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métodos de amostragem de grãos

Entenda os diferentes métodos de amostragem de grãos e como eles podem impactar a comercialização da sua safra

- 11 de março de 2021

Métodos de amostragem de grãos: entenda a importância, cuidados e tipos de amostragens para determinação da qualidade dos lotes de grãos e sementes.

Para a comercialização e até mesmo armazenamento seguro dos grãos, análises de qualidade devem ser realizadas.

Após a colheita, os grãos são transportados para unidades de beneficiamento, onde amostragens dos lotes recebidos são realizadas, seguindo metodologias padrões.

O objetivo da amostragem de produtos é indicar a natureza, qualidade e tipo, dando assim destinação aos grãos.

Quer entender como são realizadas as amostragens para as diferentes formas de armazenamento e como estes dados podem auxiliar sua tomada de decisões? Confira a seguir!

Importância da amostragem de grãos

O objetivo da amostragem de grãos é indicar a natureza, qualidade e tipo, dando, assim, uma destinação adequada aos produtos agrícolas.

Ao serem armazenados, especialmente a longo prazo, os grãos ficam sujeitos a alterações provocadas pelo calor, umidade e organismos associados, como insetos e microrganismos. 

Após a colheita, a qualidade dos grãos não pode ser melhorada, apenas conservada. E a interação da qualidade inicial (logo após a colheita) com o ambiente a que estes grãos serão expostos (formas de armazenamento) determinarão a sua conservabilidade, aptidão industrial, de consumo e o valor comercial.

Desta forma, as análises de qualidade dos grãos recebidos é uma etapa importante para determinar o beneficiamento necessário (pré-limpeza, limpeza, secagem). 

Também indicam sob quais condições esses grãos deverão ser armazenados, se devem ser imediatamente comercializados e para qual finalidade (industrial ou de consumo), visando diminuir perdas e otimizar processos.

O objetivo da amostragem é obter uma porção representativa das características do lote.

Quando a amostragem de grãos é realizada

A amostragem consiste na retirada de uma pequena porção de grãos, de diferentes pontos do lote, com o objetivo de determinar sua qualidade. 

A qualidade padrão dos grãos deve obedecer aos limites máximos tolerados quanto aos danos, umidade, impurezas e matérias estranhas, ataque de insetos, regidos pela legislação.

São consideradas análises importantes: 

  • umidade;
  • impurezas e matérias estranhas;
  • classificação de produtos;
  • ataque de insetos, dentre outras.

Essas características indicarão a qualidade dos lotes recebidos e influenciarão nos preços praticados no mercado. Além disso, os resultados obtidos norteiam a tomada de decisão sobre o destino do lote recebido. 

As amostragens devem ser realizadas ainda na recepção da carga, antes da pesagem, e no momento de descarga.

Já durante o armazenamento, são realizadas para verificar a ocorrência de alterações provocadas por pragas e microrganismos, por exemplo, ou alterações de umidade e temperatura.

7 cuidados importantes na amostragem de grãos 

Para que os resultados sejam representativos da realidade, alguns cuidados devem ser tomados:

  1. As coletas devem ser realizadas em diferentes pontos e profundidades. Grãos em camadas superficiais podem sofrer alterações por umidade e temperatura ambiente;
  2. Devido ao peso das impurezas ser menor, estas costumam acomodar-se no fundo da massa de grãos, reforçando a necessidade de amostragens em diferentes profundidades;
  3. Evite realizar as coletas sempre nos mesmos locais. Esta ação pode levar a resultados viciados e não representativos. 
  4. Evite fazer a coleta com equipamentos, roupas e mãos sujas. Os resultados podem sofrer alterações significativas quando não observadas as condições de higiene, principalmente de umidade para grãos e sanitárias para sementes;
  5. Os equipamentos de amostragem devem estar limpos e secos. Quando úmidos, provocam alterações, especialmente na umidade do lote;
  6. Não realize amostragens próximo às paredes/laterais da carroceria, silo e sacarias devido a possíveis interferências do ambiente nas características dos grãos mais próximos da superfície;
  7. As amostras devem ser colocadas em embalagens adequadas e identificadas assim que coletadas, para evitar erros, com envio imediato ao laboratório. Caso não seja possível, deve ser conservada adequadamente (em refrigerador preferencialmente).

