Adjuvante agrícola: Diferentes classificações e como escolher o produto certo para ter aplicações melhores e mais efetivas.

Eu já me senti confusa sobre o uso e efeito de adjuvante agrícola milhares de vezes.

A grande quantidade de tipos de adjuvantes e produtos disponíveis no mercado colabora muito com com isso.

Mas alguns dados me fizeram querer refletir e pesquisar mais sobre o assunto.

Especialmente porque em há casos em que a adição de adjuvante agrícola permite reduzir a dose herbicida em mais de 50%.

Aqui separei as principais informações sobre adjuvantes para que não haja mais confusão e dúvida, sabendo exatamente quando e qual utilizá-los.

>> Devo comprar Defensivos genéricos ou de marca?

Então acompanhe este artigo!

O que são adjuvantes agrícolas?

Podemos definir adjuvante agrícola como substância ou composto sem propriedades fitossanitárias, que são adicionados durante a preparação de caldas com defensivos.

O objetivo dos adjuvantes é aumentar a eficácia no combate a daninhas, pragas e doenças; facilitando a aplicação dos produtos e consequentemente reduzindo os riscos de perdas.

adjuvantes-agrícolas-perdas

(Fonte: Cotrisoja)

Os adjuvantes são necessários principalmente quando estamos falando de produtos de contato, e que por isso precisam de uma boa cobertura foliar para não comprometer a eficácia do produto.

Mas também há outras situação em que podemos utilizá-los.

Para entender melhor sobre isso precisamos antes compreender sobre cada tipo de adjuvante agrícola:

>> Defensivos agrícolas: 8 curiosidades que você deveria saber

Como os adjuvantes agrícolas são classificados?

A classificação mais utilizada está relacionada a função desempenhada pelo adjuvante agrícola.

Assim, podemos dividi-los em dois tipos primários:

adjuvante agrícola

(Fonte: Arquivo pessoal)

1.Adjuvantes ativadores

Como o próprio nome sugere, eles elevam a atividade dos produtos quando adicionados ao tanque de pulverização. Nessa classe estão:

  • Surfactantes;
  • Óleos vegetais;
  • Óleos minerais;
  • Derivados de silicone;
  • Fertilizantes nitrogenados.

>>Tudo o que você precisa saber sobre resistências a defensivos agrícolas

2. Modificadores de calda

Alteram as propriedades físicas ou químicas da calda, sendo adicionados com a finalidade de melhorar a aplicação da formulação. Aqui estão classificados:

  • Molhantes;
  • Corantes;
  • Controladores de deriva;
  • Agentes espessantes;
  • Agentes adesivos;
  • Condicionadores de calda;
  • Agentes de compatibilidade;
  • Reguladores de pH;
  • Umectantes;
  • Antiespumantes;
  • Absorventes de UV.

>> Acerte nas aplicações de defensivos com planejamento agrícola

Você pode ter notado que existem muitos adjuvantes e pode ficar difícil saber qual utilizar, não é mesmo?

Não se preocupe, vamos falar um pouco sobre cada um deles e dar algumas dicas de quando você deve utilizar cada um a seguir:

Adjuvante agrícola ativador: Surfactante

Os surfactantes têm a capacidade de reduzir a tensão superficial da gota pulverizada.

Assim a absorção do produto na planta é facilitado, já que ocorre alteração na estrutura e na viscosidade das ceras que estão na superfície das folhas e caules.

adjuvante agrícola surfactante

(Fonte: Crop Care)

A composição da molécula dos surfactantes são de duas partes distintas, uma com afinidade por óleos e outra com afinidade por água.

Os produtos do tipo adjuvante agrícola surfactante pode ser dividido ainda em quatro classes:

>>Tudo o que você precisa saber para fazer sua lista de defensivos agrícolas na pré-safra

1.Aniônicos

Os surfactantes aniônicos se dissociam em água e a porção ativa da molécula é o ânion (carga negativa).

São utilizados em caldas com herbicidas ou em mistura com os surfactantes não iônicos.

>>Armazenagem de defensivos agrícolas: como fazer e o que é preciso saber

2.Catiônicos

Em água se dissociam em um cátion e um ânion. O cátion é composto por nitrogênio, assim, também são conhecidos por sais de quaternários de amônio.

