Zoneamento agrícola para o sorgo forrageiro: o que você precisa saber sobre essa nova medida

Zoneamento agrícola do sorgo forrageiro: entenda o que é, qual a sua importância, onde e como consultar os dados deste estudo.

O clima na agricultura é um fator de risco. Saber onde e quando plantar é fundamental.

O Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) é um importante instrumento de gestão de riscos. Ele contribui para a redução de perdas em decorrência de problemas climáticos.

O Zarc identifica os municípios e os períodos do ano que apresentam condições de cultivo mais favoráveis. Os resultados são apresentados considerando o ciclo fenológico da cultura e as diferentes classes texturais do solo.

Neste artigo, você pode conferir como funciona o Zarc para a cultura do sorgo forrageiro, onde e como consultar essa ferramenta. Boa leitura!

Zoneamento agrícola do sorgo forrageiro

Recentemente, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) divulgou o Zarc para a cultura do sorgo forrageiro. 

O sorgo é uma planta classificada em cinco grupos: granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura. 

Apesar de se tratar da mesma espécie, os sistemas de produção dos tipos de sorgo são diferentes

O Zarc direcionado para o sorgo forrageiro permite o melhor manejo da cultura. Além disso, reduz a probabilidade de perdas de produtividade em função de adversidades climáticas. 

No Zarc, foram identificadas áreas com condições favoráveis para o cultivo de sorgo: aquelas que apresentavam menor risco climático

Também foram definidas as melhores épocas de plantio, considerando a textura do solo e o ciclo do sorgo forrageiro.

>> Leia mais: “Veja como lidar com as pragas e doenças do sorgo”

Tipos de solo

Nos resultados gerados pelo Zarc, são considerados três tipos de solo aptos para o cultivo: 

  • solo tipo 1: solos arenosos, com teor de argila acima de 10% e menor ou igual a 15%;
  • solo tipo 2: solos com textura média, com teor de argila entre 15% e 35%, e menos de 70% de areia;
  • solo tipo 3: solos argilosos, com teor de argila acima de 35%.

Ciclo fenológico da cultura do sorgo

Além do tipo de solo, os resultados do Zarc são fornecidos em função do ciclo fenológico da espécie cultivada. O ciclo da cultura é dividido em quatro fases:

  • fase 1, estabelecimento: semeadura/germinação/emergência;
  • fase 2, crescimento vegetativo: das primeiras folhas verdadeiras até o surgimento da primeira flor;
  • fase 3, reprodução: da primeira flor, incluindo floração e frutificação, até o enchimento dos grãos;
  • fase 4, maturação: do enchimento dos grãos até a maturação fisiológica.

Veja na tabela a duração média dos ciclos e as respectivas fases fenológicas do sorgo forrageiro:

Sorgo forrageiro: tabela de duração média dos ciclos e suas respectivas fases fenológicas

Sorgo forrageiro: duração média dos ciclos e suas respectivas fases fenológicas
(Fonte: Mapa – Portaria 268, de 6 de julho de 2021)

Segundo a Embrapa, o estudo que permitiu a elaboração do Zarc do sorgo forrageiro mostrou que seu cultivo deve ser iniciado em outubro e finalizado em fevereiro na maioria das regiões do Brasil Central. 

Já nas áreas em que o regime de chuvas começa e termina mais tarde, o sorgo forrageiro pode ser plantado até março – caso da região Nordeste.

A seguir, veja como pesquisar as épocas para plantio do sorgo forrageiro na sua região!

Como funciona o Zarc

Os dados do Zarc podem ser acessados de três formas:

Como consultar o zoneamento agrícola do sorgo forrageiro

Painel de Indicação de Riscos do Zarc

Veja como consultar as datas de plantio pelo Painel de Indicação de Riscos do Zarc:

  1. acessar o Painel no site do Mapa;
  2. selecionar a aba Zarc – 20%;
  3. selecionar o indicativo de safra;
  4. selecionar a safra;
  5. selecionar a cultura;
  6. selecionar a unidade federativa;
  7. selecionar o município.

Feito isso, são apresentadas as melhores datas para semeadura. Isso de acordo com o tipo de solo e o grupo da cultura, considerando um nível de risco de perda de 20%.

Portarias de Zarc por Estado

As Portarias de Zarc são publicadas a cada ano-safra no Diário Oficial da União. Elas podem ser acessadas pelo site do Mapa.

Na consulta pelas portarias vigentes do Zarc, é necessário indicar o seu Estado e a cultura de interesse

São apresentadas informações técnicas sobre a cultura e a janela de plantio por município, textura de solo e ciclo da planta

Também são considerados três níveis de risco de perda: 20%, 30% e 40%.

Aplicativo Zarc – Plantio Certo

O aplicativo possibilita uma consulta fácil e rápida aos dados do Zarc. Nele, é necessário selecionar o município e a cultura de interesse

A partir disso, é indicada a melhor época do ano para se realizar a semeadura, com base no tipo de solo e no ciclo fenológico da cultura. São considerados diferentes níveis de risco de perda.

Confira como são apresentados os resultados da pesquisa pelo aplicativo:

Aplicativo Plantio Certo: recomendação de datas de plantio do sorgo forrageiro no município de Rio Verde, Goiás, para a safra 2021/2022

Aplicativo Plantio Certo: recomendação de datas de plantio do sorgo forrageiro no município de Rio Verde, Goiás, para a safra 2021/2022
(Fonte: Aplicativo Zarc – Plantio Certo)

Zarc para concessão de crédito e seguro agrícola 

O Zarc também é cada vez mais utilizado por instituições financeiras como um dos critérios para concessão de crédito de custeio e seguro agrícola.

O Proagro e Proagro Mais (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) são políticas de seguro agrícola do governo federal. 

Elas têm seu acesso facilitado quando as recomendações do Zarc são seguidas.

Ao adotar as orientações do Zarc e práticas de manejo adequadas, você reduz os riscos de perda de produtividade em decorrência de problemas climáticos, como períodos de seca.

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Conclusão

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma importante ferramenta na orientação da melhor época para a semeadura, além de indicar as regiões aptas para o plantio das culturas de interesse agronômico.

O Zarc também influencia na orientação da concessão de crédito de custeio e seguro agrícola.

É importante ressaltar que o Zarc te orienta quanto à melhor época de plantio e quanto às regiões com condições para o cultivo.

Aliado a isso, é imprescindível adotar um manejo agronômico adequado que contribua para o pleno desenvolvimento da lavoura.

Restou alguma dúvida sobre o zoneamento agrícola do sorgo forrageiro? Já consultou qual a melhor época de plantio em sua região? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber sobre plantio de sorgo

Atualizado em 27 de maio de 2022.

