Agrometeorologia: veja a definição, usos e aplicações, importância e potencial para aumento da produtividade
A influência do clima na agricultura é muito delicada, sobretudo porque o clima tem sido cada vez mais extremo e imprevisível.
Veranicos longos, chuvas torrenciais, ventos muito fortes, temperaturas muito altas ou geadas bruscas têm sido cada vez mais normais.
A agrometeorologia estuda esses fenômenos. Seu conhecimento pode trazer grandes benefícios ao produtor, facilitando suas tomadas de decisão e trazendo vantagens na atividade agrícola.
Nesse artigo explicaremos, em detalhes, os diversos fatores relacionados à meteorologia agrícola. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
O que é meteorologia agrícola?
A agrometeorologia (ou meteorologia agrícola) é a parte da meteorologia que estuda as interações entre o clima e a atividade agrícola. Ela está relacionada à Engenharia Florestal, Agrícola e Agronômica, além da Zootecnia.
Isso inclui o estudo de diversos fatores que formam a condição do tempo atual como:
- Temperatura;
- Umidade do ar;
- Chuva;
- Vento;
- Radiação solar.
Ao analisar essas condições ao longo do tempo, é formada a definição de clima, que é estudado pela climatologia.
A agrometeorologia de cultivos estuda as condições ideais e as respostas de cultivos diversos às condições meteorológicas. Isso ajuda a entender sua resiliência e resistência a estes fatores.
Além disso, a meteorologia agrícola analisa e identifica a formação de microclimas. Microclimas são áreas com condições climáticas específicas e diferentes do clima predominante ao redor.
São alterações principalmente em parâmetros como temperatura e umidade do ar. Elas acontecem devido a fatores como a cultura agrícola, as características do solo, do relevo, da presença de cursos de água, da face de exposição ao sol, dentre outras.
Os microclimas são específicos de cada região e podem causar a necessidade de manejos específicos em áreas da propriedade. Por isso, uma análise detalhada de suas formações é essencial.
Agrometeorologia operacional: objetivos
Os objetivos do estudo da agrometeorologia podem ser definidos de acordo com sua aplicação nas atividades agrícolas e no tempo (cronológico). Esses estudos procuram identificar as condições ambientais atuais, passadas e futuras.
Esses conhecimentos são fundamentais na tomada de decisão. Esse processo é chamado de Agrometeorologia operacional. Afinal, ela define as operações agrícolas de acordo com a meteorologia.
Condições ambientais atuais
Ao estudar as condições atmosféricas na propriedade no presente momento ou no futuro próximo, o objetivo é tomar decisões sobre as atividades no curto prazo.
Exemplos: não se deve fazer pulverização de produtos fitossanitários se houver vento ou chuva.
Condições ambientais passadas
Ao estudar as condições atmosféricas passadas e o impacto delas no comportamento das culturas agrícolas, o objetivo é compreender as melhores maneiras de manejo quando essas condições se repitam.
Exemplo: quem produz aprende que determinada doença tende a ser mais rigorosa em anos de temperatura mais amena e maior umidade no ar.
Condições ambientais futuras
Ao prever condições atmosféricas futuras, o objetivo é diminuir os impactos delas na atividade agrícola através do planejamento de ações de manejo.
Exemplo: ao ter informações de que a tendência de geada é grande na região, quem produz pode utilizar da irrigação como método de diminuir os impactos do frio extremo.

Importância da agrometeorologia dos cultivos
Os estresses causados por condições atmosféricas não ideais aos cultivos agrícolas são diretamente responsáveis por grande parte das perdas de produtividade. São exemplos desses estresses:
- Seca ou inundação (estresse hídrico);
- Frio extremo ou temperaturas altas (estresse térmico);
- Chuvas de granizo;
- Ventos fortes e ciclones, dentre outros.
Além disso, outra parte das perdas da produtividade são causadas por ataques de pragas e doenças, que também estão relacionados às condições do ambiente.
Por exemplo, a cercosporiose na soja, que causa cerca de 30% de perda de produtividade, tem maior incidência em alta umidade e em temperaturas entre 23 e 27 graus.
A agrometeorologia é importante para aumentar a capacidade de compreensão dos produtores sobre a influência do clima. Além disso, ela dá maiores possibilidades de prever e planejar ações de mitigação das perdas, aumentando produtividade.

