Tecnologia de aplicação: Escolha de bicos, redução da deriva e outras dicas importantes para ter mais eficiência em suas aplicações.

Não adianta comprar a melhor semente do mercado ou comprar o produto mais caro se você não tomar alguns cuidados no momento da aplicação.

Parece clichê, mas muitas vezes cometemos alguns erros ou esquecimentos na hora de aplicar os defensivos agrícolas.

Uma mudança da ponta de pulverização, por exemplo, pode alterar completamente o tamanho de gotas da aplicação.

Mas, afinal, o que é tecnologia de aplicação? Como ela pode te ajudar a melhorar a aplicação de defensivos?

É exatamente essas e outras perguntas que vamos responder neste artigo! Confira

O que é tecnologia de aplicação?

Tecnologia de aplicação pode ser definida como o emprego dos conhecimentos científicos para proporcionar o posicionamento correto do produto.

A aplicação do produto deve ser na quantidade necessária, com o mínimo de contaminação de outras áreas. Além disso, precisa ser econômica.

Outros dois conceitos que podemos definir para compreender melhor sobre tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas são:

Pulverização e aplicação

A pulverização é a transformação de uma substância líquida em gotas. Já, a aplicação é a deposição destas gotas sobre o alvo.

As gotas precisam estar no tamanho e densidade adequados ao objetivo da aplicação.

Para que isso aconteça, é necessário o conhecimento correto sobre tecnologia de aplicação.

tipos de bicos
tipos de bicos

(Fonte: Agrozapp)

Observe na figura abaixo como uma mudança na ponta de pulverização muda o tamanho das gotas de aplicação:

a) papel sensível preso à haste; b) Papéis sensíveis após a aplicação: gotas produzidas pelos atomizadores rotativos, pelas pontas de cone vazio (MAG-2) e pelas pontas de jato plano duplo com indução de ar (AD/IA/D 11002), respectivamente.

(Fonte: Rodrigues et al. (2011))

Regulagem e calibração

Regular um equipamento significa ajustar os componentes da máquina de acordo com a cultura e os produtos que serão utilizados.

Por exemplo: tipos de pontas mais adequados, velocidade de aplicação, altura da barra em relação ao alvo e espaçamento entre os bicos.

Já calibrar um equipamento é verificar qual será o volume de aplicação, qual a quantidade de produto que será utilizada e qual a vazão das pontas.

Sabendo estes conceitos e a importância em realizar tanto a regulagem quanto a calibração do equipamento, vamos entender como a tecnologia de aplicação pode ajudar.

Vamos ver, principalmente, como a tecnologia de aplicação pode contribuir na redução ou risco de deriva. 

Tecnologia de aplicação: O que é deriva de agrotóxicos?

Deriva é definida como o deslocamento da calda do produto para fora do alvo.

A deriva pode ocorrer devido à:

  • Ação do vento
  • Escorrimentos 
  • Volatilização

(Fonte: Química Nova)

A deriva pode ainda ser classificada em:

  • Endoderiva
  • Exoderiva

Na endoderiva, as perdas são internas, ou seja, dentro da área. Geralmente, a endoderiva está relacionada a altos volumes de calda e gotas grandes. Neste processo, ultrapassa-se a capacidade das folhas em reter o produto.

Na exoderiva, ocorre o deslocamento das gotas para fora da área da cultura. A exoderiva é causada pela ação do vento e evaporação da água utilizada no preparo da calda e está associada a gotas pequenas.

tecnologia de aplicação

(Fonte: Cultivar)

As gotas menores têm maior capacidade de cobertura do alvo, ou seja, maior número de gotas por cm².

Gotas menores são recomendadas quando é necessário uma boa cobertura e penetração.

Porém, quando utilizamos gotas pequenas, temos que levar em conta que elas são mais propensas à evaporação e, consequentemente, a sofrerem o processo de deriva.

tecnologia de aplicação

(Fonte: Jacto)

Quais fatores influenciam a deriva?

