Veja 4 indicadores de desempenho para colheita de grãos

Indicadores do desempenho da colheita de grãos mecanizada: entenda melhor as perdas fisiológicas, físicas e operacionais

Apesar da importância de todos os cuidados ao longo do ciclo de uma cultura, é na colheita que o produtor irá, de fato, converter todos os tratos culturais em um produto comercial.

E todas as perdas ocorridas nessa etapa podem impactar muito a lucratividade da fazenda. Por isso, reduzi-las é fundamental para a saúde financeira da propriedade.

Entenda, a partir de agora, quais são os principais indicadores de desempenho para a colheita mecanizada de grãos e onde estão as perdas mais relevantes da produção relacionadas a essa operação!

Funcionamento da colhedora 

A colheita é a etapa que tem como objetivo retirar o produto agrícola do campo, em tempo hábil, com a mínima perda quantitativa e o máximo de qualidade

Porém, para que se obtenha sucesso, devem ser considerados inúmeros fatores que    influenciam diretamente ou indiretamente nesse processo.

O processo de colheita de grãos envolve algumas etapas básicas, sendo elas:

  • o corte: que é responsável por cortar ou arrancar a planta ou parte dela;
  • a trilha: onde ocorre o desprendimento dos grãos da planta;
  • a limpeza: que separa os grãos da palha e do restante da planta.

A colhedora é composta pelos sistemas de corte, alimentação, trilha, separação, limpeza e armazenamento dos grãos, efetuando todas as etapas que vimos logo acima.

ilustração de sistemas de uma colhedora

Sistemas de uma colhedora
(Fonte: Embrapa, 1998)

Embora as perdas durante a colheita sejam diversas, 80% delas estão relacionadas com a plataforma de corte e alimentação. Destes, uma porcentagem significativa está relacionada à perda de qualidade dos grãos no processo de trilha.

Adiante, falarei um pouco mais sobre as perdas físicas, operacionais e as ligadas à fisiologia da planta.

Indicadores de perdas fisiológicas

As principais perdas relacionadas com a fisiologia da planta acontecem devido ao teor de água (umidade) no grão e ao ponto de maturação fisiológica do grão.

Quando a cultura não atingiu esse ponto de maturação, os grãos não se desprendem devidamente das plantas. Um indicador desse problema são vagens não trilhadas caindo do sacapalhas e das peneiras da colhedora no caso da soja.

Outro problema se deve ao teor de umidade dos grãos, que apesar de terem atingido a maturidade fisiológica estão com umidade superior ou inferior à recomendada para a colheita mecanizada (em torno de 13% de umidade).

No caso da soja, o excesso de umidade dos grãos pode ser observado com a quantidade de grãos quebradiços na colhedora.

Já para o milho, grãos muito úmidos ou secos podem acarretar espigas não colhidas no campo, excesso de grãos quebrados ou amassados e sabugos e sujeira acumulados no tanque graneleiro.

Sobre esse assunto, leia também o artigo “Umidade do milho para colheita: todas as dicas para não perder seus grãos”!

Perdas físicas 

As perdas físicas estão relacionadas muitas vezes aos impedimentos ou dificuldades físicas na colheita. Algumas delas são o excesso de plantas daninhas, a altura das plantas ou desuniformidade do terreno.

Muitas vezes isso pode ser solucionado com um ajuste mais cuidadoso da plataforma de corte e/ou molinete da colhedora.

Problemas relacionados à altura das plantas ou desuniformidade do terreno podem ser indicados pelo amontoamento de plantas na barra de corte, plantas se enrolando no molinete (quando há excesso de plantas daninhas).

Na cultura de milho, esses indicadores se relacionam à perda de espigas. Plantas com alta inserção de espiga podem ter as espigas arremessadas lateralmente na plataforma de corte.

Outro indicador é o excesso de milho debulhado no rolo das espigadoras, o qual ocorre devido às unidades de recolhimento operarem em altura superior à recomendada.

Como medir as perdas físicas

Uma forma de medir as perdas anteriores à colheita, as perdas na plataforma e as perdas totais é pela amostragem.

Ela é feita através de uma armação da largura da plataforma e meio metro de comprimento. Nessa armação serão contados o número de grãos caídos antes da passagem da colhedora.

Para determinar as perdas na colheita deve-se retirar a armação, passar com a colhedora e afastá-la, recolocando a armação no local. A contagem dos grãos caídos irá indicar as perdas referentes ao processo de colheita.

ilustração que mostra quantificação das perdas totais: perdas anteriores à colheita (1); perdas na plataforma (2); e perdas totais (3)

Quantificação das perdas totais: perdas anteriores à colheita (1); perdas na plataforma (2); e perdas totais (3)
(Fonte: Adaptado de Aprosoja)

Perdas operacionais 

As perdas operacionais estão diretamente relacionadas com as regulagens dos diferentes sistemas presentes na colhedora.

Como um sistema está diretamente ligado ao outro, erros na regulagem de um deles podem ocasionar perdas no sistema seguinte também.

ilustração que mostra o esquema de uma colhedora - texto sobre indicadores do desempenho da colheita de grãos

(Fonte: Embrapa, 1998)

A velocidade excessiva do molinete ou da colhedora, por exemplo, pode acarretar vagens caídas ou amontoadas na barra de corte, bem como em sobrecarga do cilindro. Essa sobrecarga pode provocar vagens não trilhadas.

As peneiras, divididas em 3 partes, devem estar limpas no terço dianteiro. Já no terço traseiro, deve haver apenas resíduos. 

Caso exista a presença excessiva de grãos na peneira superior, haverá queda de grãos na parte traseira da colhedora.

Na trilha e retrilha, a regulagem do côncavo é de extrema importância, já que pode ocasionar excesso de espigas e vagens não trilhadas no retorno da trilha, indicando uma grande folga entre o cilindro e o côncavo.

Já a pouca folga entre o cilindro e côncavo pode ocasionar na quebra dos grãos, diminuindo a qualidade e facilitando a entrada de patógenos pós-colheita.

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

Mesmo com toda a tecnologia disponível, as perdas durante a colheita sempre serão consideradas. Mas um excesso de perdas pode acarretar diversos prejuízos na propriedade.

Dessa forma, minimizá-las deve ser o foco no final da safra! Atentar-se às condições meteorológicas e à situação da cultura no campo são os primeiros passos para uma colheita eficiente.

E, como você viu neste artigo, durante o processo de colheita, é essencial acompanhar as etapas, realizando amostragens de perdas sempre que possível. 

É preciso ainda ficar de olho nos diferentes indicadores da colhedora, entendendo qual sinal eles estão passando para que você possa realizar uma colheita mais eficiente e lucrativa!

>> Leia mais:

“5 perdas na colheita que você pode estar sofrendo e o que fazer para resolver”

“O que você precisa saber sobre regulagem e manutenção de implementos agrícolas”

Restou alguma dúvida sobre os indicadores do desempenho para colheita de grãos? Deixe seu comentário abaixo!

2 thoughts on “Veja 4 indicadores de desempenho para colheita de grãos

  1. Boa tarde !!
    A amostragem de perca durante a colheita deve ser feita em quantos pontos , e quais melhores padrões deve seguir para pode ter as melhores amostragem.

    Att
    Leonardo Abreu

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