Saiba como manejar a cercosporiose no milho

Cercosporiose no milho: o que causa, quais são os sintomas, como ocorre a disseminação e quais são as estratégias de controle dessa doença

A cercosporiose, causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, é uma das principais doenças da cultura do milho. Ela também é conhecida como mancha foliar de cercospora e mancha cinzenta, e causa tantos danos quanto a helmintosporiose e a mancha-branca no milho.

Além de estar presente em todas as regiões produtoras do grão no país, essa doença interfere na produtividade do milho por hectare. Quando a infecção acontece muito cedo, há formação de grande quantidade de lesões foliares, o que aumenta ainda mais os danos.

Geralmente, as lesões causadas pela cercosporiose cobrem a parte aérea da planta, responsável pela fotossíntese. Nesses casos, há perda de água pela planta e também a deterioração do colmo, além de acamamento da cultura. 

Neste artigo, saiba como identificar a cercosporiose do milho e como se prevenir dos danos causados. Além disso, veja como manejar a doença para garantir menos perdas. Confira!

Quais são os sintomas da cercosporiose do milho?

A cercosporiose no milho possui vários sintomas fáceis de identificar. Os primeiros aparecem nas folhas inferiores. Conforme a doença avança, eles também são visíveis na parte superior das plantas. Geralmente, eles aparecem próximo ao período do florescimento.

Os sintomas dessa doença são lesões estreitas, retangulares e delimitadas pelas nervuras das folhas. Isso quer dizer que essas manchas se desenvolvem paralelas às nervuras.  Dependendo da situação, essas manchas podem apresentar bordas irregulares e indefinidas.

Lesões de cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) em folhas de milho
Lesões de cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) em folhas de milho  
(Fonte: Crop Protection)

As lesões jovens de cercosporiose tem cor amarelada e podem estar circundadas por um halo aquoso. Esse halo pode ser observado colocando a folha contra a luz. Com o desenvolvimento da doença, essas lesões tornam-se necróticas, com cor marrom, e aumentam de tamanho.

Sob alta umidade do ar, as manchas foliares adquirem coloração acinzentada

A cercosporiose reduz a área fotossintetizante das plantas de milho. Isso limita a produtividade da cultura por prejudicar a produção e o enchimento de grãos. Em severas infestações, as plantas de milho enfraquecem e têm seu desenvolvimento prejudicado. 

Como consequência, elas ficam vulneráveis ao ataque de outros fungos, como aqueles causadores de podridões do colmo. O ataque desses patógenos resulta no tombamento precoce das plantas da lavoura, além da morte prematura do milho. 

Sintomas de cercosporiose na palha da espiga
Sintomas de cercosporiose na palha da espiga 
(Fonte: Crop Protection Network)

Condições favoráveis para o fungo Cercospora zeae-maydis

A severidade da cercosporiose depende da suscetibilidade do milho híbrido e das condições ambientais. Tendo em vista os aspectos ambientais, a gravidade dessa doença é maior sob condições de elevada temperatura, alta umidade relativa do ar e pela presença de orvalho.

Temperaturas entre 25°C e 30°C e umidade acima de 90% contribuem para que a cercosporiose se estabeleça. Em condições favoráveis, o fungo presente nos restos culturais produz esporos. 

Esses esporos são transportados pelo vento e respingos da chuva e infectam novas plantas. Até o momento, não há informações de que ele seja transmitido por sementes. 

Ciclo da cercosporiose na cultura do milho
(Fonte: Traduzido de Universidade Estadual de Ohio)

Como manejar essa e outras doenças foliares do milho?

No manejo de qualquer doença é importante adotar um conjunto de práticas que irão prevenir e reduzir o desenvolvimento de doenças na área. Essas práticas são conhecidas como MID (Manejo Integrado de Doenças).

Abaixo, veja quais medidas são recomendadas para o controle da cercosporiose e de outras doenças foliares do milho. Confira:

Controle genético

O principal método utilizado no manejo da cercosporiose é o plantio de híbridos de milho resistentes. A resistência genética é uma técnica eficiente, econômica e segura no controle dessa doença.

