Plantio de arroz: Qual sistema vale mais a pena, espaçamento ideal, cuidados com misturas varietais e outros pontos importantes para sua lavoura.

A cultura do arroz atualmente ocupa uma área de 1,69 mil hectares, o que gera uma produção de aproximadamente 10,5 milhões de toneladas de arroz. 

Entre as operações mais onerosas do cultivo estão o preparo de solo e plantio do arroz. Por isso, é de suma importância que sejam feitas da melhor maneira possível, auxiliando na manutenção da produtividade do cultivo.

Neste artigo, vamos abordar diferentes sistemas produtivos e algumas dicas para produzir mais e melhor na sua área. Confira!

Plantio de arroz sequeiro ou irrigado: O que vale mais a pena?

No Brasil, o sistema irrigado predomina, representando 79,5% das lavouras de arroz. Já o arroz de sequeiro ocupa 20,5% da área plantada. 

O arroz irrigado geralmente é produzido no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, onde o cultivo passa parte de seu ciclo com a presença de uma lâmina d’água. 

plantio de arroz irrigado

Cultivo do arroz irrigado
(Fonte: Irrigação.Net)

Já o arroz de sequeiro – também chamado arroz de terras altas – é produzido principalmente no norte do país. 

Inicialmente foi muito utilizado para abertura de novas áreas (devido ao baixo investimento e por suportar acidez do solo) e para recuperação de pastagens degradadas.

Atualmente, vem sendo utilizado em rotação de culturas. 

plantio de arroz

Cultivo do arroz de terras altas; preparo do solo deve oferecer condições satisfatórias para uma boa germinação das sementes
(Fonte: Governo do Tocantins)

O arroz irrigado têm maiores médias de produtividade (7,13 ton/ha contra 2,35 ton/ha do arroz sequeiro), porém possui muitas limitações quanto à disponibilidade de água, tipo de solo, manejo e investimento inicial. 

Além disso, em regiões secas é mais complicado realizar esse tipo de sistema, o qual também exige que as áreas sejam planas.

Espera-se que com o desenvolvimento de pesquisas e estratégias de manejo, o arroz de sequeiro seja mais cultivado e obtenha maior produtividade. 

Enquanto isso, coloque todos os gastos e sua previsão de produtividade e venda em seu planejamento agrícola, além é claro, de ter em mente o maior tempo que será despendido para a lavoura com lâmina de água. 

Com tudo isso na ponta do lápis, ou no cursor do computador, baseie sua decisão em dados e, assim, tome aquela mais assertiva.

Qual a diferença entre plantio convencional, plantio direto e cultivo mínimo para arroz?

O plantio convencional do solo é o mais tradicional no Brasil. Ele demanda um preparo de solo que incorpora a camada superficial, destrói restos culturais e plantas daninhas

Já no plantio direto não é feito o cultivo mecânico do solo antes do plantio, tendo revolvimento apenas no sulco de plantio para distribuição de sementes e adubos. 

O plantio direto está fundamentado na rotação de culturas e manutenção de palhada no solo.

Se a rotação de culturas for mal feita (ou não for feita), problemas com compactação, doenças e pragas podem ser mais graves que no sistema convencional. 

palhada no plantio de arroz

Palhada no plantio direto do arroz
(Fonte: Embrapa)

Já no cultivo mínimo, é feito apenas um preparo leve do solo (revolvimento de camadas muito superficiais) com intuito de proporcionar a emergência de plantas daninhas, facilitando o manejo em pré-plantio. 

Em ambos, o arroz é semeado em solo seco. Outros sistemas de plantação de arroz irrigado são o sistema pré-germinado, mix e transplante de mudas.

Agora que você já sabe quais os principais sistemas de produção de arroz, veja 7 dicas que vão melhorar seu plantio. 

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Dica 1: Realize uma boa rotação de culturas 

O arroz, durante seu ciclo, libera toxinas em suas raízes que permanecem no solo e podem prejudicar seu próprio desenvolvimento.