Métodos de amostragem de grãos: tipos de amostras 

Segundo o manual de Regras para Análise de Sementes (RAS), diferentes tipos de amostras são realizadas até que seja formada a amostra de trabalho final (aquela analisada em laboratório).

Amostra simples

Pequena porção de sementes ou grãos retiradas de um ponto aleatório do lote.

Amostra composta

É  formada pela junção de todas as amostras simples (retiradas de cada um dos pontos amostrados). Deve ser devidamente reduzida (seguindo metodologia padrão) para envio ao laboratório, uma vez que é formada por uma quantidade superior ao necessário.

Amostra média

É a amostra recebida pelo laboratório para ser submetida à análise. Deve obedecer tamanho mínimo, especificado nas Regras para Análise de Sementes.

Amostra duplicata

É a mesma amostra obtida da amostra composta. É obtida para fins de fiscalização e para casos de reanálise. 

É armazenada nas unidades de beneficiamento e recebimento de grãos por até cinco anos, para eventuais contestações ou problemas associados ao lote comercializado.

Amostra de trabalho

É obtida por homogeneização (mistura) e redução até os pesos mínimos requeridos pelas regras, utilizada em laboratório para as análises.

Tipos de amostragem e equipamentos

As amostragens podem ser realizadas de forma manual ou pneumática.

Amostragens manuais

Para as amostragens manuais podem ser utilizados caladores ou sondas. Veja na imagem que separei: 

Caladores simples para sacarias (esquerda) e sonda manual para amostragem de grãos a granel (direita)

Caladores simples para sacarias (esquerda) e sonda manual para amostragem de grãos a granel (direita)
(Fonte: Conab)

Amostragens pneumáticas 

Comumente utilizadas em silos e graneleiros, onde, através da sucção dos grãos, as amostragens são realizadas, encaminhando diretamente para o local de análise (quando este possuir, por exemplo em portos e unidades de recebimento).

As sondas pneumáticas devem ser utilizadas conforme instruções de uso do fabricante. Caso contrário, erros relacionados principalmente a impurezas e matérias estranhas podem ocorrer, impactando no valor de venda (resultados superestimados).

Para a coleta, o calador deve ser inserido no ponto desejado, com o recipiente de amostragem fechado e com o sistema desligado. O recipiente deve ser aberto para coleta e fechado instantes depois. 

O sistema de sucção deve ser ligado para sucção da amostra e então ser desligado e reposicionado no próximo ponto. Somente quando estiver no ponto a ser amostrado, pode ser religado.

O amostrador pneumático não deve permanecer ligado durante todas as amostragens. Este procedimento não é adequado e não é considerado uma amostragem e sim uma simples coleta.

ilustrações de sonda pneumática portátil (esquerda) e sonda pneumática fixa (direita)

Sonda pneumática portátil (esquerda) e sonda pneumática fixa (direita)
(Fonte: Conab)

Peso das amostras

O peso mínimo das amostras para análise de atributos de qualidade para grãos e sementes é distinto para produtos ensacados/ou granel e para sementes. Veja na tabela abaixo os requisitos para produtos ensacados:

tabela de recomendações de amostragem em navios (carga ou descarga de produtos ensacados ou a granel) pelo Mapa

Recomendações de amostragem em navios (carga ou descarga de produtos ensacados ou a granel) pelo Mapa
(Fonte: adaptado de Mapa)

Já para análises de sementes, os pesos mínimos têm variação dentre as espécies e testes a serem realizados. Os dados podem ser consultados no manual de Regras de Análise de Sementes.

tabela de recomendações de amostras médias para análise de qualidade de sementes

Recomendações  de amostras médias para análise de qualidade de sementes
(Fonte: adaptado de RAS)

O peso mínimo exigido para envio a laboratório é o da amostra composta, devidamente reduzida ao exigido.

Como garantir amostragens aleatórias e representativas

Um procedimento comum realizado nas amostragens de grãos a granel em caminhões é amostrar cinco pontos, um em cada lateral da carroceria e outro no centro. 

Esta forma de amostragem não é a mais correta, pois se perde o critério de aleatoriedade e pode induzir a erros.

Para garantir o critério de aleatoriedade, pode-se identificar a largura de um caminhão e seu comprimento. 

A largura pode ser dividida por seis pontos, em espaçamentos iguais, numerados de 1 a 6. 

O comprimento pode ser dividido em dez pontos, de espaçamento igual, numerados do 1 ao 11.

