Cadastro Ambiental Rural (CAR): Como funciona e por que é importante?

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro essencial para qualquer propriedade rural no Brasil. Criado para integrar as informações ambientais de imóveis rurais, o documento garante o cumprimento das normas de preservação ambiental.

No entanto, manter esse cadastro atualizado é preciso ter acesso a benefícios como crédito rural, programas de regularização ambiental e incentivos fiscais.

Se você é produtor rural e ainda não atualizou o seu CAR, ou tem dúvidas sobre como fazer isso, este artigo é para você.

Vamos explicar o que é o Cadastro Ambiental Rural, quem deve atualizá-lo, quais informações são necessárias.

O que é o Cadastro Ambiental Rural (CAR)?

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais no Brasil.

Instituído pelo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), o objetivo foi criar um banco de dados que reúne informações ambientais das propriedades rurais, como:

  • Área de reserva legal;
  • Áreas de preservação permanente (APPs);
  • Remanescentes de vegetação nativa;
  • Áreas de uso consolidado.

O CAR funciona como uma ferramenta de controle, monitoramento e planejamento ambiental para garantir que o uso das terras esteja de acordo com as normas de preservação e sustentabilidade.

A posse do CAR é obrigatória em diversos processos, sobretudo para obtenção de financiamentos públicos.

Quem tem que fazer o CAR rural?

O CAR é obrigatório para todo proprietário ou possuidor de imóvel rural, seja pessoa física ou jurídica.

A exigência se aplica tanto para pequenos produtores quanto para grandes propriedades rurais, incluindo áreas de pastagem, agricultura e reflorestamento.

O cadastro também é obrigatório para quem tem terras em área de preservação ou exploração agrícola.

Mesmo as pequenas propriedades, como os imóveis de agricultura familiar, devem estar devidamente cadastradas para garantir acesso a benefícios e regularização ambiental.

Se você já possui o CAR, fique atento aos prazos para atualização e garantir que todas as informações estejam corretas, especialmente em casos de mudanças na área cultivada ou na destinação de terras.

Quando o CAR deve ser atualizado?

A atualização do CAR deve acontecer sempre que houver mudanças nas informações da propriedade rural.

O processo pode ser feito diretamente pelo site do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR) ou por meio de sistemas estaduais vinculados à Secretaria de Meio Ambiente. Etapas para atualização incluem:

  1. Acesse o sistema SICAR – O cadastro é feito pelo site oficial (www.car.gov.br);
  2. Faça o login com os dados do produtor rural;
  3. Atualize as informações – Insira as mudanças na área cultivada, nas áreas de reserva legal e nos dados da propriedade;
  4. Anexe documentos comprobatórios – É necessário apresentar documentos como o registro da propriedade, mapas atualizados e autorizações ambientais;
  5. Envie a atualização – Após revisar os dados, envie para análise. O sistema pode gerar um protocolo de acompanhamento para o produtor verificar o status da atualização.

Para não ter problemas com o CAR, revise e atualize o cadastro sempre que houver mudanças na área da propriedade, como desmatamento autorizado, novas delimitações de reserva legal ou alterações nos dados do proprietário.

Em alguns estados, a atualização periódica pode ser exigida por legislações específicas. Sempre fizer uma mudança na propriedade, consulte os órgãos ambientais locais ou profissionais especializados para ter informações atualizadas sobre as exigências.

Quanto custa para atualizar o CAR?

A inscrição e atualização do CAR, em geral, são gratuitas para o produtor rural, já que o sistema é administrado pelo Governo Federal.

Caso você contrate um profissional para fazer o cadastro ou a atualização (como um engenheiro agrônomo ou um consultor ambiental), o valor pode variar de acordo com o tamanho da propriedade e a complexidade da regularização.

Exemplo de valores de mercado para atualização do CAR

Tamanho Valores
Propriedades pequenas (até 100 hectares) De R$ 500,00 a R$ 2.000,00
Propriedades médias (100 a 500 hectares) De R$ 2.000,00 a R$ 5.000,00
Propriedades grandes (acima de 500 hectares) Acima de R$ 5.000,00

Para propriedades menores, a contratação de um profissional pode não ser necessária, já que o sistema é relativamente simples de utilizar.

Qual a área mínima para fazer o Cadastro Ambiental Rural?

Não existe um limite mínimo para o registro no CAR. Mesmo pequenas propriedades ou terrenos destinados à agricultura familiar devem ser cadastrados.

Pequenos produtores e proprietários de terras com até 4 módulos fiscais (área que varia conforme o município) têm um tratamento diferenciado e simplificado na análise e no processo de regularização.

Para áreas maiores, a análise pode ser mais detalhada, especialmente se envolver áreas de preservação ou exploração de recursos naturais.

Informações exigidas no sistema ambiental rural

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) exige uma série de informações sobre a propriedade, necessárias para que os órgãos ambientais analisem a conformidade do imóvel rural com o Código Florestal. Confira:

  • Identificação dos proprietários ou possuidores rurais;
  • Informações dos documentos comprobatórios da propriedade ou posse rural;
  • Identificação do imóvel rural;
  • Delimitação do perímetro:
    • Do imóvel;
    • De remanescentes de vegetação nativa das áreas;
    • Da APP (áreas de preservação permanente) e RL (reserva legal);
    • Das áreas de uso restrito e áreas consolidadas.

Quais são os prazos do CAR produtor rural?

Atualmente, não há prazo limite para a inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), devido à Medida Provisória 884, de 14 de junho de 2019, que tornou o sistema aberto.

Isso significa que os produtores rurais podem realizar a inscrição ou atualizar o cadastro a qualquer momento.

A principal vantagem dessa medida é dar flexibilidade aos produtores, permitindo que realizem o cadastro quando desejarem.

No entanto, o CAR continua sendo obrigatório para todas as propriedades e posses rurais, e a ausência da inscrição pode gerar penalizações e restrições no acesso a linhas de crédito agrícola.

É importante destacar que, embora o CAR não tenha prazo final para inscrição, a adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) está vinculada à data de inscrição no CAR.

Os proprietários que se cadastraram até 31 de dezembro de 2020 têm direito à adesão ao PRA, enquanto novas inscrições podem ter regras específicas conforme regulamentações estaduais ou federais.

Manter seus cadastros atualizados e acompanhar as normas ambientais é fundamental para garantir a conformidade legal e o acesso aos benefícios disponíveis.

Cadastro Ambiental Rural e linha de crédito: Qual a relação?

No Código Florestal, as instituições financeiras podem exigir dos produtores rurais a inscrição das propriedades no CAR para a liberação de crédito (art. 78-A, dezembro de 2017).

Para evitar a penalização e para não haver dificuldades para obtenção de financiamentos, realize sua inscrição no CAR quanto antes! De qualquer forma, o cadastro continua sendo obrigatório na declaração do ITR.

Mas fique atento! O imóvel só é considerado regularizado depois da análise do órgão ambiental estadual competente.

Essa análise deve constatar que não há passivo ambiental referente à Reserva Legal (RL), Área de Preservação Permanente (APP) ou Área de Uso Restrito (AUR).

Crédito rural: como funciona e o que você precisa saber para obter

CAR propriedade rural é obrigatório no ITR?

Desde julho de 2019, a Receita Federal implementou mudanças nas exigências para a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR).

Inicialmente, a Instrução Normativa RFB nº 1.902, de 17 de julho de 2019, os proprietários rurais deveriam apresentar o recibo de inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao declarar o ITR, para assegurar que as áreas não tributáveis fossem excluídas do cálculo do imposto.

Posteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 1.909, de 14 de agosto de 2019, alterou essa exigência, dispensando a obrigatoriedade de apresentação do recibo do CAR em alguns casos.

Assim, a apresentação do recibo de inscrição no CAR passou a ser obrigatória apenas para as propriedades que já estivessem inscritas no cadastro.

Até o momento os proprietários rurais que desejam excluir áreas não tributáveis do cálculo do ITR devem informar os dados de inscrição no ADA ao Ibama.

A apresentação do recibo do CAR na DITR é obrigatória somente para as propriedades já inscritas no cadastro.

10 benefícios de fazer o Cadastro Ambiental Rural

O Cadastro Ambiental Rural é a principal ferramenta governamental para auxiliar na verificação do cumprimento das leis florestais em todo o país. 

Após a inscrição, você tem o direito de solicitar a regularização do imóvel pelo PRA (Programa de Regularização Ambiental). Veja os benefícios de fazer o cadastro ambiental rural:

  1. Assegurar a preservação da vegetação nativa da propriedade;
  2. Propiciar condições favoráveis para o equilíbrio da fauna e da flora na região onde estiverem localizadas;
  3. Fornecer um levantamento robusto das áreas rurais, com indicadores ambientais e informações para benefício do próprio produtor rural. Há benefícios para governança socioambiental dos imóveis de cada região brasileira;
  4. Criar uma ferramenta para o planejamento tributário da propriedade;
  5. Fazer a regulação fundiária ambiental para a propriedade;
  6. Suspender as sanções devido às infrações por supressão irregular de vegetação cometidas até 22 de julho de 2008. Isso garante a segurança jurídica para os produtores rurais e consolida as áreas que já estavam em uso;
  7. Facilitar acesso ao crédito agrícola e a outros programas do governo. Os programas garantem incentivos para a comercialização agrícola, pagamento por desempenho, compensação ambiental pelas medidas de conservação e inovação, por exemplo.
  8. Permitir que você contrate um seguro agrícola em condições melhores do que as atuais do mercado;
  9. Assegurar a isenção de impostos para os principais insumos e equipamentos (fio de arame, postes de madeira tratada, bombas de água, entre outros). Esses equipamentos são utilizados para os processos de recuperação e manutenção das Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e áreas de uso restrito;
  10. Possibilitar a comercialização de Cotas de Reserva Ambiental e uma remuneração. Isso se aplica ao produtor que optou por deixar uma maior área para conservação de vegetação nativa daquela exigida na legislação (tanto para as áreas de preservação permanente, como para as reservas legais).
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Agricultura de subsistência: O que é e qual a importância?

