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Agricultura irrigada: o que é, principais métodos e vantagens

- 18 de maio de 2020

Agricultura irrigada: quais principais fatores interferem no seu planejamento, principais métodos de irrigação e muito mais!

Atualizado em 23 de maio de 2022.

A irrigação é o ato de fornecer água às plantas, para que elas possam se desenvolver e produzir. Sua aplicação no campo demanda precisão e técnica para ser financeira e agronomicamente eficiente. 

A agricultura irrigada é uma atividade complexa que requer elevados níveis de tecnificação, planejamento e investimento. Conhecer todos os detalhes é fundamental.

Nesse texto, você verá os principais métodos de irrigação e suas recomendações, os principais benefícios e possíveis problemas. Confira a seguir!

O que é agricultura irrigada?

Agricultura irrigada é a prática de aplicar água diretamente na raiz das plantas, ou seja, empregar a irrigação, com o objetivo de melhorar a aplicação de água e fertilizantes, mantendo baixo consumo energético.

A irrigação é a prática agrícola capaz de suprir a deficiência total ou parcial de água para as plantas. Na agricultura irrigada, equipamentos e técnicas específicas são utilizadas para fornecer água de forma artificial, garantindo a produção da lavoura mesmo quando não há uma oferta natural de água. 

Porém, apenas o fornecimento de água às plantas não é garantia de uma lavoura de sucesso! Uma boa agricultura irrigada é feita com planejamento, monitoramento e gestão da irrigação. 

Esse planejamento está relacionado a uma série de fatores como cultura, solo e clima. As necessidades de quem produz e as particularidades dos diferentes métodos de irrigação também precisam ser considerados.

Vantagens da irrigação para a agricultura

A agricultura irrigada se adapta a vários tipos de solo, além de ser muito eficiente. Por ser um processo que pode ser automatizado, garante facilidade ao seu trabalho. Além disso, existem muitas outras vantagens da irrigação para a agricultura:

  • diminuição dos efeitos da seca no crescimento e desenvolvimento da cultura;
  • aumento da produtividade e diminuição de riscos;
  • aumento do vigor e estande inicial de plantas;
  • homogeneidade de floração;
  • maior flexibilidade na decisão do período de plantio e colheita da cultura;
  • possibilidade de expansão para áreas não aptas à agricultura de sequeiro;
  • possível utilização para proteção contra geadas.

Desafios na agricultura irrigada

Atualmente, o Brasil está entre os 10 países do mundo com as maiores áreas equipadas para irrigação, com quase sete milhões de hectares.

Destes, cerca de 50% está destinado ao cultivo de arroz irrigado e cana-de-açúcar.

Esquema do território do Brasil e áreas de agricultura irrigada

Detalhe das áreas irrigadas por municípios (em hectares) no Brasil

(Fonte: Agência Nacional das Águas, 2015)

Por isso, as projeções futuras para a agricultura irrigada no Brasil são as melhores. É esperado um crescimento de 47% até 2030, passando para 10 milhões de hectares.

Porém, a agricultura irrigada apresenta também alguns aspectos negativos preocupantes. Com o aumento da agricultura irrigada, a demanda por água também aumentará.

Portanto, é importante a busca constante por métodos eficientes no uso racional da água para evitar desperdícios.

Além disso, a associação da aplicação de fertilizantes com a irrigação ou fertirrigação pode, com o passar do tempo, levar à salinização e deterioração dos solos. Técnicas sustentáveis de manejo da irrigação devem ser pensadas e colocadas em prática.

Diferença entre método e sistema de irrigação

Método é o modo de agir ou fazer a irrigação na lavoura. Os sistemas se relacionam com a disposição e funcionamento das partes dos métodos.  São um conjunto de equipamentos que funcionam juntos para fazer a irrigação acontecer.

Um método de irrigação pode estar relacionado a um ou mais sistemas de irrigação. 

É importante lembrar que não existe um método ou um tipo de sistema perfeito. Cada um apresenta vantagens e desvantagens.

Sem dúvidas, o melhor será sempre aquele que sem desperdícios e exageros apresenta os melhores resultados a um custo acessível.

Principais tipos de irrigação

Existem vários tipos e sistemas de irrigação diferentes: por superfície, por aspersão, localizada, por subsuperfície, por gotejamento, microaspersão, pivôs e autopropelidos. Veja um pouco mais sobre cada um deles.

Irrigação por superfície

Na irrigação por superfície, a água é aplicada diretamente sobre a superfície do solo da área que precisa ser irrigada. Nesse método, a água é distribuída através da gravidade pela superfície. 

