar:
Amarelecimento das folhas (indica possível deficiência de nitrogênio, ferro ou enxofre)
Folhas murchas ou retorcidas (pode ser falta de potássio ou cálcio)
Crescimento fraco ou plantas anãs (pode indicar deficiência de fósforo ou outros nutrientes)
Esses sinais podem indicar que o solo não está nutrido corretamente, ou que a nutrição não está sendo absorvida eficientemente.
3. Testes de pH
O pH do solo influencia a disponibilidade de nutrientes para as plantas e, se estiver muito baixo (ácido) ou muito alto (alcalino), indica que alguns nutrientes estão menos acessíveis.
O nível de pH ideal varia de acordo com a planta cultivada, mas a faixa entre 6 e 6,5 é considerada ideal para a maioria das culturas.
4. Quantidade e Qualidade da Matéria Orgânica
A presença de matéria orgânicano solo é um bom indicador de nutrição, por conta da decomposição que libera ótimos nutrientes para as plantas e melhora a estrutura do solo, facilitando a retenção de água e aeração.
Se seu solo parecer empobrecido ou sem matéria orgânica visível, ele pode precisar de uma adição de composto ou esterco.
Os solos com alta CTC geralmente têm uma maior capacidade de armazenar nutrientes e são considerados mais férteis.
6. Uso de Fertilizantes
Se você tem aplicado fertilizantes de forma equilibrada, mas ainda percebe que as plantas não estão respondendo como esperado, ou precisa usar grandes quantidades de produto, pode ser um sinal de desequilíbrio de nutrientes no solo.
Esse problema pode estar relacionado a fatores como pH inadequado, antagonismo entre nutrientes ou deficiência de matéria orgânica. Para identificar a causa com precisão e corrigir de forma eficiente, é preciso fazer a análise do solo.
7. Microrganismos do Solo
A presença de microrganismos saudáveis no solo também é um bom sinal de nutrição adequada, por ajudarem na decomposição de matéria orgânica e na liberação de nutrientes.
A atividade microbiológica pode ser verificada de forma indireta, por exemplo, pela presença de minhocas, que são indicadores de um solo bem nutrido e equilibrado.
Com essas práticas, você consegue avaliar a nutrição do seu solo com eficiência e tomar as medidas corretivas necessárias para garantir um bom desenvolvimento das suas culturas.
Processo de nutrição do solo
O processo de nutrição do solo envolve uma série de práticas que garantem a disponibilidade adequada de nutrientes para as plantas, promovendo um ambiente mais saudável e sustentável. Com isso, são feitos alguns passos, como:
Análise do solo: Determina as condições químicas, físicas e biológicas;
Correção do solo: Uso de calcário, gesso e outros corretivos para ajustar a fertilidade;
Adubação: Aplicar fertilizantes conforme a necessidade da cultura;
Rotação de culturas: Melhora a estrutura e a fertilidade do solo;
Manejo da matéria orgânica: Uso de adubos verdes e cobertura morta para fortalecer o processo de nutrição do solo;
Monitoramento contínuo: Acompanhamento regular dos níveis de nutrientes para ajustes precisos e sustentáveis.
A fertilidade e a nutrição do solo estão diretamente conectadas. Um solo bem nutrido oferece melhores condições para o desenvolvimento das plantas, resultando em maior produtividade e eficiência no uso dos recursos.
Além disso, a fertilidade do solo vai além da simples presença de nutrientes, dependendo da capacidade do solo de reter e disponibilizar esses elementos para as plantas de maneira equilibrada.
Usar estratégias que melhoram a estrutura do solo, aumentam sua capacidade de retenção de água e nutrientes e favorecem a atividade biológica, garantindo um ambiente produtivo e sustentável.
A brachiaria já foi sinônimo de alimentação para o gado. Mas o papel dessa gramínea vai muito além de oferecer só forragem aos rebanhos.
Além de melhorar a sanidade do solo e traz ganho de produtividade para outras culturas, principalmente grãos.
Mas quando é a melhor época para semear a forrageira? Quais espécies são as mais indicadas para proteção do solo, palhada ou alimento para o gado? Confira esses e outros pontos no artigo a seguir!
O que é uma Brachiaria?
A Brachiaria é um tipo de gramínea tropical usada em pastagens e na agricultura, como uma forma de melhorar a qualidade do solo.
As espécies desse gênero, como Brachiaria brizantha, Brachiaria decumbens e Brachiaria ruziziensis, são conhecidas por sua resistência,alta produtividade e capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas e tipos de solo.
Essas gramíneas ainda ajudam na fixação de carbono e no aumento da matéria orgânica no solo, o que contribui para a melhoria da sua fertilidade.
Alguns tipos de Brachiaria também utilizados na recuperação de áreas degradadas e em sistemas de integração lavoura-pecuária, gerando benefícios no controle da erosão, aumento da cobertura do solo e aumento da produtividade das pastagens.
Qual a importância da Brachiaria para o agronegócio?
Introduzidas nas décadas de 1950 e 60, as espécies do gênero Brachiaria são as principais plantas forrageiras utilizadas no Brasil atualmente.
