Como está o controle de plantas daninhas da sua lavoura para a safrinha?

Você acredita que antes da safra não há nada o que se possa fazer quanto as plantas daninhas?

Ou que pode chegar no campo no dia da aplicação e decidir corretamente o que fazer?

Talvez você esteja certo. Talvez não.

Veja bem, eu sei que sua experiência conta muito e conhece seu campo, mas não seria melhor já estar preparado e conhecer algumas dicas para isso?

Hoje eu separei alguns pontos que acredito que farão diferença no seu planejamento e no começo da sua safra.

Vamos lá?

Controle de plantas daninhas na dessecação

controle de plantas daninhas

(Fonte: Bayer traduzido por Aegro)

Antes da semeadura da cultura muitas vezes encontramos o campo que esteve em pousio, ou que foi colhido a cultura da safra passada.

Se na safra passada houve um bom manejo de plantas invasoras (há baixa infestação e ausência de plantas resistentes), você não vai encontrar grandes problemas.

Mesmo assim, se atente para essa etapa.

“Começar no limpo” é garantia de vantagem competitiva da cultura, sendo o primeiro passo para um bom manejo.

Caso contrário, a ocorrência de elevada população de plantas daninhas logo no início do desenvolvimento da cultura pode resultar em grandes perdas de produção.

Infelizmente, isso é comum quando a dessecação no sistema de plantio direto é realizada alguns dias antes da semeadura, já que nesse momento as plantas daninhas estão mais desenvolvidas.

>> 9 plantas daninhas resistentes a herbicidas (+3 livros e guias para controlar)

Aguarde alguns dias entre a aplicação e a semeadura

Entre a aplicação de herbicidas na dessecação e a semeadura pode ser necessário alguns dias para que não ocorre intoxicação das plantas de interesse.

Mas isso vai depender das características do herbicida, da dose utilizada, da cobertura vegetal antecessora, da textura do solo e das condições ambientais.

A escolha dos produtos e da dose dependem das espécies presentes na área, do desenvolvimento das mesmas e da cultura a ser implantada

Se as plantas daninhas estão jovens (até aproximadamente 15 cm) podemos tranquilamente usar herbicidas com ação de contato, como paraquat e glufosinato de amônio.

Mas se já estiverem altas, em pleno desenvolvimento, isso significa que elas são capazes de rebrotar ou armazenar energia na parte subterrânea, e a morte da parte aérea não é suficiente.

Por isso, nesse caso devemos usar herbicidas sistêmicos, como glifosato e 2,4 D, capazes de translocar seu ingrediente ativo na planta.

Lembre-se também que as plantas daninhas interferem no desenvolvimento da lavoura com intensidade variável em função da época de ocorrência, da população e das espécies presentes.

Fique atento a quantidade de folhas

Na cultura do milho, por exemplo, o período crítico de prevenção a interferência é principalmente quando a planta apresenta de 2 a 7 folhas.

Na dessecação também pode ser utilizado herbicidas dessecantes associados a outros com residuais.

Assim, em uma única operação,é feito a dessecação e a aplicação do herbicida residual (ou pré-emergente), que terá o papel de manter a cultura sem invasoras durante a parte inicial do seu ciclo.

Por isso é importante ter conhecimento do seu campo e fazer o planejamento para que estratégias como essa possam ser pensadas anteriormente, contribuindo para economia de recursos sem perda de produção.

controle de plantas daninhas

Monitore, faça o planejamento, diversifique seu controle e saia do comum: se informe, tenha conhecimento, faça diferente e tenha sucesso!

(Fonte: Bayer traduzido por Aegro)

Para te ajudar ainda mais no planejamento leia esses dois artigos que tenho certeza que você vai saber por onde começar:

No plantio convencional, é comum que a dessecação seja realizada por métodos mecânicos.

Isso é feito com a utilização de roçadeira, grade e arado, após certo período de desenvolvimento das plantas, mas antes de alcançarem o estádio de formação de sementes.

Eu recomendo que você faça esse manejo até o início do florescimento, assim o material vegetal fica picado sobre o solo, formando cobertura morta, o que reduz a germinação de plantas daninhas.

Controle de plantas daninhas em condições de pré-emergência

As aplicações pré-emergentes de herbicidas são aquelas realizadas antes da emergência de plantas daninhas.

Devido a isso, para aplicação de herbicidas em pré-emergência de plantas daninhas é necessário o conhecimento prévio das espécies daninhas presentes na área.

Afinal, não tem como escolher o produto certo sem saber para o que está aplicando.

Assim, é indicado o uso de mapas que indicam as espécies presentes em cada local, já que dificilmente toda a lavoura estará infestada com as mesmas espécies.

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Mapa da propriedade em talhões

(Fonte: Aegro)

O uso de herbicidas em pré-emergência oferece a vantagem do controle de plantas daninhas antes que essas possam competir com a cultura e provocar redução do rendimento.

Como a ação dos herbicidas pré-emergentes será no solo, o desempenho desses produtos dependem de fatores como:

  • umidade do solo;
  • chuva após a aplicação;
  • temperatura;
  • tipo de solo;
  • espécies daninhas a serem controladas.

Sempre consulte um engenheiro agrônomo e a bula do herbicida, pois cada produto e propriedade tem sua particularidade em cada um desses fatores.

Em geral, é necessário certa umidade no solo para que a planta daninha seja capaz de absorver a água e, juntamente com ela, absorver o herbicida , fazendo assim o controle de plantas daninhas.

Além disso, a ocorrência de estiagem longa pode afetar o desempenho do produto, pois haverá perdas por fotodecomposição e volatilização.

No entanto, chuvas logo após a aplicação dos herbicidas pré-emergentes podem fazer com que eles sejam lixiviados, ou seja, sejam lavados do solo.