Sorgo: entenda quais são as condições ideais de cultivo, principais pragas, doenças e manejo de plantas daninhas

O sorgo, também conhecido como milho-da-guiné, é um cereal de fácil adaptação e de altas produtividades. Ele pode ser aplicado na alimentação animal e humana, na produção de etanol, biomassa e vassouras. 

Para produzir essa espécie, é preciso estar por dentro das especificidades de cada tipo de sorgo. Conhecer detalhes sobre plantio e colheita também.

Neste artigo, você lerá sobre os cinco tipos e suas diferentes aplicações, além de conhecer as principais pragas e doenças do sorgo. Confira!

O que é sorgo e para que serve?

O Sorghum bicolor é uma espécie de cereal que pertence à família Poaceae, a mesma do milho. Mais conhecido como sorgo ou milho-zaburro, ele é versátil e de grande importância econômica.

Trata-se de uma planta cultivada há milhares de anos e com diversas aplicações. No Brasil, a expansão do cultivo de sorgo começou na década de 70 e hoje o país está entre os principais produtores.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Brasil ocupa a 9ª posição no ranking dos maiores produtores de sorgo na safra 2020/21. O cereal é o quinto mais produzido no mundo.

O sorgo é bastante utilizado na alimentação animal, sobretudo em países da América do Sul, Estados Unidos e Austrália. Na América Central, Ásia e África, também tem os grãos utilizados na alimentação humana para produção de farinhas e amido industrial, na fabricação de pães e de biscoitos.

Diferentes tipos de sorgo

Existem 5 tipos de sorgo: sorgo granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura. Você conhecerá um pouco sobre cada um desses tipos a seguir:

1. Sorgo granífero

O sorgo granífero possui porte baixo. Os grãos são o principal produto desse tipo de sorgo, produzidos na extremidade superior da planta. 

As plantas têm porte baixo (aproximadamente 170 cm de altura). A panícula é pequena e compacta. Além disso, é possível mecanizar todo o processo do sorgo granífero, do plantio à colheita.

Esses grãos são empregados principalmente na agroindústria de rações, embora também possam ser fornecidos na silagem.  Dentre os tipos de sorgo, o granífero é o que tem maior expressão econômica

2. Sorgo biomassa

O sorgo biomassa tem grande porte, podendo alcançar mais de 5 metros de altura. É muito utilizado na geração de energia, assim como o eucalipto e a cana-de-açúcar.  As plantas apresentam rápido crescimento, além de grande potencial de produção.

A propagação é feita por sementes, o que facilita a implantação das lavouras. Além disso, o processo é 100% mecanizado. Dependendo das condições climáticas, ainda é possível manejar a rebrota do sorgo biomassa.

Homem em plantação de sorgo biomassa. As plantas têm o triplo do tamanho do homem.

Sorgo biomassa

(Fonte: Embrapa; Foto: Marina Torres)

3. Sorgo forrageiro

O sorgo forrageiro é consumido na silagem e também pode ser utilizado para pastejo e corte verde na alimentação animal. As plantas têm grande porte, elevado número de folhas e poucas sementes.

Algumas cultivares de sorgo forrageiro tem dupla aptidão. Isso significa que têm potencial para a produção de forragem e grãos.

>> Leia mais: ‘’Zoneamento Agrícola do Sorgo Forrageiro: O que você precisa saber’’ 

4. Sorgo-sacarino

O sorgo-sacarino é semelhante à cana-de-açúcar devido aos colmos doces, ricos em açúcar fermentescível. 

Ele é utilizado como alternativa para a produção de etanol no período de entressafra da cana-de-açúcar. Além disso, esse tipo de sorgo também pode ser utilizado como forrageiro. 

As características dessas plantas possibilitam a produção de silagem de alta qualidade. Isso gera respostas positivas na produtividade animal.

A China produz uma bebida alcoólica conhecida por “baijiu”. Essa bebida representa 1/3 dos destilados consumidos em todo mundo e é elaborada a partir da fermentação e destilação do sorgo.

5. Sorgo-vassoura

O sorgo-vassoura possui como principal característica a inflorescência com fibras longas. O uso dessas fibras é voltado para a fabricação de vassouras, conhecidas como vassouras melga ou caipira.

Além de ser uma alternativa ecológica, esse tipo de sorgo geralmente é plantado por produtores que complementam a renda familiar com a produção artesanal das vassouras.

O preparo do solo, plantio e tratos culturais podem ser feitos mecanicamente. No entanto, a colheita e limpeza das panículas do sorgo são realizadas manualmente, o que requer muita mão de obra. 

Características da cultura do sorgo

O sorgo é uma planta muito resistente à seca e à salinidade do solo, além de ser uma cultura mecanizável. Seu porte é baixo, com até 170 cm. Seu metabolismo C4 lhe garante elevada eficiência no uso da água.

O sistema radicular pode atingir 150 cm de profundidade, sendo que 80% das raízes são encontradas nos primeiros 30 cm do perfil do solo.

A inflorescência é do tipo panícula, e pode variar quanto ao tamanho e formato. 

O ciclo da cultura varia de 90 a 120 dias.

Veja quais são as fases de desenvolvimento do sorgo.

Estagios de desenvolvimento do sorgo

Estádios de desenvolvimento do sorgo

(Fonte: Traduzido de United Sorghum Checkoff Program)

Condições e melhor época para o plantio de sorgo

As sementes do sorgo são muito pequenas, o que exige plantio superficial. A profundidade ideal é de 3 cm a 5 cm. Para facilitar o desenvolvimento das plântulas, o preparo do solo é fundamental. 

O sorgo deve ser semeado entre setembro e novembro, e essa data depende de quando as chuvas começam. 

Além disso, é importante lembrar que ao ser plantado tardiamente, a planta do sorgo pode sofrer redução de porte. Outra consequência do plantio tardio é a menor produção de matéria seca.

Isso tem maior probabilidade de acontecer em plantios em dezembro. Portanto, planeje bem e com antecedência a semeadura e fique sempre de olho nas previsões climáticas.

Como aumentar a produtividade das lavouras de sorgo?

Além de evitar cultivar o sorgo em áreas com histórico de pragas e doenças e utilizar sementes de qualidade, existem outros aspectos que interferem na produtividade. Veja quais são.

Clima ideal e exigência hídrica

O sorgo é uma espécie de climas quentes e que tolera elevados níveis de radiação.  O intervalo ótimo de temperatura para o desenvolvimento do sorgo é de 26 a 30ºC. 

Sabe-se que temperaturas inferiores a 16ºC e superiores a 38ºC são limitantes para a produção desse cereal.

A tolerância do sorgo ao estresse hídrico faz com que ele seja uma boa opção para o plantio na safrinha. Apesar disso, é importante lembrar que os efeitos do déficit de água podem comprometer a produtividade.  