Seus principais sistemas de execução são por sulcos ou inundação. As principais vantagens são a simplicidade de aplicação, a necessidade de  poucos equipamentos e o baixo custo de instalação quando comparado aos demais.

Entretanto, a irrigação por superfície utiliza muita água e depende muito da declividade e textura do solo. Por isso, é um método que não pode ser implementado em qualquer região. 

Irrigação por aspersão

A irrigação por aspersão simula a chuva através de um aspersor que joga água para o ar, e consequentemente, para as plantas e para o solo. É um método que se adapta bem a diferentes relevos

Porém, seu custo aumenta conforme o nível de mecanização e de tecnologia aplicada. Dois dos principais sistemas de irrigação por aspersão são os pivôs centrais e os canhões autopropelidos

Sistema de pivô

O sistema de pivô mais clássico consiste em uma torre central fixa conectada por um sistema de barras a torres móveis.

Essas torres móveis se movimentam pelo campo aspergindo água. Isso forma a bastante conhecida forma circular.

planilha custos de pivô Aegro

Sistema autopropelido

Já o sistema autopropelido é composto de um canhão acoplado a uma plataforma móvel que se movimenta por propulsão hidráulica da própria água de bombeamento 

Condições climáticas como ventos fortes podem interferir e prejudicar o processo do sistema autopropelido. Além disso, esse tipo de irrigação pode acarretar em um aumento na incidência de doenças foliares na lavoura.

Foto de sistema de pivô e de autopropelido na fazenda

Exemplo de sistema de irrigação por pivô (esquerda) e autopropelido (direita)

(Fonte: CTP/Ruralvale)

Irrigação localizada

A irrigação localizada é um método de irrigação com alta frequência e volume baixo. A água é aplicada próxima do caule, diretamente nas raízes, abaixo da área sombreada das plantas.

O método pode funcionar em sistemas de baixa pressão, como gotejadores, ou de maior pressão, com microaspersores. Assim como a aspersão mecanizada, o custo é elevado e requer mão de obra especializada. 

Podem aparecer problemas de entupimento de mangueiras. Por outro lado, a parte aérea das plantas não é molhada. Isso evita o aparecimento de doenças, além de as instalações e reparos serem fáceis.

Sistema de gotejamento

O sistema de gotejamento mais comum consiste em uma tubulação superficial que aplica água gota a gota no solo. Esse processo todo acontece muito próximo da planta. Isso aumenta a eficiência do sistema, além de diminuir o desperdício de água.

Sistema de microaspersão

O sistema de microaspersão consiste em tubos e microaspersores localizados, normalmente, abaixo do dossel. 

A diferença para o método comum de aspersão é que este é considerado um sistema de aplicação localizado. Afinal, ele efetua o molhamento mais direcionado.

Os microaspersores geram uma nuvem de partículas pequenas de água que se espalham com maior uniformidade. Elas não causam danos físicos ao solo ou às plantas. Esse sistema também é bastante recomendado para a fertirrigação.

Foto de sistema de irrigação por gotejamento e microaspersão

Exemplo de sistema de irrigação por gotejamento (esquerda) e microaspersão (direita)

(Fonte: Embrapa)

Irrigação por subsuperfície

A irrigação por subsuperfície acontece através da aplicação da água abaixo ou direto no sistema radicular das plantas. É uma técnica um pouco menos comum.

Pode ser aplicada para produção de algumas hortaliças em ambiente protegido.

Quando em condições adequadas, seu custo é reduzido. Porém, regiões mais planas são necessárias para a irrigação acontecer.

Ao contrário do gotejamento convencional, a manutenção é difícil pelo fato da irrigação estar abaixo do solo.

Como escolher o melhor método de irrigação

Para escolher um bom método, você precisa considerar uma série de fatores como a cultura, o solo, o clima e as suas necessidades. Entenda mais cada um deles a seguir.

Cultura agrícola

Cada tipo de cultivo agrícola tem características específicas quanto ao requerimento de água. Alguns necessitam de mais água para completar seu ciclo, outras de menos.

Mesmo dentro da mesma espécie, existem cultivares que necessitam mais ou menos quantidade de água para um comportamento ideal no campo. Eles podem ser classificados em tolerantes ou sensíveis à seca.

Além disso, a necessidade de água varia de acordo com o estágio fenológico da cultura. 