A agricultura de subsistência comum em várias partes do mundo, sendo particularmente relevante no Brasil, pela ampla diversidade de biomas, culturas e realidades socioeconômicas. 

Essa forma de agricultura se caracteriza pela produção voltada, principalmente, para o consumo próprio do agricultor e de sua família.

Para alguma comunidades, representa uma conexão com tradições culturais, além de desempenhar um papel importante na segurança alimentar do país.

No entanto, a prática tem uma grande potencial para promover a sustentabilidade, preservar culturas locais e fortalecer a economia de comunidades isoladas.

No Brasil, milhões de famílias, especialmente em áreas rurais remotas com acesso limitado a mercados e recursos tecnológicos, dependem dessa atividade para garantir sua sobrevivência.

O que é agricultura de subsistência?

A agricultura de subsistência é um modelo de produção agrícola que visa atender exclusivamente às necessidades básicas de alimentação do produtor e de sua família.

 Ao contrário de sistemas agrícolas comerciais, cujo objetivo principal é a geração de lucro, a subsistência se concentra em fornecer alimentos diretamente para o consumo

Qualquer excedente eventual é, em geral, trocado ou vendido em mercados locais para a compra de itens essenciais que não são produzidos pela família.

Características da agricultura de subsistência

A agricultura de subsistência tem foco na autossuficiência alimentar das famílias, que se caracteriza, principalmente, pelo cultivo de pequenas áreas de terra, geralmente com o objetivo de produzir alimentos básicos como arroz, feijão, milho, legumes e raízes, sem a intenção de comercialização em larga escala.

O modelo é altamente vulnerável a fatores externos, como mudanças climáticas, pragas e doenças, pois as famílias têm pouco acesso a recursos ou tecnologias que poderiam ajudar a enfrentar esses desafios. No entanto, também é caracterizado por:

  • Produção em pequena escala: A área cultivada é geralmente reduzida, com foco na diversidade de cultivos que assegurem a alimentação da família;
  • Baixa mecanização: O uso de tecnologias e maquinário moderno é raro. As técnicas empregadas são, em sua maioria, tradicionais e manuais;
  • Diversificação de culturas: O plantio de diferentes espécies agrícolas, como mandioca, milho, feijão, arroz e hortaliças, é comum para garantir variedade alimentar;
  • Mão de obra familiar: Toda a força de trabalho é composta pelos próprios membros da família;
  • Baixa dependência de insumos externos: Fertilizantes, pesticidas e sementes comerciais são usados de forma limitada ou inexistente.

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Exemplos de agricultura de subsistência no Brasil

A prática da agricultura de subsistência varia significativamente entre as regiões brasileiras, refletindo a diversidade cultural, climática e ambiental do país. Confira como ela se manifesta nas cinco regiões:

1. Norte

Nas comunidades ribeirinhas da Amazônia, o cultivo de mandioca, banana e milho é predominante. Além disso, há uma forte dependência de atividades complementares, como a pesca artesanal e a coleta de frutas nativas, como o açaí.

2. Nordeste

Nessa região, marcada por condições climáticas desafiadoras, o cultivo de milho, feijão e mandioca é essencial para a subsistência. A criação de pequenos animais, como cabras e galinhas, também desempenha um papel importante no sustento familiar.

3. Centro-Oeste

Embora mais conhecido pelo agronegócio, o Centro-Oeste abriga comunidades que praticam agricultura de subsistência. Nessas áreas, a produção de arroz, milho e feijão é comum, muitas vezes associada à pecuária de pequeno porte.

4. Sudeste

Pequenos agricultores da região se dedicam ao cultivo de hortaliças, frutas e cereais, como o milho. Em regiões de montanha, há também o cultivo de café e a criação de animais, como galinhas e porcos.

5. Sul

O cultivo de batata, milho e hortaliças é característico da agricultura de subsistência nessa região. Além disso, pequenos agricultores mantêm pomares e criam animais de forma tradicional.

Qual a diferença entre agricultura familiar e agricultura de subsistência?

Embora frequentemente confundidos, agricultura familiar e agricultura de subsistência tem diferenças importantes. 

A agricultura familiar inclui tanto a produção para o consumo próprio quanto para a comercialização, podendo incorporar tecnologias modernas e buscar inserção no mercado.

Já a agricultura de subsistência é quase totalmente voltada para atender às necessidades alimentares do produtor e de sua família, com pouca ou nenhuma intenção de vender excedentes. Também é mais conectada a métodos tradicionais e a uma escala muito menor de produção.

A segurança alimentar é uma das principais contribuições da subsistência, especialmente para comunidades em áreas remotas ou isoladas, onde o acesso a alimentos é limitado. 

Além de ajudar a preservar culturas locais, mantendo vivas práticas agrícolas tradicionais e conhecimentos ancestrais.

Desafios da agricultura de subsistência

A agricultura de subsistência no Brasil enfrenta uma série de desafios que colocam em risco sua continuidade e eficácia. 

Um dos principais problemas está relacionado às condições climáticas adversas, como secas prolongadas, chuvas intensas e a imprevisibilidade das estações.

Essas condições afetam diretamente a produção, já que os pequenos agricultores, muitas vezes, não possuem acesso a sistemas de irrigação eficientes ou tecnologias que permitam mitigar os impactos do clima. 

Além disso, a degradação dos solos em algumas regiões, causada pelo uso inadequado ou pela falta de conhecimento técnico, limita ainda mais a produtividade.

Outro grande obstáculo é o acesso a recursos financeiros e técnicos. Muitos agricultores de subsistência enfrentam dificuldades para obter crédito rural, o que os impede de investir em melhorias na produção, como aquisição de sementes de melhor qualidade, fertilizantes e ferramentas. 

Fora isso, o êxodo rural, com a migração de jovens em busca de melhores oportunidades, agrava o envelhecimento da população e a redução da força de trabalho agrícola.

A expansão do agronegócio pressiona as áreas da agricultura de subsistência, excluindo pequenos agricultores e reduzindo a biodiversidade.

A falta de infraestrutura básica, como estradas e acesso a mercados, limita as opções de escoamento e comercialização da produção, aprofundando o ciclo de vulnerabilidade econômica e social nas comunidades rurais.

Produtos de subsistência são alimentos e recursos naturais cultivados ou produzidos para o consumo próprio de uma família ou comunidade, ao invés de serem comercializados.

Esses produtos usados na sobrevivência diária e incluem alimentos como arroz, feijão, milho, hortaliças, frutas, raízes, tubérculos, além de pequenos animais criados para alimentação, como galinhas e porcos.

A produção é geralmente voltada para atender às básicas de nutrição e sustento da família, com foco em autosuficiência.

A economia de subsistência é base na produção de alimentos e recursos para o consumo direto sem a intenção de gerar lucro ou envolver transações comerciais.

Nesse sistema, é produzido o necessário para suprir as necessidades básicas, como alimentação, vestuário e, em alguns casos, abrigo. O foco está na autosuficiência, e não no acúmulo de riqueza ou na maximização de lucros.

Os produtores de subsistência utilizam métodos tradicionais e recursos locais, com o mínimo de uso de tecnologia e insumos externos. O excedente de produção, quando ocorre, pode ser trocado por outros bens ou serviços dentro da comunidade, através do escambo.

Já o comércio de produtos é limitado e depende de trocas diretas, sem o envolvimento de mercados formais ou de grande escala.

Esse modelo econômico tem uma relação muito forte com fatores como clima, solo, recursos naturais disponíveis e o trabalho manual, e a produção é muitas vezes vulnerável a riscos externos, como mudanças climáticas, pragas e escassez de recursos.

A agricultura de subsistência usa a produção de alimentos para o consumo da própria família ou comunidade,  praticada em pequena escala, utilizando métodos tradicionais e recursos locais.

O plantation se refere a grandes propriedades agrícolas voltadas para o cultivo de uma única cultura, com foco na produção em grande escala para comercialização.

Neste caso, os produtos são destinados a mercados externos, e o uso de tecnologia avançada e técnicas industriais é comum, podendo ter impactos ambientais significativos, como o desmatamento.

Tipos de nematoides: conheça suas características e saiba como combatê-los

Tipos de nematoides mais frequentes nas culturas agrícolas: saiba o que fazer para evitar esse prejuízo na lavoura

A redução da produtividade na sua lavoura pode ser causada por vários fatores, entre eles os nematoides.

A presença desses organismos na lavoura causa prejuízos em torno de R$ 35 bilhões ao agronegócio nacional, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN). Nos canaviais, as perdas ultrapassam R$ 12 bilhões e, na soja, passam de R$ 16 bilhões.

Conheça a seguir os principais tipos de nematoides que atacam culturas agrícolas e como fazer o manejo mais adequado na sua propriedade.

O que é um nematóide? 

Os nematóides são vermes microscópicos, encontrados no  solo, água doce, água salgada e como parasitas de plantas, animais e humanos. 

Com mais de 25.000 espécies descritas, esses organismos variam em tamanho, de menos de 1 milímetro a vários centímetros, sendo responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e o ciclo de nutrientes no solo.

Na agricultura, são conhecidos por serem parasitas causadores de doenças, responsáveis por grandes prejuízos ao atacarem as raízes, dificultando a absorção de água e nutrientes pelas plantas, em especial os gêneros:

  1. Meloidogyne (nematóide-das-galhas);
  2. Pratylenchus (nematóide das lesões radiculares);
  3. Heterodera (nematóide do cisto). 

A presença desses parasitas são causadas por fatores como solos contaminados, uso de mudas ou sementes infectadas, práticas agrícolas inadequadas e condições ambientais favoráveis, como solos compactados, pobre em matéria orgânica e com alta umidade. 

Além disso, a movimentação de máquinas, ferramentas e irrigação com água contaminada também contribuem para a disseminação desses parasitas, causando grandes danos na lavoura. 

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Ciclo de vida dos nematoides

O ciclo de vida dos nematoides varia dependendo da espécie, mas, em geral, segue algumas etapas comuns. 