Ou seja, é uma medida de controle que começa no planejamento de safra, antes mesmo do plantio. Se a sua lavoura já teve incidência dessa doença, a escolha de um híbrido resistente é ainda mais necessária.

Controle cultural

A rotação de cultura é um recurso indicado para o controle da cercosporiose, tendo em vista que o milho é o único hospedeiro do fungo Cercospora zeae-maydis. Assim, a rotação com girassol e com soja são muito recomendadas. 

Além disso, como o fungo sobrevive nos restos culturais, é importante evitar o plantio sucessivo de milho em um mesmo local. Em áreas onde a doença se manifestou de forma severa, a destruição dos restos culturais é uma alternativa para evitar o aumento do fungo. 

Também é interessante diversificar o material genético cultivado. Isso é realizado pelo plantio de híbridos de milho diferentes, ou seja, com níveis de resistência distintos, que irão dificultar a adaptação do fungo. 

Em lavouras com histórico da doença, a recomendação é evitar altas densidades de plantio. Espaçamentos entre plantas e linhas adensados criam um microclima favorável ao desenvolvimento do fungo.

A adubação do milho é outro ponto que deve ser considerado no manejo de doenças. Em caso de desequilíbrio nutricional, seja por carência ou excesso de algum elemento, as plantas ficam mais sensíveis ao ataque de pragas e doenças.

Fornecer os nutrientes na quantidade e no momento certo garante plantas saudáveis. Para isso, é importante que as adubações sejam sempre orientadas pela análise de solo

banner para baixar a planilha de cálculo de fertilizantes para milho e soja

Controle químico: qual o melhor fungicida para cercospora?

O controle químico também é uma alternativa para o manejo da cercosporiose em lavouras de milho. No entanto, é preciso avaliar os custos envolvidos na aplicação dos fungicidas. Uma boa estratégia de controle deve ser viável do ponto de vista técnico e econômico.

No manejo químico é importante sempre seguir as orientações da bula do produto quanto a dosagem, modo e época de aplicação. A seguir, você pode conferir todos as moléculas fungicidas com registro no Mapa para o controle da cercosporiose na cultura do milho

  • azoxistrobina
  • azoxistrobina + benzovindiflupyr + difenoconazol
  • azoxistrobina + ciproconazol
  • azoxistrobina + ciproconazol + mancozebe
  • azoxistrobina + difenoconazol
  • azoxistrobina + epoxiconazol
  • azoxistrobina + flutriafol
  • azoxistrobina + flutriafol
  • azoxistrobina + mancozebe
  • azoxistrobina + mancozebe + tebuconazol
  • azoxistrobina + tebuconazol
  • azoxistrobina + tetraconazol
  • bixafem + protioconazol + trifloxistrobina
  • ciproconazol + picoxistrobina
  • ciproconazol + trifloxistrobina
  • clorotalonil + tebuconazol
  • difenoconazol + impirfluxam + picoxistrobina
  • difenoconazol + pidiflumetofen
  • difenoconazol
  • epoxiconazol + fluxapiroxade + piraclostrobina
  • epoxiconazol + piraclostrobina
  • fluazinam + tiofanato-metílico
  • fluxapiroxade + mefentrifluconazol + piraclostrobina
  • mancozebe + picoxistrobina + tebuconazol
  • mefentrifluconazol + piraclostrobina
  • metominostrobin + tebuconazol
  • pidiflumetofen
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • tebuconazol + trifloxistrobina
  • tebuconazol
  • tetraconazol.

Conclusão

A cercosporiose causa uma série de danos na cultura do milho, e em muitos casos pode reduzir drasticamente a produtividade. Altas temperaturas e umidade relativa do ar elevada favorecem o desenvolvimento da cercosporiose.

Por isso, se você desconfia da presença da doença na lavoura, não pense duas vezes antes de começar o manejo integrado.  Você pode utilizar híbridos resistentes, rotação de culturas, evitar plantios adensados, adubação equilibrada e a aplicação de fungicidas. 

Na dúvida de qual método utilizar, não deixe de consultar um(a) profissional da agronomia.

Você já teve problemas com a cercosporiose no milho? Se você conhece outros produtores que também lidam com a doença na lavoura, compartilhe esse artigo com eles.

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