Capim-pé-de-galinha: Época certa para controle, quais herbicidas utilizar e as principais dicas para minimizar casos de resistência e evitar prejuízos.

A Eleusine indica, conhecida no Brasil como capim-pé-de-galinha, é uma das 5 plantas daninhas mais problemáticas do mundo.

E o que mais preocupa os agricultores brasileiros é o número de casos de resistência que esta espécie apresenta ao redor do mundo.

Já há populações dessa daninha resistentes a 8 mecanismos de ação de herbicidas, que afetam 10 países.

Quer saber como fazer um manejo eficiente de capim-pé-de-galinha? A seguir, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!


Capim-pé-de-galinha: Principais pontos sobre essa planta daninha

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é uma espécie de planta daninha de ciclo anual.  Infesta lavouras anuais e perenes, se desenvolvendo bem em qualquer tipo de solo.

Seu ciclo de vida pode durar de 120 a 180 dias, dependendo da região. Sua reprodução ocorre via sementes.

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Plantas adultas de capim-pé-de-galinha, daninha que é uma planta de ciclo anual
(Fonte: Rodrigo Martinelli)

O capim-pé-de-galinha pode ser encontrado em quase todas as regiões do país, infestando a maioria dos cultivos de grãos.

Sua ampla dispersão está associada à capacidade de produzir uma grande quantidade de sementes (mais de 120 mil sementes por planta), que são facilmente disseminadas pelo vento durante todo o ano.

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Sementes de capim-pé-de-galinha
(Fonte: Weedimages)

Suas sementes possuem maior capacidade de germinação em temperaturas entre 35°C a 20°C.  Por isso, a alta germinação pode ocorrer o ano todo, dependendo da região do país.

É muito importante realizar o correto controle de capim-pé-de-galinha, pois essa planta daninha pode ser “ponte verde” para  doenças que afetam plantas cultivadas.

O  capim-pé-de-galinha pode ser hospedeiro de agentes patogênicos que atacam cultivares de importância econômica. Pode ser hospedeiro, por exemplo, do vírus do mosaico listrado do milho, de alguns fungos e do nematóide das galhas.  

O problema da resistência do capim-pé-de-galinha no Brasil

O primeiro caso de resistência de capim-pé-de-galinha a herbicida no Brasil foi registrado em 2003. Na ocasião, houve seleção de uma população resistente dessa planta a alguns herbicidas Inibidores da ACCase (graminicidas), no Rio Grande do Sul.

Porém, este caso não foi tão alarmante, pois estas plantas eram resistentes a alguns graminicidas específicos. Mas, continuavam sendo controladas pelos dois graminicidas mais usados no país: clethodim e haloxyfop.

Além disso, poucos anos depois houve grande expansão dos cultivos RR e o capim-pé-de-galinha era facilmente controlado com glifosato.

Treze anos, depois devido ao uso indiscriminado do glifosato, ocorreu a seleção de populações de capim-pé-de-galinha resistentes no centro-oeste do Paraná.

Nesse momento, os produtores brasileiros começaram a ter maior preocupação com essa espécie. Isso porque não existem muitas opções no mercado para controle eficiente de graminicidas perenizadas.

No ano seguinte, ocorreu o que os produtores mais temiam. Houve registro de uma população com resistência múltipla a inibidores da ACCase (graminicidas) e ao glifosato.

Essa população tem resistência aos herbicidas glifosato, fenoxaprop e haloxyfop.

O grande problema é que essa espécie possui grande histórico de infestação e resistência a herbicidas em vários países.

Além do casos registrados no Brasil, foram relatados 30 casos de resistência em outros dez países.

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Lavoura de algodão infestada com capim-pé-de-galinha com resistência a herbicidas inibidores da ACCase
(Foto: Edson Andrade Junior em Circular Técnica ImaMT)

Veja casos de resistência simples de capim-pé-de-galinha a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs (ex: glifosato)
  • Inibidor do Fotossistema I (ex: paraquat)
  • Inibidor da ACCase (ex: cletodim)
  • Inibidor da ALS (ex: imazapyr)
  • Inibidor da formação de microtúbulos (ex: trifluralina)
  • Inibidor do Fotossistema II (ex: metribuzin)
  • Inibidor da Protox (ex: oxadiazon).

Casos de resistência múltipla de capim-pé-de-galinha a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs + Inibidor da ACCase
  • Inibidor da EPSPs + Inibidor do Fotossistema I
  • Inibidor da GS + Inibidor do Fotossistema I
  • Inibidor da EPSPs + Inibidor da ACCase + Inibidor da GS (ex: glufosinato) + Inibidor do Fotossistema I

>> Leia mais: “Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso
>> Leia mais: “O guia do manejo eficiente da buva

Manejo de capim-pé-de-galinha na entressafra do sistema soja-milho

A entressafra com certeza é o momento ideal para realizar um manejo eficiente do capim-pé-de-galinha, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas!

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 1 perfilho, pois as chances de sucesso são maiores!

Herbicidas aplicados em pós-emergência:

Os casos de resistência a inibidores da ACCase e glifosato ainda não estão extensamente disseminados no Brasil. Desse modo, a recomendação desses herbicidas dependerá do histórico da área.

Cletodim

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,5 a 1,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,55 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. Porém, existem outros produtos com ótimo desempenho que seguem a mesma lógica de manejo.

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas, deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois esse herbicida reduz sua eficiência.

Glifosato

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes). Recomendável dose de 2,0 a 3,0 L ha-1.

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 1 perfilho) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendável dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v.

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Capim-pé-de-galinha é relativamente resistente à seca e também às altas umidades
(Fonte: Weeds)

Herbicidas aplicados em pré-emergência:

Diclosulam

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas). O solo deve estar úmido. Recomendações de dose de 29,8 a 41,7 g ha-1.

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendável dose de 70 a 120 g ha-1.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos.

Trifluralina

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). Recomendável dose 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões.

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

>> Leia mais: “Como fazer o manejo eficiente do capim-colchão

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas maiores na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros).

Em caso de soja RR, podem ser associados ao glifosato.

Em áreas com grande infestação, devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes (diclosulam, flumioxazin e s-metolachlor) no sistema de “aplique plante”. Assim, diminui-se o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência.

A inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações.

O controle de capim-pé-de-galinha no milho é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea. Existem poucas opções que são seletivas ao milho e controlam capim-pé-de-galinha.

Para controle do banco de sementes podemos aplicar herbicidas pré-emergentes em sistema de “aplique plante” (ex:trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole).

Para controle de plântulas em estádio inicial (até 1 perfilho) temos as seguintes opções:

Porém, não há opções eficientes para controle de plantas mais desenvolvidas ou perenizadas.   

>> Leia mais:  “Como fazer o manejo eficiente do capim-colonião”

 

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que o capim-pé-de-galinha possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

Entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la.

Vimos ainda algumas estratégias de manejo para controle eficiente, evitando seleção de resistência.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente do capim-pé-de-galinha!

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Como você controla a infestação de capim-pé-de-linha na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!