O ciclo começa com a postura de ovos pela fêmea, que pode ocorrer tanto no solo quanto nas raízes das plantas. Quando os ovos eclodem, liberam juvenis (geralmente no estádio J2), que são a forma infectante e podem se mover pelo solo em busca de raízes. 

Uma vez que encontram uma raiz hospedeira, esses juvenis penetram nas células do sistema radicular e começam a se alimentar, o que pode causar danos ao tecido da planta.

Dependendo dos tipos de nematoides, esse processo pode envolver diferentes interações com as células das raízes, como a formação de galhas ou lesões. 

Os nematoides passam por várias mudas até atingirem a fase adulta, podendo formar cistos ou liberar ovos que reiniciam o ciclo. Em espécies como o nematoide de cisto (Heterodera), as fêmeas se fixam nas raízes e se transformam em cistos, abrigando os ovos. 

O ciclo completo pode durar de semanas a meses, dependendo das condições ambientais, como temperatura e umidade.

Tipos de nematoides importantes na agricultura

Os tipos de nematoides são um grande problema na agricultura em razão dos prejuízos que podem causar em diversas culturas agrícolas. 

Lavouras atacadas por esses fitoparasitas têm plantas menores, amareladas, com lesões no sistema radicular. Além disso, os nematoides podem causar a morte das plantas. 

Os primeiros sintomas de sua presença geralmente são percebidos na parte aérea das plantas, devido à dificuldade na absorção de água e nutrientes. 

Sintomas esses que, inclusive, podem ser confundidos com deficiência nutricional e estresse hídrico.

1. Meloidogyne 

Também conhecidos como nematoides das galhas, esse tipo de parasita tem fêmeas com corpo globoso e “pescoço”, que depositam ovos em aglomerados na raiz. 

Dentro do ovo ocorre a fase juvenil J1, que evolui para J2, estádio em que saem no solo à procura de raízes. 

Ao encontrá-las, os nematoides injetam secreções que modificam algumas células, formando células gigantes (nutridoras) e galhas, resultado do crescimento e divisão celular estimulados por reguladores de crescimento. 

Nesse estágio, os parasitas perdem a mobilidade e passam pelas fases J3 e J4 até se tornarem adultos. Machos, quando presentes, têm corpo filiforme e alongado.

Sintomas Meloidogyne incognita 

  • Galhas (não é um sintoma obrigatório, podendo não ocorrer em algumas espécies de planta hospedeiras e, em outras, podem ser de tamanho reduzido);
  • Redução do sistema radicular; 
  • Raízes digitadas;
  • Rachaduras;
  • Tamanho desigual das plantas;
  • Murchamento;
  • Desfolha;
  • Redução na produção.

Alguns desses sintomas podem ocorrer por outras causas, isso também para os demais tipos de nematoides. Por isso, é importante a correta diagnose do agente causal, que vamos falar mais adiante.

2. Pratylenchus

Esse tipo de nematóide são conhecidos pelas lesões radiculares, que se caracterizam por sua forma filiforme e movimento intenso, tanto nas fases jovens quanto adultas. 

As fêmeas depositam os ovos separadamente no solo ou nas raízes das plantas. A partir do estádio J2, iniciam o processo de parasitismo. 

Durante a alimentação, injetam secreções tóxicas nas células das raízes, o que leva à morte celular após a saída do nematoide, resultando em lesões necróticas nas raízes.

No Brasil, há algumas espécies com maior ocorrência, como:  P. coffeae, Pratylenchus brachyurus e P. zeae

O Pratylenchus brachyurus pode afetar muitas espécies de plantas cultivadas como soja, arroz, cana-de-açúcar, trigo, milho, sorgo, algodão e outras. Pode causar perdas de até 50% na produtividade de grãos de soja, por exemplo.

Sintomas do Nematoide Pratylenchus

  • Redução do sistema radicular;
  • Lesões nas raízes;
  • Redução na produção;
  • Podem ocorrer em reboleiras.

3. Heterodera

O nematoide de cisto, do gênero Heterodera, é de grande importância no Brasil, especialmente o Heterodera glycines, causador de danos à soja, sua principal hospedeira. 

Após a eclosão dos ovos, os juvenis parasitas (J2), que são móveis e filiformes, se tornam infectantes e penetram nas raízes das plantas.

Ao entrar nas raízes, eles estimulam a formação de células nutridoras e se fixam, passando por várias trocas de tegumento até atingirem a fase adulta.

Com o crescimento dos juvenis, ocorre o rompimento do córtex e da epiderme da raiz, deixando parte do corpo do nematoide exposta. 

As fêmeas adultas, com o corpo parcialmente fora da célula, fixam-se por uma região chamada pescoço, com formato semelhante a um limão. 

A coloração das fêmeas varia de branca ou amarelada para marrom à medida que o ciclo avança. 

Durante o ciclo, as fêmeas retêm a maior parte dos ovos dentro de seus corpos, o que leva à sua morte e à formação de cistos, que ficam cheios de ovos.

Os cistos têm uma parede muito resistente e podem ser dispersos no solo. Os ovos podem sobreviver nessa estrutura por muito tempo, o que acaba dificultando uma medida de manejo que é a rotação de cultura.

Sintomas do Nematoide Heterodera

  • Plantas com porte reduzido;
  • Plantas cloróticas em reboleiras (por isso a doença também é chamada de nanismo amarelo);
  • Pode ocorrer a morte das plantas.

Existem raças do NCS, sendo que no Brasil já foram encontradas 11 delas. No caso da soja, há algumas cultivares resistentes ao nematoide do cisto.

4. Rotylenchulus 

Uma espécie desse nematoide importante no Brasil é o R. reniformis, também chamado de nematoide reniforme. Esse nematoide tem causado grandes prejuízos na cultura do algodão.

As fêmeas do nematoide reniforme são semiendoparasitas. Após a eclosão dos ovos, os juvenis femininos procuram raízes da planta hospedeira. 

Assim que encontram, penetram parcialmente, ou seja, metade do corpo fica para fora da raiz. 

Com o tempo, o corpo das fêmeas aumenta e adquire uma forma de rim, por isso o nome de reniforme. Já os machos não são fitoparasitas.

Sintomas do Nematoide Rotylenchulus 

  • Clorose (amarelamento das folhas);
  • Crescimento reduzido e desenvolvimento desigual;
  • Raízes atrofiadas;
  • Formação de nódulos nas raízes;
  • Morte precoce das plantas.

5. Tylenchulus

Uma espécie importante desse gênero é o T. semipenetrans, o nematoide dos citros, que atualmente está bastante disseminado pelo país.

As fêmeas colocam os ovos na parte exterior das raízes, que dão origens a fases juvenis, e após algumas ecdises, originam os adultos.

Normalmente, os sintomas ocorrem tardiamente nas plantas por, atualmente, se utilizar mudas sadias e também porque apesar de muito disseminado nas áreas, o nível populacional é baixo. 

Sintomas do Nematoide Tylenchulus

  • Clorose (amarelamento das folhas);
  • Deficiência de nutrientes;
  • Morte de ramos e galhos;
  • Atraso na maturação dos frutos;
  • Redução na formação de raízes laterais.

6. Radopholus

Uma espécie importante desse gênero é R. similis, também chamado de nematoide cavernícola, sendo muito importante para a cultura da bananeira

O tipo de parasitismo se assemelha ao gênero Pratylenchus, que também causa lesões nas raízes.

Em ataques severos do nematoide, as plantas de banana podem tombar pela ação do vento ou pelo peso dos cachos.

Sintomas do Nematoide Radopholus

  • Lesões necrosadas em áreas específicas das raízes;
  • Decomposição das raízes;
  • Desfolha e murchamento irregular;
  • Rachaduras nas raízes. 
Planilha de manejo integrado de pragas

Como identificar nematoides na lavoura?

O sintoma de ataque em reboleira é um dos principais indicativos de que pode haver infestação de tipos de nematoides na lavoura. A principal característica é o baixo vigor, desenvolvimento limitado da parte aérea das plantas e clorose das folhas. 

Solos arenosos ou franco-arenosos são mais propícios à movimentação e migração desses organismos, mas nem o solo argiloso nem áreas com baixo índice de matéria orgânica estão imunes à infestação. 

Além disso, temperaturas acima de 28°C e alta umidade, condições comuns no clima tropical, também favorecem a proliferação dos nematoides.

Os sintomas causados por nematoides podem ser confundidos com deficiências nutricionais ou estresse hídrico, pois afetam a absorção de água e nutrientes.

Para identificar a causa, é necessário investigar o solo e as raízes, conhecer os principais tipos de nematoides e realizar uma amostragem do solo e raízes (a 25-30 cm de profundidade). 

Nematoides: como identificar e controlar

Como prevenir todos os tipos de nematoides na lavoura?

A prevenção de qualquer tipo de nematóide em uma lavoura envolve cuidados diversos, que podem ser combinados entre si.

Um dos mais comuns é o plantio direto, que tem contribuído, em partes, nessa mudança de percepção sobre solo, sua estrutura e vida. Ainda, a rotação com plantação de amendoim pode reduzir a incidência dessas pragas. Mas os seguintes cuidados ajudam na prevenção:

1. Limpeza do maquinário   

A movimentação de nematoides no solo é bastante limitada. Por isso, o deslocamento de maquinário contribui na disseminação entre áreas desses microrganismos.

A limpeza é tão fundamental quanto a regulagem do maquinário e uma das opções é começar os manejos pelas áreas limpas, deixando por último a área infestada.

2. Rotação de culturas 

A rotação de culturas é uma das melhores técnica de manejo para controlar a infestação de nematoides no solo. 

Ao alterar as culturas cultivadas de uma safra para a outra, é possível evitar que os parasitas encontrem hospedeiros específicos e possam se reproduzir constantemente, quebrando o ciclo de vida desses organismos. 

Muitas espécies de nematoides são seletivas quanto às plantas que atacam, por isso, ao optar por culturas que não são hospedeiras para esses parasitas, conseguimos reduzir a sua população no solo.