Com alta persistência em solos ácidos, a introdução do braquiarão (Brachiaria brizantha cv. Marandu) em 1965 foi a responsável por intensificar a bovinocultura de corte no país.
As espécies do gênero Brachiaria são nativas do continente africano e, salvo algumas diferenças que veremos a seguir, são todas originárias das savanas. Isso mostra seu enorme potencial e adaptabilidade ao nosso clima tropical e ao nosso cerradão.
A intensificação da pecuária de corte no Brasil foi impulsionada pela Brachiaria, que aumentou a produtividade e a capacidade de suporte das pastagens, elevando a taxa de lotação de 0,3 UA/ha para 1,5 UA/ha.
Esse aumento de produtividade ajudou o Brasil a se tornar o maior produtor de carne bovina do mundo, com a Brachiaria ocupando 80% das pastagens do país.
Quais são os tipos de Brachiaria?
Entre as principais espécies de Brachiaria se destacam a B. brizantha, a B. decumbens,B. ruziziensise a B. humidicola.
Apesar das mais de 80 espécies do gênero, esses 4 tipos têm a maior importância econômica no Brasil e representam 80% das pastagens cultivadas no país.
A B. brizantha é de longe a mais utilizada, correspondendo por 50% das pastagens brasileiras atualmente, com três cultivares bem consolidados:
Cv. Marandu, famoso Braquiarão;
Cv. Piatã, lançado pela Embrapa em 2007;
Cv. Xaraés, lançado pela mesma empresa no ano de 2003.
Já com as espécies de Brachiaria decumbens temos a famosabraquiarinha cultivar Basilisk. Importada da Austrália na década de 60, dominou as pastagens brasileiras até a chegada do cv. Marandu. Alcançam até 70 cm de altura.
A espécie B. humidicola se divide em três cultivares: o cv. Lianero, o cv. Comum e o cv. Tupi.Enquanto a B. ruziziensis apresenta um cultivar de maior importância, o cv. Kennedy e um híbrido entre B. decumbens e B. ruziziensis muito utilizado atualmente, o cv. Mulato 2.
Como identificar uma Brachiaria?
A Brachiaria é usada, principalmente, nas áreas de pastagem e integração lavoura-pecuária, por conta da sua adaptação.
Identificar essas plantas requer atenção a algumas das suas características, como o hábito de crescimento, o tipo de folha e a inflorescência. Confira:
Hábito de Crescimento: A Brachiaria geralmente cresce em touceiras, podendo ser ereta ou semi-ereta, dependendo da cultivar. Algumas espécies, como a Brachiaria decumbens, têm crescimento prostrado.
Folhas: As folhas da Brachiaria são estreitas, finas e podem ter bordas serrilhadas ou lisas, dependendo da variedade. A Brachiaria brizantha, por exemplo, possui folhas mais largas e com uma coloração verde-vibrante.
Crescimento Vegetativo: Apresenta estolões (ramificações que crescem horizontalmente ao longo do solo) em algumas espécies, como a Brachiaria decumbens, o que ajuda na cobertura do solo.
Tamanho: A altura pode variar dependendo da espécie, mas a maioria das Brachiarias tem uma altura entre 50 cm e 1,5 metros.
Inflorescência: As flores das Brachiarias são pequenas e formam uma inflorescência do tipo panícula, geralmente com várias ramificações. A cor da flor pode variar, mas em geral são de coloração esbranquiçada a amarelada.
Sementes: As sementes de Brachiaria são pequenas, geralmente de cor marrom ou preta, e com características específicas de cada cultivar.
Estabelecimento da forrageira após a sobressemeadura, ainda em consórcio com a soja
(Fonte: Embrapa)
Importância da Brachiaria para o plantio direto
Diante do nosso clima tropical, a brachiaria tem um papel fundamental para a adoção do sistema de plantio direto.
Apesar de não ser a única alternativa para a produção de palha, ela se destaca pelas características rústicas e pela alta produção de biomassa, com relação C/N mais adequada para a persistência no solo.
A gramínea pode entrar de duas formas no sistema de produção:
Semeada em monocultivo após a primeira safra;
Consorciada na segunda safra.
Em ambos os casos, a semeadura da brachiaria deve ser realizada durante o período da segunda safra. Isso porque, pelas características do gênero, ela não apresenta crescimento expressivo em baixas temperaturas.
Entre as duas maneiras de incluir a brachiaria no SPD, o consórcio é o mais técnico, mas divide opiniões. Diante disso, trataremos dessa técnica um pouco mais a fundo.
Consórcio com brachiaria
O consórcio deforrageiras, como a brachiaria, com culturas graníferas, teve início com o Sistema Barreirão da Embrapa.
O sistema consistia no cultivo de arrozde sequeiro consorciado com a forrageira, buscando amenizar custos de renovação da pastagem.
Nessa técnica, o solo passava por um preparo pesado, sem o uso do plantio direto. A ideia era corrigir o perfil do solo em profundidade, reformando a pastagem degradada, sem a intenção de rotacionar a área com agricultura.
Anos depois, a Embrapa lançou o Sistema Santa Fé, que incluiu os princípios doplantio direto ao consórcio e preconizou a rotação entre pastagem e agricultura na área.
