Dia do engenheiro agrônomo: Por que escolher essa profissão, como é ser eng. agrônomo hoje, desafios da carreira e muito mais!
Se você se formou em engenharia agronômica e não ouviu que essa é a profissão do futuro, então você, no mínimo, faltou em muitas aulas. E churrascos!
Mas a verdade é que a profissão do futuro se encontra em tempos em que sentimos que o futuro já chegou.
O lado bom é que a profissão continua sendo essencial. O lado ruim é que os desafios parecem ser ainda maiores.
Para nos homenagear nesta data, nada melhor do que deixar os amigos de profissão falarem sobre o assunto.
Reunimos engenheiros e engenheiras de diversas áreas e pedimos que respondessem a algumas perguntas.
O resultado é uma diversidade de pensamentos, mas com um único sentimento: produzir mais e cada vez melhor para alimentar e mover o mundo.
Índice do Conteúdo
Por que engenharia agronômica?
Em 12 de outubro comemoramos o dia do engenheiro agrônomo, já que a regulamentação do exercício da profissão ocorreu nesta data, no ano de 1933, através do Decreto Presidencial 23.196.
Mas por que as pessoas escolhem essa profissão?
Você pode pensar que todos têm ligação familiar com o campo, filhos e filhas de produtores, bem como a maioria dos aqui entrevistados. Uma escolha natural e um tanto estratégica para a sucessão familiar.
No entanto, generalizações nunca caem bem. Muito menos nessa área tão ampla que é a agronomia.
É possível ver todo tipo de motivo – e não menos interessantes que os anteriormente citados.
Pedro Luiz de Freitas, por exemplo, cursou engenharia agronômica por influência de um agrônomo, extensionista da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integra), que deu seu testemunho pela satisfação e carinho com que tratava seus assistidos, produtores de hortaliças em pequenas áreas da região periurbana de São Paulo.
Arnaldo se interessou pela agronomia ainda criança, quando residia na zona rural e acompanhava professores e estagiários da Esalq/USP em ensaios de campo e assistência técnica.
No meu caso, um testemunho bem sincero, comecei no curso por sorte (obrigada, Fuvest) e continuei pela paixão e respeito à área que me foram passados.
Podem ser muitas as razões para escolher a profissão, mas para continuar no exercício é uma só: amor pelo campo e querer alimentar o mundo de formas cada vez melhores.
E é possível fazer isso de diversas maneiras. Conheça mais sobre os entrevistados que falaremos ao longo da matéria e perceba a diversidade das atuações:
- Fernanda Dezani, líder de qualidade das operações agrícolas na Usina São Manoel, interior de São Paulo. Ano de formação: 2016.
- Pedro Luiz de Freitas, do Rio de Janeiro, aplica seus conhecimentos na proposição de práticas e técnicas de recuperação, conservação e manejo de solos. Ano de formação: 1975.
- Francisco Giudice Azevedo, gerente de produção agropecuária na Estância do Jarau em Quaraí/RS e gerente de produção de arroz e soja em Palmares do Sul/RS. Ano de formação: 2018.
- Juliano Valenga, área comercial na Mosaic Fertilizantes, região de Ponta Grossa/PR. Ano de formação: 2015.
- Maria Izabel Alves, doutoranda em bioinformática pela Universidade de Aarhus na Dinamarca. Ano de formação: 2015.
- Arnaldo Bortoletto, presidente da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo). Ano de formação: 1983.
O propósito no exercício da profissão de engenharia agronômica
Por definição, propósito é aquilo que se tem intenção de realizar. Todas as pessoas têm um propósito, mesmo que nem todas saibam identificar.
Perguntamos aos nossos eng. agrônomos(as) quais seriam seus propósitos na profissão e a sustentabilidade foi o termo mais usado. Eu me incluo nessa lista.
Fernanda, Maria Izabel e Francisco têm como propósito fundamental da carreira ajudar a produzir mais alimentos de forma sustentável, levando em conta aspectos econômicos, sociais e ambientais.
Fernanda tenta aplicar isso na sua rotina da usina, enquanto Maria Izabel busca estudar estirpes mais eficientes de rhizobium, por exemplo, para que seja possível diminuir o uso abusivo de fertilizantes nitrogenados, caminhando para uma agricultura mais orgânica e sustentável.
Pedro Luiz também levantou a questão do agro sustentável:
“Como engenheiro agrônomo, pela visão holística que adquiri na graduação (Esalq/USP), e pela especialização a que me dediquei no estudo do comportamento de solos tropicais, busco formas de integrar as diferentes especialidades da agronomia no atingimento do objetivo comum de produzir mais e melhor, sem derrubar uma árvore sequer.”

