Capim-colonião: Época certa para controle, quais herbicidas utilizar e as principais dicas para evitar o prejuízo da lavoura

O capim-colonião é uma forrageira muito utilizada para alimentação animal, por sua adaptação ao clima do país e grande capacidade de crescer e se desenvolver. 

Forma uma grande quantidade de massa verde, podendo chegar a 3 m de altura. 

Porém, essa grande capacidade de crescer e se desenvolver rapidamente é muito prejudicial quando infesta algum cultivo, diminuindo muito a produtividade

Quer saber como fazer um manejo eficiente de capim-colonião? A seguir, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Capim-colonião: Principais pontos sobre essa planta daninha

O capim-colonião (Panicum maximum Jacq.) é uma planta daninha de ciclo perene, que tem reprodução por sementes e de forma vegetativa (rizomas). 

Seu florescimento ocorre durante um longo período. É comum encontrar plantas florescendo e frutificando durante todo o ano. 

A produção de rizomas subterrâneos possibilita a fácil recuperação de danos mecânicos na parte aérea, como roçadas. 

capim colonião

Plantas adultas de capim-colonião (Panicum maximum

(Fonte:Tropical forages)

Essa planta daninha tolera ambientes secos por um curto período, não tolerando também  solos encharcados por longo período. 

Além disso, é bastante suscetível a geadas.  

O capim-colonião pode ser encontrado em quase todas as regiões do país, infestando principalmente a cultura da cana-de-açúcar, citros e grãos. 

Não tolera temperaturas mais frias, por isso não é muito encontrada em todas as regiões do país. 

Como esta espécie é utilizada como forrageira, o tipo de variedade encontrada na região geralmente depende muito do que os agricultores costumam produzir.

E, devido ao manejo incorreto, acabaram produzindo sementes que infestam outras áreas. 

Sua ampla dispersão está associada à capacidade de produzir uma grande quantidade de sementes (mais de 120 mil sementes por planta), que são facilmente disseminadas pelo vento durante todo o ano.

capim colonião

(Fonte: USDA Plants)

Suas sementes possuem maior capacidade de germinação em temperaturas entre 20ºC e 30ºC. Por isso, a alta germinação pode ocorrer o ano todo, dependendo da região do país.

Alguns pesquisadores afirmam que daninhas são plantas cuja utilização ainda não foi descoberta. Porém, no caso do capim-colonião, sua utilização já foi descoberta!

Por isso falaremos dos benefícios de utilizar esta espécie como forrageira e dos malefícios de tê-la como invasora. 

Benefícios do capim-colonião

É uma ótima forrageira para regiões quentes e com boa distribuição de chuvas, pois produz um grande quantidade de massa verde, com boa palatabilidade para o gado. 

Além disso, pode ser usada na fitorremediação de solos que contêm metais pesados

As plantas novas chegam a conter 13% de proteína!

Malefícios do capim-colonião

Essa planta é problema principalmente na cultura da cana-de-açúcar, pois, no início de seu desenvolvimento, se assemelha à cultura, dificultando o controle.  

Lembrando que, quando utilizada como forrageira, essa planta não chega a florescer!

Além disso, pode ocorrer acúmulo de glicosídeos cianogênicos em sua inflorescência, o que intoxica rapidamente os animais que a consomem.

capim colonião

Inflorescência de capim-colonião (Panicum maximum

(Fonte:Conabio)

Dessa forma, pode ser muito prejudicial quando infesta uma área de pastagem ou de integração lavoura-pecuária. 

Além disso, pode ser hospedeira de nematoides

capim colonião

(Fonte: USDA Plants)

Manejo de capim-colonião na entressafra do sistema soja-milho

Herbicidas aplicados em  pós-emergência: 

Cletodim

Possui ótimo controle de plantas pequenas (20 cm a 40 cm) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendada dose de 0,40 a 0,45 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas pequenas (20 cm a 40 cm) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável na dose de 0,5 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. Porém, existem outros produtos com ótimo desempenho, que seguem a mesma lógica de manejo. 

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas, deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois este herbicida reduz sua eficiência. 

Glifosato

Possui ótimo controle (20 cm a 40 cm) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes), na dose de 5,0 a 6,0 L ha-1

cultivares de panicum maximum

(Disponível em Bueno e Pereira

Herbicidas aplicados em pré-emergência:

Flumioxazin 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas e imazetapir); ou no sistema de aplique plante da soja, na dose de 90 a 120 g ha-1.

S-metolachlor 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 2,5 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos. 

Trifluralina 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). Recomendada dose de 0,9 a 4,0 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. 

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

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Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas maiores na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros). 

Em caso de soja RR, podem ser associados ao glifosato

Em áreas com grande infestação devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes (flumioxazin e s-metolachlor) no sistema de “aplique plante” para diminuir o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência.

O inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações. Assim pode-se controlar os diferentes fluxos de emergência ocasionados pela dormência das sementes. 

O controle de capim-colonião no milho é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea e existem poucas opções que são seletivas ao milho e controlem capim-colonião. 

Para controle do banco de sementes, podemos aplicar herbicidas pré-emergentes em sistema de “aplique plante” (ex:trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole). 

Para controle de plântulas em estádio inicial (20 cm a 30 cm) temos as seguintes opções: 

  • Nicosulfuron
  • Atrazina+mesotrione
  • Atrazina+mesotrione.   

Em caso de milho RR ou LL, podem ser utilizados glifosato ou amônio-glufosinato, respectivamente, para controle desta planta daninha em pós-emergência. 

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que o capim-colonião possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos. 

Entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la. 

E vimos algumas estratégias de manejo para controle eficiente, evitando seleção de resistência. 

Com essas dicas, espero que você consiga realizar um manejo eficiente do capim-colonião!

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Como você controla a infestação de capim-colonião na lavoura hoje? Adoraria ver seu comentário abaixo!