A partir disso, o uso de culturas comomilho e sorgono consórcio com brachiaria cresceu exponencialmente, pois muitos experimentos mostraram a manutenção da produtividade dessas culturas na presença da brachiaria.
Assim, os pecuaristas buscam reduzir os custos de renovação da pastagem. Já os agricultores visam a diversificação da propriedade e até a renda de uma terceira safra!
Essa técnica, é possível ter uma safra de verão com soja, por exemplo, umasafrinha de milho ou sorgo consorciado à brachiaria e, após a colheita da safrinha, o gado entra na jogada até o plantio da próxima safra.
Nesse caso, a utilização de capins mais rústicos e produtivos, como o capim Marandu ou Piatã, são as melhores opções.
No entanto a “safrinha de boi”, como ficou conhecida pelos divulgadores da técnica, não é obrigatória, você pode rotacionar as áreas da fazenda entre agricultura e pasto.
Além disso, a forrageira pode entrar de outra maneira no sistema de produção, com a técnica da sobressemeadura da brachiaria na soja, realizada entre a fase de enchimento de grãos e o início da maturação (R5 a R7).
Características das brachiarias e manejo dos sistemas
Cada cultivar das brachiarias tem suas características específicas, que determinam seu uso e manejo adequado.
A escolha depende de fatores como resistência a pragas, capacidade de adaptação ao clima e solo, além da produtividade e tolerância ao pastejo. Confira a seguir:
1. Brachiaria brizantha
A Brachiaria brizantha é uma planta forrageiraperene de crescimento ereto ou semi ereto, originária da África.
Adaptada a altitudes de 80 a 2.000 m e precipitação de 500 a 2.500 mm anuais, tolera solos com pH entre 4 e 8, demonstrando alta capacidade de adaptação.
Introduzida no Brasil em 1967, a cultivar Marandu (braquiarão) se destacou pela produtividade, resistência à cigarrinha-das-pastagens e boa digestibilidade.
Novas cultivares surgiram posteriormente, como Xaraés (2003) e Piatã (2007), ampliando as opções para pastagem.
Cultivares Principais
Marandu
Xaraés
Piatã
Altura de 1 a 1,5 m
Crescimento ereto, altura de 1,5 m
Porte médio (0,8 a 1 m)
Boa adaptação ao clima tropical
Alta produtividade e prolongamento do pastejo na seca
Produção entre 17 e 20 t de matéria seca/ha
Alta produção (até 20 t de matéria seca/ha)
20% mais capacidade de suporte que Marandu
Boa resistência às cigarrinhas
Resistente à cigarrinha e livre de fotossensibilidade
Suscetível à mela das sementes e cigarrinhas
Tolerância moderada a solos mal drenados
Manejo com 20 cm (pastejo contínuo) ou 25 cm/15-18 cm (pastejo rotacionado)
Manejo com 25 cm (pastejo contínuo) ou 30 cm/15-20 cm (pastejo rotacionado)
Manejo com 35 cm (pastejo rotacionado)
As cultivares de Brachiaria brizantha são adequadas para integração lavoura-pecuária, com recomendação de menor densidade de plantas (6 a 12 plantas/m²) quando consorciadas com milho, a fim de evitar perda de produtividade.
Para dessecação, as plantas podem apresentar resistência moderada ao glifosato, sendo indicada a aplicação de 3 a 4 L/ha.
2. Brachiaria decumbens
A Brachiaria decumbens cv. Basilisk é uma das gramíneas tropicais mais cultivadas, desde a expansão para o Brasil entre 1968 e 1974.
Sua adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade favorece o estabelecimento e competição com a vegetação nativa.
Com crescimento prostrado (50-100 cm), alta emissão de estolões e folhas curtas e eretas, é resistente a curtos períodos de seca (mínimo de 800 mm de água/ano), mas não tolera solos encharcados.
Produz entre 8 e 10 toneladas de matéria seca/ha/ano, sendo 80% no período chuvoso e suas sementes têm dormência de até 12 meses, dificultando a erradicação.
Brachiaria e Cobertura do Solo
A Brachiaria decumbens é eficiente na cobertura do solo, seja consorciada com milho/sorgo ou semeada sobre a soja.
No entanto, sua difícil erradicação e dormência prolongada tornam seu controle desafiador, enquanto outras espécies, como a ruziziensis, podem ser mais indicadas para essa função.
Embora tenha valor nutricional semelhante a outras braquiárias, a decumbens apresenta menor produtividade e resposta à adubação quando comparada à B. brizantha.
Além disso, é suscetível às cigarrinhas-das-pastagens, o que pode comprometer sua viabilidade em sistemas de longo prazo.
Para integração lavoura-pecuária, espécies mais produtivas e eficientes no aproveitamento de adubação residual podem ser alternativas mais vantajosas.
3. Brachiaria humidicola
Para terrenos mal drenados, a principal indicação são as cultivares da B. humidicola. Elas apresentam crescimento estolonífero e boa adaptação a solos com baixa fertilidade.