O consumo de água pela lavoura de sorgo varia em função das condições edafoclimáticas, do ciclo da cultivar e do manejo do solo. 

De acordo com a Embrapa Milho e Sorgo, no decorrer do desenvolvimento da cultura são consumidos de 380 mm a 600 mm de água.

Preparo do solo

De modo geral, no sistema de produção convencional, o preparo do solo é um processo que compreende aração seguida de gradagem.

Esse processo tem o objetivo de melhorar as condições físicas do solo que irá receber a semente. Isso garante uma germinação uniforme, o bom desenvolvimento do sistema radicular e aumenta a infiltração de água.

O sorgo tem melhor desenvolvimento em solos bem drenados e profundos. A acidez e fertilidade devem estar corrigidas, e o pH ideal é entre 5,5 e 6,5.

Plantio

O sorgo é uma planta cultivada em sistema convencional e em sistema de plantio direto (SPD).

Independente do sistema adotado, é importante que o plantio do sorgo seja realizado segundo as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Outro ponto importante é que os equipamentos de plantio que você vai utilizar devem estar bem regulados. Isso varia de acordo com o tipo de sorgo.  Abaixo, veja algumas sugestões: 

Tabela com tipo de sorgo e seus respectivos espaçamentos, sementes por metro, consumo e população da colheita.

Sugestões para regulagem de equipamentos de plantio de acordo com diferentes tipos comerciais de sorgo, seus usos e seus espaçamentos recomendados

(Fonte: Paulo Mota Ribas via Embrapa)

Adubação

Em relação à demanda nutricional, o sorgo tem maior exigência por nitrogênio e potássio, seguidos de cálcio, magnésio e fósforo.

A recomendação de adubação para o sorgo deve ser sempre orientada pela análise de solo. É preciso considerar também a quantidade de nutrientes que são extraídos e exportados pela cultura.

Somente a partir dessas informações é possível determinar a quantidade, a forma e em qual momento os fertilizantes serão fornecidos às plantas.

A exigência nutricional varia diretamente com o potencial de produção. Isso quer dizer que a demanda nutricional do sorgo aumenta com o aumento da produtividade. Confira na tabela abaixo!

Valores de nutrientes extraídos pelo sorgo

Extração média de nutrientes pela cultura do sorgo em diferentes níveis de produtividades

(Fonte: Embrapa)

A finalidade de exploração do sorgo (grãos, silagem, fenação, corte verde ou pastejo) também influencia na recomendação de adubação.

Manejo de plantas daninhas

O controle químico é o mais utilizado no manejo das plantas daninhas no sorgo. Apesar disso, um dos problemas da produção é o reduzido número de herbicidas registrados para a cultura. 

Somente um ingrediente ativo é registrado no Mapa para o manejo das plantas invasoras no sorgo: a atrazina. Ela é eficiente no controle das plantas daninhas de folha larga, e tem pouco ou nenhum efeito sobre as de folha estreita.

Dessa forma, é importante fazer a dessecação da área no pré-plantio. O objetivo é fazer a lavoura se estabelecer “no limpo”, sem interferência das plantas daninhas. 

Principais pragas do sorgo

Os danos causados por pragas reduzem a produtividade e a qualidade do produto final.  Alguns insetos-praga têm alta capacidade de destruição e podem comprometer lavouras inteiras.  

Veja as principais pragas que causam prejuízos ao plantio do sorgo:

  • broca-da-cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis);
  • mosca-do-sorgo (Stenodiplosis sorghicola);
  • lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus);
  • lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda);
  • pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis);
  • pulgão-verde (Schizaphis graminum).

Recentemente, a Helicoverpa armigera também foi identificada causando prejuízos às lavouras de sorgo. 

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Principais doenças do sorgo

Assim como os insetos-praga, as doenças também podem comprometer a produtividade e aumentar os custos de produção. As principais são:

  • antracnose (Colletotrichum sublineolum);
  • ferrugem (Puccinia purpurea);
  • helmintosporiose (Exserohilum turcicum);
  • míldio (Peronosclerospora sorghi);
  • podridão seca do colmo (Macrophomina phaseolina);
  • doença açucarada do sorgo ou Ergot (Claviceps africana).

Colheita e pós-colheita do sorgo

A colheita do sorgo pode ser realizada de forma manual ou mecânica. 

A colheita manual é indicada para pequenas áreas. Porém, ela apresenta alto custo operacional e demanda muita mão de obra.

A colheita mecânica é a mais usada em grandes lavouras. Ela tem alto rendimento operacional e baixo custo quando comparada ao processo manual.

Quando colher o sorgo?

O momento ideal para a colheita do sorgo deve considerar as condições ambientais, características da cultivar, teor de umidade dos grãos e a finalidade do uso.

Os grãos de sorgo devem apresentar de 17% a 14% de umidade no momento da colheita (com secagem artificial).

Se você não dispõe de meios para realizar a secagem artificial, o interessante é que no momento da colheita os grãos tenham em torno de 12% a 13% de umidade.

No caso do sorgo granífero, a colheita pode ser realizada após os grãos atingirem a maturidade fisiológica. A maturidade fisiológica é observada pela formação de uma camada preta na região de inserção do grão na gluma. 

Esse fenômeno ocorre da ponta da panícula em direção à base. A partir desse momento, não há mais transferência de fotoassimilados para os grãos.

Quando atingem a maturidade fisiológica, os grãos de sorgo apresentam alta umidade. Isso torna necessária a secagem artificial após a colheita.

Para sorgo com finalidade da produção de silagem, o recomendado é que a colheita seja realizada quando as plantas tiverem, no mínimo, 30% de matéria seca.

O sorgo forrageiro pode ser disponibilizado aos animais 30 a 40 dias após a semeadura. As plantas jovens de sorgo não devem ser consumidas pelos animais por apresentarem níveis tóxicos de ácido cianídrico. 

Velocidade de colheita

Em geral, a velocidade de colheita pode variar de 3 Km/h a 5 km/h, no máximo. Velocidades superiores causam perdas no processo e podem levar ao embuchamento da colhedora.

A determinação da velocidade deve considerar a topografia do terreno, a incidência de espécies invasoras e as características da lavoura de sorgo.

Vale ressaltar a importância de realizar periodicamente a manutenção das máquinas e implementos da sua propriedade. Isso garante maior precisão no processo, além de evitar perdas e atrasos na colheita.

Armazenamento

Os grãos de sorgo têm a característica podem ser armazenados por longos períodos sem perder a qualidade. Para isso, o armazenamento dos grãos deve ser feito em local limpo, seco e ventilado. 

Os grãos colhidos devem ser mantidos com 13% de umidade. É preciso estar atento, também, ao ataque de microrganismos, insetos, aves e pequenos roedores. 

