Principais pragas agrícolas: Um compilado completo das pragas de soja, algodão e milho. Respondemos também as perguntas mais frequentes para o manejo eficiente.

Com o fim do vazio sanitário, iniciamos agora o plantio de soja no Brasil.

Mas, antes mesmo de colocar as semeadoras em campo, devemos estar preparados para enfrentar as adversidades do campo.

E uma das nossas grandes preocupações, é o ataque de pragas.

Até porque a presença de insetos-praga na lavoura se faz presente antes, durante e depois do plantio.

Pensando nisso, fizemos um compilado sobre as principais pragas agrícolas das culturas da soja, algodão e milho.

Assim, você pode se preparar para enfrentar as pragas agrícolas nesta safra de 2018/2019.

Mas antes disso, vamos entender alguns pontos do manejo com as perguntas mais frequentes sobre isso:

Quando devo me preocupar com as principais pragas agrícolas? Só após o plantio?

Em vista do sistema sucessivo de cultivo, com culturas sobrepondo culturas, as chamadas pontes verdes, observamos pragas a qualquer momento do ano.

Assim, para evitar frustrações após o plantio, um bom manejo de pragas para a safra já deve ser iniciado na entressafra.

Mas por que a entressafra é um período crítico e determinante para os cultivos?

Isso é devido ao fato de que a fase de estabelecimento da cultura é a fase mais suscetível/sensível ao ataque de pragas e doenças.

Sendo assim, a presença de inóculos iniciais e/ou altas densidades populacionais das principais pragas agrícolas poderão comprometer todo o planejamento da safra.

Portanto, é na entressafra que devemos fazer o “dever de casa”, como o controle de plantas daninhas e tigueras.

Isso porque elas se constituem em fonte de alimento para as pragas, permitindo a reprodução das mesmas na entressafra.

Aqui vão algumas dicas para esse controle de plantas daninhas e voluntárias:

principais pragas agrícolas

(Fonte: Senar)

Caso contrário, você pode ter alguns danos, conforme veremos a seguir:

Qual é o risco de não fazer o manejo da entressafra corretamente?

Ao deixar na área plantas daninhas ou tigueras – que são hospedeiros alternativos -, você permite a multiplicação da praga e o seu ataque em altas densidades populacionais no início de cultivo.

Segundo o pesquisador Dirceu Gassen, mais do que outras pragas, as pragas iniciais podem atrasar o desenvolvimento da planta.

Isso reduz o número de plantas por unidade de área e com isso afetar diretamente a produtividade.

Além disso, os danos iniciais de um ataque intenso das principais pragas agrícolas afeta todo o desenvolvimento da planta, prejudicando a produção.

O que devo fazer para minimizar os riscos do ataque das principais pragas agrícolas?

Isso implica na adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Assim, devemos seguir alguns passos simples na entressafra:

  • Proceder amostragem com identificação do inseto-praga;
  • Verificar sua densidade populacional;
  • Tomar a decisão da melhor ferramenta a ser utilizada, incluindo controle biológico, químico e cultural.

Aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP Baixe aqui!

planilha-mip

Entre as medidas a serem adotadas, podemos citar o uso correto da dose do produto à praga-alvo, rotacionar os mecanismos de ação e priorizar o uso inseticidas seletivos aos inimigos naturais de pragas agrícolas.

Tendo em vista a entressafra, também vale pensar no uso de culturas de cobertura ou adubos verdes não hospedeiros das principais pragas agrícolas da sua área. Além do controle de ervas daninhas como já comentamos.

Principais pragas agrícolas de soja, milho e algodão

Percevejo barriga-verde (Dichelops spp.)

Existem duas espécies principais: Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus.

Apesar de atacar a soja, na maioria das regiões produtoras não tem sido essa a espécie mais preocupante.

No entanto, no milho esse percevejo pode causar danos danos consideráveis, sendo uma das principais pragas agrícolas da cultura.

O percevejo barriga-verde pode atacar as plantas em seu período crítico, que vai desde a emissão do primeiro par de folhas até o quarto par de folhas (V1-V4).

Repare abaixo a migração do percevejo das safras anteriores para o milho, ressaltando a importância do monitoramento na entressafra:

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(Fonte: Pioneer)

Ele penetra seus estiletes na região do colo, injeta toxinas e perfura as folhas ainda em forma de tecidos “embrionários”.

As plantas que sofreram o ataque dessa praga  apresentam halos amarelados ao redor dos furos na folhas de milho.