Mas apenas a cultivar comum apresenta tolerância às cigarrinhas das pastagens. Em geral, todas as cultivares têm um estabelecimento lento devido ao menor enraizamento dos estolões.
4. Brachiaria ruziziensis
A B. ruziziensis é a espécie mais utilizada no sistema de plantio direto na palha. Ela tem rápido estabelecimento e fácil dessecação e controle.
Porém, possui baixa adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade, alta suscetibilidade às cigarrinhas das pastagens e baixa competição com as invasoras. Tudo isso limita sua escolha na hora de implantar o sistema.
Semeadura da brachiaria
A semeadura da forrageira em consórcio com milho ou sorgo pode ser tardia, na adubação de cobertura (V3-V5). Isso diminui a competição com a cultura principal e, consequentemente, a produção de forragem.
A semeadura da forrageira pode ser feita também junto com o plantio do milho, a lanço, na entrelinha da cultura ou na linha, semeada em maior profundidade.
Esse tipo de estabelecimento aumenta a produção de forragem e pode ser uma escolha mais interessante quando a forrageira for utilizada para recria e engorda do gado de corte.
Para diminuir a competição na semeadura conjunta das duas espécies, você pode lançar mão da utilização de graminicidas em subdosagem aliados à atrazina.
Oherbicida atrazine deve ser usado na dose de 1500 g i.a./ha (3 L p.c./ha) para o controle de plantas daninhas dicotiledôneas.
Já o nicosulfuron é recomendado na dose de 4 a 8 g i.a./ha (0,1 a 0,2 L p.c./ha), visando o controle das invasoras de folha larga e a diminuição do crescimento da forrageira, sem matá-la.
(Fonte: Adaptado de Tsumanuma, 2004 e Pantano, 2003)
As chuvas intensas têm sido uma realidade em diversas regiões do Brasil, causando preocupação entre os produtores rurais.
O excesso de água pode desencadear diversos problemas, sendo a erosão hídrica um dos mais graves. Além de comprometer a estrutura do solo, a erosão favorece o aparecimento de doenças, reduzindo a produtividade das lavouras e gerando prejuízos financeiros.
Neste artigo, vamos explicar o que é a erosão hídrica, suas causas, os tipos existentes, como afeta a agricultura e, principalmente, o que pode ser feito para prevenir e cuidar de solos encharcados.
O que é erosão hídrica?
A erosão hídrica é o processo de desgaste, transporte e deposição de partículas do solo provocado pela ação da água da chuva ou de cursos d’água.
Quando o solo não tem uma cobertura adequada ou está compactado ele se torna mais suscetível ao impacto das gotas de chuva que desagregam suas partículas e as transportam para outros locais.
Esse fenômeno afeta não apenas a qualidade do solomas também a produtividade das culturas e a sustentabilidade das propriedades rurais.
Como ocorre a erosão hídrica?
A erosão hídrica acontece quando a capacidade do solo de absorver a água da chuva é superada pela intensidade da precipitação, resultando no deslocamento de partículas de solo. Diversos fatores podem favorecer esse processo, como:
Chuva intensa: Aumenta o volume e a velocidade do escoamento superficial;
Solo desprotegido: Devido à falta de cobertura vegetal ou palhada, expondo o solo ao impacto direto das gotas de chuva;
Declive acentuado: Regiões inclinadas são mais propensas ao escoamento;
Compactação do solo: Reduz a capacidade de infiltração, aumentando o escoamento e o transporte de partículas.
Esses fatores combinados resultam em perdas de nutrientes, comprometendo asaúde do solo e a produtividade.
A adoção de práticas como o uso de coberturas vegetais, a rotação de culturas e o controle do uso de máquinas, pode ajudar a prevenir e mitigar a erosão hídrica.
Tipos de erosão do solo
Existem diferentes tipos de erosão que afetam as propriedades rurais, cada uma com características e impactos específicos.
O processo acontece quando agentes como água e vento removem as camadas superficiais do solo, levando os nutrientes para o desenvolvimento das plantas. Dependendo das condições, diferentes formas de erosão podem se manifestar. Confira:
1. Erosão laminar
É o estágio inicial do processo erosivo, no qual uma fina camada superficial do solo é removida de forma uniforme pela água.
Costuma ser difícil de detectar, pois o solo parece intacto a olho nu, mas perde nutrientes e matéria orgânica essenciais, comprometendo sua fertilidade.
2. Erosão em sulcos
Ocorre quando a água escoa em linhas específicas, formando pequenos canais ou ranhuras no solo. Esses sulcos indicam um agravamento do processo erosivo e podem se expandir com o tempo, dificultando o manejo do solo da área afetada.
Se não forem controlados, podem evoluir para ravinas, comprometendo afertilidade do solo e aumentando as perdas de nutrientes e matéria orgânica.
3. Erosão em ravinas
As ravinas comprometem significativamente o uso da terra para a agricultura, pois dificultam o tráfego de máquinas e reduzem a área cultivável.
Além disso, expõe camadas mais profundas do solo, empobrecendo e acelerando a degradação do solo na área afetada.
A recuperação das áreas afetas exige intervenções como barragens de contenção, reflorestamento e práticas conservacionistas, como o terraceamento e o manejo adequado do escoamento da água.