A presença de pragas no armazenamento influencia na velocidade de deterioração dos grãos. Além disso, contamina e interfere  na qualidade do produto. As perdas são irrecuperáveis e geram grandes prejuízos econômicos.

Conclusão

O sorgo possui diversas classificações e finalidades. Sorgo granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura possuem particularidades e aplicações distintas. 

Dentre eles, o sorgo granífero é o que apresenta maior importância econômica.

Caso você tenha problemas com plantas daninhas em seu plantio de sorgo, lembre-se que o principal manejo é realizado com herbicidas. 

Mais especificamente, use a atrazina, o  único herbicida registrado no Mapa. Em casos de dúvidas, consulte um especialista.

Você já realizou ou está pensando em realizar o plantio de sorgo? Já conhecia todas as variações da espécie? Adoraria ler seu comentário!

Veja como lidar com as pragas e doenças do sorgo

Pragas e doenças no sorgo: veja quais são as principais e como você pode manejá-las em sua lavoura para não ter perdas.

No Brasil, o sorgo é mais utilizado para a ração animal, sendo cultivado principalmente na segunda safra, com produção estimada de 2,3 milhões de toneladas (Conab) na safra 2019/20.

Mas podem ocorrer perdas nas lavouras por ataques de pragas e doenças, o que causa muita dor de cabeça para o produtor.

Por isso, preparamos este texto com as principais pragas e doenças do sorgo que podem ocorrer na sua lavoura e como combatê-las. Confira!

Doenças na cultura do sorgo

Antracnose do sorgo

No sorgo, a antracnose é considerada a doença mais importante por sua ampla distribuição nas áreas produtoras e pelos danos causados. 

Essa doença pode ocasionar perdas na produção de grãos superiores a 80%, por conta da utilização de cultivares suscetíveis e de condições favoráveis à doença.

O fungo que causa a antracnose no sorgo é o Colletotrichum graminicola, que também causa antracnose na cultura do milho.

Assim, a doença no sorgo pode ocorrer em: folhas, colmo, panícula e grãos.

Nas folhas podem ocorrer sintomas em qualquer estádio, principalmente a partir do desenvolvimento da panícula. 

Inicialmente, as lesões são circulares a ovais, com centros necróticos de coloração palha, depois se tornam escuras com a margem avermelhada ou castanha, dependendo da variedade.

No colmo, formam-se cancros caracterizados pela presença de áreas mais claras circundadas pela pigmentação característica da planta hospedeira, principalmente em plantas adultas.

E na panícula, pode ser a extensão da fase de podridão do colmo. As lesões nesta fase se formam abaixo da epiderme com aspecto encharcado, adquirindo posteriormente coloração cinza a avermelhada. 

E como consequência da doença, as panículas de plantas infectadas são menores e amadurecem mais cedo.

Algumas medidas de manejo para antracnose no sorgo são:

  • Uso de variedades resistentes;
  • Sementes sadias;
  • Tratamento de sementes;
  • Rotação de culturas;
  • Eliminação de plantas hospedeiras do fungo.

Ferrugem do sorgo

Causada pelo fungo Puccinia purpurea, a ferrugem do sorgo é considerada uma doença comum na cultura e favorecida por regiões frias e úmidas. 

Inicialmente, você pode observar pústulas (urédias) de coloração vermelha a castanha nas folhas mais próximas ao solo. 

Com o desenvolvimento da doença, as pústulas liberam os esporos que são disseminados pelo vento.

Recomenda-se o uso de variedades resistentes para o controle da ferrugem do sorgo.

Míldio do sorgo

O míldio é causado por Peronosclerospora sorghi e apresenta ampla distribuição nas áreas produtoras de sorgo, podendo causar danos de até 80% com a utilização de cultivares suscetíveis.

Na região Sul do país, esta doença é considerada a segunda mais importante, atrás apenas da antracnose.

Assim, podem ocorrer duas formas de infecção: localizada e sistêmica.

A localizada se caracteriza por apresentar lesões necróticas nas folhas e, em condições frias e úmidas, pode ocorrer crescimento pulverulento e acinzentado na parte inferior da folha.

Já a infecção sistêmica, as plantas ficam cloróticas (clorose foliar). Na parte inferior das folhas com clorose, em condição de umidade, pode-se observar um revestimento branco, que são estruturas do agente causal do míldio.

Plantas com infecções sistêmicas podem se tornar raquíticas e morrer precocemente ou ficarem estéreis, não produzindo grãos.

Algumas medidas de manejo que você pode utilizar para o manejo do míldio são:

  • Variedades resistentes;
  • Uso de sementes de boa qualidade;
  • Rotação de culturas.

Mosaico comum do sorgo

Esta doença é virótica, causada por Sugarcane mosaic virus (SCMV), no entanto, mais recentemente, pesquisas relataram que outros vírus podem causar o mosaico em sorgo, tendo como vetor várias espécies de afídeos, como o pulgão do milho.

Como sintomas, podemos observar mosaico principalmente nas folhas mais novas, que podem desaparecer com a idade da planta. 

Além disso, pode apresentar sintomas mais necróticos nas folhas, com áreas amareladas e avermelhadas, o que pode levar à morte da planta ou baixa produção de grãos.

Para o controle dessa doença é recomendado utilizar variedades tolerantes ou resistentes.

Doença açucarada do sorgo

Esta doença também é conhecida por secreção doce ou ergot, causada pelo fungo Sphacelia sorghi, e reduz a quantidade de grãos produzidos afetando seu desenvolvimento.

Como sintoma da doença, você pode observar a presença de um líquido pegajoso de coloração rosada que progride para parda na região da panícula.

Algumas medidas de manejo para a doença açucarada são:

  • Utilização de fungicidas na fase de floração;
  • Tratamento de sementes;
  • Eliminação de plantas com sintomas da doença, principalmente em áreas de produção de sementes.

Pragas na cultura do sorgo

Lagarta-do-cartucho

Essas lagartas são larvas de mariposa (Spodoptera frugiperda) que afetam o cartucho da planta, sendo mais prejudicial quando ataca a planta com até 8 folhas.

A lagarta-do-cartucho é uma importante praga para a cultura do sorgo, podendo causar prejuízos de 17% a 38,7% na produção.

Inicialmente esta praga pode “raspar” as folhas e depois se alimentar das mais novas e centrais da planta (palmito).

O ataque em plantas pequenas pode causar a morte, já em plantas maiores ocorre a redução da produtividade.

Por isso é importante realizar o monitoramento da lavoura, que pode ser feito com armadilhas para a captura de insetos adultos (uma armadilha a cada cinco hectares) ou o monitoramento das plantas de sorgo.