Essa divisão pode ser realizada uma única vez para cada metragem de caminhões e, à medida que as cargas chegam, respeitando o número mínimo de amostras e peso mínimo, podem ser sorteados e então amostrados, garantindo a aleatoriedade das amostras.

Como as laterais da carga não devem ser amostradas, para a largura, eliminam-se os pontos 1 e 6, e para o comprimento os números 1 e 11, conforme a imagem abaixo:

Pontos amostrais para sorteio, considerando a largura e comprimento de um caminhão. Locais representados pela letra X não devem ser amostrados

Pontos amostrais para sorteio, considerando a largura e comprimento de um caminhão. Locais representados pela letra X não devem ser amostrados
(Fonte: elaborado pela autora)

Neste caso, são 2,60 metros de largura divididos em 6 pontos. O espaçamento necessário entre os pontos deve ser de 43,33 centímetros. 

Para o comprimento são 16 metros divididos pelos 11 pontos amostrais, exigindo distâncias de 1,45 metros entre os pontos.

Para saber quais pontos devem ser amostrados, basta sortear os números de 2 a 4 (largura), para cada ponto sorteado de 2 a 10 (comprimento).

Coleta das amostras

Para todos os métodos de amostragem, a identificação correta das amostras é indispensável.

Na etiqueta deve constar a identificação do lote, número da amostra (número, quantidade, natureza, acondicionamento), nome do proprietário, responsável, data e local de coleta.

Os tipos de amostragem são divididos em pré-amostragem, amostragem (ambos para cargas a granel ou convencionais nas unidades de recebimento), sacarias, silos e transportadores.

Confira a seguir cada uma delas!

Diferentes métodos de amostragem de grãos

Amostragem de grãos a granel: pré-amostragem

Nessa etapa, retiram-se as amostras antes da pesagem do veículo a fim de determinar o percentual de impurezas e umidade do produto recebido. 

Como as impurezas normalmente ficam no fundo da carga e há possível ação de fatores externos durante o transporte, é realizada uma pré-amostragem e, durante o descarregamento, é feita a amostragem propriamente dita.

Também avalia-se a necessidade de pré-limpeza, limpeza e secagem. Além disso, são verificadas situações de anormalidades que possam justificar a recusa do lote.

O peso mínimo para cada ponto amostral para formação da amostra composta é de 2 kg por ponto de amostragem.

Exemplo: recebeu-se uma carga de grãos de 30 toneladas. Para este volume, são necessários 8 pontos amostrais.

Sorteiam-se então as seguintes combinações, conforme exemplificado pelos círculos vermelhos na imagem abaixo:

Ponto 1: 5 para largura e 8 para comprimento;

Ponto 2: 2 para largura e 2 para comprimento;

Ponto 3: 4 para largura e 3 para comprimento;

Ponto 4: 3 para largura e 6 para comprimento;

Ponto 5: 2 para largura e 10 para comprimento;

Ponto 6: 2 para largura e 7 para comprimento;

Ponto 7: 5 para largura e 5 para comprimento;

Ponto 8: 4 para largura e 9 para comprimento.

Pontos amostrais sorteados. Locais representados pela letra X não devem ser amostrados

Pontos amostrais sorteados. Locais representados pela letra X não devem ser amostrados
(Fonte: elaborado pela autora)

Número de pontos amostrados em relação ao peso das cargas:

  • Para vagões ou caminhões de até 15 toneladas: cinco pontos amostrais;
  • Vagões de 15 a 30 toneladas: oito pontos amostrais;
  • Vagões de 30 a 50 toneladas: onze pontos amostrais.

Amostragem de grãos a granel: descarga moega

É realizada durante a descarga, utilizando canecos ou baldes. São retiradas amostras ao acaso e periodicamente nos dutos de saída até que metade da massa de grãos seja descarregada (veículos a granel).

Para caminhões convencionais, realiza-se a amostragem através da retirada de pequenas porções, em diferentes pontos e de ambas as laterais, assim que estas são abertas para o descarregamento dos grãos.

Ambas as amostragens, antes da pesagem e no momento da descarga, são importantes e devem ser homogeneizadas posteriormente para formação da amostra composta, que deve ser enviada para a análise.

ilustrações de amostragem de grãos em caminhão graneleiro e convencional

Amostragem de grãos em caminhão graneleiro e convencional
(Fonte: Conab)

O peso da amostra composta deve ser:

  • 40 kg para cargas de até 500 toneladas;
  • 40 kg para cada série de 500 toneladas, em caso de carregamentos com pesagem superior.

