Pragas agrícolas: Veja as principais pragas resistentes que você deve se atentar, além de saber quais os principais métodos para controlá-las.

Você aplicou o defensivo agrícola, mas as pragas agrícolas insistem em permanecer?

Verificou nas suas anotações e está tudo certo: recomendação , dose adequada, pulverizador e até o operador de máquinas que realizou a aplicação é o melhor da fazenda.

O que está acontecendo? Infelizmente, pode ser um caso de resistência a defensivos agrícolas.

Segundo estudos, os casos de resistência aos inseticidas continuam a exceder muito o número de casos de resistência a herbicidas e fungicidas.

Tem dúvidas? Não sabe bem o que fazer ? Acompanhe a seguir 5 principais pragas agrícolas resistentes e como combatê-las.

Identificando resistência de pragas agrícolas

Nesse texto vamos utilizar o conceito de que pragas agrícolas são organismos que prejudicam a produção da lavoura: insetos, doenças e plantas daninhas.

E como identificar a resistência dessas pragas na sua área?

Como tudo na agricultura, é preciso muita atenção e observação.

aumento-no-nuemero-de-pragas-agrícolas-resistente-defensivos-agricolas

(Fonte: Adaptado de Sparks e Nauen, 2015)

No caso de lagartas, Rafael Pitta (pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril) ressalta que para uma população ser considerada suscetível ao defensivo 50% tem que morrer com a aplicação do mesmo.

Se for observado a morte de muito menos do que a metade das pragas agrícolas, é indicativo de resistência.

Para ervas daninhas, a verificação de plantas da mesma espécie mortas ao lado de plantas normais, sugere desenvolvimento de resistência.

Pragas agrícolas: buva resistente e suscetivel

Buva resistente e suscetível ao glifosato
(Fonte: Pedro Christoffoleti em Esalq)

No entanto, não se esqueça que falhas de aplicação podem acontecer por vários motivos, você pode ver aqui algumas dicas para aplicação de defensivos agrícolas eficaz!

Mas se você tem seu planejamento agrícola já sabe se o erro foi ou não da aplicação.

Caso você ainda tenha dúvidas que um bom planejamento pode trazer redução de custos, eu recomendo que leia o artigo onde ensino passo a passo como acertar na rentabilidade com planejamento agrícola.

Você também pode baixar aqui um checklist gratuíto do planejamento agrícola que vai te ajudar melhor nessa implementação de gestão.

checklist como fazer um planejamento agrícola bem feito

Confira agora quais as 5 principais pragas agrícolas na agricultura brasileira e como combatê-las:

1. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Se você trabalha com a  cultura do milho a conhece muito bem: é considerada uma das pragas agrícolas mais relevantes nesse cultivo.

A lagarta-do-cartucho pode reduzir muito a produção agrícola, sendo que os prejuízos (segundo Waqui et al.,2002 em Embrapa) podem chegar a 500 milhões de dólares anuais.

Para piorar a situação, esse inseto apresentou resistência ao metomil, inseticida muito usado no combate ao problema.

A constatação foi feita em trabalho de monitoramento de resistência da lagarta realizado pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso e a Aprosoja-MT.

Pragas agrícolas: s.frugiperda

S.frugiperda apresenta a marca de um “Y” em sua cabeça
(Fonte: Kansas State University)

Para o manejo dessa praga, e de outros insetos, recomendo fortemente o Manejo Integrado de Pragas (MIP), utilizando vários  métodos de controle em conjunto.

Os principais métodos de controle para a lagarta-do-cartucho são: rotação de culturas, variedades resistentes ou mais tolerantes ao inseto (sempre adotando área de refúgio), controle biológico e, claro, os inseticidas.

Porém, o uso de inseticidas deve ser feito realizando a rotação dos mecanismos de ação.

Se ainda restou dúvidas veja: Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas.

>>Leia mais: “Pragas do milho: Principais manejos para se livrar delas”

Agora veremos outro inseto resistente a inseticidas nas lavouras brasileiras:

2. Percevejo Marrom (Euschistus heros)

Uma das principais pragas da soja, o percevejo-marrom já foi constatado com ocorrência de fenótipos resistentes a produtos que contém como ingredientes ativos organofosforados ou ciclodienos (endossulfam).

Pragas agrícolas: percevejo marrom embrapa e IRAC

(Fonte: Embrapa e IRAC)

Como esse percevejo tem reduzida dispersão, os casos de resistência são localizadas em áreas com histórico de aplicações contínuas desses produtos.

Nas aplicações para o controle de lagartas, use produtos que tenham modo de ação diferente dos inseticidas utilizados no controle de percevejos.

Faça aplicações somente nas áreas que apresentam densidade populacional que corresponde ao nível de ação.

Para isso, faça o monitoramento da infestação.

pragas agrícolas


Exemplo do monitoramento de pragas agrícolas no Aegro. Com o software, todos os dados do monitoramento ficam guardados de modo seguro, fácil e rápido para sua tomada de decisão

(Fonte: Aegro)

O monitoramento com mapas de danos pode ser feito digitalmente e diretamente na área pelos funcionários da fazenda, e você ainda pode conferir quando e onde esse monitoramento foi realizado.

