Colheita de soja no Mato Grosso: respondemos as principais dúvidas para minimizar as perdas da lavoura durante esse processo.
A soja é um dos principais carros-chefes da agricultura mato-grossense. Nesta safra 2019/20, bateu-se recordes de área, produção e produtividade.
Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a produtividade e a área plantada de soja neste estado cresceram quase 10% nos últimos cinco anos.
Já a produção total teve um aumento de quase 20% no mesmo período.
Mas com os altos custos de produção dessa safra de soja, cerca de 8% a mais que da safra anterior, minimizar as perdas é essencial.
Veja a seguir 7 problemas na colheita da soja no MT e como solucioná-los para maximizar os ganhos na propriedade!
Índice do Conteúdo
Desafios da colheita de soja no Mato Grosso em 2020
Recentemente, o preço da saca esteve acima dos R$ 70 e aumentou as expectativas de renda. Ainda mais em um ano em que o custo médio de produção ficou perto dos R$ 4 mil por hectare.

Evolução do percentual de área colhida de soja em Mato Grosso
(Fonte: Canal Rural)
Sendo assim, o desafio enfrentado pelo produtor são as perdas na colheita, que variam entre 5% e 10% no Brasil e até 15% em casos extremos.
Contudo, podem ser reduzidas a 1% tomando os cuidados necessários.
Essas perdas na colheita de soja estão ligadas principalmente às regulagens na colhedora, chegando a representar até 80%.
Já as perdas pela formação e manejo da lavoura representam no mínimo 20% das perdas totais. O ideal recomendado é que não ultrapassem 60 kg ou uma saca por hectare.
No estado do Mato Grosso, a colheita da safra de soja é sempre uma atividade feita com uma janela curta de tempo, seja devido à segunda safra de algodão ou milho, ou ainda, pelas condições climáticas.
Listamos aqui os principais problemas na colheita de soja no Mato Grosso e como ficar atento para evitá-los ou solucioná-los. Confira!
Perdas devidas ao manejo e formação da lavoura
1. Plantas baixas
Plantas com porte baixo (abaixo dos 60 cm) favorecem a formação de vagens e de hastes muito próximas ao solo.
Isso aumenta as chances de perda por conta da altura de corte da plataforma e a quebra de ramos e de vagens.
Solução
Ficar atento à época de semeadura e à população de plantas.
Semeaduras tardias tendem a diminuir o tempo de vegetação das plantas e o porte delas, assim como a baixa população de plantas favorece esse processo.
2. Acamamento
Plantas deitadas não são recolhidas pela máquina, causando uma das maiores perdas na colheita.
O uso de cultivares e população de plantas não adequados à colheita mecanizada podem gerar e agravar esse problema.
Solução
Populações de plantas maiores que as recomendadas tendem a aumentar o porte da lavoura, levando ao acamamento.
Dessa forma, a solução aqui é usar a população e as cultivares corretas para a sua região.
3. Preparo do solo
O preparo incorreto do solo bem como a abertura de novas áreas podem gerar um relevo acidentado.
Acidentes de relevo geram problemas na plataforma de corte das colhedoras, principalmente nas que possuem plataforma fixa.
Solução
Os preparos físicos e químicos corretos do solo permitem o melhor desenvolvimento da planta e aumentam a performance da colhedora, diminuindo assim as perdas.
4. Plantas daninhas
Temos dois problemas neste tópico, um relacionado à competição com as daninhas no início do ciclo da soja, o que causa baixo porte de plantas e pode gerar várias dificuldades na colheita relacionadas à altura das plantas.
Outro problema é referente à infestação tardia das daninhas na lavoura.
Isso faz com que a umidade permaneça alta por mais tempo, prejudicando a velocidade da colheita, exigindo maior velocidade do cilindro trilhador e maior altura de corte da plataforma.
Desta forma, aumenta-se o dano mecânico aos grãos e a incidência de fungos, além da perda de vagens colhidas com a maior altura da plataforma de corte.
Solução
A melhor solução para isto é a prevenção.
Um estande bem formado de plantas, com palha no solo e um bom controle de daninhas diminuem e muito as chances de se ter problemas com o mato no final do ciclo.
Mas em outro caso, uma última saída é o controle do mato com alguma aplicação adicional ou a dessecação da soja.
Colheita de Soja no Mato Grosso: Perdas durante o processo
5. Corte e alimentação da colhedora
Mau posicionamento do molinete e alta velocidade aumentam a debulha das vagens e acamamento das plantas, as que não são recolhidas.
Assim, cortes realizados acima dos 12 cm aumentam as perdas totais em 9% a 12%.
Solução
O uso de molinete com garras diminui as perdas por impactos (debulha das vagens), assim como a velocidade correta de rotação.
Quanto à plataforma de corte, o melhor ajuste em relação ao solo, com altura média de 9 cm a 12 cm, diminui a quantidade de grãos perdidos.
6. Colheita de soja no Mato Grosso: Trilha
Alta velocidade de colheita e do cilindro debulhador intensificam a quantidade de material no cilindro trilhador.
Assim, consequentemente se aumenta o número de vagens não debulhadas.
Já a baixa velocidade de colheita, sendo que a quantidade de material no cilindro é pequena, aumenta-se a chance de injúrias nos grãos.
Solução
A velocidade correta da colhedora diminui em grande parte as perdas na trilha, assim como a umidade correta dos grãos durante a colheita, já que diminui as chances de injúrias.

(Fonte: Mato Grosso Econômico)
7. Separação e Limpeza
Outro fator importante para a colheita de soja no Mato Grosso e em outros estados é que a velocidade excessiva do saca palhas, regulagem inadequada das peneiras e do ventilador também provocam perdas de grãos.
Solução
A velocidade correta do cilindro debulhador, que controla a palha que vai para o saca palhas, assim como a regulagem correta das peneiras e do ventilador reduzem as perdas na separação e limpeza dos grãos na colhedora.
Otimize a colheita de soja para evitar problemas
A performance da colheita da soja depende em grande parte do planejamento de todo o ciclo da lavoura.
O momento da semeadura é de grande importância pois a população de plantas utilizada e a cultivar vão ditar o porte e a altura das vagens, o que influenciará diretamente nas perdas durante a colheita.
Também devem ser levados em consideração a adubação correta e o manejo do solo, que influenciam diretamente nas perdas, como vimos acima.
Com tudo isso em mente, sabe-se que o planejamento é o principal meio de diminuir as perdas na colheita.
Pensando nisso, com o uso de um software é possível acompanhar os históricos das áreas, planejar e criar alertar para aplicações e manutenção das máquinas.
O software Aegro, por exemplo, possui todas as ferramentas para que os produtores possam planejar toda a safra, do plantio, caixa da fazenda, até a colheita!

Planejamento e registro da atividade da colheita pelo aplicativo do software Aegro
Conclusão
Neste texto, vimos onde acontecem as principais perdas na colheita de soja no Mato Grosso e em outras regiões.
Mostramos também como o planejamento é fundamental para diminuir essas perdas que podem chegar em até 15% nas propriedades rurais.
A diminuição das perdas na colheita pode ser revertida sem o aumento dos gastos e isso impacta diretamente na lucratividade dentro da fazenda.
Dessa forma, o aumento dos lucros na propriedade eleva também a competitividade do setor frente ao mercado internacional, mostrando cada vez mais a grandeza do agro brasileiro.
Tem mais dúvidas quanto à colheita de soja no Mato Grosso? Quer compartilhar suas experiências com a gente? Deixe o seu comentário abaixo!