Além disso, algumas plantas utilizadas na rotação, como leguminosas e adubos verdes, não apenas interrompem o ciclo dos nematoides, mas também contribuem para a melhoria do solo. 

Essas plantas aumentam a matéria orgânica, o que favorece o equilíbrio microbiológico, além de melhorar a estrutura do solo, tornando-o mais saudável para as culturas subsequentes. 

Algumas espécies, como a crotalária, atuam diretamente como armadilhas para os nematoides, impedindo que suas larvas se desenvolvam completamente.

3. Análise de solo

Caso os sintomas já estejam presentes na área, é preciso identificar a causa do problema e determinar a espécie predominante para implementar um programa de controle eficaz. Uma análise de solo bem executada pode garantir resultados precisos.

A coleta deve ser realizada dividindo a área em quadrantes de 2 a 10 hectares. Pelo menos 5 a 10 quadrantes devem ser selecionados, e uma amostra composta retirada de cada um. O solo deve ser aberto em forma de V, da superfície até 25-30 cm de profundidade, retirando a lâmina lateral.

Neste processo, algumas precauções importantes incluem: evitar deixar as amostras ao sol, pois os nematoides são sensíveis e deterioráveis; realizar a análise o mais rápido possível, armazenando as amostras a 10°C (na geladeira) por até 2 semanas, sem colocar no congelador.

4. Controle biológico de nematóides

O controle biológico de nematoides é uma abordagem que utiliza organismos vivos, como predadores naturais, fungos, bactérias e plantas biofumantes, para reduzir as populações de nematoides no solo. 

Métodos como o uso de Paecilomyces lilacinus, Bacillus thuringiensis, e plantas como a crotalária, que atuam como armadilhas ou liberam compostos nematicidas, são eficazes no controle desses parasitas. 

Além disso, a rotação de culturas com plantas que favorecem microrganismos benéficos e o uso de compostos orgânicos ajudam a melhorar a biodiversidade do solo e a reduzir a infestação de nematoides. 

Micro-organismos que controlam nematóides

O controle biológico de vários tipos de nematoides pode envolver o uso de micro-organismos naturais que atuam para reduzir as populações desses parasitas no solo, como: 

  1. Trichoderma harzianum: Fungo que combate o nematoide das lesões radiculares Pratylenchus spp.
  2. Paelomyces lilacinus: Fungo que afeta diretamente a capacidade reprodutiva dos nematoides.
  3. Bacillus amiloliquefaciens: É uma bactéria que pode inibe a penetração dos nematoides nas raízes, promovendo a morte do embrião de nematoide dos ovos presentes próximos ao sistema radicular.
  4. Pochonia chlamydosporia: É um fungo que controla o nível populacional de nematoides dos gêneros Meloidogyne, Heterodera, Rotylenchulus, Pratylenchus.
  5. Arthrobotrys spp.: Fungo que atua pela formação de estruturas ao longo das hifas, penetra o nematóide, se desenvolve em seu interior e lança suas estruturas vegetativas e reprodutivas para o exterior. 

Ao integrar esses micro-organismos ao manejo agrícola, o controle dos nematoides pode ser realizado de maneira eficiente, além de ser possível reduzir a dependência de produtos químicos, favorecendo práticas mais ecológicas e sustentáveis. 

A Aegro pode ser uma aliada importante nesse processo a partir do monitoramento da lavoura, imagens em NDVI e outras vantagens para o controle e produtividade da sua fazenda. Clique no banner e saiba mais! 

Agricultura sustentável: O que é e como iniciar na minha fazenda?

A demanda por agricultura sustentável no Brasil está transformando as cadeias produtivas.

O país tem buscado formas de aumentar a produção sem expandir áreas, unindo eficiência econômica e preservação ambiental.

Por conta disso, essa mudança é impulsionada por exigências do mercado e pela legislação que protege áreas naturais.

A preocupação com a sustentabilidade, surge como uma solução para uma produção maior, e com menor impacto ambiental. Tecnologias como novas cultivares e sistemas integrados são as principais ações para atender essas demandas.

O que é agricultura sustentável?

A agricultura sustentável é um conjunto de práticas agrícolas que promovem a produção de alimentos de maneira responsável em termos ambientais, sociais e econômicos

O objetivo é atender às necessidades das gerações atuais e futuras, buscando um equilíbrio entre três pilares fundamentais: econômico, ambiental e social. 

Esse modelo é adotado para garantir que a produção alimentar não comprometa a saúde do planeta e o bem-estar das comunidades.

Sustentabilidade na Agricultura do Brasil

O Brasil, como um grande produtor de alimentos, enfrenta o desafio de garantir a segurança alimentar de forma sustentável. 

Atualmente, a agricultura no país é responsável por uma significativa parte do consumo de água e contribui para o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa. 

Portanto, a transição para práticas agrícolas sustentáveis é importante para enfrentar esses desafios, preservando os recursos naturais e contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que se busca inovação e eficiência no setor.

Você também pode ter interesse: 

Principais práticas sustentáveis na produção de grãos no Brasil

A produção de grãos no Brasil, por lei,  requer a adoção de práticas sustentáveis para atender à demanda por alimentos e preservar os recursos naturais. Por isso, separamos as mais utilizadas no momento em nossa agricultura.

1. Plantio Direto

Atualmente, cerca de 9 milhões de hectares são dedicados ao sistema de Plantio Direto (SPD)

Essa prática oferece diversos benefícios, como maior retenção de umidade, prevenção da erosão, flexibilidade no plantio e redução de custos, resultando em maior eficiência e rendimento na produção de grãos como milho e soja.

2. Rotação de culturas

A rotação entre culturas, especialmente entre soja e milho, é fundamental para melhorar a fertilidade do solo, controlar pragas e doenças, e reduzir o risco de erosão. 

Essa prática não só equilibra a demanda por nutrientes, mas também melhora a estrutura do solo, aumentando sua capacidade de retenção de água.

3. Uso de tecnologia de precisão

A tecnologia de precisão revoluciona a produção agrícola ao permitir a aplicação exata de insumos como água e fertilizantes.

Isso reduz o desperdício e minimiza os impactos ambientais, ao mesmo tempo que possibilita monitoramento em tempo real, promovendo um manejo mais eficiente e sustentável.

4. Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)

A ILPF combina diferentes atividades agrícolas em uma mesma área, trazendo benefícios como a melhoria do solo, redução da erosão, captura de carbono e conservação da biodiversidade

Além disso, essa prática contribui para a resiliência dos sistemas agrícolas e para um equilíbrio ecológico.

5. Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD)

O MIPD é uma abordagem sustentável que reduz o uso de defensivos agrícolas e preserva a biodiversidade. 

A técnica utiliza estratégias de controle biológico e preventivas para gerenciar pragas, evitando a resistência a produtos químicos e promovendo a saúde dos ecossistemas agrícolas.

6. Conservação de áreas de preservação permanente (APPs)

A proteção da vegetação nativa em torno de corpos d’água e áreas de conservação é necessária para manter a biodiversidade e proteger os recursos hídricos, assegurando um ambiente agrícola mais sustentável.

7. Uso eficiente da água

A gestão de sistemas de irrigação eficientes costuma ser uma opção para reduzir o consumo de água e evitar desperdícios, contribuindo para uma agricultura mais sustentável.

8. Agricultura de baixo carbono (ABC)

A ABC envolve práticas que diminuem as emissões de gases de efeito estufa, como técnicas de plantio direto e a fixação biológica de nitrogênio, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

9. Certificação sustentável

A adesão a programas de certificação que comprovam práticas sustentáveis na produção de grãos garante a rastreabilidade e a responsabilidade socioambiental, promovendo uma agricultura ética.

10. Leis ambientais e monitoramento da propriedade

O cumprimento das leis ambientais e o monitoramento das atividades agrícolas são essenciais para identificar e mitigar impactos negativos no meio ambiente, assegurando a sustentabilidade a longo prazo.

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Tipos de agricultura sustentável 

A agricultura sustentável é meio de preservar o meio ambiente que se popularizou com os anos. 

Por conta disso, hoje em dia existem vários tipos dessa agricultura, que podem ser adaptadas para diversas culturas. Confira abaixo: 

1. Agroecologia

A agroecologia é uma abordagem científica que aplica os princípios da ecologia à agricultura. 

Sua principal característica é a diversificação de cultivos e a conservação do solo e da água, promovendo um sistema agrícola mais equilibrado e responsável.

Culturas que mais utilizam a prática: Hortaliças e frutas, grãos (feijão, milho e arroz), café, cacau, leguminosas (entilhas e grão-de-bico) e cana-de-açúcar.

2. Agricultura Orgânica/Ecológica

Esse sistema de produção exclui o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Utiliza práticas como adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas, promovendo uma agricultura mais saudável e sustentável.

Culturas que mais utilizam a prática: hortaliças (alfaces, tomates, cenouras, brócolis e outras verduras), frutas (maçãs, peras, morangos, bananas e citros), grãos (arroz, milho e feijão), café, cacau e ervas e temperos (manjericão, orégano, alecrim e outras ervas). 

3. Permacultura

A permacultura é um sistema de design que cria sistemas agrícolas perenes e autossuficientes.

Inspirada na natureza, esse tipo de agricultura sustentável, foca na resiliência e na interconexão entre diferentes elementos do ecossistema.

Culturas que mais utilizam a prática: hortaliças, frutas (maçãs, peras, pêssegos e frutas cítricas), café, cacau, leguminosas (feijão, lentilha e grão-de-bico), cereais (milho e trigo) e ervas (alecrim, manjericão, hortelã e outras).

4. Agricultura Natural

A agricultura natural visa criar um ambiente ideal para o desenvolvimento das plantas, minimizando intervenções humanas. Entre as práticas mais comuns, estão a cobertura morta e a compostagem, que favorecem o equilíbrio ecológico.

Culturas que mais utilizam a prática: Arroz, milho, hortaliças, frutas (como maçãs, peras e frutas) e leguminosas (como feijão, lentilha e ervilha).  

5. Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)

Esse sistema combina agricultura, pecuária e florestas em uma mesma área, promovendo a diversificação da produção, a recuperação do solo e a preservação da biodiversidade.

Culturas que mais utilizam a prática: Grãos (como soja, milho e feijão), pastagens, frutas (como maçã, pêssego e outras frutas de clima temperado), madeira (como eucalipto e seringueira), plantas forrageiras (como brachiária e capim-elefante) e culturas de cobertura (como crotalária e nabo forrageiro). 

6. Agricultura de Precisão

Ao utilizar tecnologias avançadas, a agricultura de precisão não só otimiza o uso de insumos, como também aumenta a produtividade, enquanto, ao mesmo tempo, minimiza os impactos ambientais.

A prática ainda inclui técnicas como mapeamento de solo e controle individual de plantas.

Culturas que mais utilizam a prática: Soja, milho, trigo, algodão, cana-de-açúcar, frutas (como maçãs, uvas e citros), hortaliças (como tomate e alface) e café

7. Agricultura Sintrópica

Baseada na interação entre diferentes espécies de plantas, a agricultura sintrópica busca criar sistemas mais produtivos e resilientes, reduzindo a necessidade de insumos externos.

Culturas que mais utilizam a prática: Café, cacau, frutas (como abacate, manga e citros), hortaliças (alface, tomate e cenoura), grãos (milho, feijão e outras leguminosas) e pastagens (forragens e árvores em sistemas sintrópicos). 

8. Agricultura Regenerativa

Esse sistema vai além da sustentabilidade, buscando a regeneração dos recursos naturais. A agricultura regenerativa é conhecida pelas práticas de rotação de culturas e compostagem para melhorar a saúde do solo e aumentar a capacidade de sequestro de carbono.

Culturas que mais utilizam a prática: Grãos (soja, milho e trigo), cana-de-açúcar, café, frutas (maçã, pera e citros), hortaliças e leguminosas (feijão e lentilha). 

Por que a agricultura sustentável é importante?

A agricultura sustentável acaba sendo importante para criar sistemas agrícolas que preservem os ecossistemas e promovam a biodiversidade. 

Além disso, é uma prática que garante segurança alimentar, a saúde do planeta e influência no dia a dia da fazenda, refletindo na produtividade, também contribuindo parar:  

  1. Preservação do Solo: Práticas sustentáveis, como rotação de culturas e cobertura do solo, ajudam a manter a saúde e a fertilidade do solo, prevenindo a erosão e a degradação.
  2. Gestão Eficiente da Água: Sistemas de irrigação eficiente e técnicas de conservação da água garantem que os recursos hídricos sejam usados de maneira responsável, essencial em regiões com escassez.
  3. Biodiversidade: Promover a diversidade de culturas e práticas agroecológicas favorece a biodiversidade, ajudando a controlar pragas naturalmente e melhorar a resiliência do sistema agrícola.
  4. Redução de Insumos Químicos: A adoção de práticas orgânicas e de manejo integrado de pragas diminui a dependência de pesticidas e fertilizantes sintéticos, beneficiando a saúde do solo e dos ecossistemas.
  5. Segurança Alimentar: A produção de alimentos de forma sustentável garante um suprimento constante e seguro, contribuindo para a saúde da comunidade local e a economia rural.
  6. Viabilidade Econômica: A sustentabilidade pode levar à redução de custos a longo prazo, através da eficiência no uso de recursos e do aumento da produtividade, resultando em maior lucratividade.

A agricultura sustentável dentro de uma fazenda garante um sistema mais equilibrado e viável para o futuro, permitindo que a lavoura se mantenha saudável com as condições climáticas e outros aspectos da natureza. 

IMPORTANTE! A parte sustentável é um dos pontos mais importantes dentro de uma fazenda, mas você também precisa ficar de olho na sua operação. Confira o material abaixo e entenda como reduzir perdas e custos operacionais.

Como fica a terra após uma enchente?

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Após uma enchente, o solo pode sofrer compactação, perda de nutrientes, contaminação e alteração na estrutura do solo. Para recuperar a terra, é essencial descompactar o solo, restaurar a fertilidade com adubação adequada e implementar sistemas de drenagem. 


Os temporais que assolaram o Rio Grande do Sul por mais de 10 dias afetaram 425 das 497 cidades do estado, resultando em 107 mortes, 136 desaparecidos e forçando 232,1 mil pessoas a deixarem suas casas, impactando cerca de 1,476 milhão de pessoas, segundo a Defesa Civil. 

As enchentes recorrentes causam destruição em lavouras e infraestruturas agrícolas, além de perdas econômicas e deslocamento de comunidades rurais, evidenciando a necessidade de estratégias de resiliência e adaptação para enfrentar os desafios climáticos e de gestão de recursos hídricos na região. 

Estas inundações podem causar danos significativos às comunidades, infraestruturas e terras agrícolas. Após uma enchente, o solo sofre diversas alterações físicas, químicas e biológicas, que podem afetar a sua fertilidade e capacidade de sustentação da vegetação.

Quando as águas das enchentes recuam, a terra pode ficar compactada, com camadas de sedimentos depositados na superfície. 

Além disso, a saturação prolongada de água pode levar à perda de nutrientes, à contaminação por poluentes transportados pelas águas e à erosão do solo. Recuperar a terra após uma enchente é um desafio que envolve várias etapas, desde a remoção de detritos e sedimentos até a reestruturação do solo para restaurar sua capacidade produtiva.

Para revitalizar a terra afetada por enchentes, é fundamental adotar práticas de recuperação que incluam a descompactação do solo, a reposição de nutrientes e a implementação de sistemas de drenagem eficazes. 

A recuperação das terras após uma enchente exige um planejamento cuidadoso e uma abordagem integrada que considere tanto as características do solo quanto as necessidades das comunidades afetadas. Com as práticas adequadas, é possível restaurar a produtividade do solo e minimizar os impactos das enchentes.

Boa leitura!

Erosão hídrica dos solos 

A erosão hídrica é um processo natural intensificado pela ação das águas superficiais que resulta na remoção e transporte de partículas do solo. Quando associado a alagamentos, este fenômeno pode causar danos significativos ao ambiente, à infraestrutura e à agricultura. Entender os mecanismos e impactos da erosão hídrica durante eventos de alagamento é crucial para desenvolver estratégias de mitigação e recuperação.

Figura 1. Enchente em área agrícola do Arroio do Meio – RS, Fotos: Fábio Fuhr (2024).

Mecanismos da erosão hídrica durante alagamentos

Os alagamentos, caracterizados pelo excesso de água em áreas normalmente secas, amplificam a erosão hídrica através de vários mecanismos:

  • Desagregação do solo: a força das águas em movimento desagrega as partículas do solo, facilitando seu transporte. A saturação do solo durante um alagamento reduz sua coesão, tornando-o mais suscetível à erosão;
  • Fluxo de superfície: a água em excesso não consegue infiltrar-se no solo completamente, resultando em fluxos superficiais intensos. Esses fluxos aumentam a capacidade erosiva, principalmente em áreas com pouca cobertura vegetal;
  • Sedimentação e deposição: as águas de alagamento transportam sedimentos para áreas mais baixas, depositando material erodido em novas localidades. Este processo altera o perfil do solo e a topografia local, impactando negativamente a fertilidade do solo e a capacidade agrícola.

Figura 2. Deposição de material físico em área agrícola RS após enchentes, Fotos: Fábio Fuhr (2024).

Impactos da erosão hídrica

A erosão hídrica causada por alagamentos traz uma série de consequências adversas:

  • Perda de solo fértil: a camada superficial do solo, rica em nutrientes, é frequentemente a mais afetada pela erosão. Sua perda compromete a produtividade agrícola e a capacidade de suporte à vegetação nativa;
  • Danos à infraestrutura: estradas, pontes, sistemas de drenagem e edificações podem ser seriamente danificados. A erosão sob fundações e estradas pode causar colapsos e deslizamentos;
  • Sedimentação de corpos hídricos: sedimentos transportados pela água podem assorear rios, lagos e reservatórios, reduzindo a capacidade de armazenamento de água e afetando a qualidade da água;
  • Deslocamento de comunidades: em áreas rurais, a erosão pode forçar o deslocamento de comunidades devido à perda de terras cultiváveis e à destruição de infraestruturas essenciais.

Estratégias de mitigação e recuperação

Para lidar com a erosão hídrica ocasionada por alagamentos, várias estratégias podem ser implementadas:

  • Controle da vegetação: plantar espécies vegetais de cobertura, que protegem o solo e aumentam a infiltração de água, reduzindo o fluxo superficial;
  • Construção de barreiras: instalação de terraços, muros de contenção e bacias de retenção para controlar o fluxo de água e reduzir sua velocidade, minimizando a erosão;
  • Melhorias na gestão de recursos hídricos: implementação de sistemas de drenagem eficientes para controlar o excesso de água e prevenir a saturação do solo;
  • Recuperação do solo: técnicas de recuperação do solo, como a adição de matéria orgânica e corretivos, para restaurar a estrutura e fertilidade do solo erodido;
  • Planejamento do uso da terra: avaliação e planejamento do uso da terra com base em mapas de risco de erosão e alagamento, para evitar construções e atividades agrícolas em áreas vulneráveis.

Figura 3. Benefícios fornecidos pela utilização de plantas de cobertura. Créditos: Bruna Emanuele Schiebelbein | ESALQ

O uso de plantas pioneiras, que são espécies capazes de se estabelecer em solos degradados e melhorar sua qualidade, é uma estratégia recomendada. Entre as culturas apropriadas para plantar após uma enchente estão leguminosas, que fixam nitrogênio no solo, gramíneas resistentes e plantas de cobertura, que ajudam a proteger o solo da erosão e melhoram a estrutura do solo.

