Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas

Manejo integrado de pragas (MIP), como o próprio nome diz, é uma técnica de controle de pragas da sua lavoura.

Se a coisa fosse boa não se chamaria praga, não é mesmo?

Em lavouras de cultura do milho no Brasil, a lagarta do cartucho do milho pode causar nível de dano econômicos que chegam a variar de 15% a 35% da produção

(Fonte: Grupo Cultivar).

Em condições favoráveis os valores podem chegar a 100%, como aconteceu em algumas fazendas do Centro Oeste do Brasil, no final de 2015, segundo Caio Efrom, pesquisador da Fepagro.

É realmente um dos maiores problemas dos agricultores atualmente.

O controle de pragas da sua propriedade parece algo difícil de ser resolvido ou avaliado?

Cenas como esta são comuns na sua fazenda?

(Fonte: Embrapa em Universo Agro)

 

Você sabia que existem diversas outras maneiras de controle eficiente de pragas que não utilizam produtos químicos e reduzem custos?

Neste artigo, você saberá como reduzir drasticamente as suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

 

O que é Manejo Integrado de Pragas?

Afinal, o que é o MIP?

O manejo integrado de pragas (MIP) é um conceito de tomada de decisão que utiliza diversas tecnologias e tipos de ferramentas para o controle de pragas nas propriedades agrícolas.

A figura abaixo nos mostra outras alternativas além do controle químico e que, certamente,  irão auxiliar no MIP presentes nas nossas propriedades.

(Fonte: Embrapa)

 

Nesse sistema, é necessário conhecer o comportamento do nosso oponente nessa batalha que tarda em terminar.

Utilizando apenas um único método (o químico) e um só tipo de produto (mecanismo de ação) para combater a praga, deixamos que apenas os insetos resistentes àquele produto sobrevivam.

E assim, cada vez mais enfrentamos problemas com pragas resistentes aos químicos existentes no mercado.

(Fonte: Fundação MT)

O MIP surge como uma ferramenta de gestão diferente, o qual promove a auto regulação do controle ambiental.

 

Inseto bom é inseto morto?

É travada uma verdadeira batalha entre os produtores e os seres que habitam suas lavouras. Quem geralmente sai perdendo? Evidentemente, o produtor!

Nem todos os insetos são prejudiciais à cultura, e alguns até mesmo são inimigos naturais das principais pragas.

Por isso, escolher métodos que não prejudiquem esses insetos é fundamental.

Bem como, escolher defensivos agrícolas menos agressivos à esses insetos.

Lagarta-do-cartucho com ovos da mosca da família Tachinidae que parasitam a praga.

(Fonte: Embrapa)

 

O controle químico é permitido no MIP?

O MIP demandará um estudo a respeito dos níveis de dano econômico de cada praga, e com o monitoramento das pragas, será pensado na melhor tomada de decisão.

O controle químico não é proibido no MIP, porém deve ser analisado alguns conceitos básicos a respeito das pragas.

Alguns termos são essenciais no MIP. Temos o Nível de dano Econômico (NDE) e o Nível de Controle (NC).

Como mostra o gráfico abaixo, as pragas devem ser controladas antes de atingir o NDE. Uma vez que, neste ponto, a nossa cultura já estará sendo prejudicada economicamente pela praga.

(Fonte: Embrapa)

 

“Manejo não é só aplicar o produto”

(Tavares, pesquisador da Embrapa).

 

Conhecendo as nossas propriedades teremos a avaliação do sistema como um todo.

Se houver um predador natural de alguma praga, a aplicação pode se tornar desnecessária, e a economia de dinheiro será evidente.

O MIP preza pelo ambiente tentando se autorregular, minimizando os gastos com inseticidas, melhorando, desta forma, as questões ambientais.

Evidentemente em certos casos o controle será inevitável, seja ele químico ou biológico.

Você pode ver mais dicas para ter uma aplicação de defensivo agrícola eficaz.

 

Benefícios do MIP

A adoção dessa filosofia de controle permite um manejo mais inteligente das pragas.

Aplicações mais efetivas e aporte de recursos mais eficientes são consequências dessa metodologia.

Frente a tais manejos, a redução de custos e geração de sustentabilidade nos sistemas produtivos são evidentes, a médio ou longo prazo.

Com a utilização do MIP, podemos chegar a reduzir as aplicações  em até 68%.

Para isso, as informações de monitoramento são essenciais para o gestor da fazenda realizar ou não uma medida de controle, dependendo se atingiu o nível de controle ou não.

O software agrícolas como o AEGRO possibilita que dados da presença da praga sejam coletados em tempo real.

 

Os dados são obtidos por meio do GPS do seu celular, o que nos possibilitará saber os locais mais infestados.

Ao invés de aplicar o produto químico em área total, matando na maioria das vezes os insetos que seriam úteis para combater as pragas, não seria mais inteligente aplicar somente nos talhões com NC (Nível de Controle)?

Assim, reduziríamos custos nas áreas onde não necessitam de aplicação, utilizando menos produtos e preservando o meio ambiente, o solo e possíveis contaminações residuais dos grãos nos campos.

 

Mas… se o MIP é tão bom, por que ainda não é adotado?

Ainda existe muita resistência na utilização do MIP.

A falta de informações a respeito do controle de diversas pragas faz com que a aceitação seja ainda mais difícil.

Deixar o inseto no campo, em certos casos, permitirá o controle natural das pragas presentes nas lavouras, sem que o produtor tenha que gastar dinheiro com aplicações de inseticidas.

Por isso que precisamos nos  conscientizar.

 

Controle de Pragas no Futuro

Como será o manejo integrado de pragas no futuro?

Hoje em dia já existem produtos comerciais e estudos a respeito de insetos irradiados, transgenia e organismos estéreis geneticamente modificados.

O irradiamento de insetos já é fonte de estudos no CENA, em Piracicaba-SP.

Os insetos irradiados são estéreis, o que impossibilita a criação de novas gerações após o cruzamento com as populações presentes nas propriedades.

O Aedes do Bem é um exemplo de sucesso desse processo de irradiação.

(Fonte: Folha de São Paulo)

O futuro é promissor!

E você vai aproveitar a tecnologia ao seu alcance?

 

Conclusão

O Manejo Integrado de Pragas (MIP)  é, com a mais absoluta certeza,  a maneira mais responsável e eficiente de manejo de pragas.

Atualmente, as lavouras brasileiras estão perdendo produtividade devido à falta de controle no uso de inseticidas e manejo inadequado de químicos nas propriedades.

Será que não compensa alguns minutos de planejamento no controle de pragas com o MIP nas nossas fazendas?

É claro que sim! Siga essas dicas, reduza suas aplicações e, assim, se beneficie com o manejo!

 

Já faz MIP na sua propriedade? Usa outras ferramentas para manejo de pragas? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Luis Gustavo Mendes
Sou Engenheiro Agrônomo e Licenciado em Ciências Agrárias pela ESALQ/USP em Piracicaba-SP. Atualmente estou cursando Mestrado do programa Engenharia de Sistemas Agrícolas, tema "Agricultura de Precisão" na mesma Instituição.