Buva: Época certa para controle, quais herbicidas usar e todas as principais dicas para minimizar casos de resistências e evitar o prejuízo da lavoura.

Buva na lavoura é sempre sinal de alerta.

Essa planta invasora se alastra muito rapidamente e interfere no desenvolvimento da soja, o que afeta a produtividade da safra.  

Só que controlar essa planta daninha não é simples. Inúmeros casos de resistência fazem com que muitos herbicidas não funcionem mais para seu combate.

Como fazer, então, um manejo eficiente da buva? Qual é o período ideal e os herbicidas mais indicados? Confira a seguir!

 

Buva: Principais pontos sobre essa daninha

A buva é uma planta daninha que precisa de luz para germinar.

Por isso, é comum pensar que o plantio direto, com a palha sobre o solo, inibiria infestações por essa planta.

Mas o que ocorreu foi justamente o contrário. A buva ganhou mais importância no cultivo de grãos a partir da década de 1990 com a expansão do plantio direto no país.

Isso porque a maioria dos produtores não faz o sistema plantio direto em sua totalidade, resultando em palha insuficiente sobre o solo para inibir a germinação da buva.

Já no cultivo convencional, a inversão da leiva fazia com que parte das sementes fossem enterradas. Com uma profundidade de enterrio de apenas 0,5 cm, por exemplo, ocorre inibição de 100% da emergência da buva.

Além disso, a buva possui grande capacidade de hibridizar (cruzar com outras plantas do gênero Conyza). Assim, sua classificação correta é feita somente em laboratório.  

Além disso, seu ciclo é anual e tem capacidade de produzir 110 mil sementes, que podem ser levadas pelo vento a até 1,5 km de distância.   

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Comparativo de perdas em área de soja com presença de buva
(Fonte: Embrapa Soja 2018 em Geagra)

A germinação das sementes ocorre no período de outono-inverno, geralmente nos meses de junho a setembro.

Isso se deve ao fato das suas sementes possuírem maior capacidade de germinação com temperaturas entre 20°C e 25°C. Por isso, a alta germinação coincide com o período em que os produtores de grãos deixam suas lavouras em pousio.

É muito importante realizar o correto controle da buva no período de pousio, pois ela pode ser “ponte verde” para pragas e doenças que afetam culturas sequenciais.

A buva pode ser hospedeira da lagarta do cartucho e da tão temida Helicoverpa armigera.

Além disso, há ainda o problema da resistência da buva aos herbicidas. Sobre isso, vou explicar melhor a seguir.

O problema da resistência de buva no Brasil

A utilização de glifosato como única ferramenta de controle de buva em soja RR selecionou populações de buva resistente ao herbicida em 2005.

O grande problema é que muitos produtores acabavam utilizando soluções simplistas para manejar essa resistência. Ou seja, baseando-se em uma ou poucas ferramentas para resolver o problema.

Exemplo disso é que cerca de 80% dos produtores do norte do RS utilizavam os herbicidas 2,4 D, saflufenacil e paraquat como base do manejo de buva na entressafra. As aplicações geralmente eram realizadas fora do estádio recomendado.

Na imagem abaixo você pode ver como ocorreu a evolução da resistência da buva (Conyza sp.) a herbicidas no Brasil:

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(Fonte: Weed Science)

Como você pode observar, atualmente algumas populações possuem resistência a 5 mecanismos de ação.

E isso é muito preocupante para a agricultura brasileira.  

Para garantir que não haja seleção de resistência para novos herbicidas ou disseminação de populações resistentes para novas áreas é muito importante que você siga estas dicas:    

  • Conheça o histórico de resistência da área e região  
  • Realize rotação de mecanismo de ação de herbicidas
  • Inclua herbicidas pré-emergentes no manejo
  • Siga os princípios básicos da tecnologia de aplicação adequada
  • Realize aplicações em pós-emergência sobre plantas pequenas
  • Realize corretamente aplicações sequenciais
  • Priorize controle na entressafra
  • Realize rotação de culturas e adubação verde
  • Realize limpeza correta de máquinas ou implementos antes de utilizá-los em novas áreas

Quer entender melhor como aplicar essas dicas na sua lavoura? Vou detalhar.