4. Erosão em voçorocas
É o estágio mais severo do processo, resultando na formação de crateras profundas que podem se estender por grandes áreas.
As voçorocas geralmente são causadas por uma combinação de manejo inadequado do solo, chuvas intensas e falta de vegetação protetora.
É comum que comprometam o ecossistema local, prejudiquem infraestruturas rurais e exijam intervenções custosas para sua recuperação.
5. Solapamento do solo
Geralmente ocorre em margens de rios, lagoas ou cursos d’água, onde a água em movimento remove o solo lateralmente, provocando desmoronamentos.
Este tipo de erosão é comum em áreas de propriedades que possuem corpos d’água próximos e pode causar danos tanto à lavoura quanto às infraestruturas, como estradas e cercas.
Como a erosão afeta a agricultura?
Os impactos da erosão hídrica na agricultura são profundos e afetam diversos aspectos do solo, da produtividade e da sustentabilidade das lavouras, como:
Perda de fertilidade: A remoção da camada superficial rica em nutrientes compromete a produtividade das culturas.
Compactação do solo: Reduz a infiltração de água, dificultando o armazenamento de umidade.
Assoreamento: O sedimento transportado pela água acumula-se em rios, lagos e represas, reduzindo sua capacidade de armazenamento.
Proliferação de doenças: Solos encharcados favorecem fungos e bactérias que atacam as plantas.
Prejuízos financeiros: A queda na produtividade e os altos custos de recuperação impactam diretamente a rentabilidade do produtor.
Os prejuízos não se limitam ao meio ambiente, mas também geram desafios econômicos, gerando queda na produtividade, aumento dos custos com insumos e necessidade de investimentos em práticas de recuperação do solo.
Como evitar erosão hídrica na lavoura?
A prevenção da erosão hídrica envolve práticas que protegem o solo e garantem a sustentabilidade da produção.
Manter a cobertura do solo com vegetação, culturas de cobertura ou palhada é essencial para reduzir o impacto da chuva e minimizar a remoção de partículas.
Já o plantio direto preserva a estrutura do solo reduzindo seu revolvimento, enquanto o uso de curvas de nível e terraços direciona o escoamento da água, evitando enxurradas descontroladas.
A roçadura com vegetação rasteira protege a superfície do solo, e a rotação de culturas melhora a biodiversidade e a saúde do solo, tornando o processo mais resistente à erosão.
Além disso, o manejo adequado das águas pluviais, com sistemas de drenagem eficientes, ajuda a controlar o volume de água acumulado e reduz o risco de encharcamento.
Como cuidar da lavoura com solo encharcado?
Quando o solo está encharcado devido às chuvas excessivas, algumas medidas podem mitigar os danos e recuperar sua produtividade.
A drenagempode ser melhorada com a instalação de canais ou drenos para remover o excesso de água. A aeração do solo, feita com equipamentos que rompem camadas compactadas, facilita a entrada de ar e a infiltração da água.
Para compensar perdas nutricionais causadas pelo escoamento, a reposição de nutrientes com fertilizantes adequados é fundamental.
Além disso, o controle de pragas e doenças exige inspeções regulares e medidas preventivas para evitar a proliferação de fungos e bactérias.
Por fim, é importante evitar o pisoteio em áreas encharcadas, pois isso pode agravar a compactação do solo, dificultando ainda mais sua recuperação.
A saúde do solo é definida pela capacidade de funcionar como um sistema vivo. Os solos saudáveis abrigam uma rica comunidade de organismos que auxiliam na supressão de pragas, reciclagem de nutrientes e controle de doenças.
Além disso, mantêm a capacidade de retenção de água e nutrientes, fatores fundamentais para garantir a sustentabilidade da produção de alimentos.
Até o momento, é estimado que 95% da produção mundial de alimentos depende direta ou indiretamente da terra, reforçando a necessidade de práticas sustentáveis para garantir a segurança alimentar global.
Nesse contexto, a FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, destaca a importância da conservação do solo, apresentando os principais benefícios proporcionados por solos saudáveis.
O que é considerado um solo saudável?
Um solo saudável é bem estruturado, rico em biodiversidade microbiana, com níveis adequados de nutrientes e matéria orgânica, oferecendo condições ideais para o desenvolvimento das plantas e maior rendimento das culturas.
Além disso, alimentos cultivados em solos saudáveis tendem a apresentar maior valor nutricional, com concentrações mais elevadas de vitaminas, minerais e compostos bioativos.
A manutenção da saúde do solo garante uma produção agrícola sustentável, viável economicamente e capaz de atender às demandas por alimentos mais nutritivos.
A melhor estrutura física desses solos facilita a infiltração de água, a aeração e o crescimento das raízes.
Enquanto isso, a alta biodiversidade microbiana melhora a ciclagem de nutrientes e reduz a incidência de patógenos, enquanto a presença adequada de matéria orgânica aumenta a capacidade de retenção de água e a fertilidade.
Já o equilíbrio de nutrientes garante a disponibilidade dos elementos essenciais para o crescimento saudável das plantas, contribuindo para uma agricultura mais eficiente e sustentável.
