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fenologia do milho

O que você precisa saber sobre fenologia do milho

- 5 de abril de 2021

Fenologia do milho: o que é, como é dividida, fatores que interferem nos estádios fenológicos e mais.

A fenologia é o estudo das relações entre os processos biológicos e o clima, e inclui as diferentes fases do crescimento da planta.

Conhecer a fenologia das plantas te ajuda a determinar as necessidades da lavoura, saber quais fatores são críticos durante o ciclo e a realizar um planejamento de produção adequado às necessidades da cultura.

Confira neste artigo os estádios fenológicos da cultura do milho, aprenda a diferenciá-los e saiba o que afeta cada fase.

Aspectos gerais da fenologia do milho 

O ciclo da cultura do milho pode ser dividido em três grupos:

  1. superprecoce: até 110 dias;
  2. normal: entre 110 e 145 dias;
  3. tardio: maior que 145 dias.

Independente do ciclo, o desenvolvimento da cultura do milho (como o da maioria das culturas anuais) pode ser dividido em dois estádios: o vegetativo e o reprodutivo.

O que muda na fenologia da planta de milho em relação ao ciclo é o tempo de duração dos estádios fenológicos. 

ilustração com fases de desenvolvimento do milho desde vegetativo até reprodutivo

Fases de desenvolvimento do milho
(Fonte: adaptado da Universidade de Kansas)

O estádio vegetativo começa com a germinação e emergência e termina com o pendoamento. A partir do pendoamento, começam os estádios reprodutivos, que terminam no ponto de maturidade fisiológica do grão.

No geral, os estádios vegetativos são diferenciados pela quantidade de folhas da planta, e os reprodutivos pelo desenvolvimento da espiga.

A importância de conhecer estes estádios é saber quais são as principais fases que determinam o potencial produtivo da cultura, além de quais fatores interferem nessas fases.

Assim, é possível adotar as melhores práticas de manejo para que você consiga ter o máximo potencial da sua lavoura.

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Estádio vegetativo

Os estádios vegetativos começam no VE e terminam no VT. Ocorrem vários estádios entre o início e o final da fase vegetativa. 

Vale lembrar que a definição da fase vegetativa é a quantidade de folhas totalmente desenvolvidas.

tabela com exemplos dos estádios vegetativos da cultura do milho

Exemplos dos estádios vegetativos da cultura do milho
(Fonte: adaptado de Embrapa)

A folha desenvolvida é composta pela lâmina foliar, bainha, aurículas, lígulas e colar. Quando o colar fica visível, é considerado uma folha totalmente desenvolvida.

infográfico com componentes de uma folha desenvolvida - fenologia do milho

Componentes de uma folha desenvolvida
(Fonte: Ufal)

Por exemplo, o estádio V1 é caracterizado pela presença da primeira folha totalmente desenvolvida e vai até V18, V20, dependendo da cultivar ou híbrido utilizado. 

Abaixo vamos destacar os estágios vegetativos mais importantes para cultura do milho:

VE

VE compreende a germinação das sementes e a emergência das plântulas de milho.

Nessa fase, é preciso ficar atento à profundidade e uniformidade de semeadura, temperatura (ideal entre 25°C e 30°C) e à disponibilidade de água adequada. Estes são fatores fundamentais para uma emergência rápida e uniforme das plântulas.

V3 a V5

De V3 a V5, a planta ainda é pequena, com o ponto de crescimento abaixo do solo.

Neste período ocorre a definição do potencial produtivo da planta. No estádio V4, a perda de folhas pode reduzir a produtividade em 6% a 14%.

Em V5 já foi definida a quantidade de folhas e espigas que a planta irá formar, e a base de crescimento ainda se localiza abaixo da superfície do solo. Por isso, a temperatura do solo muito baixa pode prolongar o ciclo da cultura.

Falta e excesso de água são fatores importantes nesse momento. A falta irá prolongar mais os estádios vegetativos, e o excesso pode levar a planta à morte caso afete a gema apical (ponto de crescimento).

V6 a V10

No estádio V6, com seis folhas totalmente desenvolvidas, o ponto de crescimento e o pendão estão acima do nível do solo.

Isso reflete no crescimento mais rápido da planta. Além disso, o sistema radicular está em pleno funcionamento.

A adubação nitrogenada em cobertura deve ser realizada até estes estádios, pois no período entre V9 e V10 há maior necessidade da cultura.

Em V8, é definido o número de fileiras de grãos na espiga, e o excesso de água nesse período pode trazer prejuízos na produção.

Caso ocorra chuva de granizo, geada, ataque de pragas ou doenças que afetam grande parte da área foliar, há perda de produtividade de 38% a 62%.

De V9 a  V10, os órgãos florais iniciam um rápido desenvolvimento. E, a partir de V10, o tempo de um estádio a outro diminui, além de aumentar a necessidade por água.

V12 a V18

Em V12, o tamanho e o número de grãos em potencial de cada espiga é definido. Os estilos-estigmas, que são os cabelos do milho, começam a se desenvolver em V17.