A rotação de culturas minimiza essa situação, além de trazer benefícios já muito conhecidos como o manejo sustentável do solo; controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

Dica 2: Em áreas de arroz irrigado, faça um bom nivelamento do solo 

Após a colheita mecanizada, o solo geralmente fica com algumas irregularidades que devem ser corrigidas.

Assim, há uma melhor uniformização da lâmina de água, melhor controle de plantas daninhas e melhor distribuição de sementes no perfil do solo. 

Essa prática é essencial para plantio com sementes pré-germinadas. 

Dica 3: Cuidado com misturas varietais e de espécies de plantas daninhas  

Mistura varietal e contaminação com sementes de plantas daninhas, geralmente são evitadas pela aquisição de sementes de boa procedência e certificadas.

As sementes de plantas daninhas de arroz vermelho e arroz preto representam um grande problema para o cultivo do arroz, pois são variações da espécie Oryza sativa (mesma espécie do arroz).

Por isso, não temos herbicidas que sejam seletivos para arroz e que controlem essas plantas daninhas. 

Felizmente, as cultivares Clearfields (mutagênicos) permitem o controle dessas plantas daninhas, pois têm resistência aos herbicidas do grupo das imidazolinonas.    

mistura de sementes arroz

Mistura de sementes de arroz vermelho no arroz cultivado
(Fonte: Agrolink)

Dica 4: Cuidado com toxidez por ferro no cultivo do arroz irrigado

A toxicidade por ferro pode ser considerada um dos fatores mais limitantes para a produtividade do arroz irrigado. 

Fique atento a sintomas em folhas e nas raízes! 

As folhas podem ficar com coloração laranja-pálida e alaranjado escuro.

Elas podem apresentar menor quantidade de raízes, que serão mais curtas, grossas, podendo estar cobertas por uma substância avermelhada. 

Podemos adotar as seguintes medidas para amenizar o problema: 

  • Uso de cultivares tolerantes; 
  • Calagem
  • Adubação mais equilibrada (potássio e silício); e 
  • Manejo da água de irrigação.  

Dica 5: Quando necessário, realize uma boa calagem

A diminuição da acidez no solo é essencial para o cultivo do arroz. Isso porque, além de aumentar a produtividade, possibilita que outras culturas sejam cultivadas no sistema de rotação. 

Além disso, aumenta a disponibilidade de nutrientes no solo e sua absorção pelas raízes, melhorando as condições para o desenvolvimento de micro-organismos benéficos no solo. 

banner da planilha de calagem com uma tela de computador e texto explicativo

Dica 6: Escolha o espaçamento e número de sementes por metro adequado ao seu sistema de manejo 

Para arroz de terras altas, o espaçamento pode variar de 0,17m a 0,40m

Espaçamentos menores podem melhorar a produtividade, porém deixam o cultivo mais suscetível a doenças. A população de plantas deve ser de 200 a 300 sementes/m2.

Para o arroz irrigado, o espaçamento pode variar de 0,17 a 0,20 m e a população recomendada é de 400 sementes/m2.

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Dica 7: Tenha os custos de produção na palma da mão 

O cultivo do arroz, de modo geral, demanda muitas operações mecanizadas. E o preparo do solo e plantio estão entre as mais onerosas, podendo chegar 10% do custo total de produção.

Por isso, é muito importante que você tenha seus gastos de maneira detalhada. Isso facilita o planejamento de investimentos e despesas futuras.  

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Conclusão

O plantio do arroz está diretamente ligado à manutenção da produtividade. 

Neste artigo, falamos sobre o cultivo de arroz sequeiro e irrigado.

Mostramos as diferenças do plantio no sistema de cultivo convencional, SPD e cultivo mínimo. 

Separamos ainda algumas dicas que podem auxiliar a aumentar sua produtividade como a rotação de culturas, nivelamento do solo, misturas varietais, toxidez por ferro, calagem e custo de produção. 

E lembre-se: o plantio é primeiro passo para uma caminhada de sucesso! 

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Você teve alguma dificuldade no plantio de arroz nos últimos anos? Já utilizou alguma das dicas em sua lavoura? Adoraria ver seu comentário abaixo!