Para definir quando realizar o controle, fique de olho se a praga atinge o nível de controle que é em média 3 mariposas por armadilha de feromônio. 

Ao monitorar as plantas, recomenda-se o manejo da lagarta quando for observado que 10% das folhas do cartucho estão com pequenas lesões circulares e algumas pequenas lesões alongadas, de até 1,3 cm de comprimento.

Tanto o uso de controle químico (inseticidas) quanto de controle biológico são recomendados para a lagarta-do-cartucho.

Lagarta-elasmo

Elasmopalpus lignosellus causa danos principalmente em locais em que ocorreu estiagem após a emergência das plantas.

Inicialmente, as lagartas podem “raspar” as folhas e depois afetam a região do colo da planta. Desta forma, podem danificar o ponto de crescimento e favorecer a morte das folhas centrais, provocando o sintoma de “coração morto”.

Recomenda-se realizar o manejo com o uso de inseticidas nas plantas ou nas sementes, além do plantio direto.

Broca-da-cana-de-açúcar

A broca-da-cana (Diatraea spp.) pode causar dano pelo quebramento e ataque no colmo das plantas.

No início do seu desenvolvimento, a broca também pode raspar as folhas do sorgo.

O controle dessa praga pode ser semelhante ao realizado em cana-de-açúcar com a liberação de parasitóides.  

Outras medidas de controle que também podem ser utilizadas são o tratamento de sementes e destruição de restos culturais.

Pulgão no sorgo

O sorgo pode ser infestado pelo pulgão do milho (Rhopalosiphum maidis) e pelo pulgão verde (Schizaphis graminum).

O pulgão verde pode introduzir toxinas que causam o bronzeamento das folhas e até a morte das áreas afetadas, podendo ainda ser vetor de viroses.

O controle pode ser realizado por inimigos naturais e, também, aplicação de inseticidas quando ocorrer altas populações.

Corós

Corós, bichos-bolo ou pão-de-galinha são larvas de várias espécies que podem atacar as plantas de sorgo.

Para a identificação, você pode observar que as larvas apresentam formato de “C” de cor clara e a cabeça de coloração marrom.

Normalmente, elas afetam o sistema radicular das plantas podendo causar murcha nas plantas, tombamento ou a morte.

Algumas medidas de manejo são:

  • Eliminação de hospedeiros alternativos;
  • Destruição de restos culturais;
  • Utilização de inseticidas.

Larva arame

A larva arame, Conoderus scalaris, causa danos principalmente na destruição das sementes no sulco de plantio, reduzindo o estande inicial e vigor das plantas, o que causa perdas em seu sistema de produção.

As recomendações de manejo são:

  • Rotação de culturas;
  • Tratamento de sementes.

Percevejos no sorgo

Esses insetos se alimentam principalmente dos grãos no momento de enchimento, o que podem torná-los manchados e reduzir o tamanho.

Existem dois grupos de percevejos: grandes (percevejo-gaúcho, percevejo-verde e percevejo-pardo) e pequenos (percevejo-do-sorgo e percevejo-chupador-do-arroz).

Normalmente, o controle desses percevejos é natural. Quando em altas populações, pode-se utilizar controle químico (aéreo).

Controle de pragas e doenças do sorgo

Até aqui, comentei sobre as particularidades de pragas e doenças do sorgo, no entanto, algumas medidas gerais de manejo que você pode utilizar na sua área são:

  • Planejamento agrícola da cultura: é nessa fase que se escolhe a variedade de sorgo e, como vimos, o uso de variedades resistentes é uma medida de manejo muito utilizada;
  • Identificar as pragas e doenças que afetam a cultura do sorgo;
  • Conhecer o histórico da área a ser cultivada (quais os problemas que ocorreram nas culturas ao longo dos anos);
  • Conhecer as culturas em volta da sua plantação: várias doenças e pragas do sorgo podem ocorrer em outras culturas;
  • Monitoramento da área.

Lembrando que se for utilizar produto químico, verifique o registro no Agrofit para a cultura e para praga/doença. 

Em caso de dúvidas, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

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Conclusão

Como vimos, existem muitas pragas e doenças que podem afetar a sua cultura de sorgo. 

Algumas podem atacar as plantas no início do desenvolvimento ou já na fase de panícula.

Por isso, é importante conhecê-las e manejá-las para não afetar a produção da sua lavoura.

>>Leia mais:

“Zoneamento agrícola para o sorgo forrageiro: o que você precisa saber sobre essa nova medida”

Quando e como usar as forrageiras em seu sistema de produção

Quais pragas e doenças do sorgo afetam a sua lavoura? Quais medidas de manejo você utiliza? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo

Conheça agora as principais pragas do milho e fique atento na Pré-safra. Não deixe sua produtividade do milho safrinha cair.

Você já entrou na lavoura e notou alguma coisa errada, como folhas comidas e plantas tombadas? Ao ver esses danos, você já sabia qual era a praga e como controlar?

É comum não reconhecer o inseto, ou não saber o melhor controle para combatê-lo.

A pré-safra é o momento ideal para conhecer um pouco mais sobre essas pragas, e melhorar seu diagnóstico da lavoura.

Assim você evita perdas de produção do milho.

E olha que pragas podem causar muitas perdas! No milho pode chegar até a 91%.

Principais pragas do milho: Pragas iniciais

Tanto na cultura do milho como na de sorgo, vamos ter pragas no início do ciclo. São aquelas pragas que você nem bem semeou a cultura e já estão dando trabalho!

Agora confira as principais pragas iniciais e como combatê-las:

1. Corós

Os corós estão presentes nas lavouras de milho e de sorgo, com maior ocorrência nos meses de outubro, novembro e dezembro.

As larvas se alimentam do sistema radicular das plantas, o que gera falhas nas linhas de plantio.

O principal manejo é com inseticidas, mas você pode realizar outras técnicas que colaboram para o manejo.

As principais técnicas que auxiliam na redução dos níveis populacionais dos corós são:

  • preparo antecipado da área;
  • eliminação de hospedeiros alternativos e plantas voluntárias (como plantas daninhas);
  • destruição dos restos de cultura após a colheita.
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A foto da esquerda mostra o Coró, e a da direita o dano causado em plantas de milho.

( Fonte: 3rlab)

2. Larva-arame

A larva-arame (Conoderus spp., Melanotus spp.) ataca as sementes após a semeadura e o sistema radicular da planta. Já adianto que essa praga também pode ser encontrada na cultura do sorgo.

Seu controle pode ser feito pelo tratamento com inseticidas fosforados sistêmicos, registrados para as culturas. Mas também, pode ser feito através de uma boa drenagem da camada agricultável do solo, pois força a larva a aprofundar-se, reduzindo o dano no sistema radicular.

