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Ciclo do milho safrinha: Tire suas dúvidas sobre cronograma de plantio, desenvolvimento da cultura e ponto certo da colheita.

Logo após a colheita principal, o plantio de milho safrinha se torna uma boa oportunidade para o produtor rural.

Mas seu cultivo envolve riscos devido às condições climáticas, que não são as mais favoráveis.

Por isso, é fundamental entender o ciclo do milho safrinha para alcançar o potencial produtivo da cultura.

Atrasar o plantio em uma semana, por exemplo, pode significar um ciclo de desenvolvimento até 20 dias mais longo. E isso, é claro, impacta a rentabilidade.

Neste artigo, vamos falar sobre o ciclo do milho safrinha, o ponto ideal de colheita e outros fatores estratégicos para sua lavoura!

Ciclo do milho safrinha em dias

Como já mencionei, atrasar o plantio do milho pode prolongar muito seu desenvolvimento.

Isso acontece porque há adversidades climáticas. O período da safrinha é de menos luminosidade, menos chuvas e temperaturas mais baixas em relação à primeira safra.

E a redução na quantidade de luz influencia significamente o desenvolvimento do milho, fazendo com que seu ciclo seja estendido.

Portanto, ao atrasarmos em uma semana a semeadura, o ciclo do milho safrinha pode se prolongar em até 20 dias!

Lembrando que, quanto mais próximo do inverno, mais condições adversas para completar o final do ciclo, o que afeta os valores produzidos.

Veja a diferença dos ciclos de acordo com a época de plantio na tabela que eu separei:

ciclo do milho safrinha

(Fonte: Cruz et al. A Cultura do Milho, 2008)

Note que as cultivares de milho tendem a prolongar seu ciclo quanto mais tarde é o semeio, mesmo levando em consideração sua precocidade.

Por isso, nos casos em que a safra de verão teve sua colheita atrasada, é interessante a utilização de milho 2ª safra mais precoce.

Assim, a planta sairá do campo antes e sofrerá menos os déficit ambientais (água, luz e temperatura).

Quando falamos sobre ciclo, isso está completamente associado à fenologia da planta.

Então vou explicar melhor essa relação para que possamos fazer o cronograma em seguida.

Fenologia é o estudo dos estágios de desenvolvimento da planta, relacionando ainda as condições ambientais.

E porque é importante conhecer os estágios de desenvolvimento? Porque é através deste conhecimento que vamos agir de forma certeira no manejo da cultura do milho.

A seguir apresento a fenologia do milho, que é diferente do milho safrinha só pelos dias em cada fase. Veja:

ciclo do milho safrinha ciclo do milho safrinha
(Fontes: DuPont Pioneer Corn Growth and Development)

Cronograma do milho safrinha

Como já conhecemos o ciclo da cultura, vamos elaborar nosso cronograma.

Um cronograma eficiente é aquele que consegue aliar as atividades de manejo com o ciclo do milho safrinha.

Vou listar as atividades que precisam ser realizadas no ciclo do milho safrinha. Veja a seguir.

1. Análise de solo

A análise de solo deve ser feita sempre, pois o milho safrinha também demanda solos balanceados quimicamente.

Além disso, deve-se realizar a correção do solo com a calagem quando necessário.

Aqui no blog, nós falamos Tudo o que você precisa saber sobre calagem e Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem.

2. Preparo e adubação de plantio

Depois da análise e correção, ocorre o preparo do solo, quando o plantio da safrinha do milho for em sistema convencional.

Quando ocorrer em sistema de plantio direto (SPD), faz-se o plantio e adubação após a colheita de soja.

Recomenda-se que o plantio do milho segunda safra seja feito em solos com boa fertilidade e que apresente teor de nutrientes em nível adequado a alto.

Isso por que é uma cultura que normalmente instiga certo receio em investimento.

Quanto à adubação de plantio, faz-se o fósforo e o potássio total, visto que os dois serão em pequenas quantidades.

Caso a recomendação exija muito desses dois, vale refletir se é viável o plantio do milho safrinha!

Se houver recurso disponível, pode-se utilizar o tratamento de sementes.

Essa prática ajuda a reduzir o ataque de nematoides e de insetos que atacam a lavoura em seu estágio inicial.

ciclo do milho safrinha
Sistema de plantio direto ajudou a elevar o cultivo de milho no país, segundo Embrapa
(Fonte: Embrapa)

3. Controle de plantas daninhas

Normalmente, quando se utiliza SPD (Sistema Plantio Direto), as plantas daninhas têm certa dificuldade de estabelecimento, pois estão cobertas de palha.

