2,4 D em trigo: por que utilizar, momento ideal de aplicação e principais cuidados para um manejo eficiente. 

Com o surgimento de plantas daninhas resistentes, é importante que você realize o planejamento para a utilização de herbicidas alternativos em sua área. 

Na cultura do trigo, uma importante alternativa para o manejo em pós-emergência de plantas daninhas de folhas largas é o herbicida 2,4 D

Porém, ainda há um grande receio quanto a seu uso, principalmente por parte de quem já teve problemas ao utilizá-lo na lavoura.

Por isso, separei aqui o que você deve considerar para fazer um manejo eficiente de plantas daninhas com 2,4 D, mantendo alta produtividade. Confira!

Por que utilizar 2,4 D em trigo?

Antigamente, o controle de plantas daninhas em pós-emergência na cultura do trigo era realizado prioritariamente com herbicidas do grupo ALS. 

E apesar desses herbicidas serem extremamente eficientes, seu uso indiscriminado selecionou populações resistentes de várias espécies de plantas daninhas. Por isso, foi necessária a utilização de outras opções para controle de folhas largas na pós-emergência do trigo.  

Assim, os herbicidas hormonais ou auxinas sintéticas começaram a ser utilizados com maior frequência no trigo (ex: 2,4 D e MCPA).  

Embora muito eficientes no controle de plantas daninhas, eles demandam uma série de cuidados quanto ao momento de aplicação, dosagem e tecnologia de aplicação, para que não ocorram prejuízos em sua lavoura de trigo ou em áreas vizinhas. 

Vou explicar melhor como o trigo suporta a aplicação de 2,4 D e quais cuidados você deve tomar para um manejo eficiente. 

Mecanismo de seletividade do 2,4 D no trigo

Mecanismo de ação em plantas sensíveis 

Os herbicidas mimetizadores de auxinas têm uma atuação muito semelhante aos hormônios nas plantas.

Entretanto, por serem moléculas exógenas, não possuem um sistema que regula sua atuação como os hormônios endógenos. Assim, provocam mudanças metabólicas e bioquímicas que levam plantas sensíveis à morte. 

Dentre essas mudanças, as principais estão relacionadas ao metabolismo de ácidos nucleicos e a plasticidade da parede celular. 

Essas auxinas sintéticas (ex: 2,4 D) induzem uma intensa proliferação celular em tecidos, ocasionando epinastia de folhas e caule (crescimento anormal), além de interrupção do floema, impedindo o movimento de fotoassimilados das folhas para as raízes.  

Além disso, há um grande aumento na produção de enzimas celulase, principalmente nas raízes. Por isso, o sistema radicular é muito afetado em plantas sensíveis. 

De modo geral, o mecanismo de ação dos herbicidas auxínicos, por atuar em diversos locais da planta, ainda não foi completamente explicado. 

Mecanismo de seletividade em gramíneas

Uma das principais características que possibilita a utilização de 2,4 D em cultura de folha estreita (gramíneas) é que essas espécies possuem seu tecido vascular arranjados em feixes dispersos, que são protegidos pelo esclerênquima. Tal condição previne a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. 

Além dessa proteção dos feixes vasculares, as gramíneas podem possuir outro mecanismo de seletividade como menor absorção e translocação ou metabolização do herbicida. 

Contudo, no trigo, esses mecanismo de tolerância somente serão efetivados se o estádio e dose recomendados forem respeitados.

Momento ideal para aplicação e principais cuidados

Na cultura do trigo, existe uma janela de aplicação do 2,4 D para que não ocorram injúrias significativas na cultura. 

O melhor momento é durante a fase de perfilhamento até o início da fase elongação, com doses que variam de 806 g e.a. ha-1 a 1200 g e.a. ha-1

Também é importante se informar sobre a resposta da variedade de trigo escolhida ao uso do herbicida. 

infográfico de estádio ideal de aplicação de 2,4 D em trigo

Estádio ideal de aplicação de 2,4 D na cultura do trigo
(Fonte: adaptado de Mais soja)

Caso você realize aplicações antes do período ideal, podem ocorrer danos ao meristema apical da planta (principal zona de crescimento), deformações morfológicas (folhas e espigas) e nanismo (redução do porte do cultivo).

três fotos que mostram sintomas de fitointoxicação de 2,4 D no trigo

Sintomas de fitointoxicação de 2,4 D no trigo 
(Fonte: ORSementes)

Já se a aplicação ocorrer após o período recomendado, podem prejudicar a diferenciação floral do trigo. Isso pode ocasionar perdas de até 60% no rendimento da cultura.   

Além de se preocupar com o momento ideal de aplicação, é importante utilizar um boa tecnologia visando evitar deriva em culturas suscetíveis.

Esses herbicidas apresentam efeitos muito prejudiciais em algumas culturas (como uva, tomate e girassol), mesmo em doses muito reduzidas. 

Ainda que o 2,4 D seja muito efetivo no controle de muitas plantas daninhas de folha larga, não se esqueça que é importante sempre realizar um bom manejo integrado de plantas daninhas!

Utilize rotação dos mecanismo de ação herbicidas e herbicidas aplicados em pré-emergência, pois, infelizmente, já se relatou um caso de buva resistente ao 2,4 D no Brasil. 

Caso você aplique-o em sua propriedade e observe, logo após aplicação, as plantas de buva com uma rápida necrose em suas folhas (sintoma anormal para este herbicida), fique atento, pois sua buva pode ser resistente ao 2,4 D!

Conclusão

Neste artigo, você conferiu a importância da utilização de 2,4 D no trigo para manejo de plantas daninhas resistentes. Também entendeu como esse herbicida atua em plantas sensíveis e por que o trigo o tolera. 

Você agora sabe o momento ideal para aplicação sem prejudicar a produtividade do cultivo. Entendeu ainda quais os principais cuidados para evitar danos em área vizinhas e a seleção de novos casos de resistência. 

Espero que, com essas dicas, você consiga realizar o manejo efetivo de plantas daninhas em sua lavoura.

Você utiliza o herbicida 2,4 D em trigo? Já observou alguma injúria devido a essa aplicação? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia do Manejo de Plantas Daninhas!