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foto de uma folha de algodão com doença, com manchas marrons

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

- 27 de setembro de 2021

Algodoeiro resistente a doenças: saiba tudo sobre qualidade da fibra, produtividade e vantagens da nova cultivar

O manejo de pragas, doenças e plantas daninhas na cultura do algodão tem custo elevado para o cotonicultor. 

Em 2021, a Embrapa divulgou o lançamento da cultivar transgênica de algodão BRS 500 B2RF.  Ela apresenta resistência a algumas doenças e pragas, além de ser tolerante ao herbicida glifosato

A cultivar também promete alta produtividade e fibras com características exigidas pela indústria têxtil.

Neste artigo, você pode conferir um pouco mais sobre as principais características dessa nova cultivar, suas vantagens e quais estratégias de manejo fitossanitário devem ser adotadas. 

Como nova cultivar torna o algodoeiro resistente a doenças

A cultivar de algodão transgênico (BRS 500 B2RF) é de ciclo médio/tardio e possui porte alto. Ela combina três tecnologias:

● Roundup Ready Flex (RF);

● Bollgard II (B2);

● FRdC1.

Esse pacote tecnológico torna a nova cultivar de algodão resistente a algumas lagartas.

Além disso, o algodoeiro é parcialmente resistente ao nematoide-das-galhas, e tem tolerância ao herbicida glifosato em todas as fases da cultura.

A nova cultivar também apresenta resistência às seguintes doenças:

mancha de ramulária (Ramularia areola);

● mancha angular (Xanthomonas citri pv. malvacearum);

● doença azul típica (Cotton leafroll dwarf virus – CLRDV).

Atualmente, a mancha de ramulária é a doença mais importante do algodão. Ela está presente nas principais áreas produtoras da fibra, especialmente em regiões de Cerrado

Para o controle dessa doença, são necessárias de 4 a 8 pulverizações com fungicidas durante todo o ciclo do algodão. 

Em casos de maior severidade, o número de aplicações pode subir para 12. Isso acaba elevando bastante o custo de produção.

A resistência da nova cultivar de algodão às doenças citadas traz economia, maior produtividade e menores danos ambientais.

Afinal, há menor número de pulverizações para o controle das doenças.

Tabela que mostra nível de resistência da nova cultivar de algodão

Nível de resistência à doenças da cultivar BRS 500 B2RF

(Fonte: Embrapa Algodão)

Qualidade da fibra

Outro ponto importante se refere à qualidade da fibra da nova cultivar. Ela apresenta um conjunto de atributos importantes para a indústria têxtil. 

A cultivar de algodão produz fibra branca. A fibra também possui:

  • comprimento médio de 30,4 mm;
  • índice micronaire médio de 4,6;
  • resistência média de 30,8 gf.tex-1.

Produtividade

Segundo a Embrapa Algodão, a produtividade média da nova cultivar é de 5.667 quilos/hectare de algodão em caroço. Na fibra, o valor é de 2.579 quilos/hectare.

Ela apresenta ainda rendimento de fibra de 38,5 a 40,5. 

Áreas indicadas para o plantio

A cultivar BRS 500 B2RF é indicada para o plantio em áreas de Cerrado dos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e parte do Maranhão, do Piauí e da Bahia.

A nova cultivar é recomendada também para áreas em que a mancha de ramulária e o nematóide-das-galhas sejam um problema fitossanitário para a produção da fibra.

Manejo de pragas, doenças e plantas daninhas

O manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas do algodão é uma prática indispensável para a preservação da tecnologia transgênica. 

Algumas medidas precisam ser adotadas quanto ao plantio de organismos geneticamente modificados.

No manejo integrado, é fundamental realizar a rotação dos ingredientes ativos dos agroquímicos aplicados na lavoura. 

Isso contribui para impedir que ocorra a seleção de populações resistentes aos produtos utilizados. 

É preciso estar de olho na população de insetos que não são alvo da tecnologia transgênica. Eles precisam ser controlados de forma seletiva e eficiente. 

Outra medida a ser adotada é a rotação das cultivares de algodão com diferentes tecnologias transgênicas (rotação de genes). 

O vazio sanitário é uma medida de caráter obrigatório e que deve ser adotada para a prevenção e o controle de pragas e doenças. Nesse período não pode haver plantas vivas e resíduos de algodão na área (soqueira e tiguera).

Na cultura do algodão, o vazio sanitário tem como foco o bicudo do algodoeiro, praga de grande importância econômica.

Refúgio agrícola

A adoção do refúgio agrícola é uma estratégia de manejo de resistência de insetos-praga. A estratégia consiste em manter uma área da lavoura cultivada com plantas não transgênicas

Essa medida diminui a pressão de seleção dos insetos-pragas, retarda a quebra de resistência da cultivar e contribui para manter a eficácia da tecnologia transgênica.

As áreas de refúgio agrícola devem ser cultivadas na mesma época que a cultivar transgênica. Elas devem receber os mesmos tratos culturais (adubação e controle de plantas invasoras, por exemplo). 

Além disso, essas áreas precisam ser cultivadas com plantas da mesma espécie e com ciclo similar ao da cultivar transgênica.

Para a cultura do algodão, a recomendação é que a área de refúgio corresponda a 20% da área total plantada com transgênico. 

A área de refúgio precisa ser instalada a uma distância máxima de 800 metros da área plantada com a cultivar transgênica, independente da cultura.

As áreas de refúgio podem ser instaladas de três formas: 

● faixas;

● blocos;

● bordadura/perímetro.

Vantagens da nova cultivar 

Confira a seguir as principais vantagens da cultivar de algodão BRS 500 B2RF desenvolvida pela Embrapa: 

● tolerância ao herbicida glifosato;

● tolerância à mancha de ramulária, mancha angular e doença azul típica;

● tolerância parcial ao nematóide-das-galhas;

● resistência a algumas lagartas;

● produz fibra de qualidade para a indústria têxtil;

reduz o número de aplicações de defensivos agrícolas;

diminui custos de produção;

● melhora a competitividade do algodão brasileiro no mercado;

menor impacto ambiental;

● maior sustentabilidade da cotonicultura.

Conclusão

A nova cultivar de algodão apresenta resistência múltipla a doenças, tolerância ao herbicida glifosato e a algumas lagartas. Também tem alta produtividade e produz fibra de qualidade.

A tecnologia da nova cultivar possibilita menor impacto ambiental, maior sustentabilidade da atividade e melhora a competitividade do algodão no mercado global.

Além disso, a cultivar possibilita que você faça um menor número de aplicações de agroquímicos. Consequentemente, isso diminui os custos da sua produção!

Você já conhecia a nova cultivar de algodão? Já procurou saber mais sobre como algumas práticas de manejo contribuem para proteger a resistência do algodoeiro a doenças? Adoraria ler seu comentário abaixo!

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