Desafios da cultura da soja: como se preparar e alcançar melhores resultados em sua lavoura

Cultura da soja: preparo do solo, escolha da cultivar, custeio, controle de estoque e muito mais!

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, com produtividades impressionantes, sendo o Mato Grosso, Paraná e o Rio Grande do Sul os maiores produtores do país.

Para conseguir atingir esses níveis altos de produtividade da cultura da soja, como você está se preparando?

Com a tendência de aumentar as áreas cultivadas e a produtividade, é importante realizar o planejamento da safra para garantir, além de produtividade, mais rentabilidade.

Por isso, separei alguns pontos que vão te ajudar a se planejar para a safra e alcançar resultados incríveis.

Produtividade da cultura da soja nos estados brasileiros

A maioria dos estados brasileiros têm áreas produtoras da cultura da soja. Os principais em relação à área plantada são o Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná.

Em relação à produção e produtividade, o Mato Grosso se mantém como principal estado, seguido do Paraná e Rio Grande do Sul.

A média de produtividade é semelhante em todos os estados e, a cada ano, com aumento de investimentos e de tecnologia, tende a aumentar cada vez mais.

Segundo dados da Embrapa, o Brasil tem média de produtividade de 3.379 kg/ha, sendo o maior produtor mundial do grão, seguido dos Estados Unidos, com média de 3.187 kg/ha.

Veja a seguir os números de área, produção e produtividade dos estados brasileiros na última década:

gráfico da área da cultura da soja na última década, relação de hectares com estados
gráfrico da produção da cultura da soja na última década, relação de toneladas com estados
gráfico da produtividade da cultura da soja na última década, relação de quilos por hectare com estados

(Fonte: adaptado de Conab)

Custeio de safra da cultura da soja

Todo ano, o governo federal anuncia o Plano Safra do próximo ano agrícola.

Do total disponível pelo plano, há uma porcentagem destinada ao custeio e comercialização dos produtos agrícolas.

Este custeio antecipado permite ao agricultor realizar negociações e efetuar a compra dos insumos por um preço mais baixo.

Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), as operações se destinam a financiar a cultura da soja, milho, arroz, algodão e café.

O crédito rural é um financiamento destinado a produtores, cooperativas e associações de produtores.

Você pode obter esse crédito de custeio até mesmo pelo aplicativo do Banco do Brasil.

Para conseguir o empréstimo são necessários alguns documentos, um deles é o orçamento ou projeto técnico de sua cultura da soja.

Nesse documento deverá ser apresentado todo seu planejamento de safra, incluindo os custos de produção planejados.

Você pode fazer esse planejamento manualmente ou através de um software de gestão agrícola, como o Aegro, é fácil e rápido, agilizando e modernizando seu planejamento:

Módulo IV - Custo orçado Aegro

Faça o orçamento inicial da cultura da soja

É neste momento que será possível identificar os gastos da produção da safra, assim como seu orçamento por talhão.

Realizar o orçamento possibilita identificar quais economias são possíveis de serem aplicadas e quais gastos são essenciais e devem permanecer no planejamento.

Para ter um planejamento bem estruturado, é importante ir a campo, observar os talhões para saber as medidas que deve tomar em cada um deles.

Pense também em adotar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), podendo reduzir o número de aplicações e aumentar a eficiência do seu manejo.

Outro ponto é rever os custos das safras anteriores e o histórico de suas áreas. Assim, você saberá se é possível reduzir alguns insumos em determinados talhões ou se algum talhão precisa de um manejo adicional.

O orçamento também é importante para que, após a safra, você veja seu gasto efetivo comparando com o que foi planejado, obtendo maior controle de suas finanças.

Comece sua cultura da soja “no limpo”

O manejo de plantas daninhas na pós-colheita da safrinha é de extrema importância para reduzir a matocompetição inicial entre a cultura da soja e as plantas invasoras.

Se a sua área apresentar alto nível de infestação ou plantas daninhas de difícil controle, recomendo que você faça a dessecação antecipada.

Essa dessecação consiste em:

  • 20 dias antes do plantio: aplicação de um herbicida sistêmico, como o glifosato;
  • Próximo à semeadura: aplicar herbicida de contato, como o diquat.

É interessante também associar um herbicida pré-emergente no momento do plantio da soja, garantindo o controle de invasoras no início da cultura.