Também é possível notar o enrolamento anormal das folhas do cartucho do milho.

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(Fonte: Pioneer)

Além disso, a planta pode produzir perfilhos improdutivos, o que resulta em perda em produtividade.

A medida que a planta de milho vai se desenvolvendo, podemos observar pequenos furos nas folhas. Essas perfurações ficam dispostas transversalmente nas folhas, como você vê ao lado.

Em casos mais severos também é possível notar a morte das folhas do cartucho da planta de milho.

Atualmente, o principal método de controle da praga tem sido o tratamento de sementes e a pulverização foliar com inseticidas sistêmicos.

No portal Agrofit existem mais de 17 produtos registrados para o manejo do percevejo barriga verde do milho.

Lembrando que o Agrofit é o compêndio eletrônico de produtos de acordo e aprovados pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Veja mais sobre o manejo integrado de pragas no milho neste artigo aqui.

Helicoverpa spp.

Helicoverpa zea Helicoverpa armigera são algumas das principais pragas agrícolas nas culturas de importância econômica do Brasil.

Enquanto a Helicoverpa zea é originária da região do México, a H. armigera é originária da Oceania.

Por isso a H. zea possui maior adaptação ao milho e a H. armigera mais adaptada às culturas do algodão e da soja.

Veja detalhes dessas pragas nos artigos:
5 tecnologias para controlar a “Helicoverpa armigera” eficientemente
Você conhece o ciclo de vida da Helicoverpa armigera?

Bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis)

O bicudo do algodoeiro é considerado uma das principais pragas agrícolas do algodoeiro desde a sua detecção em 1983.

Essa praga tem o hábito de se alimentar dos botões florais, flores e maçãs do algodoeiro.

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Bicudo do algodoeiro atacando maçã do algodoeiro
(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)

Nesses locais que as fêmeas depositam seus ovos, especialmente nos botões florais. Além disso, nessa mesma estrutura reprodutiva na planta o bicudo se alimenta.

Portanto, devemos saber a diferença entre os danos de alimentação e de oviposição (ato de depositar os ovos).

Quando há o dano de oviposição podemos observar a presença de uma substância cerosa, parecido com um calo pequeno, no orifício criado quando a fêmea deposita seus ovos.

Já o dano de alimentação, o orifício não é coberto com essa secreção e observa-se somente as pontuações enegrecidas ou necrosadas.

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Botão floral com orifício de oviposição
(Fonte: Embrapa – Departamento de Sanidade Vegetal)

Na prática, os dois tipos de danos podem trazer prejuízos, no entanto o dano de oviposição é mais prejudicial.

Isso se deve porque as larvas do bicudo se desenvolvem nessas estruturas reprodutivas e impossibilitam o desenvolvimento dessas estrutura.

Além disso, temos o aumento da população da praga, porque com as larvas protegidas dentro do botão floral e maçã do algodoeiro, o inseticida não conseguem penetrar.

>> Leia mais: “Como fazer um manejo efetivo de pragas do algodão”

Medidas de manejo para o bicudo do algodoeiro

  • O plantio-isca para atrair os bicudos e eliminá-los com inseticidas antes do plantio definitivo;
  • O uso de armadilhamento, no qual um tubo de papelão biodegradável é colocada o feromônio sintético para atração do bicudo e, também, é pincelado óleo de algodão com inseticida de efeito de choque;  
  • A eliminação dos restos culturais após a colheita, visto nesse momento o bicudo se dispersa para refúgios e pode permanecer em diapausa durante a entressafra;
  • Pulverização de inseticidas em área total.

É importante ressaltar a importância do armadilhamento para essa praga, que assim como na mosca das frutas, vem trazendo bons resultados.

Dessa forma, no portal Agrofit existem 99 produtos registrados para o manejo do bicudo.

Mosca-branca (Bemisia tabaci – biótipo B)

Assim como a lagarta do cartucho, a mosca branca Bemisia tabaci é um tipo de praga cosmopolita e polífaga.

Recentemente foi detectada se desenvolvendo em plantas de milho, cultura essa que anteriormente era uma alternativa para “quebrar” o seu ciclo biológico.

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Presença de Bemisia tabaci biotipo B em plantas de milho
(Quintela et al., 2016)

No ano, a mosca-branca pode produzir até 15 gerações e é uma das principais pragas agrícolas atualmente.