Por que a saúde do solo é tão importante?
Um solo saudável é importante porque fornece os nutrientes, a estrutura e a água necessários para o crescimento das plantas, gerando uma produtividade maior e qualidade dos alimentos.
Além disso, funcionam como filtros naturais, protegendo a qualidade da água e contribuindo para o sequestro de carbono, mitigando as mudanças climáticas e promovendo a sustentabilidade ambiental.
Manter a saúde do solo não impacta apenas a lavoura, mas também o consumo de alimento mundial, interferindo economicamente. Entenda mais detalhes:
1. Produção de Alimentos
Suporte para Plantas: Fornecimento de nutrientes essenciais que as plantas precisam para crescer, como nitrogênio, fósforo e potássio. Também ajuda na retenção de água e permite que as raízes se fixem e absorvam esses nutrientes.
Melhora a Produtividade: Solos ricos em matéria orgânica e bem estruturados aumentam a produtividade agrícola, permitindo que as culturas cresçam mais saudáveis e vigorosas.
2. Qualidade da Água
Filtragem Natural: Solos saudáveis atuam como filtros naturais, limpando a água que passa através deles. Eles absorvem contaminantes e evitam que poluentes entrem nos corpos d’água, contribuindo para a preservação de rios, lagos e lençóis freáticos.
Retenção de Água: Solos ricos em matéria orgânica conseguem reter mais água, o que é importante para reduzir a erosão e para garantir o abastecimento hídrico das plantas durante períodos de seca.
3. Ciclo de Nutrientes
Reciclagem de Nutrientes: Um solo saudável promove a decomposição de matéria orgânica, reciclando nutrientes para que estejam disponíveis para novas plantas. Isso reduz a necessidade de fertilizantes químicos e promove uma agricultura mais sustentável.
Fixação de Nitrogênio: Certos microrganismos no solo ajudam a converter o nitrogênio atmosférico em formas utilizáveis pelas plantas, um processo essencial para o crescimento saudável das culturas.
4. Sustentabilidade e Conservação Ambiental
Prevenção da Erosão: Solos bem estruturados são menos propensos à erosão, que é a perda de camadas superficiais do solo devido ao vento ou à água. A erosão reduz a fertilidade do solo e pode causar danos ambientais significativos.
Sequestro de Carbono: Solos ricos em matéria orgânica ajudam a capturar e armazenar carbono, reduzindo a quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Isso contribui para a mitigação das mudanças climáticas.
5. Biodiversidade
Habitat para Organismos: Um solo saudável é um ecossistema vivo, abrigando uma enorme variedade de microrganismos, insetos e outros organismos que desempenham papéis importantes na decomposição de matéria orgânica, controle de pragas e reciclagem de nutrientes.
Promove a Resiliência das Plantas: A biodiversidade do solo contribui para plantas mais resistentes, ajudando a prevenir doenças e ataques de pragas, e promovendo uma agricultura mais sustentável.
BioAS: O que é e qual a ligação com saúde do solo?
Para promover um manejo mais sustentável na agricultura, a Embrapa desenvolveu a tecnologia BioAS.
A proposta é integrar a bioanálise das avaliações do solo, proporcionando uma visão mais completa da sua saúde e contribuindo para aumentar a produtividade agrícola.
A criação da BioAS foi impulsionada após a FAO informar que aproximadamente 33% dos solos do mundo estão degradados.
Grande parte dessa degradação poderia ser evitada ou revertida com práticas agrícolas que valorizassem a biologia do solo.
As análises tradicionais costumam focar apenas em aspectos químicos e físicos, deixando de lado a biodiversidade presente no solo e seu papel vital na manutenção da qualidade.
Como avaliar a saúde do solo?
A avaliação da saúde do solo pode ser feita por coleta de amostras, principalmente pela BioAS, pela confiabilidade dos resultados.
1. Escolha do local de análise
Primeiramente, é preciso escolher locais representativos da lavoura, evitando áreas anômalas, como declives acentuados, depressões ou locais próximos a carreadores, que podem distorcer os resultados.
2. Condições de coleta
A coleta deve ser feita após a colheita, em condições de solo estáveis, evitando períodos de alta umidade ou seca extrema. A profundidade recomendada é de 0 a 10 cm, onde ocorre maior atividade microbiana e concentração de matéria orgânica.
3. Quantidade da coleta
A quantidade ideal de solo coletada deve ser suficiente para todas as análises previstas, geralmente entre 500 g e 1 kg.
Para garantir que a amostra seja representativa, é necessário homogeneizar bem o solo retirado de diferentes pontos da área.
4. Conservação e envio da amostra
Após a coleta, as amostras devem ser mantidas em local fresco e ao abrigo do sol,e se o envio ao laboratório demorar mais de 24 horas, é recomendado armazenar em recipiente refrigerado. O envio deve ser realizado o mais rápido possível para garantir a precisão dos resultados.
A Embrapa disponibiliza uma lista atualizada dos laboratórios capacitados para realizar a bioanálise de solo com a tecnologia BioAS, garantindo que estes sigam protocolos rigorosos para assegurar a confiabilidade das análises.
