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Jadiel Andognini - 22 de fevereiro de 2021
Atualizado em 21 de fevereiro de 2024
Planta daninha corda-de-viola: confira as principais características e os herbicidas mais eficientes para controle dessa invasora
Corriola, campainha, amarra-amarra… a planta daninha corda-de-viola pode ser conhecida por vários nomes e, em todos os casos, pode causar sérios danos às culturas se não for manejada corretamente!
Estudos apontam que a presença dessa invasora pode reduzir em quase 50% a produtividade da lavoura, sendo as culturas de verão as mais afetadas.
Além disso, por ser tolerante ao glifosato, é preciso haver um controle especial para evitar sua dispersão na produção e arredores da lavoura.
Quer aprender a identificar e controlar de maneira eficiente a corda-de-viola? Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
A corda-de-viola (Ipomea sp.) é uma planta daninha de coloração vistosa tanto nas folhas quanto nas flores.
Possui folhas largas que, dependendo da espécie, podem ser inteiras ou recortadas. Já suas flores podem ser de diferentes cores, variando do branco ao roxo.
A reprodução da corda-de-viola ocorre por sementes e ela cresce como uma trepadeira, com hábito de se enrolar sobre as culturas, podendo atingir até 3 m de comprimento.
Seu caule e ramos são finos, fibrosos e alongados, que se prostram sobre o chão ou sobem em obstáculos (culturas na lavoura). Sendo assim, dificulta muito a colheita em culturas como soja, feijão e milho.
Exemplares de Ipomea sp. (Corda-de-viola)
(Fonte: Mais soja)
Segundo relatos, há mais de 140 espécies da planta-daninha corda-de-viola, que está presente em todas as regiões do Brasil.
Além de competirem por água, luz e nutrientes com as culturas de valor econômico, também atrapalham muito o processo mecânico de colheita, como explicarei a seguir.
Diversas espécies de interesse econômico sofrem danos devido à disseminação da corda-de-viola nas lavouras.
Arroz, cana-de-açúcar, milho e soja são as mais afetadas devido à planta daninha ser de crescimento anual e ocorrer na mesma época dessas citadas.
Como a corda-de-viola apresenta tolerância ao herbicida glifosato, é comum também estar presente em lavouras onde cultivares geneticamente modificadas (RR) são cultivadas.
Corda-de-viola na cultura da soja
(Fonte: Feis/Unesp)
Corda-de-viola no milho
(Fonte: Embrapa)
No caso da soja, a presença da planta daninha corda-de-viola na lavoura pode reduzir em mais de 40% a produtividade da cultura, como mostra estudo.
A alta população dessa planta daninha nas culturas traz uma série de problemas como:
E tudo isso, claro, causa prejuízos econômicos.
Outro estudo aponta que até 20 sacas de milho por hectare podem ser deixados para trás em lavouras infestadas com a daninha.
Colhedora de cana-de-açúcar “embuchada” por causa da corda-de-viola
(Fonte: LPV/ESALQ/USP)
Para minimizar ou eliminar os problemas causados pela planta daninha corda-de-viola na lavoura, faz-se necessário executar técnicas de manejo específicas, evitando a proliferação da planta invasora e reduzindo o banco de sementes no solo.
Um manejo bastante tradicional, simples e eficaz, é a aplicação de herbicidas específicos.
Como a reprodução da espécie se dá por sementes, é interessante o controle pré-emergente ou pós inicial, antes do desenvolvimento do hábito trepador. Passada essa fase, fica complicado o controle de maneira seletiva, evitando competição e problemas na colheita.
O controle na fase inicial também evita a produção de sementes, reduzindo o banco de sementes da invasora. Com o manejo correto, ao longo do tempo esse banco será reduzido a um nível que não cause mais danos econômicos.
A seguir, deixo alguns exemplos de herbicidas recomendados para o controle de Ipomea sp.
É uma alternativa eficaz e possui registro para diversas culturas, dentre elas soja, algodão e cana-de-açúcar.
Controla na pré e pós-emergência com alta seletividade e longo residual na dose de 50 g ha-1 para a cultura da soja.
Pesquisadores de campo relatam que o uso de misturas tem obtido bons resultados no controle da corda-de-viola. A associação com glifosato, 2,4 D e/ou imazetapir amplia o espectro de controle.
O 2,4 D controla plantas daninhas de difícil controle, especialmente as plantas de folhas largas, como a corda-de-viola.
Esse herbicida seletivo pode ser utilizado para o controle da corda-de-viola nas culturas do trigo, milho, soja, arroz, aveia, sorgo, cana-de-açúcar, café e pastagem de braquiária.
Na soja,, a aplicação deve ser feita 7 dias antes da semeadura. No café, a aplicação deve ser feita em jato dirigido, evitando o contato do produto com a cultura.
Possui até 95% de controle na maioria das espécies de Ipomea sp. (Corda-de-viola). Há indicação de uso no arroz irrigado em pré e pós-emergência na dose de 1,0 – 4,0 l ha-1.
Também pode ser recomendado para outras culturas de lavoura como algodão e cana-de-açúcar.
Mais um herbicida utilizado na pré-emergência da planta daninha. Possui indicação para soja com uma exceção: não aplicar em solos arenosos. Nesta cultura há recomendação de 0,4 a 1,2 l ha-1.
Possui ação residual para controle do banco de sementes, podendo ser usado em associação a herbicidas sistêmicos (glifosato, 2,4 D e chlorimuron).
Herbicida com alto controle na pré e pós-emergência inicial. Recomendado para controle da corda-de-viola em lavouras de milho e cana-de-açúcar na dose de 0,4 e 1,5-2,0 kg ha-1, respectivamente.
Em cana-de-açúcar, pesquisas demonstraram que este ingrediente ativo apresentou controle total de diversas espécies de corda-de-viola em pós-emergência inicial, além de ótimo efeito residual, reduzindo drasticamente eventuais danos à cultura.
No controle de plantas adultas, os herbicidas à base de 2,4-D possuem bons resultados, e são registrados para a maioria das grandes culturas de lavoura.
Importante verificar a tecnologia das cultivares na utilização de misturas:
É importante consultar um profissional da agronomia em todas as práticas de aplicação de defensivos agrícolas.
A recomendação e receituário tem o intuito de evitar a aplicação de doses excessivas ou subdoses de herbicida.
Uma dose inadequada é muito prejudicial, seja pela fitotoxicidade causada às plantas, seja pelo controle falho e surgimento de resistência ou tolerância das daninhas.
A planta daninha corda-de-viola é uma invasora comum no Brasil, possui hábito trepador e crescimento preferencial no verão.
Além da competição por água, luz e nutrientes com as culturas de interesse econômico, ela prejudica a colheita mecanizada, o que traz perdas econômicas significativas.
Como você viu neste artigo, o manejo da corda-de-viola deve ser realizado na pré-emergência ou pós-emergência inicial.
A reprodução da invasora por sementes exige um bom controle e uso de herbicidas com longo efeito residual.
Misturar herbicidas inibidores da Protox com glifosato é uma boa alternativa para controle da corda-de-viola.
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Você já enfrentou dificuldade no manejo da planta daninha corda-de-viola? Restou alguma dúvida sobre esse assunto? Deixe seu comentário!