Peça uma demonstração grátis aqui.

Além de insetos, não é raro observar resistência de plantas daninhas no Brasil.

3. Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri)

Uma só planta dessa espécie pode produzir de 100 mil a 1 milhão de sementes.

Amaranthus palmeri é uma planta daninha de crescimento rápido,  extremamente agressiva e apresenta resistência a herbicidas.

Estima-se que  tem potencial de reduzir a produtividade de lavouras de soja, milho e algodão em até 90%.

Nos Estados Unidos, há populações resistentes a seis diferentes mecanismos de ação de herbicidas.

Em 2015 foram encontradas as primeiras plantas dessa espécie no Brasil em Mato Grosso.

No Brasil, o biótipo identificado apresenta resistência múltipla ao glifosato (inibidor da EPSPs) e aos inibidores da ALS (como clorimuron e diclosulam).

A resistência múltipla ocorre quando a planta  é resistente a dois ou mais herbicidas de diferentes mecanismos de ação, como foi o caso.

Pragas agrícolas: plantas daninhas também

(Fonte: Foto Arnaldo Borges em IMAMT)

Essa espécie pode ser facilmente confundida com outras de caruru que infestam o Brasil.

Por isso, fique atento à sua lavoura e observe as características únicas dessa espécie, como tamanho de folha e pecíolo:

Pragas agrícolas: amaranthus palmeri folha

(Fonte: Purdue University)

Rotação de culturas e de mecanismos de ação de herbicidas, manejo de plantas daninhas na entressafra, uso de plantas de cobertura e monitoramento constante da área são essenciais para o manejo e prevenção dessa espécie de planta daninha.

4. Helicoverpa armigera

Na safra 2012/2013 foi o primeiro relato dessa lagarta no Brasil.

H. armigera é uma praga polífaga, ou seja, se alimenta de várias culturas, como feijão, soja, milho, algodão, café, citros, etc.

De acordo com o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), a previsão de prejuízo para a safra de 2017 para essa praga é de mais de R$ 1 bilhão.

helicoverpa armigera também esta entre as pragas agrícolas

(Fonte: Foto André Shimohiro em Embrapa)

Foi constatado no Brasil casos de resistência de H. armigera aos inseticidas piretróides.

O manejo da lagarta pode ser feito pelo uso de plantas resistentes Bt (sempre utilizando área de refúgio), rotação de culturas, vazio sanitário, manejo dos inimigos naturais de pragas e o MIP como um todo.

O controle químico também deve ser utilizado, fazendo rotação de mecanismos de ação e evitando o uso de inseticidas fosforados e piretróides no início da cultura, já que são considerados de alta toxicidade para os inimigos naturais.

5. Ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi)

O manejo da ferrugem-asiática custa em média US$ 2 bilhões por safra.

Embora não seja totalmente confirmada a resistência, há casos de falta de sensibilidade do fungo causador da doença aos inseticidas carboxamidas.

Também já foi confirmada a menor sensibilidade de desse fungo aos fungicidas estrobilurinas e triazóis no Brasil.

ferrugem asiática na cultura da soja

(Fonte: SFagro)

Para ajudar no combate à doença, é muito importante respeitar o vazio sanitário da soja.

Antecipar a semeadura da soja faz com que a cultura seja conduzida com menor quantidade de inóculo, já que haverá menor quantidade de áreas com plantas de soja.

Mas, se mesmo com semeadura antecipada já foi relatado foco da doença na sua região, segundo Mauricio Meyer (Embrapa), é melhor aplicar fungicidas antes mesmo de ser constatado sintomas.

Isso porque o fungo se espalha pelo vento e, assim, rapidamente chegará na sua lavoura.

Para saber se foi relatado ocorrência de ferrugem-asiática-da-soja você pode acessar o site consórcio antiferrugem.

Este mapa por exemplo foi do dia 22 de Dezembro  de 2017:

consorcio antiferrugem

(Fonte: Consórcio antiferrugem)

Assim você pode ver como está a ocorrência da doença na sua região e tomar decisões mais conscientes e acertadas.

Conclusão

A falha de controle pode ser devido à uma aplicação inadequada, mas se tudo estiver certo isso pode ser um indicativo de caso de resistência.

Fique atento ao que você encontra na lavoura, todos os tipos de pragas agrícolas aqui apresentados (lagarta-do-cartucho, percevejo-marrom, Amaranthus palmeri, Helicoverpa armigera e ferrugem- asiática da soja) precisam ser identificados e controlados.

Para isso, o Manejo Integrado de Pragas (MIP), rotação de culturas, rotação de mecanismos de ação é vital.

O planejamento agrícola é o que integrará todas essas técnicas, além de possibilitar conhecer melhor o que tem na sua lavoura.

>> Leia mais: 
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