A rotação de culturas também é eficaz para redução dos níveis populacionais;

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Larva-arame

( Fonte: Sistemas de Produção Embrapa)

3. Lagarta-rosca

As lagartas reduzem o número de plantas por metro linear, uma vez que cortam as plantas rentes ao solo. Mais uma dica aqui: essa praga também é encontrada na cultura do feijão!

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Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

(Fonte: Agrolink)

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Inseto adulto de lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

( Fonte: Unesp)

Para o controle dessa praga é importante fazer o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos.

Também é fundamental a eliminação antecipada de plantas invasoras, já que as mariposas preferem ovipositar em plantas ou restos culturais ainda verdes.

4. Lagarta-elasmo

Essa praga causa prejuízos entre os estádios V1 e V8, aproximadamente.

lagarta-elasmo

(Fonte: Pioneer)

A lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) também está presente nas culturas do sorgo e do feijão. A ocorrência dessa praga está associada à períodos de estiagem no início da cultura. Além disso, fique mais atento a áreas de solos arenosos e com palha, que podem favorecer a praga.

5. Larva alfinete

A larva-alfinete (Diabrotica speciosa) tem grande importância na cultura do milho, estando presente também na cultura do sorgo.

Esse inseto ataca o sistema radicular, o que deixa a planta mais suscetível ao acamamento, o que provoca o sintoma conhecido por “pescoço de ganso”.

larva-alfinete-pescoço-de-ganso

(Fonte: Monsanto, Rafael Veiga – TD Cerrados Oeste)

Na fase adulta, o inseto alimenta-se de muitas culturas como, por exemplo, o feijão e a soja. Mas para colocar seus ovos preferem gramíneas como o milho e o sorgo.

ciclo larva alfinete

(Fonte: Monsanto)

As principais medidas de controle para larva-alfinete são:

  • eliminação de restos culturais;
  • uso de inseticidas granulados ou em pulverização no sulco de plantio.

O controle biológico com os fungos Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e Paecilomyces lilacinu é uma ótima alternativa e pode ser utilizado em conjunto com o método químico.

planilha de planejamento da safra de milho

Principais pragas do milho: pragas da parte aérea

6. Lagarta-do-cartucho

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é uma das principais pragas do milho, causando grandes perdas, e também encontradas na cultura do sorgo.

A lagarta-do-cartucho penetra no colmo, criando galerias, o que provoca um sintoma conhecido por “coração morto”, que ocorre por causo do dano no ponto de crescimento da planta.

Essa lagarta pode causar redução de rendimento de 17% a 55,6%.

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Sintomas de “coração morto” em plantas de milho atacadas por lagarta-do-cartucho

(Fonte: Agricultura no Brasil)

A principal forma de controle da lagarta-do-cartucho é através da aplicação de inseticidas.

Mas existe também um importante inimigo natural dessa praga, a “tesourinha” (Doru luteipes), que preda ovos e lagartas pequenas.

A lagarta-do-cartucho pode também atacar as espigas causando grandes danos.

7. Lagarta-da-espiga do milho

A lagarta-da-espiga do milho (Helicoverpa zea) é outra importante praga do milho que também ataca o sorgo.

lagarta-da-espiga

(Fonte: 3rLab)

O controle químico através de inseticidas para o manejo de lagarta-da-espiga não é muito eficiente, já que a larva está protegida na espiga.

Uma das alternativas para o manejo é o controle biológico, com o uso de parasitoides e predadores, como a tesourinha (Doru luteipes).

A tesourinha deposita seus ovos nas camadas de palha da espiga e tanto a forma jovem quanto os adultos se alimentam dos ovos e das pequenas larvas da praga. Uma tesourinha pode consumir aproximadamente 42 ovos por dia .

Os ovos da lagarta-da-espiga também podem ser parasitados por Trichogramma, sendo outra forma eficiente de controle biológico. 

8. Broca-da-cana

A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) está presente na cultura do milho e sorgo, atacando desde V6 até o final do ciclo.

broca-da-cana

(Fonte: Agranja)

Segundo a Embrapa, o controle pode ser feito do mesmo modo como é feito em cana-de-açúcar, através da liberação do parasitoide de ovos Trichogramma spp. ou através do parasitóide de larva, a vespa Cotesia flavipes.

Mais informações sobre a broca-da-cana podem ser verificadas nesse folder da Embrapa.

9.Pulgão

Os maiores danos do pulgão no milho (Rhopalosiphum maidis) são vistos durante o seu pendoamento, sendo também presente na cultura do sorgo.

Os danos mais expressivos são observados em altas infestações, especialmente quando as culturas estão em estresse hídrico, ou ainda quando há fonte de inóculo nas proximidades.

No caso do sorgo há ainda uma outra espécie conhecida por pulgão-verde (Schizaphis graminum), infestando a cultura desde a emergência das plantas até a maturação dos grãos.

O inseto suga seiva das folhas e introduzem toxinas que provocam bronzeamento e morte da área afetada.

Ainda  pode transmitir o vírus do mosaico da cana-de-açúcar, o que causa muitos danos ao sorgo.

pulgão-verda

Pulgão-verde

(Fonte: Sistema de Produção Embrapa)

O controle pode ser feito naturalmente pela chuva e inimigos naturais.

No entanto, você pode evitar a infestação pelo tratamento de sementes ou do solo com inseticidas sistêmicos seletivos aos inimigos naturais.

10. Percevejos

Os percevejos no milho podem atacar de forma severa no início da cultura. No entanto, esses insetos também se alimentam dos grãos em enchimento.

Isso pode causar danos econômicos elevados, reduzindo, segundo Embrapa, até 59,5% do peso dos grãos e mais de 98% na germinação e vigor das sementes.

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(Fonte: Pioneer)

Os percevejos estão muito presentes no final do ciclo da soja e após a colheita eles buscam fontes alternativas de alimento, como as plantas daninhas. Por isso, um dos principais manejos para esta praga é iniciar o plantio no limpo.

A boa dessecação antecipada irá ajudar a reduzir a população de percevejos na área.

As duas principais espécies são o percevejo marrom e o percevejo barriga-verde.

As principais medidas para o manejo são o tratamento de sementes e o monitoramento da área.

Segundo Kaminski (2014), se houver infestação elevada até V3 deve ser feito o controle, pois os danos podem ser desastrosos.

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Danos causados por percevejos em milho

Fonte: Pioneer

Na cultura do sorgo, os percevejos atacam as panículas. No caso, há dois grupos principais:

  • Percevejos grandes: percevejo-gaúcho (Leptoglossus zonatus), percevejo-verde (Nezara viridula) e percevejo-pardo (Thyanta perditor);
  • Percevejos pequenos: percevejo-do-sorgo (Sthenaridea carmelitana) e percevejo-chupador-do-arroz (Oebalus spp.).
percevejo-sorgo

Percevejo-do-sorgo

(Fonte: Discover Life)

O controle pode ser biológico é feito por parasitoides de ovos. Já o controle químico é limitado pela dificuldade de entrar com o trator no campo.