Pedro Luiz atua como engenheiro agrônomo desde 1975
Ele ainda completa que também procura contribuir para que o Brasil alcance sua vocação de celeiro do mundo, chegando a produzir alimentos, fibras, biocombustíveis, matérias-primas para um mundo que chegará aos 10 bilhões de habitantes daqui a 10 anos.
Para isso, Pedro afirma que precisamos de diferentes especialidades trabalhando em conjunto, garantindo a intensificação sustentável do uso da terra.
Se muitos pensam que agronomia e sustentabilidade não podem caminhar juntos, nossa pequena amostra pode dizer bem o contrário. Atrevo-me até mesmo a dizer que ambos devem trabalhar juntos para que nos tornemos realmente sustentáveis.
Por outro lado, Juliano comentou um nobre propósito: levar conhecimento ao produtor rural, obtendo não só uma maior produtividade, mas também uma maior rentabilidade.

Juliano diz que mercado saturado é um problema para o setor
Assim como Arnaldo, que também sempre teve como meta adquirir conhecimento técnico e levá-lo aos produtores rurais para que eles, com maior tecnologia, possam elevar a produtividade.
Devo dizer que me identifiquei muito com o propósito do Juliano e Arnaldo. O Blog do Aegro é a prova que buscamos ser a ponte entre a ciência de dentro das universidades e a aplicação em campo, sempre procurando incluir temas que mostrem e forneça orientações para o uso sustentável dos recursos.
Como é ser engenheiro(a) agrônomo(a) hoje?
Ao fazer essa pergunta, todos responderam ser desafiador, e quem não o fez, falou isso com outras palavras.
Ainda bem que gostamos de desafios! Fernanda levantou a questão de que a profissão exige diferentes habilidades, enquanto Juliano comentou sobre o mercado saturado.
Maria Izabel falou sobre as engenheiras agrônomas, que têm encontrado seu espaço em uma profissão que até 20 anos atrás era praticamente constituída de homens:
“Estamos conquistando nosso respeito e conseguindo mudar o estereótipo da profissão”

Maria Izabel se formou engenheira agrônoma em 2015
Não há como negar, se antes a mulher ficava em segundo plano na engenharia agronômica, hoje o palco também é nosso. Se ainda tem dúvida de como as mulheres foram e são cada dia mais determinantes na área, veja esta matéria.
Já para Pedro Luiz, ser engenheiro agrônomo é compreender a fundo as relações existentes na natureza e aplicar os conhecimentos agronômicos ao melhor uso da terra – que envolve o solo, a água, a paisagem e a biodiversidade, levantando novamente a questão da sustentabilidade.
Francisco ressalta que esta é uma profissão que requer muita responsabilidade, verdade e profissionalismo.
Mesmo com visões diferentes, percebemos que os desafios da profissão nos dias atuais refletem desafios da sociedade em geral hoje, além da particularidade da profissão de lidar diretamente com o meio ambiente.
O que o futuro nos reserva
Se no presente já estamos vivendo mudanças, como será que os engenheiros(as) entendem o futuro?
Maria Izabel acredita que o futuro agrônomo terá de entender que há possivelmente novas formas de agricultura que a monocultura:
“Apesar da modificação genética ter possibilitado grandes incrementos na produtividade de alimentos do mundo, a resposta de plantas transgênicas atualmente é apenas cabível com o elevado uso de fertilizantes e herbicidas. Muitas plantas modificadas se tornam resistentes a herbicidas pelo simples fato da elevada pressão de seleção oriunda de um modelo simplista ou uso inadequado da tecnologia”
A pesquisadora ainda afirma que precisaremos integrar a agricultura com a rizosfera e incluir a cultura em um modelo mais holístico, auxiliando a agricultura a se manter em níveis mais sustentáveis em longo prazo.
Fernanda levanta uma questão que há muito tempo nos preocupa: alimentar 9 bilhões de pessoas com alimentos de qualidade.