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(Fonte: Aegro)

Manejo da buva na entressafra do sistema soja-milho

A entressafra é o período ideal para realizar um bom manejo de buva. Isso porque existem mais opções a serem utilizadas!

É fundamental que a aplicação ocorra em plantas de até 10 cm. Assim, as chances de sucesso são maiores.

Já plantas com mais de 16 cm provavelmente precisarão de um manejo sequencial com herbicidas sistêmicos e de contato. Veja:

Herbicidas pós-emergentes:

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendável a dose de 1,5 a 2,0 L ha-1.

Chlorimuron

Utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato), e fornece efeito residual. É recomendável dose de 60 a 80 g ha-1. Muitas áreas com histórico de resistência.

2,4 D

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes. Recomendável a dose de 1,2 a 2 L ha-1.

Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas).

Quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deixe um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 mL ha-1 de produto utilizado.

Glifosato

Mesmo não sendo efetivo para a maioria das populações, pode ser usado para controle de outras plantas daninhas.

O glifosato, quando associado a outros produtos, pode ter efeito sinérgico no controle de populações resistentes! (ex: saflufenacil)

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,5 a 3,0 L ha-1.

Saflufenacil

Pode ser utilizado em plantas pequenas (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Recomendação de dose de 35 a 100 g ha-1.

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Porcentagem de controle de buva aos 28 dias após a aplicação – ou 13 dias após a segunda aplicação no tratamento sequencial
(Fonte: Adaptado de Blainski et al., 2008, por Fundação MS)

Herbicidas pré-emergentes:

Diclosulam

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D). O solo deve estar úmido. Recomendações de dose de 29,8 a 41,7 g/ha.

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja, na dose de 40 a 120 g/ha.

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e chlorimuron).

Recomenda-se dose de até 0,5 L/ha, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja. É recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca!

>> Leia mais: “Últimas notícias sobre ervas daninhas: Dicamba e Amaranthus palmeri

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Manejo da buva na pós-emergência das culturas de soja e milho

O manejo da buva na pós-emergência da soja é pouco recomendado.

Existem poucas opções que podem ser utilizadas e, devido a seu estádio de desenvolvimento, apenas seguram o seu crescimento.

Cloransulam

Utilizado em pós-emergência da soja, na dose de 35,7 g ha-1.

Imazetapir

Utilizado em pós-emergência precoce da buva e na soja com até 2 trifólios, na dose de 0,8 a 1,0 L ha-1.

Na pós-emergência do milho safrinha, pode-se utilizar para controle de buva a associação de atrazina 2,5 L ha-1 e tembotrione 0,18 L ha-1.

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(Fonte: Mais Soja)

Perspectivas futuras

Nos próximos anos, existe previsão da liberação comercial de novos “traits” de resistência a herbicidas para as culturas da soja e milho. Veja:

  • Soja: Enlist (2,4D colina, glifosato e glufosinato de amônio) e Xtend (Dicamba e glifosato).
  • Milho: Enlist (2,4D colina, glifosato, glufosinato de amônio e haloxyfop).

Eles poderão facilitar o manejo de buva na pós-emergência do cultivo.

Além disso, práticas de consórcio de milho com brachiaria ou adubação verde são muito efetivas no controle de buva!

Elas impedem a chegada de luz à semente da planta daninha, inibindo assim sua germinação.

>> Leia mais: “O guia completo para o controle do capim-pé-de-galinha

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que a buva possui e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

Entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la.

Vimos também que algumas práticas são essenciais para não agravar os problemas de ervas daninhas resistentes.

Com essas informações  tenho certeza que você irá realizar um manejo eficiente de buva na sua lavoura!

>>Leia mais: “Como fazer um controle eficiente do capim-amargoso”
>>Leia mais: “Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha
>>Leia mais: “Guia para o controle eficiente da trapoeraba

Como você controla a infestação de buva na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!