Laranja Hamlin: desde a implantação do pomar até o manejo de adubação e irrigação, plantas daninhas e fitossanitário.
Nos últimos anos, o plantio de laranjas doces precoces, como a Hamlin, aumentou nas principais regiões produtoras do país.
Essas cultivares precoces (Hamlin, Westin e Rubi) representam 23% das variedades dos pomares paulistas.
Isso garantiu aumento da produtividade dos pomares e maior oferta de frutos de qualidade para consumo in natura e para a indústria.
Mas afinal, quais as principais características dessa cultivar? E quais os manejos adequados? Confira a seguir, essas e outras informações sobre a Laranja Hamlin!
Índice do Conteúdo
Laranja Hamlin, uma cultivar precoce
A Laranja Hamlin (Citrus sinensis (L.) Osbeck) pertence ao grupo das laranjas doces comuns, assim como a valência.
Isso significa que quando madura apresenta níveis de acidez que podem variar de 0,9% até 1%.
Sendo considerada de maturação precoce a meia-estação, seus frutos podem entrar no mercado entre os meses de maio até agosto, dependendo da região de cultivo.
Os frutos da Laranja Hamlin são pequenos a médios, contêm poucas sementes e apresentam casca fina de coloração amarelada.

Frutos de Laranja Hamlin
(Fonte: Florida Citrus Varieties)
Além disso, possuem baixos teores de suco, de açúcares (ou sólidos solúveis) e são ligeiramente ácidos.
Seu suco apresenta coloração clara quando comparado ao de outras cultivares, não sendo o ideal para processamento.
Entretanto, o principal destino para a Laranja Hamlin é a indústria de processamento para produção de suco concentrado.
Isso acontece porque as plantas, além de precoces, são muito produtivas e garantem grande quantidade de frutos em época de escassez.
Como podemos observar no gráfico abaixo:

Período de colheita por variedade e porcentagem da produção do estado de São Paulo
(Fonte: Markstrat – CitrusBR)
A Laranja Hamlin, como precoce, é uma das principais cultivares que alimentam a indústria de processamento para suco concentrado.
Sua precocidade permite que a indústria inicie as atividades semanas antes da maturação das demais cultivares.
Além dela, as laranjas pêra (meia-estação), valência e natal (tardias), garantem o processamento no período de maio a dezembro.
Os frutos da Hamlin também podem ser comercializados em pequena escala no mercado interno de frutas in natura.
A implantação do pomar de Laranja Hamlin
As laranjeiras são plantas perenes e permanecerão no campo por muitos anos, por isso, a implantação é um período crítico para seu sucesso.
Independente da cultivar, devemos nos atentar a pontos-chave antes e durante o plantio.
Confira mais sobre implantação de pomares cítricos.
Manejos do pomar cítrico
A fim de alcançar elevadas produtividades, os pomares cítricos requerem manejos de adubação e irrigação, plantas daninhas, fitossanitários e outros.
1. Escolha do porta-enxerto e adensamento de plantio
Na época de obtenção das mudas, antes mesmo da implantação do pomar, precisamos determinar o espaçamento e o porta-enxerto.
Assim como para outras espécies frutíferas, o porta-enxerto tem forte influência sobre o desenvolvimento da copa da Laranja Hamlin.
Dentre os principais utilizados atualmente no Brasil, a Laranja Hamlin não apresenta incompatibilidade com nenhum deles.

Exemplos de incompatibilidade de enxertia entre copas e porta-enxertos de citros
(Fonte: Oliveira et al. (2006) – Embrapa)
Portanto, a escolha deve ser feita de acordo com as necessidades da região de cultivo e da lavoura.
Para pomares irrigados, por exemplo, não há necessidade de usar porta-enxertos resistentes à seca.
Os porta-enxertos podem influenciar no vigor, produtividade, precocidade de produção, qualidade dos frutos, tolerância seca e resistência a patógenos.
Para a Laranja Hamlin, o uso do Flying dragon – de baixo vigor, facilita o adensamento e garante produtividade superior a de outras cultivares.