Entretanto, os surfactantes catiônicos são pouco utilizados pois, devido a alguns motivos já relatados:

  • Elevado custo;
  • Precipitam na presença de sais;
  • Possuem fraco poder detergente;
  • Podem causar fitotoxicidade nas culturas.

3.Não iônicos

Essa classe de surfactante não ioniza, nem dissocia em água. São os mais utilizados já que:

  • Não reagem com sais ou com as moléculas de defensivos que estão na água;
  • Não são influenciados pela “água dura”, não formando sais com cálcio, magnésio ou com íons de ferro.
  • Baixa toxicidade aos mamíferos;
  • Pouco tóxico às plantas.

Desse modo, eles possuem boa compatibilidade com os defensivos, aumentando sua absorção foliar, inclusive de fungicidas sistêmicos e inseticidas.

4.Anfotéricos

Surfactantes pertencentes a essa classe se dissociam em ânions e cátions, ou seja, eles podem apresentar parte da molécula com carga positiva e outra, negativa.

Por isso, tais produtos são especialmente dependentes do pH da calda, sendo muito pouco utilizado.

Adjuvante agrícola ativador: Óleos

Os adjuvantes a base de óleo possuem como objetivo aumentar a penetração dos herbicidas lipossolúveis (que possuem mais afinidade pelo óleo).

Geralmente são utilizados quando as condições ambientais são alta temperatura e baixa umidade, ou ainda quando a cutícula da folha é muito espessa.

Quando se utiliza um adjuvante a base de óleo, obrigatoriamente deve ser utilizado também um emulsionante tensoativo.

>> 5 novas tecnologias envolvendo defensivos agrícolas

Isso é para que as gotas de óleo de distribuem de maneira uniforme na mistura, já que estamos adicionando óleo em água.

1.Óleos minerais

Reduzem a tensão superficial, aumentam a molhagem e o espalhamento, aumentam a absorção e melhoram a resistência ao escorrimento.

Podem ser divididos em óleos parafínicos e óleos naftalênicos.

Os óleos parafínicos aumentam a absorção de herbicidas, pois causam trincas nas cutículas das plantas.

Formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos.

Veja também:
>>Como utilizar defensivos naturais e diminuir custos
>> Glifosato: Fatos e curiosidades sobre o mais usado herbicida

2.Óleos vegetais

Reduzem a tensão superficial, mas não são tão eficazes como os outros já citados, podendo ser de 2 tipos:

  • Triglicerídeos: são aqueles conhecidos por “óleos de sementes”. No geral possuem apenas 5-7% de tensoativo emulsionante.
  • Metilados: possuem de 10-20% de tensoativo emulsionante. No geral os óleos de sementes Metilados são melhores que os que possuem como base o petróleo, entretanto são mais caros.

O adjuvante agrícola do tipo óleo, em geral, degradam a cutina (que faz parte da cutícula da folha), possibilitando a entrada direta dos defensivos na planta.

>> 8 perguntas para fazer ao seu consultor sobre defensivos agrícolas

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(Fonte: Armazém da Ciência)

O problema é que a planta continua com a cutícula prejudicada, até que possa refazê-la.

Por isso, após a aplicação de defensivos com óleos a folha fica muito sensível aos fatores externos, como luz, doenças, e outros.

Assim não é indicado a aplicação de fertilizantes foliares com óleos, já que ocorrerá absorção de nutrientes intensa e salinidade, resultando na necrose das folhas.

No caso de áreas de pousio onde vamos fazer a dessecação os óleos são altamente recomendados, prejudicando mais intensamente as plantas daninhas na área.

Adjuvante agrícola ativador: Fertilizantes nitrogenados

Os fertilizantes nitrogenados utilizados como adjuvantes são:

  • Nitrato de amônio;
  • Sulfato de amônio;
  • Ureia;
  • Polifosfato de amônio.

São adicionados a calda com objetivo de melhorar os efeitos de produtos e, também como adubo para a cultura.

São classificados como adjuvantes ativadores, entretanto podem agir como modificadores de calda, pois ajudam a evitar a formação de precipitados no tanque.

Possuem, assim como os outros, capacidade de reduzir a tensão superficial, além de aumentarem a difusão do defensivo na superfície da folha.