Fernanda: “Profissão exige diferentes habilidades”
Mesma linha levantada por Arnaldo. Ele reforça que, com o crescimento populacional previsto e a pequena disponibilidade de terra e água, os agrônomos precisarão suprir essas deficiências com alta produtividade.
Para Juliano, as dificuldades a serem enfrentadas pelo engenheiro agrônomo não devem ser diferentes daquelas encontradas por profissionais de outros setores.
Ele destaca o mercado de trabalho inchado, adaptação à transformação digital/cultural, necessidade de desenvolvimento de tecnologias para suprir a demanda de alimentos, entre outras.
Pedro Luiz comenta que agrônomos de diferentes especialidades, eng. agrônomos, eng. florestais, eng. ambientais, eng. agrícolas, tecnólogos em agricultura e agronegócios, biólogos, geógrafos e outras especialidades, têm o grande desafio de atuarem juntos utilizando as ferramentas modernas que estarão disponíveis em um futuro bem próximo.
Tudo isso para ajudar os agricultores e seus parceiros a produzirem mais e melhor. Ou seja, utilizar com eficiência os insumos disponíveis, agregando valor à produção e gerando riqueza para o país.

Arnaldo: interesse pela agronomia começou ainda criança
Na opinião de Pedro, nesse futuro (que já está presente), engenheiros agrônomos têm um papel muito especial. Devido à sua formação eclética, terão a missão de utilizar com sabedoria e liderar equipes com agrônomos de diferentes especialidades para atingir o objetivo de garantir a produção de alimentos, fibras, biocombustíveis e matérias-primas em quantidade e com qualidade, preservando o meio ambiente e garantindo o desenvolvimento sustentável do país.
Não poderia estar mais de acordo com Pedro: integrar diferentes especialidades com o objetivo de alimentar o mundo com mais sustentabilidade deve mesmo ser o maior desafio para um futuro bem próximo.
Também nesta linha de pensamento, Francisco comenta:
“Os engenheiros agrônomos do futuro terão que justificar cada vez mais suas ações e convicções perante o meio e a sociedade. Não haverá mais espaço para profissionais sem responsabilidade e conhecimento sobre os fatos e manejos”

Francisco ressalta que profissão requer muita responsabilidade e verdade
Conclusão
Em tempos de mercado saturado e grandes desafios, engenheiros e engenheiras agrônomas ainda têm muito o que comemorar.
O setor agro no Brasil continua a crescer, as tecnologias estão sendo aplicadas e novas soluções para velhos problemas têm sido criadas.
E o engenheiro agrônomo sempre está envolvido no desenvolvimento deste e de outros setores.
Desde o desenvolvimento de uma semente com mais tecnologia até a negociação das commodities na bolsa, e até mesmo para ajudar o mundo a ser mais sustentável, lá está o engenheiro agrônomo.
Parabéns para todos os amigos e amigas de profissão! Um feliz dia do engenheiro agrônomo a todos!
Muito legal ver colegas como Juliano Valenga e Pedro Freitas, que temos uma certa conviência fazendo esses depoimentos ao site.
Parabéns pelo trabalho de vocês.
Muito obrigada Eduardo!
Acredito que a agronomia pode influenciar a uma grande melhoria de produtividade aos pequenos produtores do nosso pais e trazer consigo uma nova visão de mercado e sustentabilidade ha esses produtores através de projetos que possibilitem o conhecimento agronômico. Li todo o conteúdo e achei show os comentários, muito esclarecedor.
Quero muito fazer Engenharia Agrônoma e em nome Jesus irei conseguir.