Mas, mesmo nessa condição, recomenda-se a utilização de herbicidas até o estágio V4.

Estudos mostraram que, até essa fase, ocorre competição desfavorável, o que afeta diretamente a produtividade do milho safrinha.

E diante de tantos herbicidas, qual utilizar na sua lavoura?

O herbicida mais recomendado no cultivo do milho safrinha é a atrazina, que controla principalmente plantas de folhas largas.

No caso de milho RR (resistente a  roundup), também ocorre uma grande utilização de herbicidas com o glifosato.

Mas tenha cautela quanto à seleção de indivíduos que apresentem resistência. Conviver com essas plantas daninhas é muito difícil e pode ser um inconveniente nos próximos tratos culturais.

Utilize produtos que sejam registrados para a  cultura do milho e na dosagem recomendada! Consulte sempre um engenheiro(a) agrônomo(a).

4. Adubação de cobertura

A época mais recomendada para fazer a adubação de cobertura é entre os estádios V6 e V8.

É neste momento que as plantas demandam nitrogênio (N) para o crescimento vegetativo.

A aplicação de N é feita na cobertura quando as quantidades recomendadas excedem 50 kg/ha. Esse é o valor limite para a aplicação no sulco de plantio.

Quando a quantidade a aplicar supera esse valor limite, mas o produtor insiste na ação tentando reduzir uma operação, pode ter problemas de produtividade.

Isso porque essa aplicação incorreta promove redução do estande de planta e, por consequência, redução da produtividade.

Desta forma, a recomendação é parcelar a operação, ainda que se tenha mais um gasto operacional.

Já com relação aos micronutrientes, o mais indicado é a aplicação via solo e/ou foliar do nutriente que está em deficiência.

5. Monitoramento de pragas e doenças

Deve ser realizado desde o plantio até a colheita, pois o milho apresenta pragas e doenças durante toda fase de desenvolvimento.

Mas, nesse quesito, a safrinha leva certa vantagem em relação à safra normal.

Na segunda safra, a pressão de pragas é menor devido à diminuição de temperatura e umidade, condições desfavoráveis também aos insetos.

Saiba mais sobre as principais pragas de milho na 2ª safra também com os artigos:

“Como fazer o controle Spodoptera frugiperda na sua lavoura de milho”

“4 motivos pelos quais você não deve ignorar a cigarrinha-do-milho”

6. Colheita

A última etapa do ciclo do milho safrinha é a colheita, que deve ser realizada em R6.

Mas, sobre ela, vou falar especificamente no próximo tópico.

Abaixo, apresento um calendário das atividades de manejo do milho safrinha.

ciclo do milho safrinha
(Fonte: Rouxinol)

Ciclo do milho safrinha: ponto certo de colheita

A colheita deve ser realizada quando houver o ponto de maturidade fisiológica (PMF).

Esse ponto é determinado quando o grão se “separa” fisiologicamente da planta mãe.

Na prática, podemos notar isso quando a semente apresenta uma pequena mancha preta na inserção do sabugo.

É importante que a colheita seja feita nesse momento, pois o grão já teve o seu máximo desenvolvimento.

A partir daí, para se manter vivo, este grão estará utilizando suas próprias reservas, ou seja, gastando seu amido para se manter.

Então, colher antes pode ser uma boa ideia?

Infelizmente não, pois você estará colhendo um grão com muita umidade.

Isso implicará um processo de secagem posterior para que, só então, o milho possa ser armazenado.

Para uma boa colheita, é super importante associar esse PMF com a umidade, pois facilita o armazenamento e diminui as perdas por deterioração.

A umidade adequada está entre 18% e 20%, porém, para ser armazenado, o milho deve estar com um teor de 13% de umidade.

Desta forma, planejar a colheita é crucial, visto que tomando atitudes certas pode-se evitar perdas e ainda redução com gastos operacionais.

guia de manejo do milho

Conclusão

Conhecer bem a cultura e o ciclo do milho safrinha é uma das melhores estratégias para alcançar o potencial produtivo.

Neste artigo, vimos que a melhor ferramenta para isso é o cronograma. E quando ele está associado ao ciclo da cultura, as decisões quanto ao manejo são mais certeiras!

Também vimos a importância de planejar a colheita da safrinha. Afinal de contas, de nada adianta plantar e conduzir a lavoura de maneira correta para colher com umidade inadequada.

Portanto, agora que já estamos afiados com o ciclo do milho safrinha, espero que você alcance ótimos resultados!

Como você faz o seu cronograma de plantio? Restou alguma dúvida sobre o ciclo do milho safrinha? Deixe seu comentário abaixo!