A deriva pode ocorrer devido a alguns fatores como: 

  • Tipo de ponta
  • Condições climáticas durante a aplicação
  • Velocidade de aplicação
  • Altura de aplicação
  • Composição da calda de aplicação

Estes fatores necessitam de uma atenção especial, pois pequenos detalhes podem ajudar na redução de deriva.

tamanho de gota defensivos

(Fonte: Sabri)

Agora vamos entender como utilizar a tecnologia de aplicação para reduzir umas das mais importantes fontes de perda de produtos no campo, que é a deriva.

Tecnologia de aplicação: O que fazer para reduzir a deriva

As condições climáticas no momento da aplicação são fundamentais para se obter eficácia do produto.

Você se lembra quais são elas?

  • Temperatura inferior a 30°C
  • Umidade relativa do ar acima de 60%
  • Ventos na faixa de 3 km/h a 6,5 km/h, não ultrapassando os 10 km/h
compensação entre condições de temperatura e umidade relativa

(Fonte: Syngenta)

Essas condições geralmente são observadas antes das 10 horas e após as 16 horas. 

O tamanho das gotas é outro dos fatores que demanda atenção e que pode auxiliar na redução da deriva.

tecnologia de aplicação

(Fonte: Iniciativa 2,4-D)

O tamanho das gotas depende de fatores como: 

  • Tipo de ponta
  • Vazão
  • Pressão
  • Ângulo do jato 
  • Propriedade do líquido pulverizado

Em relação ao tipo de ponta, existem no mercado pontas antideriva ou pontas com indução de ar.

Essas pontas proporcionam gotas maiores e são conhecidas por pontas de pulverização venturi. Elas produzem gotas com bolhas de ar “misturadas” no líquido pulverizado.

(Fonte: Herbicat)

Algumas características destas pontas são:

  • Tamanho das gotas não aumenta muito com o aumento da pressão de trabalho;
  • Espectro de gotas homogêneo; 
  • Pode superar rajadas de vento entre 15 km/h e 20 km/h; 
  • Recomendadas para condições meteorológicas extremamente adversas.

Fatores que influenciam na tecnologia de aplicação

Em relação aos produtos, por exemplo, você deve se atentar às características físico-químicas.

Um produto que possua uma elevada pressão de vapor tem um maior risco de sofrer volatilização e, consequentemente, maior a chance de ocorrer a deriva.

Outro importante fator a ser observado é em relação à formulação do produto, pois a pressão de vapor pode ser alterada com a formulação.

Alguns exemplo são: 

  • 2,4-D amina;
  • Clomazone (Gamit 360 SC);
  • Trifuralina gold
tecnologia de aplicação

(Fonte: Iniciativa 2,4-D)

Esses três ingredientes ativos fazem referência a novas formulações de herbicidas, nas quais possuem uma menor pressão de vapor.

Portanto, podemos chegar à conclusão de três principais maneiras de reduzir o risco da deriva, que são:

  • Calibrar a pressão do pulverizador; 
  • Características físico-químicas das caldas (formulação dos produtos e tipos de adjuvantes); 
  • Escolha de pontas de pulverização adequadas.

(Fonte: Agronomico)

Lembre-se sempre de que o sucesso de uma pulverização depende de:

  • Um bom pulverizador 
  • Calibração e regulagem do equipamento 
  • Boa qualidade de água
  • Bom produto
  • Condições climáticas favoráveis
  • pH ideal
  • De um bom operador, que seja treinado

Conclusão

A aplicação de defensivos agrícolas de maneira correta permite o controle bem feito de pragas, doenças e plantas daninhas.

E neste artigo vimos como a tecnologia de aplicação nos ajuda a obter uma maior eficiência neste controle.

Também conseguimos entender como alguns fatores interferem no sucesso da pulverização e como a tecnologia de aplicação pode nos ajudar a reduzi-los.

O principal ponto tratado aqui foi a deriva, que está entre as principais perdas de defensivos que temos na agricultura hoje.

Assim, vimos que calibração, características da calda e escolha de pontas de pulverização adequadas são maneiras de reduzir essas perdas.

Com essas práticas, espero que você tenha sucesso na aplicação dos defensivos em sua lavoura!

>> Leia mais: “Drone para pulverização: Como funciona e os principais modelos do mercado

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