Saber onde investir é o primeiro passo para aplicar o mapeamento agrícola com drone na fazenda
Campo e tecnologia nunca estiveram tão conectados. Engana-se quem pensa que abraçar uma cultura digital em uma fazenda é ineficaz ou algo exagerado – preparação de solo, plantio e colheita: todas as etapas de uma produção agrícola podem ser potencializadas pela tecnologia.
Um bom exemplo de como unir tecnologia e agricultura são os drones, cada vez mais populares e utilizados para o mapeamento de fazendas e para obter dados do plantio.
Neste post, feito em parceria com a Horus Aeronaves, traremos orientações para quem quer aderir ao mapeamento agrícola com drone na sua propriedade: como ocorre o processo, quais são os drones utilizados e como começar a utilizá-los na sua propriedade.
Índice do Conteúdo
Como os drones são capazes de mapear?
Este é um assunto muito técnico, portanto, explicaremos de uma maneira simplificada.
Uma foto de drone é diferente de um mapa feito com drone – este assunto rende uma discussão à parte que você pode entender melhor neste post.
O requisito obrigatório para realizar um mapeamento com drone é a capacidade do equipamento voar de maneira automática, através do seu sistema de GPS, sendo guiado por um plano de voo.
Observe como é feito o processo:

Ao tirar uma foto, o drone terá os dados de coordenadas do momento exato da foto, com latitude, longitude e altitude.
Em um voo de mapeamento, o operador seleciona a área de interesse em um aplicativo planejador de missão. Este aplicativo então ditará a trajetória do voo, observados alguns parâmetros como altitude de voo e sobreposição das imagens.
Como cada foto possui dados de coordenadas, é possível “cruzar” as informações de posicionamento entre si, através do processamento das imagens, gerando um ortomosaico – um mapa com distorções corrigidas e completamente georreferenciado.
A partir deste mapa, várias análises são possíveis – nós falaremos sobre elas depois.
Entenda sua demanda antes de escolher o drone
Certo, entendemos como ocorre o mapeamento. E agora, qual o drone ideal?
Muitos profissionais cometem o erro de comprar um drone qualquer, sem antes entender o objetivo por trás do investimento.
O universo dos drones é diversificado, existem modelos para diferentes perfis de usuários, que vão variar em valor e entregar resultados diferentes entre si.
Por isso, é muito importante que o produtor, agrônomo ou prestador de serviço tenha consciência de como pretende utilizar o seu equipamento no futuro – assim não haverá erro na escolha do tipo de drone.
Que tipo de drone escolher para o mapeamento?
De modo geral, dois tipos de drones são utilizados para o mapeamento: multirotores e asas fixas.
Ambos são capazes de desempenhar as mesmas funções praticamente em sua totalidade, tendo algumas diferenças em relação à sua capacidade de mapear áreas maiores em menos tempo e a possibilidade de embarcar diferentes sensores.
Os drones multirotores são modelos conhecidos no âmbito popular, é a imagem que vem à sua cabeça quando lê a palavra drone – aquele no formato de helicóptero, com quatro hélices.
Já os modelos de asa fixa lembram o formato de um avião, com aerodinâmica projetada para voar em uma velocidade muito mais alta.
A sua principal diferença é a capacidade de voar durante mais tempo, o que chamamos de autonomia de voo.
Enquanto um multirotor possui, em geral, 20 a 30 minutos de autonomia, os modelos de asa fixa são capazes de voar de 90 a 120 minutos – logo, são capazes de mapear áreas muito maiores.

Propriedades até 100 ha podem ser mapeadas com um multirotor. Acima de 100 ha, recomenda-se o uso de modelos de asa fixa pela sua maior capacidade de trabalho.
Como falamos anteriormente, o objetivo deve estar claro para a escolha do modelo: drones de asa fixa são capazes de embarcar câmeras com sensor multiespectral, responsáveis por mapas de saúde da vegetação, como o NDVI, por exemplo.
Além do drone, o que mais é preciso para mapear?
Com o drone em mãos, você vai precisar de um aplicativo planejador de missão, como o Pix4D Capture, DJI Pilot ou Map Pilot, por exemplo. Nos modelos de asa fixa, o fabricante geralmente fornece o software de planejamento.
Para a etapa pós-voo, será necessário processar as fotos feitas pelo drone para transformá-las em um mapa.
Este processamento pode ser feito offline, através de um software específico e um supercomputador (o que exigirá um alto investimento), ou online, com uma plataforma de processamento de imagens de drones em nuvem – uma opção mais prática e com melhor custo benefício.
É importante que o futuro operador do drone esteja capacitado para a função, realizando um curso de mapeamento com drones.
Caso você opte pelo processamento offline, também terá de se capacitar no software escolhido para fazer o processamento das imagens do drone.
No vídeo abaixo, listamos os investimentos necessários e os valores aproximados para cada etapa:
Que informações consigo extrair do mapeamento com drones?
Existem dois tipos de resultados que podem ser extraídos de um mapeamento com drones: o resultado de um processamento de imagens e os resultados a partir de um pós-processamento.
Ao finalizar um voo e processar as imagens, você terá em mãos o que chamamos de resultados “brutos” – ortomosaico, modelos digitais de terreno e superfície, índices IFV e VARI, arquivos de curvas de nível e nuvem de pontos do terreno.
Eles serão a base para as análises de pós-processamento, que fornecerão as informações mais valiosas para os produtores, como:
- a verificação de falhas de plantio;
- geração de shapefiles para aplicação de insumos em taxa variável;
- identificar infestações de plantas daninhas;
- mapas de saúde da vegetação;
- análise de linhas de plantio e suas falhas;
- contagem de plantas e outras análises.
Veja:

Conclusão
Investir no mapeamento agrícola com drones é uma decisão importante, que deve ser tomada com base em estudo – entenda a sua demanda, seu objetivo e escolha o modelo adequado para não errar no investimento.
Com mais informações para a tomada de decisão, há melhora no manejo da propriedade, e o reflexo nos resultados serão consequência disso.
Não fique para trás – o tempo e a tecnologia já são uma realidade.
Você já faz o uso de drones para mapeamento da sua propriedade? Tem interesse de começar? Compartilha sua opinião sobre o assunto deixando seu comentário abaixo!
Boa tarde…
Sou professor de tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas na Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO). Tenho interesse em parcerias tanto para o uso de drones no mapeamento de plantas daninhas em várias culturas e/ou aplicação de defensivos agrícolas. Não temos alguém com essa expertise na área, mas me coloco a disposição para desenvolvimento de trabalhos, que podem até mesmo constituir dissertações de mestrado ou tese de doutoramento.
Cleber Daniel de Goes Maciel (44) 991153676
Olá, Cleber
Sou da comunicação da Aegro. Agradecemos a sua disponibilidade de parceria conosco, se tivermos a oportunidade com certeza entraremos em contato.
Obrigada por nos acompanhar. Abraço!
Como disse, a estrutura para desenvolvimento de projetos na UNICENTRO esta a disposição.
sds Cleber Maciel