>>Como otimizar sua lavoura com pulverizador autopropelido

Adjuvante agrícola modificador de calda: Molhantes

Os agentes molhantes são basicamente os surfactantes não-iônicos diluídos em água, álcool ou glicóis.

Eles também reduzem a tensão superficial da gota, mas alguns desses produtos apenas irão afetar as propriedades físicas das gotas.

Ou seja, não irão afetar o comportamento da formulação quando entrar em contato com a planta.

>> 6 dicas de compra de defensivos agrícolas para potencializar o manejo da sua lavoura

Adjuvante agrícola modificador de calda: Corantes

Os corantes têm o objetivo apenas de visualização de onde o defensivo foi aplicado.

Dão coloração ao produto formulado, permitindo observar melhor de que como o produto foi aplicado e se a tecnologia de aplicação está correta.

Adjuvante agrícola modificador de calda: Controladores de deriva

Como o próprio nome diz, são utilizados para reduzir a deriva.

Para tanto, essa classe de adjuvantes vai alterar as propriedades da calda.

O que ocorre é que teremos maiores tamanhos de gotas e menor número de gotículas pequenas, realizando uma pulverização mais espessa.

No entanto, lembre-se que cada tipo de pulverização é requerido um tipo de gota, sendo gotas finas quando precisamos de maior cobertura (produtos de contato).

Por isso, não adianta adicionar adjuvantes controladores de deriva quando a aplicação exige uma melhor cobertura.

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(Fonte: Jacto)

Adjuvante agrícola modificador de calda: Agentes espessantes

Modificam a viscosidade das caldas de pulverização.

São utilizados especialmente em aplicações aéreas com objetivo de reduzir as derivas.

>> [Infográfico] Defensivos agrícolas genéricos ou de marca: a batalha definitiva do que usar na sua propriedade

Adjuvante agrícola modificador de calda: Agentes adesivos

Auxiliam na redução das perdas de produtos através da evaporação ou do escorrimento.

Os agentes adesivos mentem o produto em contato com a planta aumentando, evitando que sejam derrubados da superfície foliar ou lavados pela chuva.

São muito utilizados com as formulações de pó molhável seco e granulares.

Adjuvante agrícola modificador de calda: Condicionadores

São utilizados quando a água usada na aplicação tem muitos sais presentes, e, por isso pode resultar em formação de precipitados.

Neste caso é muito importante sabermos a qualidade da água utilizada na hora de preparar a calda.

A presença de muitos cátions (como em “água dura”), por exemplo, pode reduzir a absorção dos produtos pelas plantas.

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Classificação da água de acordo com a quantidade de carbonato de cálcio presente

(Fonte: Silva, et al. Manejo de Plantas Daninhas. Viçosa, 2010)

Adjuvante agrícola modificador de calda: Agentes de compatibilidade

Já tratamos em outro artigo sobre as incompatibilidades físicas e químicas que podem ocorrer no tanque de pulverização.

Os agentes de compatibilidade evitam essas interações físicas ou químicas entre os produtos, mantendo-os em suspensão.

Mas não é porque vai adicionar um agente de compatibilidade que podemos sair misturando tudo!

Lembre-se que a associação de alguns produtos, causam efeitos antagônicos, reduzindo a eficácia dos produtos e até mesmo causando problemas de fitotoxicidade.

Veja mais sobre misturas de defensivos neste artigo:

>> O que você precisa saber sobre mistura de defensivos agrícolas

Adjuvante agrícola modificador de calda: Reguladores de pH

Todos já sabemos que o pH da calda afeta diretamente a eficácia dos produtos no tanque de pulverização.

Os reguladores de pH têm a capacidade de ajustar o pH da calda o que consequentemente melhora a dispersão do herbicida, além de aumentar a compatibilidade da mistura.

No geral, as caldas fitossanitárias apresentam uma maior estabilidade na faixa de pH entre 6,0 e 6,5.

Adjuvante agrícola modificador de calda: Umectantes

Os umectantes, assim como os agentes adesivos, têm o objetivo de aumentar o tempo que o produto fica sobre a folha e consequentemente disponível para absorção.