É recomendado utilizar pulverização aérea quando o monitoramento indicar 1 percevejo a cada 10 plantas. O controle dos percevejos pode ser feito com inseticidas fosforados ou carbamatos.

11. Helicoverpa armigera

Por fim, não podemos deixar de falar da Helicoverpa armigera.

helicoverpa-armigera

(Fonte: Bayer)

Essa praga causou grande preocupação entre os produtores de soja, milho e algodão.

Seu principal controle é através do manejo integrado de pragas, utilizando cultivares geneticamente modificadas que expressam a toxina Bt, inseticidas biológicos e químicos, que sejam seletivos aos inimigos naturais.

Prepare-se para combater as principais pragas de milho

Monitorar e combater as pragas é uma parte do planejamento agrícola. Para sair conforme o esperado e você ter sucesso na lavoura, o trabalho começa bem antes da semente estar no campo.

Para você ter uma safra sem prejuízos, leia mais sobre planejamento agrícola nestes artigos.
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9 aplicativos para planejamento agrícola que você deveria conhecer

Principais pragas do milho e seu controle

Medidas gerais de controle de pragas

É claro que as pragas tem suas particularidades, e você já viu sobre elas ao decorrer do texto.

Mas há medidas fundamentais para combater todas essas pragas:

1) histórico e monitoramento das pragas na área;

2) rotação de culturas;

3) dessecação antecipada;

4) tratamento de sementes;

5) escolha da tecnologia Bt (no Brasil possível para as culturas de milho, algodão e soja);

6) uso de defensivos agrícolas para pragas do milho.

Além disso, disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP: saiba qual o Nível de Controle de cada praga e quando você deve aplicar, mantendo tudo organizado. Clique na figura a seguir para baixar!

Conclusão

Saber o histórico da sua área é essencial para fazer o planejamento durante a pré-safra.

Você pode tomar algumas medidas de manejo já na pré-safra, como controle de plantas daninhas, eliminação de restos culturais e verificação das principais pragas da área pelo histórico.

Agora que você já viu os sintomas e quais são as medidas de controle para as principais pragas do milho e sorgo, é só não descuidar de sua lavoura!

Monitore com frequência, faça seu planejamento e aplique todo seu conhecimento!

>> Leia mais:

“Safra de milho: conheça as previsões para 2022/23”

Gostou do texto? Restou alguma dúvida? Ou tem outras dicas sobre o manejo das principais pragas do milho e sorgo? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Doenças do milho: conheça as 10 principais e as formas de manejo 

Atualizado em 09 de agosto de 2022.

Doenças do milho: saiba como identificá-las, quando acontecem, quais danos trazem à cultura e muito mais!

A cultura do milho pode ser afetada por diversas doenças causadas por fungos, bactérias, vírus e nematoides.

As doenças são um dos fatores limitantes para a produção de milho. Por isso, a correta identificação é essencial para a adoção de estratégias de manejo adequadas. 

A seguir, conheça um pouco mais sobre as doenças do milho e como realizar o controle. Boa leitura!

Quais as principais doenças do milho?

As principais doenças da cultura do milho são:

  • Antracnose;
  • Cercosporiose;
  • Enfezamento;
  • Ferrugem;
  • Helmintosporiose;
  • Mancha-branca ou pinta-branca;
  • Mosaico comum;
  • Nematóides;
  • Podridão de Fusarium;
  • Mancha de Diplodia.

Das citadas, as doenças foliares no milho são as ferrugens, a antracnose foliar, a helmintosporiose, a cercosporiose e a mancha-branca. A mancha de Diplodia e a podridão de Fusarium são doenças da espiga do milho, que causam podridões no colmo e nas espigas.

Agora, confira um pouco mais sobre cada uma delas e entenda como identificar as doenças no milho.

1. Antracnose no milho

A antracnose é uma doença fúngica causada pelo patógeno Colletotrichum graminicola. Os sintomas da antracnose no milho podem ser observados nas folhas e no colmo da planta.

Nas folhas, aparecem lesões de formatos variados e de coloração castanho claro. Geralmente, os sintomas iniciam nas folhas do baixeiro e avançam em direção ao ápice da planta.

No colmo, é possível observar lesões com aspecto encharcado e de coloração marrom escuro. Em áreas onde é realizado o sistema de plantio direto, a incidência de antracnose é maior. Isso ocorre em razão do aumento da quantidade de inóculo nos restos culturais. 

2. Cercosporiose do milho

A cercosporiose é uma doença de grande importância econômica e que ataca as folhas do milho. Ela é causada pelos fungos Cercospora zea-maydis, Cercospora sorghi f. sp. maydis e Cercospora zeina.

O principal sintoma da cercosporiose é o aparecimento de lesões que crescem paralelamente às nervuras das folhas. Dependendo da severidade da doença, pode ocorrer o acamamento das plantas.

A disseminação da doença é feita pelos esporos do fungo. Os restos culturais são a principal fonte do inóculo.

3. Enfezamento

O enfezamento do milho é uma doença sistêmica causada por microrganismos conhecidos por molicutes. Dois tipos de enfezamento atacam a cultura do milho, são eles:

  • Enfezamento pálido (Spiroplasma kunkelli);
  • Enfezamento vermelho (Phytoplasma). 

O inseto vetor dessa doença no milho é a cigarrinha (Dalbulus maidis). O sintoma característico do enfezamento pálido são estrias de coloração esbranquiçada que surgem na base das folhas. Além disso, as plantas ficam raquíticas.

No enfezamento vermelho, as folhas adquirem coloração avermelhada. Além disso, ocorre o encurtamento dos entrenós e perfilhamento na base da planta e nas axilas foliares. 

Em ambos os casos, as plantas de milho infectadas podem apresentar maior número de espigas. No entanto, elas têm poucos ou nenhum grão, o que afeta diretamente a produtividade.

4. Ferrugem (comum, polissora e tropical)

As doenças conhecidas por ferrugem são de origem fúngica. Elas estão disseminadas na maioria das áreas produtoras de milho. A cultura do milho pode ser atacada por  três tipos de ferrugem:

  • Ferrugem comum do milho(Puccinia sorghi);
  • Ferrugem polissora do milho (Puccinia polysora);
  • Ferrugem tropical ou branca do milho(Physopella zeae).

Dessas três, a ferrugem polissora pode ser considerada a mais agressiva. Quando o manejo não é realizado de forma adequada, as lavouras contaminadas pela ferrugem polissora podem ter a produtividade reduzida em mais de 50%

Confira no quadro abaixo quais são os sintomas dos três tipos de ferrugem e quais as condições favoráveis para o desenvolvimento de cada uma delas.