Para ajudar ainda mais nos cuidados com a saúde do solo, separamos algumas dicas de manejo integrado a seguir. Clique no play para assistir o vídeo.
Como melhorar a qualidade da saúde do solo?
Se durante a análise, foi constatado que há problemas, existem formas de melhorar a qualidade do solo. Esse cuidado envolve práticas que aumentam a fertilidade, estrutura e biodiversidade. Confira abaixo o que fazer:
1. Adição de Matéria Orgânica
Compostagem: Como esterco, restos de culturas e composto doméstico, melhora a estrutura do solo, aumenta a retenção de água e fornece nutrientes essenciais.
Cobertura Vegetal: Leguminosas ajudam a adicionar matéria orgânica ao solo e proteger sua superfície.
2. Rotação de Culturas
Diversificação das Plantas: Ajuda a evitar o esgotamento de nutrientes específicos e melhora a estrutura e a saúde do solo.
3. Plantio Direto
Redução da Erosão: Evita o revolvimento constante do solo, preservando sua estrutura e reduzindo a erosão. Também ajuda a reter mais umidade e matéria orgânica.
4. Controle de Erosão
Curvas de Nível e Terraços: Instalar barreiras físicas e técnicas para evitar que o solo seja carregado pela água da chuva, prevenindo a perda de nutrientes.
Cobertura do Solo: Palha ou culturas de coberturaprotegem o solo contra o impacto direto das chuvas e vento.
5. Uso de Fertilizantes Naturais
Adubos Verdes: Culturas específicas, como feijão e ervilhaca, podem ser plantadas e incorporadas ao solo para adicionar nitrogênio e outros nutrientes naturalmente.
Evitando o Uso Excessivo de Fertilizantes Químicos: O excesso de fertilizantes prejudica a estrutura do solo e contamina lençóis freáticos.
6. Biodiversidade no Solo
Apoio à Vida Microbiana: Introduzir microrganismos como bactérias e fungosno solo, ajudam na decomposição de matéria orgânica e na disponibilidade de nutrientes para as plantas.
Manejo Integrado de Pragas e Doenças: Promover práticas que não prejudiquem a fauna do solo e que ajudem a controlar pragas de forma natural.
7. Teste Regular do Solo
Monitoramento de Nutrientes: Realizar análises regulares para identificar a necessidade de correções, garantindo um equilíbrio adequado de nutrientes e ajustando práticas de manejo conforme necessário.
Saúde do solo e clima: Qual a ligação?
Solos saudáveis são fundamentais para a agricultura para fazer a armazenagem de carbono e manter o equilíbrio do ciclo da água.
Por outro lado, alterações climáticas, como mudanças nos padrões de temperatura e precipitação, afetam a estrutura e a fertilidade do solo, influenciando a disponibilidade de nutrientes, a atividade de microrganismos e a retenção de água.
Além disso, práticas agrícolas que degradam o solo, como o uso excessivo de fertilizantes químicos e o desmatamento, contribuem para a liberação de carbono armazenado, aumentando as emissões de gases de efeito estufa.
Considerando tudo isso, a manutenção da saúde do solo é essencial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, além de garantir a produtividade agrícola e a sustentabilidade dos ecossistemas.
Subsoladores: as principais características, recomendações de uso e vantagens e desvantagens desse implemento agrícola
A agricultura tem tido grande evolução ao longo de sua história, principalmente com a invenção e o uso de equipamentos, maquinários e implementos que aumentam a eficiência e velocidade das atividades agrícolas.
O solo, muitas vezes chamado de “a metade esquecida” da produção vegetal, pode e deve ser monitorado e manejado para dar condições ideais ao crescimento das plantas.
Vários implementos agrícolas podem ser usados para corrigir parâmetros físicos do solo. O subsolador é um desses implementos de suma importância — porém, seu uso deve ser bem planejado e executado.
Neste artigo, vamos abordar as principais características desse implemento, seu uso, recomendações e as vantagens e desvantagens da sua entrada no sistema agrícola. Confira!
O que são subsoladores?
Os subsoladores são implementos agrícolas, bastante robustos, formados por hastes metálicas e têm a principal função de “quebrar” camadas condensadas de solo.
O implemento consiste em hastes profundas, muito rígidas, que conseguem penetrar no perfil do solo e, ao serem arrastados por máquina de tração, desfazem áreas condensadas do solo, causando descompactação.
Existem dois tipos básicos de subsoladores: montados ou de arrasto. Os subsoladores montados possuem rodas de ferro que auxiliam a sua movimentação e controlam a profundidade de subsolagem. Os subsoladores de arrasto são utilizados com rodas pneumáticas, mas têm as mesmas funções dos subsoladores montados.
Características dos subsoladores
Existem tipos diferentes de subsoladores e há, principalmente, variação no comprimento, número, tipo e distância entre hastes do implemento. As formas mais comuns das hastes são: reta vertical, reta inclinada, curva e parabólica.
A profundidade de atuação do subsolador, bem como a sua capacidade de explorar o perfil do solo, dependem principalmente do tamanho das hastes e da regulagem das rodas limitadoras.