Amostragem de grãos em silos: durante a armazenagem

Durante a armazenagem dos grãos, é indispensável monitoramento frequente.

Pode-se estabelecer a coleta em diferentes pontos, utilizando como referência os pontos cardeais, em diferentes profundidades.

Neste tipo de coleta, é necessário que as coletas e análises posteriores sejam realizadas conforme a profundidade, com objetivo de identificar alterações de temperatura e umidade.

Amostragem de grãos em silo vertical, utilizando os pontos cardeais como referência

Amostragem de grãos em silo vertical, utilizando os pontos cardeais como referência
(Fonte: Conab)

>>Leia mais: “Vender ou guardar a produção em silo de grãos”

Amostragem de grãos: sacarias

Neste método, as amostras são obtidas através da perfuração das sacas com caladores simples.

O calador deve ser introduzido ao saco no sentido de baixo para cima, de forma a estimular o deslizamento do produto.

Os sacos a serem amostrados devem ser escolhidos aleatoriamente e as amostras devem ser realizadas no mínimo em 10% do total dos sacos, em diferentes alturas da pilha e com porções mínimas de 30 gramas por saco.

Essa avaliação deve ser realizada tanto no recebimento das sacarias como durante o período de armazenamento.

Amostragem de grãos: transportadores

Em transportadores por correia ou gravidade, as amostras devem ser coletadas em períodos específicos, utilizando canecas ou baldes.

Em transportadores de parafuso sem-fim, as coletas podem ser realizadas no alçapão localizado na parte inferior da tubulação, que se abre em determinados intervalos.

As amostras podem ser coletadas ainda na saída dos grãos ou nas extremidades do transportador.

Já no elevador de caneca, as coletas podem ser realizadas na saída da moega alimentadora, em períodos pré-determinados (a cada x minutos ou horas, a depender do fluxo de grãos).

O que os resultados das análises podem indicar?

Com os resultados em mãos sobre o real estado dos grãos colhidos, é possível realizar desde um simples beneficiamento (como limpeza) até a secagem, a fim de diminuir os descontos recebidos sobre o produto comercializado.

A secagem pode ser realizada ainda nos limites aceitos pelos estabelecimentos para que não haja perdas de peso desnecessárias dos grãos pela diminuição do teor de água (umidade).

Com umidades superiores ao ideal, há opção de secar o lote de grãos na própria fazenda, quando possível, ou planejar a secagem ainda em campo, desde que as previsões meteorológicas sejam favoráveis.

Também é possível planejar a implantação de locais para armazenamento de grãos na propriedade, calculando os custos operacionais pagos às unidades de armazenamento em relação ao investimento destas estruturas. 

Estima-se que 30% do valor do produto permaneça na unidade de beneficiamento em razão de operações de secagem e armazenamento.

Resultados das análises e comercialização

Na recepção, os preços praticados consideram a umidade da massa de grãos ou teor de água, o que influencia diretamente na conservação da qualidade ao longo do armazenamento.

Os limites máximos tolerados para defeitos na comercialização de grãos são regidos por Instruções Normativas, que estabelecem o regulamento técnico das culturas, com descontos progressivos e até mesmo descarte do lote quando não observados os limites tolerados.

Para descontos em teores de umidade e classificação, estes são praticados pelas unidades de recebimento, possuindo variação dentre as culturas e estabelecimentos.

Para as culturas do milho e trigo, por exemplo, a venda é regulada pelos defeitos de classificação.

Desta forma, a realização da correta amostragem, armazenamento e envio ao laboratório de análise é fundamental para a tomada de decisão quanto ao destino da produção.

Como mencionamos anteriormente, a qualidade do lote de grãos, após a colheita não pode ser melhorada, mas sim conservada. 

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Conclusão

Neste artigo, pudemos conhecer a importância de uma amostragem seguindo os padrões exigidos pela legislação.

Abordamos ainda métodos empregados, número e peso das amostras que devem ser coletadas e os cuidados que devem ser tomados durante o processo.

Além disso, vimos um pouco do que esses dados podem indicar para uma tomada de decisão após a colheita, a fim de diminuir descontos e garantir melhores preços de comercialização.

>>Leia mais:

“Entenda melhor a classificação da soja e saiba usá-la para aumentar sua lucratividade”

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