Adotando as práticas acima é possível ter um ganho de produtividade, pois se cria condições ideais para o plantio (germinação e emergência da planta de forma uniforme).

Além disso, não tem como falar de invasoras sem comentar o aumento de plantas daninhas resistentes à molécula do glifosato nas lavouras.

Hoje, agricultores recorrem a misturas de herbicidas para conseguir obter um controle mais eficiente nas aplicações e manter suas lavouras no limpo.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste aconselha:

“Mesmo que a adoção da cultivar convencional seja praticada em apenas uma parte da propriedade, o ideal é que seja feita a rotação de cultivares (convencional/transgênica), para que o manejo diferenciado de herbicidas passe por toda a área de produção”

Preparo do solo para a cultura da soja

O plantio direto na soja está presente na maioria das lavouras do Brasil. Ele potencializa a produção e proporciona um manejo sustentável para o solo.

Mas devemos lembrar a importância de preparar o solo para iniciar uma safra ou mesmo ao iniciar a prática de plantio direto.

Para iniciá-lo é preciso realizar a análise de solo para cada uma de suas áreas. O ideal é que seja realizado pelo menos uma vez por ano.

Também é interessante realizar a análise no mínimo 3 meses antes do início da safra. Desta forma, há tempo de corrigir o solo antes do plantio.

Com a análise de solos em mãos é possível determinar as medidas de correção (calagem e gessagem, por exemplo) e adubação que serão necessárias para cada talhão, aplicando apenas o necessário.

cálculo de calagem Aegro

Escolha qual ou quais cultivares utilizar para formar sua lavoura de soja

A escolha da cultivar deve sempre considerar a adaptação à região em que será plantada.

O Ministério da Agricultura lança anualmente uma portaria onde são definidas as cultivares de soja que o agricultor pode utilizar na sua região pelo Zoneamento Agroclimático.

Outro ponto que deve ser considerado é o ciclo da cultivar escolhida.

Principalmente para aqueles agricultores que realizam a safrinha, é importante o uso de cultivares mais precoces, para que o milho não tenha problemas com seca ou frio.

Ainda falando sobre sementes, há alguns pontos que precisam ser avaliados:

Qualidade da semente

A qualidade da semente depende dos aspectos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários.

Sementes de alta qualidade apresentam alto vigor, que reflete diretamente na formação do seu estande. Elas permitem uma uniformidade no desenvolvimento das plantas no campo e uma emergência rápida.

Apresentam ainda maior tolerância em condições de estresse, como época de seca, por exemplo.

Semente convencional x Semente transgênica

Hoje temos no mercado dois tipos de sementes: a convencional e as transgênicas.

A soja convencional não possui alterações genéticas e, por isso, geralmente tem um valor mais baixo em relação às transgênicas.

Alguns produtores têm optado por utilizar cultivares convencionais devido ao acréscimo de R$ 5 a R$ 12 por saca comercializada, dependendo da região.

Para auxiliar esses produtores, a Aprosoja Mato Grosso e a Embrapa criaram, em 2017, o Instituto Soja Livre.

Já com a utilização de cultivares transgênicas, os produtores têm mais flexibilidade na utilização de produtos para controle de pragas, plantas daninhas, entre outros.

Variedade de características presentes em cultivares de soja transgênicas em porcentagens

Variedade de características presentes em cultivares de soja transgênicas
(Fonte: CropLife Brasil)

Como exemplo de tolerância a herbicidas, temos a soja RR, tolerante à molécula do glifosato e que hoje é cultivada em mais de 90% da área de soja brasileira.

Outro exemplo conhecido é a soja Intacta RR2 PRO, que lista 3 benefícios aos agricultores como vemos na figura abaixo:

foto de uma vagem de soja mostrando os três benefícios da Intacta RR2 Pro, sendo: Proteção contra as principais lagartas da cultura da soja, potencial aumento da produtividade e tolerância ao glifosato proporcionada pela tecnologia Roundup Ready (RR2)

(Fonte: Intacta RR2 PRO)

Outra tecnologia recente é a 3ª geração de soja transgênica, a Intacta2 Xtend, tolerante aos herbicidas Dicamba e glifosato, além de oferecer proteção contra alguns gêneros de lagartas.