(Fonte: AgSolve)
Quais as aplicações da Agrometeorologia na propriedade?
Você pode se perguntar como aplicar esses conhecimentos na prática. Veja alguns exemplos para ilustrar.
Estação meteorológica ou Agromet, da Embrapa
Cada dia mais o uso de tecnologia no campo tem ocupado seu espaço, principalmente após o surgimento das chamadas Agricultura 4.0 e Agricultura 5.0.
Esses conceitos se baseiam bastante no uso de dados detalhados da propriedade para controle e eficiência de processos.
As características do tempo e do clima são cruciais para aumentar a eficiência da produção agrícola. Esses dados podem ser conseguidos, por exemplo, por meio de uma estação meteorológica instalada na fazendo.
Isso permite o conhecimento das condições a que a cultura tem sido ou será exposta e auxilia na tomada de decisões.
Há também a possibilidade de se obter dados através de sites ou aplicativos gratuitos, como o portal AgroMet da Embrapa. Porém, eles são de abrangência mais geral e não específicos para micro-regiões.
Assim, é comum que muitas fazendas modernas já utilizem dados de estações em combinação com outros sensores para decidir quando e como efetuar atividades. Isso acaba aumentando a eficiência de processos e a produtividade.
Plantio
Data de plantio: normalmente há muitas dúvidas sobre a data de plantio de culturas anuais, principalmente após o início das chuvas após estiagem. Conhecendo as previsões de chuva e os níveis de água no solo, fica mais seguro decidir a data de plantio.
Além disso, conhecer características como temperaturas máximas e mínimas, incidência de vento e insolação e umidade do solo têm muitas vantagens. Por exemplo, fica mais fácil decidir quais culturas serão implantadas em cada área da fazenda.
Manejo
A decisão por irrigar ou não uma lavoura pode ser tomada em conjunto com dados de umidade do ar e do solo, de chuvas acumuladas ou previstas e da evapotranspiração da cultura.
Além disso, a pulverização não é recomendada em certos níveis de incidência de vento. Se há previsão de chuva ou o molhamento foliar é muito grande, pode ocorrer diluição ou lavagem do produto, diminuindo ou anulando sua eficiência.
Conhecendo as características de umidade do ar e temperatura, fica mais fácil prever a chance de ataque e expansão de algumas doenças de plantas. Esse conhecimento também auxilia na previsão da produtividade.
A combinação de dados como disponibilidade de água, temperatura acumulada e evapotranspiração podem ser usados em modelos para a previsão de produção de lavouras específicas.
Colheita e pós-colheita
A colheita, principalmente de grãos, é bastante relacionada ao grau de umidade das plantas. De posse da informação das últimas chuvas e temperaturas e da previsão pros dias seguintes, fica fácil decidir sobre quando colher com perdas menores.
Ainda, para produtos que demandam secagem, por exemplo, o conhecimento das condições de chuva e temperatura facilitam a decisão de processos. Isso ocorre principalmente em condições de secagem natural.

(Fonte: shutterstock)
Conclusão
Conhecer as condições climáticas de sua região e os microclimas de sua propriedade é um fator crucial para o sucesso da atividade agrícola.
Esses dados, juntamente com novas tecnologias de mapeamento de plantas e solo, são combinados com maquinários inteligentes e geolocalização.
Em conjunto, eles permitem um manejo mais eficiente das lavouras.
Pensando em aplicar a agrometeorologia na sua fazenda? Já sabe por onde começar? Deixe seu comentário abaixo!