Além disso, devido aos solos argilosos possuírem maior quantidade de cargas e melhor estruturação, o herbicida fica mais ligado (“preso”) ao solo.

Por isso, para o adequado controle de plantas daninhas, são necessárias doses maiores quanto mais argilosa for a terra.

Para saber algumas curiosidades sobre defensivos agrícolas clique aqui.

Controle de plantas daninhas em pré-plantio incorporado

Também é possível aplicar herbicidas residuais em pré-plantio incorporado (PPI).

O PPI é especialmente para herbicidas que possuem fácil volatilização, que são facilmente decompostos pela luz ou que possuem baixa mobilidade no solo, como a trifluralina.

As principais vantagens desse tipo de aplicação são:

  • o herbicida estará disponibilizado no perfil superficial do solo, onde estão as sementes das invasoras que germinarão, obtendo melhor controle de plantas daninhas;
  • os produtos usados não são facilmente lixiviados.

No entanto, nesse tipo de aplicação pode haver compactação do solo,  custo elevado e a cultura deve ser tolerante ao produto, já que as sementes estarão em contato direto com o herbicida.

Métodos preventivos no manejo de plantas daninhas

“Melhor prevenir do que remediar”

O método preventivo evita a introdução, o estabelecimento e a disseminação de novas espécies de plantas daninhas.

Além de evitar prejuízos, isso vai ajudar que seus gastos com o controle de plantas daninhas não se elevem tanto.


Para isso, algumas medidas são vitais:

  • Utilização de sementes de boa qualidade, provenientes de campos controlados e certificadas;
  • Limpeza rigorosa de todas as máquinas e de todos os implementos, antes de serem transportados para áreas com diferentes espécies de plantas daninhas;
  • Evitar circulação de animais nessas diferentes áreas, para que não se tornem veículos de disseminação;
  • Manejo adequado das plantas daninhas, inclusive em cercas, beiras de estradas, canais de irrigação ou qualquer outro local da propriedade;
  • Utilizar qualquer método para o controle dos focos de infestação, desde a catação manual até a aplicação localizada de herbicida;
  • Se houver pousio, controlar as plantas daninhas também nesse momento;
  • Fazer a rotação de culturas e de herbicidas para diversificar o ambiente.

Tudo isso vai fazer com que seu controle de plantas daninhas seja mais eficaz e, até mesmo, menos custoso.

Plantas daninhas e o sistema de plantio direto (SPD)

O sistema plantio direto (SPD) contribui  na  redução  da germinação das plantas daninhas e do  banco  de  sementes do solo.

É uma importante prática a ser adotada no manejo integrado.

O banco de sementes são as sementes de daninhas contidas no solo e que ainda estão viáveis.

Em média, as sementes de invasoras permanecem viáveis em solos cultivados por mais de 5 anos!

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(Fonte: Brasil Agrícola)

A cobertura do solo impede que essas sementes germinem, virem plantas que produzam sementes e enriqueçam ainda mais o banco de sementes.

Tudo isso proporciona um melhor controle de plantas daninhas em pós-emergência.

Isso evita que algumas plantas invasoras, como a guanxuma, trapoeraba,  erva-quente, poaia-branca e buva venham causar problemas futuros.

A buva, aliás, é uma planta daninha comumente encontrada com resistência a herbicidas, especialmente glifosato, e o plantio direto ajuda muito no seu controle.

Isso porque a buva não consegue germinar na sombra, como quando há palha sobre o solo.

Como você já deve saber, a resistência a defensivos agrícolas é um tópico muito importante na agricultura.

Para saber mais sobre isso veja:

>> 9 fatos primordiais para o manejo de plantas daninhas resistentes ao glifosato

>> 5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las

É claro que algumas plantas daninhas, como corda-de-viola, ainda possuam boa germinação mesmo com cobertura, mas as espécies em geral infestam muito menos áreas cobertas.

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Custos de controle de plantas daninhas em SPD x convencional

Como já falamos, no sistema convencional é possível fazer a dessecação por aração e gradagem.

Já na semeadura direta, pelo não-revolvimento do solo, fazemos o controle de plantas daninhas por meio dos herbicidas dessecantes.

No sistema convencional, também é possível o uso de herbicidas em pré-semeadura incorporado, mas em SPD isso não é possível.

Nas culturas de soja e feijão, o custo de herbicidas graminicidas incorporados é em torno da metade dos pós-emergentes.

Devido a isso, de início os custos com herbicidas são maiores no sistema de plantio direto.

Mas lembre-se que os gastos com as operações agrícolas são muito maiores no sistema convencional.

Além disso, com o tempo, a menor infestação devido a cobertura diminui o número de aplicações e associações de produtos, reduzindo o custo com herbicidas e aumentando a facilidade no controle de plantas daninhas.

>> Leia mais: “Os 5 melhores aplicativos de identificação de plantas daninhas”.

>> Leia mais: “Planta tiguera: Quais os manejos mais eficientes para sua lavoura”

Conclusão

Tudo que falei aqui, incluindo a correta utilização dos herbicidas, faz parte do manejo integrado de plantas daninhas.

Não utilizar somente o controle químico, ou pior ainda: só um tipo de herbicida, é fundamental para seu controle de plantas daninhas dar certo e não desenvolver resistência a herbicidas!

Mas isso deve ser pensado, planejado com calma e com conhecimento do seu campo.

Aqui você aprendeu dicas valiosas sobre a dessecação, manejo de plantas daninhas em pré-emergência e no sistema de plantio direto.

Agora você já sabe todas as dicas para planejar sua pré-safra, aproveite e esteja preparado!

>>Leia mais: “Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso”

Como você faz o controle de plantas daninhas na pré-safra? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!