Alterações no solo devido às enchentes

Alterações químicas

  1. Redução do oxigênio: a saturação do solo com água reduz a disponibilidade de oxigênio, criando condições anaeróbicas. Este ambiente favorece processos de redução, como a desnitrificação, onde nitratos (NO₃⁻) são convertidos em gás nitrogênio (N₂) e outros gases, levando à perda de nutrientes essenciais.
  2. Alterações no pH: as condições anaeróbicas podem levar à produção de ácidos orgânicos e outros compostos que alteram o pH do solo. A acidificação pode ocorrer devido à produção de ácidos graxos voláteis e ácido sulfúrico em solos com sulfetos.
  3. Mobilização de nutrientes: a saturação pode solubilizar certos nutrientes e metais pesados, aumentando sua disponibilidade e potencial toxicidade para plantas. Por exemplo, o ferro (Fe) e o manganês (Mn) podem se mobilizar em condições redutoras.

Alterações físicas

  1. Compactação do solo: o peso da água sobre o solo saturado pode causar compactação, diminuindo a porosidade e a capacidade de infiltração do solo. Isto resulta em uma menor capacidade de retenção de água e ar, dificultando o crescimento das raízes das plantas.
  2. Estrutura do solo: a estrutura do solo pode ser destruída devido à ação das forças erosivas da água. A agregação do solo é prejudicada, resultando em uma menor estabilidade estrutural e maior susceptibilidade à erosão.
  3. Sedimentação: a deposição de sedimentos transportados pela água altera a textura e a composição superficial do solo, frequentemente enriquecendo-o com partículas finas como silte e argila, que podem reduzir a permeabilidade e alterar a capacidade de retenção de água.
Campo de terra

Descrição gerada automaticamente
Caminhão na terra

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Figura 4. Área de produção de grãos após enchentes, Fotos: Fábio Fuhr (2024).

Alterações biológicas

  1. Mudança na atividade microbiana: as condições anaeróbicas alteram a composição e atividade da comunidade microbiana. Bactérias anaeróbicas, como aquelas responsáveis pela metanogênese e redução de sulfato, tornam-se dominantes, enquanto organismos aeróbicos diminuem significativamente.
  2. Decomposição da matéria orgânica: em ambientes anaeróbicos, a decomposição da matéria orgânica é mais lenta e pode produzir compostos tóxicos, como metano (CH₄) e sulfeto de hidrogênio (H₂S), que são prejudiciais às plantas e à vida do solo.
  3. Impacto na fauna do solo: a fauna do solo, incluindo minhocas e outros invertebrados, é adversamente afetada pela falta de oxigênio e pode sofrer mortalidade em massa ou migrar para áreas menos saturadas, reduzindo a biodiversidade e a funcionalidade biológica do solo. 

Figura 5. Benefícios de um solo/ambiente agrícola biologicamente saudável. Fonte: EDGA IA (2024).

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Conclusão

Após uma enchente, a terra sofre alterações significativas: compactação do solo, perda de nutrientes, contaminação por poluentes e mudanças na estrutura do solo. Essas alterações físicas, químicas e biológicas afetam a fertilidade e a capacidade de sustentação da vegetação. 

Para recuperar o solo, é essencial descompactá-lo, restaurar a fertilidade com adubação adequada e implementar sistemas de drenagem eficazes. Plantas de cobertura, como leguminosas e gramíneas resistentes, são recomendadas para estabilizar e melhorar a qualidade do solo.

A recuperação do solo após enchentes exige um planejamento cuidadoso e uma abordagem integrada, considerando tanto as características do solo quanto as necessidades das comunidades afetadas. 

Com práticas adequadas, é possível restaurar a produtividade do solo e minimizar os impactos de futuras enchentes, promovendo a resiliência das áreas agrícolas e das comunidades no Rio Grande do Sul.

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O que acontece com a safra que molhou após uma enchente?

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Descubra como as últimas inovações agronômicas estão sendo aplicadas para lidar com o desafio das safras alagadas no Rio Grande do Sul. Explore soluções práticas, desde técnicas de drenagem até estratégias de manejo do solo, para reduzir os impactos do excesso de água nas culturas e garantir a recuperação da produtividade agrícola.


Os temporais que têm assolado o estado do Rio Grande do Sul por mais de 10 dias deixaram um rastro de destruição em sua passagem. Segundo levantamentos, 425 das 497 cidades do estado foram afetadas pelos eventos climáticos extremos. Os danos à humanos e materiais são significativos, com o registro de 107 mortes confirmadas, enquanto 136 pessoas ainda estão desaparecidas. 

Além disso, cerca de 232,1 mil indivíduos foram forçados a deixar suas casas devido às inundações e deslizamentos de terra causados pelas fortes chuvas. A escala da devastação é ampla, afetando aproximadamente 1,476 milhão de pessoas, segundo estimativas da Defesa Civil. 

As enchentes que periodicamente atingem o estado do Rio Grande do Sul representam não apenas eventos climáticos extremos, mas também desafios recorrentes para a produção agrícola da região. 

A combinação de fatores climáticos adversos e questões relacionadas à gestão de recursos hídricos muitas vezes resulta em tragédias anunciadas, como evidenciado por uma linha do tempo dos eventos ligados à situação. 

No presente contexto, analisaremos não apenas os efeitos diretos das enchentes, como a destruição das lavouras e infraestrutura agrícola, mas também os efeitos indiretos, incluindo perdas econômicas, deslocamento de comunidades rurais e impactos a longo prazo na segurança alimentar e na economia rural

O acompanhamento dessa cronologia e a compreensão dos eventos associados fornecem insights cruciais para o desenvolvimento de estratégias de resiliência e adaptação para os agricultores e comunidades afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Boa leitura!

Enchentes no Rio Grande do Sul  

As recentes enchentes que assolaram o estado do Rio Grande do Sul, resultando no maior desastre natural dos últimos 40 anos na região, foram desencadeadas pela passagem de um ciclone extratropical. Esse sistema meteorológico trouxe consigo uma série de eventos climáticos extremos, incluindo fortes chuvas, rajadas de vento e até mesmo queda de granizo. 

O volume de chuvas foi excepcionalmente alto, com algumas cidades registrando toda a precipitação esperada para o mês de setembro em apenas uma semana. Esse acúmulo de água saturou o solo e fez com que os rios transbordassem, resultando em enchentes generalizadas e deslizamentos de terra em diversas áreas do estado. A situação foi agravada pela intensidade do ciclone, que se beneficiou de águas oceânicas mais quentes do que o normal, aumentando sua força e impacto. 

Figura 1. Rio Taquari no Rio Grande do Sul— Foto: Diego Vara/Reuters (2024)

Como resultado, muitas regiões, incluindo o Rio Taquari, enfrentaram a segunda maior enchente de sua história, com níveis de água atingindo quase 30 metros. Esse cenário de eventos extremos demonstra a importância de medidas de prevenção e adaptação para lidar com os impactos das mudanças climáticas, que estão contribuindo para a intensificação e frequência de sistemas meteorológicos como os ciclones extratropicais

A calamidade enfrentada no Rio Grande do Sul foi resultado da conjunção de diversos fatores, conforme apontado pelos especialistas:

  • A presença de um cavado, que é uma corrente intensa de vento, influenciou a instabilidade atmosférica na região, contribuindo para as condições climáticas adversas;
  • Um corredor de umidade vindo da Amazônia se somou a esse cenário, aumentando a intensidade e frequência das chuvas na área afetada;
  • O bloqueio atmosférico, associado a uma onda de calor, resultou na “secura” e calor no centro do país, desviando as chuvas para as áreas extremas, como o Rio Grande do Sul, exacerbando ainda mais os efeitos das enchentes.

Figura 2. Chuvas extremas no Rio Grande do Sul — Foto: Ighor Jesus/Arte g1 (2024)

Impacto na agricultura

As chuvas e enchentes recentes no Rio Grande do Sul tiveram um impacto devastador na agricultura do estado. Esses eventos climáticos extremos causaram inundações generalizadas, resultando na perda de lavouras, danos a infraestruturas agrícolas e perdas significativas de animais

Muitos agricultores enfrentam a difícil tarefa de recuperar suas terras cultiváveis, que foram inundadas por longos períodos. Além disso, as estradas rurais foram danificadas, dificultando o acesso às áreas afetadas e o escoamento da produção agrícola

Essas adversidades têm um impacto direto na economia agrícola do estado, com prejuízos financeiros consideráveis para os produtores rurais e para toda a cadeia produtiva relacionada ao setor agrícola. A incerteza em relação à recuperação das terras e à próxima safra agrava ainda mais a situação, levando muitos agricultores a considerar abandonar a atividade agrícola. 

Excesso de água na safra 2023/2024

Mas, o que ocorre com o excesso de água no solo e nas culturas?

Quando ocorre um excesso de água no solo ou inundação, como é o caso das enchentes, isso pode afetar significativamente o cultivo de arroz, feijão, soja e milho de várias maneiras, devido às suas diferentes características fisiológicas e exigências de crescimento.

Arroz

O arroz é uma cultura que pode tolerar condições de inundação temporária. Na verdade, o arroz alagado é uma prática comum em algumas regiões. No entanto, o excesso prolongado de água pode levar a problemas como a falta de oxigênio no solo, o que prejudica o crescimento das raízes e, consequentemente, afeta a absorção de nutrientes. Além disso, o acúmulo de água pode favorecer o desenvolvimento de doenças nessa cultura.

A produção de arroz enfrenta um desafio significativo devido às chuvas intensas, o que pode resultar em uma redução considerável na produtividade. As tempestades inundaram as lavouras, retardando ainda mais os trabalhos de campo. Essa situação pode afetar o abastecimento nacional, considerando que o estado é o principal produtor de arroz do país. 

Além disso, alguns relatórios indicam que estradas estão interditadas, dificultando o transporte do cereal. Os últimos dados reportados pelo Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA) apontavam para um rendimento médio do estado esperado em 8.6 toneladas por hectare, porém, essa estimativa pode ser comprometida devido às condições adversas causadas pelas enchentes.

Feijão

 O feijão é mais sensível à inundação do que o arroz. O excesso de água pode resultar em falta de oxigênio nas raízes, levando à morte das plantas por asfixia radicular. Além disso, a saturação do solo pode causar o apodrecimento das sementes/grãos e o desenvolvimento de doenças fúngicas, como a podridão das raízes.