Produtividade de laranjeiras (Citrus sinensis L. Osbeck.) Hamlin, Natal e Valência enxertadas sobre Flying dragon (Poncirus trifoliata L.) no espaçamento 4m x 2m em Bebedouro (SP).
(Fonte: Embrapa, 2012)
2. Manejo da adubação e irrigação
A adubação e irrigação são fatores que influenciam diretamente na produtividade de pomares cítricos.
Esse processo começa com a análise de solo, continua na correção e se concretiza na adubação.
Pode ser realizado via solo ou foliar, de acordo com as necessidades do pomar no decorrer do ciclo produtivo.
Sendo assim, é um processo dinâmico que deve iniciar antes da implantação e ter acompanhamento constante, buscando atender as necessidades das plantas.
Para uma melhor adubação, confira em “Adubação em Citros: 3 dicas para ser ainda mais eficiente”.
A irrigação, por sua vez, pode influenciar diretamente no florescimento das plantas cítricas, já que o florescimento é estimulado pelo estresse hídrico.
Em pomares irrigados, principalmente em regiões de clima tropical, podemos antecipar o florescimento regulando o fornecimento de água.
Veja mais sobre a florada do citros.
3. Manejo de plantas daninhas
Nos pomares cítricos, as plantas daninhas podem ocasionar danos diretos e indiretos.
Danos diretos são resultado da competição por água, luz e nutrientes, que leva à redução da quantidade e qualidade dos frutos colhidos.
Estima-se que as perdas de produtividade devido à competição direta com plantas daninhas possam variar de 20% até 40%.
Enquanto os danos indiretos estão relacionados ao fato das plantas daninhas serem hospedeiras em potencial para pragas, doenças e nematoides.
A Laranja Hamlin tem apresentado boa produção quando livre de plantas daninhas, principalmente nas estações mais secas.
Os manejos realizados nos pomares cítricos para o controle de daninhas, baseiam-se no uso de herbicidas na pré e pós-emergência e de roçadeira ecológica.
Outra alternativa viável é o cultivo de culturas intercalares de interesse econômico (como quiabo, berinjela e abacaxi) ou adubos verdes.
Esses métodos integrados de manejo das plantas daninhas se destacam por evitarem a interferência, promovendo menor impacto ambiental.
Nome comum | Nome científico |
capim-marmelada | Braquiaria plantaginea (link.) Hitchc |
capim-colonião | Panicum maximum Jacq. |
capim-colchão | Digitaria horizontalis (Retz). Koel |
capim-carrapicho | Cenchrus echinatus L. |
capim-pé-de-galinha | Eleusine indica (L.) Gaertn |
grama-seda | Cynodon dactylon (L.) Pers |
capim-favorito | Rhynchelitrum repens (willd.) C.E. Hubb |
capim-amargoso | Digitaria insularis (L.) Fedde |
grama-batatais | Paspalum notatum Flugee |
capim-braquiária | Braquiaria decumbens Stapf. |
tiririca | Cyperus rotondus L. |
trapoeraba | Commelina spp. |
picão preto | Bidens pilosa L. |
guaxumas | Sida spp. |
caruru | Amaranthus spp. |
falsa-serralha | Emilia sonchifolia (L.) DC. |
mentrasto | Ageranthum conyzoides L. |
picão-branco | Galinsoga parviflora Cav |
cordas-de-viola | Ipomoea spp. |
beldroega | Portulaca oleraceae L. |
Principais espécies de plantas daninhas de ocorrência nas áreas citrícolas
(Fonte: Adaptado de Victoria Filho et al. (1991))
4. Manejo fitossanitário
As laranjeiras e outras plantas cítricas são alvo de grande quantidade de pragas e doenças.
Ácaros, pulgões, lagartas, psilídeos, cochonilhas, cigarrinhas e formigas são exemplos das pragas causadoras de danos, sendo alguns deles vetores de doenças.
Doenças como a verrugose, a gomose e a pinta preta são algumas das doenças fúngicas que acometem os pomares cítricos.
Enquanto das doenças bacterianas se destacam o Huanglongbing (HLB) ou Greening, a clorose variegada dos citros (CVC) e o cancro cítrico.
Atualmente, os principais entraves da citricultura brasileira estão relacionados à ocorrência das doenças bacterianas do cancro cítrico e do HLB.
Isto porque, para estas duas doenças, há determinação legal que exige que as plantas infectadas sejam arrancadas, a fim de evitar a disseminação dos patógenos.
Portanto, para manter os pomares cítricos em bom estado fitossanitário é necessário vigilância constante e sistemática.

Monitoramento da presença do psilídeo (Diaphorina citri), inseto transmissor do HLB em pomares cítricos
(Fonte: Fundecitrus)
Amostragens e/ou inspeções periódicas são essenciais para a detecção e diagnóstico da ocorrência de pragas e doenças.
E uma vez verificado o problema, deve-se buscar a recomendação técnica adequada para a resolução do problema.
A melhor estratégia para o controle de pragas e doenças é a prevenção e isto deve acontecer desde o início do plantio.
Conclusão
A Laranja Hamlin é uma cultivar essencial para a citricultura brasileira, principalmente para a produção do suco concentrado.
Assim como outras cultivares, seu manejo requer cuidado e atenção desde as primeiras etapas do pomar até as inspeções periódicas.
Neste texto você viu características, implantação do pomar e métodos diversos de manejo.
Um pomar bem cuidado e com os manejos adequados é garantia de longevidade e bons frutos nas colheitas.
>>Leia mais:
“Como ter uma produção de mudas cítricas de boa qualidade“
“Tudo sobre a produção de laranja pêra“
E você, quais manejos realiza em seu pomar de Laranja Hamlin? Deixe o seu comentário abaixo!