Por atuar em camadas mais profundas e mover grande massa de solo, os subsoladores demandam uma grande potência do trator, sendo uma atividade de alto consumo de combustível se comparado à aração ou gradagem, por exemplo.
Exemplo de subsolador (Fonte: Stara)
Recomendações de uso dos subsoladores
O uso de subsoladores é recomendado para romper camadas compactadas de solo em profundidades não alcançáveis para grades, arados ou escarificadores. Normalmente, os subsoladores atuam na área do perfil do solo entre 30 e 60 centímetros, podendo chegar a profundidades de até 1 metro.
Ossubsoladores são recomendáveis quando há compactação de camadas mais profundas do solo. A compactação do solo é causada normalmente pelo tráfego constante de máquinas pesadas, com maior potencial de acontecerem em solos mais argilosos.
A compactação pode ser verificada por métodos de medição, como penetrômetros. O penetrômetro mede a resistência do solo à penetração e indica o seu grau de compactação. Já existem métodos de maior rendimento e precisão para mapear a compactação ao longo da área da propriedade rural.
É importante que essas medidas sejam feitas em algumas condições específicas — por exemplo, com o solo úmido, o mais próximo possível da capacidade de campo. Os valores do penetrômetro para decisão de recomendação da subsolagem dependem do tipo de solo e da sua variação com a profundidade.
Vantagens do uso de subsoladores
A recomendação de uso de subsoladores, quando bem executada, pode trazer diversos benefícios ao sistema agrícola. Abaixo, citamos as principais vantagens da quebra das estruturas compactadas do solo em maior profundidade com subsoladores. Veja:
Diminuição da restrição física
A quebra das camadas compactadas diminui a resistência do solo, facilitando o crescimento da raiz. Ao explorar um maior volume de solo,a planta tem maior capacidade de absorção de água e nutrientes, além da maior sustentação da planta.
Maior infiltração de água e aeração
A subsolagem aumenta os micro e macroporos do solo, aumentando a aeração e criando espaços para a infiltração de água nas camadas mais profundas do solo.
Aumento da disponibilidade de nutrientes
Ao permitir a entrada de água e o crescimento de raízes, a subsolagem permite que os nutrientes nessas camadas do solo sejam disponibilizados e absorvidos pelas plantas. Além disso, permitem que os fertilizantes aplicados em cobertura atinjam camadas mais profundas do solo.
Favorecimento da microbiota do solo
O aumento da oxigenação e da infiltração de água nas camadas inferiores do solo facilita o desenvolvimento de microorganismos benéficos às plantas, potencializando a melhoria das características biológicas do solo.
Diminuição do revolvimento superficial
O uso de subsoladores não causa tanto revolvimento das camadas superiores do solo, como no caso do uso de grades, arados ou escarificadores superficiais. Isso evita a exposição e perda da matéria orgânica do solo.
Prevenção da erosão
Ao facilitar a entrada de água no perfil do solo, a subsolagem evita o escoamento superficial de água, diminuindo o carreamento superficial de partículas do solo e a erosão.
Em quais culturas os subsoladores são utilizados?
As culturas anuais normalmente apresentam um tráfego maior de máquinas e implementos, e essas atividades, safra após safra, tendem a causar maior compactação.
Culturas como milho e soja tendem a apresentar compactação após safras consecutivas, principalmente em solos argilosos, com alta incidência de precipitação/irrigação e altamente mecanizados.
A cultura da cana-de-açúcar também apresenta alta incidência de compactação. Culturas perenes, como café e citros, podem ter compactação nas entrelinhas e requerem uma atividade de subsolagem específica para evitar danos às raízes da cultura.
Diferenças entre escarificadores e subsoladores
Os escarificadores podem ser confundidos e recomendados para o papel dos subsoladores. Porém, há uma diferença importante entre os dois implementos: seus alcances em profundidade no solo.
No entanto, os dois implementos são recomendados para sistemas de cultivo mínimo, como é o caso do plantio direto, sendo técnicas recomendadas para a agricultura de conservação, visando ao aumento da sustentabilidade do processo produtivo.
Escarificadores e subsoladores não causam revolvimento excessivo do solo, como arados e grades. Por isso, são implementos que não provocam grande remoção da palhada na superfície do solo após a descompactação.
Conclusões
A atividade agrícola tem se modernizado em buscas de soluções cada vez mais sustentáveis para a manutenção ou aumento da produtividade, sem a necessidade de usar recursos em excesso.
O solo, um recurso primordial para o sistema agrícola, foi deixado de lado por muito tempo e agora passa a ser foco cada vez mais importante em busca de soluções sustentáveis.
Os sistemas de agricultura de conservação, com base em cultivo mínimo, tendem a causar problemas de compactação do solo, pelo baixo revolvimento das camadas do solo e o alto tráfego de máquinas pesadas.
O uso de subsolagem traz diversos benefícios às características químicas, físicas e biológicas do solo e aumenta a capacidade produtiva do sistema agrícola, evitando limitações à produção e permitindo explorar ainda mais o potencial produtivo das plantas.
Assine nossa newsletter para receber mais artigos assim e envie este texto para mais pessoas que precisem saber mais sobre a utilidade dos subsoladores.