Soja

A soja é relativamente ‘tolerante’ à inundação temporária, mas o excesso de água pode reduzir a disponibilidade de oxigênio no solo, afetando o crescimento das raízes e a absorção de nutrientes. 

Isso pode resultar em crescimento retardado, amarelecimento das folhas e queda de flores e vagens. “Além disso, o excesso de umidade tende a elevar a acidez do óleo de soja, o que pode reduzir a oferta de boa qualidade deste subproduto, especialmente para a indústria alimentícia”, afirma o Cepea (2024).

Figura 3. Chuvas extremas em áreas de produção de soja — Fonte: Bing AI – EDGA 2024. 

Milho

O milho é mais sensível à inundação do que o arroz e a soja. O excesso de água pode causar danos significativos às raízes, levando à falta de oxigênio e à morte das plantas por asfixia radicular. Além disso, a saturação do solo pode resultar em perda de nutrientes, como nitrogênio, e aumentar o risco de doenças fúngicas

Para o milho, a condição permanece desafiadora. As inundações interromperam a colheita, mesmo estando em estágio avançado. De acordo com informações da Emater/RS, aproximadamente 83% das áreasdestinadas ao cultivo de milho já passaram pelo processo de colheita.

Figura 4. Situação dos silos com armazenamento de grãos no RS — Fonte: G1 2024 – Foto: Carlos Cogo.

Manejo futuro da lavoura

Após um episódio de excesso de água em uma área agrícola, algumas soluções agronômicas podem ser consideradas para mitigar os impactos e permitir a recuperação da produtividade:

  • Drenagem: implementar ou melhorar sistemas de drenagem para remover o excesso de água do solo, ajudando a restaurar condições ideais de umidade e oxigenação para as raízes das plantas;
  • Manejo do solo: realizar práticas de manejo do solo, como aração e gradagem, para melhorar a estrutura do solo e promover a drenagem adequada da água (desde que a área tenha mais excesso de água no solo para evitar compactação);
  • Fertilização balanceada: aplicar fertilizantes de forma equilibrada para fornecer os nutrientes necessários às plantas, especialmente após eventos de inundação que podem ter lixiviado os nutrientes do solo;
  • Monitoramento fitossanitário: fazer um acompanhamento rigoroso das condições das plantas para detectar e tratar rapidamente quaisquer problemas fitossanitários que possam surgir devido ao estresse causado pelo excesso de água;
  • Rotação de culturas: praticar a rotação de culturas para melhorar a saúde do solo e reduzir o risco de problemas relacionados ao alagamento em safras futuras;
  • Manejo de resíduos: remover resíduos vegetais ou detritos que possam obstruir a drenagem e contribuir para o acúmulo de água nas áreas agrícolas;
  • Monitoramento climático: estar atento às previsões meteorológicas e tomar medidas preventivas, como a construção de barreiras de contenção de água, para proteger as plantações de eventos climáticos extremos no futuro.

Sofreu com a quebra de safra devido às enchentes? 

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Conclusão

Após uma enchente, as safras que foram molhadas enfrentam diversos desafios e consequências. 

Impacto direto nas lavouras e infraestrutura agrícola

  • As enchentes inundam os campos, sufocando as raízes das plantas e levando à morte das culturas. A destruição direta das lavouras afeta a produtividade e a renda dos agricultores;
  • Além disso, a infraestrutura agrícola, como galpões e equipamentos, também pode ser danificada pelas inundações, dificultando ainda mais a recuperação.

Impactos a longo prazo na segurança alimentar e economia rural

  • A disponibilidade local de alimentos é afetada, o que pode impactar a segurança alimentar da região;
  • A economia rural sofre, pois a agricultura é uma parte fundamental da economia do estado. Estratégias de resiliência e adaptação são essenciais para garantir a recuperação da produtividade agrícola no Rio Grande do Sul.

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Bioenergia: o que é, benefícios e desvantagens para o agronegócio

Bioenergia: Explore o universo, suas fontes, efeitos no agronegócio e suas vantagens e desvantagens.

A busca por soluções sustentáveis tem levado o agronegócio a explorar alternativas como a bioenergia. Neste artigo, abordaremos o conceito, fontes, benefícios e desvantagens dessa forma de energia.

Embarque conosco numa jornada pelo fascinante universo da bioenergia, desvendando seus mistérios e desafios que moldam não apenas o futuro do agronegócio, mas também o curso da sustentabilidade global. 

Este artigo é mais do que uma exploração técnica; é um convite para desvendar os segredos da bioenergia e compreender por que ela se tornou uma peça-chave na transformação do cenário agrícola. 

Esta leitura essencial é o portal para desvendar o papel essencial da bioenergia na busca incessante por soluções que impulsionam o desenvolvimento agrícola em harmonia com o nosso planeta.

O Conceito de Bioenergia

O termo “bioenergia” refere-se à energia proveniente de biocombustíveis, os quais são derivados diretamente ou indiretamente de biomassa de origem biológica, como plantas, resíduos orgânicos, carvão vegetal, microrganismos e algas. 

A interligação entre bioenergia e segurança alimentar é de natureza complexa, exigindo uma abordagem integrada de estudos abrangendo produção, economia, sustentabilidade, novas tecnologias e novas culturas. 

Esse enfoque holístico da bioenergia visa promover tanto a produção de “alimento e combustível”, permitindo que a bioenergia desempenhe um papel significativo no avanço do desenvolvimento sustentável.

A bioenergia e sua importância

A bioenergia ganhou importância devido à sua capacidade de oferecer uma fonte renovável, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e mitigando as emissões de gases de efeito estufa. 

A utilização da bioenergia promove a sustentabilidade ambiental ao diversificar a matriz energética, enquanto oferece benefícios econômicos e sociais, especialmente para comunidades rurais. Além disso, a versatilidade da bioenergia a posiciona como uma peça-chave na transição para uma economia de baixo carbono.

Fontes de Bioenergia

Diversas fontes alimentam a produção de bioenergia, incluindo biomassa, biogás e biocombustíveis. Compreender essas fontes é crucial para avaliar o potencial ecológico e econômico da bioenergia. 

As principais fontes de bioenergia incluem:

  • Biomassa: derivada de materiais orgânicos, como resíduos agrícolas, restos de madeira e culturas energéticas, a biomassa é uma fonte versátil de bioenergia.
  • Biogás: produzido a partir da decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos, como esterco animal e resíduos de alimentos, o biogás é uma fonte de energia renovável.
  • Biocombustíveis líquidos: Incluem etanol, obtido principalmente da cana-de-açúcar e milho, e biodiesel, derivado de óleos vegetais. Ambos são utilizados como combustíveis para veículos.
  • Bioóleo: resultante da pirólise da biomassa, o bioóleo pode ser uma alternativa para a produção de bioenergia e produtos químicos.
  • Biocarvão: também conhecido como carvão vegetal, é produzido através da pirólise da biomassa. Pode ser utilizado como combustível ou na agricultura para melhorar a fertilidade do solo.
  • Biocombustíveis de Algas: algas podem ser cultivadas para a produção de biocombustíveis, como biodiesel, oferecendo uma fonte de energia renovável e sustentável.

Essas fontes de bioenergia desempenham um papel crucial na diversificação da matriz energética, contribuindo para a redução da dependência de combustíveis fósseis e promovendo práticas mais sustentáveis.

Mas, o que é a bioenergia sustentável?

A bioenergia sustentável é um conceito que abrange práticas e tecnologias visando equilibrar a produção de energia derivada de fontes biológicas com a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico. 

Para atender a critérios de sustentabilidade, a produção de bioenergia deve envolver a utilização responsável de recursos naturais, evitando a competição direta com a produção de alimentos e adotando tecnologias que minimizem as emissões de gases de efeito estufa.

Esse enfoque sustentável da bioenergia também inclui a gestão responsável de resíduos orgânicos utilizados na produção de biogás, promovendo práticas de manejo florestal responsável para evitar a degradação de ecossistemas naturais. 

Além disso, a pesquisa e o desenvolvimento contínuos são fundamentais para impulsionar inovações tecnológicas que tornem a produção de bioenergia mais eficiente e com menor impacto ambiental, contribuindo para a transição para um modelo energético mais limpo e sustentável.

Combustíveis produzidos por meio da bioenergia

A bioenergia é responsável por gerar diversos combustíveis, como etanol e biodiesel. Compreender a variedade de produtos derivados é essencial para analisar o impacto da bioenergia no agronegócio.

Benefícios e desvantagens da bioenergia para o agronegócio

Benefícios da bioenergia

  • Sustentabilidade ambiental: Redução das emissões de gases de efeito estufa.
  • Autossuficiência energética: O agronegócio pode tornar-se independente em termos de energia.
  • Estímulo econômico: Investir em bioenergia impulsiona a economia local.

Desvantagens da bioenergia

  • Uso de terra: A produção de biomassa pode competir com áreas destinadas à agricultura alimentar.
  • Investimento inicial: Implementar tecnologias bioenergéticas pode exigir investimentos significativos.

Bioenergia no Brasil: o hoje e o amanhã

A bioenergia no Brasil destaca-se como uma fonte crucial na matriz energética atual, especialmente pela intensiva produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. 

Essa abordagem da bioenergia não apenas contribui para a redução das emissões e independência energética, mas também impulsiona a economia agrícola. 

As projeções futuras indicam um crescimento contínuo, com investimentos em pesquisa para diversificar fontes e promover a convergência entre bioenergia e produção de alimentos, refletindo o compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável e sua posição como referência global em práticas energéticas inovadoras. 

No cenário global da bioenergia, o Brasil destaca-se como uma potência, especialmente quando se trata do papel crucial desempenhado pela bioenergia no agronegócio.

Reconhecido internacionalmente por sua liderança na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, o Brasil se posiciona como um modelo exemplar na integração eficiente de bioenergia à matriz energética. 

Estados como São Paulo e Goiás emergem como protagonistas nesse cenário da bioenergia, impulsionando a produção de biocombustíveis e bioeletricidade.