Dentre tantas opções, qual semente utilizar pode se tornar uma escolha difícil.

Mas, se você conhecer a fundo sua fazenda, sabendo se há plantas daninhas resistentes, por exemplo, terá uma decisão muito mais certeira e segura.

Estoque enxuto, dinheiro em movimento

Ter produtos parados no estoque pode prejudicar suas finanças. Insumo parado no estoque é sinônimo de dinheiro parado. Ou seja, é capital que poderia ter sido investido em outras ações para melhorar a sua fazenda.

Manter um estoque enxuto, com produtos que atendem apenas às demandas do momento, é importante para manter um estoque organizado.

Tente programar com os seus fornecedores os momentos das entregas e que ocorra com maior frequência, de modo que o estoque na sua propriedade seja baixo. Assim, você sempre terá produtos dentro do prazo de validade e úteis para sua lavoura.

Mas para isso é importante ter anotado os produtos em estoque, a quantidade disponível, preços, prazos de validade, histórico de entrada e saída.

Uma maneira de você não se perder nas anotações é  automatizar as informações do seu estoque. Assim você entende, de forma fácil, como está a rotatividade dos produtos na sua propriedade e nos seus talhões, além dos custos envolvidos.

O interessante é que você tenha as seguintes informações:

  • cadastro de todos os produtos;
  • os seus respectivos preços;
  • indique em qual estoque está este produto;
  • o volume inicial e o volume final.

Não se esqueça de realizar todas as entradas e saídas. Dessa maneira, sempre será possível verificar se há necessidade de adquirir novos produtos.

Além disso, ter um histórico dos preços dos insumos da safra anterior proporciona a você mais argumentos para o momento da negociação!

Você pode começar a automatizar seu estoque pela planilha gratuita que disponibilizamos aqui.

planilha de controle de estoque Aegro, baixe grátis

Ou, então, tornar o seu controle de estoque rural ainda mais eficiente com ajuda de um software agrícola.

Comercialização da soja

Para comercialização, considerar se o cultivar que semeou é convencional ou transgênico é muito importante.

Se você utilizará parte da área com convencional e parte transgênica, atenção à limpeza das máquinas para evitar contaminação. Caso ocorra, você pode perder sua bonificação na hora de comercializar!

Outro ponto é: para escolher entre uma semente transgênica ou convencional, é importante analisar os custos da produção de cada uma delas e a comercialização na sua região.

Nesse sentido, certifique-se de que há silos disponíveis para entregar a produção. Isso porque há casos em que os silos estão cheios e a soja poderá ser levada até outro município, encarecendo o produto.

Por isso, é importante verificar na sua região a disponibilidade dos silos que recebem sementes convencionais.

É essencial também pensar em qual será seu custo total para ter certeza da tomada de decisão de venda.

Se você não sabe seu custo, não é possível saber qual preço de venda compensa. Assim, não é possível fazer contrato de venda futura, o que poderia aumentar sua rentabilidade.

Realizando a gestão da sua propriedade é possível chegar a esta resposta. Faça um planejamento em planilhas, cadernos ou softwares de todos os gastos para realizar o plantio.

Mantenha um planejamento de insumos, gastos com os maquinários, mão de obra e demais custos envolvidos.

Assim, você saberá a viabilidade da cultura da soja, sabendo ao final da safra se o planejamento foi cumprido.

Por meio de registros durante a safra você ainda poderá saber sua rentabilidade por um preço projetado de venda.

Foto de pilhas de papeis, com chamada para baixar o guia de software

Conclusão

Realizar um planejamento de safra é essencial para obter economia e evitar desperdícios que levam a gastos desnecessários.

Determinar os insumos e cultivares que serão utilizados permite o controle da fazenda, com menor chance de erros.

Pesquisar na região as possibilidades de entrega da produção também ajuda na escolha da semente e no planejamento da colheita.

Tudo isso resulta em menos desperdícios de insumos e de investimentos, otimizando os custos de sua safra.

Além disso, tenho certeza que um bom planejamento inicial o levará a uma ótima produtividade!

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Como você faz hoje seu orçamento da safra para a cultura da soja? Já sabe a produtividade esperada de suas áreas e quais os custos envolvidos? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Carina Oliveira Redatora

Atualizado em 07 de dezembro de 2020 por Carina Oliveira
Agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestra em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

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