A falta de água nessas duas semanas antes e duas semanas depois do florescimento e enchimento de grãos pode causar redução de 22% de produtividade.

VT ou pendoamento

O estádio VT (ou pendoamento) é definido quando o último ramo do pendão está completamente visível e os “cabelos” ainda não tenham emergido da espiga.

 A duração deste estádio até R1 depende do cultivar ou do híbrido utilizado.

Falta de chuva e temperaturas acima de 35℃ podem reduzir a formação de grãos de pólen. Isso causa falha na formação de grãos na espiga.

Representação dos estádios V3 (A); V9 (B); V18 (C) e VT (D) da cultura do milho

Representação dos estádios V3 (A); V9 (B); V18 (C) e VT (D) da cultura do milho
(Fonte: adaptado de Ritchie e colaboradores)

Estádio reprodutivo

Os estádios reprodutivos começam quando estilos-estigmas (cabelos) estão visíveis. São divididos em 6 estádios, descritos abaixo.

Exemplos dos estádios reprodutivos da cultura do milho

Exemplos dos estádios reprodutivos da cultura do milho
(Fonte: adaptado de Embrapa)

R1

No estádio R1 ou de embonecamento e polinização, os grãos de pólen são liberados para que ocorra a polinização. 

A quantidade de óvulos que serão fecundados é definida. Alguns fatores ambientais interferem nessa fecundação, causando baixa granação da espiga.

Temperaturas muito elevadas e falta de água causam problemas de desidratação dos grãos de pólen e dos cabelos da espiga. Nesse momento, deve haver uma atenção especial ao controle da lagarta-da-espiga que se alimenta dos estilos-estigmas.

R2

O estádio do grão bolha d’água tem essa denominação porque os grãos são basicamente um fluido, composto de açúcares.

De R2 a R5, falta de água, ataque de pragas e doenças da área foliar, desequilíbrio nutricional e falta de luminosidade afetam o acúmulo de matéria seca nos grãos. O peso e a produtividade dos grãos são afetados.

R3

Em R3, os açúcares dos grãos já estão se transformando em amido. Por isso, a denominação desse estádio é de grão leitoso.

Começa neste estádio a diferença de coloração da parte mais leitosa da parte mais dura (amido), comumente chamada de linha do leite.

O peso do grão é definido e este estádio ocorre entre 12 e 15 dias após a polinização.

R4

No estádio de grãos pastosos, a formação do amido é intensa e há ganho de peso do grão.

Ele já é mais consistente (cerca de 70% de umidade), com aproximadamente metade do peso que terá na maturidade fisiológica. 

R5

O teor de umidade do grão neste estádio está em torno de 55%. Os grãos começam a ficar farináceos e a linha do leite fica nítida neste ponto.

Neste estádio aparece uma concavidade na parte superior do grão, denominada “dente”.

Estresse, como o causado pela geada, causará redução da produtividade por afetar o peso dos grãos, além do aparecimento prematuro da camada preta, que indica a maturidade fisiológica.

R6

Esse estádio é caracterizado pela formação completa dos grãos na espiga. A camada do leite reduziu, apresentando o grão completo de amido. A camada preta, localizada na base dos grãos, indica a maturidade fisiológica

Os grãos apresentam o máximo acúmulo de matéria seca. Dependendo das condições ambientais, eles possuem 30%-35% de umidade e começa a acontecer a senescência natural das folhas.

Caso a colheita ocorra no início deste estádio, há necessidade de secagem dos grãos para o armazenamento. O teor de umidade ideal é de 13%-15% para milho em espiga.

Representação dos estádios reprodutivos da cultura do milho

Representação dos estádios reprodutivos da cultura do milho
(Fonte: adaptado de Fahl e colaboradores)

Conclusão

Neste artigo, você conheceu todos os estádios da fenologia do milho.

Viu que o tempo de ocorrência de cada estádio varia em função da cultivar e do híbrido utilizado. Aprendeu ainda a diferenciar os estádios fenológicos, tanto os vegetativos quanto os reprodutivos.

Além disso, viu os fatores que afetam os estádios fenológicos e que podem prolongar o ciclo do milho, além de afetar a produtividade.

Restou alguma dúvida sobre a fenologia do milho? Deixe seu comentário abaixo!

Comentários

  1. Para quem esta iniciando, estes conteúdos do blog são ótimos e servem, de parâmetros para em conjunto traçar um bom planejamento em nossas lavouras.
    Parabéns ao time da Aegro!

  2. NELSON ESCOBAR disse:

    Bom dia
    Parabéns pelo trabalho
    Agradeço o envio dos artigos
    Reenvio para meus ex-alunos e aos produtores rurais que atendo
    Aproveito a oportunidade para enviar cordiais saudações a todos.

    grato.

    Escobar

  3. Adão Francisco Teixeira disse:

    Parabéns pelo trabalho. muito bem esclarecedor.

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