Nas culturas hospedeiras, a mosca branca se localizada preferencialmente na face inferior das folhas.  Ali ovipositam em média, de 150 a 300 ovos.

Uma característica dessa praga é que após se alimentarem nas folhas é comum observar a presença de uma substância açucarada e pegajosa, conhecida como “honeydew”.

Nesse sentido, os danos desta praga podem ser agrupados em diretos e indiretos.

Danos diretos da mosca-branca

Na soja, o dano direto é causado tanto pelas ninfas como pelos adultos que sugam a seiva.

As folhas com infestação de ninfas e adultos podem apresentar manchas cloróticas. Além disso, podem ocorrer reduções na produtividade e antecipação do ciclo em até 15 dias.

Em períodos de veranico os danos podem ser potencializados, pois a população da praga aumenta, a planta encontra-se fragilizada e o dano pode ser potencializado.

Na cultura do algodão e da soja, é comum observarmos a formação da fumagina sobre as estruturas vegetativas e reprodutivas:

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Folhas de soja com sintomas de fumagina
(Fonte: Embrapa)

No algodão, o grande problema da formação da fumagina é a contaminação do línter que prejudica diretamente a qualidade da fibra e, até mesmo, a colheita.

Danos indiretos da mosca-branca

Com relação ao dano indireto, este é caracterizado pela transmissão de vírus nas culturas hospedeiras.

No algodão, os vírus do grupo geminivírus são os mais comuns, enquanto na cultura da soja, a mosca-branca é transmissora do vírus da “necrose-da-haste”, do grupo dos carlavírus.

Ainda na soja, é possível observar o enrolamento e clorose das folhas. Esse conjunto de fatores impacta diretamente na produtividade.

Atualmente no portal Agrofit existem  mais de 36 produtos registrados para o manejo da mosca branca na soja e 3 no algodão .

Saiba mais sobre as principais pragas agrícolas de milho e sorgo em:

Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo”.

Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda)

Na verdade, existem mais de uma espécie pertencente a esse gênero, o qual denominamos de complexo Spodoptera spp.

No entanto, aqui limitaremos a discutir sobre Spodoptera frugiperda, a lagarta-do-cartucho, a qual é uma das principais pragas do milho, soja e algodão.

É uma praga polífaga, ou seja consegue se alimentar de várias plantas. Por isso, está associada a maioria das culturas anuais de importância econômica.

No milho, as lagartas preferem alimentar-se de folhas novas, mas também podem atacar as espigas.

Devido ao canibalismo dessa praga, é comum observar no cartucho do milho apenas uma lagarta por planta.

Sintomas típicos de seu ataque no milho são folhas raspadas e/ou desfolhadas no cartucho. Em casos severos, verificamos o cartucho destruído e espigas danificadas.

Tanto em milho, quanto soja e algodão as lagartas podem atacar a base/colo das plantas recém emergidas, como faz a típico de lagarta rosca (Agrotis ipsilon).

Além disso, na soja e algodão essa lagarta também pode atacar suas estruturas reprodutivas: vagens, capulhos e maçãs. Ao danificá-las comprometem diretamente a produtividade.

9-principais-pragas-agrícolas-spodoptera-frugiperda

Spodoptera frugiperda atacando maçãs do algodoeiro
(Fonte: Senar)

Além disso, devido a ineficiência de alguns proteínas inseticidas a base de Bt para essa praga, possivelmente pulverizações serão necessárias.

No portal Agrofit existem 190 produtos comerciais registrados para a cultura do milho, 29 para a essa praga da soja e 50 para o algodão.

Você pode ver mais sobre a Spodoptera frugiperda nestes artigos:
Passo a passo de como combater a lagarta-do-cartucho
“As tecnologias que você precisa saber para controlar “Spodoptera frugiperda”

Cigarrinha do milho (Dalbulus maidis)

Atualmente D. maidis é considerada uma das principais pragas na cultura do milho.

Uma característica comportamental marcante dessa praga é sua agilidade em se movimentar.

Ela está entre as pragas mais importantes do milho nos últimos anos. Isso se deve a capacidade dessa praga em transmitir doenças.

Assim, plantas infectadas podem manifestar a doença do enfezamento pálido, vermelho e o raiado fino:

10-principais-pragas-agrícolas-cigarrinha

Cigarrinha do milho e as doenças enfezamento pálido e vermelho
(Fonte: Pioneer)

As plantas doentes apresentam entrenós encurtado. As plantas também ficam definhadas, de menor porte. Assim como a mosca-branca, a cigarrinha do milho também produz “honeydew”.