Diferenças entre as ferrugens do milho
(Fonte: adaptação da autora)

5. Helmintosporiose no milho

A helmintosporiose é uma doença que tem maior incidência em lavouras de milho cultivadas na safrinha. Essa doença é causada pelo fungo Exserohilum turcicum.

O principal sintoma da helmintosporiose na cultura do milho é o aparecimento de lesões necróticas nas folhas. Essas manchas têm formato alongado e podem ser observadas primeiro nas folhas mais velhas.

6. Mancha-branca ou pinta-branca

A mancha-branca é uma doença do milho causada por mais de um patógeno. A bactéria Pantoea ananatis é a principal deles. Alguns fungos no milho também estão associados a essa doença. 

O sintoma característico dessa doença é o aparecimento de lesões de formato circular. Essas lesões têm o aspecto encharcado e coloração verde-clara.

Esse sintoma tem início na ponta das folhas. Eles são visíveis, primeiro, nas folhas inferiores. À medida que a doença avança, esses sintomas atingem as folhas superiores da planta.

7. Mosaico-comum do milho

O mosaico comum do milho é uma doença causada pelo vírus Sugarcane mosaic virus. Essa virose também ataca a cultura do sorgo e outras gramíneas. O principal vetor do mosaico comum é o pulgão (Rhopalosiphum maidis).

O sintoma típico dessa doença é o aparecimento de manchas em diferentes tons de verde nas folhas. Essas manchas conferem às folhas um aspecto de mosaico.

Além disso, as plantas de milho contaminadas apresentam menor altura. As espigas e os grãos também têm o tamanho reduzido. 

8. Nematoides

As principais espécies de nematoides que atacam o milho são:

  • Pratylenchus brachyurus;
  • Pratylenchus zeae; 
  • Helicotylenchus dihystera;
  • Criconemella spp.; 
  • Meloidogyne spp; 
  • Xiphinema spp.

Os sintomas causados por nematóides dependem da suscetibilidade do milho, da espécie e da densidade populacional do patógeno.

Os nematóides atacam o sistema radicular das plantas e interferem na absorção de água e nutrientes. Isso prejudica o desenvolvimento do milho.

Reflexo do ataque desses parasitas, as plantas de milho apresentam menor porte, clorose e murcha foliar nos períodos mais quentes do dia.

9. Podridão de Fusarium

A podridão de Fusarium é uma doença causada por fungos no milho, sendo eles o Fusarium moniliforme e o Fusarium subglutinans. Essa doença causa a murcha das plantas, tombamento e podridão da espiga.

No colmo das plantas de milho é possível observar lesões de coloração marrom. Na parte interna do colmo, o tecido adquire coloração rosada.

A infecção por esses patógenos é favorecida por alguma injúria causada por insetos e nematóides, por exemplo. A lesão funciona como porta de entrada para o fungo.

Os agentes causadores da podridão de Fusarium são fungos de solo. Eles têm a capacidade de sobreviver nos restos culturais por longos períodos.

>>Leia mais: “Podridão branca da espiga: Entenda mais e controle essa doença na sua área

10. Mancha de diplodia

A mancha de diplodia é causada pelo fungo necrotrófico Stenocarpella macrospora

Os sintomas dessa doença podem ser observados em várias partes da planta: folhas, colmo, hastes, espigas e sementes do milho.

A mancha de diplodia causa lesões nas folhas, podridão do colmo, podridão da espiga e grãos ardidos. As lesões foliares têm formato alongado e se caracterizam pela presença de um pequeno círculo visível contra a luz.

As sementes infectadas são o principal veículo de disseminação da doença. Os esporos do fungo sobrevivem nos restos culturais.

Quando as doenças no milho ocorrem?

Algumas doenças têm maior ocorrência dependendo da fase fenológica do milho. A ferrugem comum, por exemplo, pode acontecer entre os estádios V3 e R4. A ferrugem polissora, por sua vez, acontece entre V6 e R5.

A cercosporiose tem maior incidência entre a metade do estádio V6 e o final do R5. A mancha-branca ocorre entre metade do estádio V9 até o fim do ciclo da cultura. 

Já a podridão de fusarium acontece mais para o final do ciclo, entre R3 e R6. Ficar por dentro das épocas de incidência é fundamental para conseguir evitar as doenças, protegendo a produtividade da lavoura.

Confira abaixo quais as épocas de maior incidência de outras doenças do milho, de acordo com o ciclo da cultura.

Agora que você conheceu as principais doenças da cultura do milho e quando elas ocorrem, veja como realizar o manejo. 

Como controlar as doenças no milho

O manejo de doenças na cultura do milho é realizado pela adoção de medidas genéticas, culturais e químicas

É importante que sejam adotadas várias estratégias de controle para aumentar a eficiência do manejo. Abaixo, veja algumas medidas a serem empregadas no manejo de doenças em lavouras de milho:

  • Plantio de cultivares resistentes/tolerantes;
  • Evitar alta densidade de semeadura;
  • Evitar o plantio sucessivo de milho na mesma área;
  • Realizar o plantio e a colheita em épocas adequadas;
  • Utilizar sementes com qualidade fisiológica e sanitária;
  • Tratamento de sementes com fungicidas para milho;
  • Rotação com espécies não hospedeiras das doenças;
  • Controle das plantas invasoras;
  • Controle das pragas do milho;
  • Adubação do milho equilibrada;
  • Evitar o excesso de água em lavouras irrigadas;
  • Eliminação de restos culturais contaminados;
  • Escolha híbridos de milho resistentes;
  • Controle químico com produtos registrados no Mapa.

Todas essas recomendações são de grande importância e devem ser consideradas no programa de manejo de doenças na cultura do milho.

Conclusão

De modo geral, a ocorrência de doenças nas lavouras é um dos gargalos da produção agrícola. O milho é uma cultura afetada por doenças causadas por vírus, bactérias, fungos e nematóides. 

O conhecimento das doenças e de como realizar o controle faz parte do planejamento agrícola. Isso garante maiores chances de sucesso para o seu negócio.

Agora que você conhece as principais doenças do milho adote as estratégias citadas no artigo para maior eficiência no controle das doenças e também maior produtividade da lavoura.

Você tem mais dúvidas sobre estas doenças do milho? Quais práticas de manejo você utiliza? Adoraria ver seu comentário aqui embaixo.

foto da redatora Tatiza. Ela está com blusa preta, casaco jeans azul, e está sorrindo na frente de uma paisagem cheia de plantas

Atualizado em 09 de agosto de 2022 por Tatiza Barcellos.

Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.