O que é a mancha alvo do algodoeiro e como ela pode afetar a sua lavoura

Mancha alvo do algodoeiro: saiba quais são os sintomas, como ela afeta a lavoura e como manejar a doença no algodoeiro.

A mancha alvo é uma doença de grande impacto econômico para a agricultura e que tem preocupado muitos produtores de algodão nos últimos anos.

Seu controle não é tão simples, já que a disseminação do fungo na lavoura ocorre pela ação do vento e pelas gotas de água da chuva. Isso favorece a repetição de ciclos da doença na área.

Nesse artigo, vou te mostrar os principais sintomas da mancha alvo do algodoeiro e como fazer o manejo ideal da doença. Confira a seguir!

Importância da mancha alvo do algodoeiro

A mancha alvo é uma doença causada pelo fungo Corynespora cassiicola. Ela tem ampla ocorrência nas áreas agricultáveis e causa prejuízos em diversas culturas, principalmente na soja. Nos últimos anos, também tem ganhado notoriedade na cotonicultura.

O patógeno tem a capacidade de sobreviver em restos culturais e em hospedeiros alternativos, favorecendo repetidos ciclos da doença na área, o que dificulta seu controle. 

Os esporos do fungo podem ser disseminados na lavoura pelo vento e por gotículas de água da chuva.

Principais sintomas da doença

Os sintomas iniciais da mancha alvo no algodoeiro podem ser observados nas folhas do terço inferior da planta. 

É comum que a doença se manifeste após o fechamento da entrelinha. O elevado número de folhas do algodoeiro e os espaçamentos adensados favorecem o desenvolvimento do fungo Corynespora cassiicola, uma vez que as folhas do baixeiro estão sob condições de alta umidade e temperatura. 

Na fase inicial, é possível observar pequenas pontuações escuras com halo amarelo nas folhas. Com o agravamento da doença, essas lesões evoluem e assumem formatos maiores, podendo ser irregulares ou circulares.

As lesões circulares apresentam anéis concêntricos de tecido necrosado em seu interior, o que lembra o formato de um alvo. Por esse motivo, o nome da doença: mancha alvo.

foto de lesão sintomática típica da mancha alvo em folha do algodoeiro

Lesão sintomática típica da mancha alvo
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

foto de sintomas de mancha alvo nas folhas e brácteas do algodão

Sintomas de mancha alvo nas folhas e brácteas do algodão
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

Outro sintoma observado é a queda prematura das folhas. A desfolha e as lesões foliares diminuem a capacidade da planta de realizar a fotossíntese. Por consequência, há prejuízos no desenvolvimento das plantas e redução da produtividade. 

foto de desfolha do algodoeiro causada pela mancha alvo

Desfolha do algodoeiro causada pela mancha alvo
(Fonte: University of Tennessee Institute of Agriculture)

Considerando os danos causados pelo fungo, a queda da produtividade está relacionada à perda da área fotossintética da planta. 

Em outras palavras, o tecido necrosado das folhas não é mais capaz de impedir a radiação solar e realizar fotossíntese. Dessa forma, há queda na produção de fotoassimilados e, consequentemente, da produtividade. 

Doenças, nematoides, ataque de insetos e toxidez por fertilizantes ou pelo uso incorreto de produtos fitossanitários também provocam alterações nas folhas, como clorose ou queima

Assim, é importante ter uma diagnose correta da doença para fazer o manejo adequado, como vou explicar melhor a seguir. 

Como fazer o manejo da mancha alvo do algodoeiro

O manejo da mancha alvo no algodoeiro requer monitoramento constante para evitar que a doença evolua e cause prejuízos. 

Dessa forma, o método químico de controle é um dos utilizados no combate a essa doença.

Dentre as moléculas registradas para o controle da mancha alvo no algodão, podemos citar:

  • epoxiconazol + fluxapiroxade + piraclostrobina 
  • protioconazol + trifloxistrobina
  • bixafem + protioconazol + trifloxistrobina
  • fluxapiroxade + piraclostrobina 
  • azoxistrobina + mancozebe + tebuconazol
  • azoxistrobina + mancozebe 

No controle químico, é importante seguir as recomendações técnicas quanto à forma de uso do produto, época e tecnologia de aplicação, dose e volume de calda.

Outra sugestão é a rotação de produtos com diferentes mecanismos de ação para evitar a pressão de seleção na área. 

Além disso, algumas práticas podem ser adotadas junto ao uso de fungicidas para evitar que a doença se estabeleça, como:

  • manejo da altura das plantas de algodão com reguladores de crescimento;
  • controle de plantas daninhas (hospedeiras alternativas);
  • incorporação dos restos culturais;
  • evitar espaçamentos adensados;
  • seguir as recomendações quanto à população de plantas;
  • parcelamento da adubação nitrogenada;
  • rotação de culturas com espécies não hospedeiras;
  • evitar a sucessão de plantio algodão-soja, uma vez que são culturas suscetíveis à mancha alvo.

Ainda não há cultivares de algodão resistentes à mancha alvo. Dessa forma, o manejo deve ser voltado para práticas que desaceleram ou interrompam o desenvolvimento da doença. 

Vale lembrar que quanto antes a doença for detectada, mais eficiente será o controle e menores serão os danos. 

Como o NDVI pode ajudar a monitorar a doença na lavoura?

O NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) vem sendo amplamente utilizado para monitorar diferentes aspectos das lavouras. Como a mancha alvo é uma doença que ataca a parte aérea do algodão, essa tecnologia permite observar o comportamento e a evolução da doença pelos mapas. 

É possível também avaliar o nível de desfolha, identificar o foco da doença na área, plantas mortas, quantificar danos e determinar o melhor momento da aplicação de fungicidas. 

A presença da mancha alvo no algodão diminui a cobertura foliar da planta, e consequentemente, altera o valor NDVI. Essa modificação irá resultar em mapas diferentes daqueles gerados para a mesma lavoura antes da presença da doença.

Assim, é possível traçar estratégias de manejo adequadas para o controle da doença, uma vez que irregularidades no campo podem ser detectadas ainda em fase inicial.

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Conclusão

A mancha alvo é uma doença fúngica causada pelo patógeno Corynespora cassiicola e que ataca culturas de interesse agronômico, como o algodão. Os principais sintomas são visíveis nas folhas: lesões e desfolha precoce.  

O manejo da mancha alvo no algodoeiro inclui ações combinadas de modo a preservar a sanidade da lavoura e evitar ou retardar a disseminação da doença na área. 

Tendo em vista os sintomas causados, os mapas NDVI também podem ser uma importante ferramenta no gerenciamento das lavouras. Eles reúnem informações que possibilitam observar padrões na área, avaliar a condição dos plantios e se antever aos problemas. 

Espero que com essas informações você possa fazer um manejo eficiente da doença em sua lavoura!

>> Leia mais:

“6 principais doenças do algodão e como controlá-las na lavoura”

Você já teve problemas com mancha alvo do algodoeiro? Conte pra gente sua experiência nos comentários! 

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