A principal estratégia de manejo adotada para essa praga tem sido o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos, e a pulverização foliar com inseticidas com ação de choque e com efeito residual (sistêmicos).

Desse modo, no portal Agrofit encontram-se mais de 21 produtos registrados para seu manejo.

Você pode ver detalhes sobre essa a cigarrinha do milho neste artigo.

Percevejo marrom (Euschistus heros)

E. heros possui ciclo biológico – fase de ovo até a fase adulta – de aproximadamente 29 dias. Em geral, os adultos dessa praga possuem longevidade média de 116 dias.

Nas vagens ou folhas, são observadas pequenas massas de ovos, na média de 5 a 8 ovos. Ali as ninfas permanecem nos ovos até atingirem o segundo ínstar.

A partir dessa fase é que podemos observar os danos. Ao penetrar seu aparelho bucal nas vagens para se alimentar, eles atingem as sementes.

Como resultado, o ataque desse percevejo danifica diretamente os tecidos da semente ou grão, que ficam praticamente todos chocos e enrugados.

Assim, há perda de massa do grão, de qualidade e sua inviabilização para ser comercializado como semente.

Além disso, é comum notarmos retenção foliar e vagens murchas devido a intensa sucção de seiva.

Percevejo-marrom atacando vagens de soja
(Fonte: Arquivo pessoal do autor)

No portal Agrofit existem 46 produtos registrados para o manejo do percevejo marrom na cultura da soja e 3 produtos na cultura do algodão.

Conheça mais sobre o Manejo Integrado de Pragas na soja neste artigo aqui.

Perguntas frequentes sobre s principais pragas agrícolas e o Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Próximo ao plantio, posso usar inseticida na dessecação?

No momento da dessecação da área, poderá ser feito a aplicação de inseticidas junto ao herbicida.

Antes disso, é preciso fazer amostragens na área para verificar a densidade populacional.

Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera e Dichelops melacanthus são as principais pragas alvo nessa fase.

Entre os inseticidas utilizados nesse momento estão os pertencem aos grupos químicos metilcarbamato e organofosforado (grupo 1A e 1B do IRAC).

Quais outras medidas posso tomar?

Paralelo a isso, o agricultor também pode fazer o tratamento de sementes com inseticidas de contato e sistêmico.

O intuito é garantir o estande de plantas na área, prevenindo os danos de insetos de solo e parte aérea.

Os principais inseticidas utilizados são do grupo químico dos neonicotinóides (grupo 4A do IRAC), piretróides (grupo 3A do IRAC), metilcarbamatos (grupo 1A do IRAC) e pirazol (grupo 2B do IRAC).

Como manejar a resistência das principais pragas agrícolas?

Fase inicial de plantio

Se for necessário aplicar um inseticida foliar até 25 dias após a semeadura.

Os produtos devem ter mecanismos de ação diferente do inseticida utilizado no tratamento de sementes.

Portanto, inseticidas com o mesmo mecanismo de ação utilizado para tratar as sementes não deverão ser utilizados por pelo menos 30 dias.

Pós-fase inicial de plantio

Se caso mais de uma aplicação de inseticida for necessária, ou não, durante o período de 30 dias após a semeadura, deve optar por inseticidas de mecanismo de ação diferente.

É importante saber que é possível fazer aplicações múltiplas do mesmo mecanismo de ação possa dentro de um período de 30 dias.

Veja o exemplo abaixo os usos de inseticidas divididos em três momentos:

12-principais-pragas-agrícolas-resistencia

Esquema demonstrando como fazer a rotação com diferentes mecanismos de ação por janela ou geração da praga (30 dias)
(Fonte: IRAC)

Conclusão

As pragas listadas aqui são polífagas, altamente adaptadas ao sistema agrícola, de extrema importância econômica e quase sempre de difícil controle.

Para isso é importante planejarmos e fazer o uso correto das ferramentas de MIP disponíveis.

Se as medidas preventivas, na entressafra, não forem realizadas adequadamente, sem a destruição de plantas daninhas e tiguera, essas pragas vão causar prejuízos econômicos.

Tendo isso em vista, faça seu planejamento agrícola, coloque em prática nossas dicas e boa safra!

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Quais as principais pragas agrícolas que te dão mais dor de cabeça? Tem mais dicas sobre essas pragas? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!