Esquema que mostra necessidade da agricultura irrigada

Esquema dos estágios de necessidade de água das plantas na agricultura irrigada

(Fonte: Atlas da Irrigação, 2017)

As fases de desenvolvimento vegetativo, florescimento/frutificação exigem mais água do que as etapas iniciais e finais do ciclo. Além disso, são fases cruciais para alcance da produtividade potencial da cultura.

Solo 

Aspectos como as características físicas e químicas do solo e a declividade das áreas devem ser considerados na agricultura irrigada. Diferentes terrenos e solos influenciam no manejo da água das culturas.

Esquema que mostra como a água é absorvida pelo solo

Influência da textura do solo no alcance da água em sistema de irrigação por gotejamento

(Fonte: Pizarro Cabelo, 1990)

Clima

A relação entre clima e agricultura é muito forte. O clima varia com a latitude e altitude, mas pode também variar dentro de uma região menor, formando os microclimas. 

A decisão pelo uso de irrigação normalmente está relacionada às condições climáticas de cada micro ou macrorregião. 

A região Nordeste (de clima semiárido) é a mais afetada por essa escassez. Há poucas chuvas em grande parte do ano.

Imagens do território brasileiro e a média de chuvas em cada área

Média das chuvas mensais no território brasileiro

(Fonte: Agência Nacional das Águas, 2014)

No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a escassez é limitada a determinadas épocas do ano. Normalmente, isso acontece de abril/maio até setembro/outubro (outono e inverno).

Nessas situações, a irrigação não é essencial e pode ser utilizada para complementação.

Necessidades do produtor

Um bom projeto de agricultura irrigada deve ser baseado no manejo geral das lavouras.

Com isso, avalie a setorização da área quanto aos manejos de solo e cultura para otimizar recursos, principalmente água e fertilizantes.

Isso é recomendado para permitir que você integre o monitoramento da irrigação aos demais manejos. Como consequência, você acaba facilitando a verificação dos resultados.

Tendências na agricultura irrigada

Dentro do contexto de Agricultura 4.0, os sistemas automatizados estão cada vez mais presentes na propriedade agrícola. Isso não é diferente com os métodos e sistemas de manejo de água, através da irrigação de precisão.

A irrigação de precisão usa tecnologias modernas para mapear as diferenças de umidade do solo e do estado hídrico das plantas. O objetivo é aumentar a eficiência da irrigação. Para isso, o uso de sistemas de irrigação mais localizados e que possam ser controlados com certa individualidade é essencial.

Isso permite a irrigação diferencial em áreas dentro de uma mesma gleba que estejam com diferentes requerimentos de água. Fatores como declividade, incidência de sol, face de exposição, temperatura e correntes de vento causam essas diferenças.

A irrigação de precisão também utiliza tecnologias como: 

  • sensores sem fio ou de funcionamento remoto;
  • sistema de localização;
  • informações atuais de estações meteorológicas, etc. 

Política Nacional de Irrigação

A Política Nacional de Irrigação (PNI) tem a finalidade de promover o desenvolvimento, a sustentabilidade ambiental e o avanço de áreas irrigadas.

Criada em 2013, a Política Nacional de Irrigação é uma lei que trata dos direitos dos produtores e de oportunidades para uso e outorga de água para irrigação.

Ela também inclui os deveres dos produtores e limites do uso da técnica. Essa informação  é primordial para o planejamento e execução de um bom projeto de irrigação na propriedade rural.

Conclusão

Os cultivos agrícolas dependem de água para sobreviver. Sistemas de irrigação sempre trarão benefícios às lavouras, pois a produção de alimentos sem irrigação pode ter a produtividade muito comprometida.

Porém, analisar cada situação para um planejamento adequado é fundamental para que você  não tenha problemas financeiros e nem no campo.

Escolha o melhor método de irrigação considerando suas necessidades pessoais e as da sua cultura. A agricultura irrigada é uma alternativa brilhante para o futuro dos cultivos agrícolas. Use-a da melhor maneira possível.

>>Leia mais:

“As melhores práticas para o reúso da água na agricultura“

“Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas”

“Irrigação com drip protection: conheça as vantagens e cuidados necessários”

E você, trabalha com agricultura irrigada? Qual método de irrigação e em que sistema utiliza? Conte pra gente nos comentários abaixo! 

Foto do redator João Paulo Pennacci

Atualizado em 23 de maio de 2022 por João Paulo Pennacchi.

João é engenheiro eletricista formado pela Unifei e engenheiro-agrônomo formado pela UFLA. Mestre e doutor em agronomia/fisiologia vegetal pela UFLA e PhD em ciências do ambiente pela Lancaster University.

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