São materiais solúveis em água que demoram mais tempo para evaporar depois que seca a água utilizada na pulverização, isso porque eles conseguem reter a umidade do ambiente.

Também permitem rápida umectação do produto em contato com a água.

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(Fonte: Formulações de adjuvantes agrícolas)

Adjuvante agrícola modificador de calda: Antiespumantes

A espuma é um problema na preparação da caÌda e durante a apÌicação, evitando que o produto seja aplicado corretamente em campo

Os antiespumantes têm a capacidade de reduzir a formação de espuma no tanque, favorecendo a tecnologia de aplicação adequada.


Adjuvante agrícola modificador de calda: Absorventes de UV

Há poucos adjuvantes que podem proteger o produto da degradação devido a luz.

Os que fazem tem que ter a capacidade de absorverem a luz ultravioleta ou de aumentar a taxa de captação do herbicida pela cutícula da folha.

Quando utilizar adjuvantes?

A bula do defensivo agrícola que você vai  utilizar sempre vai trazer a informação de quando se deve utilizar um adjuvante.

Alguns produtos já vêm com adjuvantes na formulação e por isso não precisam ser adicionados na hora da aplicação.

Também é importante conhecer a água que você tem disponível, observando se é ou não água dura e se é preciso usar algum adjuvante para adequar isso.

Mas precisamos ter precaução: utilizar adjuvantes quando não é necessário pode causar fitotoxicidade na cultura.

A quantidade indicada na bula do produto também deve ser respeitada, pois o excesso pode prejudicar a cultura.

E mesmo que não ocorra intoxicação das plantas, você pode estar gastando dinheiro à toa.

Não esqueça de adicionar o custo do adjuvante ao custo de sua aplicação.

Depois você pode verificar qual o custo por talhão de seu manejo, e se ele valeu mesmo a pena.

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Dicas extras para a escolha do adjuvante

Não é preciso receita agronômica para produtos do tipo adjuvante agrícola desde novembro de 2017.

No entanto, ainda sim é importante verificar com seu consultor Engenheiro(a) Agrônomo(a) sobre o produto em questão, sendo essa uma das mais importantes dicas que posso te dar aqui.

Outro ponto muito relevante é ter conhecimento do produto, de seu rótulo e verificar se são confiáveis.

Também é importante ter os custos desse adjuvante e seu ganho em termos de produtividade na ponta do lápis, ou em planilhas e em software agrícola.

Como já comentamos, é assim que você saberá se o adjuvante agrícola realmente valeu a pena e se compensa comprá-lo nas próximas safras.

Fonte consultada para a realização do texto e que você pode ver mais sobre o assunto

livro-manejo-plantas-daninhas-monquero
  • Aspectos da Biologia e Manejo das Plantas Daninhas/organizado por Patricia Andrea Monquero – São Carlos: RiMa Editora, 2014. 430p.
  • Silva, A.A.; Ferreira, E.A.; Pires, F.R.; Ferreira, F.A.; Santos, J.B.; Silva, J. Ferreira.; Silva, J. Francisco.; Vargas, L; Ferreira, L.R.; Vivian, R.; Júnior, R.S.O.; Procópio, S. Proteção de Plantas – Manejo de Plantas Daninhas. Viçosa, 2010.

Além disso, neste ano teremos o II Workshop sobre Adjuvantes em Caldas Fitossanitárias promovido pela UNESP, na cidade de Jaboticabal.

Aqui neste link você tem mais informações sobre o evento.

Conclusão

Os inúmeros tipos de adjuvantes e diferentes situações de aplicação podem nos deixar confusos, mas depois de conhecer mais sobre cada um deles a escolha fica simples.

É claro que o adjuvante agrícola pode nos ajudar muito, fazendo com que tenhamos aplicações melhores e mais efetivas.

No entanto, se atente para quando realmente é preciso utilizá-los, sempre verificando se o custo vale a pena!

Leia também:

>> Guia para iniciantes sobre Agricultura de Precisão (AP)

>> Software para Agricultura de Precisão: O guia definitivo para escolher um

>> O que você precisa saber sobre regulagem e manutenção de implementos agrícolas

Gostou dessas dicas? Tem outras dicas a respeito do uso de adjuvante agrícola? Adoraria ver seu comentário abaixo!