 A vasta extensão de terras agrícolas e o clima propício favorecem a produção de biomassa, consolidando essas regiões como líderes na implementação de práticas sustentáveis no agronegócio, reforçando a importância da bioenergia como catalisador para o desenvolvimento econômico e ambiental.

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Conclusão

Em síntese, a exploração da bioenergia tornou-se vital no contexto global, especialmente para o agronegócio, impulsionada pela necessidade de soluções sustentáveis.

 Este artigo proporcionou uma compreensão abrangente da bioenergia, desde seu conceito até suas fontes e impactos no agronegócio. 

A diversidade de fontes de bioenergia, incluindo biomassa, biogás, biocombustíveis, bioóleo, biocarvão e biocombustíveis de algas, foi destacada como crucial para a redução da dependência de combustíveis fósseis

Além disso, a ênfase na bioenergia sustentável, com gestão responsável de resíduos e práticas de manejo florestal, ressaltou a importância de um compromisso holístico com a preservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico através da bioenergia.

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O que é ESG no agronegócio? Entenda os principais impactos

ESG no agronegócio: saiba o que é, por que isso está revolucionando o mercado e como sua implementação pode impactar positivamente os seus negócios e a sociedade em geral.

À medida que os desafios ambientais, sociais e de governança se intensificam globalmente, as discussões sobre a importância da implementação dos padrões ESG no agronegócio ganham cada vez mais relevância. 

Estamos falando de uma série de iniciativas que podem ser tomadas no campo para contribuir com a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento das comunidades rurais. E que, de quebra, ainda ajudam a aumentar a competitividade e a lucratividade das fazendas. 

Por isso, neste artigo, vamos abordar o significado do ESG no contexto do agronegócio, conhecer cada um de seus pilares e explorar os impactos positivos que sua implementação pode trazer para os produtores rurais. 

Boa leitura!

O que é ESG e como funciona?

Utilizada pela primeira vez em 2004, durante uma conferência da ONU, a sigla ESG se refere às boas práticas Ambientais, Sociais e de Governança  (do inglês “Environmental, Social and Governance”) nas empresas. 

Na prática, trata-se de um conjunto de iniciativas adotadas pelas organizações com o objetivo de diminuir os impactos de suas operações no meio ambiente e na sociedade e de tornar a governança corporativa mais responsável, ética e transparente em seus processos de tomada de decisão.

A essa altura, você pode estar se perguntando: afinal, como o ESG se relaciona com o agronegócio? Ou, ainda, quais são as práticas ESG no agronegócio?

Para ajudar a responder a essas perguntas, separamos abaixo alguns exemplos de como cada um dos pilares ESG se relaciona com o dia a dia dos produtores rurais. Veja:

Pilares do ESG no agronegócio: do campo à indústria

1. Ambiental

No contexto do agronegócio, o pilar ambiental do ESG tem a ver com a adoção de estratégias e tecnologias que ajudem a reduzir os impactos negativos ao meio ambiente.

Vale destacar que, com a  aproximação do agronegócio com a tecnologia e consolidação da agricultura 4.0, a maioria dessas medidas foi facilitada (falaremos mais sobre essa relação ao longo deste artigo).

2. Social

Já o pilar social no agronegócio diz respeito às relações humanas com trabalhadores rurais e com as comunidades impactadas direta ou indiretamente pela atividade agrícola.

Nessa esfera, é importante que os produtores rurais busquem adotar práticas que contribuam para o desenvolvimento socioeconômico local. Algumas maneiras de fazer isso são:

  • promover a segurança e saúde dos trabalhadores;
  • respeitar as leis trabalhistas;
  • valorizar a mão de obra local;
  • capacitar moradores da comunidade;
  • oferecer treinamentos adequados para manejo dos equipamentos agrícolas.

3. Governança

Por fim, o pilar de governança do ESG refere-se à forma com que as empresas agrícolas são administradas e conduzidas. Isso envolve, por exemplo:

  • a transparência na gestão de empresas e indústrias;
  • o cumprimento das leis e regulamentações;
  • a ética nos negócios;
  • a gestão responsável dos recursos financeiros;
  • o combate à corrupção;
  • o estabelecimento de protocolos de segurança.

Importância do ESG no agronegócio

Responsável por pelo menos 27% do PIB brasileiro e por garantir a segurança alimentar global, o agronegócio desempenha um papel fundamental na geração de empregos e no desenvolvimento econômico do país.

Por outro lado, quando a agenda ESG não é considerada, as atividades agrícolas podem ter impactos negativos bastante significativos no meio ambiente e na sociedade.

A degradação do solo, o uso excessivo de água, a contaminação de recursos hídricos, a emissão de gases de efeito estufa e questões como a segurança e as condições de trabalho dos agricultores são alguns exemplos de como a falta de um olhar voltado para o ESG no agronegócio pode ser prejudicial.

Mas engana-se quem pensa que os benefícios do ESG se restringem “apenas” ao meio ambiente. Na verdade, a implementação dessa agenda também traz diversas vantagens para os produtores rurais e para o setor como um todo. Veja abaixo.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Por que implementar o ESG no agronegócio?

Acesso a crédito rural

O primeiro e talvez mais evidente benefício tem a ver com o acesso ao crédito. Isso porque produtores rurais alinhados às boas práticas de sustentabilidade têm sido beneficiados por instituições financeiras.

Um bom exemplo vem do Plano Safra 2023/2024, que trouxe a possibilidade da redução das taxas de juro para aqueles que adotam práticas sustentáveis, como produção orgânica ou agroecológica, bioinsumos, tratamento de dejetos na suinocultura, pó de rocha e calcário, energia renovável na avicultura, rebanho bovino rastreado e certificação de sustentabilidade.

Mais investimentos

As instituições financeiras não são as únicas priorizando o ESG na hora de tomar decisões. 

Considerando a boa gestão de riscos e a tendência que empresas ambiental e socialmente responsáveis têm de alcançar melhores resultados no longo prazo, os investidores também estão – cada vez mais –  direcionando seu capital para essas companhias.

Para ter ideia, a Bloomberg estima que os recursos investidos em empresas ESG chegaram a marca de 38 trilhões de dólares em 2020 e devem saltar para impressionantes  53 trilhões de dólares até 2025.

Aumento do lucro por safra

A implantação de práticas de gestão sustentável e eficiente resulta em melhorias na produtividade, redução de desperdícios e otimização dos recursos disponíveis. Mas não é só isso.

Uma pesquisa  do Institute of Business Value (IBV) mostrou que 54%  dos consumidores globais estariam dispostos a pagar um valor mais alto por produtos de baixo impacto ambiental. 

Isso significa que produtores rurais alinhados às boas práticas ESG podem considerar cobrar mais por seus produtos e, ainda assim, esperar impactos positivos em seus resultados financeiros.

Mas não é só isso. O aumento do interesse dos consumidores (e, consequentemente, da competitividade do negócio) também tende a atrair novas oportunidades de negócio – inclusive em mercados externos, historicamente mais exigentes com relação à sustentabilidade das operações.

ESG no agronegócio: por onde começar?

É difícil falar sobre a implementação do ESG no agronegócio sem falar sobre o processo de digitalização do setor – especialmente no que diz respeito ao pilar da governança corporativa.

Por meio de softwares de gestão e inteligência artificial, por exemplo, é possível coletar, analisar e identificar padrões em grandes volumes de dados, o que ajuda a gerar insights valiosos para a tomada de decisões e a melhorar a eficiência operacional.

Há também soluções baseadas na tecnologia blockchain, que permitem estabelecer uma rastreabilidade completa ao longo da cadeia de suprimentos – tornando o acesso a informações sobre a origem dos produtos mais transparente e confiável para consumidores, investidores e demais partes interessadas.

Além disso, a digitalização desempenha um papel fundamental na adoção de práticas sustentáveis, uma vez que possibilita:

  • o monitoramento detalhado de áreas de cultivo;
  • o uso de drones para monitorar o crescimento da safra;
  • a aplicação mais precisa de insumos agrícolas;
  • a gestão eficiente de recursos hídricos;
  • a comunicação entre fornecedores, indústria e clientes;

Essas e outras práticas ajudam a reduzir o uso excessivo de fertilizantes, pesticidas e água, minimizando os impactos ambientais negativos e aumentando a eficiência produtiva das fazendas.

Nesse contexto, investir em digitalização desponta como uma etapa essencial do processo de implementação do ESG no agronegócio.

Outro passo importante é buscar certificações e selos que atestem o comprometimento do seu negócio rural com a sustentabilidade ambiental, a responsabilidade social e a transparência corporativa.

Selos e certificações ESG para o agronegócio

Existem várias certificações e selos que ajudam a comprovar o comprometimento das empresas do agronegócio com as práticas de ESG.  

Elas funcionam como uma espécie de garantia para os consumidores (e outras partes interessadas), atestando que a organização está verdadeiramente comprometida com a agenda sustentável.

Alguns exemplos são:

  • Certificação Orgânica: atesta que os produtos agrícolas foram produzidos de acordo com práticas agrícolas sustentáveis, sem o uso de pesticidas químicos ou fertilizantes sintéticos;
  • Selo Fair Trade: garante que as empresas pagam preços justos aos produtores agrícolas, respeitam os direitos trabalhistas, promovem a igualdade de gênero e investem em comunidades locais;
  • Certificação Rainforest Alliance: indica que os produtos agrícolas foram produzidos de acordo com práticas que protegem a biodiversidade, promovem a conservação dos recursos naturais e garantem a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.

Conclusão

A implementação do ESG no agronegócio traz diversos benefícios ao produtor rural, como acesso a taxas de juros mais favoráveis, abertura a novos mercados e aumento do lucro por safra. 

Para colher esses benefícios, os produtores rurais devem investir em digitalização e estratégias de governança que almejem promover a sustentabilidade e a responsabilidade social em suas operações. 

Ao fazer isso, estarão contribuindo para a preservação do meio ambiente, o desenvolvimento das comunidades rurais e o fortalecimento do setor agrícola como um todo.

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