Capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora): guia de manejo dessa planta daninha

Capim-rabo-de-raposa: saiba como identificar, danos causados e as melhores técnicas de manejo preventivo, cultural, mecânico e químico.

O capim-rabo-de-raposa é uma gramínea encontrada desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina e o Chile. No Brasil, ela é muito presente, encontrada principalmente em áreas de cerrado.

Trata-se de uma planta que infesta lavouras anuais e perenes, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Ela se desenvolve em diferentes condições climáticas e tipos de solo. Por isso, causa prejuízos grandes e precisa ser devidamente controlada.

Neste artigo, veja mais detalhes sobre essa planta daninha, como realizar o manejo, danos causados e mais! Confira a seguir.

Como identificar o capim-rabo-de-raposa

O capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora) é uma gramínea perene. Ela tem crescimento ereto, ou seja, forma touceiras. Popularmente, também é conhecida como capim-rabo-de-gato, capim-rabo-de-rato, capim setaria, bambuzinho, espartilho e esparto-pequeno.

O caule dessa gramínea é do tipo rizoma. Os colmos são levemente achatados e podem atingir 1 metro de altura. As folhas do capim-rabo-de-raposa são formadas por bainha, lígula e lâmina foliar (limbo). As folhas têm formato linear-lanceolado.

Capim-rabo-de-raposa e inflorescência (Setaria parviflora)
(Fonte: Missouri State University)

A inflorescência é do tipo espiga. Ela é constituída por várias espiguetas de cor palha ou avermelhada. Essas espiguetas estão envoltas por várias cerdas.

Essa planta pode ser identificada em campo pelas inflorescências. Na mesma planta, é possível observar espigas completas e espigas sem espiguetas, porém com a presença das cerdas.

Essa espécie invasora é propagada por sementes e pela divisão dos rizomas. Além de ocupar áreas de lavoura, essa gramínea cresce espontaneamente em áreas urbanas, terrenos baldios e margens de estradas.

Rizomas do capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora)
(Fonte: Missouri State University)

O capim-rabo-de-raposa pode ser confundido com o capim-custódio (Pennisetum setosum). No entanto, é importante deixar claro que o capim-rabo-de-raposa tem porte menor e a coloração da inflorescência tem tons mais claros

Danos causados pelo capim setaria (Setaria parviflora) 

A competição entre as plantas daninhas e as espécies cultivadas é um dos fatores que contribui para a redução da produtividade. O capim-rabo-de-raposa compete com a cultura principal pelos mesmos recursos: água, luz, espaço e nutrientes

Além disso, essa gramínea pode ser hospedeira de insetos-pragas, ácaros, fungos e nematoides.  Algumas consequências da presença do capim-rabo-de-raposa no momento da colheita são:

  • aumento da umidade do produto colhido (grãos e fibra de algodão);
  • aumento dos custos de beneficiamento de grãos;
  • redução da qualidade do produto final; 
  • dificuldades operacionais (como embuchamento da colhedora).

Como realizar o manejo da erva de raposa?

No caso do capim-rabo-de-raposa, a reprodução por sementes e pela fragmentação dos rizomas confere a essa gramínea um grande potencial de infestação. Isso dificulta o controle.

Diante disso, é importante fazer o manejo integrado das plantas daninhas. A associação de diferentes métodos garante maior eficiência no controle e evita o aumento da infestação.

O manejo do capim-rabo-de-raposa envolve a adoção de medidas preventivas, culturais, mecânicas (ou físicas) e químicas. Confira a seguir.

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Manejo preventivo 

O manejo preventivo tem o objetivo de prevenir que sementes e outras estruturas reprodutivas sejam introduzidas e se disseminem em uma área não infestada. Para isso, algumas práticas agrícolas podem ser adotadas, como:

  • utilizar sementes e mudas certificadas;
  • utilizar esterco de procedência conhecida e livre de patógenos e sementes;
  • realizar o controle das espécies invasoras nos carreadores, bordaduras das lavouras e beiras de estradas;
  • limpar os equipamentos, as máquinas e os implementos agrícolas, para evitar que restos vegetais e torrões de terra contaminados sejam transferidos de uma área para outra.

Manejo cultural

O manejo cultural das plantas daninhas fornece boas condições para que a espécie de interesse agronômico se desenvolva. Isso aumenta a capacidade competitiva entre as plantas cultivadas e as invasoras.  Dentre as estratégias que podem ser adotadas, temos:

  • adubação equilibrada;
  • bom preparo de solo;
  • cobertura verde;
  • densidade de plantio;
  • plantio de cultivares/variedades adaptadas às condições da região;
  • rotação de culturas;
  • sistema de plantio (convencional ou direto). 

Manejo mecânico ou físico

O manejo mecânico (ou físico) envolve arrancar ou cortar as plantas daninhas. Nesse sentido, algumas técnicas podem ser empregadas, como:

  • aração e gradagem;
  • arranquio e capina manual;
  • cobertura morta;
  • cultivo mecanizado;
  • roçagem manual ou mecânica.

Manejo químico

No mercado, é possível encontrar diversos herbicidas recomendados para o manejo do capim-rabo-de-raposa. Abaixo, você pode conferir algumas moléculas com registro ativo no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento);

  • Alacloro;
  • Atrazina;
  • Cletodim;
  • Glifosato;
  • MSMA;
  • Pendimetalina;
  • Propanil;
  • Tebutiurom;
  • Trifluralina;
  • Quizalofope-P-etílico.

O herbicida paraquate já foi bastante utilizado no controle químico do capim-rabo-de-raposa. No entanto, é importante lembrar que desde o ano de 2020, a Anvisa determinou a proibição do uso e da comercialização dessa molécula.

Antes de usar qualquer produto químico leia com atenção o rótulo, a bula e o receituário agronômico. Sempre faça a rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação. Essa técnica dificulta a seleção de plantas resistentes aos produtos químicos. 

Além disso, a rotação diminui o banco de sementes do solo e aumenta o número de espécies controladas.

Não se esqueça de utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários para a manipulação e aplicação dos herbicidas. Eles são essenciais para garantir a segurança de todos

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Conclusão

O capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora) é uma gramínea perene que forma densos agrupamentos. A propagação ocorre por sementes e pela divisão de rizomas, o que dificulta o manejo.

Essa gramínea compete por recursos, reduz a produtividade, dificulta as operações de colheita, reduz a qualidade do produto colhido e eleva os custos com o beneficiamento.

O manejo deve ser realizado de maneira integrada. Lembre-se que a adoção de mais de uma estratégia aumenta a eficiência do controle e evita o aumento da infestação. 

Você já conhecia o capim-rabo-de-raposa? Está enfrentando problemas com essa espécie na lavoura? Deixe seu comentário.

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